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Posts de julho 2009

Gabriel Buchmann

29 de julho de 2009 16

Pela imprensa, soube-se que um economista carioca chamado Gabriel Buchmann, de 28 anos, foi visto pela última vez no dia 17 de julho, quando dispensou o guia e seguiu sua escalada sozinho ao Monte Mulanje, no Malawi. Gabriel estava viajando há um ano pela África e Ásia, percorrendo áreas afetadas pela pobreza, como preparação para seu doutorado em políticas públicas na Universidade da California, UCLA. Já estava no finalzinho da sua experiência e deveria ter retornado dia 28, ontem, para o Brasil, mas desapareceu. Fiquei sabendo agora  que a família acredita que Gabriel está vivo e aguardando ajuda, pois é um homem jovem e resistente, e a trilha em que estava é considerada de pouca periculosidade. Mas é preciso manter um helicóptero percorrendo a área e uma equipe terrestre bem treinada. Sete voluntários de resgate canadenses (que trabalharam inclusive no resgate das vítimas do 11 de Setembro) estão a caminho dessa região africana onde Gabriel foi visto pela última vez, mas é preciso recursos para mantê-los trabalhando lá. Portanto, se você sabe de alguém que pode colaborar (uma empresa, uma entidade filantrópica, uma ONG, iniciativa particular, o que for), basta entrar no site http://ajudegabrielbuchmann.blogspot.com  Lá estarão as informações para depósitos e demais constribuições. Tomara que dê tudo certo.

Beijos!

 

 

 

Postado por martha medeiros

Beatles e Nenhum de Nós

28 de julho de 2009 24

Quem acompanha meu trabalho sabe que eu tenho um fraco pelos Beatles. Eles fizeram parte da trilha sonora da minha infância. Então, cada vez que ouço uma música deles é como se eu fosse transportada para uma época muito preciosa da minha vida, compartilhada com meu irmão, minha mãe e principalmente meu pai, que era quem colocava os discos para dentro de casa e fazia a audição coletiva na sala – ouvíamos o mesmo vinil sem parar e sem enjoar.

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A partir daí, sempre me liguei em tudo o que dissesse respeito a eles, os Fab Four. Quando se separaram, continuei acompanhando a carreira solo de cada um. E, mais tarde, persegui gravações feitas por outros artistas, de Sarah Vaugham a Black Crowes, e espero um dia topar com o Cirque du Soleil em alguma cidade fazendo uma apresentação do espetáculo LOVE, todinho com as músicas dos Beatles. Atualmente tenho curtido a gravação meio jazz/meio bossa nova de Ticket to Ride feita pelo brasileiro Tiago Iorc, de apenas 23 anos. Nunca tinha ouvido falar desse guri antes.

*

Todo essa introdução pra chegar na noite de ontem, quando fui assistir ao Nenhum de Nós homenageando os Beatles no teatro do Bourbon Country (se pronuncia “cântri” e não “cauntri”, atenção locutores de rádio!), uma das atrações do Festival de Inverno de Porto Alegre. Mas que inverno, o quê. Foi quente demais! Thedy Correa abriu com um empolgado “A hard day´s night” (ou foi Can´t buy me love? – enfim, foi uma e depois outra) e dali por diante, êxtase total. Tudo o que precisava ser tocado, foi. O show cobriu todas as etapas da banda, desde o yeah, yeah, yeah até a fase mais “madura” de Sgts. Peppers, Abbey Road e White Album. Os guris estavam visivelmente se divertindo no palco, e até o baterista Sadi deu uma canja cantando (cantando!) Yellow Submarine em versão impagável. Te cuida, Thedy!

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Me emocionei, me diverti, curti demais e quero bis. Tô aguardando o CD, o DVD e a turnê que eu espero que eles façam, porque o show não merece ficar restrito apenas à noite de 27 de julho de 2009. Nós, da plateia, prometemos nos mexer mais – façamos nosso mea culpa, estávamos comportados demais. O show merecia aplausos mais entusiasmados e gente pulando nas cadeiras. Ponham a culpa no frio lá de fora, porque dentro do teatro, não havia desculpa. Hot, hot, hot!!!

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Beijos.

 

 

Postado por martha medeiros

Diversão e arte

26 de julho de 2009 13

A informação que faltava: o evento domingo que vem na Casa do Saber, em comemoração aos 5 anos da Revista do Globo, será aberta ao público com inscrições uma hora antes de cada evento. A programação completa sairá em anúncios no jornal O Globo essa semana.

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Sim, estarei na Bienal do Livro do Rio em setembro, dias 17 e 18. Quando chegar mais perto passarei os detalhes. 

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No sábado chegou aqui em casa o livro “32” da minha amiga Stella Florence, e eu parei tudo para consumí-lo de um fôlego só. Tiro o chapéu para a Stella: é uma mulher desabrida (palavra que detesto, mas que se aplica aqui). Verdadeira, escancarada, que não faz o jogo do contente. Nesse livro, ela conta a história de uma mulher que tem 32 anos, 32 tatuagens e teve 32 amantes. Uma mulher ultracarente que procura sexo como qualquer homem procura, mas quantas de nós fala sobre isso abertamente? Uma mulher que corre riscos, que quebra a cara, que custa a se dar conta de qual é o verdadeiro fetiche atual: intimidade! Sexo é fácil, intimidade é que está em falta no mercado. Stella escreve de um jeito muito divertido, dei boas risadas com o livro, e ao mesmo tempo fiquei com um nó na garganta ao final, de repente me descobri emocionada com aquele personagem em busca de um amor. Bravo, Stella. Haverá aqueles que só enxergarão escracho na sua literatura, mas ainda confio na sensibilidade humana: o que nos faz rir também pode nos comover. 

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Rir por rir? Então dê um passeio pelo divertido blog da Natalia Klein: www.adoravelpsicose.blogspot.com

Depois me diga se não somos todas doidas.

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Um bom início de semana a todos!

Beijos

 

 

Postado por martha medeiros

Agenda

24 de julho de 2009 13

Eu sei que no país inteiro o frio anda dando as caras, mas não como aqui. Hoje acordei às 7h e fazia 3 graus lá fora. Brrrr.

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No final de semana que vem estarei no Rio de Janeiro e espero ter uma trégua dessa onda gélida que estacionou aqui no Rio Grande do Sul. Vou participar de dois eventos. Um é no sábado, dia 1. Vai ser um recital poético na Casa Poema, junto da vitalíssima Elisa Lucinda e seus alunos. Quem quiser conhecer melhor a minha poesia, vai ser uma oportunidade. O encontro começará às 15h e haverá distribuição de senhas uma hora antes, mas melhor confirmar se é isso mesmo pelo fone (21)2286-5977/5976. A Casa Poema fica na rua Paulino Fernandes, 15 – Botafogo.

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No dia seguinte, domingo, 2 de agosto, participarei de um bate-papo promovido pelo jornal O Globo para comemorar os 5 anos da Revista do Globo, do qual sou uma das colunistas. Vai ser na Casa do Saber, às 18 horas, aberto ao público, com inscrições abertas uma hora antes do evento. A Casa do Saber fica ali na Lagoa. Quem puder, apareça!

 

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Segunda que vem, dia 27, estarei na plateia do Bourbon Country, aqui em Porto Alegre, pra assistir ao show da banda Nenhum de Nós cantando Beatles. Uau!

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Segunda-feira também é dia de estreia do novo Happy Hour, programa que voltará ao ar no canal GNT, diariamente, às 19h, com Astrid Fontenelle no comando. Dia 10 de agosto estarei lá ao vivo, direto do estúdio em São Paulo, conversando com outros convidados sobre a inesgotável procura por um amor.

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Por enquanto é isso. Um bom final de semana a todos!!

Beijos.

 

 

 

 

      

 

Postado por martha medeiros

Convalescença

20 de julho de 2009 31

Admito que desprestigiei a gripe suína quando ela foi anunciada como epidemia, mas a verdade é que no Rio Grande do Sul o bicho tá pegando, principalmente na fronteira com a Argentina. Aqui em casa todo mundo sucumbiu, mas acredito que foi de gripe normal, aquela que a gente conhece desde que nasceu. Passamos o sábado e o domingo compartilhando termômetros, bebericando chás e se entupindo de Tylenol, parecia um ambulatório. Mas salvaram-se todos. O saldo, além do gasto extra em lenço de papel, foi mais um filme para comentar aqui. Assisti À Deriva, produção brasileira que teve pré-estreia no recente Festival de Cannes. Ainda não estreou nos cinemas, tive o privilégio de assistir a uma cópia destinada à imprensa, mas dia 31 de julho entrará em circuito e, desde já, antecipo: vale a pena. Direção de Heitor Dhalia (o mesmo de “O Cheiro do Ralo”) com Debora Bloch, Vincent Cassel e a estreante Laura Neiva no elenco. Por coincidência, a temática tem semelhança com aquele outro filme que comentei recentemente, Quando você viu seu pai pela última vez? Tanto um quanto o outro trata sobre a desconstrução da imagem de super-heróis que temos de nossos pais. Quando somos crianças, eles nos parecem invencíveis. Na adolescência, porém, passamos a reconhecer suas fragilidades, seus defeitos, ou seja, sua humanidade, e essa mudança radical de perspectiva nos espanta e nos faz amadurecer na marra. 

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Além desse tema, que me parece sempre instigante, o filme brasileiro ainda tem vários outros atrativos: uma direção delicada, sem afetação; o cenário idílico de Búzios; o figurino anos 80 (época em que se passa o filme) de Alexandre Herchcovitch; a estreia da “lolita” Laura Neiva seugurando bem o personagem principal; o charme do francês Vincent Cassel e a excelente atuação de Debora Bloch, passando um amargor que transcende a tela. A produção é de Fernando Meirelles e equipe, praticamente um certificado de garantia. 

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Terminei de ler “A outra vida de Catherine M.” e foi um tempo perdido. Hoje belisquei um pouco de Sêneca (filosofar é preciso) e agora vou encerrar esse post, desligar o computador e começar a ler Planisfério Pessoal. Depois comento.

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Saúde para todos!!

Beijos. 

 

 

 

 

Postado por martha medeiros

Atchim!!

16 de julho de 2009 45

Desgulpe o sumiço, mas a coisa tá preta aqui, pezoal. Uma gripe que não é suína, nem equina, nem bovina, mas que tá me deixando assim, com a voz anasalada e vontade de cair na cama e não sair maiz. Cof, cof, cof, cof, cof, cof. E uma tosse dos infernos também. Diacho.

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Nem tenho saído de casa. Tô lendo aquele livro, A outra vida de Catherine Millet, e achando tão técnico quanto o anterior. Essa francesa escreve sobre sexo, erotismo, ciúme, sempre parecendo estar com uma lâmina entre os dentes. Ô, frieza. Ou então sou eu que ando influenciada por esse inverno maldito. Cof, cof. 

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Por outro lado, vi um filme cálido, delicado, sensível. Quando você viu seu pai pela última vez? É a história de um quarentão que vai se despedir do velho pai, que está morrendo. Durante a visita, lhe vem toda a infância em mente, as frustrações e raivas contidas, a competitividade latente entre os dois, tudo que não foi dito, pro bem e pro mal. Quem não faz esse tipo de “viagem no tempo” ao se deparar com a finitude daquele que a gente, quando criança, tanto amou e tanto odiou ao mesmo tempo? – se é que você concorda que a infância é uma zona de conflitos intensos, uma Faixa de Gaza emocional. Gostei do filme.

 

*

O filme é inglês e o personagem do cara, quando garoto, passa muito tempo com um livro na mão. Também se passa na Europa (apesar de ser uma produção americana) aquele filme que já comentei aqui, Tinha que ser você, em que Emma Thompson aparece lendo no metrô, lendo no restaurante, lendo em sala de aula. Ouvi falar bem também do filme franco-alemão Há tanto tempo que te amo, com Kristin Scott Thomas, onde, dizem, os livros também fazem participação especial. Essa é uma (entre muitas)das razões pelas quais eu gosto de filmes europeus. Eles refletem um estilo de vida que eu gostaria de ver aqui no Brasil. Gente lendo em parques, lendo no transporte público, lendo nas salas de espera, lendo, lendo, lendo. Também assisti no DVD, essa semana, Se eu fosse você 2, onde não aparece um único livro em cena. Eu sei, no Divã também não – apesar de ter sido baseado num. Lembrei: em Meu nome não é Johnny tem um doente mental, colega de prisão do personagem de Selton Mello, que adora ler. Um maluquete. Será que no Brasil, só sendo meio pirado pra gostar de ler?

*

Pois é, tô sem assunto, acabei inventando um. 

*

Cof, cof, cof. Beijoz.

 

 

 

 

 

 

 

 

Postado por martha medeiros

Ronaldo, Sean Penn e rock´n ´roll

13 de julho de 2009 42

Ontem foi um domingão típico, com direito a caminhada de manhã, churrasco ao meio-dia, futebol à tarde e filme no DVD à noite. Futebol à tarde? Pois é, fazia uns bons 20 anos que eu não pisava num estádio de futebol, mas ontem calhou de meu namorado gremista chegar aqui em casa com dois ingressos pra assistir ao jogo contra o Corinthians. Ele sabe que eu estou longe de ser uma flautista, não iria me infiltrar na torcida do Grêmio para sacanear, e sim para apreciar o espetáculo, e foi mesmo um espetáculo, o time jogou bem, mereceu vencer e eu voltei pra casa tão colorada quanto sempre fui, só que agora mais estimulada a assistir meu próprio time em campo (se fui pé quente pra eles, tenho que ser para os meus, ora). Tinha esquecido como é bacana a vibração de um estádio. Não teria ido se o jogo fosse contra qualquer outro adversário, mas sempre tive vontade de assistir ao Ronaldo jogar pelo menos uma vez. Vai ter que ficar pra outra, porque não jogou nada. O cara não se mexeu em campo, pesadésimo. Perto dele, o Romário, que também só ficava plantado esperando a bola chegar nele, era supersônico.

*

E hoje, 13 de julho, é o dia mundial do rock. Só vou esperar o sol se instalar bem no meio do céu (tá um frio de rachar aqui em Porto Alegre) e sairei pra minha caminhada com meu Ipod, onde pretendo homenagear os roqueiros nacionais ouvindo “Carne de pescoço” do Barão Vermelho (do primeiro disco, formação original da banda, música dinossáurica, rock´n´roll puro), “Mais” do Capital Inicial, “Jardins da Babilônia” com Rita Lee, “Flores” com Titãs, “Nessa Casa” da Tom Bloch, “Trac Trac” com Paralamas, e ainda algum Fito Paez e também Lenny Kravitz e Stones – e vou fechar com “Peach” do Prince. Hoje, só rock e nada mais que rock. Sei, esse meu playlist não é exatamente desse século. O rock também não é.

 

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O filme que eu assisti no DVD? Milk. Pois é, com atraso… Não tinha visto no cinema, conferi agora. Gostei bastante. Ligeiramente arrastado no meio, mas empolgante na sua totalidade. Nessa era em que o idealismo perde forças, é vibrante acompanhar a causa defendida com paixão por Harvey Milk nos anos 70. Com seu ativismo gay, demonstrou ser mais macho do que muito homem, como diz aquela música… Sean Penn sensacional no papel, como sempre. É daqueles que fazem a gente esquecer que há um ator por trás do personagem.  

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É possível que eu esteja no Rio em 1 e 2 de agosto, avisarei assim que confirmar – irei para participar de alguns eventos. E voltarei ao Rio em setembro para a Bienal do Livro, então, cariocas, a gente se vê em breve.

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Bom início de semana a todos!

 

 

    

 

 

 

Postado por martha medeiros

O autor desconhecido

09 de julho de 2009 30
Daqui a uma semana e meia será o Dia do Amigo, data que não serve pra muita coisa, a não ser para a gente lotar ainda mais a caixa de correspondência dos nossos brothers e sisters com mensagens de afeto vitalício. Eu já cansei de dizer que considero a amizade uma relação de luxo, mas também nunca escondi que acho um aborrecimento ficar recebendo “mensagens”, principalmente em PPS. E também não solto fogos de artifício quando essas “mensagens” são feitas com pedaços de crônicas minhas, sem o devido crédito, claro. Atualmente está circulando pela internet um texto meu, bem antiguinho até, em que falo sobre amizade. Tá por aí, no espaço virtual, dando mole. Às vezes assinado, às vezes não. Pois acabo de receber aqui em casa um jornal – sim, um jornal impresso – onde esse meu texto sobre amizade está inserido no editorial, como se tivesse sido escrito por algum fantasma sem nome. Então lembrei de uma crônica que nunca publiquei, em que, com muita ironia, saúdo o incansável “autor desconhecido”. Segue abaixo, inédito, pra vocês.
                     
                      O AUTOR DESCONHECIDO
 
  
         Em quem te inspiras para escrever? Quem é tua referência literária? Qual o escritor que mais admiras?
         São perguntas que me fazem a todo instante.       Eu já citei muitos autores que me encantam: Verissimo, Adriana Lunardi, Adélia Prado, Cintia Moscovitch, Daniel Galera, Fabricio Carpinejar, pra citar apenas alguns brasileiros. Mas pra quem tiro o chapéu, mesmo, é para o autor desconhecido.
         Disparado, é quem mais produz literatura no país. O autor desconhecido já poderia ter lançado uma centena de best sellers. Mas é modesto, não faz sessões de autógrafos, não dá entrevistas, ninguém nunca viu seu rosto, é mais recluso que o Rubem Fonseca – outro autor que admiro um bocado.
         O autor desconhecido não se dedica a um único gênero: ele é o que chamam por aí de multifacetado. Escreve poemas, piadas, crônicas, aforismos. Em geral, textos curtos. Mas já escreveu um romance também. Chama-se Teresa Filósofa, uma obra do século XVIII editada pela L&PM, com uma capa ao mesmo tempo chique e erótica, onde se lê, além do título, o nome do autor: “desconhecido”. Soube pelo google (que está exterminando com os desconhecidos) que o romance atualmente é atribuído ao senhor Jean Baptiste de Boyer, o marquês d´Argens, que viveu de 1704 a 1771 e de quem, humildemente, nunca ouvi falar (o “atribuído” também é versátil, faz de tudo o tal sujeito: versos bons, versos ruins, frases originais, frases melosas, letras de música, slogans publicitários e propaganda política. Tudo foi atribuído a ele, que, até segunda ordem, não tem culpa de nada).
         O autor desconhecido talvez seja um homem rico, mas não porque ganhe milhões com direito autoral, ao contrário: ele não deve ganhar nada em direitos, já que ninguém sabe qual é a sua editora e muito menos qual o número da sua conta no banco. Talvez ele seja bem posto na vida porque é um arquiteto famoso, ou um médico famoso, ou um empresário famoso. Mas em nenhum outro setor ele aparece tanto como no da literatura. É um onipresente. Virou, mexeu, estamos recebendo um texto dele pela internet.
         Já cometi essa gafe uma vez: passei adiante um texto assinado pelo Autor Desconhecido. Que roubada. Acharam que o texto era meu e propagaram mundo afora o que eu jamais tinha escrito. Nunca mais cometerei esse equívoco. Longe de mim ocupar espaço tão honroso como o do autor desconhecido, esse que é o mais célebre entre os anônimos.  
                
                     
                                                                 

Postado por martha medeiros

Mais livros e filmes

03 de julho de 2009 26

Oi. Foi muito legal o bate-papo que Tania Carvalho e eu tivemos com a mulherada que participava do seminário da Cooplantio, no Hotel Serrano, em Gramado. Acabou virando um debate vibrante e divertido. Aliás, Tania me indicou dois livros e eu, claro, já adquiri os dois, é uma compulsão!! Um chama-se Planisfério Pessoal, do português Gonçalo Cadilhe, uma reunião de crônicas sobre viagens – imagina se eu vou ficar fora dessa. E o outro é A outra vida de Catherine M, e esse vou ler por curiosidade mesmo. 

*

O primeiro livro dela lançado no Brasil, autobiográfico, foi “A vida Sexual de Catherine M”, best seller no mundo inteiro – só na Europa vendeu mais de um milhão de exemplares. Na época, achei que era literatura erótica, que eu gosto, mas não encontrei nenhum erotismo e nem mesmo literatura – me pareceu, isso sim, um relato clínico de todas as suas transas com pessoas que ela nem via o rosto ou sabia o nome, transas que aconteceram em estacionamentos públicos, parques, festas, consultórios, metrôs, tudo para, segundo ela, satisfazer uma curiosidade intelectual. Passou anos fazendo isso, dando para qualquer um, em qualquer lugar, várias vezes por dia, com a condescendência do marido e eventual participação dele. Emoção zero. Enfim, uma mulher livre de qualquer limite, cujo desejo nem é pelo corpo do outro, e sim por transgredir códigos e acumular experiências. Juro, a leitura é entediante e a mim não provocou nenhuma excitação. Lembro que, na época, escrevi uma crônica sobre o livro e mencionei que Catherine Millet, essa autora tão libertina em relação a sexo, talvez sentisse pudor diante do amor. Pois, pois. Agora Catherine ataca de novo com esse “A outra vida de Catherine M” onde ela revela o quanto já surtou por ciúmes.  Como é que é?? Ah, isso eu tenho que ler. Vou começar hoje mesmo. E estou otimista, creio que será muito interessante ler o que ela escreveu a respeito de posse, justo a mulher que chegava a transar com dúzias de pessoas por dia.  Depois eu compartilho com vocês minhas impressões. 

*

Fui assistir Tinha que ser com você (título água com açúcar, prefiro o original, “Last Chance Harvey”), sobre um casal pra lá de maduro que se conhece em Londres – uma Londres bem diferente da de Jean Charles. Gostei do filme. Não é imperdível, não é uma história original, mas é uma obra delicada, e o mais importante: tem Dustin Hoffmann e Emma Thompson nos papéis principais, e só por eles vale o ingresso. São dois ícones do cinema mundial! Por eles, vá!

*

Saiu uma entrevista comigo na revista Bons Fluidos, ficou muito legal a matéria! Está nas bancas. Nela vocês poderão conhecer pequenos detalhes da minha casa – pequenos mesmo! Closes de alguns objetos que estão aqui a minha volta, enquanto escrevo… 

*

Telegraficamente: Juliana, nenhuma programação em P. Alegre dias 24 e 25 de julho. Tatiana, meus textos estão publicados em vários livros, dê uma pesquisada no site da L&PM. Mariana, o Divã deve estar estourando em DVD, mas ainda não sei a data em que entra no mercado oficial.  Cristina, o texto original chama-se “Vende-se Tudo”. Marcia, assisti Jorge Drexler três vezes e recomendo, mas dessa vez não vou.

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Bom final de semana a todos!

  

                 
 
 

Postado por Martha Medeiros

Pina Bausch e a delicadeza

01 de julho de 2009 13

Nessa quinta-feira, dia 2 de julho, estarei autografando na Feira do Livro de Gramado, às 16h. Quem estiver na serra gaúcha, é só aparecer!

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Eu só descobri quem era Pina Bausch quando assisti ao filme Fale com Ela, de Pedro Almodóvar, cuja abertura mostrava uma coreografia dessa alemã que era considerada um dos maiores nomes do “teatro-dança”. Pina faleceu na última terça-feira, aos 68 anos. Por sorte, tive a oportunidade de assistir em Porto Alegre, três anos atrás, a um de seus espetáculos, chamado Para as Crianças de Ontem, Hoje e Amanhã. Aquilo me emocionou tanto que na época escrevi uma crônica a respeito para o jornal Zero Hora. Transcrevo um trecho aqui, como homenagem. 

      “A coreógrafa Pina Bausch certa vez revelou em uma entrevista: “Quando vou assistir a uma peça, quero sentir algo. Não quero só estar lá, ver o que vai ou não acontecer. Quero ver e sentir.” Inspirada nesta sua necessidade como espectadora, Pina cria espetáculos onde não importa “o que se quer dizer” e sim o quanto eles podem provocar riso, espanto, angústia, fascínio, alegria. A platéia jamais fica indiferente. Entender? Não há nada para entender. Não é uma obra feita de pontos de interrogação, e sim de pontos de exclamação. E, vá lá, algumas reticências…

         Desta vez ela trouxe para o Brasil uma coreografia baseada
no mundo infantil. De repente, o palco, praticamente despido de
cenário, vira um grande playground, onde os dançarinos pulam
corda, sentam em balões, imitam pássaros, cospem água uns nos
outros, brigam, vivem suas fantasias e não temem ser julgados.
Criancices. Fragmentos de uma época da vida em que a opinião
dos outros não nos interessava em nada, em que tudo era
permitido, tudo tinha graça, tudo era novo.
         Não precisaríamos perder nada disso com a passagem do
tempo, mas perdemos. Ficamos blindados. Tudo o que não for
“adulto” passa à categoria do ridículo. E um belo dia nos damos
conta de que não possuímos mais a leveza necessária para apreciar
o que é simplesmente belo, simplesmente inusitado, simplesmente
espontâneo, simplesmente sem sentido. O “simplesmente” deixa
de ser algo aceitável. É preciso vir uma teoria junto, uma bula,
uma explicação.
         Aplausos, então, para a coordenação do Em Cena, que
trouxe até nós um pouco desta experiência teatral do sentimento
pelo sentimento, através de uma dança muito profissional, mas
também propositadamente amadora em seus objetivos – se é que
se pode chamar de amador almejar apenas o encantamento – e que
veio acompanhada de uma trilha sonora impactante, de um figurino
elegantíssimo e de uma modernidade espantosa. A modernidade
que há no que para alguns parece tão antigo: o simplesmente sentir.

                                Martha Medeiros

 

Postado por martha medeiros