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Dois livros

30 de junho de 2009 18

Oi! Antes de recomendar os livros, gostaria de responder pra Renata: sim, o texto que você menciona é de minha autoria, chama-se “As razões que o amor desconhece” e está publicado no meu livro Trem-Bala.

*

Queria também esclarecer um lance: não estou no Orkut, nem no Twitter, nem em espaço virtual algum a não ser nesse blog. Simplesmente não tenho tempo nem interesse. Então não se deixem confundir por perfis e declarações falsas, ok?

*

Recentemente li dois livros excelentes. Um chama-se Indignação, do brilhante Philip Roth, autor norteamericano que já escreveu diversos livros, sendo os mais recentes Homem Comum, O Animal Agonizante e Fantasma sai de Cena, todos eles com uma temática semelhante: a perplexidade diante da finitude da vida, a velhice convivendo com o desejo ainda latente, a busca por um sentido pra tudo isso aqui. Sou fã absoluta do autor, que agora fugiu um pouco dessa “trilogia” quase autobiográfica para nos entregar um livro narrado por um garoto de 19 anos, um personagem descrito de forma tão realista que é como se a gente conhecesse o cara mais do que a nós mesmos. Um livro que demonstra que nossas escolhas e atos mais fortuitos podem gerar consequências totalmente desproporcionais. 

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E terminei ontem de ler A salvo de nada, do francês Olivier Adam, que tem sido considerado um dos grandes talentos da nova literatura européia. Com todo merecimento. Foi o primeiro livro que li dele e fiquei impactada pela narrativa em primeira pessoa de um personagem feminino que vive à beira do Canal da Mancha e à beira da loucura. Um relato asfixiante de uma mulher querendo se salvar não sabe do quê. Um relato desnorteado, sensível e forte. Transcrevo abaixo o primeiro parágrafo do livro, fica como aperitivo. 

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“Como começou? Suponho que tenha sido assim: eu, sozinha na cozinha, o nariz colado na janela, onde não há nada. Nada. Nem preciso ser mais clara. Somos muitos vivendo aqui. Milhões. De qualquer maneira, isso não tem nenhuma importância, todos esses lugares se parecem, acabam se confundindo. De uma ponta à outra do país, espalhados eles se juntam, constituem uma tela, uma rede, um estrato, um mundo paralelo e ignorado. Milhões de casas idênticas com fachadas brancas, bege ou cor-de-rosa, milhões de persianas com a tinta descascando, portas de garagem mal ajambradas, com jardinzinhos escondidos atrás, balanços churrasqueiras amores-perfeitos gerânios, milhões de televisores ligados nas salas Conforama. Milhões de homens e mulheres, invisíveis e sufocados, vidas imperceptíveis e esfaceladas. A vida banal dos loteamentos modernos. Sem se preocupar com o que há em volta, com aquilo que os cerca. Indiferentes, confinados, entrincheirados, cada um para si. Nada: carros enfileirados, fachadas grudadas umas nas outras, moleques brincando na luz mortiça. O labirinto de ruas com nomes de árvores ausentes. Os postes com suas lâmpadas frias na noite, o concreto e as grades. A cidade inútil, distante, e o silêncio em plena luz do dia.” 

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Postado por martha medeiros

Comentários (18)

  • ALINE FERNANDES diz: 1 de julho de 2009

    Martha, adoro vir aqui no seu cantinho, tô triste porque não consegui te ver na feira do livro, faço mestrado e os horários chocaram…
    A sua simplicidade sofisticada de viver e escrever a vida, os sentimentos,me encanta.

    Beijos!
    Beijos

  • Stephanie diz: 1 de julho de 2009

    Oi Martha! Sou uma fã confessa do teu trabalho.
    Mesmo morando agora em Ctba, acompanho os textos do Zero Hora pela internet e também adoro o espaço aqui no blog.
    Parabéns pelo trabalho!

    Queria saber se já tem algum compromisso agendado pra Curitiba.

    Bjos!

  • Laura diz: 1 de julho de 2009

    Martha,sou de Santa Maria, tenho 16 anos e vim aqui como uma demonstração da minha admiração por ti e pelo teu trabalho. Estou numa época muito complicada cheia de decisões na minha vida,como o vestibular por exemplo, e sempre gosto de reler alguns trabalhos que tenho salvos no meu computador. São uma grande ajuda. Com carinho,tua fã!

  • José Roberto Kras Dorneles diz: 30 de junho de 2009

    A finitude da vida e a velhice não são coisas boas, mas não há como escapar. O mais triste é alguém chegar nestes momentos e se der conta de que, por correr atrás de coisas que aparentemente eram tão importantes, não teve tempo para “viver” a vida.

  • Avner Posner diz: 30 de junho de 2009

    Estive pensando aqui. Martha, sua casa deve ser uma biblioteca gigante. Deve ser incrivel. Eu aos poucos eu monto a minha coleção d livros d arquitetura. Beeem aos poucos.

  • Roselena Fagundes diz: 30 de junho de 2009

    Martha, gosto muito do que você escreve: objetiva e sincera! Em outras palavras: curta e grossa! É como se seus escritos chegassem na hora certa… Acalmam, revolucionam, mexem, alegram,fazem sempre o movimento da vida!
    Penso que você é muito boa no que faz, mas percebo você sempre à mil… Você é ótima!!
    Obrigada por compartilhar tanta coisa boa!!

  • Ana Paula Sales Tavares diz: 1 de julho de 2009

    Olá, Martha! Os dois livros parecem excelentes dicas de leitura! Beijos e boa semana!

  • fernanda diz: 1 de julho de 2009

    Martha, sou eu novamente. Efetivamente Olivier Adam é o cenarista do filme Welcome, de Philipe Lioret. Vale a ena ver este filme.

  • Sergio Oliveira diz: 1 de julho de 2009

    Olá Marina, gostaria de opnião sua quanto a técnica mais apurada para uma concentração
    expressa na leitura, sem desviar a atenção
    no que se está lendo.

  • fernanda diz: 1 de julho de 2009

    Bom dia Martha. Fui procurar o livro de olivier adam e o resumo (ainda nao deu pra ler o livro) parece muito com a historia de um filme que saiu aqui na França nao tem muito tempo que chama Welcome de Philippe Lioret. é a historia de um imigrante em Pas de Calais que tenta atravessar o canal da mancha a nado e a amizade com um morador desta cidade. A historia é durissima, mas muito interessante. Vale a pena conferir se o filme sair por ai.

  • Juliana diz: 30 de junho de 2009

    Deu água na boca Martha….Adoro suas dicas…
    Bjosssss, te adoro!

  • Ronne Grey diz: 1 de julho de 2009

    Vagabunda Poesia

    Poesia do meu hospício,
    Diploma no café da insônia,
    Todos dormem, eu rabisco.

    Implico, repito e reflito,
    Loucura não é novidade,
    Mas sim um poeta aflito,
    Todos são cúmplices
    Dessa maldade.

    Gritaria intensa, dor imensa,
    Desabafo que piensa, similar
    Melodia, mas que não passa de
    Uma vagabunda poesia.

    Prostituta sem palco e platéia,
    Na boca de todos, mas que foi
    Maquiada na cama, sem fama,
    E na solidão.

    Ronne Grey

    espero que gostes….

  • Maura Carneiro diz: 1 de julho de 2009

    Fico impressionada com a capacidade que certos escritores tem de ver coisas que não vemos geralmente. Isto me inspira e me toca, por isso amo a Literatura, e os escritores que fazem dela um deleite aos nossos olhos e percepções.
    Beijos

  • Yasmine Ferreira diz: 1 de julho de 2009

    oii! sou sua fã incondicional..e gostaria de ver uma cronica sua sobre o michael jackson.. eu sei eu sei..ngm mais aguenta ouvir falar..mas um texto seu seria incomum(como todos) enfim, um pedido! isso se voce gostava dele, ou simpatizava..pq se detestava acho meio impossivel escrever né.. beijos!

  • Marciane Faes diz: 3 de julho de 2009

    Martha
    Acredito que tua decisão de concentrar-se no blog vai ajudar a que este espaço maravilhoso evolua/melhore muito mais, pois os blogs tem uma potencialidade ainda a ser explorada. As pessoas estão dando mais valor à multiplicidade de meios (que não é pra desprezar) que ao aprofundamento de um.
    “Já escreveu em algum blog hoje?”

  • Keila diz: 2 de julho de 2009

    Olá Quanto tempo!
    Coincidência ou não, vim aqui para perguntar se você tem twitter…masssss resposta dada!!!!!

    Bom saber, se encontrar alguma Martha Medeiros em twitter…é FRAUDE…
    bjsss

  • fernando moya diz: 3 de julho de 2009

    prezada MARTHA, por favor, me ajuda, pois estou com um problema: adorei primeiro livro que li do PHILIP ROTH , animal agonizante . Mas estou odiando O fantasma sai de cena . É asim mesmo ?? são muito diferentes?? Ou eu não estou entendendo alguma coisa ?? AGUARDO sua dica . Abração !!

  • Vanessa diz: 12 de julho de 2009

    So mesmo vc p/ sentir a encantadora Londres como ela verdadeiramente é! Mesmo cinza, esta e uma cidade p/ quem tem a sensiblidade.
    Confirmo aqui q so qm ja passou tardes e tardes no Hyde Park (e hj sei a cor e de cada flor!) sabe o qto ali é especial! E sair dali, pegar a Picadilly Line p/ ver por o sol as 10 da noite nos pubs das varandas do Covent Garden Market durante o verao tomando uma pint nao tem preco! Pimlico, Chelsea, Tower Bridge e Westminister sao sensacionais! Bjo grande

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