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Posts de julho 2008

E segue o baile

30 de julho de 2008 18

Obrigada a todos pelos comentários sobre o último post. É um assunto que rende, mas a vida continua – ao menos o blog continua. Vamos lá. Não tenho tido tempo para ver muita coisa por aí, tenho trabalhado um monte. Ontem revisei o “Doidas e Santas” que será lançado no dia 16 de agosto na Bienal do Livro em São Paulo (é um sábado e estarei às 16 horas no stand da editora, a L&PM – é só aparecer). Estou também dando continuidade ao meu novo livro de ficção, e além disso, pasmem: voltei a escrever poemas. De repente, entrei num surto produtivo! E tenho que escrever muitas crônicas também, porque daqui a um mês eu vou tirar 10 dias de férias e o material tem que ficar pré-pronto. 

*

Ainda assim, deu pra assistir a um DVD e ler um livro nos últimos dias. O filme foi, finalmente, A Família Savage, com o sensacional Philip Seymour Hoffmann. É a história de dois irmãos que precisam cuidar do pai velho e doente, ao mesmo tempo que lidam com a mágoa por esse pai não ter cuidado direito deles quando eram crianças. Teve gente que achou o filme muito pesado. Não achei.  Tem diálogos ótimos e não força a mão no melodrama, me pareceu realista. Um dia todos nós vamos ter que inverter os papéis e cuidar dos nossos velhos. É aí que iremos saber, na prática, até onde vai nosso amor, desprendimento e capacidade de tolerância.

*

E li um livro muito bem escrito da mineira Maria Esther Maciel. Eu a conheci meses atrás na Bienal do Livro de Belo Horizonte, quando ela me presenteou com o seu O Livro dos Nomes. Só consegui ler agora, e o devorei! Um texto poético, inteligente e que interliga vários personagens num quebra-cabeças muito inspirado. Cada capítulo apresenta a história de uma pessoa, em ordem alfabética: primeiro Antonio, depois Beatriz, Catarina, Danilo…. até chegar na Zanóbia. E a cada início de capítulo, vem a explicação sobre o significado de cada um desses nomes. Aliás, você sabe o significado do seu? Quando eu era criança, li que Martha significava “enérgica e meiga ao mesmo tempo”. Adorei. Mas a fonte não era muito confiável, um Almanaque Disney…  Fica, então, a dica desse romance elegante e original. A editora é a Companhia das Letras. 

*

E perguntaram se a minha amiga escritora que tem várias frases tatuadas nas costas é a Stella Florence. É ela mesma. Uma figura!! Gosto do que ela escreve, da sua audácia, do seu humor furioso. Leiam dela Que o Diabo te Carregue, sobre separação, e divirtam-se! É muito bom. Editora Rocco.

Beijos!

Postado por Martha Medeiros

Tributo aos vilões

25 de julho de 2008 67

Aproveitando o post sobre o Frejat, a leitora Lais pergunta se eu gostava do Cazuza. Adorava, Laís! Ainda agora estava ouvindo “O tempo não pára” no rádio do meu carro, que é uma música que me emociona demais. Cazuza compunha muito bem, tinha um talento raro e muita visceralidade. Não se economizava. Em suas músicas, ele escancarava a alma e deixava o nervo exposto. Creio que ele faz muita falta, ao contrário do que pensa um outro leitor que deixou aqui um comentário que inicia com um elogio a mim (obrigada!), mas deu a entender que não apreciava o Cazuza e que já teria escrito sobre isso em seu blog, numa crônica intitulada “Tributo aos Vilões”. Não li, mas, pelo título, creio que deve ser algo parecido com um texto que andou circulando pela internet anos atrás, uma acusação absurda aos pais do Cazuza, dizendo que eles haviam dado muita liberdade ao garoto e que ele era um mau-exemplo, e portanto não merecia ser exaltado como artista. Como assim? Então um artista só merece respeito se for heterossexual, se nunca tiver experimentado drogas, se nunca tiver cometido nenhum excesso?  Mas quem somos nós para julgar os outros? Cazuza assumia: “Eu não faço mal nenhum, a não ser a mim mesmo”. Como é que seria o mundo se todos os artistas fossem absolutamente regrados? Não existiria Janis Joplin, Eric Clapton, Pablo Picasso, Jack Kerouac, Rita Lee, Tim Maia, Cassia Eller, Oscar Wilde, Rolling Stones, Marlon Brando, Billie Holiday, Bob Marley, Ernest Hemingway, Elis Regina, Jimi Hendrix e tantos outros que beberam, fumaram, piraram, mas não fizeram mal nenhum à sociedade, ao contrário, deixaram um legado artístico de enorme valor, coisa que talvez não fizessem se fossem comportados pais de família. Claro que não é preciso ser porra-louca para ser bem-sucedido, mas se alguns artistas têm uma natureza transgressora, a troco de quê vamos boicotá-los? E chamá-los de vilões, convenhamos… Por acaso roubaram, como tantos empresários e políticos por aí? Mataram algum inocente, dando tiros pelas ruas? Desviaram dinheiro público? Nossos vilões são outros. Desses, sim, temos que manter distância. Pra encerrar, queria lembrar que cada vez que acusamos os outros, estamos com isso enaltecendo a nós mesmos. Será que estamos tão acima de qualquer suspeita? Me foge agora o autor da seguinte frase: “Se todos soubessem o que cada um faz entre quatro paredes, ninguém cumprimentaria mais ninguém”. Eu, que também crio, espero que meu trabalho seja sempre reconhecido pelas emoções e reflexões que ele possa provocar, e não por meu bom mocismo. Ave, Cazuza!

Postado por Martha Medeiros

Tatuagens

23 de julho de 2008 33

Há mais ou menos uma semana que minha filha mais velha, de 17 anos, vinha falando que estava a fim de fazer uma tatuagem. Eu não tinha nada contra, até já pensei em fazer também, mas mãe é mãe, e dei a ela uns toques: não faz nada muito grande pra não se arrepender depois, pesquisa os melhores tatuadores, te informa e, principalmente, pensa bem, porque é algo que vai ficar no teu corpo pra sempre – e “pra sempre” é tempo que não acaba mais. Ela já tinha na cabeça o que queria (uma clave de sol, porque é louca por música) e o local (no pulso direito). Hoje ela decidiu e fez.

“Doeu”? Foi a primeira pergunta que fiz quando ela chegou em casa. “Demais!” foi a resposta. Ela chegou a ficar meio tonta, mas segurou bem a onda. Segundo ela, quem já teve pedra no rim agüenta qualquer dor (eu nunca tive, mas ela já). Bom, eu achei o maior barato a tatuagem dela. Ficou um pouquinho maior do que eu esperava, mas está classuda. Fiquei orgulhosa da determinação da minha filha. 

Tatuagem já foi algo considerado meio marginal, hoje é raro encontrar alguém que não tenha. Tenho uma amiga que é escritora e mora em São Paulo, e a maluca tatuou as costas dela de cima a baixo com frases que ela considera marcantes. Uma doida. Mas uma doida com personalidade. Tatuagem é uma marca pessoal, uma maneira de nos diferenciarmos nesse mundo onde todos se parecem. 

O que eu tatuaria em mim? Certamente, nenhum nome próprio. Nenhuma frase que pudesse ter importância hoje, mas sabe-se lá amanhã. Um namorado meu uma vez tatuou a letra do meu nome (sou um triplo M – Martha Mattos de Medeiros), mas eu fingi que não o havia levado a sério, já que o nome dele também começa com M…  Mas ele foi bacana e, além do M, tatuou um livro aberto sob a letra, pra me identificar. Foi uma homenagem linda que ele me fez. Nunca vou esquecer dele nem disso.

Mas voltando a pergunta anterior: o que eu tatuaria em mim? Talvez um avião, pelo meu amor às viagens. Talvez um livro, pelo meu amor à literatura. Talvez um sol, meu astro regente. Talvez uma estrela, já que tenho uma que nunca deixa de brilhar. Talvez a letra M, que abrange tantas coisas femininas: mulher, menina, mãe, musa, moça, modelo, mistério, milagre, mais, menos, muito! M é a letra da maturidade.

Esquece. Eu tatuaria um sol.

Perguntei ainda agora pra minha filha: por que a clave?

“Porque o amor pela música é pra sempre”.

Touché!

 

      

 

   

 

Postado por Martha Medeiros

Letras de música

23 de julho de 2008 27

Antes de entrar no assunto (música), o leitor Fabiano me corrigiu: o nome da atriz francesa que protagoniza “Amar… Não tem Preço” é Audrey Tautou, e não Tatou como eu havia escrito no post anterior. Obrigada, Fabiano, mas vá se acostumando: sou a rainha de errar nomes. Vou tentar ficar mais ligada. 

 

*

Ontem assisti ao show do uruguaio Jorge Drexler. Não foi minha primeira vez, já o tinha assistido outras vezes, e é sempre bacana, por vários motivos: pela sua voz doce, pela mistura de milongas com parafernália eletrônica, e principalmente pela qualidade das letras e dos parceiros convidados. Em fevereiro desse ano eu assisti Drexler junto com Paulo Moska, quando eles cantaram juntos uma de minhas músicas preferidas, A Idade do Céu (La Edad del Cielo), e ontem o uruguaio recebeu Vitor Ramil, dono de uma das vozes mais bonitas da MPB, e um verdadeiro poeta - que versos! Foi uma dobradinha musical altamente sofisticada, e de lambuja o público ainda se divertiu com o papo descontraído que rolou no palco. Jorge Drexler gosta de falar tanto quanto de cantar, e isso não é incômodo nenhum pra platéia, já que ele é um prosador dos bons. Para uma noite de segunda-feira, nada mal.  

 

*

 

Eu cheguei a comentar que havia uma remota possibilidade de sair uma parceria minha com Frejat? Eu disse isso? Hehe. Rolou. Roberto Frejat, vocalista do Barão Vermelho, está lançando agora em agosto seu novo disco solo (o terceiro da carreira) e incluiu um poema meu. Na verdade, dois em um: de dois poemas, ele fez uma única canção. Soube disso pelo Mauro Santa Cecília, que é o parceiro oficial do Frejat (é dele o hit “Por Você”) e que vem intermediando esses contatos entre nós há uns dois anos – foi ele, inclusive, que formatou a letra final. Ainda não escutei, acreditem!! E mais informações não posso dar, mas soube que há chance de ser a música de trabalho do disco.   

 

*

Que luxo. Parceira do parceiro do Cazuza. Nunca pensei.

 

*

 

Beijos!

 

 

Postado por Martha Medeiros

Um filme e um livro

21 de julho de 2008 13

No último final de semana assisti no cinema Amar…Não tem Preço, filme francês com a graciosa Audrey Tatou num papel nem tão singelo: ela é uma golpista que “trabalha” como acompanhante de velhos ricaços em férias na Côte D´Azur. O filme enche os olhos: se passa em lugares deslumbrantes como St Tropez, Nice, Cannes, e o figurino da personagem “Iréne” dá de goleada no das quatro maluquetes de Sex and the City – pela menos na minha concepção do que é glamour. É um filme engraçado, luxuoso e amoral: sexo em troca de roupas e jantares magníficos. Todos sabendo que estão sendo usados e pouco se lixando pra isso: cada um sabe o que lhe faz feliz. Prostituição cinco estrelas filmada como comédia familiar. É interessante como, dependendo da forma como se conta uma história (neste caso, com graça e leveza), os julgamentos éticos são imediatamente suspensos.  

 

Do cinema para a literatura: anda existe uma gurizada resistente à leitura, que não se identifica com quase nada do que lê. Para esses, recomendo Slam, de Nick Hornby, que conta a história de um garoto de 16 anos fanático por skate. Narrado na primeira pessoa, o garoto passa por acontecimentos clássicos da adolescência: a separação dos pais, a primeira transa, a gravidez da namorada e a dúvida quanto ao futuro profissional – aliás, dúvida sobre todo e qualquer futuro. Sim, nada de novo no front, mas a cereja do bolo é o texto sarcástico e esperto de Nick Hornby, que já se tornou célebre entre nós com Alta FidelidadeUm Grande Garoto, entre outras obras. É o típico livro para adolescentes, com temática adolescente, mas escrita por um veterano que tem um jeito de escrever que é saboroso para leitores de todas as idades. 

 

 

Postado por martha medeiros

A casa da gente

19 de julho de 2008 22

Pena que a Casa Cor de Porto Alegre termina amanhã, domingo, porque não sei se vai dar tempo de você visitá-la. É minha sugestão de hoje: se der, vá! Fazia tempo que eu não ia, porque achava tudo meio exagerado, fora da real, mas a desse ano está especialmente charmosa. Pouca gente sabe que tenho uma queda por decoração. Acho que não saberia decorar a casa de outra pessoa, porque considero isso algo muito pessoal, mas respeito demais o trabalho de arquitetos e decoradores. Minha casa foi decorada por mim mesma porque não abro mão de fazer as coisas do meu jeito, mas esses profissionais dão toques originais e ajudam a gente a dar cara nova ao básico. Fico boba quando entro numa casa sem graça, sem vida, sem alma. Claro que a Casa Cor é uma exposição de alto gabarito, com móveis e materiais de primeira qualidade, mas cada um de nós, com a grana que tiver, pode tornar aconchegante o lugar em que vive. Tenho uma amiga dura pra caramba, que mora numa casinha onde tudo lá foi decorado com a “sobra” da casa dos outros, com reaproveitamento de materiais, com invenções da cabeça dela, e é dos lugares mais simpáticos e com personalidade que conheço, me sinto bem demais quando a visito, é um lugar com graça e movimento! A casa da gente tem que ter cor, humor, alegria, flores, música, simpatia, objetos pessoais trazidos de viagem ou comprados em feirinhas, tem que ter um estilo próprio, um jeito de lugar “vivido”, habitado. Não entendo quem não dá valor para o lugar onde passa a maior parte do seu tempo. Tem tanto apartamentão por aí que é sóbrio, triste, sem nenhum objeto colorido ou espontâneo… Não gosto de lugares austeros, que rejeitam o prazer. A Casa Cor, logicamente, não é um ambiente assim despojado, mas ela desperta nossos melhores sentidos, ela inspira, ela dá idéias, ela nos lembra que viver num lugar agradável torna a vida menos árida. Muita madeira, espelhos, panos, velas, fotos… Tem coisas que não saem caro, basta ter boa vontade. Acho que a casa da gente tem que ter um toque divertido. Voltei de lá encantada com os revestimentos e com as luminárias que existem hoje, como eu ando desatualizada! Mas o que mais gostei foi do “espírito” do lugar: não há como um ambiente ser bacana se ele não proporcionar prazer e relaxamento. Adoro minha casa e já estou louca pra dar uma incrementada nela, sem gastar  nenhum tostão, de preferência. Quero apenas colocar uns panos nas paredes, mandar ampliar umas fotos, botar ainda mais plantas na minha sacada… Você gosta do lugar onde mora? Tem que gostar!!

Beijos!

 

Postado por Martha Medeiros

Títulos: boas e más escolhas

16 de julho de 2008 61

Tenho 17 livros publicados e, por mim, todos eles teriam o mesmo nome: Strip-Tease. É o título do meu primeiro livro, lançado em 1985. Era um livrinho pequeno, de poemas, onde eu me desnudava. Escrever é se expor, não é? Ai, como eu sofria. Quando ficava sabendo que algum conhecido havia lido, me sentia nua – é bem essa a sensação de publicar poemas, pela primeira vez, aos 20 anos.

Dali por diante o desnudamento continuou, mas eu não podia seguir publicando o Strip-Tease 2, o Strip-Tease 3, como se fosse uma série de filmes do Rambo. Então passei a enfrentar essa tortura que é escolher títulos para meus livros. Aqui vai a história de cada um deles, a partir do segundo.

Meia-Noite e Um Quarto: poesia. Na época trabalhava em publicidade e era colega do Marcelo Pires, que até hoje é um amigo-irmão. Marcelo é um baita poeta. Ele havia escrito um poema lindo em que um dos versos falava em “meia-noite e um quarto” e, como ele nunca publicou esse poema, me emprestou o verso para virar título do meu livro. E eu aceitei, que cara-de-pau! Acho muito bonito, não me arrependi. Esse livro também quase se chamou “Uma saia acima do joelho”, que teria sido bonito também. 

Persona Non Grata: outro livro de poemas. Eu passava por uma fase tipo “ninguém me ama, ninguém me quer”. É um título mais ou menos.

De Cara Lavada: poemas, também. Dentro do espírito “desnudamento”, sem maquiagem. Gosto, mas não é nem um pouco original.

Poesia Reunida: bom, esse aí, sim, leva nota zero em originalidade, mas é a reunião dos meus quatro primeiros livros de poesia, não havia escapatória. Era isso ou “Antologia”, que eu achava muito pomposo.

Geração Bivolt: meu primeiro livro de crônicas. Fora de catálogo, pouca gente conhece. Estava no início da carreira de cronista e já batia na tecla de que não existe essa história de “assunto de homem” e “assunto de mulher”, todos nós podemos funcionar tanto em 110 quanto em 220. Gosto do título, mas poucas pessoas o compreendem. 

Topless: segundo livro de crônicas. Odeio esse título. Sei que segue a linha do “desnudamento”, e havia uma crônica lá dentro com esse assunto (topless), mas nada funcionou. A capa era um terror. Só quando saiu em versão pocket, com uma capa mais divertida, é que tudo se tornou digerível pra mim. Ainda assim, pra provar que título não é tudo, foi com esse livro que ganhei meu primeiro prêmio (não que eu tenha muitos, e não que isso importe). 

Trem-Bala: gosto demais desse título, tem a ver com a velocidade dos dias, a urgência dos nossos desejos. Tive essa idéia de repente, minutos antes de pegar no sono, e quando acordei de manhã escrevi uma crônica chamada Trem-Bala só pra publicá-la no encerramento do livro.

Non-Stop, Crônicas do Cotidiano: argh!!!!Fruto da pressa e da pressão. Queria seguir com a linha do Trem-Bala, destacar a ligeireza da vida, mas podia ter pensado em algo melhor, ou ao menos algo em português. Não deu tempo, tinha uma tarde pra decidir. Mil vezes arghhhhh.

Santiago do Chile, Crônicas e Dicas de viagem: totalmente auto-explicativo. Um guia sobre Santiago. Era o que tinha que ser.

Montanha-Russa: mais uma coletânea de crônicas sobre os altos e baixos da vida. Gosto bastante do título. Fácil e rápido.

Cartas Extraviadas e outros poemas: além dos poemas, havia nesse livro 5 cartas de amor não remetidas (fictícias, naturalmente), então “Cartas Extraviadas” tinha tudo a ver, mas o curioso desse livro é a capa: parece que o título é “Martha Medeiros”, porque meu nome ficou escancaradíssimo, enorme, e o título ficou bem pequenininho…. Eu disse pro editor: isso não vai parecer muito egocentrismo? Ele disse que não, que a proposta do designer era bacana, e coisa e tal… Mas sei não, até hoje fico um pouco envergonhada com aquele meu nome tomando conta de quase tudo. 

Divã: meu primeiro livro de ficção. Um monólogo de uma mulher no analista. Como gosto de títulos curtos, achei que não poderia haver outro melhor. Mas minha editora queria que eu pensasse mais, fez sugestões. Era a primeira vez que eu editava com a Objetiva, não queria ser desagradável, mas pô, eu acreditava em “Divã” e, com toda elegância, recusei todas as sugestões. Ficou “Divã” e o resultado é que foi parar na lista dos mais vendidos, virou peça de teatro e está por ser lançado no cinema. Pé quente total.  

Coisas da Vida: crônicas. O título tem a ver. Mas é meio chocho, morno demais pro meu gosto. 

Selma e Sinatra: segundo livro de ficção. Só duas pessoas gostam desse livro, eu e Millôr Fernandes (uau!!). Ele inclusive sugeriu que o título fosse “Sinatra e Selma”, achava que soava melhor, mas eu discordei, e bem-feito pra mim: foi meu livro de menor repercussão. Eu gosto dele e gosto do título, e tenho a fantasia de que um dia (quando eu estiver a sete palmos abaixo da terra), ele venha a ser valorizado. Se não for, tudo bem. Fica sendo minha ovelha negra. 

Esquisita como Eu: meu primeiro e único livro infantil. Tudo começou quando  minha segunda filha, aos seis ou sete anos de idade, me mostrou um desenho que ela havia feito: era uma menininha toda estranha, maluquete. Perguntei: “quem é essa simpatia?”. Minha filha respondeu: “Ora, quem. Não tá vendo? É esquisita como eu”. Enchi ela de beijos e fui correndo escrever um longo poema sobre a importância de a gente ser quem a gente é. Nada é esquisito, cada criança deve desde cedo cultivar sua identidade, sua personalidade. Publiquei em livro. O título não poderia ser outro. Adoro.

Tudo que eu queria te dizer: terceiro livro de ficção, publicado ano passado pela Objetiva. É um livro de cartas independentes, cada uma escrita por um “personagem”: como se fosse um livro de contos. Não encontrava título pra ele de jeito nenhum. Pensei em “Cartas na Mesa”, mas o Fernando Sabino já tinha um livro com esse nome. Quase fechei com “Cartas ao Demônio”, mas me convenceram de que não era uma boa idéia (um dia ainda vou homenagear esse sujeito). Até que fui almoçar com minha editora, no Rio, e papo vai, papo vem, ela sugeriu “Tudo que eu queria te dizer”. Bati o martelo no ato. Acho perfeito.

E agora estou lançando outra coletânea de crônicas. Já esgotei meu repertório de títulos sobre a urgência dos dias. Pensei, novamente, em colocar na capa o título de uma das crônicas, mas qual? Dei uma lista de cinco ou seis títulos pro Ivan Pinheiro Machado, da L&PM. Nunca se deve fazer isso, porque editores têm olhos de águia, se fixam em um título e daí nunca mais você consegue demovê-los. Eu queria pensar um pouco mais, porém Ivan me convenceu de que Doidas e Santas é um título forte para um livro, então é “Doidas e Santas” que vem por aí. Pra vocês, a notícia em primeira mão.

Beijos!

 

 

       

Postado por Martha Medeiros

Saindo do forno: livros!

15 de julho de 2008 22

Ontem fui assistir ao filme Antes que o diabo saiba que você está morto, que tem um tema parecido com o do último filme do Woody Allen, O Sonho de Cassandra: dois irmãos que nunca se envolveram em encrenca resolvem cometer um crime para conseguir dinheiro, mas as coisas não saem como o esperado. O filme do Woody Allen é enxuto e discute a culpa. O filme de Sidney Lumet é denso e não trata sobre culpa, e sim sobre a dor e a carência (deflagradas por relações familiares, naturalmente) que nos levam a tomar atitudes radicais. Philip Seymour Hoffman costuma roubar a cena de todos os filmes que participa (imperdoável: ainda não vi A Família Savage), mas dessa vez quem magnetiza a tela é Ethan Hawke, em atuação hipnotizante. Haviam me dito que era violento, mas já vi cenas bem mais fortes no cinema. A violência maior é a dor que os personagens sentem dentro de si, por razões diversas. Essa é que sangra pra valer.

 

Trocando totalmente de assunto: como disse no meu post de ontem, estou com dois novos lançamentos literários na praça. Um está chegando agora nas livrarias, e não é exatamente novo: é o guia sobre Santiago do Chile que publiquei, pela primeira vez, em 1997, pouco tempo depois de ter voltado de lá (onde morei quase um ano). Desde então, esse guia passou por algumas atualizações de dicas de restaurantes, museus, bares, mas sempre mantendo as crônicas sobre o comportamento santiaguino – e até isso mudou, lógico. A edição 2008 traz novidades, a primeira delas na capa: é uma ilustração do Joaquim da Fonseca, que também assina as ilustrações do interior do livro e que é craque no assunto, tanto que já fez parceria com Luis Fernando Verissimo na coleção “Traçando” (Traçando Madrid, Traçando Nova York, Traçando Paris, Traçando Porto Alegre). Quanto à Santiago, o que tenho a dizer é que é uma capital que vale conhecer. Buenos Aires é mais clássica e efervescente, enquanto que Santiago é mais moderna e mais impactante – impossível não ser, com aquele visual majestoso da Cordilheira dos Andes cercando a cidade. Entre as várias novas dicas que o livro traz, cito o imperdível Centro Cultural do Palácio de la Moneda, um museu subterrâneo com arquitetura arrojada, e também o Mall Sport, o shopping do esporte, com mais de 50 lojas só de produtos destinados à atividade física e cuja grande atração é uma onda artificial de três metros que produz um “tubo” e onde se pode surfar. O livro já deve ter aterrissado nas livrarias, e é editado pela Artes e Ofícios.  

 

E meu outro livro está sendo editado pela L&PM: é minha nova coletânea de crônicas, 100 no total, selecionadas por mim. A primeira é “Veneno Antimonotonia”, publicada em outubro de 2005, e a última é “A Garota da Estrada”, publicada no Globo domingo passado e ainda inédita no sul. Ou seja, uma amostragem do meu trabalho em jornal nos últimos 3 anos. Será lançado mês que vem na Bienal do Livro de São Paulo. Depois devo fazer uma sessão de autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre e no fim do ano vou ao Rio. O título? Ah, será meu tema do próximo post: a dificuldade que tenho de intitular meus livros, crônicas, poemas… Vou abrir pra vocês os títulos que gosto mais, os que gosto menos, os que me deram trabalho, os que foram fáceis de escolher, os que foram sugeridos por outras pessoas… e revelarei, finalmente, a da coletânea que está por sair. Amanhã eu conto!

 

 

Postado por Martha Medeiros

Eu, Neruda e a Miss Universo

14 de julho de 2008 28

Uma das coisas bacanas de se ler as mensagens deixadas aqui no blog é perceber que aparece gente de tudo quanto é lugar do Brasil e do exterior. Um luxo! Um leitor do Principado das Asturias pede contato para esclarecer sobre um poema que estaria sendo creditado a um chileno… Ah, lá vem essa história de novo. Olha, não é um poema. Há anos que uma crônica minha chamada A Morte Devagar, publicada em novembro de 2000, circula pela internet como se fosse de Pablo Neruda, rebatizada como “Morre lentamente”. Virou um caso célebre de clonagem virtual. Esse texto já foi até lido em plenário na Itália, ajudando a derrubar o primeiro-ministro no início desse ano. Claro que foi lido como se fosse do Neruda, quem eu penso que sou? Mas o engano foi desfeito. No dia seguinte descobriram que a autora era uma brasileira e tive meus 15 minutos de fama nos jornais italianos por conta desse episódio hilário. Então, esclarecendo ao leitor das Asturias: o texto é de minha autoria e está publicado no meu livro Non-Stop, Crônicas do Cotidiano. O Neruda? Ah, o Neruda é apenas um escritor que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, nada mais que isso…  

 

Hoje me disseram à queima-roupa: “Adoro teu blog, mas a atualização está muito devagar”. Ó, céus. É verdade, mas creiam-me: não consigo ir mais ligeiro. Tenho que escrever três crônicas por semana (mas escrevo mais que isso), acabei de finalizar uma nova coletânea que será publicada pela L&PM  (amanhã falarei sobre esse livro e sobre o guia de Santiago de Chile que está voltando atualizado às livrarias), estou escrevendo outro livro de ficção, tenho uma entrevista com 60 perguntas por escrito para entregar amanhã, respondo centenas de e-mails, realizo encontros em escolas do interior, crio duas filhas, levo-as e busco-as no colégio, vou ao supermercado, à lavanderia, deixo o carro pra lavar, pago contas no banco, ou seja, sou praticamente escrava de mim mesma! Há quem pense que tenho um staff de assessores e funcionários tocando a vida por mim. Quem dera. Sou eu e mais eu. E o agravante: ando tão caseira… Não tenho visto muita gente nem muitas coisas interessantes por aí. Leio, apenas leio, leio, leio, e de vez em quando faço coisas absurdas, como assistir na tevê ao Miss Universo.

Admito: assisti. A colombiana era mais bonita do que a venezuelana que ganhou, mas o que valeu mesmo foi ter visto algo inusitado nesse tipo de concurso. Quando chamaram a Miss Universo do ano passado para seu desfile de despedida, a japonesa (é, aquela que tirou o primeiro lugar da nossa Natália Guimarães) surgiu de calça comprida!! E de rabo-de-cavalo!! E sem nenhuma jóia exuberante!! Segura de si, sem excesso de maquiagem, mostrou que bonita,  mesmo, é a mulher que é elegante por natureza, sem mega artifícios. Hoje em dias as misses injetam tanta coisa no corpo e no rosto que mais parecem uns travestis, salvo algumas exceções. Eu, que sou fã da simplicidade, achei que Riyo Mori, a japa que ganhou o Miss Universo 2007, estava mais sofisticada e mais feminina do que qualquer outra candidata. Deu seu recado sem rebeldia, apenas com personalidade e muita classe. Eu manteria a faixa com ela. 

 

Ok, ok, foi apenas um momento mulherzinha, mil perdões. Pretendo hoje ir ao cinema ver o filme do Sidney Lumet, Antes que o Diabo saiba que você está morto, e recolocar em uso meus neurônios. Até breve!

 

 

Postado por Martha Medeiros

A arte de conversar

12 de julho de 2008 26

Antes de mais nada, uma correção feita por uma leitora aqui do blog: o Papa João Paulo II esteve na cidade de Melo, no Uruguai, em 1988, e não em 1994, como achei que fosse quando postei o comentário sobre o filme “O Banheiro do Papa”.

Leio sempre as mensagens deixadas no blog. Sempre. Infelizmente não posso responder um por um, mas anoto as sugestões e tento fazer o possível para ficar linkada com vocês, nem que seja telepaticamente… 

Alguém destacou uma frase importante do texto que disponibilizei do Rubem Alves, sobre o frescobol (antes de continuar, um lembrete: quando uso “alguém” não estou esnobando, eu realmente esqueço os nomes – até dos meus amigos!! vou tentar ficar mais antenada). Mas continuando, alguém destacou a seguinte frase do Rubem Alves: “As relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar”.   

A gente sabe que o que mais se valoriza numa relação, hoje, é o sexo. De 1 a 10, eu diria que a importância do sexo numa relação é 10, realmente. Porque se não houver a liga, a química, vira amizade. Porém, qual a relação que não é composta de amizade? De 1 a 10, eu diria que a importância da amizade numa relação é 11. Não estou falando sobre namoros circunstanciais, sem compromisso. Estou  falando de relação pra valer, com intenção de morar sob o mesmo teto, de construir uma vida em comum. Como é que se faz isso com quem não se tem assunto, com quem o papo não progride, com quem não contribui com nenhum pensamento novo, com quem não rebate suas bolas? 

Quando a gente encontra uma pessoa com quem a conversa flui, parece que deixamos de ser estrangeiros no nosso próprio planeta. Conversa boa é um aconchego, um conforto, é como chegar em casa depois de um dia cansativo. Eu acabei de ler um livro muito bacana, A elegância do ouriço, da francesa Muriel Barbery, e de certa forma ela faz um “elogio à conversa”, porque as duas narradoras do livro, por mais que habitem mundos distintos, se fundem quando trocam idéias, passam à categoria de “irmãs”, mesmo uma sendo uma zeladora de 54 anos e a outra uma menininha rica de 12. É mágico o que a afinidade intelectual e emocional pode fazer por duas pessoas. E quando isso se dá entre um homem e uma mulher em vias de se apaixonar, aí é o nirvana, o éden, o paraíso na terra. Sexo bom e conversa boa: a fórmula dos amores indestrutíveis.

Bom final de semana!

      

 

 

  

 

Postado por Martha Medeiros