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Um pouco mais da Família Nalu

23 de junho de 2012 0

Everaldo Pato Teixeira e Fabiana Nigol na Praia da Joaquina. Foto Daniel Conzi

A família Nalu passou por Floripa e eu tive o prazer de conhecer Everaldo Pato Teixeira e Fabiano Nigol para uma matéria veiculada na edição deste domingo do Diário Catarinense e aproveito o espaço para compartilhar com vocês mais informações e impressões sobre o casal da família Nalu. Bellinha estava na escolinha, então não pude conhecê-la. Conversamos na Praia da Joaquina, onde rolavam umas ondinhas. Mais tarde, quando perguntei se ele caía no mar com aquelas ondas de meio metro, Pato me disse que já havia caído no mar.

Bom, primeiro quis saber do helicóptero, a novidade da sexta temporada do programa Nalu pelo Mundo, exibido pelo Multishow, em horário nobre e com quatro reprises. Pato contou que já havia voado com Marco Aurelio Raymundo, o Morongo, em Garopaba, e que depois de um vôo na Inglaterra, com um amigo piloto, decidiu que queria aprender. Apaixonado por aviação, Pato frequentou uma escola de pilotagem no Havaí por sete semanas, com aulas diárias e, Morongo, testemunhando sua disciplina, decidiu apoiá-lo na aquisição de um helicóptero.

Junto com a compra do Nalú Móvel veio a ideia de percorrer o litoral brasileiro, pois a família não conhecia. Fabiana e Pato brincaram com a situação:

- Nossos amigos estrangeiros perguntam se a gente conhece o litoral da Bahia e a já paga um vexame porque não conhece, e eles conhecem – conta.

O Nalu Móvel foi comprado em Boston. Pato ainda mandou fazer uma janelas com adaptações para facilitar o trabalho da cinegrafista e também instalou um rack para levar as pranchas. A família percorreu todo o leste dos Estados Unidos, até chegar no Caribe, onde gravaram a sexta temporada. O amigo inglês de Pato veio como piloto oficial. Depois de gravarem a temporada, a família se dividiu. Fabiana e Bellinha vieram para o Brasil enquanto Pato e o amigo inglês vieram de helicóptero, num teste de fogo para o novo piloto.

Nessa aventura a gente não foi – ressaltou Fabiana.

Pato disse ter ficado impressionado com a grandiosidade da Floresta Amazônica, e não é para menos. O helicóptero está em São Paulo para vistoria e documentação, e as gravações irão reiniciar a partir do Recife.

Foto Arquivo Pessoal/Divulgação

Em seguida perguntei da adaptação de Bellinha à vida deles, já que o casal já viajava de 2003 a 2006 atrás da ondas e filmando tudo. Fabiana respondeu com tranquilidade:

- Acho que foi porque ela começou a viajar cedo demais mesmo. Com um mês e 20 dias ela já estava indo para o Chile, de carro, percorrendo quatro mil quilômetros, a primeira viagem -
– Não, a segunda, porque ela viajou do Havaí para São Paulo antes – corrigiu Pato.

Com cinco anos, Bellinha está entrando em fase de alfabetização e já está inscrita num programa de ensino chamada Home Schooling, que existe em alguns países como nos Estados Unidos. Segundo Pato, eles sempre procuram colocar Bellinha em escolinhas quando passam um tempo maior em algum lugar até para que ela possa se socializar, o que é importante. Bellinha também já sabe quando uma ondulação boa está por perto.

- Ela olha o vermelhinho no mapa e já aponta e diz para o Pato – relata Fabiana.

Puxando o assunto mais para o surfe, quis saber como Pato se definia: freesurfer, soulsurfer, big rider ou surfista profissional?

- Essa é um pergunta que eu já sei o que responder. Se eu sou pago para fazer algo, eu sou profissional. Mas eu acho que entre big rider e freesurfer, eu sou mais freesurfer.

Pato continua fissurado por ondas de qualquer tamanho e por isso procura surfar todos os dias. Já na pedras da Joaquina, comentei  sobre as ondas mais perigosas do planeta, porque tinha curiosidade sobre o que ele falaria de um pico da Tasmânia. Mas Pato fez a ressalva:
– Nada se compara com Jaws. É a mais perigosa. É diferente de todas, um volume de água muito grande.

Pato em Jaws. Foto Erik Aeder

Lembrei sobre a ondulação que rolou em Cloudbreak, nas Ilhas Fiji, durante a etapa do circuito mundial e Pato disse que quase atravessou o mundo para participar da sessão que consagrou o chileno Ramon Navarro.

Seriam 53 horas de viagem, segundo Pato, para um período de três horas de surfe. Ele teria que voar até o Chile, onde estão a maioria dos equipamentos. Poderia valer a pena.

- As vezes um dia de surfe perfeito vale mais do que um ano – afirmou.

Depois tirei minha curiosidade sobre o potencial da onda oceânica da Laje da Jagua, em Jaguaruna, no Sul do Estado, e ele me disse que havia feito uma session alguns dias antes, na remada, com a galera da Associação de Tow In de Jaguaruna. As ondas foram registradas pelo cinegrafista Akiwas em vídeo veiculado no Waves alguns dias depois. Comentei sobre a Ilha dos Lobos, em Torres, e Pato foi o enfático:

- É a melhor onda da América do Sul, com certeza. Pena que não dá para surfar – disse, em referência a uma proibição do Ibama por ser uma área de preservação ambiental devido a presença de lobos marinhos.

Pato perseguiu a onda de Shipstern Bluff, na Tasmânia, por cinco anos.

Tive algumas outras curiosidades para matar sobre a família Nalu, como religião e alimentação, e foi legal conhecer um pouco mais sobre Pato e Fabiana. Eles têm uma energia muito positiva, talvez, acredito, reflexo dos belos e bons momentos que vivem. Pato disse que frequenta uma igreja toda semana no Havaí, mas não é devoto de algum santo específico. Acredita em fazer o bem para receber o bem. E odeia fofoca:
-  Se o cara chega do meu lado para falar de alguém, eu saio de perto.
Então perguntei, mas no meio do surfe tem muito disso?
-  Não sei, porque se tem, eu não sei – risos.

O casal é privilegiado com alimentação, mas tem uma regra: doces são permitidos apenas no fim de semana. E naquele dia (uma sexta-feira) Fabiana e Bellinha haviam feito uma exceção, segundo disse Pato, que acusou o sumiço de um alfajor após o almoço. Eles também não comem frituras, mas Pato voltou a comer carne após ficar oito anos seguindo o regime vegetariano de Netão, o chefe da equipe Mormaii.

- Nessa o Netão não conseguiu me pegar. Meu corpo precisa de carne, me faz bem – argumentou Pato, que também malha e mergulha para continuar no rip.

Passeio do deserto do Atacama, no Chile. Foto Arquivo Pessoal/Divulgação

Durante duas vezes na entrevista, Pato falou que gostava de ler. Livros de história, mas também best sellers de autores como Chris Brown. A leitura foi uma necessidade para o surfista:
– Eu precisava me fazer entender, me comunicar. E na universidade da vida não falta tempo para leitura – explica.

Espero que tenham gostado, como eu curti a entrevista com o casal. Agora é olho na telinha para curtir a próxima temporada do programa Nalu no Mundo, no canal Multishow.

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