
Super Medina arrepiou nesta quinta-feira em Saquarema. Foto ASP/Smorigo
A Praia de Itaúna bombou altas ondas nesta quinta-feira, com condições desafiadoras para os surfistas do Coca-Cola apresenta Quiksilver Saquarema Prime. O dia já amanheceu com séries de 6-8 pés, mas o mar subiu, e as maiores ultrapassaram os três metros de altura fazendo jus ao apelido de "Maracanã do surfe" da Praia de Itaúna. O paulista Gabriel Medina novamente comandou o show e recuperou o status de recordista absoluto da competição.
— Estou superfeliz porque peguei boas ondas de novo. O mar hoje (quinta-feira) estava grande e surfei com uma prancha maior, mas espero que amanhã (sexta-feira) esteja um pouco menor, porque está bem difícil competir nessa condição de mar. Lá fora está com bastante correnteza, entram umas ondas bem grandes nas séries e tentei me manter mais no lado direito porque estava vindo altas esquerdas e deu tudo certo — disse o fenômeno do surfe brasileiro.
Medina entrou para competir à tarde, quando o mar estava maior. Um dos seus adversários era o marroquino Ramzi Boukhiam, que na quarta-feira bateu os recordes que pertenciam ao surfista de Maresias. E Medina voltou a brilhar ao surfar com segurança nas ondas de 8-10 pés. Ele já começou bem com uma nota 9,20 e depois manobrou forte em uma esquerda gigante para arrancar nota 9,83, a maior do Quiksilver Saquarema Prime 2013. Com ela, totalizou incríveis 19,03 pontos de 20 possíveis, e se tornou o recordista absoluto nas grandes ondas da Praia de Itaúna. O irlandês Glenn Hall passou em segundo lugar, com Boukhiam sendo eliminado ao lado do catarinense Tomas Hermes.
— Para mim está ótimo, porque este mar difícil está servindo como treino para Fiji (próxima etapa do WCT) — falou Gabriel Medina, referindo-se ao local da próxima etapa do WCT nas Ilhas Fiji, onde as esquerdas prevalecem como em Saquarema. No ano passado, ele foi finalista nesta prova, perdendo só para a fera Kelly Slater nos tubos de Fiji.
— Foi por isso que eu vim pra cá, por ser um pico de esquerdas fortes também. E bom que já estou testando as pranchas que eu vou usar lá, porque quando eu chegar em Fiji não terei muito tempo pra fazer isso.

Raoni conhece todos os segredos de Itaúna. Foto ASP/Smorigo
DESAFIO EM SAQUAREMA
O mar desafiador, com condições extremas para o surfe, proporcionou grandes confrontos e viradas sensacionais nas últimas ondas das baterias. O carioca Raoni Monteiro, que há muitos anos mora em Saquarema, usou o conhecimento da Praia de Itaúna a seu favor para conseguir a classificação na disputa vencida pelo australiano Perth Standlick. Ele só garantiu a segunda vaga da bateria na onda surfada no minuto final, para superar o havaiano Ezekiel Lau e o paulista Caio Ibelli.
— É isso, a bateria só termina quando toca a sirene. A galera estava lá atrás esperando as ondas, aí remei um pouco mais pra baixo porque sabia que precisava de uma nota baixa. Remei, remei, entrei na última e vim surfando a onda até onde deu. Só senti que minha prancha estava um pouco grande. Eu tinha surfado com uma 5´11´´ ontem (quarta-feira) e essa que usei agora é uma de 6 pés, então ficou meio grande. Mas, deu tudo certo e estou feliz pela classificação — declarou Raoni.
O local de Saquarema também falou sobre a dificuldade do mar na quinta-feira:
— As condições estão totalmente extremas, uma mexedeira lá fora, o mar está bem difícil, muito balançado e não tem nem o que escolher. A onda que vier você tem que pegar e fazer de tudo pra não errar. Tem muita onda e você precisa surfar ali no balanço, tentando fazer as manobras. É o Maracanã do surfe mesmo e vai continuar dando onda direto essa semana aqui, com certeza— completou.

Jeremy Flores gostou do que viu em Saquarema. Foto ASP/Smorigo
No mar pesado da quinta-feira, com correnteza forte e ainda a dificuldade que o vento sudoeste cria na Praia de Itaúna com ondas gigantes, os surfistas tiveram que ser verdadeiros atletas. O australiano Perth Standlick, que venceu a bateria que Raoni Monteiro passou em segundo lugar, aprovou as esquerdas poderosas de Saquarema, e saiu da água radiante com a vitória.
— Está difícil, mar muito pesado, grande, mexido, ventando, enfim, condições extremas, mas que dá pra surfar. Era preciso ter paciência e esperar um pouco porque tem boas ondas, mas é um daqueles dias que você não tem muito o que escolher, é pegar o que vier pra ver no que vai dar. Eu gosto de condições assim, com ondas maiores, desafiadoras e aqui hoje (quinta-feira) está bem divertido, então estou feliz por ter vencido a bateria — explicou Perth.
Outra vitória marcante foi a do paulista Wiggolly Dantas, que saltou do último para o primeiro lugar com a nota da sua última onda surfada na bateria. O experiente norte-americano Damien Hobgood passou em segundo lugar no quinto dos dois oito confrontos da primeira fase que abriram a quinta-feira de ondas gigantes na Praia de Itaúna.
— O mar aqui em Saquarema é sempre desafiador, tem altas ondas, mar pesado, muito difícil, mas consegui pegar uma onda no final pra fazer umas manobras fortes, boas, pra passar de quarto pra primeiro na bateria — falou Wiggolly Dantas.

Wiggolly Dantas passou mais uma. Foto ASP/Smorigo
MAR DE HAVAÍ
Muitos dos estrangeiros que participam do Quiksilver Saquarema Prime não conheciam a potência das ondas de Itaúna e ficaram admirados. Um deles, o único francês da elite mundial do WCT, era Jeremy Flores, vencedor da bateria que fechou a primeira fase na manhã da quinta-feira. Ele também falou sobre as condições difíceis do mar, comparando até com as praias do Havaí.
— Está difícil porque tem bastante correnteza, mas tem ondas e fico feliz por surfar em um mar assim, com ondas grandes. O mais difícil pra mim hoje (quinta-feira) foi a remada. A onda balança bastante, mas estão boas pra fazer manobras mais fortes. As condições estão bem difíceis, mas dá pra surfar, todo mundo está pegando ondas e estou bem feliz pela qualidade do mar aqui. É a primeira vez que venho pra Saquarema e o lugar é irado, bem parecido com o Havaí e eu gosto de surfar com pranchas maiores, então está tudo ótimo, principalmente porque eu passei e vou continuar competindo neste mar —disse Jeremy Flores.
SUFOCO NAS ONDAS
Alguns passaram um sufoco pra se classificar, como o pernambucano Bernardo Pigmeu, que saiu vitorioso da disputa pelas duas primeiras vagas para a fase dos 24 melhores do campeonato, quando os competidores passam a ter duas chances de classificação para as oitavas de final. Os vencedores das baterias avançam direto e os perdedores podem se recuperar na única repescagem das etapas do ASP World Prime, como a de Saquarema.
— As condições estão desafiadoras demais, tá pesada a onda lá dentro, tem muito volume e na minha primeira onda já imbiquei, quebrei a prancha, mas olhei pro relógio e tinha tempo ainda. Eu peguei outra prancha e aí o jet ski me levou lá pra dentro, só que quando eu tava chegando já estourou uma bomba em cima de mim e perdi a prancha. Não acreditei, mas não desisti e no finalzinho consegui pegar uma onda para acertar três manobras e tirar um notão. Aí fiquei mais tranquilo pra fechar a bateria em primeiro lugar. Mas foi um sufoco —descreveu Pigmeu.

Pigmeu achou a classificação no final da bateria. Foto ASP/Smorigo
DEFENSOR DO TÍTULO
O australiano Matt Wilkinson também já passou para a rodada dos 24 melhores e continua na busca pelo bicampeonato consecutivo no Quiksilver Saquarema Prime. Só que na quinta-feira ele perdeu a invencibilidade nas ondas de Itaúna, se classificando em segundo lugar na bateria vencida pelo potiguar Jadson André. Ambos despacharam dois destaques da quarta-feira, o havaiano Dusty Payne e o paulista Jessé Mendes.
— As condições estão bem difíceis, o mar está muito forte e com vento e correnteza pra complicar ainda mais — analisou Matt Wilkinson.
INÍCIO ÀS 7H
A programação da quinta-feira era realizar as oito baterias que restavam da primeira fase e 10 das 12 da segunda rodada. No entanto, um temporal desabou no fim do dia e a última delas acabou transferida para abrir a sexta-feira, às 7h na Praia de Itaúna. A última da quinta-feira foi vencida pelo havaiano Sebastian Zietz, com o carioca Simão Romão conseguindo a segunda vaga na sua última onda surfada nos minutos finais da bateria. O evento homologado pela ASP South America como segunda etapa do ASP Prime 2013 será transmitido ao vivo na internet pelo www.quiksilver.com.br/primesaquarema13 .

Matt Wilkinson segue na disputa. Foto ASP/Smorigo
Terceira fase (Round dos 24 - 1º=oitavas de final/2º e 3º=repescagem (17º lugar=US$ 2.700 e 1.300 pts):
1ª: Matt Wilkinson (AUS), Raoni Monteiro (BRA), Bernardo Pigmeu (BRA)
2ª: Jadson André (BRA), Stu Kennedy (AUS), Perth Standlick (AUS)
3ª: Brett Simpson (EUA), Kolohe Andino (EUA), Heath Joske (AUS)
4ª: Dion Atkinson (AUS), Mitchel Coleborn (AUS), Tanner Gudauskas (EUA)
5ª: Gabriel Medina (BRA), Gabriel Villaran (PER), Simão Romão (BRA)
6ª: Sebastian Zietz (HAV), Glenn Hall (IRL), Kiron Jabour (HAV)
7ª: 1º da 10ª bateria da 2ª fase + 2º da 12ª bateria + 1º da 11ª bateria
8ª: 1º da 12ª bateria + 2º da 10ª bateria + 2º da 11ª bateria da 2ª fase
SEGUNDA FASE - ROUND OF 48 - 3º=25º lugar (US$ 1.900 e 700 pts) / 4º=37º (U$ 1.600 e 650 pts):
1ª: 1-Bernardo Pigmeu (BRA), 2-Stu Kennedy (AUS), 3-Davey Cathels (AUS), 4-Alejo Muniz (BRA)
2ª: 1-Perth Standlick (AUS), 2-Raoni Monteiro (BRA), 3-Ezekiel Lau (HAV), 4-Caio Ibelli (BRA)
3ª: 1-Jadson André (BRA), 2-Matt Wilkinson (AUS), 3-Jessé Mendes (BRA), 4-Dusty Payne (HAV)
4ª: 1-Heath Joske (AUS), 2-Dion Atkinson (AUS), 3-Marlon Lipke (PRT), 4-Nic Von Rupp (ALE)
5ª: 1-Kolohe Andino (EUA), 2-Mitchel Coleborn (AUS), 3-Cristobal de Col (PER), 4-Evan Geiselman (EUA)
6ª: 1-Tanner Gudauskas (EUA), 2-Brett Simpson (EUA), 3-Shaun Joubert (AFR), 4-Michael Dunphy (EUA)
7ª: 1-Gabriel Medina (BRA), 2-Glenn Hall (IRL), 3-Ramzi Boukhiam (MAR), 4-Tomas Hermes (BRA)
8ª: 1-Kiron Jabour (HAV), 2-Gabriel Villaran (PER), 3-Mitch Crews (AUS), 4-Granger Larsen (HAV)
9ª: 1-Sebastian Zietz (HAV), 2-Simão Romão (BRA), 3-David do Carmo (BRA), 4-Matt Banting (AUS)
Ficaram para abrir a sexta-feira:
10ª: Heitor Alves (BRA), Joan Duru (FRA), Marc Lacomare (FRA), Cory Lopez (EUA)
11ª: Patrick Gudauskas (EUA), Aritz Aranburu (ESP), Wiggolly Dantas (BRA), Dale Staples (AFR)
12ª: Jeremy Flores (FRA), Damien Hobgood (EUA), Nathan Yeomans (EUA), Mason Ho (HAV)
PRIMEIRA FASE (3º=49º lugar (US$ 1.000 e 400 pts) / 4º=73º lugar (US$ 750 e 380 pts):
Baterias que abriram a quinta-feira:
17ª: 1-Simão Romão (BRA), 2-Heitor Alves (BRA), 3-Travis Logie (AFR), 4-Peterson Crisanto (BRA)
18ª: 1-David do Carmo (BRA), 2-Cory Lopez (EUA), 3-Chris Ward (EUA), 4-Willian Cardoso (BRA)
19ª: 1-Marc Lacomare (FRA), 2-Matt Banting (AUS), 3-Jay Thompson (AUS), 4-Beyrick De Vries (AFR)
20ª: 1-Joan Duru (FRA), 2-Sebastian Zietz (HAV), 3-Eric Geiselman (EUA), 4-Maxime Huscenot (FRA)
21ª: 1-Wiggolly Dantas (BRA), 2-Damien Hobgood (EUA), 3-Kai Barger (HAV), 4-Vincent Duvignac (FRA)
22ª: 1-Patrick Gudauskas (EUA), 2-Nathan Yeomans (EUA), 3-Adam Melling (AUS), 4-Gavin Gillette (HAV)
23ª: 1-Mason Ho (HAV), 2-Aritz Aranburu (ESP), 3-Luke Davis (EUA), 4-Tom Whitaker (AUS)
24ª: 1-Jeremy Flores (FRA), 2-Dale Staples (AFR), 3-Jack Freestone (AUS), 4-Yuri Sodré (BRA)
Com informações João Carvalho - Assessoria de Imprensa da ASP South America