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Avishai Cohen abre o Jurerê Jazz em noite colossal

25 de abril de 2014 0
Foto Ana Roman, Divulgação

Foto Ana Roman, Divulgação

Em 2008, por ocasião do TIM Festival, assisti à performance arrebatadora do saxofonista Sonny Rollins, um dos colossos da história do jazz, um dos últimos contemporâneos vivos da era de ouro de John Coltrane e Miles Davis. E ali eu pude perceber o poder supremo do jazz sobre uma plateia entorpecida por três horas e que lotou o Memorial da América Latina. A história se repetiu para mim e experimentada pelo público na abertura do festival Jurerê Jazz, na noite de quinta-feira, com o contrabaixista israelense Avishai Cohen. Entre o veterano Rollins e o “jovem” Avishai há uma diferença de tempo de quatro décadas de jazz, barreira essa que é demolida pela relevância com a qual os dois monstros empregam ao nobre gênero.
O concerto de Avishai Cohen em Florianópolis foi a síntese da sublimação. A primeira e mais aguardada noite da programação do Jurerê Jazz recebeu um público que, embora não tenha lotado o Pedro Ivo, se avolumou (ou agigantou-se) em sensibilidade e entrega. E foi devidamente atendida por uma performance inebriante de 90 minutos, onde o que se ouvia na sequência eram exultações do tipo “experiência de transe”, “transcendência” e “arrebatamento”. Avishai é um fato consumado da atual geração, mas também um colosso do jazz. O que ele produz no palco é um sincretismo mágico de estilos, compondo uma ácida e urgente junção pop entre o latino, o erudito e a sua herança do médio-oriente.
Ele é um performer admirável, que comanda do contrabaixo uma catarse particular que contamina a plateia. Aliás, imagino quão interessante não é a história do instrumento que lhe é tão caro, um baixo alemão de mais de cem anos. Das mãos pelas quais passou até chegar ao seu estágio atual, nada menos que merecido se não pelas mãos de uma dos maiores do seu tempo. Na escuderia de Avishai, duas figuras também brilhantes: o pianista Nitai Hershkovits e o baterista Daniel Dor _ este um jovem prodígio de 19 anos. Avishai se coloca ao centro e sob os olhares dos parceiros e estrategicamente à frente das caixas de som, uma retaguarda propulsora de sentidos. Do repertório, ele brindou motes já consagrados da sua discografia, como Dreaming, Seven Seas e Remembering e novas composições do recente álbum Almah. De tudo o que eu ouvi, experiência é o termo que melhor se aplica. Mas uma experiência sublime, como a que eu vi com Sonny Rollins há seis anos e que Avishai perpetua magistralmente hoje, mantendo aberta a trilha por onde agora ele é um dos colossos  a continuar essa jornada do jazz.
O Jurerê Jazz prossegue até o dia 4 de maio (confira a programação completa aqui).

A agenda para os próximos dias:

* Sexta-feira (25 de abril)
20h _ Conversan Duo (BR)
Positano Bar no Hotel Il Campanario, Av. Dos Búzios, 1760, Jurerê Internacional

* Sábado (26 de abril)
17h _ Andrew Scott Potter (EUA)
Jurerê Open Shopping, Av. Das Raias, 400, Jurerê Internacional
Gratuito

20h30min_ Luiz Gustavo Zago (BR)
Auditório Jurerê Classic, Rua dos Lambari-Guaçu, 437, Jurerê Internacional
Informações e ingressos: (48) 3282 2203

* Domingo (27 de abril)
20h _ Felipe Coelho + Trio Espiral (BR/Chile e Colômbia)
Café Saint Germain, Lagoa da Conceição
Gratuito

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