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Rumo ao horizonte

26 de março de 2010 0

Aviso de amigo. Não deixem de prestigiar este segundo dia de Caravana Rumos, do Itaú Cultural, no Teatrinho da UFSC. Se a participação e o nível dos debates na abertura de quinta-feira surpreenderam até o mais otimista do otimistas, este segundo dia tem tudo para pegar fogo. Acredito que a programação desta sexta desperte ainda mais o interesse da militância da música (principalmente músicos, produtores e profissionais da cadeia produtiva) justamente pelo seu viés prático.

A partir das 14h começa o Laboratórios de Experiências e Ações Inovadoras. A largada é com os emissários do Espaço Cubo, Fórum Música Permanente de Música, Música Para Baixa e SConectada que tratarão das Redes Associativas na Nova Ordem Digital. Já às 17h, o jornalista Israel do Vale media o debate sobre Cooperativas de Música: A Experiência de São Paulo. Os produtores paulistas Carlos Zimbher e Janine Durand farão um relato da exitosa iniciativa que hoje congrega 1,5 mil associados, que através do sistema de cooperativa conseguiram aquecer o mercado da música no interior daquele estado para os artistas independentes.

Pode parecer piegas, mas para a plateia que lotou (sim, lotou!) o Teatrinho da Ufsc não há outro termo para descrever o que foi o encontro do primeiro dia como histórico. Quantitativamente, mas qualitativamente. Jornalistas, professores, pesquisadores, músicos, produtores e donos de estúdio e selos independentes reunidos para uma reflexão sobre este interessante pedacinho de terra ao Sul do mundo, que musicalmente permanece um mistério para o país. O que está em jogo para o música de Santa Catarina? O que é possível fazer? Muito, muito a conquistar e muito a criar, a começar pelo fim da letargia causada em boa parte pelo isolamento dos agentes em suas regiões. Buscar experiência, trocar impressões, compartilhar mecanismos para melhorar a circulação e a difusão da produção.

Mas a discussão passou ao largo do assembleísmo. As discussões foram pontuais, cirúrgicas. Participantes vindos de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Ceará, Paraná e Rio Grande do Sul expuseram suas realidades _ que não diferem em nada da problemática catarinense _, apontando os caminhos adotados para a consolidação de um cenário musical atuante, que passa pelas ferramentas de incentivo governamentais, parcerias com a iniciativa privada e a organização de coletivos de produção. Pablo Capilé, da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), fez uma interessante provocação ao destacar um certo pessimismo “latente” nos Estados do Sul do Brasil. Nossa situação não difere do Acre, do Amapá, de Goiânia ou Ribeirão Preto. Mas lá o problema foi equacionado, longe de se decretar terra arrasada.

Me surpreendi com as presenças de representantes da Secretaria de Estado da Cultura e do Conselho Estadual de Cultura. E não pensem que estavam lá de vendidos. Assim como também não estavam perdidos os representantes de outras regiões do Estado e das universidades (Ufsc e Udesc). É indiscutível que se trata de um momento decisivo, da maturidade que enfim chega para começar a escrever um nova história. Já estava mais que na hora de tomarmos um rumo…

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