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Os bastidores da vinda de Kelly Slater ao Brasil

04 de agosto de 2009 0

xandi Fontes revela detalhes da operação

Poucas pessoas sabem, mas a participação do surfista norte-americano Kelly Slater na etapa brasileira do Mundial da ASP deste ano, o Hang Loose SC Pro, na Praia da Vila, em Imbituba, esteve ameaçada. Não pela importância do evento, que, desde 2003, é disputado em Santa Catarina e, neste ano, reuniu o maior número de surfistas da elite _ apenas três dos top 45 não competiram por motivo de lesão: os australianos Adrian Buchan e Luke Stedman e o norte-americano Gabe Kling _, mas por causa de uma série de imprevistos.

O diretor de prova e um dos organizadores do Hang Loose SC Pro, Xandi Fontes, contou ao blog, em detalhes, como foi montada a operação para trazer Kelly Slater, o maior nome do surfe mundial, dono de nove títulos na divisão de elite, para a etapa do Brasil. Confira os capítulos da novela que durou, pelo menos, quatro dias.

CAPÍTULO 1

A SURPRESA

“Fomos surpreendidos a quatro dias do início do evento com a comunicação dele (Kelly Slater), informando que não poderia vir ao Brasil e nem ir à etapa da África do Sul por causa de problemas pessoais, além de não saber se iria competir nas etapas restantes do circuito mundial deste ano. O comunicado aconteceu por e-mail exatamente no dia que o Diário Catarinense fez uma matéria de destaque sobre a confirmação da vinda do surfista e de uma nota publicada na coluna do Cacau Menezes, festejando a vinda do Kelly. Ficamos desesperados. Mudança de data, quarta etapa do ano, o “tour” no seu auge, com nada decidido, primeira vez do evento acontecendo no Inverno e sem a presença do Kelly Slater ?? Dá para imaginar?”

CAPÍTULO 2

AS TRATATIVAS

“Foi quando entraram em ação os e-mails enviados pelo Renato Hickel, que é o Tour Manager da ASP. O Renato sabe fazer isso como ninguém. Ele conseguiu fazer o Kelly mudar de ideia apenas com algumas mensagens. Os temas que mais tocaram o Kelly foram as matérias publicadas no DC e nos veículos do Grupo RBS, que destacavam a vinda dele. O Renato, a meu pedido, escaneou e enviou as matérias publicadas no jornal para o Kelly, especialmente as que haviam saído no dia 23 de junho, dia que ele cancelou a vinda. Lembramos que no Brasil ele tinha um carinho enorme junto à torcida, e que sentíamos a “energia positiva” no ar neste evento, que poderia reconduzi- lo às vitórias.

CAPÍTULO 3

A CONFIRMAÇÃO

“Com resultados ruins no início do ano _ amargou três 17º lugares consecutivos pela primeira vez na carreira _, mostramos ao Kelly que o nosso evento poderia ser o marco para grande virada. E a resposta que tivemos foi a seguinte: Que ele estava estressado, que a pressão estava grande e que ” I will think over night” (Eu vou pensar durante a noite). Imagina a agonia que ficamos e isso tudo sem ninguém saber o que estava exatamente acontecendo. Todos perguntavam na praia, na padaria , no banco, na rua, no hotel, em todos os lugares que íamos, se o Kelly Slater viria….”

CAPÍTULO 4

SEM VISTO

“No dia seguinte (24 de junho) acordamos e ficamos ansiosos pela resposta do Kelly. O problema é que ele estava na Flórida (Estados Unidos) _ em relação a Brasília, são duas horas a menos _, para aumentar ainda mais a nossa agonia. Mas, felizmente, em seu último e-mail, o Kelly confirmou a vinda ao Brasil. Só que o problema ainda não tinha sido resolvido. Faltava o visto de entrada no país. Precisávamos de uma ajuda urgente junto ao Consulado Brasileiro, em Los Angeles, para obter o visto para o Kelly em apenas um dia. Ou seja, estávamos a três dias do início do evento e ele voando de Miami (na costa leste dos Estados Unidos) para Los Angeles (na costa Oeste) para conseguir o visto de entrada. Depois, voltaria a Miami para finalmente embarcar para o Brasil. Ufa!”

CAPÍTULO 5

A AUTORIZAÇÃO

“Entramos em contato com o secretário de Estado de Relações Internacionais de SC, Vinícius Lummertz, explicando toda a situação e pedindo que fosse feito o contato com a Embaixada Brasileira em Los Angeles, explicando quem ele era, falando da importância da presença dele no campeonato e da necessidade do visto imediato, o que fomos prontamente atendidos em tempo recorde. Bom, visto na mão, “what is the next” (o que vai ser a próxima surpresa?). Recebemos um telefonema informando que o Kelly havia perdido a sua conexão em Miami e que não sabia se iria chegar a tempo para disputar o primeiro dia do evento. Preocupações à parte, ele conseguiu pegar o voo seguinte para São Paulo (desembarcou na sexta-feira à noite, em Florianópolis).”

CAPÍTULO 6

PRANCHAS EXTRAVIADAS

“Para completar a história, as pranchas do Kelly não vieram (foram extraviadas), ficaram perdidas em algum canto do mundo. Por isso, nas primeiras baterias que ele competiu, Kelly usou pranchas emprestadas do havaiano Fredrick Pattacchia…Bem, o resto todo mundo já sabe. Kelly venceu e entrou para a história do surfe brasileiro e mundial. A melhor etapa brasileira dos últimos tempos, com altas ondas e uma final dos sonhos para os brasileiros: Adriano de Souza, o Mineirinho x Kelly Slater.”

CAPÍTULO 7

O TÍTULO E A TORCIDA

“A torcida foi à loucura na Praia da Vila!!! Se tivéssemos combinado tudo, nada poderia ter sido melhor. O curioso é que quando eu fui informar ao Kelly, antes da final, como seriam os procedimentos após a bateria e no pódio da premiação, ele me disse, visivelmente emocionado e rindo ao mesmo tempo:

“E agora, Xandi? Vocês me fizeram vir ao Brasil, com os argumentos do carinho da torcida, com a “vibe positiva” pela minha vitória e agora estou eu aqui “sozinho”, na final contra um “local hero” e essa torcida enorme contra mim (risos).”

Só me restou responder, meio sem graça, e num perfeito “manenes”:

“Posagora, Kellinhooooo!”

 

Postado por Jean Balbinotti, em Florianópolis

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