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Posts do dia 22 maio 2012

Aquietamento

22 de maio de 2012 2

Uma vez por semana, ao menos, dou-me um presente. Durante o meu intervalo de trabalho, saio tranquilamente pelas ruas e vou até uma igreja próxima para fazer uma breve meditação. Quanto mais vazia ela estiver, melhor. Em meio ao alarido da cidade, encontro esse pequeno oásis de silêncio. Não vou lá para rezar, para repetir mecanicamente algumas orações destinadas, tantas vezes, ao amortecimento de algumas culpas. Respeito profundamente quem pratica esse ato devocional e se conecta espiritualmente de maneira ritualista. Mas não é assim que encontro a serenidade que tanto busco.

Acomodo-me sempre num dos primieros bancos, logo após a entrada, de preferência na penumbra. Ajoelho-me, fecho os olhos e procuro esvaziar a mente. Sei da sacralidade desse lugar, o que inspira em mim reverência. O que busco lá é um exercício de ascese, de contemplação. Penso nas inúmeras pessoas que, como eu, prostraram-se para agradecer ou pedir. Homens e mulheres que, num determinado momento de suas vidas, não encontraram forças para seguir sozinhos, buscando em Deus ou num santo de sua devoção, um alívio para o que as afligia. De uma forma que não sei explicar, parece-me que todas essas criaturas passam a existir dentro de mim, num processo de simbiose afetiva que a linguagem não traduz.

Depois desses momentos de paz sinto-me forte e amparado. Não me preocupo em saber o que acontece comigo ou mesmo porque tenho essa necessidade. Tudo é como deve ser. A aceitação dos dias com suas cotas de alegria e dor também nos ajudam a perceber a vulnerabilidade de tudo. Uns chamarão esses instantes de recolhimento de um claro sinal de fé. Mas é mais que isso, quero crer. É o reconhecimento humilde de que somos atravessados pelo mistério. Que todo ato de criação é insondável, assim como existir e deixar de ser. Parar e mergulhar lentamente dentro de si pode ser um bom treinamento para despertar a consciência de que vestimos apenas a fragilidade.

Abraços,    Gil