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Posts de março 2009

Mulheres

30 de março de 2009 57

Como estava programado, fui assistir à peça “Aquela Mulher”, monólogo com Marilia Gabriela. Raçuda essa loira. Admiro muito quem faz sucesso numa área (no caso dela, o jornalismo) e se atreve a abrir novas frentes de trabalho, encara desafios, incrementa a própria biografia. Ela investiu seriamente na carreira de atriz, e se não é nenhuma Marilia Pera, por certo não desaponta. Tem garra, vigor. Não deve ser fácil subir num palco. Mas ela não se intimida. Bravo! Brava! Já é vitoriosa mesmo antes da cortina se abrir.

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Gostei da peça. Enxuta, econômica, nada over. Três esquetes sucintos. O primeiro, mostra uma mulher se preparando para tomar posse como presidente dos Estados Unidos – personagem abertamente baseado em Hillary Clinton. O tema é o poder nas mãos das fêmeas - que quase sempre está atrelado à vingança pessoal. Uma mulher traída será mesmo um bomba a ser desativada a tempo? No segundo esquete, o discurso de posse, que contrariando os costumes, discorre sobre a perda da juventude, o medo de envelhecer. E o terceiro é mais onírico e delirante – e menos forte, na minha opinião, mas fecha bem a peça. Ao todo, 50 minutos de espetáculo. Beleza de contenção.

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Ao final, fui ao camarim dar um beijo em Gabi, já que ela, delicadamente, havia me convidado para assistir ao espetáculo. Que presença, que impacto essa mulher causa. Confesso que ela está na minha lista “top-ten”: tudo que vem dela me agrada. É um mulherão.

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Mudando de saco pra mala, vi hoje uma matéria em Zero Hora que discutia a sem-cerimônia dos espectadores de cinema: caso não estejam gostando do filme, as pessoas saem no meio numa boa. Tentei lembrar de algum filme que eu tenha saído no meio. Não lembrei de nenhum!!! E olha que eu acho que temos o direito de se ausentar da sala, já que não há ofensa para os atores na tela, que não estão nos vendo. De teatro, não consigo me levantar durante a encenação. Acho uma afronta. Não dói esperar um pouco até acabar. De qualquer forma, tenho visto tudo até o final. Não por persistência, mas porque tenho feito escolhas condizentes com o meu gosto pessoal. Saio de casa bem informada, é raro me surpreender negativamente a ponte de querer pegar minha bolsa e sumir (admito que em “Entre os Muros da Escola”, o tal premiadíssimo filme francês, eu bem que quis).

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Qual foi o último filme em que você saiu no meio?

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Lembrei de uma coisa: eu saio muito na hora do “bis” nos shows.

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Lembrei de outra coisa: que lástima não ter ido ver o show do Buddy Guy de novo. Mas como ir a tudo, com o preço estratosférico dos ingressos? Anyway, assisti ao rei do blues em 2005 e guardo a lembrança até hoje. Incendiário.

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Até breve. Beijos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

Postado por martha medeiros

Voltando do Rio

28 de março de 2009 24

Oi, estou de volta. Antes de mais nada, obrigada aí pelas mensagens entusiasmadas sobre o filme. Vou ter que falar dele de novo, mas não pretendo cansar a beleza de ninguém, daqui a pouco o assunto esfria.

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Cheguei no Rio quinta à tarde e fui direto pra adorável casa da Lilia Cabral, tínhamos uma entrevista marcada. Nossa, fiquei impressionada com a agenda dela, está dando o sangue pela divulgação do “Divã”, viajando um monte. Amanhã ela segue para algumas cidades do Nordeste e passa boa parte da semana participando de pré-estréias, fiquem antenados. 

 

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À noite assisti ao filme de novo, junto com o diretor José Alvarenga, emocionadíssimo, e a mulher dele, a atriz Helena Fernandes, muito simpática e bonita – ela faz uma ponta hilária no filme. Depois, participamos do debate, que o jornal O Globo de hoje chamou de “sessão de análise em grupo”, já que inevitavelmente respondemos perguntas ligadas à temática do filme: casamento, fidelidade, traição, perdas… Na verdade estamos todos no mesmo barco, buscando respostas para os questionamentos básicos da vida. Quanto ao filme, assisti pela segunda vez com a mesma alegria. Dessa vez, pude perceber detalhes que me escaparam na primeira vez, como o cuidado com o figurino e o acerto da trilha sonora. 

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E ontem à noite participei de uma outra palestra, dessa vez sozinha, na Casa do Saber. Fui sabatinada pelo jornalista Mauro Ventura (filho do grande Zuenir Ventura) e foi um papo solto e divertido – só que quase perdi a voz no final. Foi muito bom. O Rio sempre me recebe de braços abertos.

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Deu pra pegar uma horinha de praia pela manhã, já que ontem estava uma sexta-feira ensolarada, mas achei a cidade mais apreensiva com a violência – mais do que de costume. Indo de carro para o centro, me surpreendi com uma viatura policial andando ao nosso lado numa grande avenida, com uma metralhadora apontada pra fora da janela. Ninguém nem aí. Pô, e se o cara que a estiver segurando se assustar com algo e atirar, e se a viatura passar por um buraco e provocar um disparo acidental? Muito tenso, tudo. Tanto que hoje, indo para o aeroporto de táxi, estava distraída no banco de trás, olhando pra fora, quando ouvi um barulho forte no vidro. Virei a rosto e vi o motorista dizendo: “putz”, com a mão na testa. Meu primeiro pensamento: ele foi atingido por uma bala perdida. Nada disso, foi uma pedra que bateu e quebrou o vidro. Qualquer barulho estranho faz a gente “viajar”, ainda mais estando na Linha Vermelha.

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Ontem, no bate-papo, me perguntaram se eu não fico chocada com o comportamento de algumas celebridades, etc, etc. Fico chocada com nada, cada um sabe de si. O que me deixa chocada, ainda e sempre, é com a violência. A gente vive de uma forma indigna. Segurança não é luxo, é um direito essencial.   

 

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Mas dia 7 de abril estarei no Rio de novo para a pré-estréia oficial. Porque com todos os problemas, ainda é uma cidade encantadora, e onde moram pessoas que eu gosto muito, como a filósofa e poeta Viviane Mosé, com quem almocei e tive uma conversa inteligente e divertida por mais de duas horas. Isso também é o Rio.

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Amanhã à noite vou assistir Marilia Gabriela no palco do Theatro São Pedro (o mesmo em que assisti semana passada a peça da Denise Fraga, aqui em Porto Alegre – alguém perguntou, está respondido). Monólogo com texto do angolano José Eduardo Agualusa e direção de Antonio Fagundes. Depois eu conto. 

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Beijos!

 

 

Postado por martha medeiros

Alma boa

24 de março de 2009 30

A frequentadora aqui do blog, Ana Paula Tavares, descobriu pra gente que o debate entre José Alvarenga, Lilia Cabral e eu, na próxima quinta-feira, 26, no cine Odeon (Rio) será aberto ao público – mediante compra de ingresso, acredito. A função está marcada para às 19h, e antes haverá a projeção do filme Divã. Diz a Ana Paula que liberarão a entrada no cinema a partir das 18h, por ordem de chegada. Quem puder, apareça! Valeu, Ana Paula. Você está mais por dentro do que eu.

 

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Assisti na tardinha de domingo a peça A alma boa de Setsuan, comédia de Bertold Brecht com a ótima Denise Fraga e direção do premiado Marco Antonio Braz. Gostei de tudo: cenografia, direção musical, figurino, luz… É um espetáculo de encher os olhos. A história trata sobre a dificuldade de se fazer o bem para si e para os outros ao mesmo tempo. Não se trata simplesmente de emprestar dinheiro, consolar alguém aflito, oferecer hospedagem, essas coisas bacanas que fazemos sem prejuízo a nós mesmos (se considerarmos que temos dinheiro, tempo e espaço suficiente para repartir com quem não tem). A questão é mais profunda. É sobre envolver-se, um verbo que muda tudo. No momento em que você se envolve numa briga, ou numa disputa judicial, ou numa campanha política, ou o que for que chame você para o ringue, você estará tomando partido e aí adeus tranquilidade. Na hora que nos convocam, temos que optar entre um sim e um não, e sabemos como é difícil dizer não. “Não, eu não vou tumultuar a minha vida, os meus negócios, os meus estudos, a minha família, para me envolver com os seus problemas”.

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Nesse mundo individualista, será que conseguimos nos comprometer com o outro sem sacrificar o comprometimento consigo próprio? Nosso isolamento pode ser uma forma de dizer “não atrapalhando, já estou ajudando”, mas isso não será conversa pra boi dormir? Como mudar o mundo, se não abandonarmos um pouco o nosso confortável sofá? A peça convida a gente a encontrar um caminho que nos preserve, mas que ao mesmo tempo não nos aliene. 

 
 
É isso, um beijão!
     

Postado por martha medeiros

Mais cinema

21 de março de 2009 31

Soube que se anda discutindo sobre a reserva de assentos no cinema na hora da compra do ingresso. Alguns cinemas estão funcionando com lugar marcado, o que tem gerado alguma demora no guichê e muita controvérsia. Há os que apóiam e os que preferiam como era antes. Não que seja um assunto relevante, mas vou dar meu pitaco: eu acho uma chatice essa história de escolher o lugar antes de entrar na sala. Quando entro, dou uma visualizada no local e logo vejo onde há mais espaços vazios, evito pessoas muito altas na minha frente, e troco de lugar se sinto que alguém próximo vai passar o filme inteiro comendo bala ou conversando ou se agitando demais na cadeira. Com assento marcado, eu fico refém do lugar escolhido. Mas admito que é pura falta de costume, já que no teatro a gente escolhe o lugar com antecedência e tudo bem.

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Ontem fui assistir ao filme francês Entre os Muros da Escola, que ganhou o Festival de Cannes ano passado e concorreu ao Oscar de Filme Estrangeiro. Sinceramente? Interminável. Ok, é uma obra interessante, toda filmada dentro de um colégio, mais especificamente dentro de uma sala de aula, e também mostra como funciona os conselhos de classe e as reuniões de professores. É uma espécie de Big Brother estudantil: como ninguém é ator profissional, podemos perceber os alunos em toda a sua insolência, desprezo pela autoridade, desrespeito à hierarquia, desinteresse pelo que está sendo ensinado, enfim, se passa na França, mas não é diferente do que vem acontecendo nas escolas aqui do Brasil e de muitos outros países. É isso: interessante. Porém, como todo Big Brother, há poucos momentos mobilizantes e excesso de blablablá improdutivo. Muita cena gratuita, muita arrastamento. Pra quem está intimamente envolvido com o magistério e pra quem gosta de um reality show, é um ótimo programa, mas eu jogo a toalha: achei meio sacal. Acontece nas melhores famílias: filmes considerados geniais nem sempre são geniais para todos. Se ficou curioso, confira e depois me dê sua opinião. Talvez eu não estivesse num bom dia…

 

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Meus próximos planos cinematográficos: assistir “O casamento de Raquel” e “Dúvida”. E no DVD, o documentário brasileiro “Santiago”, de João Moreira Salles e o longa “Romance”, de Guel Arraes, e os americanos “Rock´n´Rolla” e “Rebobine, Por Favor”. E amanhã pretendo ver no teatro “A Alma Boa de Setsuan”, com Denise Fraga.   

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Beijos e bom findi!

 

 

 

 

            

Postado por martha medeiros

Enfim, assisti ao "Divã"

20 de março de 2009 44

Tá visto. Cheguei cedinho ontem no Unibanco Artplex e não via a hora de entrar na sala para assistir ao filme. Confesso que, infantilmente, um dos momentos que eu mais aguardava era ver nos créditos o meu nome: nem nos meus sonhos mais delirantes imaginei que um dia veria tal coisa numa tela de cinema. Um dia ainda vou escrever uma crônica chamada “Nunca imaginei que…”. Incrível quanta coisa legal me acontece. 

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A trilha de abertura é “Rapte-me Camaleoa” do Caetano Veloso. Ou seja, começa bem. Em seguida entra a voz em off da Mercedes (papel da Lilia Cabral, a protagonista) resumindo o que vem pela frente: “A gente nasce e morre, e entre uma coisa e outra estudamos, trabalhamos, casamos, temos filhos, adoecemos – ninguém escapa muito desse script”. 

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Mercedes não sabe direito o que vai fazer na terapia, mas certamente é uma tentativa de, se não escapar, ao menos saber se tem potencial para incrementar esse tal script. 

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José Mayer está ótimo como o marido Gustavo, Gianechini um colírio como o amante Teo e Cauã Reymond faz uma participação rápida, mas divertida como o garotão Murilo. Alexandra Richter, que fez a melhor amiga de Mercedes na peça e repete o papel no cinema, demonstra que tem competência suficiente para estourar como atriz. 

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O filme é absolutamente fiel à peça, excetuando-se algumas poucas cenas que Marcelo Saback, o adaptador, inseriu no roteiro. Uma delas dura poucos segundos e é uma jóia: depois da primeira transa com o amante, Lilia está deitada no chão do quarto, nua, deixando-se molhar pela chuva que entra pela janela. Um take  belíssimamente fotografado, sem nenhuma vulgaridade, um poema.

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É filme pra rir, e o pessoal ri à beça. Mas tem momentos que eu pinço como “chaves” do filme. No início, quando ela está no consultório do analista reconhecendo que não sabe direito o que está fazendo ali, diz: “talvez eu esteja com medo de ser feliz pra sempre”, sugerindo que o “cumprimento do script” pode ser apenas uma satisfação que damos à sociedade e que isso não basta para dar sentido à nossa vida. Gosto muito também, quando no consultório, ela refere-se ao romance com Teo dizendo: “Não era amor, era melhor”, reproduzindo uma das melhores passagens do livro, na minha opinião. E também no consultório, quando o analista sugere alta, ela pergunta: “Alta?? Logo agora que estou me divertindo?”, o que pra mim é sintomático: amadurecer significa deixar de levar-se tão a sério.

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Falando assim, pode parecer um filme claustrofóbico: nem perto! As cenas no consultório não duram mais do que 30 segundos cada, servem apenas como escada para a cena seguinte. O filme é muito ágil, com várias locações e muitas participações especiais de atores como Elias Gleizer, Lupe Gigliotti, Helena Fernandes e Antonio Pedro, pequenos luxos que adicionam brilho a um elenco já bastante poderoso.

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Mas os aplausos de pé vão mesmo para Lilia Cabral, uma atriz que não deixa a menor dúvida quanto ao seu imenso talento, tanto quando faz comédia como drama, e há ambos no filme. Com um único olhar, ela comunica tudo o que está sentindo. Segura o filme de ponta a ponta.

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A parte técnica também me pareceu impecável. Não sou do ramo, mas fiquei muito satisfeita com a direção moderna e sensível de José Alvarenga, e também com a fotografia e a edição do filme. 

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Ao final da projeção, conversei um pouco com as pessoas da platéia, respondi perguntas. Alguém me inquiriu: você gosta mesmo de tudo? Ora, claro que, como autora do livro em que se baseou o filme, eu tenho meus estranhamentos, meus incômodos com uma frase ou outra que considero desnecessária… coisas pontuais, mínimas, que eu faria diferente. Não é preciso comentar isso, é particular. Impossível estar tão envolvida emocionalmente com um projeto sem ter uma autocrítica mais aguçada. Mas o que importa é que o resultado final me agradou demais e que fiquei verdadeiramente emocionada e envaidecida com a qualidade geral da obra.     

 

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Agorinha, enquanto escrevia aqui, tocou o telefone. Era Lilia Cabral querendo saber o que eu havia achado do filme. Disse a ela tudo o que acabo de contar pra vocês. Semana que vem irei ao Rio para um debate promovido pelo jornal O Globo em que participarão o diretor José Alvarenga, ela e eu. Será dia 26, às 19h, no cine Odeon.  

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Em Porto Alegre, haverá outra pré-estréia dia 14 de abril, com presença da Lilia. Antes disso, o filme também terá pré-estréias em São Paulo, dia 2, e no Rio, dia 7 (não poderei estar nas duas, mas no Rio, é bem provável). Outras capitais também terão suas pré-estréias. Descobrirei as datas e informarei brevemente. 

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Por enquanto, é isso. Aproveito o espaço para agradecer as lindas gérberas que a Liliana me entregou ontem depois da projeção – obrigada! – e também o carinho da Nathalia Hecz, que sempre deixa mensagens aqui no blog e que ontem me entregou um bilhetinho muito amoroso. Beijo também para Mariana D´Ávila e para todos os que estavam lá. Vocês são muito amáveis.

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E vamos pra frente. Próxima sessão de cinema: “Entre os Muros da Escola”. Dizem que é imperdível.

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Beijão e bom final de semana!

 

 

 

 

   

 

 

 

 

Postado por Martha Medeiros

Divã, o filme

15 de março de 2009 54

Pessoal, finalmente vou assistir ao filme Divã, baseado no meu livro homônimo. Acreditem, ainda não vi. E pretendo ver com vocês! Vamos lá? Na próxima quinta, dia 19, o filme será exibido dentro do Festival de Verão RS de Cinema Internacional (quem quiser ver a programação inteira, é só entrar no site www.festivalverão.com.br)

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O filme traz Lilia Cabral no papel principal e no elenco ainda tem José Mayer, Reynaldo Gianechini, Cauã Reymond e Alexandra Richter. O diretor é José Alvarenga, o mesmo de Os Normais. Quem já viu o filme, disse que está bem legal, que é divertido e tocante ao mesmo tempo. Estou na maior curiosidade, vocês podem imaginar. 

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Pra quem não leu o livro nem viu a peça (foi adaptado para o teatro também), é a história de Mercedes, uma mulher na meia-idade que resolver fazer análise e passa a questionar tudo em sua vida: casamento, maternidade, solidão, paixão, enfim, essas coisas que nos ocupam um bocadinho… 

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Então, pra quem está em Porto Alegre, anote na agenda: quinta-feira, às 21h, no Unibanco Artplex. Sessão única, pré-estréia. Não, os atores gatésimos não estarão lá, mas serve eu? Estarei na platéia e no final da sessão ficarei à disposição de alguns jornalistas para comentar o filme, responder perguntas. 

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Em abril “Divã” entrará em cartaz em circuito comercial. Mas você aguenta esperar até lá? Pois é, hoje estou bem marqueteira, mas é que estou curtindo essa expectativa. Nunca imaginei que um livro meu pudesse virar filme, e vocês sabem como eu adoro cinema.     

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Dedos cruzados, boa sorte pro filme. Depois que eu assistir, comento aqui com vocês o que achei.

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Bom início de semana a todos! Beijos.

 

 

 

 

 

Postado por Martha Medeiros

Dia Nacional da Poesia

13 de março de 2009 16

Uma leitora lembrou que 14 de março é o Dia Nacional da Poesia. Antes de deixar uns versos aqui, gostaria de recomendar um livro curtinho, de apenas 97 páginas, com uma capa bonita e um conteúdo mais bonito ainda: chama-se No Mundo dos Livros, de José Mindlin. O autor tem 94 anos, 38 mil livros em seu acervo e foi amigo de Drummond, Guimarães Rosa e Pedro Nava, entre outros. É um dos maiores amantes da literatura e nesse pequeno (porém grandioso) livro, ele generosamente tenta passar ao leitor as razões pelas quais devemos cultivar o hábito da devorar boas obras. Em linguagem muito simples e comunicativa, ele descortina o prazer da leitura, o que ganhamos com ela e dá sugestão de bons títulos. Fica a dica. 

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Em vez de deixar um poema meu, vou deixar aqui um poema de uma carioca muito bacana chamada Maria Rezende. Acabei de ler o seu Bendita Palavra, livro que ela acaba de lançar. Tem um poema que gostei muito e que reflete a brabeza que é a infância dos meninos de rua, que acabam jogados na violência por falta de opção, por falta de escola, e por que não dizer, por falta de poesia. Para refletir.  

 

“meu futuro tá atrasado

e se não fosse o seu filho

e se fosse outro como eu?

matei porque pude, porque deu

não é um revide, uma vingança

não é pra calar o que doeu

 

é como o mundo é

- como o meu mundo é

ganhar na foça o que se quer

sem “por favor” nem “obrigado”

o meu futuro já tá muito atrasado

 

o que eu ia ser não conta mais

não dá mais tempo

tem mil balas encravadas na minha idade

eu sou essa cidade, convulsão e sol na cara

 

não adianta nem tentar

o que eu sou já tá firmado

o meu futuro agora é coisa do passado”

 

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Postado por martha medeiros

Elián, Iruan e Sean

10 de março de 2009 48

Em dezembro de 1999, uma mulher cubana embarcou numa balsa clandestina rumo a Miami: mais uma tentativa de imigração ilegal. Mas a balsa naufragou, a mulher morreu, e seu pequeno filho, que a acompanhava, foi resgatado e levado para os EUA. O pai, que havia ficado em Cuba, passou então a disputá-lo com um tio-avô que vivia na Flórida e o episódio virou um entrevero diplomático entre Estados Unidos e Cuba. Quem não lembra do caso Elián? Vitória do pai, com quem o menino vive até hoje na ilha de Fidel.

*

Menos de 2 anos depois, um marinheiro resolveu levar seu pequeno filho para conhecer os parentes em Taiwan. O garoto vivia sob a guarda da avó em Canoas, RS – a mãe do menino já havia morrido. Pois durante essa viagem de navio lá para o outro lado do mundo, o pai do garoto faleceu e um tio resolveu reter o sobrinho  em Taiwan. A avó foi incansável em sua luta para reavê-lo, até que conseguiu, cerca de 3 anos depois. Quem não lembra do caso Iruan? 

*

Pois agora temos o caso Sean, um menino que nasceu nos Estados Unidos, mas tem cidadania brasileira. Ele vive feliz com os avós, o padrasto e a irmã no Rio de Janeiro, já que sua mãe faleceu ano passado e seu pai biológico, até então, não havia requerido sua guarda – coisa que agora, de repente, virou ponto de honra. O pai americano faz acusações delirantes à família brasileira (sequestro!) e a família brasileira rebate com argumentos que me parecem bem mais sensatos, mas nem de longe é uma briguinha de criança – é guerra de gente grande, envolvendo advogados graúdos, diplomatas, políticos e, muito em breve, não se duvida que até os presidentes Lula e Obama possam vir a discutir a respeito. 

*

Quando esse tipo de disputa acontece, tendemos a torcer para um lado ou para o outro. Temos nossas simpatias, nossa intuição, as informações que chegam de todos os lados, e é preciso fazer uma triagem, detectar o que é sensacionalismo e o que é verdade, descobrir onde há interesses escusos e onde há interesse genuíno pelo bem estar do menor. 

*

Fico muito impressionada quando o circo fica maior do que a questão que realmente interessa: com quem a criança se sentirá mais amada e protegida? Qual seria sua decisão, se tivesse idade suficiente para julgar os prós e contras de seu destino? E mesmo não tendo, qual é a sua vontade? Uma criança de 8 anos pode não entender direito as minúcias do que se passa em volta, mas sabe onde quer estar, e com quem. 

 

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Mas quando entra dinheiro, vaidade, disputa de poder e outros quesitos em jogo, a tendência é a discussão perder o foco, virar um show e estender-se além da conta, acabando com os nervos de todos os envolvidos.

*

A jornalista Patricia Poeta entrevistou a avó materna do garoto no último Fantástico, e encerrou com a seguinte pergunta: o que a senhora deseja que aconteça ao Sean? A avó respondeu serenamente: eu quero que a solução final seja a melhor pra ele.

*

Sem escândalo, sem estardalhaço, sem que ele seja usado como fonte de renda ou para promoção de quem quer que seja, o que Sean precisa é que lutem pelo melhor para ele, essa é a resposta da avó, dada com calma, sem fazer teatro, apenas com a alma e o coração cansados. É uma pista da direção que a justiça deveria tomar, nesse e em todos os casos onde há disputa por uma criança. 

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Beijos!

 

 

 

 

 

 

 

  

Postado por martha medeiros

Excomunhão

07 de março de 2009 137

          Já escrevi alguns textos sobre Deus que fizeram um grande sucesso entre os leitores (“Um Deus que sorri” e “Quando Deus aparece”, por exemplo), mas sempre destacando que não sou uma católica praticante, apenas reconheço sua presença espiritual nos momentos em que minha sensibilidade está mais aguçada. Religião nunca foi meu tema preferido porque provoca reações muito fanáticas: dificilmente alguém respeita a opção religiosa do outro. Ao contrário, procuram sempre converter o cidadão que não é convicto (meu caso) ou então partem para um xingamento agressivo.

         De qualquer forma, que venham os xingamentos, as pedradas, a cruz e o que mais eu merecer de punição, porque não há como não rebater a crítica do arcebispo de Olinda e Recife, d. José Cardoso Sobrinho, que excomungou publicamente a mãe daquela menina de 9 anos que foi estuprada pelo padastro e que ficou grávida de gêmeos. A mãe autorizou que sua filha abortasse, e assim fizeram os médicos, preservando a vida da menina, que logicamente não suportaria o parto. Tudo dentro da lei. Pois os doutores foram excomungados também. Para o arcebispo, a menina deveria levar a gestação até o fim, não importa que corresse risco de vida. É esse tipo de estupidez que se faz em nome de Deus, propagando a alienação de tanta gente.
         Sei que há muitos padres que conseguem vivenciar a fé e manter os neurônios funcionando ao mesmo tempo, e esses silenciam diante de um fato tão extremado e chocante como o que aconteceu em Pernambuco. Mas há aqueles que, na sua cegueira divina, não conseguem extrair o mínimo de humanidade: levam a palavra do Senhor às últimas consequências, não importa o quanto estejam sendo cruéis com seus “irmãos”.      
         Alguns meses atrás, li o livro Carta a uma nação cristã, de Sam Harris. O autor, numa linguagem muito coloquial, questiona até que ponto essa ilusão coletiva entorpece as mentes e desvirtua uma espiritualidade que deveria ser canalizada apenas para o bem, mas que, ao contrário, provoca guerras e, literalmente, destrói vidas, como destruiria a dessa menina de 9 anos, caso a mãe dela fosse uma crente irredutível e não tivesse tomado uma atitude.   
         A Igreja perde tempo discutindo sobre se crianças que morrem antes de serem batizadas vão para o limbo ou para o inferno, e parece esquecer que o inferno está na miséria e na falta de futuro de tantos meninos e meninas que nascem aos borbotões por falta de planejamento familiar e pela ignorância de seus pais. O Papa, por sua vez, segue perseguindo homossexuais com frases estúpidas como aquela do ano passado, quando disse que o homossexualismo era tão nocivo ao planeta quanto o desmatamento. E o uso de preservativos continua sendo condenado. Enquanto isso, a denúncia contra padres pedófilos segue de vento em popa, e assim se mantém uma sociedade hipócrita.

         A Igreja não quer, não pode e nem deve mudar radicalmente, mas se seu conceito básico segue sendo o amor, então em nome dele deveria haver um remanejo, uma mínima atualização, para que pessoas como eu e talvez você, que fomos criados dentro do catolicismo, não nos sintamos tão distanciados desse Deus que considera o abuso sexual de crianças um pecado menos grave do que o aborto. Por essas e outras que hoje rezo para um Deus particular, que não é o mesmo de tanta gente. Ele é mais compreensivo e tem a humildade de se renovar: não é um cabeça dura. Falando nisso, apreciei a coragem do presidente Lula, líder de um dos países mais católicos do mundo, ao se manifestar  claramente contra essa insana excomunhão. Políticos costumam jogar para a torcida, mas não há como ser diplomático diante de um absurdo dessa magnitude.

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Para quem vive na cidade de São Marcos (RS) e redondezas, e não me excomungou depois desse post, convido para que venha assistir à entrevista que o jornalista Tulio Milman fará comigo nessa segunda-feira, às 19:30h, no Centro Cultural Alexandre Zaniol, na Rua Carlos Gomes, s/n (próximo ao Parque Municipal). Admito que não sei se haverá venda de ingressos ou distribuição de convites. O telefone para informações é (54)3291-2833. O assunto não será religião, e sim o Dia da Mulher e outras amenidades. Ufa.

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Beijos.

Postado por martha medeiros

Sobre amigos e cinema

05 de março de 2009 51

Oi! O último post rendeu muitos comentários bonitos, obrigada a todos que escreveram. Porém algumas poucas pessoas se sentiram ligeiramente incomodadas com aquela minha frase “quem não cultivou amigos não teve por sua vida nenhum respeito”. Admito que ela é forte, mas acredito no que escrevi. Como a maioria do pessoal que entra no blog é bastante jovem, talvez ainda não perceba a importância de ter ao lado alguém (ou vários) que nos conheça há muito tempo, que tenha compartilhado as principais vivências, que nos ampare nos momentos mais delicados e frágeis, ou que simplesmente ria com a gente. Pode até ser nosso próprio marido ou esposa (é importante que antes de tudo o casal seja amigo, claro), mas quando não há paixão e sexo envolvidos, a  relação torna-se mais perene e menos sujeita a conflitos. À medida que o tempo vai passando (também chamado de “envelhecer”), infelizmente perdemos alguns afetos pelo caminho, mas os amigos do peito se mantém ao lado, e isso é um luxo que não se pode prescindir. Só que uma amizade não se cria por sorte ou destino, tem que construir, cultivar, manter, procurar, retribuir, sustentar. Caso contrário, se perde. Vou escrever uma crônica sobre esse assunto. 

 

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Ontem fui assistir Quem quer ser um milionário? e adorei. É verdade que tem semelhanças (no início, principalmente) com “Cidade de Deus”, ainda que eu considere “Cidade de Deus” mais cru e impactante. O filme dos indianos é quase uma fábula construída com elementos da realidade. Independentemente dos clichês finais, eu curti porque o filme não é ambicioso nesse sentido, não me pareceu querer passar uma “mensagem”, a não ser: “é cinema, vamos nos divertir!”. O roteiro é muito bom, fiquei grudada na tela sem piscar, acompanhando cada cena com vibração. E curti demais a trilha sonora. Não tenho acompanhado a novela “Caminho das Indias”, nunca vi sequer um capítulo, mas é inegável que a India é um país sedutor por inúmeros motivos, e a música é um deles. 

*

Beijos!

 

 

Postado por Martha Medeiros