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Daqui para qualquer lugar: onde quer chegar Daza?

12 de junho de 2014 1

 

Foto Carlos Rocha, Divulgação

Foto Carlos Rocha, Divulgação

Aqui vai a íntegra da resenha publicada nesta quinta-feira no Variedades  sobre Daza, novo álbum do Dazaranha. Lobo abaixo do texto vai o álbum para você ouvir na íntegra e tirar suas próprias conclusões.

Para tentar entender o que aconteceu com Daza, o esperado novo álbum de estúdio do Dazaranha depois de sete anos de hiato, eu parto do final: Som de Tamborim, a última das 11 faixas. O samba de autoria de Moriel Costa _ e principal letrista do grupo _ dá uma dimensão da salada de referências que se transformou o trabalho e que causou certa estranheza a quem o ouve. Tecnicamente é o melhor disco já produzido da banda, mas como identidade característica de conjunto não faz frente às obras que o antecederam.
O risco foi presumido. O Dazaranha se reuniu há dois anos para gravar o trabalho e lapidou o presente repertório a partir de um setlist inicial de 50 composições. Como resultado do conhecido assembleísmo da banda, surgiu a ideia de aproveitar as contribuições individuais de seus integrantes, incluindo músicas de trabalhos paralelos, como de Moriel Costa, Chico Martins e Gazu. O que aparentemente pode soar como um “cozidão”, para seus membros foi uma homenagem à forma como o convívio de 22 anos os influenciou individualmente, trazendo isso para o espectro do conjunto e falar sobre vidas e amores. Há acertos, como em Dizem que Só (já gravada pela banda Tijuquera e que está no recente álbum solo de Moriel), que ganhou uma levada nobre e suave, A Vida é pra Viver, Fé Menina _ ambas de Chico Martins _ e na surpreendente batucada de Som do Tamborim (este de um outro projeto de Moriel que ainda está por vir). Em outros casos não funciona, a exemplo de Se Você For, também de Chico. A música já é conhecida pela versão da cantora catarinense de axé Diana Dias, que vem impregnada de uma batida linha pop dos anos 80 e que já não encontra mais ressonância nem nas FMs de hoje.
A urgente Caminho Reto e o reggae Rastaman, de Gazu, até resgata o vigor do punch roqueiro e regional do DNA do grupo, mas peca diante de um vocal esquisito. Aliás, o que aconteceu com a voz de Gazu? Um componente determinante na identidade sonora da banda, mas que está completamente descaracterizada. Na tentativa de aliviar o sotaque marcante, perdeu a força. Isso fica latente nas duas melhores canções do disco: Pelo Mar e Céu Azul, ambas de autoria do baterista J.C. Basañez. Aliás, justo ele, o integrante mais recente do grupo, é o autor das faixas que mais se identificam com a atmosfera das letras sagazes e assim preservam a tradição de assegurar pelo menos dois bons hits em cada trabalho.
Pelo Mar está entre as melodias e letras mais lindas já compostas pela banda e surge animadora quando abre o CD. Condensa a essência da banda de forma vigorosa: a percussão de Gerry Costa, o violino regente de Fernando Sulzbacher, o baixo, as guitarras nervosas, os metais, berimbau, enfim, aquela psicodelia coletiva, só que mais complexa. A música diz muito sobre o espírito deste disco: “Pelo mar… daqui para qualquer lugar”. Pena que os vocais nadam e morrem antes de chegar na praia, mas ali está o Dazaranha como estamos acostumados a vê-los no palco. É neste ponto que entra uma peça fundamental nesta investida com Daza, o produtor e arranjador catarinense Carlos Trilha, que levou para o estúdio a potência arrepiante dos shows. Trilha foi o responsável pela primazia da produção do disco, contribuindo inclusive com teclados e arranjos em outras faixas.
O Dazaranha tem lastro para correr riscos e é nesta hora que contará com a boa vontade do seu público cativo. Mas pode transgredir mais, de preferência como força coletiva, preservando uma essência que lhe é tão cara _ e o caminho pode estar nas mais de 30 músicas que ficaram para trás. Também é bom vê-los saindo da zona de conforto, ainda que tudo acabe em samba, o que no caso de Som de Tamborim os livrou de uma barca furada.

Dark Tales & Love Songs: o estouro da manada sonora de Elekfantz. Ouça o álbum aqui!

06 de junho de 2014 0

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Os laços de amizade entre o DJ Daniel Kuhnen e o músico Leo Piovesani vem de longa data, mas foi só depois de 20 anos que a a aproximação sonora entre os catarinenses se efetivou com o projeto Elekfantz. Desde então, tudo andou muito rápido para a dupla. Em pouco mais de um ano eles circularam por grandes eventos e festivais como Rio Music Conference, Amsterdan Dance Event, Dream Valley Festival e Lollapalooza Brasil, turbinados por tracks como Wish (2012) e Diggin’ on You (2013) e que anunciaram o estouro da manada nas pistas. Agora se consolida com Dark Tales & Love Songs, álbum lançado nesta semana pelo selo D.O.C., do DJ e produtor brasileiro Gui Boratto, e com distribuição pelo label alemão Kompakt.
O disco sai nos formatos digital e em vinil duplo _ com edição limitada. Na semana de estreia, o álbum atingiu o primeiro lugar no chart de música eletrônica do iTunes Brasil. Dark Tales  & Love Songs foi eleito por Boratto para inaugurar o seu selo, que é a sigla para “De Origem Comprovada”. Ele não só sabia no que estava apostando como afiançou o trabalho dos catarinenses junto ao comando da Kompakto, considerada o maior distribuidora de discos de música eletrônica para a Europa. Boratto é peça determinante no processo de construção do projeto em que foi mais que produtor: foi um terceiro elefante que apontou os horizontes para a jornada.
O trabalho traz 13 faixas que no conjunto fogem ao padrão de seus similares na música eletrônica, a começar pela duração dos temas que não passam dos quatro minutos, além de uma diversidade melódica que transcende as pistas. Tem tudo ali: beats, arranjos, riffs e refrões para cantarolar. “Sempre pensei em algo como uma banda, para se ouvir em qualquer lugar”, já anunciava Kuhnen, quando ainda recém-havia apresentado o single Wish, uma subversiva intervenção em Rollin’ Stone, clássico de um dos cânones do blues, o guitarrista americano Muddy Waters. “O potencial deles vai muito além do meu público, por exemplo”, anunciou Boratto à época.
Como o nome sugere, a peça tem seu lado apaixonante e sombrio. She Knows, a segunda faixa, é que de fato abre o álbum, soando poderosa com uma atmosfera post-rock 80 e disco music para emendar com a consagrada Diggin on You, hypada no verão europeu passado a partir de um remix do DJ alemão Solomun. O ponto de ebulição dançante é atingido com So Damn Classy, uma catarse fina de arranjos, guitarras, refrões, synths e levada funk 70.
Leo Piovezani, que toma a frente dos vocais e da bateria eletrônica, também opera os radares conceituais do disco, trazendo as reminiscências do blues e do jazz para os momentos mais introspectivos como Pharaoh’s Dance, Mysterious Traveller e The Quiet Before The Storm. Porém, sem perder o trunfo para surpreender, ao adicionar letras e levadas que fazem o tempo acelerar progressivamente, transitando para além do house, downtempo, do techno e eletroclash. Teasing Me é um desses exemplos, abrindo melancolicamente para colar forte em outro estágio de pura inspiração pop.

layout 310 x 310 LP Dark Tales and Love Songs Elekfantz_fev 14 v
O trunfo de Dark Tales & Love Songs é que ele traz para qualquer ambiente o poderio da diversidade musical de Elekfantz, até então só experimentado em pistas, ainda que sempre muito bem recebido nas diversas apresentações do duo. As composições são ótimas, a produção é impecável e o que está aí é para aqueles ouvidos sempre dispostos a apreciar boa música _ sem restrições de gênero. No final do mês os elefantes embarcam para uma nova turnê pela Europa, só que muito mais pesados e visíveis diante das expectativas e boas impressões causadas pelo presente álbum.

Crônicas de amores e balas perdidas da Nação Zumbi

06 de junho de 2014 0
Foto Vitor Salerno, Divulgação

Foto Vitor Salerno, Divulgação

Apenas Nação Zumbi. É assim que a banda de Recife se apresenta no seu oitavo álbum e interrompe um silêncio de sete anos dos estúdios, onde se volta para seu interior e compõem 11 faixas inéditas, espécie de crônicas pessoais ou “capítulos de um livro”. No curso dos seus 20 anos, o grupo repete o título do urgente e pesado disco de 2012, mas se aventura em um conceito muito mais limpo, suingado e profícuo. A energia se dilui, mas ainda faz vibrar.

Numa breve passagem no início do ano por Florianópolis, o baterista Pupilo já alertava para a nova direção que o disco apontaria e que ficaria latente em Cicatriz, single lançado em março e que abre o álbum lançado pela gravadora Slap.
Se o antecessor Fome de Tudo, de 2007, trazia uma apetite voraz pelo barulho e pelo discurso, este novo trabalho traz a Nação mais introspectiva, se deixando levar por outros embalos e aspirações. A produção foi encarregada a Kassim e Berna Ceppas, com a contribuição de Mario Caldato Jr., coprodutor de Fome de Tudo, na mixagem de algumas faixas.
_ Em Fome, a banda tocou junta em estúdio. Neste, voltamos a gravar em separado, com cada um contribuindo nas composições dentro de tudo aquilo que nos influenciam, como o cinema, histórias pessoais _ disse à época Pupilo.
Respondendo ao que considera uma evolução natural, a Nação surpreende logo de cara. Bala Perdida, a segunda faixa, chama pela sagacidade da letra no relato de um encontro quase fatal com um tiro que expressa a dúvida “se foi por querer”. O guitarrista Lúcio Maia é o catalizador destas veredas sonoras, puxando para a surf music, a psicodelia, o post-rock, o reggae, o bolero e o metal. Defeito Perfeito cria a primeira sensação de surpresa aos ouvidos dos fãs mais tradicionais: um soundsystem jamaicano, fritado em efeitos e regido pela vozes de Jorge Du Peixe e de Lula Lira _ filha do saudoso Chico Science, o fundador da banda. A sequência traz uma outra parceria, com a cantora Marisa Monte dividindo a voz com Du Peixe em A Melhor Hora da Praia, um arroubo de romantismo e clima de luau.
Os tambores não se calam, e tocam mais alto a partir da metade do disco, onde desperta a expertise do jogo de palavras: a ansiedade contemporânea expressa na fantástica Novas Auroras (“Ontem você quis o amanhã/Hoje você quer o depois”), as paixões idealizadas em Nunca Te Vi (“Nunca te vi sempre te amei/Vivo da promessa de encontrar você”) e o excesso de zelo na divertida Cuidado (“Tome cuidado com o seu cuidado em ter cuidado”). É ao tratar dos amores frívolos e trágicos em Foi de Amor e na incendiária Pegando Fogo que a clássica Nação dá as caras em um trovejar de guitarras e tambores. Nesta nova alvorada depois de sete anos, a Nação Zumbi ainda mantém acesa a chama para fazer arder a cena pop.

Definitely Maybe, do Oasis, ganha documentário e edição de luxo pelos 20 anos

20 de maio de 2014 1

oasis

Quando surgiu, há exatos 20 anos, Definitely Maybe, fez a molecada vestir a camisa do Oasis e bater no peito o orgulho e a devoção pelo britrock. Sem dúvidas é uma senhora obra, que vendeu cerca de 40 milhões de cópias, e toda a festa é justa por ocasião das duas décadas. Como Rock’n’roll Star, Supersonic, Live Forever e Up in the Sky ainda soam bem aos ouvidos. O sucesso deste disco fez os tempestuosos, talentosos e insolentes irmãos Liam e Noel Gallagher sonharem ser maiores que os Beatles. Do que está sendo servido aos fãs da banda para celebrar este aniversário indicamos o documentário sobre a história do álbum dirigido por Dick Carruthers que portal Vevo lançou nesta semana (assista abaixo).

Outra preza indispensável é a edição de luxo de Definitely Maybe, composta por três CDs e 44 músicas. Está bom para vocês?

Guitarrista Marzio Lenzi lança Second Blues

12 de maio de 2014 0

Retransmitindo o recado do chapa Rubens Herbst no OrelhadaA conta de Marzio Lenzi era certeira: já havia se passado dez anos desde o lançamento de seu primeiros disco solo, I Should Just Say So!. Era hora de ser “pai solteiro” de novo, e para isso, o frontman da Lenzi Brothers se enfurnou num home studio de Lages para produzir a fornada inédita. As visitas de amigos como Greg Wilson (Blues Etílicos) e Joe Marhofer (Headcutters) também foram registradas. Assim, tocando quase tudo sozinho, mas com várias ajudas, que Marzio concebeu Second Blues, alocado no Soundcloud e disponível em CD. É uma compilação que alterna faixas puramente instrumentais como outras agraciadas com vocal, mas que acima de tudo são um deleite para os aficionados pela guitarra blueseira, aqui executada com técnica e fervor extremos por um de seus grandes representantes nacionais. 

White Women (Chromeo): esse disco é pra casar!

08 de maio de 2014 0

Entre os lançamentos mais esperados do ano, White Women, novo disco do duo indietronic canadense Chromeo, não só atendeu como superou as minhas expectativas. Avança largamente sobre Business Casual, venerado trabalho anterior (2010) e promove o que deve ser um dos casamentos da temporada com as pistas. É um trabalho carregado de temas disco e inflamados e boas parcerias _ a exemplo Lost On the Way Home e Ezra’s Interlude (com o vocalista da banda Vampire Weekend, Ezra Koenig) e da previamente apresentada Come Alive (com Toro Y Moi). Essa pérola vazou e está pronta para o teste de pista no final de semana. Para gastar as solas e suar a nuca!

 

Um gadget na mão e uma ideia na cabeça: Damon Albarn grava clipe com tablet para promover seu novo álbum

06 de maio de 2014 0

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Heavy Seas of Love é uma das canções mais bacanas de Everyday Robots, disco solo do inglês Damon Albarn (ex-Blur e ex-Gorillaz). Faixa contemplativa, ensolarada e que tem traz o influente compositor Brian Eno e o coral Leytonstone City Mission encorpando o caldo.

Mas inusitado ficou na praticidade do clipe divulgado nesta semana, totalmente gravado via  iPad pelo próprio Albarn. Claro que a “mágica” do negócio talvez esteja na bela edição de Matt Cronin, mas como exemplo de resolutividade e portabilidade é inspirador.

 

William S. Burroughs In Dub (2014)

15 de abril de 2014 0

Os corajosos do coletivo suíço Dub Spencer & Trance Hill tiveram a manha de temperar o escritor norte-americano William S. Burroughs no dub e o resultado foi delirante: está no álbum William S. Burroughs In Dub. Os caras samplearam trechos de poemas recitados pelo autor de Almoço Nu e fizeram um toaster com as guitarras e as batidas lisérgicas do dub. A receita não poderia ser mais perfeita: a psicodelia característica do gênero com a verve poética de um dos mais afiados mestres da literatura beat. O Dub surgiu daí, da mistura da poesia sobre bases lentas e inebriantes, que fez a cabeça de muita gente na Jamaica e depois ganhou o mundo _ inclusive influenciando o que nos Estados Unidos viria a se consolidar como o Rap (“ritmo e poesia”).

Dazaranha lança Daza, seu quinto álbum de estúdio, em janeiro

19 de dezembro de 2013 1
Reprodução

Reprodução

Esta é uma prévia da capa do novo disco do Dazaranha, o sétimo trabalho da banda de Floripa e quinto álbum de estúdio que está prontinho para ganhar o mercado em janeiro. Batizado de Daza, o CD foi produzido pelo catarinense Carlos Trilha e traz 11 faixas inéditas, algumas já conhecidas do público como a música de trabalho Desarmados. A banda trabalha o álbum desde o ano passado, quando celebrou os 20 anos de carreira. O que seria uma visão saudosista virou um novo horizonte para o grupo, que envolveu todos os integrantes no processo das composições e elevou a carga instrumental à um nível sem precedentes na sua discografia. Daza será um disco de pressão musical, impondo uma carga de vitalidade não só à banda como também à trilha deste verão. Para o lançamento, os heróis da caixa d’água planejam um grande show ao ar livre no final de fevereiro, que também poderá render um registro em DVD.

Beggars Banquet, dos Stones: 45 anos de muita fartura!

06 de dezembro de 2013 0

O banquete está servido para a celebração dos 45 anos do genial Beggars Banquet, o disco dos Stones. E dizer que uma visita a um terreiro de candomblé na Bahia  ajudou a construir um dos maiores discos da história do rock . A obra-prima abre com a antológica e pecaminosa Sympathy for the Devil e a sua batucada inspirada nas rodas de terreiros.  Não é por menos que o aniversário calhou justamente nesta sexta-feira, o Dia dos Santos.