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Não quero ter inimigos

27 de junho de 2012 4

Considero uma das coisas mais tristes do mundo ter um inimigo. Mais pelo acaso de uma circunstância do que por uma predestinação, tive três ou quatro ao longo desses anos todos. Com dois já conversei e nos tornamos amigos cordiais. Com outros dois sigo nessa embaraçosa situação da ausência de cumprimentos, do rosto virado para o lado. Tenho ensaiado, diversas vezes, uma tentativa de aproximação, um pedido de desculpas. Mas até agora falhei, talvez motivado por um orgulho estéril que não me permite ser aquele que dará o primeiro passo rumo à reconciliação.

Aliás, nem gosto de usar a palavra inimigo. Prefiro desafeto. E prefiro também acreditar no caráter provisório que reveste essa situação. É tão bom exercitar-se amorosamente, ir colhendo, aqui ali, fragmentos de carinho, abraços inesperados, olhares de cumplicidade. Sempre detestei entrar numa briga, qualquer briga. Mas, convenhamos, há momentos em que a razão se recolhe e um impulso emocional nos faz dizer o que logo pertencerá ao arrependimento. Sempre me orgulhei da quantidade de amigos que fui fazendo ao longo da vida. São muitos, muitos. Convido-os para frequentar minha casa, para fazer uma caminhada, para tomar um café numa livraria. Pode-se pensar em algo melhor na vida? Mas a sombra dessas duas pessoas que se recusam a me olhar nos olhos e reconhecer meu desejo de lhe estender a mão têm me tirado algumas horas de sono. Não queria que fosse assim e me penitencio silenciosamente, expondo-me em praça pública, no entanto. Tomara que leiam isso e acenem uma bandeira branca, na falta da minha coragem de ir até eles. Na pior das hipóteses, essas palavras poderão ajudar alguma outra pessoa a rever seus posicionamentos diante de alguém com quem mantém uma relação de atrito ou até mesmo de desprezo.

Ninguém pode posar de santo. E, exceto os psicopatas, ninguém é inteiramente mau. Quando admitimos isso acabamos introduzindo em nosso dicionário pessoal a palavra perdão. Sem ela tudo se transforma numa imensa rocha através da qual não passa sequer a ponta de uma agulha. Num deserto pincelado de breu.

Abraços,    Gil

Comentários (4)

  • marcos messina diz: 27 de junho de 2012

    Pisoteou o orgulho agora hein?!… Parabéns!

  • Marta Pulita diz: 27 de junho de 2012

    Gil! Lembro de uma frase de Voltaire: “É triste não ter amigos mas é mais triste não ter inimigos pois quem não tem inimigos, não tem talento, nem coragem, nem honra…” Entre Voltaire e tu, fico com tua posição. É triste ter inimigos então, acho que alguns simplesmente devem ser deletados de sua vida e assim tu serás feliz e teu inimigo também sem alimentar o lado ruim do ser humano. Beijo

  • Fátima diz: 27 de junho de 2012

    Oi Gil!
    Pedir perdão é bem diferente de perdoar. Acredito que o orgulho nos impede muitas vezes de pedir perdão. Arrependemos-nos, perdoamos, mas não queremos dar “o braço a torcer” para chegar humildemente à pessoa e tentar um diálogo de reaproximação para falar do fato que gerou o conflito. Já, perdoar é bem mais fácil, pois saímos como “bom samaritano” seja lá qual for o motivo do desafeto. Das duas uma: segue-se o caminho na esperança de que a vida se encarregue de resolver o “problema” ou, tomamos uma atitude e acabamos logo com o sofrimento. Perdoar e pedir perdão são palavras mágicas, elas aliviam a alma.
    Beijos

  • Rejane Romani Rech diz: 28 de junho de 2012

    Oi Gil,
    Fiquei feliz em me enquadrar nos teus amigos que às vezes contigo batem papo e tomam café numa livraria.
    Bem problemática essa questão dos inimigos…
    Se fôssemos perfeitos, não estaríamos neste planeta, certamente.
    Há uma palavra que abomino na língua portuguesa: inveja. É ela que tem o poder de criar inimigos.
    abraços

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