O projeto das cozinhas comunitárias foi reconhecido, na última terça-feira, pelo Prêmio Anu, realizado pela Central Única das Favelas (Cufa) como o melhor programa de SC e a terceira melhor iniciativa do País, por contribuir para o desenvolvimento humano e social em comunidades carentes. Mas as 17 cozinhas, que atendem crianças de zero a 15 anos de Joinville e região, e outras nove cozinhas instaladas em aldeias de índios guaranis, correm o risco de fechar as portas por falta de recursos.
— Se até o fim do mês não for fechado um novo convênio com o poder público ou privado, não teremos mais condições de continuar —, afirma padre Luiz Facchini, idealizador do programa.
Segundo ele, o custo para oferecer 1,6 mil refeições diárias a crianças carentes é de mais de R$ 50 mil por mês, e desde 2008 a Fundação Padre Luiz Facchini, que mantém as cozinhas comunitárias, não recebe mais repasse do município.
— Hoje, dependemos das doações de pessoas físicas e jurídicas, e convênios com a iniciativa privada, mas os recursos não têm sido suficientes para manter toda a estrutura.
A esperança do padre é que a visibilidade alcançada com a premiação nacional venha a sensibilizar o poder público e iniciativa privada quanto à importância do programa.
— Paralelamente, desenvolvemos o projeto Cidadão do Futuro, que oferece oficinas no contraturno escolar, combatendo assim a ociosidade que leva tantos jovens para o mundo das drogas e do crime —, ressalta.
Quem quiser contribuir com o projeto, pode ligar para a Fundação Padre Facchini: (47) 3465-0165.
Saiba mais sobre o Prêmio ANU
O Prêmio Anu tem como principal objetivo destacar ações de toda natureza desenvolvidas dentro de Favelas em todo território nacional que contribuam para o desenvolvimento humano e social desses espaços.O Anu-Preto é um pássaro presente em todo o Brasil, encontrado em pastagens, campos, jardins, entre outras áreas abertas. Durante o período colonial, os portugueses e espanhóis usavam este nome para insultar os escravos e as pessoas de pele muito negra. O tempo foi se tornando aliado do preconceito contra esse pássaro, bem como contra os negros, fazendo com que a ave fosse culturalmente odiada pela população. A ave se transformou oficialmente no símbolo do agouro. A CUFA, mantendo a sua posição de quebrar os paradigmas, sobretudo os aplicados contra a população já estigmatizada, escolheu o pássaro Anu como o seu maior símbolo, a fim de fortalecer a cultura negra.
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