Essa manhã de inusitada primavera esmaga qualquer possibilidade de escurecer a alma. Vejo os brotos e exulto secretamente com todos os nascimentos. Quieto, bem quieto, atravesso ruas dentro de mim em busca da melhor paisagem para me sentir. Há pulsações que não alcanço e as devolvo ao mistério. Tenho fragilidades, mas tenho também vocação para construir pontes, vastos espaços por onde caminho ao crepúsculo. Habito a poesia para me salvar. Lá fora há um movimento que não me seduz. Apenas olho e volto a adormecer do lado de dentro. Enquanto isso, os deuses se divertem semeando alegria e dor entre os passantes. Um instante. Uma eternidade. Bebo serenamente o tempo que me espreita. Aprendo a partir. Talvez.
Abraços, Gil


Meu caro amigo,
Como o tempo exterior influencia nosso estado de ânimo!
A clausura do inverno me faz bem, mas não há quem não ame esse calorzinho de agora.
Oswald de Andrade dizia que há poesia na dor, na flor, no beija-flor, no elevador... Que tenhamos essa sensibilidade sempre pulsante dentro de nós.
abraços
Oi, Gil!
Lindo demais teu texto de hoje!!! Ele me fez lembrar as palavras do poeta e escritor Mario Quintana:“Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmos, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão.”
Beijos, Fátima
Não quero ser redundante, mas já estou sendo: você consegue tirar poesia das pedras brutas, de um toco seco, de um graveto, enfim, de absolutamente tudo.