
Everaldo Pato Teixeira e o brinquedinho novo. Foto Bruno Lemos/Liquid Eye
Por Cristiano Rigo Dalcin
cristiano.dalcin@diario.com.br
O surfe rebocado, mais conhecido como tow-in, onde o surfista utiliza uma moto aquática para conseguir entrar e surfar ondas gigantes, está com seus dias contados. Pelo menos se depender do surfista profissional e big rider catarinense Everaldo Pato Teixeira, que acaba de testar o Jetsurf, uma prancha a motor, nas ondas do Havaí.
Reconhecido mundialmente pelo seu talento de desafiar as ondas gigantes, o catarinense aceitou fazer um teste com a prancha a motor criada pelo engenheiro tcheco Martin Sula, após convite do representante da empresa no Brasil, Luciano Raposo. O primeiro teste foi realizado em Police Beach, praia que serviu de cenário para o seriado Lost, na Ilha de Oahu.
Na ocasião, as ondas estavam pequenas, mas foi perfeito para Pato se adaptar ao novo brinquedinho concebido inicialmente para águas calmas como lagos de represas e lagoas. Foram duas semanas de testes e neste período Pato pode utilizar o equipamento em ondas afastadas da costa (o chamado outreef havaiano), com tamanhos que variaram de um a seis metros de altura.

Pato aproveitando um Outreef havaiano para testar a máquina. Foto Bruno Lemos/Liquid Eye
As duas semanas foram suficientes para o surfista profissional começar a pensar no futuro da sua busca incessante pelas ondas grandes. Atualmente, Pato mantém uma base no Chile, onde estão pranchas de tow-in e jet skis usados para surfar picos como Teahupoo (Taiti), Shipstern Bluff (Tasmânia), Mavericks (Califórnia) e Todos os Santos (México).
Agora, o surfista já cogita dispensar a estrutura para passar a desafiar as ondas com o novo equipamento, que polui menos do que a moto aquática (jet ski), além de não precisar de um parceiro para puxá-lo nas ondas. Pato ainda aproveitou a presença do criador da prancha no Havaí para sugerir algumas mudanças que podem tornar o Jetsurf mais maleável para as ondas gigantes.
Entrevista
Natural de Blumenau e criado em Penha, no litoral Norte catarinense, o big rider Everaldo Pato Teixeira mora no Havaí, ao lado da esposa Fabiana Nigol e da filha Isabella Nalu. Juntos, ele protagoniza o seriado Nalu pelo Mundo, exibido pelo Multishow com as aventuras da família em busca de ondas. Por e-mail, Pato contou um pouco sobre a experiência com a prancha a motor:
Mar Aberto - Quando você conheceu essa novidade e como apareceu a chance de fazer o teste? Everaldo Pato Teixeira - Foi por intermédio de um amigo, o Roberto Lima. Ele me apresentou o Luciano Raposo, representante das pranchas Jetsurf no Brasil. Eles estavam atrás de alguém para testar a prancha em ondas, já que nunca haviam feito estes testes. Comentei que estava indo ao Hawaii, o melhor lugar do mundo para testar surf em ondas grandes. Encontrei com eles aqui no Hawaii e tudo aconteceu da melhor forma possivel. Eu não acreditei quando conheci a prancha, fiquei chocado com a tecnologia. Eu sou fã de Fórmula-1 e muita das ideias e materiais usados nesta prancha são os mesmos usados nos carros de F-1.

Pato em mais um dropa motor. Foto Bruno Lemos/Liquid Eye
Mar Aberto - Onde você testou e como estavam as condições? Pato - Começamos testando em uma praia chamada Police Beach. É um lugar tranquilo e pouco frequentado por surfistas e como a prancha tem motor não podemos usá-la onde ficam os surfistas. O mar estava pequeno e consegui, já no primeiro dia, surfar boas ondas, e o melhor, sentir que a prancha tinha uma performance incrível nas ondas, por incrível que pareça, pois foi criada para águas calmas. Eles passaram duas semanas aqui e durante este tempo, o mar variou entre um metro ate seis metros. Nos últimos dias, eu já havia surfado ondas incríveis nos Outreefs (ondas fora da costa) de até seis metros. Eu estou completamente alucinado com esta nova prancha, pois por muitos anos pensamos e comentamos entre nos surfistas: "nossa nessa onda só uma prancha com motor", e agora temos uma prancha com motor. Isso é muito futuristico, acho e sinto que estou fazendo parte da história, e compartilhar isso com o público é muito bacana.
DC - Como foi a session e qual a tua impressão sobre o equipamento? Pato - A sessão foi tão boa que no final eu já havia completado o primeiro backflip da história com a prancha, além de ter feito uma performance bem parecida com uma prancha convencional.

Foto Bruno Lemos/Liquid Eye
Mar Aberto - O Jetsurf pode substituir o tow-in? Pato - Estou convicto de que isso é o futuro, e que muito em breve não precisaremos mais do jets para nos levar às ondas gigantes. Será preciso apenas aprimorar esta prancha e tudo que vamos ver serão o atletas de ondas grandes surfando as maiores ondas já vistas na história .
Mar Aberto - As manobras não ficam prejudicadas? Pato - Existem ainda algumas limitações, por seu uma prancha protótipo, e ter sido criada (este projeto) para lagos. Mas agora, com estas duas semanas aqui, junto ao Martin (Sula), criador da prancha, ele estão voltando pra casa com muitas novas ideias e com certeza em um futuro próximo teremos uma prancha muito melhor.
Mar Aberto - E quase não polui? Pato - Sobre poluição, ele desenvolveu um motor dois tempos, mais moderno e que menor polui no mundo. E é um motor tão pequeno, que não vejo muitos problemas quanto a isso, já que a prancha estará substituindo um jet com um motor quatro vezes maior, mais barulhento e que polui mais.
Mar Aberto - Você acha que a prancha a motor pode revolucionar de alguma maneira o surfe ou está surgindo um novo esporte tal como o jet ski ou tow-in? Pato - Acho que isso é muito futurístico e com certeza será uma revolução nas ondas, em um futuro breve. Porém, não vejo como substituto do surf. Será sim outra extenção do surf, principalmente em ondas grandes.

Visto de cima, Pato e o Jetsurf. Foto Bruno Lemos/Liquid Eye
Entrei em contato também com o Luciano Raposo, representante da Jetsurf para a América do Sul. Ele estava no Havaí, prestes a embarcar em um voo de retorno para o Brasil, e me enviou a seguinte mensagem com informações sobre o equipamento que compartilho com vocês:
Eu e o meu sócio (Augusto Hughes) trouxemos o Jetsurf para o Brasil (América do Sul) em março de 2012. A prancha foi desenvolvida por um ex-engenheiro da Fórmula-1, o Martin (Sula), e ele a projetou para qualquer tipo de água - claro que quanto mais "flat" melhor. Mas depois de tantos surfistas nos perguntarem se ela podia ser colocada nas ondas, resolvemos levar a prancha para um profissional do surfe, logo pro Hawai, e ninguém melhor que o Pato pra fazer isso.
Aí tivemos a resposta dele de que a prancha é perfeita também para as ondas. Lógico que cada um tem seu próprio estilo e preferência de ondas, então nada nos impede de no futuro criarmos algumas adaptações sugeridas pelo Pato para o surfe nas ondas. O nosso objetivo é mostrar que o Jetsurf é pura diversão, muito prático por pesar apenas 15kg (feito todo em fibra de carbono), podendo ser carregado em uma mochila que vem com ela.
Ele é muito rápido e atinge até 60km/h , com apenas três litros de gasolina dá uma autonomia de 1h15min mais ou menos. Hoje estamos comercializando dois modelos do jetsurf: GP100cc, que custa R$ 40 mil e a 86cc, que sai por R$ 35 mil reais. A diferença é a potência de motor e grafismo de cores. O site da empresa é : jet-surf.com .
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