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Posts de janeiro 2009

Até breve

31 de janeiro de 2009 44

Amanhã estou pegando a estrada – e não é pouca estrada: 750km pela frente até o local do meu destino. Mas viajar não me cansa, é das coisas que mais gosto na vida.    

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Vou tentar postar alguma coisa quando estiver fora, mas se não der, não fiquem chateados, preciso dar uma desligada mesmo, descansar. Esse 2009 que recém está começando promete ser bem agitado profissionalmente. Em março já tenho muitos eventos agendados. Vou visitar Butiá e São Marcos, cidades do interior do Rio Grande do Sul, e participar de alguns outros encontros relacionados ao Dia Internacional da Mulher. Devo voltar ao Rio também, e acompanhar o lançamento do filme Divã. Aliás, em vez de poemas, hoje deixo pra vocês um link pra assistirem ao trailer do filme. É só o que assisti até agora. Vamos torcer juntos para que seja um sucesso. Divertido, certamente deve ser. O elenco é ótimo e o diretor é o José Alvarenga, o mesmo de “Os Normais”. 

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http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL975950-7084,00-ASSISTA+AO+TRAILER+INEDITO+DA+COMEDIA+DIVA+COM+LILIA+CABRAL.html

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Então é isso. Aproveitem bem o mês de fevereiro e até a volta! Beijos! 

 

Postado por martha medeiros

Poemas

28 de janeiro de 2009 35

sou uma mulher madura

que às vezes anda de balanço

sou uma criança insegura

que às vezes usa salto alto

sou um mulher que balança

sou uma criança que atura 

 

Touché, Nathália. Esse é um poema antiiiiigo pra caramba, eu devia ter menos de de 20 anos quando escrevi. Foi publicado no meu primeiro livro, o Strip-Tease, de 1985, e depois entrou na coletânea Poesia Reunida. Apesar de ter sido escrito há tanto tempo, ele ainda me revela 100%.

 

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No Poesia Reunida há também aquele poema que comentei uma vez, sobre levar um tiro. Será que cheguei a comentar? Não lembro. É assim: 

se você nunca levou um tiro

eu conto como é

não tem crononologia

primeiro o disparo, depois a dor

nada disso, você ouve o disparo muito depois

e bem fraquinho, só um eco

porque você não acredita no que aconteceu

aliás, esqueça a dor

tiro não dói

tiro é um impacto que você sente

e não sabe que é tiro

pensa que o sutiã arrebentou

que foi atingido pelo Cupido

que as artérias ficaram velozes de repente

você não sente o buraco que ficou

você não ouve sirenes

você sabe que algo aconteceu de importante

mas não é na morte que você pensa

você não repassa sua vida

como acontece com os afogados

você sabe que o tempo parou

mas não consegue chamar ninguém

a verdade é que você foi irremediavelmente surpreendido

e é isso que é esquisito

todo o sangue converge para o mesmo ponto

lá onde ficou a bala

todo o seu corpo vai dar boas-vindas a este corpo estranho

e você se contrai

você enfraquece

não raciocina como todo mundo

não articula a voz

ainda não há medo

e já se passaram quatro segundos

nada é rápido, nada é dramático

um tiro é o que há de mais definitivo

não machuca, não rasga

não estraga

é só o parto prematuro

de uma nova vida que te traga

 

Escrevi esse poema também há um tempão, e até hoje me perguntam em entrevistas como é que eu posso ter escrito isso sem ter levado um tiro de verdade. É que levei. Só que foi num sonho. Um sonho assombrosamente real. Quando acordei, corri pra máquina de escrever (eu avisei que foi há um tempão) e deu nisso. Qualquer dia coloco outros poemas aqui.

 

 

Dia 1, domingo, vou sair de férias. Ficarei 15 dias fora, mas, se der, passarei numa lanhouse e darei uma atualizada no blog, porque vocês sabem, quando eu digo férias, significa: sem celular, sem computador, sem nada que me desvie do dolce far niente merecido. Mas antes de viajar ainda volto aqui pra mais um papo e um tchau. Beijos!

 

 

 

 

Postado por Martha Medeiros

Rio de Janeiro

26 de janeiro de 2009 40

Voltei do Rio depois de quatro dias, quase todos abaixo de chuva. Mas não importa, uma das razões da minha ida era encontrar uma superamiga que mora fora do Brasil e que estava lá a trabalho, e para esses reencontros pouco importa a meteorologia. Ainda assim, faça-se justiça: ontem, domingo, o tempo colaborou e peguei um sol ótimo, andava muito desbotada.

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Quando cheguei na quinta, fui jantar com os queridíssimos Malu Mader e Tony Belotto: foi uma noite divertida e inteligente, e saí do restaurante com o compromisso inadiável de assistir ao documentário sobre a trajetória dos Titãs – lá no Rio só se fala bem a respeito. Vou tentar ir nesta semana. 

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Na sexta de manhã, a indiada do ano: ir ao consulado americano solicitar visto de entrada no país. Chovia!! Eram 7:30h e a fila era grande, e pior, ao relento, sem abrigo. Nessas horas é bom ter uma reserva de paciência. Aos poucos ela andava (a fila anda, não é o que dizem?) e quando vi estava dentro do consulado. Mais um período de espera, registro de digitais, distribuição de senhas, até que chega a última das filas, quando o pessoal treme: é a hora da entrevista propriamente dita. Eram quatro guichês, todos com microfones, ou seja, dá pra ouvir tudo o que os gringos perguntam para cada candidato a turista: em que trabalha, quanto ganha, enfim, a privacidade vai para as cucuias. Tive a sorte de ser entrevistada por uma moça que não estava muito a fim de papo, e em três perguntas ela liquidou a questão: me concedeu o visto. Duas horas de fila para 30 segundos de análise, sem pedir um único documento do calhamaço que eu havia levado. Foi assim. Saí de lá, troquei de roupa no hotel e, aproveitando uma trégua da chuva, fui caminhar no calçadão de Ipanema para desopilar daquele ritual chato e burocrático.

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Mas, à tarde, voltou a chover, e então optei por um programinha maneiro: pegar um filme na Casa de Cultura Laura Alvim, ali quase no Arpoador. Fui ver Juventude, filme brasileito dirigido e escrito por Domingos Oliveira, um dos nomes que mais admiro no cinema nacional. A história é simples: três homens entre 60 e 70 anos, velhos amigos, se reúnem na casa de um deles para passar o final de semana e conversar sobre a vida que levaram até ali, o que fizeram de certo, de errado, o que valeu, o que não valeu, e o que ainda pode ser feito com o restinho de futuro que ainda há. É ótimo! Primeiro, porque é muito raro encontrar um roteiro que discuta a passagem do tempo pelo ponto de vista masculino. Segundo, porque os três amigos eram interpretados pelo próprio Domingos e mais Paulo José e Aderbal Freire, três atores especiais. Em terceiro, porque o filme não é piegas, ao contrário, é inteligente, doce, melancólico e divertidíssimo, eu ri muito com as ironias do personagem do Domingos. Aliás, a fronteira entre personagem e realidade é muito tênue – na verdade, são três grandes seres humanos fazendo um compacto dos seus melhores e piores momentos, dando sabor às cafajestadas inerentes à “raça” e demonstrando uma sensibilidade e uma propensão para o amor que raras vezes os homens expõem.

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Há mais a dizer sobre o filme, devo escrever uma crônica sobre ele. Mas desde já, fica a dica, e vá rápido, porque infelizmente não é o tipo de filme que se mantém muito tempo em cartaz, ainda mais nessa época pré-Oscar, em que os blockbusters invadem as telas.

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Fiz algumas reuniões de trabalho e tudo indica que meus textos voltarão ao teatro esse ano - dessa vez, livremente inspirando uma peça que deve estrear no segundo semestre. Por enquanto, me pediram para não falar nada a respeito – tenho que respeitar a superstição alheia. 

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Descoberta: uma lojinha minúscula que é o paraíso dos chinelos havaianas, tem de todos os tipos e cores e estampas, mas o que é mais legal: você pode customizar a sua lá mesmo, é só levar sua havaiana velha de guerra e transformá-la em nova. O pessoal da loja vende pequenos broches para serem colocados em uma das tiras (você pode abarrotar o chinelo de pequenos broches, se quiser, mas eu acho mais charmoso se for um único broche em cada pé) e sair de lá com os pés personalizados. É uma biboca que está sempre lotada de turistas estrangeiros e fica na rua Farme de Amoedo, em Ipanema (se eu encontrar o cartão que me deram, confirmarei o endereço). 

*

Outra descoberta: nessa curta viagem, fui apresentada ao som de uma cantora chamada Katie Melua, de quem nunca tinha ouvido falar. Cool, sofisticada, uma voz linda. Irlandesa, eu acho, mas não estou certa (nunca estou certa de nada!!) Vou pesquisar mais sobre ela no google. Não sei se ela tem discos lançados aqui, parece que não. Quem souber, me avise.

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Almocei num bistrô charmoso ali em Ipanema, na Barão da Torre quase Garcia D´Avila, chama-se Le Vin. Um casarão antigo com mesinhas na calçada, com toalhas xadrezinhas em branco e azul, um charme total  e onde come-se superbem – mas o Rio tem opções para todos os bolsos e um bom boteco não dá pra dispensar, já que esses, sim, são a cara da cidade. Encarei um no Baixo Gávea na noite de sábado, e olha, fazia tempo que eu não voltava pra casa às duas da manhã. É a alma carioca chamando pra noite. Não há como recusar o convite.  

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Por enquanto, fico por aqui. Um beijão e um ótimo começo de semana – que seja ensolarado para todos!      

 

Postado por Martha Medeiros

Oba! É como apelidei Obama.

21 de janeiro de 2009 45

Não há dúvida de que ontem foi um dia histórico. O presidente Obama promete uma atitude que pode reconfigurar o mundo. Fim do embargo econômico a Cuba, fim de Guantanamo, fim da guerra contra o Iraque, negociação de igual pra igual com países latino-americanos, refortalecimento da economia. Por enquanto, tudo uma aposta. Claro que a torcida é grande. Mas uma vitória já está conquistada: não é pouca coisa um negro no comando da (ainda) maior potência mundial. A visibilidade de Obama é um trunfo: o mundo já começa a ser mais bicolor. Ontem, na tevê, era grande a quantidade de negros sendo focalizados. Fico comovida ao ver esse grande passo acontecer: o surgimento de  uma sociedade menos racista. As coisas não mudarão de um dia para o outro, mas avançaram muito. 

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Ouvi de uma negra, ontem: “Se esse cara fizer alguma besteira, não faltará quem traga à tona a velha piada de que os negros etc, etc”. Não concordo. Mesmo que Obama se esforce para errar, não fará mais besteira do que fez o branquela Bush. A vitória da raça é inquestionável, aconteça o que acontecer daqui pra frente. 

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A posse de Obama é um marco democrático de extrema relevância, e começa pela igualdade racial. Mil fogos de artifício!!!!

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Sessão futilidade: sou mais uma entre as milhares que gosta do estilo Michelle Obama de ser. Mulher de personalidade. Isso também é um marco, ela não será um bibelô. E já que falam tanto em visual, adorei as luvas verdes que ela usou durante a posse. Tenho absoluta certeza de que luvas coloridas serão o must have do próximo inverno brasileiro, nos Estados onde o inverno ainda existe.

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Estou quase saindo de férias, mas já começo a vislumbrar minha agenda 2009. Praticamente confirmados: Ribeirão Preto em junho, Belo Horizonte em agosto.

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Pra finalizar, oba!! Sorte pra Obama.

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Como já disse, estou indo pro Rio amanhã. Prometo voltar com histórias pra contar. Beijos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Postado por Martha Medeiros

Livros para as férias

20 de janeiro de 2009 26

Para os que perguntaram se minha filha passou no vestibular da Ufrgs: não deu. Mas sem stress, pois ela passou no da PUC e está satisfeita com a nova vida que começa em março. Valeu pela torcida.

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Que Big Brother, que nada. Conheço um monte de gente legal que assiste esse programa, mas não consigo gastar meu tempo vendo aquele amontoado de abobrinhas. Para quem, como eu, prefere  utilizar melhor suas horas livres, recomendo um livro excelente: Desculpem, sou novo aqui, de Carlos Moraes. Alguns anos atrás eu já havia adorado o seu Agora Deus vai te pegar lá fora (os títulos são excelentes). Carlos mescla vida real e ficção, e tem um texto agradável, inteligente, maneiríssimo. No primeiro livro, ele conta sobre os nove meses (hilários!) em que ficou preso numa cadeia do interior do Rio Grande do Sul por causa de um sermão que fez numa missa e que lhe deu fama de comunista. Pois é, ele era padre! Nesse novo livro, ele já deixou a cadeia e a batina, e está chegando pela primeira vez em São Paulo, com uma mão na frente e outra atrás, em busca de emprego - virgem de trabalho, virgem de cidade grande, virgem da vida! Não pensem que é um livro ingênuo, ao contrário, tem uma ironia e uma molecagem poética que fazem com que a gente não consiga desgrudar das suas páginas. Eu parei apenas pra dar esse toque aqui e já vou voltar pro livro. Pois é, estou recomendando antes de terminar a leitura, pra vocês verem como confio nesse autor. Semana que vem ele estará em Porto Alegre autografando na Livraria Cultura. Será dia 28, às 19:30h. Eu vou! Quero comprar um exemplar para um amigo que também vai curtir muito. 

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E dia 06 de fevereiro a Martha Mendonça e o Nelito Fernandes, que são casados, autografam no Rio o livro Eu e Você, Você e Eu. Martha escreve o personagem feminino (Mariana) e Nelito o masculino (Marcelo). Eu já li o livro e escrevi uma rápida apresentação, que eles colocaram na contracapa. Repoduzo aqui pra vocês: 

          Marcelo e Mariana. A primeira cantada. O início do namoro. O casamento. O filho. A separação. As mágoas. A segunda tentativa. Parece uma história como outra qualquer (como a nossa, por exemplo), mas o livro não foi escrito a duas mãos por acaso: Martha Mendonça revela para os leitores homens o que passa pela cabeça de uma mulher nessas situações. E Nelito Fernandes abre para as leitoras como funciona o cérebro masculino nessas mesmíssimas situações. Eureca! É tudo o que a gente queria: uma mesma história de amor contada simultaneamente pelos dois lados. O resultado? Dois, também. O primeiro é que está provado que viemos de  planetas distintos, a suspeita está definitivamente confirmada. O segundo: o livro é daqueles que não dá para largar antes do final. Comos os amores verdadeiros, aliás.

Infelizmente não poderei estar no Rio dia 6, mas se você estiver, passa lá e pega o autógrafo deles. Vai ser às 19h, na Livraria Da Conde, no Leblon

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Aliás, estou indo para o Rio nessa quinta-feira, mas vai ser rapidinho, volto domingo. Certamente retornarei com novidades, vou encontrar algumas pessoas bacanas e também estou com uma entrevista agendada no Consulado Americano para solicitar um novo visto de entrada nos Estados Unidos (o meu expirou faz anos). Será que o país de Obama abrirá as portas pra mim?

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Beijos!!

 

 

  

 

 

   

Postado por Martha Medeiros

Filmes em DVD

16 de janeiro de 2009 35

Olá.

Assisti a dois bons filmes em casa nesses últimos dias. Caso você seja um dos raros que não escapa para a praia nos finais de semana de verão, fica a dica:

Primeiro assisti O Clube de Leitura de Jane Austin, que conta a história de 5 mulheres e um homem que se reúnem periodicamente para discutir os livros da romancista britânica Jane Austen, que morreu em 1817 e que alguns consideram a figura literária mais importante da Inglaterra depois de Shakespeare. Admito envergonhada que nunca li Jane Austen, mas vou fazê-lo, taí mais uma meta para esse ano que entra. Falando assim, parece daqueles filmes hiperintelectualizados, mas não se assuste: é um filme doce, humano, engraçado e moderno, com um ótimo elenco e um ótimo astral. Claro que quem já leu Jane Austen aproveita muito mais, porém dá pra assistir na ignorância, como eu, e curtir bastante. 

O outro é o filme francês  O Escafandro e a Borboleta, esse um pouco mais conhecido porque concorreu a muitos prêmios ano passado. É a história verídica de Jean-Dominique Bauby, que era editor da revista Elle e aos 42 anos sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) que o deixou com o corpo inteiro paralisado. Sem poder falar ou se mexer, ele passou a interagir com o mundo apenas através do seu olho esquerdo. Aprendeu um método de comunicação feito de piscadas e assim conseguiu ditar um livro inteiro onde conta seu drama. Um trabalho de persistência impressionante. Esse livro foi um sucesso e originou o filme. A  gente às vezes reclama que não acontece nada na nossa vida… Pois até paralisado numa carreira de rodas, dentro de um hospital, a vida acontece.

É isso. Aproveite com entusiasmo seu sábado e domingo!

Beijos.

 

 

 

 

Postado por martha medeiros

Respondendo aos leitores

14 de janeiro de 2009 96

Ó eu aqui de novo. Inspirada?? Pouco. Mas vamos lá. O encontro que Claudia Tajes e eu fizemos na livraria Saraiva, segunda-feira passada, foi bem legal, com uma platéia interessada e carinhosa. E os apresentadores eram os “homens de perto” Zé Victor Castiel, Rogério Beretta e Oscar Simch, esse último no comando do microfone, então não tinha como não estar divertido. Quem quiser ver fotos do evento, é só entrar no site da Silvana, uma leitora que estava lá e que postou comentários no blog dela: www.perelecasblog.blogspot.com

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Respondendo alguns leitores: A Vera, de São José do Rio Preto, SP, pede que eu reproduza aqui o texto “Até que o ronco os separe”. Olha, Vera, acho que não é meu não. A não ser que eu esteja muito gagá e tenha esquecido, mas estou quase certa de que nunca escrevi sobre o ronco. Creio que essa é mais uma clonagem circulando pela internet. Falando nisso, dá pra acreditar que estão falando de novo sobre aquele meu texto creditado ao Neruda?? Meu Deus, o homem é um Nobel de Literatura, não merece que essa patuscada continue… e nem eu! No verão passado o rolo aconteceu na Itália, e agora foi na Espanha – jornalistas repassaram meu texto como mensagem de final de ano e o atribuiram a Neruda. Descoberto o engano, agora estou, pela milésima vez, dando explicações para os jornais. Eu sei, deveria me sentir honrada… No começo, até achava engraçado, mas faz uns seis anos que eu declaro que “Muere lentamente” é na verdade meu texto “A morte devagar”, publicado em 2001. Será que um dia isso vai ficar definitivamente esclarecido? Se não por mim, pela memória do mestre chileno.     

 

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Carla, não vou poder estar no final de janeiro na Feira do Livro da praia do Cassino, mas obrigada pelo convite!

 

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Cristina de Freitas, essa história do meu texto pintado na parede de uma casa é incrível. Essa casa ficava em Torres, lembro que era linda, eu passava de carro por lá (sem saber da história) e ficava admirando, até que descobri, através de uma matéria sobre decoração, que a parede da sala dessa casa trazia um trecho de uma crônica minha. Aí comecei a passar com mais vagar e “me” vi lá dentro: uma emoção. Dava vontade de parar e conversar com a proprietária, mas nunca tive coragem. Agora ouve essa: semana passada eu entro no elevador do meu prédio e havia uma senhora que eu não conhecia. Ela me cumprimentou, perguntou se eu era a Martha, confirmei, e então ela se apresentou: era a dona da casa! Estava no meu prédio visitando uma amiga. Disse que vendeu a casa, mas que quando comprar outra vai colocar um texto meu de novo na parede. Não é incrível essa história? Agora a má notícia: não lembro que texto era esse, juro!! Alguma coisa sobre o bem viver, mas é de uma crônica antiga, não tenho mesmo como localizar. Se eu souber alguma coisa a respeito, te aviso. Obrigada pelo teu interesse. 

 

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Sibele, o texto que você pede se chama “O grito” e está publicado no meu livro Montanha Russa. Vou reproduzir aqui, mas, olha, não vai dar para eu reproduzir tudo o que me pedem. Vou fazer o possível, de vez em quando. E a todos os outros que escreveram, obrigada e um beijão!

 

                                                 O GRITO

 

         Não sei o que está acontecendo comigo, diz a paciente para o psiquiatra.

         Ela sabe.

         Não sei se gosto mesmo da minha namorada, diz um amigo para outro.

         Ele sabe.

         Não sei se quero continuar com a vida que tenho, pensamos em silêncio.    Sabemos, sim.

         Sabemos tudo o que sentimos porque algo dentro de nós grita. Tentamos abafar este grito com conversas tolas, elocubrações, esoterismo, leituras dinâmicas, namoros virtuais, mas não importa o método que iremos utilizar para procurar uma verdade que se encaixe nos nossos planos: será infrutífero. A verdade já está dentro, a verdade se impõe, fala mais alto que nós, ela grita.

         Sabemos se amamos ou não alguém, mesmo que esteja escrito que é um amor que não serve, que nos rejeita, um amor que não vai resultar em nada. Costumamos desviar este amor para outro amor, um amor aceitável, fácil, sereno. Podemos dar todas as provas ao mundo de que não amamos uma pessoa e amamos outra, mas sabemos, lá dentro, quem é que está no controle. 

         A verdade grita. Provoca febres, salta aos olhos, desenvolve úlceras. Nosso corpo é a casa da verdade, lá de dentro vêm todas as informações que passarão por uma triagem particular: algumas verdades a gente deixa sair, outras a gente aprisiona. Mas a verdade é só uma: ninguém tem dúvida sobre si mesmo.

         Podemos passar anos nos dedicando a um emprego sabendo que ele não nos trará recompensa emocional. Podemos conviver com uma pessoa mesmo  sabendo que ela não merece confiança. Fazemos essas escolhas por serem as mais sensatas ou práticas, mas nem sempre elas estão de acordo com os gritos de dentro, aquelas vozes que dizem: vá por este caminho, se preferir, mas você nasceu para o caminho oposto. Até mesmo a felicidade, tão propagada, pode ser uma opção contrária ao que intimamente desejamos. Você cumpre o ritual todinho, faz tudo como o esperado, e é feliz, puxa, como é feliz. E o grito lá dentro: mas você  não queria ser feliz, queria viver!

         Eu não sei se teria coragem de jogar tudo para o alto.

         Sabe.

         Eu não sei por que sou assim.

         Sabe.

 

                                                                           Martha Medeiros                     

 

                     

 

Postado por Martha Medeiros

Desejo que desejes

12 de janeiro de 2009 46

A leitora Isis, de Cachoeirinha, deixou uma mensagem aqui no blog dizendo que há anos guardava um texto meu que ela gostava muito, “Desejo que desejes”, mas que perdeu o recorte de jornal e não sabe como reaver a crônica. Isis, por coincidência, esse é um dos meus textos preferidos. Foi publicado em Zero Hora por volta de 2003, e está eternizado no meu livro Montanha-Russa. Como ando meio sem inspiração, vou reproduzir o texto aqui, até porque ele é poético e tem muito a ver com o astral de recomeço de ano. Taí o que eu desejo pra todo mundo! Beijos!

 

                                            DESEJO QUE DESEJES

  

         Eu desejo que desejes ser feliz de um modo possível e rápido, desejo que desejes uma via expressa rumo a realizações não utópicas, mas viáveis, que desejes coisas simples como um suco gelado depois de correr ou um abraço ao chegar em casa, desejo que desejes com discernimento e com alvos bem mirados. 

         Mas desejo também que desejes com audácia, que desejes uns sonhos descabidos e que ao sabê-los impossíveis não os leve em grande consideração, mas os mantenha acesos, livres de frustração, desejes com fantasia e atrevimento, estando alerta para as casualidades e os milagres, para o imponderável da vida, onde os desejos secretos são atendidos.

         Desejo que desejes trabalhar melhor, que desejes amar com menos amarras, que desejes parar de fumar, que desejes viajar para bem longe e desejes voltar para teu canto, desejo que desejes crescer e que desejes o choro e o silêncio, através deles somos puxados pra dentro, eu desejo que desejes ter a coragem de se enxergar mais nitidamente.

         Mas desejo também que desejes uma alegria incontida, que desejes mais amigos, e nem precisam ser melhores amigos, basta que sejam bons parceiros de esporte e de mesas de bar, que desejes o bar tanto quanto a igreja,  mas que o desejo pelo encontro seja sincero, que desejes escutar as histórias dos outros, que desejes acreditar nelas e desacreditar também, faz parte este ir-e-vir de certezas e incertezas, que desejes não ter tantos desejos concretos, que o desejo maior seja a convivência pacífica com outros que desejam outras coisas.

         Desejo que desejes alguma mudança, uma mudança que seja necessária e que ela não te pese na alma, mudanças são temidas, mas não há outro combustível pra essa travessia. Desejo que desejes um ano inteiro de muitos meses bem fechados, que nada fique por fazer, e desejo, principalmente, que desejes desejar, que te permitas desejar, pois o desejo é vigoroso e gratuito, o desejo é inocente, não reprima teus pedidos ocultos, desejo que desejes vitórias, romances, diagnósticos favoráveis, aplausos, mais dinheiro e sentimentos vários, mas desejo antes de tudo que desejes, simplesmente.

 

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Postado por Martha Medeiros

Bom final de semana!

10 de janeiro de 2009 27

Desculpem, faz quase uma semana que não apareço, mas não foi por desatenção,  e sim por absoluta falta de assunto. Tenho hibernado essas últimas semanas, me reenergizando para esse ano que recém começa. Preciso mesmo descansar, tanto o corpo quanto a mente. Tenho trabalhado direto no meu novo livro e tenho saído pouco de casa. Estou totalmente na minha e em paz. Mas minha reclusão está com os dias contados, já já eu volto pro agito da vida. 

 

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Na próxima segunda-feira, dia 12, estarei com a escritora Claudia Tajes participando de um bate-papo promovido pela editora L&PM na livraria Saraiva do shopping Praia de Belas. A gente receberá os leitores para responder perguntas e autografar nossos livros. Quem estiver em Porto Alegre, é só aparecer. O evento é gratuito e começa às 19h. 

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Um beijo e ótimo final de semana a todos!!

 

 

 

 

 

Postado por Martha Medeiros

Feliz dia novo

04 de janeiro de 2009 57

Domingo pela manhã, chuva lá fora, friozinho. Levei minha filha às 7:30h para fazer a prova do vestibular (agora na Federal) e voltei pra cama acompanhada do jornal, da revista Veja e da revista Bravo. Ando preocupada, pois tenho que escrever uma matéria sobre moda para uma revista de São Paulo e nada de inspiração (há dias estou hibernando em casa com aquele tipo de roupa que é melhor nem comentar). Pois eis que as páginas amarelas da Veja trazem uma entrevista com o estilista Narciso Rodriguez, que tem uma visão do assunto muito parecida com a minha. E, na mesma edição, uma matéria sobre o blog The Sartorialist, que traz fotos de transeuntes clicados por Scott Schuman e que revela o que há de mais bacana em estilo de rua. E, pra completar, até a Bravo, que não costuma publicar matérias desse tipo, mostrou a moda feita por um estilista paraense que se inspira no cinema chinês para criar seus modelos. Ora, ora, é o que chamo de munição. Minha cabeça agora fervilha: moda, moda, moda. Ao trabalho!

*

Antes de começar a escrever a matéria, abri minha caixa de e-mails e de cara encontro uma mensagem da Maria Adelaide Amaral agradecendo o meu toque sobre a minissérie Queridos Amigos. Caramba, eu sou completamente fã dela e inicio meu domingo recebendo palavras carinhosas dessa supermulher. Uau.

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Citei esses dois exemplos pra mostrar como é que eu pretendo levar esse 2009. Em vez de pensar num feliz ano novo, o lance é pensar num feliz DIA novo. Um dia que, como hoje, pode conspirar a favor colocando no teu colo matérias que te ajudarão a realizar um trabalho, e que te brinda com uma mensagem  inesperada de uma pessoa legal. E eu ainda pretendo dar uma adiantada no livro que estou escrevendo. E recuperei um CD antigo que eu não ouvia faz tempo e que está tocando nesse instante. E se o tempo melhorar vou dar uma caminhada à tardinha. E tenho certeza de que vou curtir a entrevista que o Lázaro Ramos dará pra Marilia Gabriela no GNT às 22h. 

 

*

Estou falando aqui de atividades excêntricas? Nada! Um domingo cinzento, veja só, pode ser um feliz dia novo. E olha que eu não sou nem um pouco fã de domingos. Meu DNA é defeituoso, porque tenho fissura pelas segundas-feiras, vá entender. Mas o que interessa é o seguinte: mantendo o espírito aberto, a gente valoriza as pequenas coisas, que no final das contas são as que acontecem toda hora, em detrimento das “grandes”, que são tão raras.

 

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Hoje, amanhã, depois de amanhã… feliz dia novo pra você. Mas faça sua parte: desamarre a cara e abra o olho.

 

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Beijos!

 

  

 

 

 

 

 

 

Postado por martha medeiros