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Posts de abril 2008

Mais cinema

30 de abril de 2008 4

Algumas poucas pessoas reclamaram por eu ter achado deprê o filme O Signo da Cidade, como se eu estivesse condenando toda obra que fale sobre solidão e desamparo. Pô, logo eu, que adoro um drama. É que existem mil maneiras de se apresentar o assunto, e a atmosfera do filme da Bruna me pesou de uma forma que outros filmes não me pesam. Vai ver eu estava num dia ruim. Magnólia (filme com o qual, aliás, O Signo da Cidade tem sido comparado) também é demolidor e é uma obra-prima.

Bom, mas vamos à outro filme: acabo de assistir O Sonho de Cassandra, de Woody Allen. Sou completamente obcecada por esse diretor e uma vez fiz uma tietagem explícita – estava em Nova York e fui assistir ele tocar clarinete numa noite fria de segunda-feira, num pub cuja comida era intragável e a conta idem. Mas valeu a pena. Não tirei fotos, não pedi autógrafo, fiquei apenas respirando o mesmo ar que meu ídolo – ou seja, uma sonsa. Mas valeu, até porque a banda de jazz que o acompanha é bem legal.

O Sonho de Cassandra é tragédia grega total. Não, não é deprê!! Só que esqueçam o comediante Woody Allen, a gente não esboça um único sorriso durante toda a projeção, é uma história pra se acompanhar com os dentes trincados.

Vou escrever mais a respeito do filme em minha coluna em Zero Hora, mas pra quem fica na cidade no feriado, é a minha dica: mesmo quem não gosta de Allen, deve ir nem que seja para prestigiar a brilhante atuação de Colin Farrell.

Postado por Martha Medeiros

Um filme deprê, um livro alto astral

28 de abril de 2008 25

O filme não é ruim. De jeito nenhum. O roteiro de Bruna Lombardi é bem amarrado, bem construído. O elenco tem ótimas participações de Juca de Oliveira, Eva Wilma e Graziella Moretto, além da própria Bruna. A direção de Ricelli está correta. Da montagem não gosto. O filme está sendo muito bem comentado pela crítica, e tem méritos mesmo. Chama-se “O Signo da Cidade”. Mas achei deprimente pra caramba. Um desfile de losers, a solidão abissal numa grande metrópole, o desespero de não se ter ninguém para amar e confiar, a impotência diante do sofrimento dos outros e do nosso. É mole? Claro que há um momento de redenção no final, mas não me aliviou: se tivesse um estilete na bolsa, cortava os pulsos. Como não sou de extremismos, mantive a calma até chegar em casa, coloquei um disco do Buddy Guy e comecei a ler o livro “Comer, Rezar, Amar”, de Elizabeth Gilbert. Foi um poderoso antídoto! Em poucos minutos eu estava me deliciando com a prosa dessa americana que conta suas aventuras na Itália, na India e na Indonésia, à procura de si mesma (três países que começam com I, que significa “eu” em inglês – mas isso não tem a menor importância). O que importa é que recuperei o bom humor, que sem ele não vivo. Vá ver o filme, sofra um pouco (dizem que fortalece a alma) e depois dance em plena sala com Buddy Guy, ria lendo Elizabeth Gilbert ou faça qualquer outra coisa que lhe faça bem. Até a próxima.

Postado por Martha Medeiros

Martha Mendonça

28 de abril de 2008 18

A Revista Gloss de março, com Débora Secco na capa, trouxe uma rápida matéria comigo e com Lya Luft sobre relacionamentos. O bate-papo foi na casa da Lya, em janeiro – ou seja, levou dois meses pra revista sair, e quando saiu, me deparei com a seguinte manchete: “Duas das principais escritoras do país, Lya Luft e Martha Mendonça, falam sobre…” Nem li o resto. Grrrrrrrr. Estou acostumada com erros de revisão, mas com o nome da gente é desaforo, né? Pô, eu ali toda feliz com aquela generosidade – estar “entre as maiores escritoras e blablabla”, e erram o meu nome!! A diretora de redação se desmanchou em desculpas e disse que vai sair uma errata agora na próxima edição. Errata! Meu prêmio de consolação. Bola pra frente. Minha dica para quando acontecer essas gafes com você: divirta-se!! Passados os primeiros segundos de irritação, escrevi um e-mail para uma amiga jornalista que mora no Rio e perguntei: “Você viu a Gloss?? “Resposta: “Vi e adorei! Como estou famosa!!” O nome da minha amiga é Martha Mendonça, e ela também escreve. Aliás, muito bem.

Postado por Martha Medeiros

Erros e acertos da vida

26 de abril de 2008 24

Olá, todo mundo.

Sábado de garoa em Porto Alegre. Ontem falei sobre amor aqui no blog e mais uma vez deu pra sentir que o tema interessa demais, então aí vai uma dica de filme sobre o assunto. Em português, chama-se %22Três Vezes Amor%22. No original, %22Definitely Maybe%22, que tem mais a ver. Afinal, o que é um amor senão um %22definitivo talvez%22?

O filme é uma comédia romântica, mas foge daqueles roteiros clichês em que tudo dá certo, como se o amor não fosse feito de desencontros, vacilos, traições, frases que foram ditas sem querer, e outras que a gente quis dizer e calou. Sem romantismo: relacionar-se é sempre uma sequência de erros e acertos, e salve-se quem puder. Mesmo fazendo um mix de desacertos, o filme deixa algumas portas abertas e ainda traz uma participação especial de Kevin Kline que vale o filme. E tem a atriz mirim de %22Pequena Miss Sunshine%22, que é uma graça (mas que já está na hora de ganhar um papel que não a obrigue a se repetir.

VAN GOGH NO PALCO

Do cinema para o teatro: semana passada assisti, aqui no Theatro São Pedro, uma peça que vai na contramão do texto fácil. Havia pouca gente no dia da estréia, espero que tenha lotado depois. O título: %22Um certo Van Gogh%22, com Bruno Gagliasso no papel principal e Marcelo Valle no papel de Gauguin. Marcelo fez aquele motorista engomadinho do Tony Ramos na novela Paraíso Tropical – %22Sergio Otávio%22 – e esteve também no filme Tropa de Elite e na peça Divã. É um ator de muitos recursos, aposto nele

A peça sobre Van Gogh é ousada, trata de um tema pouco explorado no teatro – o idealismo e a importância da arte pra revelar a essência humana. Talvez um dia volte a ser encenada por aqui, recém começou a circular pelo Brasil, nem estreou no Rio ainda. Deve reaparecer mais adiante. Fique atento.

PASSANDO ADIANTE

Recebi de um leitor um texto que não é meu, mas ele achou que era. Não é, mas entendo porque ele se confundiu, pois eu assinaria cada palavra escrita ali. Piegas ou não, é algo que muita gente anda precisando ouvir, então vou reproduzí-lo abaixo, mais uma vez alertando: não é meu! E infelizmente não sei quem assina. Você perceberá que não é nenhuma obra literária, mas é um belo toque para quem vive transferindo a responsabilidade da própria vida pros outros. Pra pensar e curtir no final de semana. Até segunda, beijos!

QUEM TE FAZ FELIZ? (autoria desconhecida)

%22Durante um seminário para casais, perguntaram a uma das esposas: – %27Seu marido lhe faz feliz? Ele lhe faz feliz de verdade?%27 Neste momento, o marido levantou seu pescoço, demonstrando total segurança. Ele sabia que a sua esposa diria que sim, pois ela jamais havia reclamado de algo durante o casamento. Todavia, sua esposa respondeu a pergunta com um sonoro %27NÃO%27, daqueles bem redondos! – %27Não, o meu marido não me faz feliz%27! (Neste momento o marido já procurava a porta de saída mais próxima). %27Meu marido nunca me fez feliz e não me faz feliz! Eu sou feliz%27. E continuou: %27O fato de eu ser feliz ou não, não depende dele; e sim de mim. Eu sou a única pessoa da qual depende a minha felicidade. Eu determino ser feliz em cada situação e em cada momento da minha vida, pois se a minha felicidade dependesse de alguma pessoa, coisa ou circunstância sobre a face da Terra, eu estaria com sérios problemas. Tudo o que existe nesta vida muda constantemente: o ser humano, as riquezas, o meu corpo, o clima, o meu chefe, os prazeres, os amigos, minha saúde física e mental. E assim eu poderia citar uma lista interminável. Eu decido ser feliz! Se tenho hoje minha casa vazia ou cheia: sou feliz! Se vou sair acompanhada ou sozinha: sou feliz! Se meu emprego é bem remunerado ou não: eu sou feliz! Sou casada, mas era feliz quando estava solteira. Eu sou feliz por mim mesma. As demais coisas, pessoas, momentos ou situações eu chamo de %27experiências que podem ou não me proporcionar momentos de alegria e tristeza. Quando alguém que eu amo morre eu sou uma pessoa feliz num momento inevitável de tristeza. Aprendo com as experiências passageiras e vivo as que são eternas como amar, perdoar, ajudar, compreender, aceitar, consolar. Há pessoas que dizem: hoje não posso ser feliz porque estou doente, porque não tenho dinheiro, porque faz muito calor, porque alguém me insultou, porque alguém deixou de me amar, porque eu não soube me dar valor, porque meu marido não é como eu esperava, porque meus filhos não me fazem felizes, porque meus amigos não me fazem felizes, porque meu emprego é medíocre e por aí vai. Eu amo meu marido e me sinto amada por ele desde que nos casamos. Amo a vida que tenho, mas não porque minha vida é mais fácil do que a dos outros. É porque eu decidi ser feliz como indivíduo e me responsabilizo por minha felicidade. Quando eu tiro essa obrigação do meu marido e de qualquer outra pessoa, deixo-os livres do peso de me carregar nos ombros. A vida de todos fica muito mais leve. E é dessa forma que consegui um casamento bem sucedido ao longo de tantos anos. Nunca deixe nas mãos de ninguém uma responsabilidade tão grande quanto a de assumir e promover sua felicidade.%22

Postado por Martha Medeiros

Amores!

25 de abril de 2008 21

Uau!!!! Antes de mais nada, quero agradecer a todos os que me escreveram por conta da minha estréia no blog. Infelizmente não tenho como responder a cada um em particular (mas aqueles que quiserem resgatar alguma crônica antiga, é só mandar um e-mail para o endereço publicado na minha coluna em ZH que darei um jeito de enviar). Valeu, um beijo para todos vocês! Tânia Carvalho, que honra receber um comentário seu também!!! Queridona!

Ontem passei o dia no Rio de Janeiro. Meu vôo era para ter saído às 6:00h da manhã, mas o %22fog%22 portoalegrense adiou a decolagem para quase 9:00h. Eu tinha uma entrevista marcada com a Patrycia Travassos para o programa Alternativa Saúde, do GNT. Será um programa especial para o Dia dos Namorados (só vai ao ar em junho, avisarei o dia certo quando souber). Eles gravam num local superbucólico, no Alto da Boa Vista. Praticamente no meio do mato. E mato tem… MOSQUITO!! Eu não sou de ter neuras, mas foi chegar lá e já me colocaram à disposição um tubo de repelente, porque essa história da dengue tá pegando forte no Rio, e eles têm motivo para ficar assustados.

Bom, mosquitos à parte, pra mim foi uma honra compartilhar da companhia da Patrycia (esse %22y%22 não é do meu tempo, coisas da numerologia) porque eu era fã da trupe de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone (quem tem menos de 35 anos pode sair da sala, o momento agora é nostálgico). Quem viu a peça %22Trate-me Leão%22 sabe do que estou falando. Foi um marco no teatro brasileiro, absolutamente revolucionário, o pontapé inicial do besteirol, mas besteirol com emoção, graça e conteúdo! Desse grupo sairam Regina Casé, Luis Fernando Guimarães e Evandro Mesquita (que foi marido da Patrycia por anos). Pois agora, em 2008, quem diria, estávamos nós duas, feito comadres, batendo papo sobre o amor, como se fosse um assunto trivial.

Tem coisa mais complexa que o amor? Ciúmes, traições, desejos. Discutimos bastante a respeito e a única conclusão a que chegamos é que não há mais uma fórmula única de relação: cada casal tem que encontrar seu jeito de amar, focando apenas na felicidade que a relação proporciona. Ou seja, tentar fugir da vulgaridade da ficação aflitiva (mil parceiros, nenhum afeto), mas também não virar refém do %22pra sempre%22. É fácil? Quando o assunto é relacionamento, nada é fácil.

Bom, hoje fico por aqui, deixando uma dica de livro que, aliás, traz amor no título: chama-se %22Amor em Minúscula%22, do espanhol Francesc Moralles, editora Record. A história é a seguinte: um homem mora sozinho em Madri e tem uma vida completamente desinteressante. Sem amigos, sem namorada. Sai apenas para o trabalho e volta pra casa, essa é sua rotina diária. Até que um dia um gato entra sorrateiramente no seu apartamento. Um felino, não um Gianecchini, ok? Um gato, daqueles que fazem miau. De onde será que surgiu? O homem tenta encontrar o dono do bichano e pela primeira vez faz contato com os vizinhos, e aí começa a formar uma rede de amizades estranhas e filosóficas, que o conduzem à vida novamente (através desses contatos ele até vai reencontrar um ex-amor do passado).

Pois é, às vezes basta um pequeno estímulo, uma coisinha à toa, para fazer nossa vida voltar a ter sentido. É isso, até a próxima. Beijos!

Postado por Martha Medeiros

Um blog pra chamar de meu

22 de abril de 2008 51

Depois de ter tido uma experiência supersônica como blogueira durante a última Feira do Livro, volto a me arriscar na função, aproveitando a estréia do Vida Feminina. Estarei aqui quase todos os dias para conversar com vocês sobre o que ando vendo, ouvindo e vivendo. Pretendo também, de vez em quando, postar umas entrevistas e prometo escolher bem meus convidados – sim, a entrevistadora serei eu! 

Vou abrir minha agenda pra vocês – amanhã, por exemplo, estarei no Rio de Janeiro dando uma entrevista para o programa Alternativa Saúde, do GNT. Aquele com a Patrycia Travassos. Na quinta-feira eu conto como foi.

Hoje começo relatando uma experiência inédita que vivi dia 4 de abril, quando os Titãs fizeram um show junto com os Paralamas no Pepsi on Stage, em Porto Alegre. Pra minha surpresa, fui convidada para acompanhar a banda desde a saída do hotel. Não fui convidada como jornalista, e sim como amiga, por pura camaradagem. Cheguei a escrever uma crônica sobre isso, mas acabei não publicando em jornal algum. Então está aí pra vocês, em primeira mão, a tal crônica onde conto os detalhes que ninguém viu desse encontro histórico.

UMA NOITE COM OS TITÃS

Era início de tarde de sexta-feira quando meu celular tocou. Era Malu Mader me convidando para ir ao hotel onde os Titãs estavam hospedados e ir junto com a banda para o local do show, participando assim de todos os momentos pré-espetáculo. Me belisca. Meu dia de groupie havia chegado.

Às 21h eu estava no sagüão do Holiday Inn e logo Malu apareceu com Tony Belotto, que eu conheci meses atrás no programa da Marilia Gabriela. Em 17 segundos e meio, eu e Malu nos tornamos amigas de infância. Parecíamos duas gralhas, encantadas com tantas afinidades. Chegamos ao Pepsi on Stage pouco antes do horário marcado para o show e subimos direto para o camarim.

Ahá, seria a hora de eu descobrir as extravagâncias, os segredos, os rituais antes da entrada no palco. Pfiu. Trata-se de uma família. Champanhe, sanduichinhos e papo tranqüilo no sofá. Os rapazes deram apenas poucos goles e conversavam numa calma budista. Humm, vai faltar demônio nesse show, pensei. Lá de dentro dava pra ouvir o clamor do público, que estava ansioso, mas Herbert Viana ainda não havia chegado – ele tem um aparato especial para ir e vir, foi o único com quem não troquei palavra, fica totalmente alheio a tudo.

Chegada a hora, os Titãs pedem para que todos saiam do camarim – seguranças, esposas e intrusas – e durante um minuto ficam lá dentro fazendo não sei o quê. Rezando? Duvido. Então saem para a %22guerra%22 e, aí, sim, a adrenalina toma conta do ar. Durante o cortejo até o palco, cruzo com Fito Paez, que vai assistir ao show conosco até a hora de sua participação especial. Ele me dá um beijo, pergunta %22todo bien%22? Ai, mejor impossible. E o show começa.

Malu propõe irmos para a pista e eu adoro a idéia, mas penso: como essa mulher vai ficar sossegada no meio da massa? Bobagem. Ela não esquenta com o assédio. Passamos quase todo o show dançando junto à platéia, e ela deu uma aula de simpatia, tirando fotos com todo mundo. Uma lady. Apesar do som abafado, que impedia que as letras fossem entendidas, o show pegou fogo, era um hit atrás do outro. Fiquei aliviada: o demônio havia comparecido.

Quase no fim, voltamos ao backstage a tempo de ver os garotos atrás do palco combinando os detalhes do bis. Haviam ensaiado Meu Erro e Flores, mas resolveram acrescentar mais duas músicas, decididas ali mesmo, no improviso. Uma galinhagem. Diversão e arte pra valer.

Fim de show, todos voltam pro camarim, se abraçam, trocam de camiseta e saem para receber os jornalistas numa sala de imprensa improvisada. Reclamam do frio que está fazendo. Pra eles, 19 graus é inverno polar. Duas da manhã, estão todos na van novamente, meio cansados, mas mantendo um pique quase infantil, como se estivessem voltando de um passeio do colégio. Riem, brincam uns com os outros, estão felizes, e começam a planejar o dia seguinte: show em Florianópolis. Malu não irá, voltará pro Rio para ficar com os filhos, deu folga pra empregada.

É uma família, como digo. O demônio é amigo íntimo, mas não mora com eles.

Postado por Martha Medeiros