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Breve relato sobre três adolescentes

26 de junho de 2012 2

Não teria sido necessário permanecer ao lado deles mais do que meia hora, embora, por dever de ofício, o fiz por uma tarde inteira. Meu Jesus querido, como os adolescentes (leia-se 19, 20 anos) são mal-educados. Perdão, faço uma generalização e podem até jogar pedras em mim, pois sei que alguns são se enquadram no perfil que descreverei. Mas o que vejo é tão recorrente, que me inclino a pensar unicamente em exceções. O fato é que esses três garotos, todos criados com Danoninho, com pais presentes e preocupados (confirmei com colegas), acabaram resultando nessas criaturas que se comunicam quase que somente através de palavrões, falando besteiras e mais besteiras, gritando, sem se preocupar com quem está ao seu lado desenvolvendo outro trabalho. Ah, se você for adepto do uso correto de plurais, esqueça. Eles adoram falar “duas laranja”, “troco pra vinte real”, “eles foram sozinho”. Ninguém sonha com uma linguagem pura, machadiana, mas, tenha dó, eles cometem um estupro linguístico a cada duas frases. Ah, sim, e os assuntos que os motiva estão sempre ligados ao mundo virtual. Fale a expressão rede social e eles entram em delírio, como se estivéssemos revelando uma fórmula mágica para a felicidade. Nós, os ultrapassados, os que ainda vivem no mundo analógico, merecemos, no máximo, um olhar de compaixão. Aliás, eles nem perdem mais tempo com isso. Preferem trocar “ideias” somente entre seus pares, velando-se desse esperanto que a internet criou.

Resumindo: ontem passei algumas horas de verdadeiro horror. Não tenho absolutamente nada contra a ignorância, o desconhecimento. Muitas vezes eles geram um saudável sentimento de humildade. Agora, quando a burrice vem a galope, ela geralmente é seguida pela arrogância. Esses três seres em processo de ebulição hormonal pensam claramente que são o ápice da criação humana. Que cansativo! Sei que isso pode até passar (para alguns), mas não costuma demorar menos de que uma pequena eternidade. Perdi uma tarde, contaminei meus ouvidos. Chamem-me de prepotente, mas não me obriguem a dividir a sala com quem só se interessa por si mesmo e pelo que há de mais banal ao seu redor. Com licença, prefiro ficar em casa, no meu quarto, acreditando que algumas coisas ainda não estão perdidas para sempre.

Abraços, Gil

Comentários (2)

  • Laís diz: 26 de junho de 2012

    Bom dia Gilmar, obrigada por esse texto. Resume exatamente o que nós, pessoas um pouco mais vividas e cultas, pensamos sobre essa “nova geração” de seres.

    Penso, que mundo vou “dar” aos meus futuros filhos? Ou que filhos vou “dar” ao mundo? Eis a questão!

    Beijo.

  • Gisele Monteiro diz: 26 de junho de 2012

    É realmente assustador ver essa geração de jovens que está aí e ainda mais assustador pensar nos que se tornarão as crianças de hoje em dia. Acho que a Internet (as redes sociais principalmente) tem contribuído para criar uma geração atrofiada mentalmente. Toda essa facilidade de “comunicação” (que de comunicação mesmo não tem nada) faz as pessoas ficarem burras e construírem um mundo fictício, vazio e dolorasamente superficial. E experimente dizer para um grupo de jovens desse (e pode aumentar essa faixa etária porque hoje a adolescência vai dos 10 aos 50 anos, no mínimo) que você não é adepto do Facebook, você será massacrado e tido como um marginal.

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