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O autor desconhecido

09 de julho de 2009 30
Daqui a uma semana e meia será o Dia do Amigo, data que não serve pra muita coisa, a não ser para a gente lotar ainda mais a caixa de correspondência dos nossos brothers e sisters com mensagens de afeto vitalício. Eu já cansei de dizer que considero a amizade uma relação de luxo, mas também nunca escondi que acho um aborrecimento ficar recebendo “mensagens”, principalmente em PPS. E também não solto fogos de artifício quando essas “mensagens” são feitas com pedaços de crônicas minhas, sem o devido crédito, claro. Atualmente está circulando pela internet um texto meu, bem antiguinho até, em que falo sobre amizade. Tá por aí, no espaço virtual, dando mole. Às vezes assinado, às vezes não. Pois acabo de receber aqui em casa um jornal – sim, um jornal impresso – onde esse meu texto sobre amizade está inserido no editorial, como se tivesse sido escrito por algum fantasma sem nome. Então lembrei de uma crônica que nunca publiquei, em que, com muita ironia, saúdo o incansável “autor desconhecido”. Segue abaixo, inédito, pra vocês.
                     
                      O AUTOR DESCONHECIDO
 
  
         Em quem te inspiras para escrever? Quem é tua referência literária? Qual o escritor que mais admiras?
         São perguntas que me fazem a todo instante.       Eu já citei muitos autores que me encantam: Verissimo, Adriana Lunardi, Adélia Prado, Cintia Moscovitch, Daniel Galera, Fabricio Carpinejar, pra citar apenas alguns brasileiros. Mas pra quem tiro o chapéu, mesmo, é para o autor desconhecido.
         Disparado, é quem mais produz literatura no país. O autor desconhecido já poderia ter lançado uma centena de best sellers. Mas é modesto, não faz sessões de autógrafos, não dá entrevistas, ninguém nunca viu seu rosto, é mais recluso que o Rubem Fonseca – outro autor que admiro um bocado.
         O autor desconhecido não se dedica a um único gênero: ele é o que chamam por aí de multifacetado. Escreve poemas, piadas, crônicas, aforismos. Em geral, textos curtos. Mas já escreveu um romance também. Chama-se Teresa Filósofa, uma obra do século XVIII editada pela L&PM, com uma capa ao mesmo tempo chique e erótica, onde se lê, além do título, o nome do autor: “desconhecido”. Soube pelo google (que está exterminando com os desconhecidos) que o romance atualmente é atribuído ao senhor Jean Baptiste de Boyer, o marquês d´Argens, que viveu de 1704 a 1771 e de quem, humildemente, nunca ouvi falar (o “atribuído” também é versátil, faz de tudo o tal sujeito: versos bons, versos ruins, frases originais, frases melosas, letras de música, slogans publicitários e propaganda política. Tudo foi atribuído a ele, que, até segunda ordem, não tem culpa de nada).
         O autor desconhecido talvez seja um homem rico, mas não porque ganhe milhões com direito autoral, ao contrário: ele não deve ganhar nada em direitos, já que ninguém sabe qual é a sua editora e muito menos qual o número da sua conta no banco. Talvez ele seja bem posto na vida porque é um arquiteto famoso, ou um médico famoso, ou um empresário famoso. Mas em nenhum outro setor ele aparece tanto como no da literatura. É um onipresente. Virou, mexeu, estamos recebendo um texto dele pela internet.
         Já cometi essa gafe uma vez: passei adiante um texto assinado pelo Autor Desconhecido. Que roubada. Acharam que o texto era meu e propagaram mundo afora o que eu jamais tinha escrito. Nunca mais cometerei esse equívoco. Longe de mim ocupar espaço tão honroso como o do autor desconhecido, esse que é o mais célebre entre os anônimos.  
                
                     
                                                                 

Postado por martha medeiros

Comentários (30)

  • ronaldo brochado diz: 13 de julho de 2009

    Q tal `Tereza Almeida` q também lembrava dos `bivaques` (acampamentos provisórios!)de `nossas façanhas`…
    E, recentemente, surgiu uma releitura aventureira do New Beetle, na Alemanha:
    – “…de nome Bivak!”

  • Sílvia diz: 14 de agosto de 2009

    Oi Martha!

    Fiquei muito feliz por vc gostar da Adelia Prado, somos conterraneas…mas o que me faz “tentar” falar com vc foi ler seu livro Divã.
    Fiquei desconcertada com tanta semelhança com a Mercedes.Uma clareza para expor o que nunca consegui sequer organizar em pensamentos.

  • Rodrigo Zeni Corá diz: 16 de julho de 2009

    Martha, céus!! Adorei este seu texto “Autor desconhecido”. Qto a usar trechos de seus escritos para enviar a amigos, confesso q eu os uso. Rcentmnte utilizei trecho de sua crônica “Obrigada por insistir”, mas fica susse q coloquei q era de sua autoria, e não de autor desconhecido.Simplesmente amo ler vc, q dsde 2005 é minha escritora preferida. Tanto q um dia encontrei no google um endereço eletrônico de uma outra Martha Medeiros. Mandei e-mail, me dcepcionei com a resposta, e nao mais arrisquei

  • Hilario Rebechi diz: 16 de julho de 2009

    Oi martha sempre gostei de ler vc… ao passado me apaixonei por um poema em italiano, vivo aqui em verona, muore lentamente, e deveria ser do neruda, entao comprei os livros dele pra ler mais… mas nao era nem parecido…. outro dia vendo a televisao… a propagando do rum pampero… que usa o poema me fez procuralo outra vez na net… mas a surpresa… a morte devegar e muore lentamente è seu… e aqui na rede è um sucesso do neruda… e a propaganda do pampero tava sabendo? abraços!!!

  • desconhecido diz: 25 de fevereiro de 2010

  • Vylna Cassoni diz: 10 de julho de 2009

    Parabéns pela iniciativa de abordar de forma tão ” legal” o nosso autor desconhecido que tanta companhia faz a todos.Talvez sua prolongada vida ainda continue pela preguiça dos que leem e sequer se dispõem a procurar o tão famigerado autor, sendo muito mais fácil e simples deixar o “autor desconhecido” passar adiante a mensagem que muitas vezes nem lida completamente foi.
    Bjus!

  • Franciane Costa diz: 10 de julho de 2009

    Depois de ler esse texto fiquei pensando: por que os autores desconhecidos escrevem coisas geniais e se dizem `desconhecidos`? Martha, acompanho suas crônicas no ZH, já tenho 3 livros seus. Menina, você escreve `pra caramba` hein?! Te admiro muito! Sempre que uma de suas crônicas me chamam a atenção eu a comento no meu blog. Grande beijo!

  • Fleur de Joie diz: 10 de julho de 2009

    Martha, de tuas crônicas as que mais gosto são as que têm esse tom irônico. Só lamento que algumas pessoas não consigam perceber o estilo e critiquem o que não entenderam.

  • ELISA MARCELLI diz: 10 de julho de 2009

    Oi Marta, lembro que poucas vezes me sentí tao constrangida com o e-mail quando alguns anos atrás mandei para vc um texto seu assinado já nao lembro por quem…que era seu!!!. Bom, foi gaffe mesmo, depois disso NUNCA MAIS!…como preço pela fama acho demais!, detesto quando ainda passam aquele texto atribuido a Jorge Luis Borges: “si pudiera vivir nuevamente mi vida…”, já a mulher dele disse mil vezes qeu aquilo nem era o estilo dele…

  • claudia aita de almeida diz: 10 de julho de 2009

    Oi, gostei muito o que tu falou sobre o fato das mensagens que sao verdadeiras “correntes”, e que entulham a rede… eu tambem nao gosto de recebe-las, e acho que AMIGO nao precisa disso… saos os gestos quotidianos que fortalecem uma amizade!
    Beijao e otimo final de semana.

  • Keila diz: 11 de julho de 2009

    Sempre que recebo um texto SEU sem os créditos devolvo em “RESPONDER PARA TODOS” com a seguinte frase: GENTE NÃO É AUTOR DESCONHECIDO É DA MARTHA MEDEIROS, SÓ PODIA SER ELA (ok, é puxa-saquismo, admito, mas o que eu gosto eu gosto e divulgo!)
    Ai depois eu aproveito para mandar o link deste blog seu…fala ai se não sou uma boa divulgadora? rs

    Quer me contratar?

    Bjão Martha

  • Super Lana diz: 13 de julho de 2009

    Martha vc é um luxo!!!!
    adoro vc!!!

  • Cecília diz: 10 de julho de 2009

    MM. Gostaria de deixar o meu abraço que vai misturado com a admiração pelo Dom Divino que deus lhe deu que é a escrita. Sou uma Marta Mania rs, que sempre tenho um tempo, busco seus textos para aprender um pouco. Eu sei que ao ler um texto seu, tocando meu coração, é Deus, através de você me mandando a msg certa na hora certa. Obrigada por fazer desse espaço um intermédio entre seus admiradores e você. Um dia, quem sabe… gostaria muito de conhece-la pessoalmente. Um bjão, da sua admiradora.

  • Elaine Leme diz: 10 de julho de 2009

    Em quem te inspiras para escrever? Quem é tua referência literária? Qual o escritor que mais admiras? Martha Medeiros. Fácil de responder.
    ..conheci seus textos lendo o livro Doidas e Santas…dai fui na net e encontrei seu blog…até te mandei um e-mail não sei se lembra…enfim, estou sempre lembrando dos seus textos nos momentos que preciso inspiração..atualmente estou fazendo JLiterário e me lembrei de alguns textos seus que se enquandram nessa linha de jornalismo…pelo menos eu acho…

  • Vládima Spinelli diz: 11 de julho de 2009

    Adorei o texto!
    Não suporto receber mensagens com pps ou textos longos e “costurados” como um frankstein e, ainda por cima, ao final ler “autor desconhecido”. Para não ter raiva já as deleto sem nem mesmo me dar ao trabalho de abrir… e jamais as encaminho…
    Faço parte de uma comunidade muito bacana no orkut que fala sobre esse assunto “eu ABOMINO textos apócrifos” de propriedade de um jornalista aí do RS, Emilio Pacheco. Vale a pena conferir!
    beijos

  • Avner Posner diz: 12 de julho de 2009

    Martha to passando só pra te dar os parabéns pelo livro “tudo que eu queria te dizer”. Fechar o livro com uma carta sua foi fantástico. Adorei. Agora irei ler “coisas da vida”. Chego a ter que agradecer pelos momentos que essa leitura me proporcionou. A cada carta que eu lia, eu fechava o livro, fechava os olhos e refletia durante alguem tempo. Confesso que a carta-testamento da mãe me arrancou algumas lágrimas no meio do ônibus em um engarrafamento. FANTASTICO !!! Parabens Martha e Obrigado !!!

  • Thais diz: 10 de julho de 2009

    Oi Martha, falando agora dos autores conhecidos, você citou o livro Planisfério Pessoal, do Gonçalo Cadilhe, e me interessei muito….crônicas de viagem, deve ser uma delícia! Você já leu? gostou?
    grande abraço

  • Márcia diz: 10 de julho de 2009

    Martha,não canso de ler o que você escreve… E hoje, mais uma deliciosa leitura! Parabéns!!! Você consegue traduzir, (ou seria transcrever?) o que nós gostaríamos de dizer às pessoas que usam o talento alheio… Abraço,

  • Cesar Augusto Morelli diz: 11 de julho de 2009

    Recebo e coleciono arquivos PPS. Alguns são lindos, outros profundos e há os interessantes. Mas realmente é IRRITANTE o autor ser sempre o mesmo… “desconhecido”. Esse “cara” destrói toda a pureza e os valores das mensagens. Minhas mensagens podem ser feias ou até ridículas, mas o autor SOU EU! e acho que meus amigos compreendem… Um grande abraço de um admirador, naturalmente desconhecido, Cesar A. Morelli.

  • Otilina Bento diz: 10 de julho de 2009

    Oi, Martha!
    Sou uma sua platônica admiradora.
    E escrevi algo que tem a ver com seu texto no meu blog.
    E teria um imenso prazer em que você se pudesse, desse uma olhadinha…
    http://deveraneios.blogspot.com/2008/07/hoje.html

  • Juliana diz: 11 de julho de 2009

    Martha querida… que texto maravilhoso da Zero Hora desse domingo, tb adoro textos que falam de relacionamentos, são meus preferidos qdo escritos por vc, pois sempre me toca fundo e aprendo com cada palavra sua.
    Bjosss, bom domingo!

  • Fleur de Joie diz: 10 de julho de 2009

    Menina, eu também não gosto daquelas mensagens pesadas e fofinhas… Dá pra demonstrar carinho de outro jeito, não dá? Falando nisso, lembrei daquele batidíssimo texto do dia do amigo: “Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.” Dizem uns que é do Vinicius de Moraes, outros que é do Paulo Sant`Ana… Como nunca li em uma fonte confiável, creio que é mais um do nosso querido Autor Desconhecido.

  • Maria Lúcia diz: 11 de julho de 2009

    Martha,
    Obrigada por nos presentear com mais uma crónica genial.
    O “Autor desconhecido” está sendo difundido exponencialmente. “Copiar” “colar” e “Enviar”, muito simples, não?
    Um abraço.

  • Marco Sever diz: 11 de julho de 2009

    Oi, Martha! Obrigado por nos presentear com uma crônica inédita. Concordo contigo, e posso imaginar sua frustração ao ver por aí textos teus caminhando nas alcunhas de outros, isso quando muito. Console-se no fato de que uma semente de ti está sendo plantada em outros, e quando essas pessoas te descobrirem de verdade, nunca mais te largarão. (É o mínimo e o máximo a se fazer, já que nesse mundo de internet, acho q isso é um caminho sem volta). Espero q teu fim de semana tenha sido bom. Beijo.

  • Paula diz: 12 de julho de 2009

    Olá Martha,
    Hoje estava lendo as cronicas do Blog
    e os comentários, me chamou a atenção na cronica sobre Jean Charles voce diz que quando veio a primeira vez a Londres ficou numa casa, onde se comprava comida com validade vencida porque era mais barato. Talves voce nao tenha entendido direito, mas os supermercados aqui na Inglaterra, quando a comida está para vencer daqui 1 mes eles colocam uma etiqueta amarela e vc compra até com 80% de desconto, mas nao e com prazo de validade vencido.

  • Maria Lucia Agapito Teixeira diz: 9 de julho de 2009

    Genial o “Autor desconhecido” Também vejo seus textos por aí, só que na primeira linha eu reconheço a Martha Medeiros: tenha ou não os créditos do autor! Como já li todos os seus livros e adoro tudo que você escreve, parece até que tatuei em meu cérebro todos os detalhes do seu estilo literário rsss.Já cheguei a questionar uma pessoa que montou um pps de Mulherão e não lhe atribui os créditos. Um grande abraço

  • Juliana Prestes diz: 10 de julho de 2009

    Oi, Martha! Sou sua leitora há muito tempo, mas acho que só me atrevi a deixar um comentário pra você uma única vez.
    Queria fazer uma pergunta: se eu te mandar o meu “Doidas e Santas” você autografa ele pra mim? Não sei se você também dá valor a isso, mas adoro as coisas manuscritas. Acho uma praticidade essa coisa de computador, internet, mas não há nada tão significativo quanto um bilhete/carta escrito a próprio punho! Então, depois de te ler tanto, gostaria de um registro da sua letra!

  • Avner Posner diz: 9 de julho de 2009

    Uma pena textos as vzs tao bom rodarem por ae sem o devido autor estar sendo congratulado. Uma pena mesmo. Bom final de semana Martha.

  • Aline Rocha diz: 9 de julho de 2009

    oi, eu quero mandar um texto pra vc. pra qual e mail posso mandaR ?

  • Juliana diz: 9 de julho de 2009

    Entre tantos escritores que conheço e acompanho, vc Martha é minha preferida, já escrevi isso várias vezes, mas aproveito a oportunidade para reforçar que me tornei uma pessoa melhor depois que comecei a ler seus livros e crônicas.
    Os desconhecidos que acompanham por blogs e pela net tb tem seu lugar ao sol, há muita literatura boa espalhada pelo mundo, pena não sabermos mais deles.
    Bjos querida!!

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