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Posts de junho 2009

Dois livros

30 de junho de 2009 18

Oi! Antes de recomendar os livros, gostaria de responder pra Renata: sim, o texto que você menciona é de minha autoria, chama-se “As razões que o amor desconhece” e está publicado no meu livro Trem-Bala.

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Queria também esclarecer um lance: não estou no Orkut, nem no Twitter, nem em espaço virtual algum a não ser nesse blog. Simplesmente não tenho tempo nem interesse. Então não se deixem confundir por perfis e declarações falsas, ok?

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Recentemente li dois livros excelentes. Um chama-se Indignação, do brilhante Philip Roth, autor norteamericano que já escreveu diversos livros, sendo os mais recentes Homem Comum, O Animal Agonizante e Fantasma sai de Cena, todos eles com uma temática semelhante: a perplexidade diante da finitude da vida, a velhice convivendo com o desejo ainda latente, a busca por um sentido pra tudo isso aqui. Sou fã absoluta do autor, que agora fugiu um pouco dessa “trilogia” quase autobiográfica para nos entregar um livro narrado por um garoto de 19 anos, um personagem descrito de forma tão realista que é como se a gente conhecesse o cara mais do que a nós mesmos. Um livro que demonstra que nossas escolhas e atos mais fortuitos podem gerar consequências totalmente desproporcionais. 

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E terminei ontem de ler A salvo de nada, do francês Olivier Adam, que tem sido considerado um dos grandes talentos da nova literatura européia. Com todo merecimento. Foi o primeiro livro que li dele e fiquei impactada pela narrativa em primeira pessoa de um personagem feminino que vive à beira do Canal da Mancha e à beira da loucura. Um relato asfixiante de uma mulher querendo se salvar não sabe do quê. Um relato desnorteado, sensível e forte. Transcrevo abaixo o primeiro parágrafo do livro, fica como aperitivo. 

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“Como começou? Suponho que tenha sido assim: eu, sozinha na cozinha, o nariz colado na janela, onde não há nada. Nada. Nem preciso ser mais clara. Somos muitos vivendo aqui. Milhões. De qualquer maneira, isso não tem nenhuma importância, todos esses lugares se parecem, acabam se confundindo. De uma ponta à outra do país, espalhados eles se juntam, constituem uma tela, uma rede, um estrato, um mundo paralelo e ignorado. Milhões de casas idênticas com fachadas brancas, bege ou cor-de-rosa, milhões de persianas com a tinta descascando, portas de garagem mal ajambradas, com jardinzinhos escondidos atrás, balanços churrasqueiras amores-perfeitos gerânios, milhões de televisores ligados nas salas Conforama. Milhões de homens e mulheres, invisíveis e sufocados, vidas imperceptíveis e esfaceladas. A vida banal dos loteamentos modernos. Sem se preocupar com o que há em volta, com aquilo que os cerca. Indiferentes, confinados, entrincheirados, cada um para si. Nada: carros enfileirados, fachadas grudadas umas nas outras, moleques brincando na luz mortiça. O labirinto de ruas com nomes de árvores ausentes. Os postes com suas lâmpadas frias na noite, o concreto e as grades. A cidade inútil, distante, e o silêncio em plena luz do dia.” 

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Postado por martha medeiros

Jean Charles

28 de junho de 2009 35

Fui assistir ao filme Jean Charles, com o sempre excelente Selton Mello no papel daquele rapaz brasileiro que foi estupidamente assassinado num vagão de metrô, quatro anos atrás, confundido com um terrorista. O filme é quase um documentário, não tem artifícios técnicos, é uma narrativa comum, descolorida, acinzentada como a Londres dos imigrantes.  

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Londres é minha cidade preferida fora do Brasil. A primeira vez em que estive lá, me hospedei na casa de uma inglesa que tinha quatro filhos e um monte de dívidas, por isso amontoava os filhos num mesmo quarto para poder alugar o outro para estrangeiros e ganhar algum trocado extra. A casa ficava num bairro ótimo, perto da Pimlico Station, mas a vida dela não era um passeio. Lembro que comprava comida com data de validade vencida, porque era mais barato. Já eu estava mais a fim era de bater perna na rua e conhecer a tal cidade que inspirou a frase: quem enjoou de Londres, enjoou de viver. 

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Foi amor à primeira vista pela capital londrina. Foram apenas 18 dias, e não enjoei nem um segundo. Voltei mais três vezes depois daquela, me hospedando não mais em quartos de casa de família, mas em pequenos hotéis. Enfim, uma turista clássica curtindo os parques, os museus, os pubs, as feiras, os monumentos, as livrarias, as ruas. Há quem não tenha paciência pra isso e acredita que, se é pra viajar pro exterior, que seja pra morar, vivenciar de fato o dia-a-dia da cidade. Pois é. Quem me dera poder passar um longo tempo estudando em Londres, escrevendo em Londres… Mas isso é para poucos. Quem resolve sair do Brasil para morar fora, geralmente vai para lavar prato, fazer faxina, pegar no pesado, e não passa nem perto das flores do Hyde Park.

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Jean Charles de Menezes morava numa cidadezinha no interior de Minas e resolveu ir para o exterior tentar ganhar a vida como eletricista, imaginando um futuro melhor pra sua família. Passou a viver com mais três primos, todos tentando faturar algum em moeda forte. Eu saí do cinema pensando em como essa ilusão custa caro. A gente deveria ter condições de viver dignamente como eletricista ou  garçom ou o que for, aqui mesmo, no Brasil. É barra ter que enfrentar um cotidiano bruto, sem nenhuma fantasia. Há um momento em que a atriz Vanessa Giácomo, que interpreta a prima Vivian, que largou o namorado no Brasil para trabalhar em Londres como garçonete numa espelunca onde o dono cospe nos pratos que serve aos muçulmanos, diz a Jean Charles algo como: “maldita a hora que eu vim pra cá para ralar nessa porcaria de cidade”. Diz isso à beira do Tâmisa, em frente ao deslumbrante prédio do Parlamento, que para ela não tem nenhum significado – ela está na Europa apenas pelo dinheiro, longe do seu amor, do seu idioma e sem nenhuma oportunidade de crescimento real. Numa situação como essa, é perfeitamente compreensível que Londres se transforme numa porcaria, por mais que doa no nosso ouvido associar essa palavra à terra de Shakespeare.  

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Jean Charles se divertia como? Não era ouvindo jazz no Ronnie Scott´s, no Soho,  e sim ouvindo Sidney Magal ao vivo num teatro de quinta, cercado de outros brasileiros, muitos deles ilegais no país, saudosos da pátria, do feijão, da goiabada, sem a possibilidade de absorver a cultura do lugar onde estão vivendo, sofisticar o gosto, viver uma experiência nova. O lance era economizar, faturar o máximo possível e voltar pra casa assim que desse. Como fazem milhares de trabalhadores rurais que se transferem para centros urbanos, que saem do interior para as capitais. O êxodo atrás de grana, de trabalho, de dignidade. Não bastasse a dureza que é viver desse modo, em Londres ou São Paulo ou em qualquer lugar, ainda levar uns tiros na cabeça às dez da manhã dentro de um transporte público, sem chance de defesa, entra pra categoria das histórias inacreditáveis. 

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Vivian, a prima que chegou pela primeira vez em Londres odiando tudo aquilo, volta anos depois à capital inglesa, mais madura e mais mulher. E faz o quê? Coloca uma mochila nas costas e vai, sozinha, rodar o mundo e conhecer melhor a Europa e a si mesma. Decide, enfim, viajar – e honrar a vida que Jean Charles não teve tempo de merecer.  

 

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Bom início de semana a todos!

 

 

 

Postado por Martha Medeiros

Dias agitados

25 de junho de 2009 36

Na última quarta-feira estive em Ribeirão Preto e foi muito legal. A Feira do Livro vai até domingo e os convidados são de alto nível: passaram e ainda passarão por lá Laurentino Gomes, Moacyr Scliar, Marcelo Rubens Paiva, Marcia Tiburi, Thiago de Mello (amazonense que conheci muitos anos atrás no Chile, quando ele era adido cultural da embaixada brasileira – adoraria tê-lo revisto, mas não nos cruzamos), Marina Colasanti, Fernando Morais, Cristóvão Tezza e muitos outros. E o que dizer dos shows? Paula Toller, Maria Rita, Lenine, Paulinho da Viola, Adriana Calcanhoto… Hoje de manhã (quinta) voltei no mesmo voo que João Bosco. Além do músico que é, ainda é pai do escritor Francisco Bosco, leia os livros desse cara! Bem, mas o que interessa é o acesso – gratuito! – que a população de Ribeirão e arredores está tendo com essa gente toda. É muito bacana  uma cidade proporcionar essa efervescência cultural, a troca de ideias e de energia. Meu bate-papo de quarta-feira, no teatro D. Pedro II, foi assistido por um pessoal muto amável e interessado, e nos divertimos juntos. Devo um agradecimento especial ao Osvando Faria, meu “padrinho” (a Feira elege um padrinho ou madrinha para cada um dos convidados, é quem fica encarregado de buscar e levar no aeroporto e fazer as honras da casa), que foi solícito o tempo inteiro e ainda me levou para almoçar no Pinguim, instituição da cidade, onde tomamos o chope mais famoso do Brasil. Compartilhamos a mesa com Scliar e Laurentino Gomes, e seus padrinhos e madrinhas. Muito chique esse mundo intelectual. 

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Já na manhã seguinte, acordei às seis da manhã e saltei do mundo da intelectualidade para o mundo (também adorável) da frivolidade. Fui pra São Paulo fotografar para uma revista de moda. Achei que ia ser algo simples, trivial, mas que nada, tive meu dia de Gisele! Estúdio reservado e uma equipe completa a meu dispor, que tal? Jornalista, fotógrafo, maquiador, produtora de moda, editora e uma arara de roupas incríveis! Fotografei com três looks diferentes e achei tudo muito divertido. Agora entendo por que as modelos ganham fortunas, não é fácil o “coloca a mão aqui, põe a perna pro lado, levanta o queixo, arruma o cabelo, levanta o ombro…”. Acrobacias em frente à câmera.

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Ok, ok. Tem coisas beeeeeem mais difíceis nessa vida.

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A revista? Da loja Bob Store, presente em várias cidades brasileiras. Topei a empreitada porque sou cliente da loja há anos, é uma moda básica que tem meu jeito, minha cara. A publicação não se compra em bancas. É distribuída para o mailing de clientes e distribuída nas próprias lojas, a cada nova coleção. Fotografei e dei entrevista para a edição de primavera. No final de agosto, deve estar à disposição. É gratuita.   

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Enfim, foi um fato novo na minha rotina, e é isso que nos salva do tédio: os fatos novos que pintam, se a gente tiver disponibilidade pra eles. 

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O último Saia Justa tratou sobre isso: sobre o tédio. E a conclusão das quatro participantes do programa é que só se salva do tédio quem tem um olhar apaixonado para as pequenas coisas do dia-a-dia, quem tem o espírito aberto pra promover insignificâncias a grandezas, quem tem um entusiasmo natural e constante. Sorte minha, isso me sobra!

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O programa também tratou sobre uma questão que nunca me passou pela cabeça: quem deve dizer “eu te amo” primeiro, o homem ou a mulher? Caramba, vão querer regrar isso também? Ora, diz primeiro quem sente o impulso, a espontaneidade, a necessidade de externar o que sente. Não importa quem. E o outro, o que ouviu, não tem a obrigação de devolver um “eu também” automático. Que fique na sua, até que sinta o mesmo – e se não sentir, cale. Declaração de amor não se banaliza. 

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Hoje senti o peso da idade, a nostalgia me arrebatou. Primeiro, se foi Farrah Fawcett. Muito assisti “As Panteras”, achava aquela mulher linda – e nem sei se ela chegou a ser mais do que isso na vida, mas enfim, a beleza fez dela um ícone. E o que dizer de Michael Jackson? Eu sou antiga, admito: era fã do Jackson Five e depois acompanhei sua carreira solo com vibração, o cara dançava muito, cantava muito, tinha uma personalidade extraordinária, se destacava da paisagem. Aí entrou naquela neura de mudar de visual, mudar de raça, se meter em confusões amadoras, não conseguiu amadurecer, evoluir. Se foi isso que o matou ou não (as consequências de distúrbios psíquicos e físicos), não se sabe ainda, pode ter sido uma morte acidental como a de qualquer outra pessoa – ataques cardíacos são triviais - mas a tendência é achar que a doideira em que ele vivia facilitou esse fim de vida precoce. Fico com pena e ao mesmo tempo agradecida pelo tanto que ele contribuiu à música pop.

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Por ora, é isso. Beijos!! 

 

 

      

Postado por martha medeiros

Vou ali e já volto

23 de junho de 2009 19

Passei aqui apenas para dar um tchau e lembrar o pessoal de Ribeirão Preto que nessa quarta, dia 24, estarei batendo um papo às 19h no teatro Dom Pedro II (melhor confirmar o local no site da Feira do Livro). Estou muito a fim de conhecer a cidade. Só espero ter energia para tanto, porque sairei de Porto Alegre num voo às 6:00h da manhã, ou seja, vou ter que acordar às… melhor nem fazer os cálculos.

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Sim, Thaís, já assisti Estômago e adorei o filme. 

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Olha, alguém me perguntou sobre a questão dos diplomas para jornalismo. A gente sabe que essa é uma profissão que não depende necessariamente de um aprendizado teórico e técnico. Sabendo escrever bem, sendo bem informado, curioso, tendo ética, cultura, conhecimento geral, talento nato e humildade para aprender com outros profissionais, pode-se desempenhar a função. O mesmo vale para a publicidade, para as relações públicas, mas ainda assim, tudo isso é muito vago e incerto. O que eu penso é que se estuda pouco no Brasil, e a vida acadêmica nunca é dispensável, porque ela envolve mais do que didática: envolve convivência com professores, com colegas, com orientação bibliográfica, com um ambiente educacional, com cursos paralelos que oferecem suporte técnico (como fotografia, por exemplo), enfim, é um assunto que ainda merece ser mais discutido, mas, em princípio, eu incentivaria a manutenção da exigência do diploma, pelo incentivo ao estudo e para não abrir precedentes perigosos. 

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Volto em breve, beijos.

 

 

 

   

Postado por martha medeiros

Variados

21 de junho de 2009 26

Oi!

Tem tanto assunto sobre o qual eu gostaria de escrever essa semana… duvido que eu consiga arranjar tempo, vai ser uma pedreira. Amanhã já tenho um bate-papo agendado com o pessoal da oficina de literatura do Charles Kiefer, aqui em Porto Alegre, e na quarta, às 6 da manhã (!!) meu voo decola para Ribeirão Preto, onde à noite (19h) participarei de um bate-papo na Feira do Livro. Na quinta farei um pit-stop em São Paulo para uma entrevista para a revista da loja Bob Store e para tirar fotos, e à noite voarei de volta a Porto Alegre.

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Tenho curtido a informalidade do presidente Barack Obama, que senta em escadas e mata moscas em meio a entrevistas. Nada a ver com política, e sim com posicionamento público. Claro que sempre haverá aqueles que condenarão sua postura, considerando-a apenas um recurso de marketing, mas se for, e daí? Antes um marketing focado na naturalidade do que na arrogância. Tem muita gente patrulheira que me dá nos nervos. Inacreditavelmente, uma associção ligada ao PETA defendeu a pobre da mosquinha que pousou no braço do presidente: como ele teve coragem de matá-la??? Putz, que gente xarope.

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Ainda patrulheiros: inacreditável a intolerância com os gays. Fico abismada que as pessoas ainda joguem bombas e se manifestem agressivamente contra um grupo que nada lhes tira, que nada lhes rouba, que simplesmente estão defendendo seu direito a vivenciar o amor do jeito que lhes é mais prazeroso. Eles não estão pedindo adesão, apenas respeito. Por que isso é tão difícil de entender?

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Sarney é um homem incomum? Ah, Lula, nos poupe. Eu também fico com um pouco de pena quando vejo um senhor acuado diante da mídia, com os olhos marejados tentando defender o indefensável, mas alto lá: minha piedade é relacionada à ingenuidade do sujeito, que achou que poderia passar uma vida exercendo o nepotismo sem ter que responder por isso mais adiante. Lamento por seu constrangimento, mas fez por merecer. E tem que responder à sociedade!

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Ainda Lula, porém um assunto mais frívolo: o que é aquela foto da funkeira posando nua pra Playboy quase lambendo a foto do nosso presidente? O que se é capaz de inventar para conseguir meio minuto de fama? Não existe mais escândalo nesse país, é conceito ultrapassado, somos graduados no assunto, mas o que me constrange é que a imaginação humana não tem limites quando se trata de atrair os holofotes. Que molecagem. 

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Há também a polêmica sobre os livros do autor americano Will Eisner que foram encomendados pelo MEC e distribuídos nas escolas, com conteúdos que envolvem pedofilia, adultério e estupro. Em princípio, a tendência é a gente procurar evitar que esse tipo de literatura chegue ao alcance de crianças e adolescentes, pra não incitar ainda mais a violência. Eu acredito, sim, que a fartura de material pró-violência que vemos nos cinemas e televisão colabora um pouco para o acréscimo da criminalidade, mas isso se potencializa por causa da má informação, da má educação e do silêncio que as famílias perpetuam quando estão em pauta assuntos delicados. Se os alunos puderem refletir e debater sobre o que estão recebendo através dos livros do Will Eisner, aí a situação se inverte, pode ser produtivo. Bandalheira tem por toda parte, sem critério e sem acompanhamento. Se a escola, através dos seus professores (e espera-se que os professores tenham algum senso crítico e sensibilidade) souberem abrir a discussão sem preconceitos e com liberdade para que todos opinem, aí tudo bem. Porque trata-se da vida de todos nós. Tudo é uma questão de bom senso.

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Tem 5 filmes que estou doida pra ver e não imagino como vou conciliar com essa minha agenda atarefadíssima. São eles: Desejo e Perigo, A Partida, Caramelo, Tinha que ser você e o documentário Loki, sobre Arnaldo Batista, ex-Mutantes. 

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Help!!

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Bom início de semana a todos. Beijos!!

 

  

Postado por martha medeiros

Respondendo mensagens

17 de junho de 2009 25

Oi, hoje vou responder algumas mensagens. Não tenho como responder todas, paciência… 

Raquel, você citou os erros de pronúncia do seu namorado gaúcho e alguns leitores do blog deram seu palpite a respeito, então vamos lá. Bueno, ninguém gosta de ouvir alguém falando errado, ainda mais quando é uma pessoa que a gente ama, mas sejamos honestos: quem não fala errado de vez em quando? Eu, quando era garota, falava muito errado, e só melhorei um pouco graças à leitura e ao hábito de escrever. Ainda assim, até hoje cometo alguns  deslizes, principalmente na hora de conjugar o “tu”. Sou a rainha do “tu foi”, “tu viu”. Erradíssimo, mas toco ficha assim mesmo. A fala é algo muito dinâmico e raríssimos são os impecáveis, aqueles que não erram nunca. Não estou aqui fazendo apologia ao erro, apenas quero dar uma humanizada no assunto. 

Mas, pelo visto, teu namorado está mais fora do padrão do que a maioria. Nesse caso, concordo com quem te sugeriu dar umas corrigidinhas nele de vez em quando. Não precisa dar uma de madre superiora, faz com carinho, quando achar que é o momento. Ou simplesmente repita a frase dele com a pronúncia correta: se ele disser “eu truxe um presente pra ti” você responde “eu também te trouxe um presente”. Será que ele se toca? 

Putz, essa história de corrigir é delicada. Lembro que, mil anos atrás, eu falei “incesto” de forma errada, como se fosse “incêsto”, e um namorado me corrigiu dizendo que se pronunciava “incésto”, e eu respondi qualquer coisa como “ah, deixa disso, tu entendeu” (olha o erro de conjugação de novo). Na verdade, fui prepotente porque fiquei constrangida, me senti humilhada. Bobeira minha. Doeu ser pega falando errado, mas adivinha: nunca mais repeti o erro. Aprendi pra sempre.

Por que será que eu e ele estávamos falando em incesto? Mistério. Não faço ideia.

O fato é que falar corretamente é algo que se deve aprender na infância. É complicado consertar depois de “velho”. São heranças familiares. Conheço uma mulher culta e inteligentíssima que diz “imbigo” em vez de “umbigo” simplesmente porque foi criada ouvindo a palavra ser dita desse modo. Vá tentar dar jeito agora que ela tem 68 anos de idade. Complicado… .

Raquel, dá uma baita vergonha ver alguém falar errado, mas tem outras coisas erradas que são bem mais difíceis de engolir, então faça um diagnóstico do seu gaúcho, veja o que ele tem de legal, o que fez você se apaixonar por ele, e priorize isso. Se ainda assim você ficar muito incomodada, então parta pra outra, mas pode acontecer de você encontrar um dos “impecáveis” na oratória que mandam mal em outro aspecto. Nobody´s perfect.

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Fleur de Jolie, não tenho nenhum relançamento programado, mas não é tão difícil encontrar meus livros mais antigos – os de poemas estão todos no pocket “Poesia Reunida”. Só o “Geração Bivolt” que caducou mesmo. 

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Thaís, você pergunta o que estou lendo. Detesto fazer isso, mas estou lendo três livros ao mesmo tempo! O Cartas pra Você, o Melhor teatro de Domingos Oliveira e comecei ontem a dar uma espiada em A salvo de nada, do francês Olivier Adam.

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Danielle, obrigada pelo carinho!

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Zenilda, devo estar no Recife dia 18 de agosto, mas quando chegar mais perto eu confirmo hora e local.

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Nathália, legal o teste para saber o sexo do nosso cérebro. Respondi as questões e o meu deu 14, considerado feminino. Se fosse “muito” feminino daria 20.

Quem quiser fazer o teste também, segue o link:

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI65446-15224,00-QUAL+E+O+SEXO+DO+SEU+CEREBRO.html

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Volto qualquer hora, beijão!!

 

  

 

 

 

 

 

   

 

 

   

Postado por martha medeiros

Recomeçando

15 de junho de 2009 34

Eu adoro ir para outros lugares e adoro voltar, as duas etapas da viagem são de igual importância pra mim. Nada como escapar da rotina, e nada como estar em casa outra vez.

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Vi pelas mensagens que houve um stress a respeito dos feriadões. Realmente, eles são excessivos. No caso da semana passada, o feriado era apenas na quinta, eu emendei porque minha atividade permite isso: posso viajar num dia útil, assim como passo inúmeros sábados e domingos em frente ao computador. Administrar a própria carga horária de trabalho é privilégio de poucos, eu sei. Mas voltando à questão dos feriados: por um lado, é menos produção para o país, menos aulas sendo dadas. Não chega a comprometer nosso futuro, mas também não acrescenta, não acelera, não dinamiza. Por outro lado, é um relax para tanta gente que pega no pesado até seis dias por semana, e que através do feriado pode ficar mais tempo com a família, ou viajar para visitar os pais que moram longe, enfim, cada um aproveita seu tempo como quer e pode.

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Em todo caso, sejamos a favor ou contra, de uma coisa é certa: um país não quebra por causa de feriados, e sim por má administração.

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Pois, pois, a serra fluminense. Não dei muita sorte. Frio e chuva. Até aí tudo bem, chato foi o congestionamento. Em Itaipava, onde me hospedei, havia muita gente e muitos carros, o que não combina com descanso. Na primeira noite na serra, desistimos de ir para o centrinho e jantamos numa padaria, e viva o bom humor, fundamental nessas horas e em todas as outras. 

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Na sexta, dia dos namorados, fomos à Petrópolis, e foi muito bacana rever o Palácio Imperial, a linda catedral, os casarões preservados… Valeu o passeio, e dessa vez almoçamos com pompa e circunstância no restaurante Leopoldina, que fica no hotel Solar do Império. Então voltamos à Itaipava, mais chuva, mais frio e mais congestionamento. À noite, enquanto muitos casais degustavam fondues em lugares charmosos, a gente optou por um joguinho de sinuca na pousada e pizza no quarto assistindo tevê. Pode não parecer, mas também é um programa romântico. Cada um inventa seu romantismo… 

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No sábado a chuva continuava e o plano de conhecer Teresópolis foi abortado depois de sermos informados de que a estrada estava lotada. Em vez de continuar subindo a serra, descemos pro Rio de Janeiro, salve, salve. Pegamos um teatro à noite e inclusive praia no domingo de manhã.     

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Eu andava muito a fim de assistir A História de Nós Dois, por diversos motivos: o elenco é formado por Alexandra Richter e Marcelo Valle, que integraram o elenco da peça Divã e que são atores excelentes. A direção é do Ernesto Piccolo, que também dirigiu o Divã e que vai dirigir a peça Doidas e Santas, que deverá estrear mais pro fim do ano ou começo do próximo. E o texto é de Licia Manzo, que é quem escreve a série Tudo Novo de Novo, sobre a qual já comentei. Com esse time, fui sem medo de me frustrar. E não me frustrei. A peça é divertida, leve, comunicativa – e curta, apenas 65 minutos. O Marcelo não estava atuando no sábado à noite porque está viajando, quem assumiu seu papel foi o próprio diretor, que mandou muito bem. Neco, parabéns!!! Enfim, mais uma comédia romântica sobre os encontros e desencontros de casais. Isso sempre vai ter público, ainda mais quando a equipe é competente. Mas saí do teatro com uma questão martelando minha cabeça.

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Será que é isso mesmo? Homens e mulheres de planetas diferentes brigando sempre pelos mesmos motivos?  Cada vez surgem mais obras tratando sobre as incompatibilidades amorosas, não só no teatro, mas também no cinema e na literatura – para a qual já dei minha contribuição – e o público curte, se reconhece, ri de si mesmo, porque todos já passaram pelas situações que estão assistindo. Mas ando meio inquieta com isso, acho que estamos confirmando uma caricatura de nós mesmos, porque nem todos os homens são iguais, nem todas as mulheres e tampouco todos os relacionamentos. Quem está representando as nossas outras diferenças, que, contraditoriamente, são as nossas semelhanças? Sei que essa última frase ficou complicada, mas o que quero dizer é: as relações não precisam ser sempre confusas. Às vezes o amor é possível. Há regras novas entrando no jogo. Há casais vivendo de forma diferente e saudável. Há outras vias além das já conhecidas e reprisadas.

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Estou escrevendo isso tudo aqui na pressa, mas vou tentar elaborar melhor esse meu pensamento e depois volto ao assunto, talvez numa crônica.

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No mais, fiquei sabendo apenas hoje que o filme Divã papou 7 prêmios no Festival do Cinema Brasileiro de Miami, incluindo melhor filme, melhor direção, melhor atriz, melhor roteiro, melhor montagem… uau! Cumprimentos a toda equipe! Me sinto honrada de fazer parte disso tudo.

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Vou trabalhar, o feriado acabou, chega de moleza. Volto qualquer hora. Beijos!

 

 

Postado por martha medeiros

Feriadão

10 de junho de 2009 34

Olá. Como também sou filha de Deus (dizem), vou dar mais uma escapada, aproveitando o feriado. Subo até o Rio e de lá vou para Itaipava, curtir um pouco a serra fluminense. Estive em Petrópolis uma vez, aos 15 anos de idade, e depois nunca mais. E em Teresópolis nunca estive. Vou dar uma circulada por todos esses lugares. Deixo aqui o meu beijo para os casais de namorados. Que o amor seja bem curtido por todos aqueles que têm alguém pra abraçar. E quem não tem, que não perca as esperanças! Na segunda-feira eu volto pra contar um pouco sobre essa minha rápida turnê, que nada tem de profissional, vai ser puro lazer mesmo. Beijão e até a volta!

 

 

Postado por martha medeiros

O segundo lugar

10 de junho de 2009 21

Fenômeno Susan Boyle serve como reflexão sobre ganhar e perder/AP
Não sei se você já reparou. Quando alguém vai entrevistar uma modelo famosa e pergunta como ela iniciou a carreira, é quase certo que ela vai dizer que estava acompanhando uma amiga num teste e que acabou sendo a escolhida, mesmo não querendo nada com aquilo.

E, quando entrevistam um ator famoso, é comum ele contar que passou anos fazendo papéis figurativos até que foi chamado para substituir às pressas um galã que ficou doente, e só então sua carreira decolou.

Tem também o caso clássico da vencedora de concurso de beleza que acaba sendo ofuscada pela candidata derrotada. Em 1994, Gisele Bündchen ficou em segundo lugar no concurso da Elite, perdendo para Claudia Menezes, sabe a Claudia? Ninguém sabe. E tem a nossa vice Miss Universo, Nathalia Guimarães, até hoje em evidência como se fosse dela a faixa, o cetro e a coroa.

Não sei como se explica isso, mas o fato é que acontece: em concursos das mais diversas naturezas, os que ficam em segundo ou terceiro lugar despontam, enquanto que os ganhadores, por vezes, desapontam.

Logo, a ideia de que sucesso significa entrar pela porta da frente nem sempre é exata. As pessoas mais bem-sucedidas que eu conheço entraram discretamente pela porta dos fundos, e o talento, o esforço e o destino as conduziu, com o tempo, para o palco de onde nunca mais saíram. Dá para acreditar que Luis Fernando Verissimo começou sua carreira jornalística escrevendo horóscopo? Pois é. E ele só aprendeu a tocar sax porque na cidade onde morava nos Estados Unidos, durante sua adolescência, não havia aula de trompete, que era o seu verdadeiro sonho.

Lembrei de tudo isso por causa do fenômeno Susan Boyle, assunto que já torrou a paciência de todos, mas que serve como reflexão sobre ganhar e perder.

Ela passou pelas duas coisas: primeiro ganhou uma projeção absurda com sua performance num concurso de calouros e ficou meio lelé com a mudança repentina da sua vida. Agora, creio que a melhor coisa que aconteceu para essa jovem (meros 48) foi ter perdido para o grupo de dança na finalíssima do programa Britain`s Got Talent. Ela já assinou contratos para shows e, se conseguir superar seus abalos psicológicos, incrementar o repertório e levar a sério o seu dom, poderá ter uma carreira muito mais promissora do que os dançarinos que levaram o primeiro lugar… qual é mesmo o nome deles?

Numa era em que todos querem vencer e se destacar com o maior imediatismo possível, de preferência encurtando os caminhos, vale lembrar que as portas laterais, aquelas mais modestas e sem campainha, também dão acesso ao mundo em que se pretende entrar.

Permanecer nele é outro assunto.

                                                  * Texto publicado na página 3 de ZH de hoje.

Postado por Martha Medeiros

Butiá

09 de junho de 2009 5

Aviso de última hora. Meu bate-papo nessa quarta, dia 10, em Butiá, será às 9h30 da manhã, e não mais à tardinha, como estava previsto. Vai ser no ginásio Rudi Raguse, na Av. Leandro de Almeida, centro. 

 

Postado por martha medeiros