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Pai de Maicon fala dos cordões enterrados

28 de abril de 2010 2

Foto: Daniel ConziNa tarde de terça-feira, liguei para o pai do lateral-direito da Internazionale, de Milão, para conversar sobre os cordões umbilicais dos gêmeos Maicon e Marlon enterrados no centro do gramado do Santa Rosa, 29 anos atrás. A história foi contada em entrevista ao programa Na Estrada com Galvão, como você viu aqui mesmo no blog e na coluna de Zero Hora.

O resultado da conversa está na edição impressa de Zero Hora desta quarta-feira, mas vou reproduzí-la aqui para quem não leu o jornal. O resultado da conversa com Maicon está aqui:

Ele lembra bem do dia e da hora. Às 17h de 27 de julho de 1981, Manoel Sisenando (foto), zagueiro do Novo Hamburgo, entrou no velho Estádio Santa Rosa, hoje pertencente à Feevale, caminhou até o centro do gramado, abriu um pequeno buraco na grama e depositou os cordões umbilicais dos gêmeos Maicon e Marlon, nascidos no dia anterior. Fechou, fez uma pequena oração e um pedido a Deus para que pelo menos um virasse grande jogador de futebol, sonho dele e da mãe dos pequenos, Anísia, ou Isa, como é conhecida pela família. Foi de Isa a ideia de enterrar os cordões e fazer a promessa. O segredo do casal só foi revelado há bem pouco tempo, quando o sonho estava realizado. Hoje, sempre que lembra do episódio, um daqueles gêmeos, o lateral da Internazionale e da Seleção, Maicon, não esconde a emoção, como fez esta semana.

- Foi apenas uma simpatia, nem era para ser revelada _ conta Manoel, por telefone, na imobiliária que a família administra em Criciúma, a cidade dos principais investimentos do filho Maicon. _ Deu certo, graças a Deus.

E como deu. Maicon, um dos gêmeos, é hoje um dos jogadores mais valorizados do futebol europeu, titular da Inter e da Seleção (o outro, Marlon, joga apenas partidas de várzea), mora em um amplo apartamento perto do Estádio Giuseppe Meazza, em Milão, tem negócios em Belo Horizonte e no Sul de Santa Catarina, que vão de imóveis a fazendas como a que o pai vistoria de vez em quando no bairro Quarta Linha, bem perto de Criciúma. Foi levado ao Grêmio com 14 anos, dispensado depois de algum tempo porque não teria o físico adequado, chegou à base do Criciúma, depois ao Cruzeiro e finalmente deu o salto para a Europa. E tudo por causa daquela simpatia de Isa, garante Manoel.

Ele próprio nem tinha pensado nisso, ao contrário do que o filho famoso pensa ainda hoje. No dia do nascimento dos filhos, Manoel estava com o Novo Hamburgo no Paraná para a disputa de um amistoso com o Coritiba. Voltou na madrugada do dia seguinte, chegou em casa e foi direto para a maternidade conhecer os gêmeos. Foi lá que recebeu a missão passada por Isa de enterrar os cordões umbilicais. Depois da cerimônia solitária no gramado, foi a vez de registrar os meninos. Fãs de filmes, o principal lazer da família, Manoel e Isa decidiram dar aos filhos nomes de atores. Maicon por causa de Michael Douglas, filho de Kirk Douglas, e Marlon como referência a Marlon Brando, de Alocalipse Now e O Poderoso Chefão, entre outros. Tudo certo até o momento de chegar ao cartório. Como o funcionário não aceitou registrar Brando, Marlon ganhou como segundo nome o do irmão Maicon.

- Não lembro bem, mas ou o funcionário não concordou com nome ou, vai ver, eu não sabia escrever Brando – diz, aos risos, o pai dos gêmeos, prestes a virar bisavô porque sua neta de 19 anos, sobrinha de Maicon e filha de sua irmã mais velha, está grávida.

Manoel e Isa costumam viajar duas vezes a Milão para visitar o filho, no início e no fim do verão (“Inverno não dá, lá é muito frio”, diverte-se Manoel). A próxima será sexta-feira. Se a Inter passar pelo Barcelona no jogo desta quarta-feira, no Camp Nou, e chegar à final da Liga dos Campeões, eles ficam em Milão até dia 24, caso contrário voltam antes à Criciúma que está nos planos futuros de Maicon. Sempre que passa as férias na casa da família na Praia do Rincão, perto da cidade, Maicon diz que no fim de seu período de Europa pretende morar lá. Nem Manoel acredita por achar que o filho não conseguirá mais se adaptar ao ritmo de cidades menores depois de tanto tempo de vivência em grandes centros.

Não importa. Esteja onde estiver, Maicon, Manoel e Isa sempre vão acreditar que tudo começou naquela tarde no gramado do Santa Rosa, quase três décadas atrás.

Comentários (2)

  • bruxo diz: 28 de abril de 2010

    MM História meio Jorge Amado, meio Gabriel Garcia Márquez que enriquece o nosso rico futebol. Só em nosso maravilhoso Brasil temos um time identificado(Floriano/NH) com a colonização alemã, contando com dois laterais negros, com nomes de portugueses,Manoel e Joaquim(década de 70), respectivamente pais de Maicon e do Bruno Soneca.O futebol é o espelho do cotidiano brasileiro multifacetado.

    Grande Bruxo, obrigado pelo apoio (e o retorno) de sempre.

  • bruxo diz: 28 de abril de 2010

    MM Teu texto e a tua sensibilidade viciam mais do que o crack. Agora que ficou lindo eu escrever “… enriquece o nosso rico…”. Nas próximas vou botar mais capricho.

    Nem esquenta. Isso acontece com todos nós. Hoje, por exemplo, ao falar de Flamengo x Corinthians falei que é pela Copa do Brasil, mesmo sabendo que eles jogam pela Libertadores.

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