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Posts de setembro 2008

É hoje

30 de setembro de 2008 26

Lembrete: é hoje que estarei autografando o Doidas e Santas em Porto Alegre. Às 19h, haverá um bate-papo no primeiro piso do shopping Praia de Belas, e às 20h farei o lançamento na Livraria Saraiva, no segundo piso. Espero vocês lá! 

Postado por martha medeiros

Linha de Passe

27 de setembro de 2008 16

Fui ao cinema ver Linha de Passe, o novo filme de Walter Salles e Daniela Thomas. Gostei demais, mesmo tendo uma das coisas que eu mais detesto: um final em aberto. Se bem que basta pensar um pouco para concluir que é o tipo de narrativa que não conduziria a um final feliz – e tampouco trágico. Os personagens nasceram ferrados e continuarão se ferrando, é a lei da vida. 

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O filme conta a história de uma família de quatro irmãos que são criados apenas pela mãe, Cleuza, que é empregada doméstica e está grávida do quinto filho, de pai desconhecido - papel da excelente Sandra Corveloni, premiada como melhor atriz no Festival de Cannes desse ano. Um dos filhos quer se arrumar na vida sendo jogador de futebol, o outro trabalha de frentista e busca motivação numa igreja evangélica, outro é motoboy e o menorzinho é o único negro da família e sonha em conhecer o pai, que é motorista de ônibus. Cada um buscando um rumo. 

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O que eu gostei foi do realismo dos personagens. Ninguém é mau, ninguém é anjo. Cada um se movimenta na vida de acordo com as oportunidades que aparecem. Todos se deixam levar por grandezas e fraquezas. O roteiro se desenrola com naturalidade (percebe-se que os atores tiveram total liberdade de criar os diálogos na hora), o que dá ao filme uma característica peculiar. Está longe de ter uma estética global, mas tampouco é um filme pesado, que escancara a violência, o sexo, a deterioração dos valores, a crueza das regras do que costumamos chamar de submundo. Em Linha de Passe, não há submundo: há o mundo.

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A vida de todos nós é feita de oportunidades. Nós, que tivemos pai e mãe em casa (por um tempo, ao menos), que estudamos, que temos acesso à informação, ao computador, largamos com uma vantagem assombrosa. Para fazer uma analogia com um dos assuntos do filme, o futebol, podemos dizer que fomos escalados como titulares desde o início do jogo, poucas vezes ficamos no banco. Pra quem não teve nada disso, mas nada disso mesmo, qualquer esmola de chance é uma esperança de vida melhor. E cada um vai defendendo o seu, errando e acertando – no caso do filme, errando mais por ingenuidade e desespero do que por mau-caratismo

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Isso é importante: costumamos nos apressar no julgamento de quem está no desvio. “Malandro”, “vagabundo”, “ordinária” são algumas das palavras que nos surgem de forma automática, como se cada um de nós não tivesse um histórico por trás de cada atitude que tomamos. 

 

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A patroa da Cleuza, por exemplo, é uma pessoa boa ou uma pessoa má? Ela chega em seu belo apartamento de classe alta, e vê Cleuza limpando perigosamente a janela. A patroa pede que ela saia dali, que não arrisque sua segurança, que é mais importante que a limpeza do vidro. Bravo. Mais adiante, quando Cleuza está com a gravidez em fase adiantada, essa mesma patroa contrata uma outra empregada para dar um suporte na casa, o que significa que daqui a pouco Cleuza vai dançar, já que não tem carteira assinada. É uma mulher boa? Uma mulher perversa? É uma mulher jogando sua partida conforme o lance.    

 

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É isso. Sem nenhum recurso apelativo, Walter Salles e Daniela Thomas apresentam um filme (e um Brasil) menos maniqueísta e mais verdadeiro.

 

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Beijos!

 

 

   

Postado por Martha Medeiros

Família

25 de setembro de 2008 67

Dei uma sumidinha (mais uma) por uma questão pessoal. Tive que ir para uma cidade do interior que fica a 500km de Porto Alegre, me despedir de uma tia muito querida e muito doente, que está em coma no hospital. Fui também para ver meus primos, abraçá-los, e para acompanhar minha mãe, que está, naturalmente, abalada com essa situação crítica da irmã dela. Estou abrindo aqui uma situação íntima para dividir com vocês duas coisas.

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Pra falar da primeira, vou recorrer a uma frase de um filme que vi recentemente no DVD: L´anniversaire, um filme francês que se passa, na maior parte do tempo, numa casa espetacular no Marrocos. Um homem milionário decide convidar seus melhores amigos para passar um final de semana nessa sua casa, para comemorar seu aniversário. Entre um dos convidados, há um doente terminal, o fracassado da turma, totalmente arredio ao outros, com raiva do mundo – é o cara que cria confusão o tempo todo. Ninguém sabe que ele está doente, nem mesmo a mulher dele, até que descobrem. E diante do afeto que ele recebe de todos a partir daí, ele baixa a guarda e reconhece: “Acho que eu não entendi direito a vida“. É o reconhecimento do desperdício e o lamento de quem gostaria de começar de novo, mas onde arranjar tempo a essa altura?

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Você entendeu a vida? Isso parece bobagem, mas faz toda a diferença entre ter uma vida bem aproveitada e ter uma vida desperdiçada em picuinhas, mediocridade, espírito de porco, necessidade de desprezar os outros para se sentir “alguém”, arrogâncias que só demonstram insegurança… Alguém que entendeu a vida não perde tempo com exibimentos e competitividade. Simplesmente trata de ser feliz do seu jeito.    

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Minha tia entendeu a vida. E isso me faz sofrer menos. Ela viveu bastante, e muito bem.

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A segunda coisa que eu gostaria de levantar aqui, mesmo que eu pareça meio sentimentalóide: família é algo especial. Digo isso como um mea-culpa, porque muitas vezes fiz pouco caso dessa instituição, mas o tempo – ah, o tempo! – me fez também baixar a guarda e reconhecer que nada faz mais bem a alma do que estar entre pessoas afetivas, queridas, que conhecem você desde que você nasceu, que te querem bem mesmo que sejam completamente diferentes de você. Pessoas que te fazem, no sentido mais amplo do termo, se sentir em casa.

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Estive ontem com primos que vejo de dois em dois anos – alguns eu não via há quatro! - e me senti como se nunca tivesse saído de perto deles. Qual o nome disso?

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Sei lá. Mas é forte e é bom.

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Beijos!

 

 

 

   

  

 

 

Postado por Martha Medeiros

A boa maré de Adriana Calcanhotto

22 de setembro de 2008 30

Antes de comentar o show que assisti ontem, gostaria de agradecer àqueles que confirmaram que a Madonna estará em Santiago do Chile. Nossa, seria perfeito assistir Madonna no Estádio Nacional (provável lugar do show) e ao mesmo tempo matar a saudade da cidade onde morei há tanto tempo, mas não tem como. Vamos adiante.

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Ontem fui ver Adriana Calcanhotto no teatro do Bourbon Country, aqui em Porto Alegre. Vou ficar devendo os créditos da equipe, mas estão todos de parabéns: o cenário, a luz, a direção, tudo impecável, de extremo bom gosto. A banda ótima, com destaque para os dois músicos que dividiam a bateria e a percussão. E Adriana é etérea. Lânguida. Cristalina. Uma ninfa. Sei lá como definí-la. Em sua túnica vermelha, me lembrou uma cariátide, uma coluna grega – mas com movimento, bossa, humor. Começou meio reservada, na dela, e aos poucos foi se soltando, mas um “soltar-se” elegante, econômico. O que importa é sua voz – estrela maior do show – e o repertório. Cantou músicas do último disco – Maré – e alguns sucessos antigos, quase todos memoráveis. Só não agüento mais ouvir o “piu piu sem frajola, o queijo sem goiabada, o romeu sem julieta do claudinho sem buchecha”, mas vá lá, é como se os Rolling Stones não incluissem Satisfaction no seu playlist - não tem como. E Adriana surpreendeu com uma versão linda para Meu mundo e nada mais de Guilherme Arantes (“quando fui ferido/vi tudo mudar/das verdades que eu sabia…”). Nossa, muito eu chorei no escuro do meu quarto, à meia-noite, à meia-luz, ouvindo esse hit… Foi emocionante. Quando terminou a canção, aplaudidíssima, o que Adriana fez? Simplesmente começou a cantá-la de novo, desde o começo: uma cena teatral de flashback. Que nem a gente fazia quando ouvia disco de vinil: acabava a música, a gente pegava o braço da vitrola e recolocava a agulha no início, pra ouvir a faixa de novo. Eu sei, eu sei: pode-se fazer isso num CD player, basta apertar uma tecla, mas fiz questão de voltar no tempo e relembrar velhos costumes, já que essa música é um sucesso antiiiiigo. Mas segue atual. 

 

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Que a Adriana volte a Porto Alegre muitas e muitas vezes.

 

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Pessoal de Florianópolis, Curitiba… sim, quero lançar o “Doidas e Santas” aí, só que talvez fique pro início do ano que vem, porque em 2008 (meu Deus, é quase outubro!é quase Natal!!!!) a agenda não está permitindo. Mas se rolar, aviso. 

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Beijos e até!

Postado por Martha Medeiros

Observações finais sobre shows

21 de setembro de 2008 30

Oi.
Alguém me corrigiu dizendo que o Eric Clapton não tocou no estádio Olímpico, e sim no Gigantinho. Certo e errado. Ele realmente tocou no Gigantinho na primeira vez em que esteve em Porto Alegre, mas anos depois voltou à cidade e tocou no Olímpico, sim.

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Um leitor com sobrenome Schurr me fez lembrar de um show que eu esqueci de citar. Foi de Diane Schuur, uma cantora de jazz, cega, que fez um espetáculo belíssimo no Theatro São Pedro. De arrepiar.

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Me perguntam por que morei no Chile. Achei que essa história já era conhecidíssima, de tanto que já citei em entrevistas. Eu era casada na época e fui acompanhando meu ex-marido, que teve que ir a trabalho. Ficamos oito meses em Santiago. A cidade é muito bacana e muitos shows rolam por lá. Uma curiosidade: na época, a Madonna esteve no Brasil, fez shows no Brasil e na Argentina, mas não conseguiu fazer no Chile porque a Igreja proibiu. Era um país absurdamente careta. Hoje a sociedade está mais liberada, porém não sei se a blondie girl fará um pit-stop por lá. Não ouvi falar nada. Não duvido que, dessa vez, ela tenha recusado o convite, só pra retaliar. Se alguém souber, me diga.

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Pra encerrar esse assunto, ontem não fui ao show do Nenhum de Nós (o Thedy lê esse meu blog e deve ter ficado superfeliz com as várias citações da banda como show da vida de vocês – mas ele me mandou um torpedo, me xingando por não ter ido… sorry!!) Hoje, em compensação, vou ver a Adriana Calcanhoto no teatro do Bourbon Country. Amanhã comento!

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Muita gente tem perguntado sobre as datas de lançamento do livro Doidas e Santas. Então vamos lá, confirmado: dia 30 de setembro em Porto Alegre, na livraria Saraiva do shopping Praia de Belas (às 19h darei uma entrevista pro Tulio Milman no palco aberto do shopping e depois autografarei na livraria). E dia 2 de outubro estarei na Livraria Travessa do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, também às 19h. Depois, dia 6 de novembro, estarei autografando de novo em Porto Alegre, à tardinha, na Feira do Livro. Há uma chance também de eu voltar a São Paulo e de ir à Vitória do Espírito Santo, mas isso ainda é especulação. 

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Bom início de semana a todos e obrigada pelos comentários! Beijos.

Postado por Martha Medeiros

Os shows da minha vida

19 de setembro de 2008 52

Caramba, lendo os posts dos leitores, viajei no tempo… Eu já fui a uma quantidade enorme de shows. Tenho estrada… Certamente sou mais velha do que a maioria de vocês. E comecei cedo. Alguém lamentou não ter visto Elis Regina. Eu vi!!! Eu tinha uns 12 anos de idade e fui com minha mãe e meu pai, que sempre me levavam para ver bons espetáculos. Com eles vi também o Secos & Molhados, e também um show do Chico Buarque com a Bethânia. Nossa, foi em outra vida.

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Depois comecei a ir por conta própria, e provando que sou um matusalém, assisti aos Doces Bárbaros (Caetano, Gil, Bethânia e Gal, juntos!) e Os Novos Baianos (juro!). E também Blitz e Frenéticas! Como sou antiga… 

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Tive o privilégio de assistir o melhor da MPB: além dos Doces Bárbaros reunidos, assisti aos quatro baianos em shows individuais, e mais Jorge Ben, Arrigo Barnabé, Marina Lima, Marisa Monte, Angela Ro Ro, Fernanda Abreu, Maria Rita, Paralamas, Lobão, Rita Lee, e também o show que alguém lembrou aqui, da Cássia Eller, que ninguém supunha que seria um dos últimos. Ela faleceu meses depois. Isso pra citar meus preferidos, porque há muitos outros.

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Quem eu gostaria de ter visto e ainda não vi: Roberto Carlos (não gosto da fase atual, mas lembraria com gosto das músicas do início da carreira – e ele é um ícone, ora). E João Gilberto, que dispensa comentários. 

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Curiosidade: alguém citou Oswaldo Montenegro como um show inesquecível. Pois escutem essa. Quando eu tinha uns 17 anos, estava passando um verão na praia de Torres (RS). Num final de tarde, eu e uma amiga conversávamos sentadas no muro do edifício da minha avó. Nisso surgiram dois caras, cada um segurando um violão. Pediram informação. Eu não estava acreditando muito no que via, mas sim, eram eles: Oswaldo Monenegro e Zé Alexandre, seu parceiro musical, que estavam na cidade pra fazer um show. Encurtando a história: ambos sentaram na calçada e tocaram Bandolins pra gente. Pocket show privé, ao ar livre, e de graça.

 

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Lembro de uma vez em que uns amigos me chamaram para ouvir uma banda nova do Rio, chamada Barão Vermelho. Seria numa boate que ficava numa bocada de Porto Alegre. Fui. Não tinha nem palco, os guris cantavam na pista de dança, com todo mundo em volta, dançando. Foi assim que conheci Cazuza pela primeira vez, a um metro de distância. Depois disso, vi o Barão no primeiro Rock in Rio, e depois vi Cazuza fazendo um show solo, já doente. Mas fenomenal como sempre.

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Eu falei Rock in Rio?? Pois é, eu estava lá, naquele janeiro de 1985, num baita terreno em Jacarepaguá, acho que nem telão havia. Foi quando assisti meu primeiro grande e inesquecível show internacional: Queen. Es-pe-ta-cu-lar.

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Entre os estrangeiros, já vi muita coisa legal. Um sonho: Tina Turner!! Num ginásio menor que o Gigantinho, e com uma acústica perfeita. Foi em Paris. E no Chile, quando eu morava lá, assisti ao vivo o saudoso INXS, num estádio de futebol de pequeno porte, numa noite estrelada de verão, e também o Living Colour, mas esse foi num ginásio com uma acústica medonha, uma barulheira dos infernos, não deu pra aproveitar.

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Meu top ten internacional, não necessariamente nessa ordem: Queen, Tina Turner, Lenny Kravitz, Gerry Mulligan, Jamie Cullum, Buddy Guy, Macy Gray, Fito Paez, Simply Red e Jack Johnson. Sim, eu vi o havaiano no Rio, há dois anos. Foi bárbaro!! 

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Dois shows dos quais eu esperava muito e que me decepcionaram: Norah Jones (num dia muito “folk” pro meu gosto) e Eric Clapton, de quem sou hiperfã, mas que tocou no Olímpico num dia em que eu estava sentada lááááááá longe – não consegui me entrosar com o espírito do show. 

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Há três anos, participei do Festival de Jazz de Montreux e assisti James Blunt, The Coors, Patti Smith, Issac Hayes e Billy Preston (esses dois últimos faleceram recentemente). Uns melhores, outros piores, mas todos corretos. Mas quem me impressionou mesmo foi o Garbage. A vocalista incorpora o demo.

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Muita gente disse aqui que seu show preferido havia sido do Nenhum de Nós. Bacana isso. Por incrível que pareça, assisti ao Nenhum apenas uma vez. Talvez eu vá nesse sábado no show que eles farão na PUC com o grupo uruguaio No te va a gustar

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E teria mais pra contar. Milton Nascimento, Djavan, Capital Inicial, Jorge Drexler, Jean Luc Ponthy, Magic Slim, Robert Cray, Adriana Calcanhoto, Titãs, Lulu Santos, Engenheiros, Kleiton e Kledir, Ney Matogrosso, Sting, James Taylor, Papas da Lingua, Nei Lisboa… Que eu tenha fôlego e money pra continuar acompanhando muitos e muitos shows ao vivo. 

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Valeu a participação de vocês e minhas saudações pra quem viu Stones e U2!

Beijos!

 

 

 

 

 

 

 

 

      

Postado por Martha Medeiros

Show de mulheres

17 de setembro de 2008 74

Eu soube da existência da Amy Winehouse há alguns anos, através de uma amiga antenada que me apresentou suas músicas gravadas num CD pirata – que feio, que feio!! Ouvi, gostei e perdi o disco. Aí passou-se um tempo até que o nome de Amy explodiu na mídia. De repente, Amy passou a ser a junkie da vez: casada com um presidiário, envolvida com drogas, fichada na polícia, encrenqueira, debochada, enfim, uma folha corrida pra fazer salivar todos aqueles que adoram ver o circo pegar fogo. Agora estão pegando no pé da garota porque ela não apareceu em sua própria festa de aniversário. Confesso que leio esse tipo de notícia com um certo enfado, e ao mesmo tempo torcendo para que ela não desperdice seu talento com essa loucurama. A verdade é que Amy Winehouse é uma baita cantora. Tem um ritmo só dela, uma cadência, uma originalidade que faz com que ela mereça todos os prêmios e a honra da platéia. Aqui em casa o DVD “I told you I was trouble” não pára de tocar. É um show gravado em Londres que eu teria dado tudo para assistir. Ela faz diferença em meio a tantas cantorazinhas criadas em laboratório, todas com a mesma cara e o mesmo estilo “bad girl” formatado pro sucesso. Amy me parece uma bad girl mais legítima e com muito mais bala na agulha. Que não saia de cena tão cedo.  

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Quando Madonna surgiu, gostei muito dela. Cafoninha no visual, mas fazia uma música pop que me agradava, e lembro que me diverti vendo “Procura-se Susan desesperadamente” no cinema. Depois veio a fase mais madura, sexy, andrógina,  “vogue”, e segui curtindo. Acompanhei Madonna até o Drowned World Tour de 2001 (outro DVD que volta e meia eu assisto) e achei os livros infantis que ela escreveu bem legais. Aí ela entrou numa fase techno demais pra mim, e passei a acompanhá-la de forma mais distante. Os shows que ela fará aqui no Brasil serão um acontecimento, não tenho dúvida. Acho que valeria ir nem que fosse para contar aos netos: vi Madonna ao vivo. Mas essa façanha eu não contarei aos meus, se os tiver. E olha que ir a show é das coisas que eu mais gosto na vida. 

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Aliás, lamento não ter visto os Rolling Stones em Copacabana. Você viu?

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Qual foi o show da sua vida?

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Beijos!! 

 

 

 

Postado por martha medeiros

O que você vai ser quando crescer?

15 de setembro de 2008 36

Uma amiga minha disse que, apesar do linguajar mais despojado, isso aqui não parece um blog, e sim um outro espaço para eu publicar crônicas. Talvez, talvez. De qualquer forma, tenho tentado deixar aqui alguns drops a respeito do meu dia-a-dia, mas não há muito a dizer. No sábado fui a São Francisco de Paula (na serra gaúcha) e finalmente conheci a livraria Miragem, que é mesmo um oásis. Não tive a oportunidade de conhecer a proprietária (fiquei de voltar lá no domingo, mas não consegui). Gostaria de tê-la cumprimentado pela coragem de abrir um espaço tão amplo e tão bem abastecido de bons títulos numa cidade pequena, com menos movimento turístico do que as vizinhas Gramado e Canela. É idealismo? Que seja. Os idealistas andam fazendo falta nesse mundo. 

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No mais, tenho acompanhado as dúvidas da minha filha de 17 anos, que fará vestibular em breve. Como escolher a profissão tão cedo? É uma escolha tão definitiva… E se não der certo, e se não gostar, e se o curso desapontar, e se, e se, e se? Eu também tive muitas dúvidas na minha vez. Não sabia direito o que queria. Acabei resolvendo num bate-papo com uma amiga. Fui na onda dela e fiz Comunicação Social com especialização em Propaganda, o que foi uma decisão acertada, foram 14 anos de um trabalho que me deu alguma frustração e muitas alegrias, mas e se fosse hoje, e se tivesse que recomeçar, e se, e se? Lição número 1: não podemos ter medo da palavra “definitivo”, porque nada é definitivo. O que importa é a gente ter uma noção do que nos daria prazer de passar todos os dias fazendo: criar? salvar vidas? construir? trabalhar com esporte? com arte? estar com as pessoas? ficar sozinho? estar junto à natureza? mudar de lugar a toda hora? não ter rotina? ganhar muito dinheiro? lidar com crianças? ter uma livraria? Como diz aquele comercial de tevê: “O que faz você feliz?” A resposta pode dar uma boa pista pra você saber o que quer ser quando crescer. E acredite: a maioria de nós passa a vida inteira sem saber direito o que gostaria de ser quando crescesse. 

 

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Beijos!

Postado por Martha Medeiros

Três dicas

12 de setembro de 2008 18

Uma revista

Recebi o número 2 da revista Mod e fiquei bem impressionada. É editada pelo arquiteto e fotógrafo Marcos Peres e tem excelentes colaboradoras (praticamente só percebi mulher escrevendo). Nessa edição, Carol Teixeira escreve sobre Moscou, Kiev e Berlim, Paula Taitelbaum oferece um texto delicioso e irreverente sobre o Theatro São Pedro, Milena Fischer escreve sobre museus (eles, de novo), com destaque para a Fundação Iberê Camargo, e a revista abre com um poema que eu adoro, da Viviane Mosé, sem falar nas matérias de moda e estilo, tudo muito hype – moderno sem ser modernoso. Parabéns à equipe. A Mod pode ser encontrada gratuitamente em alguns lugares descolados das principais capitais brasileiras, é vendida em bancas em Porto Alegre e Florianópolis, e também é vendida na Livraria Cultura de Porto Alegre, São Paulo, Brasília e Recife.

Um filme

Não tem coisa mais complicada do que, numa entrevista, perguntarem qual o seu livro preferido. Quem gosta de ler costuma ter uns 3.742 livros preferidos, mas é preciso fazer uni-duni-tê e eleger um só como representante da turma. Eu, há anos, elegi Ensaio sobre a Cegueira, do José Saramago – é a resposta que costumo dar. É natural, portanto, que eu tenha ido assistir ao filme na primeira sessão do dia da estréia nacional  - hoje! Fernando Meirelles confirma que é um senhor diretor e que sabe extrair performances inesquecíveis de seus atores. Julianne Moore está perfeita no papel de.. de… os personagens não têm nomes. Ela é simplesmente a mulher do médico. Sou fã dessa atriz, que geralmente faz personagens quase caricatos em sua esquizofrenia, mas dessa vez tive a impressão de que a deixaram mais livre para atuar conforme sua sensibilidade particular. E ela está a cara da Madonna! O filme é bom e é barra: a cena do estupro coletivo das mulheres é de matar. E o final é emocionante sem escorregar pra pieguice. Eu gostei muito, mas sou pra lá de suspeita, já que dos meus 3.472 livros preferidos, o eleito foi justamente o que deu origem ao filme. 

Um livro

Raramente recomendo um livro antes de terminá-lo, mas sendo boa conhecedora da obra de Fabricio Carpinejar, posso arriscar em citar Canalha como uma boa dica de leitura pro final de semana… e também para dias úteis. É uma reunião de crônicas que ele publica no seu site – que, aliás, já contabiliza meio milhão de visitas! Fabricio abre o livro provocando: diz que todo homem sente um prazer secreto em ser chamado de canalha. Entendo perfeitamente. O canalha é aquele fdp que a gente não consegue esquecer, que a gente odeia e ama, que a gente quer fugir e não quer largar, que deixa qualquer mulher pirada. É ou não é uma massagem de ego pros meninos? Mas não abusem da canalhice, guris. Desgasta a relação. E sempre lembrando que uma canalhice amorosa pode até ser aturada ou esquecida, mas canalhices políticas, never, jamais! É bom lembrar, pois estamos em ano de eleição. Não votem em canalhas, que dinheiro público é coisa séria.

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Bom sábado e domingo para todos!

 

 

Postado por martha medeiros

Encerrando a viagem

10 de setembro de 2008 16

Já aluguei vocês bastante com as narrativas sobre a semana que passei fora, então hoje falo mais um pouco sobre isso e depois a vida segue, combinado? 

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Em Londres, estive na Harrods, que é a principal loja de departamentos da Inglaterra. O prédio é suntuoso e eu gosto de visitá-lo não para fazer compras, já que tudo é carésimo, mas para espiar o departamento de gastronomia, em especial os de frutos do mar. Os azulejos das paredes, o teto pintado, os lustres, o uniforme dos atendentes, tudo tem uma atmosfera sofisticadíssima em se tratando de um lugar para vender peixe e comer ostras. Fico fascinada com esses  contrastes. 

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A Harrods possui quatro andares, sendo que no subsolo há um Memorial à Diana e Dodi: é um altar com uma enorme foto dos dois, onde os clientes podem deixar flores, acender velas e, claro, tirar fotos. Acho meio afrontoso. O breve casal nunca viveu junto para sempre: apenas morreram juntos para sempre. Como o dono da Harrods é pai do falecido namorado da princesa, o altar segue lá, firme, forte e lucrativo, 11 anos depois do acidente. O senhor Mohamed Al-Fayed deve acreditar que uma loja é um local adequado para uma homenagem. Eu diria que é fazer de Diana, como sempre, mais um item de consumo.

 

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Qual o limite entre o cafona e o kitch? Está no exagero. Vou dar um exemplo. Fui jantar num restaurante chamado Sarastro, que fica bem pertinho de Convent Garden, um bairro de teatros. Por fora, o Sarastro é encantador: fica numa esquina e sua fachada é repleta de flores, mas repleta pra valer, mal se enxerga a porta de entrada. Lá dentro, saímos da vida real para entrar no mundo da fantasia. Parece um grande almoxarifado de um grupo de ópera. Pelas paredes, máscaras, móbilis, tecidos, caveiras, afrescos, tochas, lampiões.  As mesas são cobertas por toalhas de veludo molhado: vermelhas, verdes. Os guardanapos também são de veludo molhado. Não existe uma disposição equilibrada, nada é simétrico: há algumas mesas em cantos, outras em balcões aéreos, outras ainda dentro de pequenos nichos na parede. Ao lado da minha, havia um piano: quem quiser pode sentar e tocar à vontade, assim como cantar e dançar pelos corredores do lugar. Cada um que faça seu show particular. A comida? Sem adereços. Comi um salmão com batatas bem convencional – e gostoso. Mas é um restaurante que convida ao sonho, à investigação do olhar. Fosse um pouquinho menos exagerado, seria cafona de doer, mas como a intenção é justamente abusar do over, criar um cenário onírico, aludir a todos os espetáculos do mundo, forçar a barra mesmo, acabou ficando kitch, que nada mais é do que o cafona engraçado, o cafona divertido, o cafona que ri de si mesmo e com isso anula a crítica ferina.  

 

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Em Paris, não houve invencionices: jantei num bistrô minúsculo, mas com uma comida esplendorosa. Chama-se L´Epi Dupin, na rue Dupin, perto do Le Bon Marché (shopping charmoso da capital parisiense, onde comprei aquele hidratante que não conseguiu vir pro Brasil comigo). Esse bistrô é um dos lugares preferidos do Luis Fernando Verissimo, que de gastronomia entende bem – aliás, ele entende bem de tudo. 

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Estou engordando só de escrever. Melhor ficar por aqui. 

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Beijos e até a próxima!

 

  

Postado por Martha Medeiros