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Desafio Santos-Rio de HPE exige perícia e perseverança dos velejadores

28 de outubro de 2013 0
Os dois HPE. Foto Ronald Izoldi

Os dois HPE. Foto Ronald Izoldi

A Regata Santos-Rio chegou à 63ª edição com a credibilidade adquirida por atrair os principais velejadores do País ao longo do tempo. Neste ano, entrou para a história da regata o Desafio Santos-Rio de HPE, inédita participação de dois barcos HPE de 25 pés (8 metros) e sem cabine. O W.Truffi/Suzuki e o W.Truffi/SER Glass completaram a travessia na madrugada desta segunda-feira (28), com o tempo de 38h05, reduzindo o tempo previsto entre Santos e Rio em cerca de 10 horas, em função da entrada do vento sul com rajadas acima de 30 nós (60 km/h), no domingo.

Os dois barcos, que partiram do Iate Clube de Santos, largaram na baía de Santos, sábado às 12h05, em meio a uma flotilha de 24 embarcações. Cada um levando quatro experientes velejadores, exímios conhecedores dos barcos da classe HPE e do percurso de 220 milhas. Um bote Zonda de 30 pés, comandado por Cuca Sodré, o chefe da equipe do Desafio, atuou como barco de apoio, cumprindo todas as exigências estabelecidas pela Marinha.

- Tivemos de redobrar a atenção quando entrou o vento sul. Os veleiros começaram a andar a 18 nós. É muita velocidade para um barco de apenas 25 pés – relatou o zeloso Cuca, que só se afastou brevemente das embarcações para o reabastecimento do bote em Ilhabela.

W Truffi/Ser Glass. Foto Mauricio Cassano/ICS

W Truffi/Ser Glass. Foto Mauricio Cassano/ICS

A regata começou com vento leste forte e mar grosso, o que dificultou as primeiras horas dos velejadores no Atlântico Sul. No início da noite foi diminuindo e só por volta das 5 horas de domingo os barcos voltaram a ganhar velocidade, com a chegada de um vento local, sul, que os empurrou até Ubatuba. O sistema durou pouco, até às 9 horas, quando uma calmaria se instalou e os veleiros apenas boiaram. Cuca começou a monitorar a previsão de ventos com os iates clubes da região e estimou que antes do meio-dia entraria o sudoeste, direção ideal para se velejar no rumo do Rio de Janeiro.

- A previsão se confirmou. Logo depois das 11h30 começou a soprar o sudoeste e foi aumentando. O vento entrou com 10 nós, passou para 12, 15 e quando vimos, as rajadas passavam de 30. À noite, caiu para 15 nós e se manteve assim até o Rio. Mesmo durante o vento forte, saiu tudo certo. Apesar de tê-los no visual na maior parte do tempo, mantivemos as chamadas a cada duas horas como estava previsto. Só fizemos a aproximação com os veleiros, para a retirada do lixo de bordo e para passar um isotônico gelado para os tripulantes – contou Cuca.

HPE W Truffi/Suzuli. Foto Mauricio Cassano/ICS

HPE W Truffi/Suzuli. Foto Mauricio Cassano/ICS

Sem comer e sem dormir

Nas últimas 14 horas de velejada, depois de ultrapassada a Ilha Anchieta, as tripulações não puderam descuidar dos barcos nem por um minuto. O sudoeste forte e constante exigiu atenção total. “No começo da regata a gente se separou, mas quando o vento aumentou, resolvemos velejar juntos por questão de segurança. Se um barco tivesse um problema, o outro estaria próximo. Foi trabalho o tempo todo após a chegada do vento”, afirmou Marcelo Bellotti, comandante do W.Truffi/SER Glass.

- Ninguém podia mais descer para a parte interna do casco para evitar o peso na proa. Tivemos de fechar a tampa do paiol para o barco não encher de água. O mar varreu o convés o tempo todo, mas estruturalmente o HPE mostrou-se perfeito. O balanço é superpositivo. Apenas uma vela genoa rasgada e um moitão do balão quebrado. Só não tivemos tempo para comer e para dormir. Pelo menos tínhamos barrinhas de cereal no bolso, mas foi tudo em paz – comemorou Belloti na chegada ao Iate Clube do Rio de Janeiro.

O comandante do outro HPE, W.Truffi/Suzuki, Luiz Rosenfeld, creditou o sucesso do Desafio Santos-Rio ao planejamento muito bem elaborado, que deu prioridade total à segurança dos velejadores.

- Só chegamos ao Rio porque encaramos o Desafio com disciplina. Se tivéssemos apenas partido para uma aventura não teríamos concluído o projeto. A liderança do chefe de equipe, Cuca, também foi decisiva. Ele determinou, por exemplo, que não utilizássemos o balão no período da noite para não excedermos os limites de segurança. Dentro do barco, empolgados com o desempenho, não teríamos como avaliar esse tipo de risco.

Como fabricante do HPE, Rosenfeld teve a oportunidade de observar o comportamento do barco sob condições extremas.

- Pude certificar o veleiro estruturalmente e também pude ver que é possível ajustar pequenos detalhes para se aprimorar a performance com vento forte e mar grande. O objetivo do Desafio Santos-Rio de HPE era de movimentar a classe e levar mais adrenalina ao nosso esporte. Foi incrível – exaltou Rosenfeld, garantindo que depois da última etapa da Copa Suzuki Jimny, em Ilhabela, no início de dezembro, virá mais novidades na classe HPE.

Com informações da Local da Comunicação – Juliana Leite

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