Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Posts de agosto 2009

Uma nova semana começa

30 de agosto de 2009 16

Passei a última semana reorganizando minha rotina depois daquele pequeno período no paraíso, e daqui a pouco já estarei na estrada de novo, é uma agitação que não cessa. Mas tô aqui. 

*

Fui assistir ao filme Se beber, não case e gostei demais! Adoro comédias bizarras e ao mesmo tempo inteligentes, o absurdo que diverte sem ofender, sem vulgarizar. Há quem ache o filme meio baixaria, eu não achei nada disso, e ainda por cima vibrei com a trilha sonora. Agora ainda quero assistir AmantesParisDesejo e Perigo, A Garota Ideal e Tempos de Paz… Me digam como. 

*

Li Consolação de Betty Milan, um livro interessante, bem escrito, que eu julgava que iria para um lado e foi para outro. Como vencer a dor da morte de alguém amado? Nada a ver com auto-ajuda, ao contrário, o livro me surpreendeu pelo que tem de informação sobre Oswald de Andrade, a Semana de Arte Moderna de 1922, Macunaíma e outros assuntos aparentemente sem ligação com o tema proposto. Só lendo pra entender como a autora conseguiu fazer esse mix emocional/cultural. 

*

Muito boa a entrevista da Marina Silva na revista Veja dessa semana. Dá um tremendo alívio ver alguém enaltecer a ética em meio a tanta bandidagem política. Se ela se candidatar a Presidência pelo PV, vai dar trabalho. Já tem minha total simpatia.

*

Dias 17 e 18 de setembro estarei na Bienal do Livro do Rio participando de eventos e fazendo sessão de autógrafos do “Doidas e Santas” e do audiolivro “Divã”. Depois informarei os horários e a programação completa. E dia 25 estarei participando da Feira do Livro de Torres, RS.

*

Até breve e bom início de semana! 

 

 

   

 

 

 

Postado por martha medeiros

Fim do jejum

23 de agosto de 2009 65

Olha eu aqui de novo!! Mil desculpas pelo sumiço, mas não dava para ficar grudada num computador em plena ilha de Fernando de Noronha, concordam? Bom, antes de mais nada, obrigada pelas mensagens de carinho, vocês são demais. Deu pra reparar que tem uma turma que mora no norte/nordeste que quer se comunicar por e-mail. O meu e-mail costuma ser publicado nas minhas colunas em Zero Hora e O Globo, mas para quem não tem acesso a esses jornais, lá vai: 

marthamedeiros@terra.com.br

Mas não briguem comigo se eu não conseguir responder. Eu tento sempre mandar ao menos um oi de volta, mas nem sempre dá.

 

Por onde começar a contar pra vocês sobre esses meus últimos 6 dias? Tudo começou quando cheguei segunda à noite em Recife, minha segunda viagem a uma capital nordestina (a primeira foi Fortaleza e espero ter a oportunidade de conhecer as outras). Como eu estava sedenta por uma praia (e ali na Boa Viagem, onde eu estava hospedada, cartazes alertavam para não entrar no mar devido a presença de tubarões, que coisa…) rumei terça de manhã para Porto de Galinhas. Foi o aperitivo do que ainda estava por vir. Adorei! Grande banho de mar, vigoroso frescobol, boa pernada pelo centrinho… e comecei a tirar o desbotado da pele.

À noite, de volta a Recife, participei do bate-papo na Livraria Cultura e me senti verdadeiramente em casa. As perguntas foram ótimas e me diverti junto com o pessoal da plateia, todos muito afetivos comigo – ainda vou ficar mal acostumada!! Obrigada ao pessoal da organização do Festival Recifense de Literatura por esse convite que só me trouxe bons momentos.

Na manhã seguinte, segui na estrada, fui visitar Olinda. Adoro essas cidades históricas, patrimônio cultural do Brasil, a exemplo também de Ouro Preto e Paraty. Estando ali ao lado de Recife, não podia deixar Pernambuco sem conhecê-la. Mas o coração estava batendo mesmo é pelo meu próximo destino, não posso negar. Às quatro da tarde eu desembarcava em Fernando de Noronha

O comandante do avião foi de uma generosidade inesquecível: sobrevoou a ilha duas vezes antes de aterrissar. A maioria dos passageiros se espremeu nas janelinhas para apreciar aquele arrebatamento: a visão da ilha, do alto, pela primeira vez. Eu perdi o fôlego, juro. Um paraíso perdido no meio do oceano, uma visão tão inebriante que deixei meu ceticismo de lado e acreditei pra valer na existência de Deus: ali estava a prova, diante dos meus olhos.

Depois dos trâmites de chegada (pagar o taxa de preservação ambiental, esperar a bagagem, etc) pegamos o buggy que havíamos alugado (eu e meu namorado) e fomos pra Pousada Sueste da dona Josefa, lugar muito simples e muito simpático, e depois de abandonar as mochilas, tomamos o rumo do por-do-sol na praia do Boldró. Começava os nossos três dias de desligamento do universo aqui fora.

Essa noite jantamos no restaurante da Edilma, na Vila dos Remédios. Provei pela primeira vez o famoso filé de tubarão. Aprovado. Mas boa mesmo estava a caipirinha de pinga…

No dia seguinte, amanheci com flores no café da manhã (meu aniversário, mereço!!) e fomos conhecer a praia mais bonita do Brasil, segundo os entendidos: a Baía do Sancho. O que é a vista lá de cima? Tum-tum, tum-tum. O coração parecia que ia sair pela boca. E quase saiu mesmo ao encarar aquela escadinha vertiginosa que nos leva à beira da praia. Nadei, mergulhei, foi tudo um espetáculo. E o dia estava só começando. Como era aniversário, caprichamos na comilança: almoçamos (muito bem) na pousada Maravilha, do Luciano Huck. E à tarde teve mais praia, dessa vez na Cacimba do Padre, com esticada na Baía dos Porcos que, pra meu gosto, é a verdadeira praia mais bonita do Brasil – a do Sancho eu cedo um honroso segundo lugar, com estrelinha.

 

Na Baía dos Porcos, mergulhei ao lado de tartarugas imensas, nem acreditava. Me senti a Brooke Shields em Lagoa Azul (guardadas as proporções, não me achincalhem). Foi um final de tarde pra ficar pra sempre na memória, e ainda teve o jantar à noite na Pousada Zé Maria, onde comi um peixe com purê de castanha de se ajoelhar, tudo isso numa varanda sob um céu estrelado. Eu sei, eu sei, estou humilhando… Mas como não compartilhar com vocês? Olha, adoro estar com a família e os amigos, mas vai ser difícil um outro aniversário meu bater esse último 20 de agosto…

Dia seguinte: passeio de barco para ver os golfinhos. Pena que amanheceu nublado e o mar não estava tão transparente como poderia, mas eles estavam todos lá, e depois uma bela circundada pela ilha, com parada no Sancho para um almoço dentro do barco e mais mergulho - e o sol abriu!! À tardinha mergulhamos na baía Sueste, mas a água estava turva e não dava pra se ver muita coisa (ainda assim, quase tive um colapso quando dei de cara com outra tartarugona enorme, aqui na cidade a gente não tem disso não… ). Falando nisso, o jantar foi no rest. Tartarugão, e depois assistimos a uma palestra promovida pelo projeto Tamar (tem todas as noites, mas no dia em que estávamos lá havia um evento especial e quem palestrou foi o repórter Francisco José, da TV Globo, contando “causos” da ilha e falando sobre algumas reportagens feitas para o Globo Repórter).

Ontem (ontem!!!!!!!) passamos a manhã na Baía dos Porcos novamente, eu me beliscando porque ainda não acredito que aquilo lá exista, só pode ser miragem, depois ainda demos um pulo na Praia do Cachorro, onde almoçamos (das raríssimas praias que tem algo para comer na areia) e à tarde voltamos para Recife, onde dormimos. Embarcamos hoje, domingo, às 6h da manhã, de volta para Porto Alegre. Tô moída.

Se valeu? Que pergunta. A ilha é rústica, exuberante, selvagem – mas cara! Um lugar para a gente descansar da neura urbanóide que nos envolve no dia-a-dia. É um spa mental (e também físico, porque o que se caminha, se sobe e se desce por trilhas não é pouca coisa). Eu me senti resgatada com o melhor da vida: a natureza, o silêncio, a simplicidade, a beleza e a consciência de que é preciso preservar tudo isso. Pelo menos uma vez na vida, havendo possibilidade, vá!

Mas também é bom estar de volta.

Um beijo enorme!

 

    

 

 

 

  

Postado por martha medeiros

Um filme, um livro, um show

14 de agosto de 2009 63

Oi,turma.

Antes de mais nada, obrigada pelas mensagens deixadas, principalmente pelas dicas de Fernando de Noronha e pelos cumprimentos pela minha participação no Happy Hour. Muitos pediram para eu reproduzir a frase citada no programa. Ela não é minha, e sim do escritor Norman Mailer: “As pessoas procuram o amor para solucionar os seus problemas, quando na verdade o amor é a recompensa por você ter solucionado os seus problemas“. Mortal, né? Eu acho que é bem isso, as pessoas ficam desesperadas para ter alguém achando que isso basta para ser feliz, quando na verdade temos que aprender a conviver com a roda-viva cotidiana e a curtir a si mesmos, para só então ter a honra de desfrutar um grande amor, que certamente chegará… 

*

Cristina, o texto que você diz ser atribuído ao Jabor não sei de quem é, pode até ser dele, mas meu, eu sei que não.

Rosane, o texto “O grito” está no meu livro Montanha-Russa.

Junior, de Lages, lembro sim.  

Thamires, não li “O oposto do amor”, vou ficar ligada. 

Samanta, que bom que você gostou da matéria da Bob Store. 

*

Falando em matéria, na revista Claudia de setembro haverá uma matéria minha sobre cinema. Me convidaram para escrever sobre os 10 filmes que abrangem o universo feminino que eu mais gostei. Difícil escolher só 10… Mas estão lá Thelma e Louise, As Pontes de Madison, Garotas do Calendário, e os outros sete você descobre quando a revista sair…  Senão tira a graça.

*

Já que o assunto é cinema, assisti ao francês Horas de Verão, com Juliette Binoche. Uma senhora de idade falece e deixa para os três filhos uma herança formada por quadros de valor, móveis, objetos, e a própria casa, onde os três foram criados. É um filme bacana, ainda que eu não o tenha idolatrado. Mas ele traz uma reflexão importante: qual é o verdadeiro valor de um objeto de arte? O valor afetivo é mais importante que o valor de mercado? Devemos guardar conosco os objetos que registram nossa história de vida ou vendê-los? Uma escrivaninha representativa de uma escola arquitetônica será tão valorizada num museu quanto é para aquele que a herdou da família? Eu saí do cinema com a sensação de que quadros merecem estar nas paredes dos museus para que muitos possam apreciá-los, porém móveis e peças de decoração, não sei. Existe realmente uma escrivaninha no filme que é objeto de cobiça de um grande museu, porém quando ela sai da casa onde foi utilizada por anos, e vai parar, nua, numa sala asséptica de um museu, perde sua essência, seu romantismo, até mesmo sua beleza. Alunos em excursão passam por ela, oferecem um olhar indiferente e vão em frente falando ao celular sobre algum assunto que lhes parece menos monótono. É uma cena triste, já que durante o filme a gente percebe que aquela escrivaninha tinha um habitat outrora mais afetivo, e agora é um objeto de análise que passa praticamente despercebido pela maioria. Já a cena que mais adoro é a da empregada da casa, uma senhora que nunca havia deixado faltar flores nos vasos. Quando ela vai pela última vez visitar a casa, já com sua patroa falecida, ela encontra os três filhos adultos que estão separando os objetos valiosos para um leilão, só que ela não sabe disso. Um deles diz a ela que, pela dedicação de tantos anos, ela pode escolher um objeto da casa para levar com ela de lembrança. Qualquer coisa que quiser ! Ela então pega um vaso onde sempre colocava flores e sai abraçada com ele, enrolado num plástico. Depois comenta com um sobrinho que ela poderia ter pego algo de valor, mas que seria um abuso, o que lhe importava era ter aquele vaso tão representativo do longo tempo em que serviu a família. Sem saber, ela estava levando pra casa um dos vasos que iria a leilão e que era uma raridade, valia uma fortuna. Ela nunca saberá disso em termos financeiros, mas mesmo em sua ignorância, o valor dele, para ela, era muito maior.

*

Li um livro estranho, diferente, chamado Senhor R, de Alberto Renault. Bem interessante. Uma prosa poética sobre um velho que planeja uma viagem a Groelândia para testemunhar o fim do mundo. Recomendo que seja lido de um fôlego só, como uma viagem sem escala. O texto da orelha foi escrito pela atriz Fernanda Torres. 

*

E agora tenho menos um item a cumprir na minha lista de “1001 coisas para fazer antes de morrer”: finalmente assisti a um show do Roberto Carlos ao vivo. Nunca tinha visto o rei de perto. E, olha, foi mesmo uma emoção. O Gigantinho (ginásio de esportes do Internacional) estava lotado e impaciente pela entrada dele no palco, até que, de repente, surge Roberto Carlos todo de branco, com aquele jeitão sedutor, chamando Porto Alegre de “Aeroporto Alegre” (“porque aqui só tem avião”), conquistando assim o mulherio inteiro, que dominava as arquibancadas. Tive o privilégio de assisti-lo de pertinho, numa cadeira de pista na oitava fila. Então ele atacou com várias belas canções. Cantei, e me comovi, e me entediei um pouco na parte brega do show (inevitável), e voltei a cantar e dançar com o medley da Jovem Guarda (“Quando/você se separou/de mim/quase/que a minha vida teve/fim…”), e lá no finalzinho, na hora da distribuição das rosas, me mandei porque queria pegar um táxi sossegada pra voltar pra casa. Se valeu? Foi bárbaro. A qualidade de som fazia parecer que estávamos num teatro, e não num ginásio. Ficou claro que o cara não é rei por acaso.  

*

Terça confirmadíssimo em Recife, às 19h na Livraria Cultura (acho que é isso, mas por via das dúvidas acessem o site da Feira Recifense de Literatura que a programação está toda lá).  

*

Até breve, beijos!

 

Postado por martha medeiros

Filmes franceses

10 de agosto de 2009 51

Olá! Antes de mais nada, já deu pra reparar que anda havendo um atraso na postagem de mensagens deixadas por vocês. Fico agoniada, louca pra ler o que vocês me escrevem, mas os comentários estão custando a serem colocados no ar. Estou indo pro aeroporto agora (para a entrevista pro Happy Hour hoje, no GNT, lembram?) mas amanhã estarei de volta e tentarei agilizar isso, ok? 

*

Eu havia dito que era provável que na sexta passada eu entraria no programa da Ana Maria Braga com um depoimento sobre o dia dos pais, mas pelo visto a matéria caiu, que em jargão jornalístico quer dizer: foi cortada por alguma indisponibilidade de espaço. Ouvi dizer que hoje à noite a estilista Martha Medeiros (minha homônima de Maceió) estará no programa do Jô e vai contar sobre as curiosidades geradas pelo fato de termos o mesmo nome. Foi ela mesma que me contou isso ontem por telefone, mas, sabe como é, ninguém pode  garantir. Ela grava o programa hoje à tarde, não sei se já estará no ar à noite. Eu chegarei de São Paulo às 23:30h e vou direto ligar a tevê. Tomara que role, há de ser divertido. Ela,  além de talentosa, me parece ser muito boa gente. 

*

Estou muito a fim de assistir aos filmes franceses que estrearam em Porto Alegre essa semana, Paris e Horas de Verão, ambos com Juliette Binoche. E soube através de um leitor que filmaram o livro “A elegância do Ouriço”, uma das melhores coisas que li ano passado. Ele me mandou o trailer deste e de outro filme francês que não conheço. Vive la France! Deixarei aqui os links desses dois últimos filmes citados.   

 
Les chansons d`amour (2007). É sobre a liberdade de relacionamentos. Uma comédia romântica pouco tradicional, onde o principal personagem é um homem.O filme é musical e dizem ter canções ótimas.
E finalmente O ouriço baseado no livro “A Elegância do Ouriço”. Aqui está o trailer: http://www.leherisson-lefilm.com/
 
Beijos!!

 

Postado por martha medeiros

Republiqueta

06 de agosto de 2009 37

Olá. Por onde começar?

Acho que vou começar agradecendo as cartas relacionadas ao meu último post – obrigada a todos – e respondendo algumas delas.

Thaís, você me pergunta sobre o livro Planisfério Pessoal, do português Gonçalo Cadilhe. Sinceramente, achei que iria me entusiasmar mais. Gosto muito de livros de viagem, mas esse não chegou a me empolgar, sei lá se por causa dos roteiros que ele percorreu, ou se pelas histórias que me pareceram mais sacrificantes do que encantadoras. Claro que sempre é interessante ouvir alguém contar suas aventuras por regiões pouco turísticas e conhecidas, mas o texto não me fisgou.  Houve momentos em que eu estava lendo e não captando nada, com a cabeça pensando em outra coisa, e isso é fatal para a continuidade da leitura. Interrompi no meio. De qualquer forma, é apenas minha opinião, e não um julgamento sumário. Entre no google e procure  comentários de outras pessoas, e aí você resolve se vale a pena encomendar (o livro foi lançado apenas em Portugal, por isso chega meio caro aqui no Brasil, então não convém arriscar sem estar segura – eu me joguei nele sem muita informação prévia).

Cinthia, Kassandra e Karla, está confirmadíssima minha participação dia 18 de agosto, às 19h, na Feira Recifense de Literatura. Apareçam lá. No dia seguinte vou dar uma escapadinha e realizar um sonho: conhecer Fernando de Noronha. Serão apenas três dias (adoraria que fossem 30!), passarei meu aniversário naquele paraíso. Quem tiver alguma dica sobre a ilha, é só deixar aqui, de repente consigo tempo para conferir. 

Luciana, eu nunca escrevi sobre astrologia. Tive sim uma coluna no Almas Gêmeas, do Terra, por muitos anos, mas era sobre relacionamentos. 

Isabella, que maravilha deve ser viver em Londres. Você me pergunta sobre adaptações musicais. A banda gaúcha Nenhum de Nós gravou uma música chamada Feedback e o Frejat gravou Farol, ambas baseadas em poemas meus. Feedback é uma balada linda, Farol é rock´n´roll básico. 

 

*

 

Lamentei terem encontrado o corpo de Gabriel Buchmann, o economista perdido no Malauí. Cheguei a acreditar que ele poderia estar vivo.

 

*

 

E para continuar nos lamentos: o que está acontecendo na política brasileira? Bom, está acontecendo o que sempre aconteceu. Um festival de hipocrisia, cenas que seriam cômicas não fossem trágicas, e o esquecimento total do que representa ser um servidor público. O nome diz tudo: servidor!! Presidentes, governadores, deputados, todos foram eleitos para servir à nação, mas o que se vê é a continuidade da velha republiqueta, com autoridades se deixando abduzir pelo poder e resolvendo servir apenas a si mesmos. Lá em Brasília, tem esse vexame chamado Sarney e tudo o que cerca essa história. Aqui no sul, esse grande ponto de interrogação a respeito da governadora Yeda e demais acusados pelo Ministério Público Federal, que ainda não abriu a caixa de pandora (não se sabe exatamente o que eles ouviram nas mais de 20 mil escutas telefônicas), mas não seriam levianos de pedir o afastamento de tanto peixe graúdo se não estivessem seguros da culpabilidade de todos eles. Vem pela frente um festival de lama. E eu não fico salivando com isso, ao contrário, lamento profundamente, porque o que eu mais queria era poder acreditar, confiar, me sentir bem representada por ao menos uma parcela dos políticos, mas não se salva quase ninguém. Não me conformo de que não haja gente honesta nesse meio. A impressão que dá é que estão todos comprometidos, todos com o rabo preso, todos! Nada é transparente, e vergonha na cara é artigo em falta há séculos. O Brasil, de ponta a ponta, precisa renovar a classe política, passar por uma faxina geral e dar espaço para gente decente. O problema é que gente decente não quer chegar nem perto desse Paraíso da Corrupção. Estamos bem arranjados.

*

Pra encerrar, amenidades: é bem provável que amanhã, dia 7, eu faça uma súbita aparição (previamente gravada) no programa da Ana Maria Braga, numa matéria sobre o dia dos pais. Segunda-feira, dia 10, estarei ao vivo no programa Happy Hour, do GNT, às 19h. E dia 17 de agosto chegará às locadoras o DVD do filme Divã. Sei que ele está sendo pirateado há meses, porém resista à  tentação e deixe pra locar o oficial, que traz cenas do making of e depoimentos da equipe toda – direção, produção, elenco. Eu lembro que cheguei a gravar um depoimento na épocas das filmagens, então talvez eu apareça numa “pontinha”. Não sei, também vou locar pra descobrir.

*

É isso aí, viva o Brasil e beijos. 

 

 

 

 

 

 

Postado por martha medeiros

Como controlar o ego?

03 de agosto de 2009 69

Voltei do Rio, e voltei inflada, não porque tenha comido muito, aliás, comi quase nada, e mesmo que houvesse continuaria magra, porque caminhei do Leblon ao Arpoador ida e volta, que pernada! 

*

Cruzes, eu sou melhor poeta do que isso… Desculpem as rimas cretinas, deixei que saissem no embalo, mas é só pra brincar com vocês. Essa introdução tola foi pra dizer que voltei inflada, sim, mas de afeto. Nesse último final de semana, meu ego teve que ficar sob rígido controle, porque senão explodiria. Todo mundo que pinta aqui no blog é hipercarinhoso comigo, mas hoje tenho que deixar um agradecimento especial aos cariocas, vocês são bacanas demais comigo. Obrigada!!

*

Cheguei sábado às 13h no Rio. Deixei minha sacola no hotel e em seguida a poeta Maria Rezende me resgatou e levou para a Casa Poema, da Elisa Lucinda. É um espaço cultural em Botafogo, supergracinha, decorado só com elementos sensoriais/sensitivos – Elisa também precisa de almofadas (quem andou me lendo recentemente, entendeu). Elisa!! Que mulher necessária. Que furacão de sentimentos. A escola da Elisa Lucinda deveria ser tombada, virar patrimônio histórico. Não é sensacional uma mulher dedicar a vida a ensinar os outros a ler poesia, dizer poesia, entender poesia e gostar de poesia? 

*

O que aconteceu lá foi um recital poético. Os alunos da Elisa disseram (lá ninguém “declama”) poemas meus. Havia muita gente. A casa é pequena e estava lotada.  Eu mal cabia em mim de emoção. O grupo de alunos era heterogêneo, tinha desde uma garotada nova até pessoas de mais idade, e as profissões, várias: servidor público, oncologista, professor… Todos dizendo poemas meus com uma competência comovente. Tinha poema ali que eu nem lembrava de ter escrito, em muitos momentos fui inédita pra mim mesma, e me surpreendi surpreendida!! Foi lindo demais, até porque eu sabia que muita gente ali na plateia nem desconfiava que eu iniciei minha carreira literária com poesia, só me conheciam das crônicas, então foi uma tarde de revelações para todos.

*

Na primeira fila, quem? Regina Duarte!! Caramba, eu cresci assistindo essa atriz na tevê. Alguém aí se lembra da Simone da primeira versão de Selva de Pedra?? Claaaro que não, eu sou a única dinossaura desse blog. E da viúva Porcina? E de tantos outros papéis memoráveis? Pois essa mulher estava ali sentadinha naquele sábado à tarde para ouvir meu trabalho e me conhecer pessoalmente. E teve o desplante de me dizer: “eu sou tua fã”. Mas o que é isso? Vamos botar ordem no galinheiro: Eu é que sou tua fã, Regina!!! 

*

A Beth Carvalho estava por lá também. Uma simpatia. Brinquei com ela. “Pô, meus poemas já deram rock (Nenhum de Nós, Frejat…). Tá na hora de eu virar um samba!!!”

*

Foi tudo tão ameno, tão divertido, tão afetuoso. Mas voltemos à Elisa. Ela me deu de presente o livro que registra o encontro que ela promoveu, na mesma Casa Poema, com o escritor Rubem Alves. Quer fazer uma boa ação pra você mesmo? Compre esse livro e o devore! Foi o que eu fiz no dia seguinte, domingo. Grudei no livro. Sublinhei várias passagens. Fala sobre a relação equivocada que muitos têm com a literatura, e com a poesia em especial. Deixa claro como somos deseducados por professores que tentam nos ensinar sobre a vida de forma mecânica, quando a poesia teria tanto a contribuir em sala de aula. E o principal: o livro fala que é impossível a gente reter conhecimento quando não há emoção. Não parece óbvio??

*

Nome do livro: A poesia do encontro. Editora 7 Mares.

*

Aí no domingo eu me concedi um day off. Acordei cedo, o dia estava bonito, quente, e dei aquela caminhada quase militar de ponta a ponta do calçadão. Depois peguei um sol na piscina do hotel (o pessoal me hospeda bem…). E aí fui comer minha salada Gamberetti no Cafeína do Leblon. Não há vez que eu vá ao Rio que não coma a minha (percebam que me adonei) Gamberetti. E dei mais umas voltas e quando vi era hora de ir para a Casa do Saber para participar do encontro promovido pela Revista do Globo, em comemoração aos seus 5 anos de existência. Outra onda de afeto incrível. Muita gente por lá. O espaço também não era mega, poucos conseguiram entrar. Quem me entrevistou foi o Mauro Ventura, jornalista e filho do Zuenir Ventura, olha o currículo do moço. Foi um papo descontraído e regado a um bom vinho, coisa que não dispenso depois das 18h (começou às 18h10).

*

Eu tenho do que reclamar da vida?

*

Obrigada a todos que participaram e aos que desejaram participar, mas não conseguiram. Me senti prestigiadíssima. Agora, é voltar a trabalhar, que a vida não está ganha.

*

Beijosssss.

 

 

 

Postado por martha medeiros