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Diretor de documentário sobre as manifestações diz que Junho de 2013 "foi uma preliminar apimentada" do que está por vir

05 de junho de 2014 0
Foto TV Folha, Divulgação

Foto TV Folha, Divulgação

Aqui vai a entrevista na íntegra com o documentarista e editor da TV Folha, João Wainer, diretor do documentário Junho _ O Mês que Abalou o Brasil e que estreará nesta quinta-feira (a partir das 13hs) no Cinespaço do Beiramar Shopping, em Floripa.

O documentário Junho _ O Mês que Abalou o Brasil é um filme que ainda continua passando na cabeça dos brasileiros. A produção da TV Folha _ canal on-line do jornal Folha de S.Paulo _, é um registro do levante popular que tomou às ruas do país há exato um e que estreará amanhã em oito cidades, incluindo Florianópolis (em cartaz no Cinespaço do Beiramar Shopping). O protesto que começou em São Paulo contra o aumento das tarifas do transporte público desencadeou uma mobilização nacional que o diretor João Wainer chama de “jornadas de junho” e cujo estopim foi a repressão policial. Wainer, 38 anos, é documentarista e editor da TV Folha e participou ativamente da cobertura que rendeu ao canal uma menção honrosa na última edição do Prêmio Esso de Jornalismo. Em entrevista ao Variedades, ele explica que a história sobre os protestos de 2013 ainda está por ser concluída e disso dependerá o “junho de 2014″, justo por ocasião da Copa do Mundo no Brasil.

DC _ Passado um ano, qual é a cara hoje do chamado “gigante” que despertou naquelas manifestações de junho de 2013?
João Wainer _ Acho que só será possível analisar o legado que o mês de junho de 2013 nos deixará depois que junho de 2014 passar. Esse dois “junhos” serão decisivos na escolha do próximo presidente da república e prefiro esperar pra ver antes de responder essa pergunta.

DC _ Naquela ocasião, você consegue citar um fator determinante que despertou o apelo massivo da população aos protestos? Seria a repressão policial?
Wainer _ Os manifestantes praticaram atos de vandalismo no dia 11 (de junho de 2013), depredando ônibus e agências bancárias. Esse vandalismo provocou um forte repúdio da grande imprensa e do governo de São Paulo, que se manifestaram no dia 12 condenando a manifestação e chamando de vândalos os manifestantes. Isso atiçou a policia que reagiu de forma absolutamente despropositada no protesto do dia 13 provocando cenas brutais de repressão que se espalharam imediatamente pelo mundo todo. Essas cenas foram sim um fator determinante para levar o povo para as ruas no Brasil inteiro.

DC _ As reivindicações do movimento, que começaram com a bandeira pela redução das tarifas do transporte coletivo, incorporaram uma série de outras demandas que culminaram com o “somos contra tudo o que está aí”. De certa forma isso não pulverizou a relevância da mobilização quanto a uma pauta concreta?
Wainer _ O (filósofo e cientista político) Marcos Nobre fala no filme que a manifestação do dia 20, logo depois do anúncio da redução da tarifa, foi a primeira vez na história do país que as pessoas foram às ruas sem um objetivo comum, como foram as Diretas Já e o impeachment do ex-presidente Fernando Collor. Naquele momento cada um foi para a rua com sua própria reinvindicação, muitas vezes incompatíveis entre si. Isso causou aquela confusão toda e a partir daí o movimento perdeu força.

DC _ Como os agentes envolvidos (manifestantes, políticos, governantes, polícia e jornalistas) se apresentaram nesta mobilização?
Wainer _ Acho que houve um momento de grande confusão em junho. Quem dizia que estava entendendo o que estava havendo mentia. A sensação que tive era de que todos estavam perdidos, e foi preciso algum tempo até conseguirem o distanciamento necessário para tentar botar as ideias no lugar. Até hoje ainda existem pontos que não foram totalmente compreendidos.

DC _ Houve um certo despertar de consciência entre a população, que se mostra mais crítica, principalmente em relação à imprensa. Como a mídia teve que repensar o seu papel?
Wainer _ O mais interessante de junho de 2013 foi ver a política de volta às ruas. A consciência crítica da população em relação a imprensa, ao governo e a outros setores da a sociedade é muito saudável e acho que isso foi uma das coisas positivas que ficaram das jornadas de junho.

DC _ Dá para crer que o junho de 2013 foi o estopim de um processo revolucionário de costumes e politização nacional?
Wainer _ Só o tempo vai dizer. O poeta Sérgio Vaz diz que junho foi uma “ejaculação precoce” mas acredito que talvez tenha sido apenas uma preliminar apimentada. Vamos esperar para ver.

DC _ Quais as situações limites que você enfrentou para registrar as manifestações?
Wainer _ Toda a equipe da TV Folha correu riscos e literalmente deu o sangue para fazer esse filme. A (repórter do jornal Folha de S. Paulo) Giuliana Vallone levou um tiro no olho, outros também foram feridos com menor gravidade. Os perigos vinham de todos os lados, mas a equipe não tremeu. Os fotógrafos Felix Lima, Carlos Cecconello, Rodrigo Machado e Isadora Brant foram monstros durante essa cobertura.

DC _ Até que ponto a linha editorial da Folha de S. Paulo influenciou na cobertura das manifestações e no olhar que se traduz agora neste documentário?
Wainer _ A TV Folha faz parte da Folha de S.Paulo e seguimos os mesmos princípios editoriais do jornal. Na feitura do filme isso não poderia ser diferente.

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