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Pinga abre o jogo sobre Mineirinho

16 de outubro de 2009 1

Pinga (à esquerda) e Mineirinho em cerimônia da ASP, em 2008/Divulgação

Atrás de todo grande atleta, existe um grande profissional. Não necessariamente em relação ao tamanho, mas fundamentalmente pelas decisões e atitudes que toma para valorizar a carreira do seu gerenciado.  

No caso do surfista Adriano de Souza, o Mineirinho, a pessoa que serve de base e lhe dá as coordenadas e “puxões de orelha” na hora que precisa é Luiz Campos, o Pinga, uma espécie de fiel escudeiro. Profissional de reconhecida qualidade, Pinga sabe o caminho das pedras e também como desviá-las sem causar grandes impactos.

Nesta semana, Mineirinho, após bater na trave algumas vezes, finalmente conquistou uma etapa do Mundial da ASP, em Mundaka. Agora, ele é o terceiro colocado no ranking e tem boas chances de faturar o título da temporada. Confira, a seguir, a opinião de Pinga sobre a carreira de Mineirinho.

 

Mar Aberto: Como você conheceu o Mineirinho? De que forma ocorreu a primeira conversa?

Luiz Campos, o Pinga: Nós nos conhecemos há 13 anos e logo começamos a desenvolver um trabalho. Foi muito tranqüilo. Eu estava sentado com minha mulher na praia, no Canto do Maluf, numa sexta-feira à tarde, esperando para surfar, quando chegou um grupo de garotos e entre eles, um era o Adriano, que me falou:

“Você que é o Pinga?”

Eu falei:

“Sou.”

Aí ele me falou:

“Vamos surfar?”

Fomos surfar e, na semana seguinte, as coisas começaram a acontecer.

Mar Aberto: Você trabalha com surfistas há quanto tempo?

Pinga: Eu montei minha primeira equipe em 1982, para a marca de um amigo de classe da escola. Mas, foi a partir de 1987, que comecei a me aprofundar mais na preparação de atletas como um todo.

Mar Aberto: O processo de lapidação de um atleta como o Mineirinho deve envolver uma série de detalhes. Você pode nos revelar os principais?

Pinga: Eu acredito que o mais importante é a base que a pessoa tem. Base familiar, educacional e cultural. E, é claro, talento e força de vontade. Pois, com todos estes aspectos, a pessoa com certeza será mais preparada para desenvolver um trabalho sólido e saberá a importância de um planejamento.

Mar Aberto: Na sua avaliação, além do talento, o que é preciso ter um atleta de alto nível no surfe?

Pinga: Humildade de saber quais são seus pontos fracos e consequentemente absorver o que deve ser feito para evoluir constantemente.

Mar Aberto: A origem humilde de muitos atletas, que, às vezes, não sabem sequer falar uma língua estrangeira, pode fazer um talento se perder no caminho?

Pinga: Acredito que seja uma soma de vários fatores que pode fazer com que um atleta saia do rumo. Por isto, uma boa base familiar é tão importante. Para que se tenha uma boa referência.

Mar Aberto: Neste caso, como você procura trabalhar a “cabeça” do atleta?

Pinga: Como eu sempre faço ao iniciar o trabalho com atletas bem jovens. Desde cedo já procuro ir conversando com ele sobre tudo o que envolve a vida de uma atleta, as coisas positivas e negativas, para que quando chegue a hora, ele já tenha uma ideia e esteja melhor preparado para lidar com as situações.

Mar Aberto: A história de que o Mineirinho não sabia surfar esquerdas é fantástica e agora, em Mundaka, ele deu um show nestas condições. Você precisou insistir muito com ele para surfar esquerdas?

Pinga: Não foi preciso insistir muito não. O Adriano sempre foi uma pessoa muito centrada e soube trabalhar as coisas e seguir o que planejamos. Ele sabia que era importante para ele.

Mar Aberto: Aonde você acha que o Mineirinho pode chegar? A primeira barreira ele já derrubou, que era ganhar no WCT. E agora?

Pinga: Eu acredito muito no Adriano, por tudo o que falei e por muito mais coisas. Ele é focado, centrado, sabe o que quer, se dedica aos treinos e sempre está atento ao buscar coisas que possam fazer ele evoluir. Nós trabalhamos com planejamento e metas. Sempre dentro da realidade. Galgando caminhos. Hoje, o título mundial é uma possibilidade cada vez mais próxima e real. Agora é o momento de procurar evoluir e buscar o melhor resultado possível nos próximos eventos e ver o que acontece.

Mar Aberto: Muitas pessoas sustentam que o Mineirinho, pela idade que tem, pode ser o sucessor do Kelly Slater. De que forma isso precisa ser trabalhado para ele não perder o foco e continuar essa trajetória vitoriosa?

Pinga: Da mesma maneira que estamos trabalhando durante todos esses anos, com seriedade, humildade e planejamento baseado em metas. É muito importante ter em mente que o trabalho em busca da constância e do equilíbrio deve ser prioridade na carreira do atleta.

Postado por Jean Balbinotti, em Florianópolis

Comentários (1)

  • Máurio Borges diz: 16 de outubro de 2009

    Muitas pessoas acreditam que o surfe é feito somente dentro d`água (resultados). Lêdo engano. O trabalho de base feito pelo Pinga merece total consideração e profundo respeito. É um cara ranzinza, porém muito profissional. É isso que difere dos demais. Mineiro pode sim brigar brigar pelo título de 2009. Tem reais condições. A base está feita e caso o título não venha nesse ano, um futuro promissor aguarda por ambos. Trabalho sério e competente.

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