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Kassandra deixa Maratona Cultural porque foi louca de se apresentar no Bokarra

14 de março de 2013 34

A decisão dos produtores da peça Kassandra de sair da programação da terceira Maratona Cultural de Florianópolis foi das mais acertadas e coerentes. A recusa à sugestão da organização do evento para que trocassem o local onde costumeiramente a peça é apresentada, a casa de shows Bokarra, levou ao cancelamento da apresentação, apontado como um dos pontos fortes da programação do dia 23.
Milena Moraes, atriz e produtora, explicou que não havia cabimento, até porque a peça foi convidada pela curadoria da Maratona. Então, optou por retirar-se. Kassandra estreou no ano passado, impulsionada pelo Prêmio Myriam Muniz de Teatro, concedido pela Fundação Nacional de Artes, e foi um sucesso de crítica e público.

Teatro total, teatro dentrofora. Voo dentro da asa, voo fora da asa. Poesia em estado corpóreo. Loucura. Coragem. Trabalho. Um teatro diferente, incomum em nossos dias, acontece no espetáculo Kassandra. Renato Turnes e Milena Moraes há muito vêm experimentando a busca de uma poesia, a busca de um teatro que muitos atores e diretores passam, muitas vezes, toda a vida sem experimentar, isto é, a conquista de uma obra precisa, de uma partitura perfeita, em todos os seus híbridos. Kassandra deixa de ser apenas desejo, mas a materialização efetiva de um teatro total. Atuação excelente, luminar. Direção precisa. Ritmo. Apropriação do outro. Violação. Sim. Kassandra é violação. Cenário, texto, luz, enfim, tudo é trabalhado e perpassado pela mão poética do diretor Renato Turnes e por Milena Moraes, uma atriz múltipla, dona do palco e do espectador.” (texto Teatro Sublime, publicado por Marco Vasques e Rubens da Cunha na revista Osíris).

O autor da peça, o uruguaio Sergio Blanco, condiciona a sua encenação a espaços de diversão adulta e assim foi na adaptação local e em outros países _ também sucesso na temporada europeia de 2012. Em todas as exibições ocorridas no Bokarra, a casa abriu unica e exclusivamente para a peça. Um cenário e nada mais.

O veto ao Bokarra teria sido uma imposição do governo do Estado condicionada à liberação dos recursos do Funcultural para a Maratona. Colunista Rafael Martini traz hoje na coluna Visor do DC de que a decisão foi do governador Raimundo Colombo. Detalhe é que até a logomarca da casa, impressa entre os apoiadores no programa oficial do evento, terá que ser apagada à caneta.
Temia-se pelas implicações a exemplo do caso da festa promovida pela prefeitura de Palhoça, no Dia Internacional da Mulher, com a participação de um “modelo de cueca preta”. Ilação estapafúrdia, típica da ignorância reinante e oportunista que alimenta o moralismo de Facebook. Destalhe é que o Bokarra age legalmente, dentro das normas estabelecidas pela prefeitura e pela Secretaria de Segurança Pública. Até que se prove o contrário, melhor punir o “devaneio” da arte, então que seja Kassandra. Assim como a Cassandra da tragédia grega, que foi condenada a ser tratada por louca depois de se recusar a submeter-se aos caprichos sexuais do deus Apolo. Bravo,não?!

Para não comprometer a realização da Maratona, os organizadores tentaram negociar a troca do local. E não estaria comprometida àquela altura? Temia-se pelas implicações a exemplo do caso da festa promovida pela prefeitura de Palhoça, no Dia Internacional da Mulher, com a participação de um “modelo de cueca preta”. Ilação estapafúrdia, típica da ignorância reinante e oportunista que alimenta o moralismo de Facebook.

Lamento que até a co-realizadora (Prefeitura de Florianópolis) não tenham se manifestado oficialmente sobre a questão e esclarecido as razões legais para tal decisão. Ou melhor, que a decisão da curadoria da Maratona fosse defendida até às últimas consequências.

O caso apresenta algumas questões pontuais. Por exemplo, até onde a cidade está disposta a abraçar a arte contemporânea? Até que ponto o fazer artístico precisa se submeter à ingerência política? Pior neste caso, que me parece uma coação.
Sempre fui um dos entusiastas da Maratona Cultural, desde a sua primeira edição, por possibilitar uma ocupação da cidade nunca vista, uma visibilidade artística até então sem precedentes. Mas incorre em alguns erros, sendo o principal deixar-se apoderar pelo personalismo político e seus humores. A Maratona precisa ser o desfecho de um movimento artístico consolidado, perene, a consagração de uma cena e seus principais agentes. Ela precisa catalizar toda uma programação de acontecimentos da cidade e não ser a sua única e exclusiva janela.
Também não é um evento privado _ e nunca foi! A sua fonte de renda é pública, mas está sujeita à zona (com todo respeito às casas de tolerância, que são mais organizadas) que virou o Funcultural e suas imposições descabidas. E isso não nos serve. O Secretário de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Beto Martins, declarou aos quatro ventos que, a partir de 2014, a Maratona terá que correr por suas próprias pernas. Seus idealizadores deveriam comemorar, então. Antes só…
A Maratona precisa buscar formas sustentáveis de financiamento e integrar-se à construção de uma política pública, que a ampare e dê as condições seguras para promover, de maneira autônoma, participativa e com relevância, aquela que é o sua razão de existir: a arte.

Nota de esclarecimento da produção de Kassandra

A produção do espetáculo Kassandra informa o cancelamento da apresentação prevista para o próximo dia 23/03 na programação da Maratona Cultural de Florianópolis, no Bokarra Club.

Fomos procurados pela organização do evento que, seguindo orientações jurídicas, nos solicitou que analisássemos a mudança de local da apresentação para um espaço diferente de uma casa noturna de diversão adulta, como é a ideia original da montagem.

Optamos pelo cancelamento por entender que a exploração do espaço não convencional da casa noturna é parte fundamental da proposta artística de Kassandra, e que qualquer mudança para um espaço que seja considerado “moralmente adequado” é uma descaracterização de nosso trabalho.

Kassandra é um espetáculo de teatro contemplado com o Prêmio FUNARTE de Teatro Myriam Muniz 2011, que viabilizou a montagem e temporada de estreia do espetáculo com entrada franca nessa mesma casa noturna no mês de setembro de 2012. Todas as informações, matérias de imprensa e críticas do espetáculo estão disponíveis no site da peça (aqui).

Esclarecemos ainda que nos dias de espetáculo a casa abre exclusivamente para as apresentações e que nunca recebeu qualquer lucro através do projeto, aliás, muito pelo contrário, a casa noturna apoia o espetáculo, cedendo o espaço físico, sua infraestrutura e seus funcionários para as apresentações na forma de apoio cultural.

Lamentamos que o cancelamento tenha sido movido pelas limitações do pensamento sobre arte e cultura de cidadãos e políticos de Florianópolis, no entanto entendemos que os organizadores da Maratona Cultural de Florianópolis fizeram o possível para que as autoridades compreendessem o real sentido e o valor artístico do projeto.

Informamos ao público que em breve divulgaremos novas datas para apresentações de Kassandra.

Atenciosamente,
A Produção.

O que disse a organização da Maratona Cultural

A organização da Maratona Cultural vem por meio deste comunicado, informar que o belíssimo espetáculo Kassandra, dos premiados Renato Turnes e Milena Moraes, não faz mais parte da programação oficial do evento.

Por orientações jurídicas e legais não iremos ocupar o espaço Bokarra, e por se tratar de um espetáculo concebido para tal local, não existe a possibilidade para alterações. Portanto assim, evitaremos qualquer tipo de manifestação contraria ao local, ao espetáculo e ao próprio evento.

Sentimos muito! Fica registrado nosso respeito e admiração por toda equipe de Kassandra e pedimos desculpas ao público que esperava ansiosos por mais esta atração do evento.

Obrigada!
Maratona Cultural.

Comentários (34)

  • Tatiana Cobbett diz: 14 de março de 2013

    Aqui venho agradecer por tornar pública e legítima a dor que me come o fígado e assombra a alma. Solidária com cada palavra, vou destacar: ” construção de uma política pública, que a ampare e dê as condições seguras para promover, de maneira autônoma, participativa e com relevância, aquela que é a sua razão de existir: a arte. ” Uma lástima ver confirmada a fragilidade e entreguismo da Maratona Cultural

  • Cristiano Prim diz: 14 de março de 2013

    Compartilho a tristeza, a indignação e meu fígado corroído.

  • Cláudia Barbosa diz: 14 de março de 2013

    O QI cultural e artístico de Florianópolis é alto, enquanto que o político sempre esteve muito aquém e o Miramar é a prova histórica disso: o que se esperar de uma cidade que derruba seu principal símbolo cultural? A cultura local não vive: SOBREVIVE. E não agoniza pq somos muitos, somos fortes e estamos juntos. Ou, ao menos, deveríamos.

  • Zenaide diz: 14 de março de 2013

    Se estava tudo tão dentro da lei como o colunista quer colocar, pq o temor de perder o patrocinio diga-se de passagem muito generoso do Gov do Estado?? o projeto estava atualizado? as licitações em dia??

    é mto mais fácil criticar isso q foi por causa da peça, do q irem a fundo investigarem um evento com um patrocinio PUBLICO do montante q é, sem licitação alguma, com um projeto desatualizado, ja q a SOL nao tinha conhecimento desta peça, pq o projeto usado é o mesmo desde 2010.

    A imprensa se cala e se aquieta, qdo realmente convém, distorcem os fatos ao prazer do q querem, e os tolos acreditam no q querem

  • Rodrigo Piva diz: 14 de março de 2013

    Como dizia Einsten, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. A produção está totalmente certa em cancelar. Eu tive o prazer de assistir a peça no Bokarra e não consigo imaginar um local mais adequado para o texto, excelente, aliás. Uma lástima que os donos da cultura local ainda estejam vivendo na idade média.

  • Juliana Policastro diz: 14 de março de 2013

    É uma lástima ver a hipocresia correndo solta, numa sociedade cheia de informações e com a internet ai abrindo as portas para mundo, ver uma peça tão bem escrita, com grandes atuações, ser restringida a participar da maratona por um motivo tão banal, como se a maioria dos homens da nossa sociedade já não estivesse em algum momento da sua vida estado em alguma casa do mesmo “segmento”, e com certeza não para fins “culturais”, mas é isso ai… Ainda vivemos em uma sociedade, onde vemos as mulheres sendo críticadas por lerem livros com apelos sexuais! É meus caros realmente o sexo é um tabu… Ninguem faz, niguem fala! aham vai nessa…

  • Esmeralda Santos diz: 14 de março de 2013

    Enquanto os produtores quiserem ganhar dinheiro do Estado no mole, terão que se sujeitar ao Estado. O evento é do governo, pago pelo governo, com uma empresa laranja, negociada pelo Prefeito, organizando. Não tem nada de cultura nisto, é um negócio, por isto aceitam as imposições do governo. A arte livre, independente, não pode depender de recursos públicos, muito menos por baixo dos panos, sem licitação. Se o projeto estivesse devidamente amparado por um processo democrático, através de licitação pública, com o aval do Conselho Estadual de Cultura, as condições poderiam ser outras.
    Também não dá pra querer ser independente e exigir que o Estado banque os custos da brincadeira. Se eu fosse artista, manteria o espetáculo, mesmo fora da programação, no dia e horário anunciado, com patrocínio privado.
    O que não é aceitável, é o Estado bancar uma peça teatral num puteiro, fazendo apologia do lugar, levando clientes para as meninas se divertirem. Tudo pago com dinheiro público.

  • Mica diz: 14 de março de 2013

    O governo não impediu a realização da peça, mas sim, que fosse realizada no Bokarra. Por que não poderiam mudar o local da peça, qual o problema disso, por que tinha que ser justamente lá? Acredito que encenando a peça por lá, intimida e limita muito o acesso às outras pessoas, justamente pelo tipo de estabelecimento que conhecemos ser o Bokarra.
    A Maratona deve ser democrática e é o que estão fazendo.

  • Priscila diz: 14 de março de 2013

    Confundindo “alhos com bugalhos” na incapacidade de compreender a arte.

  • Mica diz: 14 de março de 2013

    O governo não impediu a realização da peça, mas sim, que não fosse realizada no Bokarra. Por que não poderiam mudar o local da peça, qual o problema disso, por que tinha que ser justamente lá? Acredito que encenando a peça por lá, intimida e limita muito o acesso às outras pessoas, justamente pelo tipo de estabelecimento que conhecemos ser o Bokarra. E por que tem que ser justamente esse? É o melhor frequentado por nosso políticos e eles não querem tão escancaradamente dar a cara a tapa, né. Quanto dinheiro o Bokara não ta ganhando com essa promoção toda do seu nome?
    A Maratona deve ser democrática e é o que estão fazendo.

  • gilson diz: 14 de março de 2013

    leiam o comentário de “ESMERALDA SANTOS” – ELA DISSE TUDO. fora o ultimo paragrafo, estou totalmente de acordo.
    vai aprovar essa putaria de maratona no Conselho Estadual de Cultura, fazer desse projeto um projeto aceito por quem pensa a situação da cultura – não pelo gabinete do governador!

  • gilson diz: 14 de março de 2013

    ah esqueci – Mica, vai estudar!

  • Roberto Moura diz: 14 de março de 2013

    A comissão organizadora não estava informada do local da apresentação? Espero que as próximas apresentações tenha um público 3x maior e que seja recompensado todo o trabalho para esta apresentação.

  • Amaro Juvenal Neto diz: 14 de março de 2013

    A indignação dos produtores, artistas e de parcela da comunidade cultural é legítima. Mas, a meu juízo, equivocada no alvo! Acompanhei muitas críticas à inclusão no programa de espetáculo em local privado e com restrições ao acesso LIVRE de pessoas – todo tipo de pessoa. Nenhuma crítica se dirigiu ao espetáculo ou seus produtores. O que se questiona é a forma nada ortodoxa na análise, aprovação e repasse de verbas milionárias para projetos, sem EDITAL PÚBLICO, sem transparência, sem condições para que outros bons projetos pudessem “disputar” uma fatia do “bolo” ESTATAL. Por trás de muitas pessoas de boa fé no meio artístico, escandalizada com suposta hipocrisia em relação à casa das “primas”, estão verdadeiros chupins do dinheiro público, da grana fácil. Atravessadores mercantis da cultura e da relação sempre perigosa com a política e o Estado. Inclui nesse “balaio de siri” inclusive a grande mídia, domesticada com o “ganha pão” fácil para alimentar os seus “colaboradores”. Uma questão: por que o Bokarra e não outra “casa de espetáculos”, tipo sex night? Este aspecto, para os produtores, de nada conta. Mas, para o Estado que banca, conta muito. Que razão, qual norma legal justificaria o patrocínio oficial e a promoção de um negócio privado? O nome do Bokarra estava em todo o material impresso!! Fácil fazer revolução em mesa de bar. Difícil é assinar empenho, pagar e depois, prestar contas ao Tribunal de Contas, pagar advogado, devolver dinheiro aos cofres públicos e passar por corrupto, degenerado ou outro adjetivo que, até aquela mídia, então domesticada, passaria sem constrangimento algum a alardear em nome da moralidade pública! Hipocrisia? Claro que sim!!!

  • Daniel Olivetto diz: 14 de março de 2013

    Assisti o espetáculo e o espaço do Bokarra (ou outros semelhantes), é fundamental para a peça. Trata-se de uma questão bem comum ao teatro contemporâneo: há propostas em que o espaço é parte fundamental da dramaturgia e da direção. Fazer no Trintão (para dar um exemplo tosco) mudaria radicalmente a proposta. Seria outro espetáculo! E isso deve-se respeitar.

    Concordo que seria lindo custear arte sem precisar lidar com a burocracia imbecil do governo, mas isso seria num mundo ideal. Nem vem ao caso. Mas, sobre o fato do governo custear um espetáculo ali, bom, qual o problema? Então a arte financiada pelo governo tem de ser inofensiva? Tem de tratar de temas aceitáveis e ser bonitinha? Nem só de palhaço, boi de mamão e pau de fita (sem qualquer demérito) vive a arte contemporânea. Perdemos com isso de ter um evento que contemplaria manifestações que vão desde a arte popular até as propostas mais experimentais, da arte tradicional às práticas mais ousadas. Perdemos em convivência e democracia artística.

    E por fim: não há apologia alguma à prostituição na peça. Há o oposto disso. Há ali um discurso crítico sobre uma mulher tida como louca, que teve de ser excluída por não ceder às exigências sexuais, como disse o próprio Marquinhos no texto. Há ali um ato fundamental de aceitação dos seres humanos independentemente de gênero e outras divisões. Afinal, somos melhores que garotas de programa? Estamos acima da moral? Tenho plena certeza d que não!

  • Fátima diz: 15 de março de 2013

    Se o QI cultural e artístico da classe artística de Floripa é alto (como afirma Claúdia Barbosa em comentário acima), é bem verdade que o mesmo não pode se dizer da classe política que atualmente governa este estado e sua capital. É preciso explicar para essa gente despreparada para lidar com arte e cultura que o espaço onde a peça é apresentada é parte inseparável da dramaturgia cênica do espetáculo. Mas, como fazer essa gente entender isso, gente que se apresenta nos eventos de premiação da classe artística dizendo que fazia “teatrinho” na escola quando era criança (achando que está elogiando, ainda por cima!!!)? Censura é inconstitucional, uma conquista da classe artística e do povo brasileiro frente a governos totalitários do passado que, ao que parece, se reeditam hoje (completamente fora de hora!) em Santa Catarina e Florianópolis. Diria Brecht: “Péssimos tempos para a arte”. Façamos luto nesta época nefasta em que com certeza ainda seremos “brindados” com outras pérolas fascistas como essa.

  • Fátima diz: 15 de março de 2013

    Outra coisa. Esmeralda Santos falou bem: nesse momento, temos mesmo que nos “sujeitar” a um estado que rege a coisa pública como se estivesse escolhendo o chafariz para colocar no jardim de sua casa em negociações cujos fornecedores adiantam seu produto esgueirando-se pelos bastidores. Mas, quanto a “ganhar dinheiro no mole”, esclareço: artistas são trabalhadores como quaisquer outros cidadãos; mas, na contramão da maioria, não tem direito a salário fixo e, por isso, enfrentam muita dificuldade para sustentar seus filhos, sua família. Artistas merecem respeito. “Ganhar dinheiro no mole” parece, nesse caso, uma expressão melhor aplicável a outras classes catarinenses e florianopolitanas.

  • andre souza de lima diz: 15 de março de 2013

    MICA, VSF!!!

  • Jack Moa diz: 15 de março de 2013

    Voltando ao ponto… se estava tudo “dentro da lei”, estaríamos então voltando aos tempos da CENSURA ??? Ou estou sendo preconceituoso também?

  • Silvio Cesar diz: 15 de março de 2013

    É um fato que nos deixa envergonhados, tristes, com raiva, que pesperctiva velha, ultrapassada é essa que nos sujeitamos? Aliás, fomos nós que colocamos ele lá sentadinho na mordomia “rindo da nossa cara”. Vejo que há tentativas em passar essa idgnação para o resto da população, mas a forma mas eficaz para tal, ´com certeza concorda com essa atitude do senhor governadorzinho, sabe-se lá por qual motivo? $$$$$$$$$$. Foi clara, perceptível a contenção de nosso amigo jornalista, quando comunicou ao seu público matinal essa mórbida notícia. nos leva a pensar que todas as políticas querem matar, acabar, excluir, desintegrar, exterminar,explodir, diluir em uma fossa nossa cultura. Será que vou morrer vendo nossa comunidade aceitar o que nos é colocado, achar que tudo que vem de fora é o melhor para nossas vidas?
    Quanta saudade deTV Catarinense…!

  • Pedro Martins diz: 15 de março de 2013

    Nenhuma surpresa em toda esta celeuma.
    Florianópolis é o verdadeiro reino do provincianismo.
    O que dizer de uma cidade onde ainda se pergunta “de quê família você é?” antes de te receber para qualquer coisa?
    O “status quo” do estado de Santa Catarina não foge disto.
    E os incomodados? Que se retirem…

  • Ferreiro diz: 15 de março de 2013

    Mica, você trabalha para o Governo do Estado?

  • André Carreira diz: 15 de março de 2013

    O caso do veto à apresentação Kassandra na casa noturna é tão grave que mereceria uma atitude coletiva dos artístas que participam da Maratona. Uma atitude que explicite o caráter preconceituoso e moralista da pressão que parece estar por traz desse acontecimento. Como parte do movimento dos artistas da cidade, e como artísta que tem espetáculo no evento, creio que devemos nos reunir e considerar concretamente a possibilidade de que todos nos neguemos a apresentar caso Kassandra não possa viver no lugar que é o seu, isto é, aquele que os artistas que a criaram consideram o mais apropriado. Nenhhum governo tem a autoridade para julgar essa decisão. Seria importante um gesto coletivo compromentido com a liberdade de criação.

  • André Carreira diz: 15 de março de 2013

    Uma outra ideia sobre o Caso Kassandra.

    Gostaria de reiterar a urgência de manifestações contra qualquer ato de censura venha de onde vier.
    Fui questionado se a ideia da não apresentação dos espetáculos no evento seria a medida mais correta frente ao problema. Talvez não seja, porque quem sabe o administradores do Estado prefeririam o silêncio das salas de espetáculo.

    No entanto, se pretendemos não colocar em risco o evento, por sua importância no nosso contexto cultural, devemos ocupar todos os espaços possíveis para fazer forte nosso protesto contra a censura. Sugiro que todos artistas se posicionem através de todos os meios, e inclusive, antes das apresentações denunciando o absurdo dessa ingerência no projeto cultural da Maratona. Um ato de censura sempre implica na possibilidade de outro, e outro.

  • Jean Knetschik diz: 15 de março de 2013

    Há muito que o senhor governador Raimundo Colombo mostrou que o seu governo é retrógrado e pontuado, além de ser péssimo para com a classe artística.

  • Betinho Chaves diz: 16 de março de 2013

    O Teatro é a Casa do Caralho, o Bokarra é morada das Bacantes de Baco-Dioniso, é lá o ambiente onde essa bela peça acontece, fruto de pesquisa e processo=obra poético dos atuadores, cenário escolhido no auge da inventividade e ambientação. Como artista cênico, performer da Vida e amante desse tesão cósmico chamado Teatro das Artes, não se trata apenas de fazer uma manifestação contrária à atitude dos pseudos-democratas reafirmando que há algo de podre no reino de Florianópólis, de Caesar-Kaiser Souza Júnior and Colombo, mas essencialmente um enaltecimento à ética e à estética que desde Marcel Duchamp, Flávio de Carvalho, Hélio Oiticica e tantos outros, vêm gerando novas e abertas possibilidades de comportamento em meio à sociedade do espetáculo, da vigilância e do controle falocrático. Entonces, é no mínimo inevitável e de profundo respeito para com a ética-estética contemporânea e para com Kassandra, um boicote total dos que se prezam como pessoas amantes da liberdade da invenção. Parafraseando o artista plástico Allan Kaprow: Artistas da Maratona Cultural de Florianópolis, caiam fora, nada têm a perder senão as suas profissões. Axé e Merda!!!

  • Andréa Souza diz: 16 de março de 2013

    Quanto palhaça! meia dúzia de artistas reclamando por cauda de um espetáculo numa casa de prostituição. Fez bem o governo cancelar, caso contrária iria mesmo no MP. Vergonha!

  • Chico Caprario diz: 16 de março de 2013

    Não se poderia esperar nada diferente deste governo. Alguém tinha dúvida?

  • Luiza Lorenz diz: 16 de março de 2013

    Tinha que ser Santa Catarina (e Fpolis) a orquestrar essa chanchada ao contrário!! chanchadamente o ‘ilibado’ governo do estado não quer comprometer-se com “patrocínio oficial” em “negócio privado” ??? moralismo fora de época, de tópico e hora, esse… mas para tomar vergonha na cara e realmente fazer jus ao erário público, para isso ouvidos moucos!!

  • Luiza Neves diz: 16 de março de 2013

    Tinha que ser Santa Catarina (e Fpolis) a orquestrar essa chanchada ao contrário!! chanchadamente o ‘ilibado’ governo do estado não quer comprometer-se com “patrocínio oficial” em “negócio privado” ??? moralismo fora de época, de tópico e hora, esse… mas para tomar vergonha na cara e realmente fazer jus ao erário público, para isso ouvidos moucos!!

  • Betinho Chaves diz: 18 de março de 2013

    Viva a Democracia, Reinado do Povo, Sem Censura Time Life Corporation 1965 para o Brazil. Como entoou certa vez Dioniso, deus do Teatro: ”O Teatro é a Casa do Caralho”.O Bokarra é morada das Bacantes de Baco-Dioniso, é lá o ambiente onde essa bela peça acontece, fruto de pesquisa e processo=obra poético dos atuadores, cenário escolhido no auge da inventividade e ambientação. Como artista cênico, performer da Vida e amante desse tesão cósmico chamado Teatro das Artes, não se trata apenas de fazer uma manifestação contrária à atitude dos pseudos-democratas reafirmando que há algo de podre no reino de Florianópólis, de Caesar-Kaiser Souza Júnior and Colombo, mas essencialmente um enaltecimento à ética e à estética que desde Marcel Duchamp, Flávio de Carvalho, Hélio Oiticica e tantos outros, vêm gerando novas e abertas possibilidades de comportamento em meio à sociedade do espetáculo, da vigilância e do controle falocrático. Entonces, é no mínimo inevitável e de profundo respeito para com a ética-estética contemporânea e para com Kassandra, um boicote total dos que se prezam como pessoas amantes da liberdade da invenção. Parafraseando o artista plástico Allan Kaprow: Artistas da Maratona Cultural de Florianópolis, caiam fora, nada têm a perder senão as suas profissões. Axé e Merda!!!

  • luciano diz: 17 de abril de 2013

    Parabéns Milena Moraes e Renato Turnes, Florianópolis vai levar mais algumas encarnações para conseguir entender vossa genialidade enquanto artistas!!!!

  • Marcos Espindola » Arquivo » Sem Censura, Kassandra volta para casa em maio: desbunde no Bokarra diz: 26 de abril de 2013

    [...] dia 11 de maio. O palco será o mesmo: o Bokarra Show. A peça protagonizou uma polêmica durante a Maratona Cultural em março passado, quando deixou a programação após a sugestão dos organizadores para que fosse [...]

  • David – Floripa diz: 16 de setembro de 2013

    Era uma brincadeira né? Dinheiro público promovendo um puteiro? Nem por debaixo dos panos como fazem os corruptos… Vão investir em saúde que está uma lástima!!!

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