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Posts de junho 2008

A famigerada página em branco

29 de junho de 2008 21

 

Quando participo de encontros literários em escolas, sempre me perguntam se é mesmo verdade essa história de ter dia que não pinta idéia nenhuma para escrever. Nossa! Pra mim acontece com frequência e durante mais que um dia – posso dizer que essa semana inteira que passou foi uma pedreira nesse sentido. Escrevi na segunda-feira passada sobre o consumismo desenfreado em Buenos Aires (os preços estão ótimos, mas viajar é bem mais do que fazer compras) e sobre essa lei de tolerância zero para com quem bebe e dirige (apóio, mas acho que o radicalismo da lei vai colocar tudo a perder – de qualquer maneira, eu já aderi ao táxi, porque não vivo sem um vinhozinho à noite). Pois bem. Escrevi esses dois textos, mandei pros jornais e a partir de então deu tilt, não consegui pensar em mais nada. Terça, quarta, quinta… Zero inspiração. Aproveitei esses dias para finalizar a seleção de crônicas da minha próxima coletânea, que será lançada em agosto (assim que eu tiver o título do novo livro, vocês serão os primeiros a saber). Aproveitei também para responder entrevistas e e-mails, mas e o trabalho? E as crônicas para jornal? Não gosto de escrevê-las de última hora, em cima do prazo de entrega, mas era o que estava prestes a acontecer… Veio sexta, sábado e nada de me ocorrer algum assunto. Me reuni com minhas amigas, folheei revistas, comecei a ler um novo livro (ainda estou no começo, mas ponha na sua lista, é espetacular como tudo que ele escreve: Fantasma Sai de Cena, de Philip Roth) e nada da lampadinha se acender sobre a minha cabeça. Hoje, domingo, eureka! Alguma coisa pintou. Mas posso garantir que essa sensação é inquietante, parece que nunca mais vou conseguir escrever nada, que a fonte secou. Em julho completo 14 anos de colunismo em jornal e a impressão que tenho é que já escrevi sobre tudo e que só estou me repetindo.  Não deixa de ser um pouco verdade, mas a sorte é que a gente muda, a vida não é estática, e mesmo os temas que foram abordados anos atrás podem ressurgir transfigurados, renovados. É lenha, mas sigo em frente. Tudo isso pra me desculpar pela ausência prolongada aqui, acabou sobrando pro blog também. Bom início de semana a todos e torçam para que eu pegue no tranco! Beijos.

Postado por Martha Medeiros

Transfer

25 de junho de 2008 12

Estive ontem à noite no Santander Cultural para a inauguração da mostra Transfer. Bom, a verdade é que ninguém consegue ver muita coisa em noite de inauguração, é muita gente circulando, fotógrafos, garçons, mas deu pra perceber que vale a pena voltar para olhar com calma as obras. Não que eu seja uma fã de arte contemporânea – sinceramente, não sou. Principalmente das tais instalações que passam por arte – elas não despertam nenhum dos meus sentidos. Mas essa exposição tem obras que passam vibração, têm vida, movimento. Não vou dizer que sejam originais – a palavra não seria essa. Mas existe uma honestidade criativa ali, nada me pareceu pretensioso. Enfim, tem gente que deixa um cachorro de verdade preso a uma coleira, morrendo de fome num canto de uma sala de um museu, e considera isso arte (aconteceu não faz muito, acho que na Espanha), então eu celebro a alegria artística. Toda arte é, basicamente, uma forma de transgressão, de denunciar, criticar, despertar reflexões. Eu acredito que pode-se fazer isso sem precisar recorrer ao mórbido. Transfer é uma festa de rua. Uma exposição de cultura urbana: grafites, fotos, vídeos, pinturas, desenhos, até uma pista de skate tem por lá. A mostra fica exposta até 28 de setembro, mas não demore para conferir. De segunda a sexta das 10h às 19h. Sábados e domingos  abre uma hora mais tarde, às 11h.   

 

*

 

Lamentei a morte da nossa ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Aliás, ela não gostava de ser chamada de “primeira-dama”, dizia que isso não era profissão, e estava certa. Era uma mulher de uma inteligência acima da média e que se preocupava de fato com questões sociais, sem fazer disso trampolim político. Discreta, não se deslumbrou com o poder quando esteve por 8 anos no Palácio do Planalto, ao contrário, tratou de mostrar serviço, em vez de se preocupar apenas com os vestidos que iria usar em eventos diplomáticos. Fez diferença.

 

*

 

Uma leitora pergunta se o texto “A voz do silêncio”, que circula pela internet, é meu. Olha, assim pelo título, não lembro, pode ser, mas sempre aconselho: desconfiem de tudo o que lêem na internet. O começo do texto pode ser meu e o final pode ser de algum zé mané que resolveu acrescentar sua “contribuição”, botando tudo a perder. Acontece em 90% das vezes em que os textos caem na rede.

 

É isso. Beijos!

 

Postado por Martha Medeiros

A crônica sobre Sex in the City

23 de junho de 2008 21
Conforme o prometido, aí embaixo está a reprodução da crônica que saiu domingo. Como eu havia adiantado, gostei do filme, principalmente da metade pro final. Será que a vida da gente também melhora da metade pro final? Não custa ser otimista! Beijão.
                                        SEX AND THE CITY
 
      
 
         Dois filmes em um. É assim que defino o badaladésimo Sex and the city. Assisti a pouquíssimos episódios da série de tevê, e essa falta de intimidade com as quatro moças me deu um certo distanciamento para analisar o que se passa ali, na tela do cinema, naquela Nova York hiperglamurizada, onde o mundo fashion é um quinto personagem.
         Em minha análise de leiga, considero que a primeira parte do filme vai até a cena do casamento de Carrie com Mr. Big. Até ali, vi mais ou menos o que estava preparada para ver: um desfile nonsense de roupas que nenhuma mortal se atreveria a vestir à luz do dia (alguns dos modelitos eu não vestiria nem no escuro, mas como sigo a cartilha do “menos é mais”, não sirvo de parâmetro). Percebi também uma certa histeria feminina, aquele desespero que fica latente quando um grupo de mulheres se encontra para falar de bolsas, sapatos e homens, nessa ordem. Uma confraria de colecionadoras – dos três itens! Até mesmo a direção do filme, nessa primeira parte, me pareceu mais frenética, ou eu é que estava lenta demais e não consegui acompanhar a rapidez dos acontecimentos e a excitação daquelas quatro.
         Então acaba a cena do casamento, e a impressão que dá é que houve uma troca de roteirista – um novo filme começa. Não que se transforme automaticamente num drama existencialista francês. Segue glamuroso, divertido, mas já não é tão fútil. É como se as quatro tivessem levado um balde de água fria (de certa forma, levaram) e resolvessem parar de pensar como colegiais, dando lugar a questionamentos mais maduros.
         Claro, a profundidade é a mesma da série de tevê – água pela canela – mas o filme mostra claramente a confusão que algumas mulheres fazem ao alcançar sua independência: acreditam que o individualismo faz parte do pacote. Não é bem assim.  
          Trabalhar, ganhar nosso próprio dinheiro, defender nossas idéias, ok, é imprescindível. Mas estamos tão obcecadas em proteger essa importante conquista que passamos a ter dificuldade em partilhá-la com quem, a priori, não faz parte do nosso time: eles. Se por um lado é muito bacana ver no filme as quatro personagens cultivando uma amizade saudável, íntima e verdadeira entre elas, por outro soa meio antigo que essa amizade seja a única maneira de elas conseguirem conjugar a primeira pessoa do plural: nós. Nós, mulheres. Nós, as poderosas. Nós com nossos filhos, nossas secretárias e nossos amigos gays.    
         Na hora de pensar em “nós” em termos de casal, surge a dificuldade do relacionamento. Algumas mulheres encaram os homens como acessórios de luxo. Não pega bem sair de casa sem um homem, assim como não pega bem sair de casa com qualquer roupa. É como se os homens tivessem que combinar com nosso vestido. Seguimos acreditando que mulher sem homem é uma mulher incompleta, e eles acabaram se transformando, também, num objeto de consumo. Só que estruturar uma relação afetiva requer bem mais do que bom gosto.  
         De todos os Manolo Blahnik, Prada e Louis Vuitton que fazem parte do elenco de Sex and the City, o que mais curti foi ver as mulheres se darem conta de que, ao abrirem seus closets, não encontrarão um amor prét-a-porter. Desaprendemos a dizer “nós” quando tivemos que lutar pelos nossos direitos: maternidade, profissão, sexo livre, tudo isso passou a dizer respeito ao “eu” da mulher, e foi fundamental esse mergulho particular para chegar até aqui. Agora é hora de reaprendermos a dizer o “nós”, não mais como a parte submissa da dupla, e sim como parceiras de um homem que já entendeu o novo mundo em que vive, já nos aceitou como independentes, e que agora nos quer menos controladoras e mais amigas, mais amantes, e por que não dizer, mais despidas.
 
 
                                         Martha Medeiros

Postado por Martha Medeiros

Voltando de viagem

23 de junho de 2008 4

Fui e voltei! Passa rápido para quem está aqui, mas quando viajamos, a gente sabe, o tempo estica, parece que ficamos longe o dobro dos dias. 

Antes de mais nada, obrigada pelas dicas que vocês deixaram aqui. Não deu pra ver tudo, óbvio, mas eu e minha filha nos divertimos muito, apesar da chuva, apesar do frio: cheguei em Porto Alegre achando que 15 graus é auge do verão. Lá fazia 4 graus de dia e nem me pergunte à noite…

Entramos no táxi que nos levou do aeroporto ao hotel e imediatamente começou a tocar no rádio “Hace Calor”, um rockzinho dançante/provocante que fez sucesso anos atrás com Los Rodriguez - mas eu gosto mais da versão do argentino Andres Calamaro.  

Bom, largamos as malas e partimos para o roteiro clássico de três dias: caminhamos pela calle Florida (onde fica a Galeria Pacífico, lotada de brasileiros comprando, comprando… os preços realmente estão ótimos), passeamos pela Recoleta (como é linda aquela figueira que fica na praça em frente ao cemitério), batemos perna por Palermo Soho (a zona mais descolada  da cidade, com muitas lojinhas e cafés modernos), visitamos a belíssima livraria El Ateneo (instalada num antigo teatro no centro, onde Gardel cantava!), comemos uma proveleta grelhada e uma carne estupenda no Las Lilas (no Puerto Madero), almoçamos no Modena (um restaurante com espírito Fórmula 1, muitos motivos automobilísticos e comida honesta!), estivemos no Museu Malba (tinha que ver o Abaporu, pintado por Tarsila do Amaral, assim como o famoso auto-retrato da Frida Kahlo) e fomos domingo de manhã à Feira de San Telmo (antigüidades, quinquilharias, tudo misturado, tudo criando um clima old fashioned, a começar pelo casal de tango fazendo seu show particular nas ruas de pedra, apesar do frio) Pra quem quer dar uma escapada dos antiquários, é só caminhar ali pela calle Defensa, bem pertinho da Feira, e no número 910 vai encontrar a descontraída e coloridíssima loja “Lago”, com divertidos e modernos objetos de design.

Falando em tango, assistimos também um espetáculo desses “pra turista ver”, no Piazzola Tango, um antigo teatro que fica na linda galeria Güemes, no centro. O show de dança é bonito, vigoroso, performático, sensual. Um “cirque du soleil” portenho, pois as bailarinas também parecem não ter ossos. Tudo bacana, mas não senti a verdadeira alma dos argentinos ali… E o casal de cantores, argh. Meio canastrões. O cara simplesmente destruiu algumas canções imortalizadas pelo grande Astor Piazzola. Mas é preciso entrar no espírito, ter bom humor e curtir. Valeu o show, assim como o jantar incluído. 

Buenos Aires segue uma cidade imponente. Tudo parece clássico, formal, “parisiense”, mas por trás das fachadas há um jeito latino que cede à descontração. Gosto, por exemplo, de ver os homens se cumprimentarem com beijos na face, é uma doçura que contrasta com a virilidade dos argentinos. Aliás, sempre achei bonito pai e filho se beijando no rosto, irmãos se beijando, amigos se beijando. Acho uma imagem forte, moderna e extremamente afetiva. Aperto de mão é para fechar negócios.

Preciso trabalhar! Qualquer hora eu volto com mais comentários. É bom estar de volta! Obrigada mais uma vez por todas as mensagens!

Beijos!

 

 

Postado por Martha Medeiros

Don´t cry for me

18 de junho de 2008 63

Algumas pessoas, ao lerem meu currículo, lamentaram os livros que estão fora de catálogo. Deixa eu lembrar uma coisa: o pocket Poesia Reunida traz uma seleção (feita por mim) dos quatro primeiros livros de poemas: Strip-Tease, Meia-Noite e um Quarto, Persona non Grata e De Cara Lavada. Então o pocket resolve o problema, e ele é fácil de encontrar, é vendido em farmácias, supermercados, até livrarias! 

 

Ainda sobre o perfil: o Thedy Correa reclamou de eu não ter falado sobre as parcerias musicais… Como se ninguém soubesse da nossa querida Feedback, uma das faixas que mais gosto do CD Pequeno Universo, do Nenhum de Nós. E tenho outra parceria também: com a Fernanda Porto, no CD Giramundo. A faixa 6 é um poema meu que ela musicou: Outra margem do rio. 

 

Alguém me achou irritada no último post, aquele sobre Sex and the city. De forma alguma! Incrível essas percepções. O fato de comentar negativamente sobre dublagem ou barulho de papel de bala não faz de ninguém um mal-humorado, são apenas opiniões. Pra ser feliz a gente não precisa gostar de tudo, achar tudo uma maravilha. Isso não é ser feliz, isso é ser bobo alegre. Tô numa boa! E gostei de Sex and The City – levanta uma questão importante que vou salientar na crônica de domingo.

 

Tô numa boa principalmente porque amanhã minha filha faz 17 anos e vamos juntas pra Buenos Aires, só eu e ela, pra comemorar. Ela não conhece, e eu quase não conheço também, porque faz mais de 20 anos que não vou à capital argentina. Serão apenas três dias, no domingo estaremos de volta, mas quem quiser deixar algumas dicas aqui no blog, serão super bem-vindas. Na volta eu conto tudo! Besos!   

Postado por Martha Medeiros

Sex and the city

16 de junho de 2008 51

Estou longe de ser uma expert em Sex and The City, acho que já comentei isso aqui no blog. Vi poucos episódios da série na tevê. Sempre achei Friends disparado melhor: mais leve, mais engraçado e mais real – real na medida do possível, dentro desse universo roteirizado da televisão. Mas fui ver o filme sobre as quatro novaiorquinas e, no balanço geral, gostei. No começo, achei que iria ser soterrada por tanta frivolidade, mas no decorrer da projeção descobri um gancho para discutir a razão pelo qual alguns relacionamentos não vão pra frente. Talvez esteja na hora de pararmos de culpar os homens… Mas não vou entregar o jogo aqui, a crônica será publicada nosjornais primeiro, e depois, se insistirem muito, mas muuuuito (risos), eu reproduzo aqui no blog. Mas vamos em frente, quero continuar falando sobre cinema. 

Comentei também que fui ver Indiana Jones semana passada. Por vergonha, omiti aqui a bobeada do ano: entrei numa sala cuja cópia era dublada, e uma vez sentada no cinema, deu preguiça de ir embora. Não consigo entender como algumas pessoas preferem ver cópias dubladas (a não ser que tenham menos de 10 anos de idade). Parece sessão da tarde! Fica tudo mecanizado, sem veracidade, sem charme – é a mesma coisa que ver filme brasileiro dublado em russo. Muito estranho. O que não significa que, ao vermos filmes legendados, também não soframos: em Sex and The City, fala-se todo o tempo que Carrie irá casar numa livraria. Não seria má idéia, pra quem ama livros e quer convidar meia-dúzia de amigos para testemunhar um enlace hiperinformal. Não é o caso da personagem de Sarah Jessica Parker, que tinha uma listinha de 200 convidados e estava montada num vestido glamuroso desenhado por Vivianne Westwood. Então que história de livraria era aquela? Erro de tradução. O responsável pela legenda esqueceu que “library” significa Biblioteca- a de Nova York, é um prédio suntuosíssimo, que comporta grandes eventos. Se Carrie fosse mesmo casar numa livraria, seria numa “bookstore”… Eu não tenho fluência nenhuma em inglês, mas certas coisas dá pra sacar…    

E pra terminar o assunto: ouço todo mundo por aí dizendo que quer emagrecer. Então por que não começar a dieta dentro do cinema? Que coisa mais irritante ouvir aquele som de papel de bala nos nossos ouvidos, ou o estilhaçar de pipocas, todo mundo parecendo que está num zoológico num domingo de sol, quando estão numa sala escura e silenciosa, compartilhando o momento com outras pessoas que adorariam prestar atenção no filme, e só no filme… E nem estou comentando sobre aqueles que ficam conversando num tom de voz audível até pelo cara lá fora que recolheu os ingressos… e tem os celulares, claro… mas juro, conversas e celulares ligados já nem me parecem tão comuns, alguma educação aprendemos, mas essa mania de lanchar dentro do cinema é de lascar. Tudo bem um chicletezinho, uma balinha, mas abram a embalagem na hora que estiver ocorrendo um tiroteio na tela, uma explosão de prédios, enfim, bem na hora do fim do mundo em dolby stereo. Mas se não for um filme-catástrofe, jejum! 

Postado por Martha Medeiros

Meu currículo

15 de junho de 2008 20

Uma leitora de Goiânia pediu que eu deixasse aqui meu perfil, quer saber para quais jornais escrevo, assim como também há leitores que não sabem exatamente quantos livros publiquei. Blog é pra isso, não é?  Então vamos lá. Nasci em Porto Alegre e me formei em Comunicação Social. Trabalhei muitos anos como publicitária, até que iniciei carreira literária. Como poeta, lancei os seguintes livros: Strip-Tease (1985), Meia-Noite e Um Quarto (1987), Persona Non Grata (1991), De Cara Lavada (1995), Poesia Reunida (1999) e Cartas Extraviadas e Outros Poemas (2001). Destes, só os últimos dois seguem sendo comercializados. Todos foram editados pela L&PM, com exceção do primeiro, o Strip-Tease. (www.lpm.com.br). 

Em 1995 lancei meu primeiro livro de crônicas pela editora Artes e Ofícios, chama-se Geração Bivolt e é uma raridade até aqui em casa, acho que devo ter apenas um exemplar escondido em alguma prateleira. Totalmente fora de catálogo.  

Em 1996 lancei o guia Santiago do Chile, Crônicas e Dicas de Viagem, que relata minha experiência de oito meses vivendo na capital chilena. Já foi atualizado várias vezes e deve sair nova atualização ainda neste inverno. É da Artes & Ofícios também.

Meu segundo livro de crônicas foi o Topless, de 1997, que ganhou o Prêmio Açorianos de Literatura, e depois dele vieram Trem-Bala (1999), Non-Stop (2001), Montanha-Russa (2003, também ganhou o Prêmio Açorianos e ficou em segundo lugar no Prêmio Jabuti) e o Coisas da Vida (2005). Todos L&PM.

Tenho um livro infantil chamado Esquisita como Eu, lançado pela Editora Projeto e com ilustrações da Laura Castilhos. Um dia vou escrever de novo para crianças.    

Na ficção, o primeiro foi o Divã, lançado pela editora Objetiva, do Rio. Pra minha surpresa, estourou. Vendeu muito, virou peça de teatro com a Lilia Cabral no papel principal e em breve estará no cinema: já foi filmado, agora está em fase de montagem e sonorização. Lilia fará o papel de novo, e se cercou bem, olha só o casting masculino: José Mayer, Reynaldo Gianechini, Cauã Reymond… A direção é do José Alvarenga, o mesmo que dirigiu “Os Normais”. 

Depois veio Selma e Sinatra, um livro em que exercitei a criação de diálogos, gostei muito de escrevê-lo, mas não teve grande repercussão.

E, por fim, Tudo Que Eu Queria Te Dizer, o livro de cartas fictícias que lancei no final do ano passado e que está indo superbem, com ótima aceitação. Acaba de ser lançado na Itália. O Divã também fez carreira internacional, foi lançado na França, Suiça, Portugal, Itália e Espanha.

É isso. São 18 livros até aqui. Em agosto estarei lançando outra coletânea de crônicas. Enquanto isso, sigo escrevendo todas as quartas e todos os domingos no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, e também aos domingos no Jornal de Santa Catarina e no Globo. E faço colaborações eventuais para revistas, assim como assino uma coluna bimestral na Estilo Zaffari, publicada aqui no sul, mas com distribuição em São Paulo também.

Nas horas vagas, gravo entrevistas, respondo e-mails, participo de Feiras e Bienais, visito escolas no interior e, acredite, sobra tempo pro lazer! Até porque não separo uma coisa da outra, gosto tanto do meu trabalho que me sinto permanentemente em férias. É uma questão de estado de espírito.

Beijo!

 

  

Postado por Martha Medeiros

Salada mista de assuntos

12 de junho de 2008 14

Desculpem a lerdeza em atualizar o blog, mas a vida tem sido mais rápida do que eu. Tanta coisa rolando… O leitor Daniel falou sobre o programa Alternativa Saúde, aquele que gravei com a Patrycia Travassos. Pois é, foi ao ar ontem pelo GNT. Eu sempre fico desconfortável quando me vejo em entrevistas. Normal: todo mundo é meio crítico consigo mesmo. A verdade é que é duro ver a nossa imagem na tevê. Eu gesticulo demais, mexo muito no cabelo, fico ansiosa pra completar o raciocínio, em dar respostas legais… e aí vem a edição do programa e faz os cortes, deixa a matéria mais telegráfica. É assim mesmo, time is money, tudo tem que ser muito ágil. Mas, enfim, quem quiser conferir, reprisa hoje, quinta, às 18h30m. Canal 41 da Net.

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Uma leitora pede que eu deixe aqui uma crônica sobre o amor… Ah, não vai dar,  esgotei o repertório por ora, já escrevi sobre o assunto para os jornais e não tenho nada inédito para adiantar no blog… Mas espero que todos os namorados curtam muito o dia (e a noite) de hoje, que sejam tolerantes, carinhosos e divertidos, que valorizem esse momento da vida que é bárbaro: estar apaixonado. Fazer planos é legal também, dá uma sensação de continuidade, de se ter um “pacto”… mas bom mesmo é curtir o momento, investir no amor hoje, agora, já! E quem não tem namorado, don´t worry, be happy, porque dá pra ser feliz sozinho também… Mas não sozinho forever, se ligue.

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Acabei de chegar de um encontro com estudantes em Caxias do Sul, e uma das perguntas que me fizeram foi justamente essa, se eu acho possível alguém ser feliz sozinho. Respondi que ter momentos sozinhos é necessário. Não estou falando de uma tarde sozinho, mas por algum tempo: fazer uma longa viagem, ou morar sozinho um período, ou escolher não se relacionar com ninguém: tudo faz parte da busca pela nossa essência, por auto-conhecimento. Às vezes é importante a gente se afastar de tanto barulho, informação, agitação, e se conectar consigo próprio, procurar nosso “Alaska” (referência ao filme “Na Natureza Selvagem”). Mas quem viu o filme lembra qual a conclusão do personagem, depois de ficar um tempão só. Ele escreve no seu diário: “De nada adianta termos felicidade se não temos com quem compartilhá-la”. Então, curtam sua solidão momentânea, porque ela fortalece, mas que ela não seja um projeto de vida. 

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Matinê: fui ver o último Indiana Jones. Harrison Ford ainda mantém o vigor, mas a história é repetitiva. Quem viu os anteriores, viu tudo. Ainda assim, sempre é bom sentir um friozinho na barriga diante das cenas de aventura. A cena das cataratas é vertiginosa. 

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Matinê 2: claro que vou ver Sex and the City. Ainda que eu não seja fã absoluta da série de tevê… Acho aquelas mulheres meio irreais e um tantinho histéricas. E quem tem coragem de usar aquelas roupas no dia-a-dia?? Mas irei ao cinema e prometo levar meu bom humor. 

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Beijos! E beijem-se! Viva o amor!

 

 

  

 

Postado por Martha Medeiros

Miragem! Uma livraria

09 de junho de 2008 18

A jornalista Fernanda Zaffari fez uma matéria sobre uma livraria estupenda que existe em São Francisco de Paula (a 112 km de Porto Alegre), mas só fui tomar conhecimento dela agora, através da dica de uma amiga. E pensar que estive pertinho de São Francisco esse final de semana e perdi a chance… Mas vi as fotos e o lugar é um charme total. Fica na avenida central e chama-se “Miragem” – nome muito propício para uma livraria numa cidadezinha com pouco mais de 20 mil habitantes. Segundo a matéria da Fernanda, o prédio tornou-se atração turística, galeria de exposições, salão de eventos e centro cultural. Pra mais adiante, está planejada uma casa de chá, assim como um cinema e teatro. Tudo isso idealizado por uma senhora de 63 anos chamada Luciana Olga Soares, professora aposentada de História. Ninguém investe numa livraria em local tão recluso se não for uma amante da literatura e das artes em geral, e se não tiver um background financeiro que possibilite sonhar sem esperar lucro. Bravo, dona Luciana! E eu ainda sonho com uma livraria no bairro onde moro, aqui na capital gaúcha, uma das maiores metrópoles do Brasil. Inacreditável: não tem. Ou está muito bem escondida.

*

Uma leitora me pergunta se sou a proprietária de uma casa em Torres onde há uma parede inteira com uma crônica minha, manuscrita de alto a baixo. Também já passei por essa casa e fiquei impressionada. Não é minha não, já tive imóvel em Torres, não tenho mais. E se tivesse, não seria tão vaidosa a ponto de decorar a sala com frases de minha autoria. Mas fico feliz de saber que há uma família que “eternizou” meu trabalho em seu refúgio de férias – até que enjoem e chamem um pintor, é claro. Em tempo: é uma casa linda! 

 

 

Postado por Martha Medeiros

Na região dos canyons

09 de junho de 2008 12

 

 

Sexta passada estive em Três Cachoeiras (RS) e depois aproveitei para dar um pulinho até Torres, praia onde passei minha infância e pela qual tenho uma afetividade enorme (considero Torres lindíssima – se tivesse uma melhor infra-estrutura, seria uma rota turística de forte impacto nacional!). E no sábado fomos (estava acompanhada) conhecer a Pousada da Pedra Afiada, a 20km de Praia Grande, município de Santa Catarina, que situa-se logo após a travessia do rio Mampituba. A pousada é um tipo de  “spa ecológico”, localizada aos pés do canyon Malacara e onde se pode praticar vários esportes junto à natureza. No domingo, deixamos o lindo visual da pousada para encarar uma paisagem ainda mais exuberante: subimos os 25 km de chão de terra batida (e muita pedra) até chegar no Parque Nacional do Itaimbezinho. Percorremos uma trilha amena, apreciamos a cascata “Véu da Noiva”, encaramos os paredões majestosos e depois pegamos a estrada de novo para almoçar em Cambará do Sul. Finalmente, descemos a Rota do Sol até a BR 101, e chegamos de volta a Porto Alegre. São registros pessoais de uma viagem  que a quase ninguém interessa, mas fica o toque: de vez em quando, fuja da civilização. Aí perto de você também deve ter lugares assim, com muito verde e pouco stress. Eu admito que sou uma urbana incurável, mas o contato com a natureza me revigora. A quem não? Bom início de semana a todos! 

 

 

Postado por Martha Medeiros