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Posts de maio 2009

Releituras

31 de maio de 2009 33

Olá. Não sei como está o tempo aí onde você mora, mas aqui em Porto Alegre o frio chegou. Bate uma preguiça de sair de casa… Vou aproveitar para responder algumas mensagens de leitores aqui do blog. 

 Patricia, não estarei na Flip, a Feira Literária de Parati. Aliás, nunca participei desta festa, um dia quem sabe. Os convidados são sempre ótimos e Parati é um charme.

Vanessa, aqui mesmo no blog você encontra o nome de todos os meus 18 livros publicados, vá até a página 13.

Fleur de Joie, o texto que você menciona é meu sim. Na verdade é um poema e está publicado no meu livro “Cartas Extraviadas”.

Valéria, obrigada por escolher meu trabalho como tema do seu TCC.

Thaís, já li “Catadores de Conchas”, faz tempo, mas lembro que gostei.

*

Essa história de ler um livro tempos atrás e lembrar que gostou me faz pensar: se relesse hoje, continuaria gostando? Eu não tenho a menor dúvida de que o nosso “gostar” está muito relacionado ao momento que a gente está vivendo. Digo isso porque está me acontecendo um lance que até me inibe, mas vou compartilhar com vocês. Falei dias atrás que iria reler A Descoberta do Mundo (Clarice Lispector), que eu havia lido há alguns anos, mas era emprestado, e que tinha adorado, e que pra mim esse livro era uma espécie de bíblia, e que agora que eu tinha meu próprio exemplar eu iria sublinhá-lo muito, etc, etc.  Pois está acontecendo o seguinte: estou quase no final do livro e meu entusiasmo é zero. Tenho achado o livro aborrecido. É incrível isso, porque sempre fui (e sigo sendo) admiradora da Clarice Lispector, mas de repente minha percepção mudou, e fico imaginando o que pode ter acontecido: será que estou menos sensível do que quando li pela primeira vez? o fato de tê-lo lido durante umas férias paradisíacas, sem o corre-corre atual, faz diferença? ter assistido recentemente uma entrevista dela, dada pouco antes de ela morrer e em que ela está excessivamente antipática, influenciou inconscientemente no meu julgamento? ou o livro é irregular mesmo? Pelo visto a irregular sou eu.

 

*

Mudando de saco pra mala, lamentei a morte de Zé Rodrix. Quando eu era adolescente, gostava muito do trio Sá, Rodrix e Guarabira, até hoje tenho a maior nostalgia quando escuto músicas como “Dona” ou “Te amo, espanhola”. Elas embalaram uma época bacana da minha vida. E vamos combinar que “Casa no Campo” é o hino dos bicho-grilo – e eu tenho uma alma bicho-grilo até hoje. Fico totalmente na paz escutando essa música, é tudo o que a gente precisa: discos. livros, amigos, natureza, silêncio e um amor. De certa forma, Zé Rodrix sempre defendeu esse espírito de proteção contra a loucura urbana. Em outra música que eu também sempre curti muito, “Mestre Jonas”, ele dizia:

“Dentro da baleia mora mestre Jonas
Desde que completou a maioridade
a baleia é sua casa, sua cidade
dentro dela guarda suas gravatas, seus ternos de linho
(…….)
dentro da baleia a vida é tão mais fácil
nada incomoda o silêncio e a paz de jonas
quando o tempo é mal, a tempestade fica de fora
a baleia é mais segura que um grande navio”

*

Que viagem no tempo, acabo de lembrar do filme “Jonas que faria 25 anos no ano 2000″. Lembrar é maneira de dizer: não lembro de uma única cena, só da sensação de ter adorado o filme. Eu tinha uns 20 anos de idade… Por que será que adorei? Terei que revê-lo para descobrir? E se dessa vez me decepcionar? Melhor mesmo é guardar as boas sensações que tivemos, cada uma em sua época, e tocar o barco em frente.

*

Bom início de semana a todos, beijos!

 

 

 

 

 

Postado por martha medeiros

O Clube do Filme

26 de maio de 2009 39

Sem energia elétrica e sem internet durante horas a fio. Foi assim que fiquei hoje desde cedo. Quase surtei, porque tinha dois textos para enviar ao jornal Zero Hora e ainda precisava revisá-los, e o prazo de entrega se esgotando. Mas mágica eu não podia fazer, só me restava esperar pela benevolência suprema. Enquanto a energia elétrica não voltava, resolvi pegar um livro – e não consegui soltá-lo mais até chegar na última página.

*

Estou falando de O Clube do Filme, do canadense David Gilmour. Pra quem gosta de cinema, é um deleite. Pra quem gosta de cinema e vida pulsante, é um deleite duplo.

*

É uma história real do autor. Ele tem um filho chamado Jesse. Pois Jesse, aos 16 anos, não queria nada com a escola. Era um garoto inteligente, mas totalmente desinteressado pelos estudos. Tirava notas péssimas e estava a ponto de levar bomba. Estava na cara que nunca iria se motivar, então o pai tomou uma atitude radical. Propôs ao guri: quer largar o colégio, largue. E não precisa trabalhar. Mas em troca, você vai assistir três filmes por semana comigo. Filmes que eu indicar, e tem que assistir até o final. Ou isso, ou nada feito. O guri topou na hora.

*

O próprio pai questionou muitas vezes essa sua atitude. Não estaria pavimentando o fracasso do seu filho? Não estaria sendo irresponsável? Ou simplesmente preguiçoso? Cheio de dúvidas, resolveu ir adiante. E aí, meus caros, a gente começa a entender como há outras formas de se resgatar uma pessoa que está à toa na vida.

*

É bárbaro ver pai e filho comentando filmes que a gente já viu, ou que já ouviu falar: dá vontade de correr pra locadora mais próxima. Mas o bacana é ver a importância do tempo compartilhado entre os dois. Cada filme abre o leque para se discutir sobre diversos assuntos: namoradas, drogas, música, dor-de-cotovelo, trabalho, amizades, tudo! As inseguranças do garoto em relação às mulheres é tratado com muita delicadeza e realismo. Geralmente nos deparamos com personagens exalando virilidade e autoconfiança, quando sabemos que adolescentes entre os 16 e 18 anos não sabem direito como lidar com a rejeição e com essas novas garotas donas do mundo. 

*

O livro é sobre a dificuldade e a emoção de crescer, de virar um adulto. Agora imagine aprender um pouco da vida com seu pai através dos comentários dele sobre Clint Eastwood, Jack Nicholson, Sharon Stone, Woody Allen, Marlon Brando, Tarantino… Há espaço pra tudo: filmes de terror, suspense, westerns, trash, blockbusters. Uma viagem!

*

Recomendo entusiasmada. O livro é engraçado, é terno, é verdadeiro e não tem nada de didático, não é para cinéfilos profissionais: é para todos nós, leigos e apaixonados pela sétima arte. Está sendo lançado pela editora Intrínseca.

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Boa leitura e beijos!

 

 

 

 

Postado por Martha Medeiros

Agenda

21 de maio de 2009 27

Oi! Li as mensagens deixadas nos dois últimos posts, não tenho como responder tudo, agora são quase 23h30 e vocês não imaginam como sou Cinderela, daqui a pouco viro abóbora, durmo cedíssimo! Mas só pra tirar uma dúvida que pintou diversas vezes: minha ida a Ribeirão Preto, dia 24 de junho, está confirmada. Só não coloquei na agenda porque ainda falta um tempinho. No dia 25, devo fazer um pit-stop em São Paulo, capital, para a gravação de um programa de tevê, mas não haverá nenhum encontro aberto ao público. E estarei na Feira do Livro de Gramado dia 2 de julho. Gente, eu tenho compromissos marcados até novembro, mas não adianta falar agora, melhor divulgar aos poucos…

*

Quanto ao espólio do Érico Verissimo e do Quintana, que alguém questionou, eu também gostaria que eles ficassem no sul, mas a família tem o direito de optar pelo Estado que melhor preservará o material: eles não são apenas autores gaúchos, mas autores nacionais. E outro alguém brincou sobre o “meu” espólio. Sinceramente, eu me arrepio só de pensar que uma pessoa possa um dia ler meus rascunhos, cadernetas, cartas, eu simplesmente tenho vontade de queimar tudo antes de morrer e deixar para consulta apenas o que interessa: os livros. É sempre uma pretensão falar nesse assunto, porque sugere que a gente terá uma sobrevida depois de morrer, e a imortalidade não é para qualquer um, mas juro, fico nervosa só de pensar na quantidade de material que guardo em casa (diários de adolescência, por exemplo) que eu sinceramente não gostaria que ninguém lesse, nem mesmo membros da minha família. Não que sejam picantes, ao contrário, são de uma calidez e uma ingenuidade desanimadoras – talvez por isso mesmo que eu prefira que sejam ignorados. Nunca pretendi ser uma escritora póstuma. Ou sou pudica demais, ou arrogante demais, vá saber. Mas a verdade é que só me interessa a publicação autorizada. 

*

Mas já avisei minhas filhas: mesmo que as traças me consumam, mantenham meus restos mortais aqui no sul, tchê. Razões puramente emocionais. Elas riram e disseram que eu não estarei mais aqui pra apitar nesse assunto. 

*

 

Lembrei agora das cartas publicadas post-mortem de Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu… Obras-primas. Sei o quanto um material póstumo pode ter valor. Mas, ao mesmo tempo, não é uma invasão de privacidade? Reconheço que só posso estar louca, já que se trata de patrimônio cultural. Melhor trocar de assunto, qualquer hora volto.   

*

Beijos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Postado por martha medeiros

Livros

20 de maio de 2009 25

Oi!

Conhecimento geral é algo que todo mundo deve ter, mas não é o google que vai suprir essa nossa necessidade, apesar de ele ser uma mão-na-roda quando precisamos consultar alguma coisa. Na hora em que se precisa ter confiança no conteúdo, nada como a boa e velha enciclopédia… Toda família tinha uma, você é desse tempo? Hoje em dia elas ocupam muito espaço, mas isso não significa que só nos resta a dependência exclusiva da internet. A editora L&PM acaba de lançar a Coleção Encyclopaedia, composta de pocket books sobre os mais diversos assuntos e destinada àquelas pessoas que gostariam de ter uma ótima noção sobre assuntos que não dominam: eu, por exemplo. Os primeiros títulos, a 12 reais cada um, são: Cleópatra, Freud, Budismo, Cruzadas, Império Romano, A crise de 1929, Santos Dumont, Revolução Francesa e Geração Beat – ou seja, tem tema para todos os gostos. A editora promete que até o final do ano colocará mais de 100 títulos no mercado. E o bom é que eles não serão vendidos apenas em livrarias – inacreditavelmente, ainda há cidades do país que não possuem livraria. A L&PM vende também através de displays colocados em farmácias e supermercados. Há quem se horrorize com isso, eu aprovo. Livro tem que ser objeto de consumo popular.

*

Faz tempo que não anuncio aqui os meus próximos passos. Então vamos lá:

* dia 22, sexta, às 14h, estarei sendo entrevistada pela Tania Carvalho, ao vivo, num evento a ser realizado no Plenário do TRE, em Porto Alegre. Creio que será exclusivo para convidados, mas você pode se informar pelo fone (51)3230-9670. 

* dia 27, eu e a escritora Claudia Tajes participaremos de um bate-papo comemorativo aos 6 anos do curso Encontros com Arte. A mediadora será a também escritora Paula Taitelbaum, e haverá um coquetel depois. Será às 19:00h e creio que ainda há vagas. Informações pelo fone: (51)9991-1011 e 9977-9081.

* dia 28 estarei conversando com os alunos do colégio Santa Rosa de Lima, às 10:00h da manhã.    

* dia 4 de junho estarei na Feira do Livro de Igrejinha, com direito à bate-papo e sessão de autógrafos, às 18 horas.

* dia 10 de junho, em Butiá, também bate-papo e autógrafos, às 17h. 

Por enquanto, é isso. Tem mais. Quando chegar mais perto dos outros eventos, aviso. Beijos!

 

Postado por martha medeiros

Variados

18 de maio de 2009 40

Pessoal, segundas e terças são meus dias mais atribulados, é quando preciso entregar os textos para Zero Hora e O Globo. Mas passei aqui rapidinho para atualizar o blog e fazer alguns comentários.

*

Li no jornal que morreu o escritor uruguaio Mario Benedetti. Lamentei muito e talvez eu escreva ainda hoje uma crônica a respeito dele. Era um senhor de 88 anos com uma produção vasta e magnífica. Quem gosta de poesia e não o conhece, corra atrás dos seus versos. Ele produziu longos poemas de amor, produziu poemas engajados – viveu no exílio muitos anos -  e também produziu hai-kais. Quem prefere ficção, leia “A trégua”, “A borra do café” e “Quem de nós”, ou ainda o livro de cartas “Correio do Tempo”. Quem gosta de ler textos para teatro, leia “Pedro y el capitán” (li numa edição espanhola, não sei se há tradução para o português). Era um autor grandioso e merece ter sua obra conhecida e consumida por todos nós. 

*

Assisti ao documentário sobre o Wilson Simonal (já está nos cinemas de algumas capitais brasileiras – em Porto Alegre estreará dia 22). Gostei demais. Ouvi muito Simonal durante minha infância, mas através do documentário pude perceber a sedução e o fascínio que ele provocava com sua “pilantragem” – nome dado a um movimento musical de samba e soul, do qual ele e Carlos Imperial eram representantes máximos. Através do filme, sabemos melhor como e por que ele caiu no ostracismo. Tudo começou com uma atitude arrogante, fruto do deslumbramento (deslumbrar-se com o sucesso é sempre patético), e que acabou potencializada pelo patrulhamento da mídia e da classe artística, que no auge da ditadura acreditou e difundiu o boato de que ele era um dedo-duro a serviço do Dops, e o empurrou pro limbo de onde ele nunca mais saiu. Simonal é pai dos músicos Wilson Simoninha e Max de Castro, e merece esse resgate, principalmente pelo que vale lembrar dessa história toda: o seu balanço e ritmo irresistíveis.

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Assisti também a peça Doce Deleite, dirigida por Marilia Pêra, com Camila Morgado e Reynaldo Gianechini no elenco. Camila todo mundo sabe que é ótima e “intensa” (brincadeira que rola durante o espetáculo), inclusive foi uma surpresa vê-la num papel tão cômico e desestressado, fazendo um besteirol. Mas um besteirol de qualidade, que celebra o teatro, em especial os bastidores. Mas a grande surpresa é mesmo Gianechini, que não é apenas bonito, mas versátil e engraçadíssimo – praticamente rouba a cena. O casal se movimenta por duas horas inteiras sem sair do palco – dançam, cantam, se travestem, divertem e se divertem. Uma festa, uma brincadeira sem maiores consequências. 

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É certo que a maioria das mulheres da plateia saiu de casa só pra ver o ator, que esbanja vitalidade e que em certo momento aparece quase nu em cena, protegido por uma malhazinha cor-de-pele. Gritos, assovios… Ele tira de letra, possui uma elegância natural. O que achei engraçado foi ver uma senhora já de certa idade presa a um tubo de oxigênio – foi pro teatro com o tubo e tudo! Deve ter fugido da UTI. Isso é que é vontade de apreciar as coisas boas da vida. Tudo pelo teatro brasileiro, claro…

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Falando em elegância, bacana a entrevista que Jô Soares deu para Marilia Gabriela ontem no GNT. Reprisará nessa terça, às 22h30. Tenho escutado muitas críticas sobre a vaidade do entrevistador, que faz com que quase não deixe seus convidados falarem. Não sei, não tenho assistido ao programa dele, mas acho que Jô Soares é daqueles caras tipo Midas: onde mete a mão, sai coisa boa, e isso já é suficiente para sedimentá-lo entre os grandes nomes da cena nacional. É comediante, ator, diretor de teatro, escritor, entrevistador e músico, esbanjando inteligência, cultura e elegância em todas essas atividades. Elegância, vale dizer, que não é fruto do sucesso ou do dinheiro: veio de muito antes – veio da sua criação, da sua educação. É na infância que são gerados os elegantes de verdade

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Até mais, beijos!

 

    

Postado por martha medeiros

Música

16 de maio de 2009 26

Oi! Alguém perguntou se eu já li “Comer, Rezar, Amar”. Claro que sim, e adorei! Mas hoje quero recomendar algo relacionado à música, rapidinho. Ontem fiz algo que não fazia há séculos: comprei 2 CDs. Tenho escutado sempre as mesmas músicas no meu Ipod e resolvi dar uma variada. Me dei bem, duas ótimas aquisições. Quem quiser conferir, aí vai a dica: “The odd couple”, do Gnarls Barkley. Batida eletrizante, disco superbem produzido e já elegi “Going On” como minha faixa preferida. O outro disco é “Those the brokers” do The Magic Numbers, que também estou escutando direto.

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Gostaria de ter assistido o Oasis, mas bobeei. Com essa história da viagem à Fortaleza, não comprei os ingressos. Poderia ter comprado no dia, eu sei, mas bateu uma preguiça, bobeada mesmo. Sempre gostei da banda, independentemente da pouca simpatia dos manos Gallagher. O som deles me lembra os Beatles.

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Falando em Beatles, dias atrás uma agência de propaganda inglesa reuniu mais de 10 mil pessoas em Trafalgar Square, em Londres, para realizar um videokê gigante para usar num comercial do seu cliente T-Mobile. Distribuiram mais de 2000 microfones para o pessoal que atendeu ao convite e convocaram todos a cantar Hey Jude, promovendo assim uma compartilhamento que, vejam vocês, ficou emocionante.

É só acessar http://www.youtube.com/watch?v=orukqxeWmM0

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Qualquer hora volto pra falar de mais música: devo assistir nesse final de semana o documentário sobre a vida do Simonal. E voltarei ao teatro: estou com duas peças na agenda para assistir nos próximos dias. 

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Beijos e aproveitem o final de semana!

 

  

Postado por martha medeiros

O vice

13 de maio de 2009 64

Obrigada pelas mensagens. Marco, realmente você estava nervoso no dia da estreia da peça em Fortaleza, mas não precisava, né? Acho tão estranho ver alguém tremer na minha frente. Não faz sentido! Por outro lado, consigo me colocar no lugar de um fã. Já estive frente a frente com o Caetano, há alguns milhares de anos - foi Antes de Cristo - e eu só disse bobagem. Uns quatro anos atrás me apresentaram à Fernanda Montenegro e eu, adivinhem, só disse bobagem. Teve uma vez em que eu estava a dez metros do Woody Allen, e se eu tivesse coragem de chegar mais perto, tenho certeza, só diria bobagem – e bobagem em inglês ainda por cima! Só que eles são ícones pra valer! Simplesmente Caetano, Fernanda Montenegro e Woody Allen, três das pessoas que eu mais admiro no mundo. Eu tenho que comer muito feijão até merecer essa espécie de nervosismo de algum fã.   

*

Fique tranquilo, Marco, você não disse nenhuma bobagem. Foi muito gentil.

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A peça ficará em cartaz só no Ceará, não viajará. Mais adiante, pode ser. 

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Uma observação direcionada a quem procura crônicas aqui. Não é essa a razão de ser do blog. Crônicas eu publico nos jornais Zero Hora e O Globo. Aqui é bate-papo, farra, diversão. Comentários soltos, leves. Ou nem tão leves, mas enfim: é apenas um acesso mais íntimo que proporciono a quem curte meu trabalho. Alguém deixou uma mensagem, com boa intenção, sem querer ofender, que falar sobre minha viagem ao Ceará é coisa pra revista Caras. Menos, né? Estamos aqui para compartilhar impressões, trocar figurinhas, papo entre amigos.

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Mudando de assunto: fiquei triste ao saber ontem que o vice-presidente José Alencar está novamente com tumores no intestino. Daí fiquei pensando: não sou de ter misericórdia com políticos (por que será?) mas simpatizo imensamente com José Alencar. Que sei sobre sua carreira? Honestamente, nada. E no entanto me comovo cada vez que ouço sobre seus problemas de saúde. 

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A razão é muito simples. Esses problemas tiraram o vice-presidente da esfera pública e o trouxeram para a esfera privada: tivemos a oportunidade de conhecer o cidadão José Alencar, um senhor que enfrenta contingências bem difíceis com uma serenidade, um humor e uma sabedoria que dificilmente deixam de conquistar. Lembro quando ele disse, depois de uma cirurgia, que não queria que Deus lhe desse nem um dia a mais de vida que não fosse merecido. Cheguei a anotar a frase correta, que é melhor que essa que reproduzi agora, mas não achei - tenho trezentas cadernetas a minha volta, vocês não imaginam a bagunça em torno desse meu computador.

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E assim ele vai levando seus dias, misturando resignação com garra para vencer obstáculos. Não encontro em sua voz um discurso decorado, um blablabla para eleitor, e sim o pensamento de um homem como qualquer um de nós, sem artifícios diante da ameaça da morte. José Alencar me parece um ser humano, observação essa que eu faço para muitos poucos de seus colegas de profissão, cuja naturalidade inexiste. 

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Alguém aí foi no show do Oasis??? Me contem!!!

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Beijos.

 

 

 

Postado por martha medeiros

Chegando do Ceará

11 de maio de 2009 46

Oi!!!

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Nossa, mal cheguei e já estou no olho do furacão. Acordei às quatro da manhã, às cinco estava num táxi rumo ao aeroporto, às seis estava dentro do avião, ao meio-dia estava aterrissando em Porto Alegre e logo depois estava consolando uma amiga que havia perdido a mãe. A vida não obedece agendas.

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Lembram daquele senhor, pai de uma amiga, que faleceu no final de fevereiro e para o qual prestei uma homenagem aqui no blog? Hoje foi a esposa dele que faleceu. Outra pessoa intimamente ligada à minha vida. Talvez não tenha resistido à solidão. Dessa vez, vou poupar vocês do meu sentimentalismo. O que eu disse sobre ele, vale para ela. Eram muito especiais. Que descansem em paz, juntos.

 

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Ceará!!! Foi um barato. Pra minha surpresa, de quarta a domingo, peguei quatro dias de praia – três com sol a pino! Fui à Canoa Quebrada, andei de jangada, comi lagosta com cerveja na beira da praia, ou seja, cumpri o ritual a que os turistas estão destinados. Vidão!!! Nem me dei conta de que a gripe suína avançava… glupt. Parece que a coisa ficou mais pesada, não é? Vou morrer pela boca.  

*

Os cearenses não podem ser mais gentis. Que povo hospitaleiro. Caminhei muito por aquela avenida Beira-Mar (29 graus às 8:30h da manhã, sabem o que significa isso para uma gaúcha???) e conheci muitos lugares bacanas. Devo admitir que a inclinação era pra vadiagem. Comer, amar, rezar – sem rezar quase nada.

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Conheci um restaurante muito transado chamado La Casa, no finalzinho da Beira-Mar, esquina com a praia de Iracema. Cosmopolita, alegre e comida ótima.

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Comi uma boa pizza no Vignoli e um ótimo bobó no Camarões, e até churrasco comi decentemente por lá no Sal e Brasa, e um gaúcha elogiar churrasco alheio não é coisa que se veja toda hora. Mas me rendo na terra das rendeiras: estava uma delícia.

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Mas bom mesmo foi cair na turistada. Em Canoa Quebrada, andei de jangada. Em Cumbuco, andei de cavalo na beira da praia, e de jegue. De jegue!! E claro que visitei uma feira de artesanato. Ritual cumprido à risca. Ah, e muito frescobol todos os dias e mergulhos naquele mar lindo e quente. Quem não conhece o sul, não imagina como são geladas as nossas águas. 

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Mas o que fui fazer lá mesmo? Fui assistir a estreia da peça Tudo o que eu queria te dizer, no lindíssimo Teatro José de Alencar. Deu tudo mais que certo. Assistir uma montagem de uma equipe que você não conhece é sempre um risco, mas o risco valeu a pena. A adaptação de Thiago Arrais e a direção de Silvero Pereira são delicadas e sensíveis, sem serem bobas. As atrizes Alexandra Marinho e Andréa Piol entendem do riscado, sabem se movimentar em cena e dar vigor ao texto. A ideia de colocar todos juntos no palco, atores e plateia, como num teatro de arena, cria uma intimidade que beneficia o espetáculo. A trilha sonora feita ao vivo só enriquece a encenação. O que dizer? Foi um privilégio. Se você mora em Fortaleza e não assistiu, ainda dá tempo. A peça segue em cartaz no dia 22 no Centro Cultural do Banco do Nordeste, e nos dias 23, 24, 30 e 31 no teatro Sesc Emiliano Queiroz.

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Obrigada a todos que assistiram e participaram do bate-papo após a estreia. Foi um prazer estar com vocês. 

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Foram 6 horas de voo entre Porto Alegre e Fortaleza. Como esse país é enorme!

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Volto em breve. Agora preciso me recuperar do “fuso horário”. 

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Beijos!!!

 

     

  

Postado por martha medeiros

O direito à indiferença

05 de maio de 2009 69

Como o prometido, vim dar um tchau antes de ir para o Ceará. Dei uma olhada nas mensagens e a crônica da “maria-gasolina” foi a mais requisitada, e é a que vai estar publicada nesta quarta-feira em Zero Hora, só que ela já estava escrita antes de eu receber as sugestões de abordagem. Uns queriam que eu mencionasse tal coisa, outros queriam que eu tratasse sobre um determinado aspecto… Dei meu pitaco e fim. 

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A outra crônica não seria exatamente sobre Susan Boyle nem sobre gripe suína, vocês sabem que eu pego esses ganchos e aí dou uma desvirtuada no assunto… Queria falar era no direito que todos temos de ser indiferentes. Já que não vai ser publicada em jornal, deixo aqui o que eu penso a respeito.

 

                     O DIREITO À INDIFERENÇA
       
         Existe uma época da vida em que as pessoas lutam pelo direito de serem diferentes. Sabemos que a sociedade tem uma inclinação a aglomerar todos na mesma tribo, estabelecendo tendências de comportamento e regras indiscutíveis sobre o que é certo e errado. É uma maneira de manter o rebanho reunido, sem evasões. Mas não tem jeito, vozes dissonantes sempre existirão – aleluia! Nada mais chato do que todos pensando igual e vivendo igual.
         Posto isso, devo admitir que nunca cheguei a ser uma voz dissonante: vivi de forma muito parecida com a maioria das pessoas e nunca me considerei uma outsider. Mas se nunca ergui a bandeira do direito de ser diferente, hoje me outorgo o direito de ser indiferente. Uma bandeira mais pejorativa, eu sei. Sem o charme da contestação, da transgressão. Ser indiferente é quase uma petulância.  
         Já havia percebido que eu tinha esse desvio, mas ele ficou realmente claro quando surgiu o assunto da Susan Boyle. Nunca fiz o tipo que adora uma teoria da conspiração, inclusive acho ridículos aqueles que acham que o homem nunca foi à lua ou que Elvis está vivo. Mas essa Susan se transformou no meu homem que não foi à lua. Desde o primeiro instante, achei tudo com cara de armação, e o fato de eu antipatizar muito com aquele Simon Cowell, jurado do programa, contribuiu. A música que ela cantou também nunca me desceu. Ou seja, não comprei essa história.  
         Insensível? Pois é, só me faltava essa, ter me tornado uma insensível.
         Pra completar, também estou achando ridículo esse circo relacionado à gripe suína, e eu sei o risco de estar dizendo isso sendo uma “formadora de opinião”, então vamos fazer um trato: se virar uma pandemia, eu humildemente voltarei atrás e utilizarei minha coluna para ajudar a divulgar atitudes de prevenção. Mas, por enquanto, prefiro a indiferença. Não posso levar a sério o fato de duas centenas de pessoas estarem espirrando e com dor no corpo, e isso paralisar o mundo. Provocadoramente, continuo salivando diante de um lombinho de porco e ando louca para viajar ao Mexico, aproveitando as praias vazias e os preços mais em conta. Essa gripe deveria se chamar Gripe Susan Doyle: parece que é pra valer, mas há controvérsias.
         Não é por eu querer ser diferente, não. Quem me conhece sabe que sou clone de qualquer outra mulher, basta observar meus hábitos, minhas roupas, minhas opiniões: em geral, faço parte da turma das iguais. 
         Mas não me tire o prazer de me manter indiferente a algumas coisas. Virou meu luxo secreto: não me sentir convidada a entrar em certas ondas.
 
 *
Era isso. Quando voltar, conto como foram meus 5 dias em Fortaleza. Beijão!!
  
                                                         

Postado por martha medeiros

Segunda-feira

03 de maio de 2009 66

Oi! A semana vai ser curtinha aqui, porque estou viajando na quarta e vou dar uma sumidinha do blog. Mas, antes disso, vamos ao nosso tricô.

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Acabei de ler Tenho algo a te dizer, do Hanif Kureishi. Gostei do livro. Um calhamaço de 500 páginas de uma história passada em Londres que envolve psicanálise, assassinato, preconceito, orgias e amores mal resolvidos. A vida é realmente  complexa, maluca, dolorida e divertida. Só morre de tédio quem quer.

*

Ainda hoje pretendo começar a releitura de A descoberta do mundo, de Clarice Lispector. É uma coletânea das crônicas que ela publicou no Jornal do Brasil muitos anos atrás. Eu já li esse livro excepcional em 2002, mas era emprestado, então tive que ter cuidados. Agora comprei meu próprio exemplar e pobre dele: será todo sublinhado, rasurado, consumido. Sempre leio com uma caneta na mão. Caneta mesmo, não lápis. Esse livro merece ter passagens destacadas, é uma espécie de bíblia. Pra mim, ao menos. 

*

Tenho passado os dias em casa escrevendo. Preciso deixar material pronto antes de viajar pra Fortaleza. Tenho dois textos para publicar na minha coluna de quarta-feira em Zero Hora, ainda não sei qual escolher. Um trata sobre Susan Boyle e a pandemia de gripe suína, duas coisas que não aguento mais ouvir falar e em que não acredito totalmente. O outro texto é sobre aquele comercial de tevê em que uma mulher sai do carro do namorado e vai pro carro de um estranho, só porque o carro é mais bacana. Seremos mesmo umas marias-gasolina? Diga aí, qual desses assuntos te interessaria ler primeiro? 

 

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Preparei também os textos sobre o dia das mães para o próximo domingo. Falando nisso, nessa segunda-feira à noite nascerá meu segundo sobrinho, segundo filho do meu irmão. É meio estranho saber a hora exata em que uma criança irá nascer… Tempos de cesariana. Eu tive dois partos normais e foram os dois momentos mais intensos que vivi. Bom, nascer é sempre um milagre e um privilégio, não importa do jeito que for.

 

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Pra não dizer que estou totalmente enfurnada em casa, estive visitando a Feira Internacional de Artesanato que está acontecendo no cais do porto aqui de Porto Alegre. Me senti no Oriente! Produtos da Tunísia, Paquistão, India, Turquia, Marrocos, enfim, um delírio. Muitos tapetes, castiçais, almofadas, panos, brilho, cor, ambiente exótico e festivo. E muita coisa barata, pra não deixar ninguém sair de mãos abanando. 

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Como já disse, quarta-feira estou embarcando pra Fortaleza. Antes dos meus compromissos profissionais no Ceará, pretendo pegar alguma praia. Otimismo meu. Sei que o Nordeste está embaixo d´água. Deve ser culpa nossa que o planeta está assim esquizofrênico: nordeste com enchentes, o sul com uma seca histórica. Mas, enfim: sexta à noite estarei no Teatro José de Alencar assistindo a estreia da peça Tudo que eu queria te dizer, às 19h. Depois haverá um bate-papo com o público presente. Acho que vai ser bem legal.

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Volto antes de ambarcar. Beijos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Postado por martha medeiros