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Recomeçando

15 de junho de 2009 34

Eu adoro ir para outros lugares e adoro voltar, as duas etapas da viagem são de igual importância pra mim. Nada como escapar da rotina, e nada como estar em casa outra vez.

*

Vi pelas mensagens que houve um stress a respeito dos feriadões. Realmente, eles são excessivos. No caso da semana passada, o feriado era apenas na quinta, eu emendei porque minha atividade permite isso: posso viajar num dia útil, assim como passo inúmeros sábados e domingos em frente ao computador. Administrar a própria carga horária de trabalho é privilégio de poucos, eu sei. Mas voltando à questão dos feriados: por um lado, é menos produção para o país, menos aulas sendo dadas. Não chega a comprometer nosso futuro, mas também não acrescenta, não acelera, não dinamiza. Por outro lado, é um relax para tanta gente que pega no pesado até seis dias por semana, e que através do feriado pode ficar mais tempo com a família, ou viajar para visitar os pais que moram longe, enfim, cada um aproveita seu tempo como quer e pode.

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Em todo caso, sejamos a favor ou contra, de uma coisa é certa: um país não quebra por causa de feriados, e sim por má administração.

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Pois, pois, a serra fluminense. Não dei muita sorte. Frio e chuva. Até aí tudo bem, chato foi o congestionamento. Em Itaipava, onde me hospedei, havia muita gente e muitos carros, o que não combina com descanso. Na primeira noite na serra, desistimos de ir para o centrinho e jantamos numa padaria, e viva o bom humor, fundamental nessas horas e em todas as outras. 

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Na sexta, dia dos namorados, fomos à Petrópolis, e foi muito bacana rever o Palácio Imperial, a linda catedral, os casarões preservados… Valeu o passeio, e dessa vez almoçamos com pompa e circunstância no restaurante Leopoldina, que fica no hotel Solar do Império. Então voltamos à Itaipava, mais chuva, mais frio e mais congestionamento. À noite, enquanto muitos casais degustavam fondues em lugares charmosos, a gente optou por um joguinho de sinuca na pousada e pizza no quarto assistindo tevê. Pode não parecer, mas também é um programa romântico. Cada um inventa seu romantismo… 

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No sábado a chuva continuava e o plano de conhecer Teresópolis foi abortado depois de sermos informados de que a estrada estava lotada. Em vez de continuar subindo a serra, descemos pro Rio de Janeiro, salve, salve. Pegamos um teatro à noite e inclusive praia no domingo de manhã.     

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Eu andava muito a fim de assistir A História de Nós Dois, por diversos motivos: o elenco é formado por Alexandra Richter e Marcelo Valle, que integraram o elenco da peça Divã e que são atores excelentes. A direção é do Ernesto Piccolo, que também dirigiu o Divã e que vai dirigir a peça Doidas e Santas, que deverá estrear mais pro fim do ano ou começo do próximo. E o texto é de Licia Manzo, que é quem escreve a série Tudo Novo de Novo, sobre a qual já comentei. Com esse time, fui sem medo de me frustrar. E não me frustrei. A peça é divertida, leve, comunicativa – e curta, apenas 65 minutos. O Marcelo não estava atuando no sábado à noite porque está viajando, quem assumiu seu papel foi o próprio diretor, que mandou muito bem. Neco, parabéns!!! Enfim, mais uma comédia romântica sobre os encontros e desencontros de casais. Isso sempre vai ter público, ainda mais quando a equipe é competente. Mas saí do teatro com uma questão martelando minha cabeça.

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Será que é isso mesmo? Homens e mulheres de planetas diferentes brigando sempre pelos mesmos motivos?  Cada vez surgem mais obras tratando sobre as incompatibilidades amorosas, não só no teatro, mas também no cinema e na literatura – para a qual já dei minha contribuição – e o público curte, se reconhece, ri de si mesmo, porque todos já passaram pelas situações que estão assistindo. Mas ando meio inquieta com isso, acho que estamos confirmando uma caricatura de nós mesmos, porque nem todos os homens são iguais, nem todas as mulheres e tampouco todos os relacionamentos. Quem está representando as nossas outras diferenças, que, contraditoriamente, são as nossas semelhanças? Sei que essa última frase ficou complicada, mas o que quero dizer é: as relações não precisam ser sempre confusas. Às vezes o amor é possível. Há regras novas entrando no jogo. Há casais vivendo de forma diferente e saudável. Há outras vias além das já conhecidas e reprisadas.

*

Estou escrevendo isso tudo aqui na pressa, mas vou tentar elaborar melhor esse meu pensamento e depois volto ao assunto, talvez numa crônica.

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No mais, fiquei sabendo apenas hoje que o filme Divã papou 7 prêmios no Festival do Cinema Brasileiro de Miami, incluindo melhor filme, melhor direção, melhor atriz, melhor roteiro, melhor montagem… uau! Cumprimentos a toda equipe! Me sinto honrada de fazer parte disso tudo.

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Vou trabalhar, o feriado acabou, chega de moleza. Volto qualquer hora. Beijos!

 

 

Postado por martha medeiros

Comentários (34)

  • Lucia diz: 16 de junho de 2009

    Martha, fico feliz que o teu feriadão tenha sido proveitoso. Nada melhor que viajar juntinho com o amor. Sabe, compartilho contigo essa inquietude de hoje em relação aos relacionamentos. Parece que as pessoas se sentem até culpadas quando tudo dá certo: `o que há comigo, estou feliz, amando e sendo amada`? Os valores estão sofrendo uma inversão?! Beijos, querida escritora.

  • Leila Carvalho diz: 15 de junho de 2009

    Retorno triunfal!!!Li seu blog pela primeira vez nesse feriado (e também Divã e Doidas e Santas)e vi a polêmica q o feriadão provocou nos comentários feitos pelos leitores. Mas você, mais uma vez usou com maestria o seu talento para escrever e, expôs o seu ponto de vista sem atacar ninguém. Essa fica como uma lição pra todos nós: ninguém é igual, não há receitas de bolo a seguir na vida das pessoas, e assim devemos tentar não julgar ninguém,mesmo q ela escreva num dia útil ou no domingo.Parabéns

  • Roberta diz: 16 de junho de 2009

    Aguardarei ansiosa uma crônica sobre o assunto !
    Bjo,

    Roberta

  • Monique dos Reis diz: 15 de junho de 2009

    adoro seus textos;e particulamente concordo com o seu ponto de vista em relação aos relacionamentos…é fato que os relacionamentos estam mais “dinâmicos”,mas como diz o ditado:a toda via de regra há uma exceção!

  • Raquel Nogueira Martins diz: 15 de junho de 2009

    Olá Martha, tudo bem?
    Espero que tenha curtido mto o feriado! Meu post é, na verdade, uma pergunta sem ligação com o texto. Peço encarecidamente que vc me responda, por favor. Estou em aflição!
    Sou mineira e estou namorando um gaúcho. Está tudo indo bem, mas temos tido alguns
    probleminhas lingüísticos…Qdo ele fala palavras novas pra mim, procuro contextualizá-las e até me viro bem…Os problemas têm sido os erros: ele não fala plural; transforma advérbios em palavras sujeitas a variação

  • Raquel Nogueira Martins diz: 15 de junho de 2009

    Continuando…
    (sim, estou com vergonha…ele diz o feminino inexistente de menos) e ontem, durante um almoço de família, soltou a pérola: TRUXE!
    Não que esse seja um gde problema… mas me assusta mto o fato de se tratar de uma pessoa que cursou universidade, trabalha e continua cometendo esses erros…Sei que ele é de uma região colonizada por italianos, eles de fato falam dessa forma? Vc pode me ajudar?
    Desde já, muitíssimo obrigada!

  • Luisa diz: 15 de junho de 2009

    Fico feliz de ser um dos novos casais que aprenderam a viver de maneira saudável. Meu romântico por exemplo é jogar videogame junto.

  • Nathália Hecz diz: 15 de junho de 2009

    Bacana a tua viagem, mesmo com chuva. Nossa, Divã é sucesso, parabéns a toda equipe do filme e a ti também, Martha! Mais do que merecidos esses prêmios todos. Beijão, boa semana! =D

  • Luiza Andrade diz: 15 de junho de 2009

    Martha,
    Adorei a iniciação ao assunto. Quero muito ler o que pensa sobre os relacionamentos que dão certo! Acho que, na verdade, estamos carentes de crer nisso! É verdade, vivemos confirmando nossas caricaturas, mas é o reflexo das nossas experiências! Acredito que nem todos os homens são iguais, e muito menos as mulheres. Quanto aos relacionamentos, tenho minhas dúvidas. Acho que ainda precisamos evoluir muito (homens e mulheres) até chegar lá! E porque ainda acredito, continuo tentando!
    Abs,

  • Ro diz: 15 de junho de 2009

    oi Martha, me senti na obrigação de te apoiar, quando fala que novos relacionamentos estão surgindo, e não precisam cair na mesmisse. Falou tudo.Realmente é isso q esta acontecendo, chega de mulheres de Venus e homens de Marte, podem sim ser todos de jupter, sem problema nenhum…. isso ai, vou adorar ler uma cronica a respeito.bjão pra ti

  • leticia diz: 15 de junho de 2009

    ahh martha traz fotinhos pra gente visualizar !!
    bjo querida!!

  • zenilda loyo diz: 15 de junho de 2009

    Oi Martha que bom que você está de volta, claro com merecido descanso. Estou aguardando você aqui em Recife, quando é mesmo a data que você vem? Sou sua fã e espero vê-la aqui o mais breve possível. Bjs.

  • Avner Posner diz: 15 de junho de 2009

    Ahhhh que bom que seu feriado foi bom, fico feliz. Tive que estagiar quinta e sexta. E meu dia dos namorados deixou bastante a desejar: DEU TUDO ERRADO!!! Mas pelo menos deu pra consertar as coisas no sábado e domingo deu pra curtir os amigos. E segunda feira de novo. Vamos que vamos. E realmente o filme é divino. Assisti na estréia, inclusive com a ilustre presença da Lilia Cabral. Parabéns Martha.

  • Liz diz: 15 de junho de 2009

    Divã merece mesmo todos os prêmios!!! É filme ótimo!!!!

  • Yany Mendes Siqueira de Araújo diz: 16 de junho de 2009

    Martha querida!Você discorre sobre o recorrente tema da “História de Nos dois”, usando o nome da peça que irei ver também, de uma forma que nos faz pensar meeeeesmo sobre o que há de errado, quando parece estar certo? Por favor, uma crônica sobre um dos temas mais discutido do mundo.Na sua forma deliciosa de narrar,a briga entre os sexos terá sabor de vinho e chocolate!Ah a crônica”dentro de um abraço” me fez chorar horrores.Liiinda!!Bjs!!!

  • Marcela diz: 16 de junho de 2009

    Acho que a gente só precisa encontrar a nossa forma de viver nosso amor, como pessoas diferentes, nossos amores também são. :) Martha, fiquei muito contente em ver seu nome na programaçao da Feira do Livro aqui de Ribeirão, estarei lá, até!

  • Ana Luzia diz: 17 de junho de 2009

    Oi Martha, 1ª vez no blog. Tenho lido muita coisa sua, todas de ótima qualidade. Sobre relacionamentos que dão certo diria que o meu que entre namoro e casamento já vai para 24 anos tem dado muito certo. Credito isso a nossas escolhas por uma vida simples, amor aos filhos e a nós dois, principalmente. Abdiquei de uma profissão bastante rentável e comecei a dar aulas de inglês somente para ter mais tempo para me dedicar às coisas que realmente importam. Beijos e parabéns pelo seu trabalho.
    Ana

  • Isa diz: 16 de junho de 2009

    Oi, Martha!!!Adoro seus textos… venho pesando muito no que vc falou e concordo com a Luiza Andrade “estamos carentes de crer nisso”, ou seja, em relacionamentos saudáveis.
    “O amor só é lindo qdo encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser”. Mas pq é tudo tão difícil e desgastante? Cada vez mais eu acredito que é questão de sorte e destino. Sobre as novas formas de relacionamento, o meu terapeuta, indicou o livro “Amor Líquido” do z. Bauman. Vc já o leu?
    Forte abraço

  • Andréa diz: 16 de junho de 2009

    Raquel, sei que pediu ajuda para a Martha e com certeza ela saberá lhe responder melhor que eu, porém não resisti. Acho que se isso lhe incomoda e se já tem intimidade suficiente com ele para manter um relacionamento amoroso, porque não corrigi-lo? Enfim…

    Martha, simplesmente amo seus textos!!! Tenho 29 anos e me apaixonei por vc a primeira lida..rs e confesso (envergonhada) não ser muito fã de leitura.

    Parabéns pelos prêmios no Festival do Cinema, vc merece! Grande beijo e ótima semana.

  • Franciane Costa diz: 15 de junho de 2009

    Olá Martha… Você é umas das melhores autora que temos no RS!
    Amo de paixão suas crônicas… As de domingo no ZH são maravilhosas!

    Parabéns!

    Beijo e boa semana ^^

  • Fleur de Joie diz: 16 de junho de 2009

    Ih, perdi a questão “feriado”, então não vou meter minha colher. Martha, há algumas postagens perguntei sobre a possibilidade de relançar(reeditar? reimprimir?) os títulos que já não estão à venda. Acho que você esqueceu de responder… (~.~) Quero muito saber.

  • Projeto Palavra´s diz: 16 de junho de 2009

    Ola Martha…Estava lendo os posts da galera e, ví que a Raquel de BH está assustada com os erros de pronúncia do namorado gaúcho. Pois é, minha cara Raquel, te convido pra se assustar um pouco mais e conhecer minha região. Aqui, troca-se os “erres” com frequência. Ex: Aranha (o bixo), vira A”rr”anha de arranhar. Jarro vira Ja”r”o, Correr em Co”r”er e por ai vai. Coisas de colonização dizem uns. Eu acho que é falta de bons professores primários. Será que tem como mudar esse quadro Martha??

  • Sergio diz: 16 de junho de 2009

    Recentemente conheci essa escritora lendo o texto “festa no outro apartamento”. Gostei muito. É ao mesmo tempo sucinta e profunda. Sua observação do cotidiano mostra que aprecia a vida e traduz com maestria. Uma digna artista.

  • Thais diz: 16 de junho de 2009

    Oi Martha, recomeçando a semana com uma pergunta para vc, O que você está lendo?
    Obrigada e boa semana,
    Thais

  • Nathy Armbrust diz: 15 de junho de 2009

    Querida, Martha !
    Belo “tapa de luva” dado quanto ao
    stress gerado pelo “feriadão”, disseste
    tudo: PRIVILÉGIO DE POUCOS ADMINISTRAR
    A PRÓPRIA CARGA HORÁRIA e ponto final.

    e como diz a frase “não se compare à maioria, pois, infelizmente ela não é modelo de sucesso…”, continue desfrutando dos seus tão merecidos FERIADOS.

    Que bom que aproveitaste o passeio!!

    grande abraço

  • Daiana diz: 16 de junho de 2009

    Martha.

    Esse texto está confuso, ou vc se liberou demais…
    NO amor entre homem e mulher não existe outra forma de amar, existe sim pessoas que se enganam com outras formas, qdo ja não dá mais…O amor verdadeiro ele é só um e dura pra sempre e esse sim as pessoas em sua grande maioria esqueceram, o amor de certa forma foi muito banalizado de tal forma que quando encontramos o verdadeiro a gente não reconhece…
    Boa semana..Adoro vc…

  • Nathália Hecz diz: 16 de junho de 2009

    Martha, estava lendo uma reportagem e lembrei de ti, olha só: “Qual É O Sexo Do Seu Cérebro?”. Lembrei porque várias vezes li que tu acha que pensa como um homem, isso apareceu bem no “Divã”. Na reportagem tem um teste para saber sobre o sexo do cérebro, bem como uma explicação sobre o assunto. Pode ser que tu já tenhas visto, mas mesmo assim vou deixar o link. Ah, eu fiz o teste e o meu cérebro é beem feminino (se é verdade eu não sei, mas sei lá, viu?!). Beijão, flor!

  • Danielle diz: 15 de junho de 2009

    Olá Martha eu ja li varias vezes o seu livro Trem Bala e gostei muitoo..
    Poxa vc não sabe o quanto eu te admiro…
    Vc é uma autora e tanto…
    Espero q vc me responda.. bjos e continue fazendo sucesso…

  • Monique dos Reis diz: 15 de junho de 2009

    adoro seus textos,e particulamente concordo com seu ponto de vista em relação aos relacionamentos…nem todos seguem o mesmo ritmo.É fato,os relacionamentos estam bem “dinamicos”,mas a toda via de regra há uma exceção.

  • Juliana Amaral diz: 15 de junho de 2009

    Oi Martha!Que bom que voltaste,para como sempre,nos fazer pensar mais fundo em nossos relacionamentos… E concordo contigo, sera que as pessoas nao conseguem viver em paz com seus amores??? Eu mesma as vezes vendo, lendo, ouvindo todoas estas crises amorosas me pergunto, sera uqe eu sou normail? sera que meu namorado eh normal? Por que na verdade, ja estou no meu relacionamento a 4 anos ( completados dia 11 Junho)e nos vivemos em plena paz, tranquilidade e harmonia, nao brigamos,q sera q somos?

  • Juliana diz: 16 de junho de 2009

    Parabéns pelo Divã Martha, ele e vc merecem todos os prêmios possíveis…
    Bjos querida!!

  • Carla Daniela diz: 16 de junho de 2009

    Olá Martha!! Adorei o rápido comentário que fizeste sobre os casais e os novos romantismos. Porém acredito que o amor está cada vez mais complicado ou nós ainda não aprendemos a amar sem querer ser “um pouco donos”, dos nossos pares. Os valores estão meio distorcidos e o medo da solidão está ficando esquecido. Gostaria muito que tu voltasse a escrever sobre essas formas de amar, quem sabe,uma crônica. Aguardo. Adorei tua palestra com os alunos em Butiá. Abraços.

  • Raquel Óliver diz: 16 de junho de 2009

    Acho tão legal a proximidade que tens com os outros.

  • CARLOS HENRIQUE PEREIRA diz: 19 de junho de 2009

    Menina, que bacana poder deixar aqui um GRANDE ABRAÇO para vc. Gosto muito da sua companhia nos domingos (O GLOBO).
    Beijos muitos

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