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Jards Macalé: "Em Plantão Revolucionário"

06 de abril de 2014 0

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Aqui vai a íntegra da entrevista concedida pelo imbatível Jards Macalé ao chapa e jornalista Guilherme Carrion e que está na Contracapa desta segunda-feira.

Fiel a sua natureza anarquista, ele prefere a correria a carreira e, aos 71 anos, continua em situação sistemática de “plantão revolucionário”. Jards Macalé, cantor, ator, compositor, um espectro inquieto da música popular brasileira a quem o Brasil viu surgir no final da década de 1960, evocando o vingador Batman, na célebre canção Gotham City, que arrebatou o Festival Internacional da Canção de 1969. O super-herói virou uma das personas da sua profusa figura, que também é mágico (“Elacam Tená é meu nome”). Perfilou na falange da Tropicália, com o qual rompeu diante dos “rumos comerciais do movimento”. Foi parceiro de Rogério Duprat, Caetano Veloso (no álbum Transa, 1971), com quem também se estranhou, Gal Costa, Gilberto Gil, Moreira da Silva e tantos outros. Essa turma se refestelou da sua fonte lisérgica de composições, como Vapor Barato, Anjo Exterminador, Mal Secreto, Movimento dos Barcos, Alteza, Hotel das Estrelas e Poema da Rosa. Mas dá para citar aqui dois de seus álbuns reverenciais: a estreia em Só Morto (1969) e O Banquete dos Mendigos (1979). Jards personifica a contracultura no país, processo que ele toma como contínuo. Um simples convite por telefone sacramentou a vinda dele à Capital, para o show desta terça-feira (8/4), às 20h, no Teatro Álvaro de Carvalho, dentro da programação do festival Floripa Noise. Só ele, o violão e umas cinco décadas de histórias para contar. O jornalista Guilherme André Carrion bateu um papo com “fantasma que anda” e adianta aqui um pouco do assombro nos aguarda amanhã:

Você conhece a ilha da magia? Algo mágico aconteceu em alguma das suas passagens por aqui?
Jards Macalé _ Conheço muito pouco; espero que agora tenha o enorme prazer de conhecer a ilha da magia sendo eu magico amador: Elacam Tená é meu nome mágico.

Poesia, amor e samba tem tudo a ver. Você se considera um homem romântico?
Jards _ Sou do time da Morbêza Romântica que apresentei com Waly Salomão em meu disco de 1975 Aprender a Nadar.

Neste ano tão atípico, muita agitação vem tomando as ruas do Brasil. Como anarquista, de que forma o senhor analisa a situação política brasileira? Podemos acreditar em algo revolucionário vindo das ruas e dessas manifestações?
Jards _ Sendo Anarquista (não confundir com anarquia), a revolução é permanente. Enquanto não for concedida vida plena ao ser humano (prazer, felicidade, saúde, educação e generosidade) estaremos em plantão revolucionário e das ruas virão as respostas.

Existe algum culpado pelo marasmo político cultural brasileiro? Quem é o principal monstro que assombra atualmente nossa sociedade?
Jards _ A própria sociedade!!!

Este ano, Floripa Noise será tomado por monstros macabros e aberrações assustadoras. Você tem alguma superstição, crendice ou macumba infalível para mal olhados, karma ruim ou assombrações misteriosas?
Jards _ My name is Walker, Mr. Walker. Eu sou o Fantasma que anda; moro na Floresta Negra com meus fiéis escudeiros, os pigmeus da tribo Bandar. Portanto, NÃO DIGAM QUE ME VIRAM PARA SUA SEGURANÇA PESSOAL.

O seu show está entre os mais aguardados do Floripa Noise. Qual a sua receita para transformar nossa cidade em uma Gothan City tupiniquim?
Jards _ Eu, como o Batman, garantirei o sucesso da festa usando meu nome nome em árabe Yards Mahatkallef.

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