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Percepções

27 de fevereiro de 2009 33

Respondendo a alguns leitores do blog:

Daiane, não estou sabendo dessa participação na Feira do Livro de Foz do Iguaçu, ninguém entrou em contato comigo até agora. Já estive em Foz uma vez, faz muito tempo, eu devia ter uns 14 anos e lembro que fiquei impactada com as cataratas. Seria legal voltar.

Mariana, se você não está encontrando os livros nas livrarias, pode comprá-los pela internet (sites da Saraiva, Submarino, etc) ou pedir informações através dos sites das minhas duas editoras, a L&PM (www.lpm.com.br) e a Objetiva (www.objetiva.com.br) Obrigada pelo interesse.

Priscila, sim, as crônicas do livro Non-Stop foram todas publicadas no jornal Zero Hora, de Porto Alegre.

*

Anderson, agora nós. Será mesmo que vimos o mesmo filme “O Lutador”? Existe um outro com o mesmo título, é de 2006 e o diretor é Isaac Florentine, mas creio que você viu o mesmo que eu, que ganhou o Globo de Ouro e tem Mickey Rourke no papel principal. Sabe, eu ando meio sensível em relação a filmes violentos, e estupidamente não assisti até hoje “Onde os fracos não têm vez”, dos geniais irmãos Coen (filme que ganhou o Oscar 2008) por não andar com muito estômago pra sangue e vísceras espalhadas pela tela. No entanto, “O Lutador” que eu vi (e que você também viu, mas viu de outra forma) me pareceu um filme terno, pode acreditar nisso? Só uma cena de luta me pareceu meio barra pesada, e essa cena dura quanto? Cinco minutos? Por trás dessa aparente brutalidade, o filme traz a história de um homem que gosta de crianças, que tenta resgatar o amor da filha, que se enamora de uma stripper e faz dela sua melhor amiga, que tenta levar uma vida “normal” como atendente de um açougue e que respeita seus adversários e sua história de vida. Mas, enfim, essa é a minha leitura do filme – cada um faz a sua. E isso é que é incrível e que vale a pena salientar: como cada um de nós enxerga o mundo sob um determinado ponto de vista, e como todos nós temos razão. Você tem razão em achar que o filme pode ser resumido com a palavra “decrepitude”, se assim lhe parece. Eu tenho razão em resumí-lo com a palavra “doce”, se assim me parece. Sei que existe a violência física e a violência emocional, e essa última, concordo com você, aparece nesse filme e em milhares de outros: é a violência do conflito interno. “Foi tudo um sonho”, de Sam Mendes, me pareceu bem mais violento que “O Lutador”, por exemplo. Belos e comoventes filmes, cada um a seu modo. De qualquer forma, extraio do seu post essa reflexão que é sempre instigante: o que é melancólico pra um, pode ser divertido pra outro. O que é bonito aos olhos de alguém pode ser tenebroso aos olhos de outro – nenhuma novidade nisso, mas fico animada cada vez que essa verdade se confirma, pois é essa divergência que, se não salva o mundo, ao menos o movimenta. 

*

Beijos!!

 

 

Postado por Martha Medeiros

Comentários (33)

  • Adriano de Oliveira diz: 27 de fevereiro de 2009

    Se “O Lutador” é um filme terno? Sim, concordo com você, Martha. A ternura do filme de Aronofsky supera a violência na maior parte da projeção. Você se referiu neste post a um filme de mesmo nome, de 2006. Não lembro desse, mas recordo de um “O Lutador” de 1997, estrelado pelo Daniel Day-Lewis e dirigido pelo Jim Sheridan, já ao apagar das luzes de uma época em que se faziam filmes sobre o IRA – o Exército Republicano Irlandês. E esse filme tb tem uma boa história. Vale conferir. Um abraço!

  • Guilherme André Jappe diz: 27 de fevereiro de 2009

    Assiti ao filme O Lutador com Mickey Rourke e tive as mesmas percepções que você teve quanto à história. Aliás, sobre todos os filmes mais falados do final de 2008 e início de 2009, assisti Quem quer ser um milionário, O Curioso Caso de Benjamin Button, O Lutador, Dúvida, Milk e a Troca. Minha percepção do Benjamin foi a mesma que a sua. Para mim os melhores filmes até agora foram Milk e O Lutador, a Troca em segundo lugar, mas quase lá.

  • fernanda rosa coelho diz: 27 de fevereiro de 2009

    Martha..que bom q tu voltou…todos os dias acesso o blog louca q tu tenha escrito algo!!!mas estou escrevendo so para te dizer o seguinte…não perca teu precioso tempo assistindo Onde os fracos não tem vez!e muito ruim…só não e pior q o corte de cabelo do Javier barden…q é Medonho!!! beijoss s

  • Simone F. Cassol diz: 4 de março de 2009

    Oi Martha, estou escrevendo apenas para te encorajar a assistir o tão falado “Onde os fracos não têm vez”, pois na verdade não tem tanta violência, já vi outros filmes com muito mais. E tb não achei o filme tudo o q falam, o q salva é a atuação do ator principal.

  • Helo Flôres diz: 28 de fevereiro de 2009

    Oi, Martha.
    Não assisti O Lutador ainda, e também demorei um tempão prá ver o filme dos Cohen, que aqui em Portugal levou o nome de “Este país não é para velhos”.
    Assisti no outro dia…sinceramente, não fazia a mínima idéia de que seria como é. Tinha outra expectativa. Não gostei. Nada. Pode ter sido oscarizado até às últimas, mas não me tocou em nada.
    Fiquei até indignada quando o filme terminou.
    Sei lá.
    Abraço grande. Continuo a acompanhar o teu blog sempre, daqui de Lisboa. Helô

  • Daiane Braghin diz: 2 de março de 2009

    Oi, Martha! Essa amiga que me contou faz parte da comissão organizadora da feira, ela também é escritora. Espero que eles acertem logo e te façam o convite, assim tu já vai organizando tua agenda.
    As cataratas são belíssimas. Um encanto. Aquelas quedas maravilhosas causam impacto mesmo. Um impacto delicioso, claro!
    Nathi, vem pra cá também, boba! rs
    Martha, quero te deixar uma música lindona: http://www.youtube.com/watch?v=kV0ouWSNL7I
    Espero que goste! Ah, obrigada por me responder. Beijos

  • Juliana diz: 28 de fevereiro de 2009

    Olá querida…como sempre vc estrá certa,ca da pessoa assimila o que se passa da sua forma,conforme o que viveu e ainda vive..
    Bom ter vc de volta,estava com saudades!!
    Bjão,amanha nosso inter no GRENAL,heim?rs..

  • edu diz: 27 de fevereiro de 2009

    Meu Deus, digo eu! Ter q ler comentários desse Anderson (naum sou obrigado, mas fiquei curioso com esse post). Mickey Rourke é o vencedor “moral” do Oscar 2009, The Wrestler deveria estar entre os 5 finalistas, assim como O Casamento de Rachel, uma grande injustiça.

  • Anderson diz: 27 de fevereiro de 2009

    Olá Martha,
    Realmente adoro quando lido com pessoas extremamente educadas e que sabem respeitar as diversidades. Fico tentando imaginar todos iguais, utilizando as mesmas mercadorias, consumindo os mesmos produtos, mesmos DVD`s, filmes, livros… ECA! VIVA A DIFERENÇA! Obrigado pela forma gentil que respondestes meu post. Em tempo: Curto muito seus livros, suas crônicas. E não deixarei de ser seu fã por discordar do ponto de vista de apenas um filme. Certo? Um grande abraço. Anderson.

  • Julieta Barbosa diz: 27 de fevereiro de 2009

    Martha,

    A maneira delicada e atenciosa com que você recebe tanto críticas quanto elogios, faz de você um referencial de ser humano da melhor espécie. Não mude nunca, seja sempre igual – nesse sentido – pois o mundo seria mais triste sem pessoas como você. Ler os seus livros (ou acessar o seu blog) é ter uma aula de cidadania e de respeito pelo outro.

  • Tais Lopes de Queiroz diz: 27 de fevereiro de 2009

    Oi Martha,
    Admiro a forma como fazes da visão de outra pessoa, mesmo sendo diferente da sua consegues extrair algum ensinamento para refletirmos. Apenas gostaria de ressaltar que assiti “Os fracos não tem vez” e achei o filme sensacional apesar das violência é muito rico no roteiro e na atuação do ator principal, que não me recordo o nome. A Manipulação psicólogica desse filme é fantástica. Assita!!
    Beijos!

  • Juliana Amaral diz: 28 de fevereiro de 2009

    novo. E na medida que voce observa as pessoas na rua, vc repara que isto é uma realidade. Trabalho com imigracao e sempre preciso ir no consulado do Brazil em New York, nunca vi pessoas tão mal educadas como as que trabalham em um lugar onde eles deveriam ser os mais atenciosos com o público, já presenciei cada bate-boca que poderei escrever um livro, talvez se chame “Campo de Concentração Nazista – Consulado Brasileiro em Nova Iorque” Bom findi , bom te ter de volta!!! Beijo no Coração.

  • Diego diz: 4 de março de 2009

    Alo Marta. “Onde os fracos nao tem vez” nem é tao violento, mas como o pròprio titulo do filme diz nao deveria ter vez (ao menos nao no Oscar) porque é muito fraco :)
    (A propòsito, a Helo citou o titulo em Portugal, que se aproxima do original em ingles…moro na Italia e aqui, embora as vezes façam traduçoes meio besta – além do fato de no cinema nao passarem os filmes em lingua original, sò dublados! – o titulo deste tb se aproximou do original – “Nao é um pais para velhos”)
    Abraços

  • Roberto Schultz diz: 1 de março de 2009

    Pois é, Martha. Assisti a “O Lutador” e ele não é, definitivamente, um “filme de luta”. Mickey Rourke, assim como Charles Downey Jr. e outros atores tidos como “rebeldes” têm dado lições de que a vida pessoal não interfere na arte. E quando resolvem permitir que ela interfira, fazem limonada com ela.Sou fã de carteirinha de Sean Penn e, em MILK (assisti ontem) ele está ótimo, como sempre.Mas é apenas MAIS UM FILME sobre discriminação, seja qual for essa discriminação. O enredo não ajuda.

  • Claudia Maria diz: 1 de março de 2009

    Martha ,
    Parabens pelos comentarios sobre o filme ” O Lutador “. Entendo o ponto de vista do Anderson mas concordo plenamente com voce, a violencia emocional pode machucar muito!!
    ….”divergencia que , se nao salva o mundo , ao menos o movimenta”. Palmas pra voce Martha!!

    Claudia Maria

  • Nathália Hecz diz: 2 de março de 2009

    Dai, to iiindo! Rrsrsrsrs! pra Martha agora: Frejat dia 5, né, meu bem?! Aposto que tu vai! Eu adoraria ir, só pra me emocionar ouvindo Segredos, que música LINDA, fico boooba quando escuto! Beijo, Martha! Amo sempre! ;)

  • Mariane diz: 27 de fevereiro de 2009

    Olá Martha!
    Hum..queria que também tivesse comentado sobre o meu coemntário =( “ciumenta”
    Um beijão enorme pra ti e tô amando teu blog.
    Beijos!

  • RizolettaBastos diz: 27 de fevereiro de 2009

    “O que é melancólico pra um, pode ser divertido pro outro” Ah Martha, as vezes minha pretensão toma níveis estratosféricos e acho que vc escreve para definir meus sentimentos… E sensações!!! Aliás vc precisa agendar algo aqui no coração do centro-oeste!!! Minha Campo Grande é linda!!! Serás bem vinda ó guria!!! Bjos

  • isabel cristina diz: 28 de fevereiro de 2009

    Martha, gostaria de saber se um texto sobre elegância que circula pelos e-mails e blogs, é de sua autoria, pois não me lembro de ter visto em seus livros. O início: “Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, seja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos … … etc”
    Inclusive há várias versões….
    Obrigada.

  • Renata Maria de Campos diz: 28 de fevereiro de 2009

    Marta querida, amo suas cronicas,simplesmente amo,não sabia da existencia deste blog, agora que sei,prepare-se pois irei ser uma leitora assidua sua,ná verdade já sou através de livros, e internet!
    Mais com este blog, nossa,melhor ainda.!!!
    Te adoro viu!
    Beijão!!

  • Priscila Azevedo diz: 28 de fevereiro de 2009

    Obrigada Martha!

  • Nathália Hecz diz: 1 de março de 2009

    A Dai tinha comentado comigo sobre Foz! Ia ser legal se tu fosse, né?! Feira do livro sempre é bom, tanto pra ti quanto para os leitores. Beijão, Martha queridona!

  • Liliana diz: 27 de fevereiro de 2009

    Oi,Martinha…..belo post…..realmente,tudo depende da percepção.
    Tem dias q emociona o riso,o sol,um abraço,uma palavra afetuosa….e tem outros q estamos mais endurecidos…é a vida….já pensou todos os dias iguais????Vi Milk e gostei muito.Bom findi,bjos,Lili.

  • Juliana de Castro Malacco diz: 27 de fevereiro de 2009

    Marta como é bom ter seus posts de volta!
    Alegram as minhas tardes e ainda mando pra todas as suas fãs aqui do meu trabalho!!
    No fim do ano comprei 5 dos seus livros e amei todos… Tem uma longa fila de espera e briga entre as fanzocas para lê-los! Abraço e que bom que você voltou!!

  • Léia diz: 28 de fevereiro de 2009

    Bom dia, Martha!
    Você esta certa! Cada um interpreta os fatos da maneira que os assimila. Beijo em teu core.

  • Maria Luiza Bicca Bragança diz: 1 de março de 2009

    Oi Martha! Que bom que estás de volta… sentimos saudades! Tens razão, amanhã começa o ano de verdade e terminaram-se as molezas! hehe
    Boa semana.
    beijos

  • Rosanita Moschini diz: 28 de fevereiro de 2009

    Oi, Martha!
    Amei o que escreveste sobre as diferentes razões… pontos de vista, leitura de mundo que cada um temos. Acredito que seja exatamente isso que tempera os relacionamentos!
    Ao ler lembrei da citação:
    “Compreender que há outros pontos de vista é o início da sabedoria.” (Campbell)
    E não é verdade?
    E viva a diversidade!!!
    Beijos!

  • Fernanda Matheus Pallú diz: 28 de fevereiro de 2009

    Martha..só queria te parabenizar por colorir a vida das pessoas com as tuas palavras..simplesmente estou VICIADA em seus livros..e pulverizando você a todos os meus amigos..permitindo a eles a satisfação de ler vc … mto bom ser sua fã ;) continue com toda essa maravilha que é sua ARTE ..bjãOO Fê

  • Juliana Amaral diz: 28 de fevereiro de 2009

    …”Se não salva, ao menos o movimenta”. Amei, assim como a sua e a minha percepcao no filme Benjamin! O importante e ter opnião própria e trocar ideias. Estou lendo um livro muito bom chamado “War and Peace” do Leo Tolstoy, voce ja leu? este livro foi mencionado por Alexander Supertramp no filme Into the Wild lembra? do conflito que ele tinho por nao entender porque as pessoas sao tao mal educadas umas com as outras, e por que as vezes fazem mal pra elas mesma por nao ter força pra buscar o

  • Anna diz: 28 de fevereiro de 2009

    Ola Martha! Faco uma pergunta por curiosidade. Gostaria de saber se encontro os seu livros aqui na Europa, saudades de le-los. Tentei procurar em algumas livrarias online porem nao encontrei, se puderes dar-me una dica serei muito grata.
    Abracos

  • Fleur de Joie diz: 28 de fevereiro de 2009

    Oi Martha. Ontem li, no Doidas e Santas, você falando sobre esquecer de coisas triviais. Veja só: há alguns dias fui tomar banho e comecei a pensar sobre desarmamento e meio ambiente enquanto lavava o cabelo. Terminei de lavar, saí do banho e já me preparava pra dormir, e veio o clic. Cadê o cheirinho de sabonete? Eu não passei sabonete? Não. Tive que voltar ao banheiro e vê-lo sequinho pra acreditar. Foi um alívio saber que não sou a única com quem essas coisas estranhas acontecem.

    Abraço!

  • Daniela Simas diz: 3 de março de 2009

    Concordo com a Martha.
    O filme O Lutador é terno, sim. Tem violência mas, ela fica completamente apagada pela essência do filme que é a ternura, o resgate por suas raízes, o conflito interno… enfim, genial.
    Beijo, Daniela Simas

  • KARINA DAUDT diz: 2 de março de 2009

    Marta
    Não assisti O Lutador, mas ontem a noite vi “Onde os fracos não tem vez”. Espero que logo tu assistas e escreva as tuas impressões. Pra mim o filme é muito “cru”, e sinceramente não tenho vergonha de admitir que não compreendi a essência, o que está realmente dito. Aguardo pra ver a tua interpretação…se puderes expressar por aqui…Um grande abraço

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