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Posts de dezembro 2008

Feliz 2009!

30 de dezembro de 2008 43

Amigos aqui do blog, vocês foram supercarinhosos durante o ano todo e só tenho a agradecer as mensagens delicadas e positivas que deixaram. Vocês sabem que me expor aqui sempre foi algo que me deixou pouco à vontade, mas acabei acostumando e devo isso à receptividade de vocês, então, VALEU! 

*

Queria avisar que estou totalmente por fora da reforma ortográfica, é meu ato de rebeldia final, porque acho uma incomodação ter que reaprender a escrever – como se o português fosse um idioma fácil. Aliás, desculpas pelos inúmeros erros cometidos nesses meus posts apressados. Obrigada aos que me deram toques corretivos e agora a má notícia: vou errar cada vez mais daqui por diante. Me aguentem (já sem trema…) 

*

2008, pra mim, foi bom e foi péssimo. Mas um novo ano começa e por mais que a gente saiba que do dia 31 de dezembro pro dia 1 de janeiro nenhuma mágica acontecerá, ainda assim acho que vale a pena se entregar ao espírito de renovação, senão qual é a graça? Tenham fé!

 

*

Eu tenho.

*

Pra encerrar o nosso último papo do ano, deixo aqui não apenas uma, mas duas mensagens do grande Carlos Drummond de Andrade, que é pra essa despedida ficar mais chique. Mas estarei janeiro inteiro por aqui, então paciência, ninguém vai se livrar de mim tão fácil. Para os que estão saindo de férias, aproveitem, divirtam-se, renovem-se. Para os que ficam, alegria e boa vontade com o ano que começa.

*

“O último dia do ano

não é o último dia do tempo

O último dia do tempo

não é o último dia de tudo

Recebe com simplicidade esse presente do acaso

Mereceste viver mais um ano”

(C.D.A.)

 

*

Para ganhar um ano novo

que mereça esse nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo

tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre”

(C.D.A.)

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A gente se vê em 2009!!! Beijos!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Postado por Martha Medeiros

As voltas do mundo

29 de dezembro de 2008 21

Tenho uma amiga que faz parte do staff do Festival de Jazz de Montreux – ela é  diretora do backstage e mora na Suiça há muitos anos. Em 2005, me intimou: estou te esperando pro festival! Casa, comida e passe livre para todos os shows, incluindo camarins. Como resistir? O festival dura quinze dias, mas cheguei apenas para os três primeiros, depois peguei um trem e segui para outros destinos. A grande atração da abertura do festival era o show do The Corrs, que estavam no auge – hoje não tenho escutado falar deles. Mas antes dos irmãos subirem ao palco, haveria o show de um britânico novo na praça – ninguém sabia muito dele, a não ser que havia lutado na guerra do Kosovo, o que era uma curiosidade. Eu já havia cruzado com ele nos camarins e trocado um “hi”: ele tinha pouco mais de 30 anos, mas parecia menos de 17. Quieto, na dele. Chegada a hora, subiu ao palco com uma banda competente e fez um show protocolar, rockzinho básico, sem novidades – mas tampouco desapontou. Pensei com meus botões: vou sair de Montreux sem conseguir decorar o nome desse sujeito e provavelmente nunca mais vou ouvir falar dele. Agora o “sujeito” está por fazer um show aguardadíssimo aqui em Porto Alegre, nos próximos dias. Você já matou a charada. Era (e ainda é) James Blunt. O mundo dá voltas e dá rápido.

 

*

Dica de livro: crônicas leves, inteligentes, engraçadas, com um misto de baianidade e carioquice, pra ler na beira da praia, tomando água-de-coco ou uma caipirinha geladésima. Estou falando de O Rei da Noite, de João Ubaldo Ribeiro. Pra entrar o ano com um sorriso no rosto e a consciência de que nada é tão sério nem tão urgente. 

 

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Beijos!

 

 

 

  

  

Postado por Martha Medeiros

O melhor presente

26 de dezembro de 2008 36

Espero que o Natal de todo mundo tenha sido de acordo com o esperado: com muita paz, serenidade e junto a pessoas de alto astral. Agora é recompor as energias porque semana que vem tem mais festa. Muita água e chá verde até lá. 

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Nesses dois últimos dias fiquei em casa curtindo o presente que minha mãe me deu: uma caixa com a coleção completa da minissérie Queridos Amigos, que foi uma das atrações televisivas de 2008. Recordando: essa minissérie foi ao ar no ínicio do ano, baseada no romance “Aos meus Amigos” de Maria Adelaide Amaral. A história: um homem em torno dos 40 anos (Dan Stulbach) está com uma doença terminal e resolve reunir a velha turma da juventude para passar um final de semana na casa que ele tem na serra. Uma espécie de despedida, sem que os amigos saibam. Uma reunião “de família”. A partir daí, mil coisas acontecem. A minissérie é longa, a caixa é composta de 4 CDs. Ainda não consegui assistir tudo, mas já deu pra perceber a jóia que tenho em mãos.

*

Não assisti a minissérie na tevê, quando foi ao ar, porque costumo dormir cedo. Agora estou tendo a chance de ver tudo sem intervalos comerciais, e se eu já andava com a emoção a flor da pele, agora nem se fala. Sou uma pessoa que realmente considera que os amigos formam uma outra espécie de família - poucas coisas comovem tanto quanto abraçar um amigo que conhece você desde a infância, desde a adolescência, que compartilhou com você momentos decisivos e que te conhece só de olhar, sem mesmo você precisa falar o que está sentindo. A maior riqueza da minha vida é, sem dúvida nenhuma, algumas amizades que cultivei e das quais nunca vou abrir mão. Tenho apenas um irmão biológico, mas tenho outros irmãos e irmãs que me conhecem melhor do que eu mesma. Sem eles, perco a identidade, me sinto extremamente só. Putz, só de escrever isso já fico com o queixo tremendo, dá a maior vontade de chorar. Caramba, esse final de ano está testando minha resistência cardiovascular.  

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Voltando ao DVD. A minissérie foi escrita pela Maria Adelaide Amaral, o que já é um atestado de qualidade inquestionável – essa mulher é uma das brasileiras (na verdade ela é portuguesa, mas já virou paulista) que mais admiro, não só profissionalmente, mas como o ser humano sensível que é. Um mulherão, mesmo tão mignon. “Queridos Amigos” é baseado numa história real, o que sempre ajuda a dar mais força emocional ao enredo, e o elenco escolhido pra minissérie é de soltar fogos de artifício. Além de Dan Stulbach, tem Débora Bloch, Denise Fraga, Matheus Nachtergaele, Bruno Garcia, Maria Luisa Mendonça, Drica Moraes, Guilherme Weber, Juca de Oliveira e nada menos que Fernanda Montenegro num papel pequeno, porém vigoroso. E outros nomes bons e conhecidos, mas cito apenas aqueles que realmente estão me mostrando o quanto se pode emocionar através de uma interpretação sem pieguice. Um espetáculo.

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E eu nem falei da trilha sonora. Uma viagem no tempo. Impossível citar todas as canções, cada música é mais significativa do que outra, nada está ali à toa, nada é apenas “pano de fundo”, são personagens da história.

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Mas o mais valioso é que o DVD me chegou às mãos através da minha mãe, e isso não é uma trivialidade. Minha mãe havia assistido a minissérie inteirinha quando estava no ar e sabia que estava diante de algo qualificado. Vivia dizendo: Martha, não perde, tu vai adorar – mas eu perdi. E agora ela me entrega esse presente que é melhor do que qualquer anel, pulseira ou colar que pudesse vir em caixinha de veludo e custado uma fortuna. Minha mãe sabe o que é uma jóia. Ela é uma, aliás.

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Portanto, não é apenas o desenrolar da minissérie que me deixa assim comovida. É o fato de eu ter perto de mim uma pessoa que sabe o valor de se passar adiante uma emoção, que me conhece suficientemente pra saber com certeza que vou gostar do que vou ver, que me dá de presente não apenas uma caixa com 4 CDS, mas algumas horas de pura sensibilidade, nada de melodrama barato. Ofertou reflexão, emoção e divertimento de alto nível. 

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Eu já escrevi uma crônica sobre isso anos atrás: o melhor presente que podemos oferecer a alguém é um acréscimo de vida. Podemos fazer isso dando uma dica de livro, uma dica de música, uma dica de lugar para conhecer, uma dica de programa de tevê que foge da mesmice, enfim, tornar a vida do outro mais rica através de aberturas de idéias e de emoções. 

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Minha mãe me ensinou a importância da arte e do livre pensar, me transmitiu o gene da alegria e do prazer, e apesar de todas as incomodações inerentes ao papel dela (mãe é mãe), acabou se tornando uma das minhas melhores e queridas amigas. 

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Beijos!

 

 

Postado por martha medeiros

Feliz Natal!

23 de dezembro de 2008 42

Ih, fiz confusão entre as leitoras Juliana Ritter, de Goiânia, e Juliana Amaral, que mora nos Estados Unidos. Desculpem, sorry. As duas são sempre muito bem-vindas aqui no blog e espero um dia poder conhecê-las pessoalmente em alguma sessão de autógrafos.

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Ninguém está livre de fazer uma declaração infeliz, mas o Papa Bento XVI, ontem, se superou: disse que “salvar” a humanidade do comportamento homossexual é tão importante quanto salvar as florestas do desmatamento. Exageraram no sangue de Cristo servido ao Santo Pontífice. Ok, ele está sendo coerente com o pensamento da Igreja Católica, mas me parece chocante essa manifestação de segregação às vésperas do Natal, um momento em que, em tese, o mundo deveria estar unido em tolerância, amor e solidariedade. Comparar a sexualidade de um indivíduo, que é algo que diz respeito apenas à sua vida privada, com  desmatamento, que é algo que pode destruir o planeta, é totalmente descabido. 

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Desejo que essa passagem do dia 24 para 25 de dezembro faça jus ao título de “Noite Feliz”. Que cada um possa estar na companhia das pessoas que lhe são mais importantes na vida. Se beber, não dirija. Se não gostar de algum presente, sorria mesmo assim. Se não estiver alegre, tente. Se estiver, compatilhe o seu bom momento. E se acreditar em Deus, reze e agradeça, sem discriminar ninguém. Feliz Natal a todos!

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Beijos!

 

      

   

Postado por martha medeiros

Expectativas

22 de dezembro de 2008 23

A Juliana, que sempre deixa mensagens carinhosas aqui no blog, mora nos Estados Unidos e está em Porto Alegre: ela me pergunta se estarei em algum lugar público para que possa me conhecer. Juliana, estou em total ritmo de desaceleração, agora é hora de me recolher com a família. Meu próximo compromisso profissional será dia 12 de janeiro, se você ainda estiver por aqui… Quando chegar mais perto, avisarei onde, a que horas e o quê. Obrigada pelo teu carinho esse ano inteiro.

 

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Comentei aqui que estava iniciando a leitura do livro Flores Azuis, da chilena Carola Saavedra, e que a arrancada me entusiasmou. A história é interessante: um homem recém separado acaba de se mudar para um apartamento, e começam a chegar pelo correio cartas de uma mulher apaixonada, assinadas apenas com a inicial A, e que obviamente são dirigidas ao antigo morador. Essa mulher foi deixada e não se conforma. Escreve cartas de amor dilacerantes. O cara que lê fica totalmente perturbado e tenta descobrir quem é essa mulher. Bueno, o livro divide-se em capítulos: carta da mulher, reação do cara, carta da mulher, reação do cara, etc, etc. A escritora, Carola, tem uma prosa original, ritmada, mas achei muito mais legal quando ela escreve como o homem que lê as cartas. Quando ela escreve como A, a remetente, o livro vai ficando meio cansativo. Isso penso eu, porque é um livro elogiado e vale a pena você tirar sua própria conclusão, se o tema lhe interessa.

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O que me perturbou foi que eu também estou escrevendo um livro de ficção sobre a dor do amor, e de repente me dei conta de como a gente pode ficar chata escrevendo sobre esse assunto. Não me ocorre outra palavra: chata.

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Nem sei se vou continuar o meu. Sério. 

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Durante a leitura de Flores Azuis, eu me peguei torcendo para que o cara que recém tinha se mudado para o apartamento (e estava recebendo aquelas cartas que não eram para ele) jamais cruzasse com a fulana desesperada. Ao menos não antes de ela se “curar”. 

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Talvez eu não tenha pego o espírito da coisa… Mas, enfim, é um bom livro, mas não me ganhou como eu imaginava. Acho que fui com muita expectativa, e não tem roubada maior do que você esperar muito de alguma coisa.

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Por outro lado, peguei um livro de contos sem a menor ilusão. Não sou muito fã de conto, não gostei do título, achei a capa pesada e a autora era para mim uma ilustre desconhecida (livro de estréia). Pensei… hummm, vou dar só uma espiadinha. Pois, pois. O livro é um barato!! Superbem escrito. Vamos ao serviço: chama-se Vibratio, de Catarina Pereira. É uma médica gaúcha que mora há muitos anos no Rio de Janeiro, é tudo que sei dela. Ótimo e despretensioso livro de estréia. Original, surpreendente, sensível, moderno, irônico. Dá-lhe, Catarina! Sou mais você. 

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A editora chama-se Cais Pharoux. Também não conhecia.

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Quarta-feira eu volto para – jingle bell, jingle bell – deixar um beijo de Natal.

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Postado por Martha Medeiros

Vícios prazerosos

19 de dezembro de 2008 35

Muita gente, nessa época, decide que vai parar de fumar. É uma das resoluções mais clássicas de final de ano, e das menos cumpridas.

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Eu nunca fumei (a não ser umas tragadinhas bobas quando era guria, e que me enjoavam à beça). Mas, curiosamente, sempre fui cercada por fumantes. Nunca fiz campanha contra, nunca fui de reprimir, mantenho os cinzeiros na sala porque entendo perfeitamente que, por mais nocivo que seja, é um hábito prazeroso e parar não é nada fácil. 

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Mas dou força quando conseguem. Essa semana conversei com uma amiga que fuma desde os 14 anos de idade. Agora, depois de 30 anos fumando, resolveu parar. Está há um mês sem colocar um único cigarro na boca. Está tomando um medicamento que, segundo ela, ajuda bastante. Engordou uma coisinha de nada, mas em compensação está com o rosto mais viçoso. E me pareceu tranqüila.

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“Então não é tão difícil?” perguntei. “É quase a morte”, ela respondeu, dramatizando com humor. Comentei com ela que se eu me propusesse a nunca mais tomar um cálice de vinho, provavelmente eu sofreria bastante também. “Cigarro é pior”, ela respondeu. “Tu, por exemplo, só bebe à noite, e respeita teu limite, o teu corpo avisa quando não pode mais receber álcool. Já o cigarro é meu apoio, meu companheiro o dia inteiro, em todas as horas, e quanto mais eu fumo, mais eu quero”. Então se compara a o quê?

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“Imagina perder um amor”.

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Foi na veia. A comparação é perfeita. Uma relação de amor, por mais prazerosa que seja, pode fazer mal à saúde. São as típicas relações “ruim com ele, pior sem ele” – ou ela. Como é que de uma hora para a outra a gente interrompe tudo, fica sem ver a quem ama, sem poder chegar nem perto? Como é que a racionalização (“essa história não anda saudável”) pode vencer a vontade? (“que saudades!!!”). A abstinência é enlouquecedora. Pior é que se a gente der uma rápida “tragadinha”, já era. Volta tudo. Tem que se manter longe. É ou não é uma espécie de morte? Posso imaginar o que minha amiga está passando sem o cigarro dela. 

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Desejo a todos que estão planejando parar de fumar que consigam. Mas desejo mais ainda que quem está pensando em começar a fumar, que não caia na asneira. Não tem cabimento iniciar um hábito viciante e extremamente prejudicial à saúde.

 

Para quem não está largando o cigarro, e sim um amor, paciência e confiança. 

 

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Beijos!!

 

 

 

 

 

 

 

 

Postado por Martha Medeiros

O tênis

17 de dezembro de 2008 21

Não sou de confiança mesmo, me despedi no último post dizendo que voltaria rápido, e demorei dias. Estou em marcha-lenta, em total contradição com o pique frenético do final de ano. Nas ruas, parece que todo mundo está com uma pressa inusual. Estão indo pra onde? Uma moto hoje colidiu contra o meu carro, eu percebi pelo retrovisor que o cara não conseguiria frear a tempo. Dito e feito. Ainda bem que não se machucou. 

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A coincidência é que eu estava levando o carro pra oficina. Agora estou à pé. Livre do trânsito por uns dias, vou caminhar pela cidade pra tocar minha vida. Os dias estão belos, ao menos.

 

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Ontem comecei a ler um livro que promete. Chama-se Flores Azuis da chilena Carola Saavedra. É um livro de cartas, imagina se não me atrairia. Creio que vou devorá-lo antes do final de semana chegar. Depois eu conto se a expectativa se cumpriu. 

 

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Logo mais à noite haverá o lançamento de uma exposição de fotos do Marcelo Ruschel no Shopping Bourbon Country, em Porto Alegre. É a Mostra Arte/Tênis, em homenagem aos 25 anos de carreira desse fotógrafo que é um cara muito especial, e já digo por quê.

 

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Marcelo Ruschel foi fotógrafo oficial do Guga por muitos anos e tem um trabalho fantástico. Mas o mais bacana é que há 5 anos ele alugou uma quadra de saibro em Belém Novo e começou um projeto de inclusão social com crianças carentes que foi batizado com o trocadilho Wimbelendon: através desse projeto, Marcelo dá aulas de tênis para 80 crianças carentes, assim como oferece aulas de leitura e de inglês. Fernando MeligeniThomas Koch são embaixadores dessa ONG e estarão hoje no coquetel de abertura da mostra, para prestigiar esse trabalho que, absurdamente, está perigando terminar por falta de patrocinadores. Quem quiser se informar, acesse o site www.wimbelemdon.com.br

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Eu adoraria estar lá hoje à noite, inclusive ontem encontrei por acaso com o Marcelo e a sua mulher, e confirmei presença, mas hoje tive meu rumo deslocado para outro compromisso. Ainda assim, vou tentar passar lá mais tarde. Mas deixo aqui a minha força e a minha garantia de idoneidade desse cara que eu conheço há muitos anos: chegamos a idealizar um projeto juntos, 17 anos atrás, que envolvia textos e fotos do primeiro Rock in Rio - também não foi adiante por falta de patrocínio, mas teria dado um belo livro. As fotos que o Marcelo fez dos shows eram incríveis, e escrever sobre rock´n´roll era um convite irrecusável pra mim. Cheguei a produzir alguns textos, mas o projeto não se concretizou.  

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As fotos artísticas desse esporte elegantésimo que é o tênis, clicadas pelo  Marcelo Ruschel, ficarão expostas no Bourbon Country até 23 de dezembro.

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Estou com muitas idéias para 2009. Já que é um ano novo, tem que ser novo mesmo. Quero conhecer lugares que nunca fui e aprender a fazer coisas que até hoje só ameacei, como cozinhar, por exemplo. Pois é, vim ao mundo com esse defeito de fábrica, não cozinho nada. E o tênis está na minha lista de resoluções. Não sei se vou cumprir, mas a intenção existe. Nunca é tarde para começar.

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Beijos!

 

 

 

   

 

 

Postado por martha medeiros

No Rio com Viviane Mosé

12 de dezembro de 2008 23

Voltei do Rio. Antes, deixa eu agradecer todo mundo que vibrou comigo pelo resultado do vestibular da minha flha – obrigada por mensagens tão carinhosas! Eu leio todas, sempre! Mas não tenho como responder uma a uma.

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Rio de Janeiro com chuva é meio-Rio. Ainda assim, adoro a cidade, só que dessa vez foi rápido mesmo. O evento foi muito melhor do que eu imaginava. Viviane Mosé tem o dom de deixar seus convidados à vontade, e eu realmente me senti em casa, contando “causos” da minha carreira e depois participando de um “torneio” de poesia, em que participou também o Vitor Paiva, filho do cartunista Miguel Paiva – o guri é um poeta danado de bom e gente fina. 

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Uma das histórias que contei por lá foi sobre minha facilidade em me colocar no lugar dos outros. Meu livro “Tudo que eu queria te dizer” é um exercício de criação surpreendente pra mim mesma, pois ali eu escrevo como homem, anciã, louca, suicida, adolescente, prostituta, padre, e incorporo pra valer esses personagens. Dei também como exemplo uma crônica que escrevi, certa vez, sobre perda de filho (a dor maior do mundo, imagino) e que pela qual nunca passei, mas até hoje recebo e-mails de mães que acreditam que eu passei por esse inferno, tal a forma convincente que  descrevi essa dor. 

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Para exemplificar esse dom (se é que é um dom), li pro pessoal que estava no evento um poema que escrevi muitos anos atrás sobre como é levar um tiro. No poema, eu escrevo exatamente a sensação de receber uma bala perdida. Em detalhes! Quando terminei, ninguém acreditou que eu não houvesse passado pela experiência. Espero nunca confirmar na prática essa sensação. 

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O grande barato de escrever: entrar num mundo que não é o seu. Mas que passa a ser no momento em que você o invade.

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Mas o melhor de tudo: Viviane Mosé! Que mulher energética! Talento, inteligência, bom humor e uma pitadinha de loucura: não tem fórmula melhor pra um ser humano cativar. Depois do encontro no CCBB, fomos jantar juntas e viramos amigas de infância. Até o I Ching ela jogou pra mim, pra ver meu futuro. Ri muito com ela.

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Meu futuro?? Até o I Ching ficou confuso… Eu sou um caleidoscópio emocional. Nem eu me agüento ultimamente. Xô, 2008! Esse ano abusou muito do meu coração… 

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Resultado da viagem: prometo voltar à poesia em 2009. Saudade de versejar.

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Ah, e acabei de ler  o livro “Eu que amo tanto” da Marilia Gabriela. Comentários aqui, ou em crônica, em breve. Foi das coisas mais tristes que li ultimamente. Mas são depoimentos necessários, nem que seja pra gente tentar fugir de qualquer semelhança com aquelas mulheres: são todas humanas, todas sofridas e todas merecedoras de amores mais saudáveis. Só que a gente sabe que nem todas as mulheres (e homens) têm essa sorte. 

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Eu volto rápido. Beijos.

 

 

 

   

 

 

 

Postado por martha medeiros

Poesia e Filosofia

10 de dezembro de 2008 43

Bom, como disse antes, estou indo pro Rio participar de um evento chamado Poesia no Jardim da Filosofia, comandado pela poeta e filósofa Viviane Mosé, de quem sou fã absoluta. Viviane escreve demais, e uma vez assisti a uma palestra dela que abriu um clarão na minha mente – como é bom ouvir pessoas inteligentes e articuladas. Bom, quando ela me fez o convite, meu primeiro impulso foi recusar, pois não tenho estofo pra acompanhar o background dela, mas Viviane, simpática pra caramba, me convenceu de que iremos bater um papo informal e que não vai doer.

 

*

Então é isso. Nessa quinta, dia 11 de dezembro, às 18:30h, estaremos eu e ela, com participação especial do poeta e músico carioca Vitor Paiva (que eu ainda não conheço), conversando sobre a poesia do cotidiano – ou a falta dela. Eu já andei escrevendo sobre a “Escola da Vida” que o escritor Alain de Botton fundou em Londres, e que é bem isso: a aplicação da arte e da filosofia para ajudar a lidar com os entraves do dia-a-dia. Todos nós queremos viver com menos sofrimento, e o melhor remédio nem sempre é um Prozac ou similar: o remédio pode ser a conquista de um olhar mais lúdico e contemplativo para tudo que nos cerca, buscar o bem viver, se valer de muita música, cinema e literatura para preencher nossas almas inquietas, enfim, tentar enxergar a filosofia e a poesia não como ciências complicadas e elitistas, e sim como caminhos para uma existência mais plena, já que não basta ter uma família e uma profissão pra se sentir quite na vida: somos mais do que seres cumpridores de expectativas (nossas e alheias) - somos demasiado humanos, como já dizia Nietzche… E essa humanidade requer uma certa subjetividade que está em falta hoje em dia. Todos andam tão rudes, tão pragmáticos, tão secos e tão cegos diante das emoções que nos cercam. Cadê a poesia? Ficou obsoleta? Fora de moda?

 

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Acho que é isso que vamos tentar responder amanhã - e mesmo que não encontremos a resposta, só falar a respeito já vai ser delicioso, tenho certeza. Se puder, apareçam. 

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Um dia especial, hoje: minha filha passou no vestibular. Eu estava sozinha em casa, por volta de 16 horas, quando saiu o listão. Conferi na internet. Estava lá o nome dela, em sétimo lugar no Jornalismo da PUC. Chorei que me acabei. Não via a hora de abraçá-la. Passar no vestibular parece uma coisa tão trivial, não é?

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Não é.

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A vida é feita de começos e recomeços, sempre. Hoje começa uma nova fase pra ela, entre tantos recomeços que ela ainda terá. É bacana ver a vida se cumprindo, a vida caminhando. Poesia!

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Na volta a gente conversa, sexta estou aqui.

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Beijos!

 

 

 

Postado por martha medeiros

Marilia Gabriela Entrevistada

09 de dezembro de 2008 27

Dessa vez ela pulou pro outro lado do balcão: em vez de entrevistar, foi entrevistada. E eu estava na platéia, lógico. Foi ontem, segunda-feira, numa sala de cinema do shopping Praia de Belas, em Porto Alegre.

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Minha admiração pela jornalista Marilia Gabriela vem de muito tempo, desde a época do TV Mulher, e permaneceu durante as entrevistas do Frente a Frente, Cara a Cara, esses programas com nomes parecidos, até chegar onde ela está hoje, no GNT. Já tive a honra de ser entrevistada por ela duas vezes, e vocês não imaginam meu nervosismo diante da super Gabi. Nas duas entrevistas, conheci seu lado profissional. Mas, ontem, ao vê-la tão à vontade num bate-papo informal, confirmei tudo o que eu pensava sobre sua versão “por trás das câmeras”. 

 

*

São raros os seres que conseguem escapar de um rótulo. A maioria das pessoas ou é jovem, ou é velha. Ou é careta, ou é moderna. Ou é linda, ou um tribufu. Nossos olhos são preguiçosos, querem ver um produto acabado, algo que não convide à investigação. E como sempre prezei as mesclas, acho  essa visão estática demais. As contradições, sim, é que movimentam a vida e tornam as pessoas mais interessantes.

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Ontem ela nos ofereceu uma conversa deliciosa. Falou, claro, sobre o livro que está lançando, “Eu que amo tanto”, onde ela reúne depoimentos de 13 mulheres que freqüentam o MADA (Mulheres que Amam Demais Anônimas). Comprei o livro e dei uma rápida espiada antes do evento começar, mas já deu pra perceber que não se trata de amor, e sim de obsessão. Qual a diferença entre uma coisa e outra? A perda do controle. Quando eu terminar a leitura, a gente conversa mais. 

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Afora divulgar o livro, Gabi contou sobre os bastidores da célebre entrevista com Madonna uns 10 anos atrás (traumática, segundo ela), contou curiosidades sobre a mediação que fez (acho que em 1989) do debate televisivo entre presidenciáveis, contou da crise depressiva que teve quando começou a chegar perto de completar 60 anos (totalmente superada), e falou sobre amor, lógico. Alguém da platéia perguntou qual o segredo para um casal manter-se unido. As pessoas sempre acham que existe um segredo…

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Ela respondeu que isso depende de um mix de acertos, lógico, mas pra ela o mais importante é ter um homem que a faça rir, e ela da mesma forma: que o divirta, que o estimule. Isso parece simplista, mas que nada. Concordo com Marilia Gabriela: é impraticável uma relação sem leveza, sem que um e outro troquem muitos sorrisos, sem que se comuniquem através do bom humor (não estou falando de contadores de piadas – blagh!). Estou falando em sintonia fina, em repartir a mesma alegria de viver. Sério, acho tão importante quanto sexo e amor. 

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Tem muita gente que acha Gabi um general. É uma idéia preconceituosa, pois ela é doce, é divertida e é mulher. Sim, uma mulher grandona, com uma voz penetrante, com opiniões bem colocadas. Mas, ainda assim, uma mulher, ora. Por que uma mulher só pode ser considerada como tal se aparentar ser frágil e insegura?  

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Vida longa à Marilia Gabriela.  

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Quanto ao Rio, amanhã eu conto exatamente como vai ser o evento. Mas já adianto que será dia 11, quinta, às 18:30h, no auditório do Centro Cultural Banco do Brasil (centro). Entrada gratuita mediante distribuição de senhas uma hora antes de começar. Creio que não haverá livros a venda. 

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Beijos!

      

 

 

       

Postado por martha medeiros