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O condomínio dos sonhos

05 de maio de 2012 3

Bem que eu mereceria um amor perfeito: lindo, inteligente, rico e bem-humorado. Todos nós já sonhamos um dia com isso – é bom iniciar a conversa admitindo. Gostaríamos de poder juntar um pedaço aqui, outro acolá e formar o nosso Frankenstein particular. Estamos sempre meio descontentes com o que a vida nos presenteou. Sublinhe a palavra presenteou, pois amor muitas vezes é sorte, mais que merecimento. Rastreie os seus vizinhos e amigos mais próximos e a probabilidade de corroborar a teoria é grande. Portanto, levante a mão aos céus e acredite que um pequeno quinhão de felicidade foi reservado a você. Só Deus sabe por quem. Talvez por Ele mesmo.

É bom parar de acreditar que quem conquistou uma garota ou rapaz deslumbrante está com o passaporte garantido para uma vida plena de alegrias. Tudo tem seu preço. Se você sonha em ficar com a pessoa mais atraente da turma, não esqueça que seus amigos provavelmente também pensam assim. E para não morrer de ciúmes, que medidas pensa tomar? Escondê-la dentro de um armário? Levá-la para outro planeta? Além disso, os muito bonitos estão bem conscientes de que o são e não costumam esquecer isso. Adoram transformar uma simples ida ao supermercado numa longa passarela para desfilar seus encantos. Não resta dúvida que estar ao lado de gente fisicamente deslumbrante nos deixa com a auto-estima nas alturas – é uma conquista que gostamos de comemorar. Mas beleza passa, cedo ou tarde. Lembremos disso.

Os muito inteligentes, Jesus, os muito inteligentes! Costuma ser bem difícil conviver com eles. Sei do que estou falando, conheço dúzias. Vaidade de intelectual é pior que vaidade de miss. Para piorar, ela costuma vir disfarçada de modéstia. O doutor em semântica acabou de entregar uma elaboradíssima tese para ser publicada. Diante da admiração de amigos (raramente de colegas) diz: “Imagine, não foi tão difícil assim, vocês estão sendo gentis.” Leia-se: eu sou o máximo, mas preciso falar dessa maneira para minimizar os esforços e não parecer arrogante.” Mas a maioria é e já peço desculpas às exceções. Conhecimento é moeda de barganha, é poder. Abre portas para entrar em círculos fechadíssimos, esses que a gente desdenha, fazendo de conta que não nos interessam. Afinal, as uvas continuam verdes.

Vamos falar de dinheiro? Ele compra quase tudo e só os muito ingênuos é que acreditam que tanto faz chorar numa cabana caindo aos pedaços quanto numa bela casa de campo. Você enxugará suas lágrimas em lenços de tecido macio, e não num papel áspero. Já ajuda. E as possibilidades de se distrair da sua dor são bem mais variadas. Os aeroportos são a prova incontestável disso. Porém, os bem aquinhoados financeiramente costumam ficar tediosamente separados dos outros mortais. Afinal, não há muito mais o que desejar, tudo fica fácil e disponível. Um amigo que costuma viajar pelo mundo a cada três meses diz que quando vai de primeira classe a única opção que lhe resta é afundar a cara num livro. Não consegue trocar duas palavras com quem está ao seu lado. “Rico não costuma conversar com desconhecidos, fica desconfiado. É ele e o seu celular, seu Ipad, seu e-book. Autossuficiência total”, conclui.

E os bem-humorados em tempo integral? Ok, mil vezes ter que rir da mesma piada durante semanas do que passar horas e mais horas ao lado de alguém emburrado, achando que tudo vai dar errado (e pensando assim, dá mesmo). Gente divertida é uma benção, e quando elas vêm na dosagem certa, é presente dos céus. Mas quem não conhece os engraçadinhos que não desligam nunca, que transformam qualquer situação num roteiro de comédia? Sobriedade e discrição também são ingredientes a serem saboreados.

Resumindo, o que gostaríamos é de entrar num condomínio de sonho, onde pudéssemos escolher em cada morador alguma característica que nos atraia. Unir tudo isso numa só pessoa, certos de que viveríamos num verdadeiro Éden. Mal sabemos que a soma dessas partes costuma ser menos atraente do que a pessoa que está há tanto tempo conosco. Onde não há fissura, onde não há defeito, há a morte. E o tédio. Diminua as expectativas. Não assassine o seu amor.

Comentários (3)

  • EDUARDO C.P. ANDRADE diz: 5 de maio de 2012

    Embalos do viver

    Embalados nesta energia suave da brisa do amanhecer, agradeçamos ao Criador por tanta beleza e cor. Estamos na caminhada em busca da evolução, em passos lentos sim, mas firmes no propósito das escolhas de cada um. Encontraremos barreiras, mas as contornaremos como a água abraça as pedras que se encontram no curso do rio. Somos guerreiros, sobreviventes de muitas vidas, centelhas de luz com um único objetivo, o do AMOR universal. Tenhamos um dia de muita luz irmanado na certeza de nos reencontrarmos em outras dimensões e vivenciarmos a realidade do amor incondicional. BOM DIA!!! “Quanto maiores somos em HUMILDADE, tanto mais perto estamos da grandeza.” (Tagore). Que a humildade nos conserve na serenidade e na capacidade de compreender os que estão ao nosso lado! Pois, viver é conviver! Bençãos para o seu dia!!! Momentos impregnados de energia, amor, alegria, paz e presença.
    ABRAÇOS, Dudu

  • Bê diz: 6 de maio de 2012

    Oi Gil
    Tô cansada, hoje e queria o pacote completo…..
    Não sei se é bem um amor que eu queria porque tenho cá minhas dúvidas…..talvez eu quisesse alguém que pudesse tocar uma musiquinha no violão e me embalasse prá dormir ou que lesse prá mim um livro de histórias ou de poemas – ou alguém que perguntasse se estou bem e se ofereçaesse prá trablhar comigo no jardim ou pendurasse as cortinas que lavei….
    Tem dias que a vida pesa. Ainda bem que a lua enorme nem sepreocupou comigo e manteve seu brilho estonteante nesta noite de quase verão.
    Veremos amanhã, domingo….se com as cortinas mais transparentes e brancas eu possa ver um dia lindo, quieto, leve e doce…sem muitas palavras, sem movimentos apressados, com aquela lentidão que permite juntar as mãos em Namastê e agradecer o tanto que se tem e que em determinados dias, não parece suficiente.
    Beijos

  • Fátima diz: 6 de maio de 2012

    Oi, Gil!

    Disseste bem: “diminua as expectativas”. Depois de me decepcionar com algumas pessoas, percebi que a culpada era eu mesma por criar determinadas expectativas que existiam apenas em minha concepção. Muitas vezes projetamos no outro um ideal que gostaríamos ou acreditamos que exista e depois nos frustramos porque, na verdade, criamos um ideal surreal, um “condomínio dos sonhos”. Pena que nem sempre os sonhos se tornam realidade! Assim é a vida: uma aprendizagem constante!
    Beijos

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