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3:25 (O que mais a dizer?)

27 de março de 2014 0

Estava pensando em dizer algo sobre o dito “levante no bosque da UFSC”, mas faço minhas as palavras do compadre Rafael Martini no blog do Visor.

Eu poderia dizer que a forma como a Polícia Federal agiu no campus da UFSC foi equivocada, truculenta, mas não adianta. Vou tomar bronca.

Eu poderia dizer que o campus da UFSC está jogado às traças há muito tempo, mas não adianta. Vou tomar porrada.

Eu poderia dizer que historicamente se fuma maconha no interior da Universidade federal de Santa Catarina, com a conivência de todos (leia-se reitoria e polícias), mas não adianta.

Eu poderia dizer que o modelo de gestão da UFSC, a partir da discussão com os movimentos sociais, parecia uma tese promissora, revolucionária, mas que naufragou em uma chaga também conhecida por ser humano.

Eu poderia dizer que o grau de convergência à esquerda xiita, entranhada na UFSC, também ajudou a pavimentar consequências como o confronto de ontem. Mas…

Eu poderia dizer que os estudantes se consideram intocáveis dentro daquele território e, por conta desta sensação de impunidade, acreditam que qualquer ato seja legítimo. Até mesmo vandalismo e violência. Mas não adianta.

Eu poderia dizer que dá para listar uma série de erros de parte a parte, culminando em discussões públicas entre os que deveriam zelar, em última instância, pela educação pública de qualidade e pelo combate efetivo ao tráfico de drogas. Mas não adianta, vão criticar.

Eu poderia dizer que a PM entrou, jogou lá sua meia dúzia de bombas e deu as costas para a confusão. Mas não adianta, vou ser apontado como o cara que é contra a corporação.

Eu poderia dizer que passou da hora de o país encarar um debate sério sobre a eventual liberação da maconha. Mas não adianta, seria chamado de maconheiro.

Eu poderia dizer que existe uma frente de batalha aberta por setores mais conservadores da sociedade que pretendem retomar a hegemonia na universidade. Mas não adianta.

Eu poderia dar opinião sobre este episódio da UFSC, mas não adianta. A coisa anda tão raivosa nos comentários e redes sociais, que qualquer pitaco  será motivo de crítica.

Eu poderia dizer que sinto falta do debate produtivo, que acrescenta. Mas não adianta

Eu poderia dizer que quase tudo se resume ao ataque venal, contra tudo e contra todos, mas não adianta.

Eu poderia dizer que está tudo muito maniqueísta, seja na política, nas relações pessoais, na vida em sociedade, no futebol, na praia ou no banquinho da praça.

Eu poderia….mas não adianta!

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