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Posts com a tag "espetáculo"

Kassandra vai fazer o ponto em Blumenau

12 de maio de 2014 0
Foto Cristiano Prim, Divulgação

Foto Cristiano Prim, Divulgação

A mitológica personagem Kassandra, da atriz Milena Moraes, atenderá em novo, porém ainda em controverso endereço: a Casa da Sete, de Blumenau. O conhecido “clube de entretenimento adulto” do Vale receberá no dia 17 (sábado), o espetáculo que já deu muito o que falar desde a sua estreia em 2012 em Florianópolis. Dirigido por Renato Turnes, Kassandra é uma montagem da Cia La Vaca para texto do franco-uruguaio Sergio Blanco. Serão duas apresentações em um único dia: às 20h e às 23h. Fora isso, não adianta inventar a desculpa de que está ao teatro para visitar a Casa da Sete.

Companhia de Dança quer levar público para o palco da Bienal de Dança de Florianópolis. Vai enccarar?

05 de maio de 2014 0
Foto: Lu Barcelos, Divulgação

Foto: Lu Barcelos, Divulgação

A Quasar Cia de Dança produziu um vídeo convidando o público de Florianópolis a não só para assistir ao espetáculo No Singular, destaque da programação do dia 7 (quarta-feira) da Bienal de Dança _às 20h, no Teatro Pedro Ivo _, como para participar também. A coreografia Passo a Passo está aqui. Veja e ensaie, porque a ideia é chamar pessoas da plateia para subir ao palco e dançar junto com os bailarinos.

Não perca essa: Avishai Cohen abre hoje o Jurerê Jazz

24 de abril de 2014 0
Foto: Jurerê Jazz, Divulgação

Foto: Jurerê Jazz, Divulgação

Bora lá porque um show desses não dá para perder. O magistral contrabaixista Avishai Cohen fará às honras do Jurerê Jazz Festival, logo mais à noite, às 21h, no Teatro Governador Pedro Ivo. O músico israelense, um monstro do jazz mundial,  desembarca na Capital para o segundo e último concerto da sua breve passagem pelo Brasil. Ontem, ele se apresentou na Sala São Paulo, em Sampa. E mais uma vez promoveu mais um espetáculo de catarse, colocando a plateia em transe com o inseparável contrabaixo alemão _ uma raridade com mais de cem anos. De aperitivo, vai um vídeo de Avishai. O Jurerê Jazz vai até o dia 4 de maio e a programação completa está aqui.

Performance Luana is Present é a pedida do Vértice Brasil desta sexta na Capital

11 de abril de 2014 0

luana

Este colírio para os olhos é uma das bambas da programação do Vértice Brasil 2014, festival de teatro feito por mulheres e que encerra neste sábado sábado na Capital. A atriz Clara Lee apresenta nesta sexta-feira (11/04), às 21h30min, no Teatro Sesc Cacupé, a performance Luana is Present. Sim, porque qualquer relação com a atriz Luana Piovani é proposital. A semelhança entre as duas inspirou Clara a criar o monólogo que trata da identidade, representação e jogos de cena onde a condição de ser mulher loira será exposta e relatada. A entrada é gratuita.

Guns N' Roses: Axl Rose comanda euforia coletiva em Florianópolis

02 de abril de 2014 34
foto Adriel Douglas, Divulgação

foto Adriel Douglas, Divulgação

 

“O cara vem tocar na tua casa. Vergonha é não vim vê-lo!” Essa eu ouvi de um veterano roqueiro, com uma admirável quilometragem de Guns N’ Roses na vida, entre shows da banda e compondo uma frente cover. Uma vez que Axl Rose pisasse na sua cidade, virou questão de honra para ele e para uma horda de mais de 10 mil fãs que se apinharam no Devassa on Stage na noite de terça-feira, suportando um perrengue de horas para chegar ao local e um aperto sufocante. Há 10 anos, se surgisse essa possibilidade ninguém acreditaria, mas justo no 1 de Abril, o dia da traquinagem, Floripa viu para crer.

O Guns é uma dessas bandas que seus críticos teimam em invocar os fantasmas do passado para decretar a sua decadência. E erram ao subestimar o poder do seu repertório, o carisma de Axl Rose e a devoção do seu público. A passagem do Guns por Santa Catarina, a quinta escala de sua nona turnê pelo país, teve todos os componentes do espetáculo da grandeza de uma das maiores bandas do hard rock mundial e nenhuma surpresa. Uma fila se estendia por quilômetros na SC-401, enquanto Axl Rose acendia ao palco, com uma hora e quinze minutos de atraso, balançando a pança proeminente sob a jaqueta de coro e acionando a erupção com a sequência de hits brutais: Chinese Democracy, Welcome To The Jungle, It’s So Easy, Mr Browstone. Só para citar o primeiro ato, quando muitos ainda chegavam ao Devassa on Stage, ressentidos de uma longa espera de uma hora e meia de trânsito.

Aos 52 anos, Axl demonstrar estar no comando do espetáculo como nunca antes. Sim, esbanja vigor na voz, na performance e no carisma. É um jogador veterano, daqueles que se molda diante da adversidade do tempo e compensa na experiência. Canta em dois tempos para atingir as notas altas e se vale do pulmão do público delirante. E assim dá conta de uma invejável jornada de quase três horas de show e 28 canções. Não dá para dá-lo como vencido. O Guns pode prescindir de todos os integrantes que já passaram pela banda, incluindo o desafeto e sempre lembrado Slash, o guitarrista que cunhou seus riffs históricos, mas não de Axl. Ele é a locomotiva deste trem chamado Guns N’ Roses e que há 30 anos atropela o rock. Vão se os vagões e ele continua nos trilhos. A escuderia que o acompanha é impecável. Embora dependa de três excelentes guitarristas (Dj Ashba, Ron “Bumblefoot” Thal e Richards Fortus) para fazer o que apenas um dava conta, esse Guns é um assombro no palco: inflamável, penetrante e carismático.

A banda é muito redonda e experiente. O baterista Frank Ferrer me parece mais seguro e melhor que todos os outros que já passaram pela banda. Outra figura ilustre neste novo Guns, o baixista Tommy Stinson, fundador da banda de punk rock norte-americana Replamecents, venerada por outros grupos e artistas, como Nirvana e os próprio Axl.  Stinson garante traz peso e num dos momentos mais bacanas do show, ele toma a frente para tocar Pretty Vacant, dos Sex Pistols.

Entre a abertura e o final apoteótico com Paradise City, Axl e seus companheiros mantém um nível incessante de euforia e de comoção coletiva. Falam em um novo disco para o ano que vem, quando a banda celebra seus 30 anos, mas nada de novo surgiu no repertório. Nem precisa. Os gunners estavam ali para comungar dos clássicos: You Could Be Mine, Sweet Child of Mine, Civil War, Patience, Don’t Cry, Nightraim e algumas versões incorporadas ao cabedal de Axl _ Live and Lite Die, dos Wings, por exemplo. Ou para não esquecer de Knockin’ on Heaven’s Door, de Bob Dylan, responsável clímax clichê da noite em Floripa, quando Axl Rose atendeu ao pedido de um jovem casal que do palco sacramentou o pedido de casamento. Só que ao dar o sim, a noiva emocionada se atraca ao vocalista. O tempo também arrefeceu a brutalidade do conhecido prima-donna.

Os coroas foram lá para crer e reviver seus dias de glória de uma adolescência movida nas décadas de 1980 e 1990 por discos como Appetite for Destruction e Use Your Illusion (I e II). Já a nova geração que renova o público dos Guns cumpre um novo rito de passagem. Axl nunca foi  exemplo para ninguém, está longe disso, mas ver pais acompanhando os filhos é de comover até os corações mais embrutecidos. A noite de terça foi um grande serviço ao rock e ao espetáculo. E ainda devemos muito ao Axl Rose. Deixe ele reinar em sua selva.

 

Em tempo

  • Sim, nessa de subestimar o apelo dos Guns N’ Roses, confinaram o público num local flagrantemente pequeno e desorganizado para as pretensões de um show dessa ordem.O ideal seria um dos dois estádios da cidade. Em algumas áreas, como o setor Paradise, o mais caro e de frente ao palco, a ocupação atingiu o nível da irresponsabilidade. Não havia como circular e com freqüência pessoas eram acudidas por passarem mal. O nome (Paraíso) até parece deboche, quando na real estaria mais condizente com o inferno.
  • O Devassa on Stage está numa de “politicamente correto” e impõe às pessoas que comprem seu copo personalizado para poder tomar qualquer bebida, como um simples refrigerante. Esse pedágio sai por R$ 5.
  • A Polícia Militar Rodoviária, mais uma vez, não conseguiu dar vazão ao trânsito tanto antes como depois do show.  A saída do Devassa on Stage foi, como sempre em dias de shows dessa ordem, caótica.   

Melvia Chick Rodgers, de Chicago para Floripa no dia 17 de maio

01 de abril de 2014 0

Se você nunca ouviu falar no nome de Melvia “Chick” Rodgers então veja aí nos videos o que te espera no dia 17 de maio, no Teatro Ademir Rosa (CIC), em Floripa. Cantora norte-americana e de uma voz poderosa, Chick Rodgers nasceu em Memphis, mas uma notória carreira no cenário blues de Chicago, e compôs frente com sumidades do gênero como Bo Diddley, B.B. King e John Lee Hooker. Não é nenhum exagero a comparação com a grande dama Aretha Franklin. O show aqui é uma promoção do projeto Chicago Connection.

Perda de Nico Nicolaiewsky será sentida nos palcos catarinenses

07 de fevereiro de 2014 3

Luto no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Brasil e na Esbórnia. Morreu o ator e músico Nico Nicolaiewsky, que se notabilizou com o personagem Maestro Pletskava do espetáculo Tantos & Tragédias junto com o parceiro Hique Gomez. Uma ausência que será sentida também nos palcos catarinenses. Com 30 anos de estrada, a peça fez do Estado um dos seus principais roteiros. Nico estava internado desde janeiro para tratar da leucemia e morreu na manhã desta sexta-feira em Porto Alegre, aos 56 anos. Sua passagem mais recente pela Ilha foi no final do ano passado com o seu espetáculo solo.

No chão, Céu não faz cara feia e faz o baile no Floripa Tem

12 de janeiro de 2014 1

No alto, o céu encoberto e cinzento contrastava com o calor e o clima de baile público que a cantora Céu operou no final de tarde de domingo, no show que fez para o projeto Floripa Tem em Santo Antônio de Lisboa. A praça principal da histórica freguesia foi tomada por um público tão eclético que arrancou reverência da própria artista, que dedicou o show às crianças presentes: “de oito a oitenta”.

A tarde era de tempo instável, mas abafado. A praça cercada por árvores e ocupada à lotação virou uma estufa. Céu convidou o público para suar. Nem precisava, pois o repertório do show Caravana Sereia Bloom (um reedição na Ilha em menos de um ano) era autossugestivo para a ocasião: abriu com Fffree e Falta de Ar, para logo “entorpecer” o ambiente com um climão de baile de cabaré (sim ela também cantou Baile da Ilusão), mas a céu aberto, numa úmida e escaldante pista de mais de mil pessoas. Do palco, a cantora regia a sua festa escudada pela experiente banda, a mesma que praticamente trabalhou com ela no disco lançado em 2012, mas que até hoje reverbera pelo país. ( Tanto que a própria Céu, numa conversa com a nossa reportagem, dá como certa a continuidade do foco em Caravana para este ano e colocou para adiante a possibilidade de um novo trabalho de inéditas.) O cancioneiro de Céu vai do romântico popular aos contemporâneo, músicas para tocar sentimentos, mas que na entada da sua banda atinge outra amplitude, da gafieira, ao bolero e o reggae-dub.

Vagarosa, um dos seus clássicos não poderia faltar, até para desafiar o calor aproximando corpos coletivamente. Mas  deixou de fora Malemolência, mas a cara do clima do tempo, porém não a do público, que estava em outra voltagem. À sua direita estava a igreja e o casario histórico da freguesia, e com o mar à sua esquerda Céu não poderia ter encontrado cenário melhor para tornar ensolarado e estimulante o que do alto não vinha. Seguiu por uma hora e 10 minutos com a sua festa encharcada da de hits _ Contravento, Retrovisor, Sereia, Mil e Uma Noites, Streets Bloom, Grains de Beauté, Lenda, Rainha, até samplear Transa, de Caetano Veloso, no meio de Chega em Mim, naquele que foi o começo do clímax coletivo. Pois com o bis, o show foi direto ao ponto de sublimação _ duas canções , pinceladas do repertório de Catch A Fire, álbum clássico de Bob Marley e que é o mote de um projeto paralelo da cantora. Kinky Reggae e Concrete Jungle desencadearam uma nova onda eletrificante aí sim com a versão “malemolente” e dub de Céu. De beijar a lona _ ou melhor: de atingir o Céu.

Céu viu, em menos de um ano, o público triplicar em um show seu na Capital, o que corrobora as apostas na repercussão do álbum e show Caravana Sereia Bloom dentro e fora do Brasil. Lançado em 2013, Caravana é um disco de estrada, um road álbum que inspirou-se em diversas paisagens, cenários, estilos, do Brasil à Jamaica. E na escala de ontem mostrou que o caminho está bem pavimentado para o reconhecimento de Céu como a melhor cantora do momento _ com um horizonte divino.

Sérgio Blanco (Autor de Kassandra): "Quando a arte gera censura é porque incomoda"

19 de setembro de 2013 0
Sérgio Blanco. Foto Gustavo Castagnella, Divulgação

Sérgio Blanco. Foto Gustavo Castagnella, Divulgação

Sérgio Blanco é penitente mas ao mesmo tempo resignado com o destino que forjou para a sua cria: “Kassandra é a ferida _ ou o rastro _ que todos temos e que precisamos mostrar aos outros. Pobre Kassandra”. O dramaturgo franco-uruguaio estará no final de semana em Florianópolis para conhecer a montagem brasileira da sua peça, escrita em 2010 e aqui adaptada pela atriz Milena Moraes com direção de Renato Turnes.

Premiado autor, mora desde 1998 em Paris e aproveita a passagem pelo Uruguai _ onde estreou seu novo espetáculo Tebas Land e atualmente dirige um seminário de dramaturgia para jovens autores a convite do Teatro Nacional em Montevidéu _ para conhecer Kassandra sábado, às 21h, no Bokarra Clube. O desembarque será nesta sexta-feira (20/9), quando Blanco é o convidado do projeto Encontro com o Dramaturgo, às 19h, no Centro de Comunicação e Expressão da UFSC.

Ainda que não apresentado formalmente à sua Kassandra brasileira, ele está ciente sobre as tragédias vividas pela peça neste um ano de montagem. E reconhece que na Europa e América do Norte a vida da heroína é mais prazerosa. Aprecie a íntegra da entrevista por e-mail com Blanco.

Contracapa _ Kassandra deixou a programação da Maratona Cultural, por conta de um veto do governo do Estado (financiador do evento) ao local da apresentação. Este tipo de situação se repetiu também em outras adaptações da peça?
Sérgio Blanco _ Não. Foi a primeira vez que aconteceu e embora tenha me entristecido muito, porque impediu a equipe de mostrar seu trabalho, creio que foi bem interessante do ponto de vista político. Quando a arte gera censura é porque incomoda, e eu gosto que a arte incomode, que gere mal estar, debates, discussões etc. Penso que a arte está para despertar as paixões, não para acalmá-las. É doloroso e indignante que te proíbam de dizer ou mostrar algo, mas também tem o lado lisonjeiro… Fico com o lado lisonjeiro.

 

A versão brasileira da heroína, por Milena Moraes. Foto Cristiano Prim, Divulgação

A versão brasileira da heroína, por Milena Moraes. Foto Cristiano Prim, Divulgação

 

Contra _ Por outro lado, a peça foi premiada na França, sendo exibida inclusive na Universidade de Sorbonne. Gostaria que você comentasse a respeito.
Blanco _ A obra ganhou muitos prêmios por toda a Europa e também na América do Norte e América do Sul. É muito bonito isso. Cada vez que me ligam para dizer que ganhamos um novo prêmio em seguida penso em Kassandra e em todos os prêmios que todos os seres que ela representa merecem. Kassandra, a personagem, adoraria ir receber um prêmio. O reconhecimento é sempre algo muito gratificante para qualquer pessoa, e ser representado nas grandes cidades da Europa, dos Estados Unidos, da América do Sul é um prazer.

Contra _ A recomendação da peça é para que ela seja encenada em espaços não-convencionais. No caso de Florianópolis é em uma casa de diversão adulta. O que se encaixaria nessa definição de não-convencional?
Blanco _ Sua pergunta é muito inteligente porque toca um dos temas centrais desse texto. Eu não sei a resposta para a sua pergunta. O que me interessa é justamente que a equipe que vai trabalhar com este texto se faça a mesma pergunta e que a partir daí comece sua procura. Kassandra é um texto que obriga à equipe de trabalho a começar pela procura de um local de representação que não seja convencional. Esse é o primeiro passo que todos têm que dar: onde vamos fazê-la? E para mim é muito interessante que a equipe reformule a pergunta: o que é um espaço não convencional? A resposta a essa pergunta será estimulante para os criadores que trabalharão com este texto. Acredito que se perguntar o que é um espaço não convencional coloca sobre a mesa um dos temas centrais das artes cênicas hoje em dia: desde que lugar se estrutura o relato teatral nos tempos que correm…

Contra _ A personagem se expressa em um inglês rudimentar. Já ouvi de pessoas que, mesmo não dominando o idioma, conseguiram entender a performance.
Blanco _ É verdade que ela fala em um inglês básico e rudimentar, que todos podemos entender. Mas acredito que todos entendam Kassandra porque mais além do idioma que utiliza o que o torna acessível é a forma como o utiliza. E se analisarmos a forma como Kassandra utiliza essa língua, podemos ver que a utiliza como uma língua de sobrevivência. Essa língua _ a língua da sobrevivência – é uma língua que todos conhecemos. A língua de Kassandra é a língua do desespero, do sofrimento, do dilaceramento… Acredito que seja por isso que todos a entendemos, porque todos somos sobreviventes de algum naufrágio. Todos viemos de alguma catástrofe e por isso somos todos capazes de compreender a língua da dor. O sofrimento é algo universal. A necessidade de contar nossa dor, nosso dilaceramento, também é algo universal. Kassandra é a ferida _ ou o rastro _ que todos temos e que precisamos mostrar aos outros. Pobre Kassandra. Mas também pobre de mim… E pobre de todos nós…

5) Você dirigiu neste ano um seminário sobre dramaturgia para jovens autores no Uruguai. Qual o desafio que a arte contemporânea impõe aos novos dramaturgos hoje?
Blanco _ Um desafio enorme. A escrita teatral é uma das escritas mais complexas por seu caráter híbrido, _ é um objeto literário, mas ao mesmo tempo tem que servir de base para uma representação _ obriga a quem quer escrever teatro a ter um bom conhecimento tanto do que é a língua como do que é a cena. Quem quer escrever teatro tem que saber que escrevemos para uma arte visual, uma arte do olhar. Vamos ao teatro para exercitar o olhar. Teatron em grego quer dizer mirante, então no DNA do próprio nome da nossa arte (teatral) aparece a noção de olhar, da mirada. Isso é algo muito importante para um dramaturgo: levar em conta este olhar, saber todo o tempo o que está acontecendo com o olhar contemporâneo. O olho que nos vê hoje em dia é um olho que está formatado pelas novas formas de difusão: pelas sintaxes múltiplas dos sistemas de link, pela fragmentação do discurso, pela divisão das perspectivas, pela decomposição contínua do pixerizado, etc., etc., e tudo isso é algo que um dramaturgo tem que conhecer muito bem. Para que olho eu estou escrevendo? Esta é uma pergunta que todo dramaturgo tem que se fazer constantemente. Eu digo que é o tomar a temperatura do olho. Isto é o que fizeram Sófocles, Shakespeare, Tcheckov, Brecht ou Beckett. E por isso foram grandes dramaturgos. Penso que só podemos escrever teatro tendo em conta o olhar contemporâneo de quem venha a sentar no mirante…

Rodrigo Amarante chega montado no novo disco no 31 de outubro no CIC

17 de setembro de 2013 0

O blog cantou a bola sobre o show do Rodrigo Amarante em Floripa e a Orth Produções decreta “bingo!” para o dia 31 de outubro, às 21h, no Teatro Ademir Rosa do Centro Integrado de Cultura (CIC). O ex-Los Hermanos lançará por aqui o novo e benquisto álbum Cavalo. Infelizmente ele trará o bandoleiro Devendra Banhart que resolveu saltar sobre a Ilha e colocar Porto Alegre na rota da sua turnê sulamericana.

Os preços dos ingressos vão de R$ 100 (plateia superior) a R$ 120 (plateia inferior) e os eles estão à venda pelo site blueticket.com.br e bilheterias do CIC e dos teatros Álvaro de Carvalho e Pedro Ivo.