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Posts de outubro 2008

Agenda

31 de outubro de 2008 26

Vou dar uma sumidinha rápida – de novo. Estou indo para Belo Horizonte onde autografarei o Doidas e Santas na segunda-feira, dia 3, na livraria Quixote, às 19:30h, e na terça participarei de um seminário sobre sexualidade na Academia de Idéias, também em BH. Na volta eu conto como foi tudo, e comentarei sobre o show do Frejat que assistirei logo mais, na Reitoria da UFRGS, em Porto Alegre. Até a volta! Enquanto isso, leiam abaixo o que eu acabo de postar sobre o Theatro São Pedro.

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Beijo! 

Postado por Martha Medeiros

Theatro São Pedro

31 de outubro de 2008 8

Estive, na noite de quinta, num coquetel para celebrar os 150 anos do Theatro São Pedro, de Porto Alegre. Ele esteve fechado por anos, para reforma, e reabriu em agosto de 1984, quando então comecei a freqüentá-lo e nunca mais parei. Vivi emoções inesquecíveis na platéia: assisti Bibi Ferreira em Piaf, Beatriz Segall em Emily, Fernanda Montenegro em As lágrimas amargas de Petra von Kant, Paulo Autran e Cecil Thiré em Variações Enigmáticas, Fernanda Torres em Budas Ditosos, e mais um sem-número de espetáculos sensacionais. O que eu nunca poderia imaginar é que um dia veria um texto meu encenado no palco desse templo sagrado, e aconteceu. Duas vezes. Primeiro, a montagem gaúcha de Trem-Bala, sob direção da Irene Brietzke, e depois Divã, com Lilia Cabral. E teve os shows e espetáculos de dança também. O São Pedro faz parte de todos – não só gaúchos – que reverenciam esse instante sublime que é o de assistir a um sonho acontecendo a nossa frente, no palco.

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Esse aniversário do Theatro São Pedro está sendo comemorado com várias atividades, entre elas o lançamento de um livro com depoimentos de diversos  atores, diretores e amantes desse deslumbrante espaço cênico, e traz também  fotos de arrepiar. Flagrantes de Dina Sfat, Raul Cortês, Procópio Ferreira, Paulo José e tantas outras feras em cena. Não custa barato: 150 reais, mas é um legado histórico do que já se fez de melhor no teatro nacional, e a renda é destinada à conclusão do Multipalco, o anexo cultural do São Pedro, ainda em obras. Maiores informações pelo site www.teatrosaopedro.com.br

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Por trás desse deslumbramento existe o braço forte de dona Eva Sopher, que não poupou sonhos nem esforços para mantê-lo como é hoje: um exemplo mundial de beleza arquitetônica e eficiência administrativa. Os aplausos (de pé) são todos para ela.

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Eu escrevi um relato para esse livro comemorativo, mas ele é longo demais. Então deixo aqui pra vocês um texto que eu adoro escrito pela poeta e publicitária gaúcha Paula Taitelbaum, que o publicou originalmente na revista Mod, mas que agradou tanto à dona Eva que acabou sendo destacado numa parede do Memorial do Theatro. Já que nem todos podem ir até lá conferir, o transcrevo aqui, com o consentimento da autora. Acho que esse texto diz tudo: tem a solenidade de uma oração e a transgressão de toda arte.

 

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ORAÇÃO A SÃO PEDRO (Paula Taitelbaum)

  

Ó São Pedro, bendita seja sua generosidade que nos alimenta de palco e platéia. Venham a nós as peças e os espetáculos, as óperas e as orquestras, as danças e os musicais. E todos os prantos, os risos, os espantos e os espasmos que merecemos.

Protegei Dona Eva, sua força e sua fibra. Mas também as donas Marias, fulanas e beltranas – sem rosto, sem nome e sem máscara – que limpam, lavam e arrumam o templo que nos recebe.

Concedei espaço para os que têm fama e também para os que têm gana. Abençoai todos os que nos oferecem o ímpeto de interpretar mesmo quando são poucos os olhares atentos. E não abandonai jamais os que tremem por trás das imensas cortinas de veludo na incerteza de suas falas.

Fazei com que os aplausos sejam merecidos e os sonos esquecidos. Afastai de nós aqueles que chegam atrasados, aqueles que tossem e, acima de tudo, aqueles que esquecem seus celulares ligados.

Lembrai sempre de acender as luzes que fazem brilhar os 35 mil cristais que iluminam os olhares embevecidos dos que vislumbram sua beleza pela primeira vez. Oferecei vida longa à pintura que nos cobre com sua fauna e sua flora e que glorifica a memória de Mancuso, Dexheimer, Bernhardt e Gonçalves.

Perpetuai o que é sonho e o que é concreto. Mas não deixei que se caia na tentação de ultrapassar os limites – os urbanos, os físicos e os morais – tirando espaço daqueles que andam pelas ruas ou fora dos trilhos. 

Oferecei o conforto de suas aveludadas poltronas verde e vinho aos afortunados. Sem esquecer de ajudar os mais baixos a chegarem antes nas galerias. Dai força, fé e um bom traseiro aos que sentam nas galerias. 

Ó glorioso São Pedro, louvado seja seu chão em onde pisou Villa-Lobos, Eugène Ionesco, Cacilda Becker e Olavo Bilac. E inesquecível os dias de abandono em que ficastes silencioso – para que nunca mais repita-se tamanha tragédia.

Louvados sejam os seus 150 anos. O que já é pleno. E o que ainda é plano. Santificado seja o vosso nome. A vossa fachada. Os vossos projetos. As vossas entradas francas. E a vossa vontade de fazer por nós. Assim na terra como quando nos sentimos no céu.

Merda!

 

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Postado por Martha Medeiros

Frejat e eu

27 de outubro de 2008 23

Pois é, o disco Intimidade entre Estranhos, terceiro álbum solo do Frejat, traz diversas parcerias dele com Zeca Baleiro, Paulo Ricardo, Zé Ramalho e, entre tantos bambambans, essa que vos fala. Mas não fantasiem, porque tudo é mais simples do que parece. Vou contar como rolou. Faz mais de ano, recebi um e-mail do Mauro Santa Cecília, que é poeta e parceiro de vários hits do Frejat. Ele disse que havia lido um livro de poemas meu, que nele encontrou muitos versos “musicáveis”, que havia mostrado pro Frejat e eles tinham adorado dois poemas, em especial. Mauro perguntou: você se importa de a gente juntar dois poemas num só? Ora, sei como funciona isso. Quando eu e Thedy Corrêa (Nenhum de Nós) combinamos de fazer uma música juntos, eu liberei pra ele um poema inédito e deixei que ele mexesse à vontade, já que é preciso adequar a letra com o ritmo, a melodia… Ele mexeu um pouco e surgiu Feedback, que eu acho uma balada belíssima. Por que criaria impasses pro Frejat, a quem sempre admirei? Dei o sinal verde pra eles e foi o que aconteceu: dois poemas foram mesclados e chacoalhados (saiu verso meu, entrou verso deles) e nasceu Farol, décima faixa do disco, um rockzinho com pegada. Então é isso: eu e ele não nos conhecemos pessoalmente ainda, só trocamos e-mails e falamos ao telefone. A combinação é nos encontrarmos na sexta, quando ele fará um show aqui em Porto Alegre, na Reitoria da Ufrgs. Já estou com meu ingresso na mão. 

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Sábado passado fui na festa das formandas do colégio, aquela que estava me tirando o sono por causa da possibilidade de eu ter que responder alguns: “lembra de mim?”. Sopa no mel: todas de crachá!! Foi divertido à beça, mesmo a chuva impedindo de a gente aproveitar melhor o local do encontro. Foi no Vila Ventura, em Viamão, a 25 minutos de Porto Alegre: um local para eventos com uma extensa área verde, excelente para prática de esportes, e uma piscina monumental. Tudo inútil diante do toró que caía, mas a gente jogou sinuca, dançou, comeu, bebeu e riu um monte – e eu lembrei de quase todo mundo.

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Colégio é ótimo. Principalmente quando vira lembrança. 

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Beijos!!!

 

 

 

 

 

   

Postado por martha medeiros

Variados

24 de outubro de 2008 29

Acontecimentos pós-Eloá: em Salvador, Genivaldo mantém Adriele, grávida de 8 meses, refém. Por quê? Ora. Porque ela terminou a relação e ele não aceita. Quarta passada, em São Paulo, Orlando apontou um revólver pra cabeça de Monique, de 15 anos. Por quê? Porque ela não queria namorá-lo. Estavam saindo juntos há duas semanas. Duas semanas!!!! E ele já estava enlouquecido de amor e não conseguiu aceitar a rejeição. Monique morreu. Ainda não se sabe se o disparo foi acidental ou proposital, mas, a essa altura, que diferença faz? Um garoto de 19 anos apontou uma arma pra cabeça de uma menina que mal conhecia, tentando  resolver uma questão amorosa (ou fantasiosa) na base da violência, mais uma vez. É triste o abandono dessa gurizada. Quanta ignorância. 

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Estive ontem participando de um bate-papo com a comunidade de Três Coroas (RS) e hoje em Porto Alegre, com os funcionários do Banrisul. Mesmo já tendo feito isso inúmeras vezes, sempre chego nesses eventos alertando que será mesmo uma conversa informal, descontraída, porque a verdade é que não sou especialista em nada, sou apenas uma franco-atiradora que ganhou espaço para opinar sobre diversos assuntos, e é por reconhecer que meu forte não é teorizar que não aceito fazer palestras. Quem me vê em frente a uma platéia pode pensar que estou muito à vontade, mas sempre receio que as expectativas estejam além do que posso cumprir. De qualquer maneira, fico sempre muito agradecida pelo carinho e pela compreensão que encontro em todos. É muito bacana estar junto aos leitores.

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Da série “morro e não vejo tudo”: li num jornal que uma empresa brasileira está lançando uma lingerie que vem com rastreador GPS. Feministas: riam! Não gastem energia reclamando. Isso mais parece piada do Casseta e Planeta. 

 

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Acaba de estrear nos cinemas o filme Fatal, baseado no livro “O animal agonizante”, de Philip Roth. Domingo pretendo ir e depois comentarei, claro.

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Algumas pessoas perguntaram se é dia 5 que estarei autografando na Feira do Livro de Porto Alegre. Não! É dia 6 de novembro, uma quinta-feira, às 18h30. Eu sei, eu sei, mesmo dia do show do R.E.M. Dá tempo de você passar na Feira antes e ir ao show depois. Eu bem que queria ir também, mas acho que não vou conseguir. 

 

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Mas sexta que vem, dia 31, estarei prestigiando o show do Frejat na Reitoria da UFRGS. Finalmente vou conhecer meu novo parceiro musical. Que chiiique!  

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Bom final de semana a todos. Beijos!

 

 

 

 

Postado por Martha Medeiros

Carta em homenagem ao pai

22 de outubro de 2008 33
Recebi de uma amiga carioca esse texto que reproduzirei abaixo. Foi escrito pela atriz Fernanda Torres, por ocasião da morte de seu pai, o ator Fernando Torres. Não tenho autorização expressa para reproduzí-lo, e se ele desaparecer brevemente desse post é porque fui notificada, mas enquanto isso não acontece (e não acontecerá!), deixo aqui esse exemplo de tanta coisa: de amor, admiração e gratidão filial, da importância de se humanizar a morte, da importância de se humanizar a vida, e de como um texto solto, bem escrito e emocionante (sem ser piegas) faz bem pra nossa alma. Regalem-se. O mundo tem tanta mesquinhez, tanta mediocridade, que um relato simples e comovente como esse nos recoloca no eixo.

 

A DANÇA DA MORTE

 

“A peça Seria Cômico Se Não Fosse Sério, de Friedrich Dürrenmatt, foi o melhor espetáculo teatral que meus pais produziram em anos e anos de parceria. Baseada na Dança da Morte, do dramaturgo sueco August Strindberg, ela se passa no início do século passado e conta a história de um general aposentado, Edgar, e sua esposa, Alice, que vivem às turras, isolados em um farol. Um dia, o casal recebe a visita de um primo mafioso, que se esconde com eles no alto da torre. Depois de desassossegar a vida dos dois por doze vertiginosos rounds, o primo cafajeste se manda, devolvendo o par à sua mais derradeira solidão.
Jamais vou esquecer meu pai com barbas de Matusalém, vestido de general da I Guerra, dançando furiosamente a Dança dos Boiardos. Era sensacional. Lá pelo fim do espetáculo, Edgar se levantava louco, altivo, e dizia:
– Agora vou dançar a Dança dos Boiardos!
E começava uma coreografia ensandecida, meio russa, meio gaúcha, pulando em torno de uma espada no chão. Querendo exibir vigor ao primo escroque da esposa, Edgar dança até o limite de suas forças e acaba sofrendo um AVC. A peça termina com Edgar numa cadeira, seqüelado pelo derrame, e Alice arrumando a desordem da casa por causa da passagem do primo.
Era de uma beleza terrível, cortante, teatro com T maiúsculo. Quem viu sabe. Como com teatro não se brinca, havia ali o prenúncio de algo que viria a acontecer com meus pais anos depois, só que de maneira muito mais doce, amorosa e redentora. Minha mãe cuidaria dele, e ele dela; mais ela dele, por problemas de saúde, no terço final de seus 57 anos de casados. Uma amiga gostava de dizer que meu pai ainda estava vivo porque minha mãe e ele queriam assim.
Em 1986 meu pai sofreu um primeiro derrame, não detectado, durante a representação da tragédia grega Fedra. Ele esqueceu o texto em cena e, como a neurologia ainda engatinhava, levamos anos para entender que não era um problema psíquico, mas físico, o início de sua dança da morte, que levou vinte anos para acontecer.
Meu pai é um mistério tão grande para mim que fica difícil falar dele numa crônica. Mas, como estou chegando à conclusão de que todo pai é um mistério para os filhos, ao contrário das mães, que são desabridas, arrisco aqui um modesto perfil.
Dono de um humor cortante, que seria cômico se não fosse sério, doce e sádico, careta e maluco, velho e criança, meu pai foi produtor, diretor e ator, um homem dedicado a todas as facetas do teatro. Teve coragem de largar a medicina, enfrentando o pai médico e político dos tempos da política do café-com-leite, para fazer parte dessa profissão etérea. Dizem que o estalo se deu no trote da faculdade, quando em plena Cinelândia ele gritou: `Fiat Lux!`. E as luzes da praça se acenderam numa sincronicidade cósmica. Foi ali, logo de cara, que perdemos um médico e ganhamos um diretor. Devo a ele toda a minha curiosidade científica, devo a ele dizer o que penso, devo a ele o cinema, a infância, Veneza, Machu Picchu, Buenos Aires e as montanhas russas. Devo ao meu pai tudo o que sou que não é ser atriz, e certamente devo ao meu pai a promessa de alguma serenidade diante da velhice e da morte.
Como ele adoeceu há muito tempo, as lembranças do homem de teatro, do pai jovem e doidão, do barbudo enraivecido pela censura de Calabar se misturam fortemente com as do Fernando de saúde frágil com quem convivi nos últimos tempos. É muito difícil para um filho lidar com a doença de seu pai. Por isso, gostaria de agradecer às muitas pessoas que nos ajudaram nesse período, em especial à Roberta, sua fisioterapeuta, aos enfermeiros Jorge e Cristiano e, acima de todos, à doutora Lúcia Braga, do Hospital Sarah Kubitscheck, que deu ao meu pai cinco, seis, dez anos a mais de vida, libertando-o dos especialistas em doenças, cortando catorze medicamentos e colocando no lugar o teatro, os barcos, o pingue-pongue e a vida; e à doutora Claudia Burlá, geriatra, especialização cuja profundidade só fui entender na noite em que meu pai morreu, em casa, conosco em torno dele, e com ela. Sem tubos, sem CTIs, sem prolongadores artificiais de respiração ou batimentos cardíacos. Foi ela que mandou chamar a mim e ao meu irmão, foi ela quem nos ajudou. A morte do meu pai foi uma experiência tão caseira, humana, pacífica e acolhedora, apesar do sofrimento e da dor, que me fez por alguns segundos achar que esse absurdo que é a morte, afinal de contas, pode fazer parte da vida.
Um salva de palmas para ele. Foi um guerreiro discreto, forte e corajoso. Espero conseguir ser assim quando chegar a hora de eu dançar a minha Dança dos Boiardos.”
(Fernanda Torres)

Postado por martha medeiros

Álcool na adolescência

20 de outubro de 2008 43

Olá, desculpem a sumidinha. De vez em quando eu desapareço uns três dias, vocês já devem ter notado, mas não é por descaso ao blog – é que eu costumo sair da cidade com freqüência e fico offline. Próxima saída dia 01 de novembro. Vou para Belo Horizonte, onde farei uma sessão de autógrafos dia 3, segunda-feira, às 19h, na livraria Quixote, bairro Savassi. E dia 4 participarei de um evento sobre Sexualidade no centro cultural Academia de Idéias, também em BH. Quando chegar mais perto da virada do mês eu darei outros detalhes. 

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Hoje abri minha caixa de e-mails e havia algumas mensagens comentando a morte cerebral não da Eloá, aquela menina de Santo André, e sim de um garoto de 18 anos de Porto Alegre que levou uma bala perdida na cabeça em meio a uma festa. Balas direcionadas ou perdidas não são mais novidade, infelizmente. O que achei interessante é que está havendo um movimento de mães que estão atentas a um assunto que diz respeito a todos nós: a liberação de bebida alcóolica na adolescência e suas consequências. 

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Semana passada eu participei de um debate num curso pré-vestibular e lá pelas tantas os próprios professores comentaram sobre isso: tem aí uma gurizada de 12 ou 13 anos que já participa de festas regadas a álcool. Muitas vezes os próprios pais liberam, atendendo ao manjado argumento da garotada: “Pô, mas todos os outros pais deixam!”.

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Os “outros”, sejam quem forem, não podem conduzir a vida de todos. Álcool na adolescência é uma furada. Ninguém tem que vender pra gurizada, nenhum pai tem que liberar. Nessa idade, o entusiasmo já é suficiente quando se está sóbrio, para que potencializar? Descontrolados, muitos fazem a besteira de provocar brigas desnecessárias em festas, ou ir adiante num amasso e fazer sexo sem segurança, ou dirigir um carro em alta velocidade, ou simplesmente ferram com a própria saúde, o que já é motivo suficiente para não beber. 

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Eu adoro um vinho, bebo freqüentemente, mas não tenho mais 15 anos, sou maior de idade e não estou na balada, não estou na madrugada, em busca de afirmação – coisa natural entre jovens. Quem está no agito tem que ter personalidade e saber dizer não pra vodca, pra cerveja, pro que pintar, e continuar se divertindo numa boa. 

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Ok, eu sei que o papo hoje está meio de “madre superiora”, mas tenho adolescentes em casa e sei como uma vida sem subterfúgios, sem excessos, é bastante mais saudável.  Beber antes dos 18 anos é fria. E sem moderação, em qualquer idade, é fria também.

  

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Volto. Beijos!

 

 

Postado por Martha Medeiros

Deslize

16 de outubro de 2008 17

Acho que houve uma confusão, algumas pessoas acharam que a leitora Paula Cabrita estava pegando no meu pé. Nada disso. Eu realmente cometi um erro ao postar o texto, escrevi “deslise” em vez de “deslize”. Quando a Paula corrigiu, fui logo trocar. Por isso que agora está certo. Logo, só tenho a agradecer a vigilância dela. Valeu, Paula!

 

Postado por Martha Medeiros

Lembra de mim?

16 de outubro de 2008 47

Deveria ser considerado crime pelo código penal, mas como ninguém pune, as pessoas continuam perguntando a torto e direito: lembra de mim?

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Você tem coragem de fazer isso? Perguntar para alguém: lembra de mim?

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Se a pessoa não faz parte do seu círculo de amizade, se apenas estudou com você vinte anos atrás, se trabalhou com você em outra vida, se conversou com você numa festa uma única vez, se sentou ao seu lado no ônibus há quinze anos, ou mesmo se ficou com você num final de noite em que ambos estavam beirando o coma alcóolico, você tem coragem de perguntar: lembra de mim? 

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Se ainda estivéssemos vivendo uma ditadura, você seria convidado a trabalhar no DOI-CODI. É um torturador em potencial.

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Não se pergunta uma coisa dessas. Nem para pessoas conhecidas, nem para desconhecidas. Se você não recebeu um abraço afetuoso e um beijão na bochecha, acredite: aquele sorriso amarelo significa que você é um total estranho. Respeite o Alzheimer que atinge até mesmo criancinhas, hoje em dia. 

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Daqui a uns dias eu irei numa festa em que se comemorá XX anos de formada no colégio. Não vou especificar quantos anos pra você não me internar num asilo. Vou rever colegas que não vejo a há mais de XX anos. Você não pode adivinhar o que significa XX anos em minha vida. É uma contabilidade macabra. Significa que não vou reconhecer NINGUÉM, só as que seguem minhas amigas até hoje (9) e algumas conhecidas que cruzo constantemente (outras 8 ou 9). Mas na festa serão umas 60! O que vou fazer?? Ninguém acreditará que sou uma esclerosada precoce, vão simplesmente me tachar de “estrela”: a maldade humana é ilimitada, você sabe.

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Socorro! Se você conhece algum truque pra escapar dessa sinuca, me diga.

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E se você for uma ex-colega minha e estiver lá, não me pergunte: “lembra de mim?”. Eu lembro, juro que eu lembro.

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Depois eu conto o tamanho da encrenca. Beijos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Postado por Martha Medeiros

Por que os ETs não apareceram

15 de outubro de 2008 30

Se os extraterrestres chegaram ontem ao planeta Terra, não ficaram mais do que 5 minutos, o que compreendo perfeitamente. Devem ter percebido que a coisa por aqui não anda nada bem, a começar pela crise financeira mundial. E se por um acaso eles desembarcaram no Brasil, devem ter ficado ainda menos que 5 minutos. Havia razões de sobra pra se mandar:

a) O Senado segue relutando em acabar com o nepotismo. Ontem, em reunião, foi decidido que parentes de senadores que tenham sido contrratados em data anterior ao início do atual mandato, seguem no cargo. Claro que pode haver gente competente misturada aos beneficiados, mas a regra deveria ser única e definitiva: parente até terceiro grau de qualquer pessoa que ocupe cargo público não pode ser contratado. Ponto final. Se abrem uma exceção aqui e outra ali, a mamata continua.

b) Falando em mamata, em fevereiro desse ano foi publicado no Diário Oficial que o Presidente da República, depois que deixar o cargo, terá a sua disposição, em caráter permanente, quatro servidores públicos para fazer sua segurança pessoal e dois veículos oficiais, cada um com um motorista. Não sei se existe essa mesma regra para os presidentes anteriores. Sendo Lula ou sendo FHC ou sendo quem for, me parece um absurdo que continuem a manter certos privilégios vitalícios pagos pelos nossos suados impostos. Creio que um presidente ficaria mais motivado a solucionar os problemas de violência e transporte público do país se não tivesse garantido seus quatro guarda-costas particulares e seus dois carros com motorista até o final dos seus dias. Nada contra certos luxos, mas que sejam pagos do próprio bolso.

c) Li que Rogério Farias, irmão do finado PC Farias (aquele do assassinato que nunca foi devidamente explicado) está preso na sede da Polícia Federal de Alagoas, acusado de participar de uma quadrilha que falsificou carteiras de identidade pra fraudar votos nessas eleições. Em tempo: ele foi reeleito como prefeito da cidade de Porto das Pedras. 

d) E Marta Suplicy bobeou de novo. Depois daquela frase infeliz sobre a crise nos aeroportos, agora permite que seu pessoal de marketing questione a sexualidade do seu adversário pela prefeitura de São Paulo, como se o fato de o cara ser casado ou solteiro, com filhos ou sem filhos, fizesse alguma diferença na hora de administrar uma cidade. Pra quem não soube da história: um comercial foi veiculado no final de semana perguntando se o eleitor conhecia bem Gilberto Kassab. Porém, além de questionar sua trajetória política, o comercial perguntava também se o eleitor sabia qual era o estado civil do candidato, reforçando uma suspeita de que ele pudesse vir a ser homossexual. Uma escorregada da Marta, pois ela sempre defendeu a diversidade sexual e, além disso, o assunto é de interesse privado, não público. O caso vai ser explorado mais do que mereceria, mas política é assim: qualquer deslize, o pessoal cai matando em cima. Despreparo indesculpável da assessoria dela. 

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Por essas e outras, ninguém ouviu falar de ET desembarcando, como o You Tube anunciou. Que raios iriam fazer aqui, no meio dessa bagunça? Chisparam.

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Me vou também. Bjs!

 

 

 

 

 

 

 

Postado por Martha Medeiros

Desembarque imediato

14 de outubro de 2008 28

Foi noticiado na internet que alienígenas desembarcariam na Terra dia 14 de outubro. Se não estou enganada, é hoje. Eles não confirmaram o horário, o que dificulta o preparo de um comitê de recepção. Também não disseram exatamente onde: só adiantaram que seria em algum ponto do Hemisfério Sul ou no Alabama, e não deram maiores explicações. Passaram a informação para uma australiana (não sei se por telefone, e-mail, MSN ou blackberry) e ela comentou com 128 pessoas, e aí a notícia se espalhou, claro. Ninguém sabe guardar um segredo. 

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Então parece que hoje será confirmado: eles existem. Depois de terem feito vários vôos de observação, aparecendo aqui e acolá em diferentes céus, eles finalmente decidiram aterrissar. Na minha opinião, com um certo atraso, demonstrando uma total falta de timing. Pelo que tenho reparado, ninguém mais tem interesse nesses sujeitinhos.

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Eu, ao menos, não tenho. Já basta outros tipos de ETs com que cruzo no dia-a-dia. Em todo caso, se eles derem alguma entrevista coletiva, me avisem. Ando absolutamente sem assunto.

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Até mais! 

   

    

Postado por Martha Medeiros