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Posts de outubro 2009

Bye bye!

29 de outubro de 2009 27

Oi, pessoal.

Puxa, essa semana foi atribulada, é sempre assim antes de eu sair de férias. Mas o dia chegou e amanhã, dia 30, embarcarei para Madri, onde vou passar o sábado (e talvez jante no restaurante do Javier Bardem, que está bombando na cidade) e no domingo de manhã pegaremos um voo para Casablanca, onde começa o tour pelo Marrocos. Pela primeira vez não estou viajando a dois, e nem sozinha, como costumo fazer. Estou indo com um grupo. Tenho uma superamiga que é professora de história da arte e, aos finais de seus cursos, organiza viagens culturais, e sempre ouvi falar tão bem dessas turnês (já foram pra Rússia, Egito…) que achei que era hora de me aventurar com eles. Sinto que essa viagem será um divisor de águas na minha vida pessoal, o que por um lado me deixa triste, porque sempre é difícil encerrar uma etapa importante da vida, porém, por outro, me deixa excitada diante do que está por vir, que é uma incógnita total. 

*

Pra variar, estou viajando sem celular e sem notebook, mas vocês poderão acompanhar passo a passo do nosso roteiro através do blog  www.clicrbs.com.br/viajandocomarte  A Clarisse e a Mylene, idealizadoras dessa jornada em parceria com a Porto Brasil Viagens, atualizarão o blog diariamente, contando tudo o que estará rolando por lá e postando fotos, muitas fotos!! Acreditem, o blog delas é bem mais animado que o meu… 

*

Bom, o grupo ainda circulará pela região da Andaluzia, na Espanha, onde finalizarão essa excursão que visa conhecer melhor a influência da cultura árabe, mas eu volto antes: assim que chegar em Granada eu me desgarro e chego aqui em Porto Alegre dia 11. Ou seja, vou perder boa parte da Feira do Livro, que vai só até dia 15 de novembro. Mas pra não ficar totalmente de fora da Feira, deixo aqui algumas indicações de livros. Na verdade, já mencionei a maioria deles em outros posts, mas volto a lembrar deles: 

- Desculpem, sou novo aqui (Carlos Moraes)

- O Clube do Filme (David Gilmour)

- 32  (Stella Florence)

- Aonde a gente vai, papai? (Jean-Louis Fournier)

- O dia em que matei meu pai (Mario Sabino)

- No teu deserto (Miguel Sousa Tavares)

- Indignação (Philip Roth)

- Suíte dama da noite (Manoela Sawitski)

- A última estação (Jay Parini)

E tem também os gaúchos José Pedro Goulart e Claudia Tajes lançando novos livros, que ainda não li, mas que vou ler assim que voltar. Zé Pedro com A voz que se dane e Claudinha com Só as mulheres e as baratas sobreviverão. E a L&PM está lançando três novos títulos meus em versão pocket: Cartas Extraviadas e Outros Poemas (poesia) e as coletâneas de crônicas Montanha-Russa e Coisas da Vida. 

*

Fico por aqui então. De repente me inspiro e mando alguns comentários lá da África (caso a minha amiga permita que eu sequestre o computador dela). Se não acontecer, sigam o blog que indiquei acima e me aguardem, assim que eu voltar eu conto tudo, inclusive a minha cotação em camelos – ai daqueles tuaregues se não fizerem uma boa oferta por mim! 

*

Beijos e saudades!

 

 

 

 

   

 

Postado por martha medeiros

Sortidos

24 de outubro de 2009 25

Olá, todo mundo.

Antes de mais nada, queria mandar um alô para o “anônimo” que reclamou de eu ter sido fria ao ser solicitada para tirar uma foto durante o bate-papo que rolou no Peppo, terça passada. Se isso aconteceu, extra, extra: acho que foi a primeira vez! Tenho um monte de defeitos como qualquer ser humano, mas entre eles não está o de ser antipática com quem prestigia meu trabalho – sempre retribuí o carinho de quem me pede um autógrafo ou foto, oferecendo o melhor e mais genuíno sorriso. Mas se assim foi, desculpe, anônimo, de verdade. E não se constranja em me escrever de novo, dessa vez assinando seu nome, ok? Fica mais simpático, e você preza a simpatia, como demonstrou em seu comentário.

*

Falando em simpatia, vai aqui meu abraço para a gurizada da Budha Khe Rhi, uma loja conceito que tem várias filiais no Brasil. Quatro amigos começaram despretensiosamente a confeccionar calças tailandesas e deu tão certo que hoje estão aí, fazendo o maior sucesso com suas camisetas descoladas e sua postura politicamente ecológica. Longa vida pra vocês.

Estive ontem na praia do Pinhal (100km de Porto Alegre) para participar do Favo Literário, um evento cultural destinado às crianças. Foi muito bacana, mas o que eu queria salientar é que ao chegar à cidade, de carro, me deparei com as ruas  enfeitadas com cartazes coloridos anunciando o evento e mobilizando a população – que é de cerca de 10 mil pessoas apenas. Voltei para Porto Alegre e à noite estive conversando com o designer de joias Antonio Bernardo, que me comentou a surpresa dele ao desembarcar aqui na cidade e não encontrar nenhuma propaganda de rua anunciando a Bienal de Artes Plásticas: era para Porto Alegre estar toda enfeitada com banners e demais peças gráficas, para atrair a atenção dos visitantes e moradores, e também para dar um espírito de festa à capital. Eu não tinha reparado nisso. Ele tem toda razão.

*

Antes de sair de férias, vou tentar visitar a Bienal nessa semana que inicia e deixar aqui alguns comentários.

*

Vou contar uma coisa ótima que soube hoje: o show do Nenhum de Nós cantando Beatles vai ganhar temporada no Theatro São Pedro, no início de dezembro. Eu vou de novo!

*

Beijos e até mais.

 

 

 

 

  

 

 

Postado por martha medeiros

Viver a vida infantilmente

18 de outubro de 2009 104
               Sempre gostei das novelas do Manoel Carlos porque elas são realistas, mas esse começo de Viver a Vida me surpreendeu. Parece Malhação, ou o que eu imagino que seja Malhação.
            Alguns personagens correm pela casa uns atrás dos outros como se tivessem 11 anos de idade, incluindo aí dois irmãos marmanjos, um médico e um arquiteto. Há também um marido cafajeste que, dia desses, foi perseguido feito um peru em véspera de Natal por uma Maria Luiza Mendonça armada com um taco de golfe, furiosa por causa de uma batida de carro. Esse mesmo cafajeste assedia a prima da própria esposa, e as cenas em que consegue “pegá-la” tem um clima de Zorra Total. A Helena da vez, personagem símbolo da força feminina, só falta colocar o dedinho na boca e dizer gugu-dadá. Aliás, ela e José Mayer andando de carrossel em Paris foi muito meigo. Lilia Cabral, que é a atriz estupenda que todos sabem, está encarnando uma mulher que não tolera nem 5 minutos de solidão e não descansa enquanto não der o troco no marido que a largou. Aline Moraes não caminha: saltita. As ruas de Búzios viraram um parque de diversões, todo mundo anda de conversível com os braços pra cima, como se estivessem numa montanha-russa. As imagens são lindas, mas esse é o retrato do mundo adulto?
            Sei que vem tragédia e sofrimento pela frente, mas, por enquanto, o cotidiano da novela é rosa bebê. Todas as personagens femininas, quando se reúnem, parecem que estão num chá de fraldas. Exceção para a personagem da atriz Lica Oliveira, que faz a  charmosa mãe da Helena e que demonstra ter abandonado faz tempo o jardim de infância, esbanjando bom senso e elegância.
            Pra entender um pouco essa infantilização, resgatei da memória o ótimo filme Little Children, com Kate Winslet, que mostra o quanto somos todos crianças grandes, apavoradas com as escolhas que precisamos fazer na vida. Evoluimos até mais ou menos os 16 anos, e depois somos convocados a desempenhar o papel de adultos, e a maioria de nós se sai tão bem que a gente até acredita que exista mesmo algo chamado maturidade.
            Até pouco tempo, parecíamos mesmo mais adultos. Pais e filhos não se vestiam de forma parecida, as conversas de gente grande não giravam em torno de fofocas, as relações amorosas não eram vividas com leviandade, não se buscava a juventude a qualquer custo, não havia tantos brinquedinhos tecnológicos, tantas perguntas sem resposta, tudo era mais sério e os papéis mais bem definidos: crianças e adolescentes tinham o direito a aventuras e vacilos, e aos adultos cabia colocar ordem no galinheiro. Hoje tenho a impressão que estamos todos com a mesma idade, o mesmo espírito juvenil, a mesma ansiedade e a mesma irresponsabilidade, como se tivéssemos descoberto a pólvora: só os imaturos sabem viver a vida! Ser adulto virou sinônimo de chato.
            Manoel Carlos está com 76 anos, e se é verdade que na terceira idade nos aproximamos da primeira, então faz todo sentido valorizar muxoxos, beicinhos, chiliques, briguinha de irmãs, deslumbramentos, gritinhos, flertes pra tudo que é lado. Paris é uma festa, Búzios é a Disneylândia, e o sofrimento não passa de um “ai de mim”. Ou seja, o autor segue mais realista do que nunca, escancarando a infantilidade de hoje ao mostrar personagens que não atuam como gente crescida, e sim mantém sua alma espontânea de criança, como normalmente faríamos se não tivéssemos que pagar contas, administrar amores, criar filhos, essas coisas sensatas que nos prendem ao chão e nos impedem de fazer o que gostaríamos mesmo, que é correr atrás de quem nos enerva com um taco de golfe na mão.
 
————
Beijos e bom início de semana!
                                                                       
                                                                                                         

Postado por Martha Medeiros

Agenda

15 de outubro de 2009 13

Olá, obrigada pelas mensagens! Deixo aqui um esclarecimento: não sou eu que recebo diretamente os comentários de vocês. Quem coloca no ar é o pessoal do clicrbs e eles estão autorizados a postar tanto os elogios quanto as críticas, eu nem fico sabendo. Mas leio tudo, vocês sabem.

*

Faz tempo que não atualizo minha agenda pra vocês. Tenho quatro eventos nos próximos dias, todos aqui no sul. São eles:

Dia 20, terça-feira: Bate-papo com a escritora Carol Teixeira e as atrizes Ingra Liberato e Fernanda Carvalho Leite. Nós quatro estaremos debatendo, em clima de total informalidade, sobre “Mulheres: idades e crises“. O que provoca em nós a chegada dos 30, dos 40, dos 50… Vai ser às 19h, no restaurante Peppo, na rua Dona Laura, 161 – Porto Alegre.

*

Dia 21, quarta-feira, estarei conversando e autografando no auditório do CATI – Centro de Atendimento Integrado. Será um evento beneficente em favor da Fundação Pão dos Pobres, que há 114 anos realiza um trabalho seríssimo de formação de crianças e adolescentes carentes, contando apenas com doações da sociedade civil e do meio empresarial. Às 19h na rua da República, 801. O ingresso terá o valor mínimo de 20 reais, mas quem quiser contribuir com mais, estará ajudando a manter cerca de 600 educandos que recebem alimentação, abrigo e formação técnica. Maiores informações pelo e-mail rp@paodospobres.org.br

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Dia 23, sexta-feira, estarei no balneário Pinhal participando do Favo Literário, um encontro cultural que acontece na praça central da cidade e que tem uma programação intensa com sessões de autógrafos, teatro, circo e música. Estarei conversando com a garotada das escolas sobre o meu primeiro e único livro infantil, Esquisita Como Eu, lançado em 2003 pela Editora Projeto. A função começa às 14h.

*

Dia 24, sábado, estarei às 18h na Palavraria participando de um bate-papo com Maria Rezende, uma poeta carioca talentosíssima. Conheci a Maria através da Elisa Lucinda, de quem ela foi aluna. A Palavraria fica na Vasco da Gama, 165.

*

Depois, o merecido descanso pra lá de Marrakesh.

Beijos! 

  

Postado por martha medeiros

A verdade

12 de outubro de 2009 42

Engraçado, uma garota chamada Bruna Landim, de São Paulo, deixou uma mensagem aqui no blog perguntando se eu sou a verdadeira Martha Medeiros. Normalmente, a resposta seria, sim, Bruna, sou eu mesma que escrevo aqui, ninguém está me psicografando, mas ando tão tomada pela busca da verdade, querendo entender o que é a verdade (ter postado a letra de True to Myself não foi à toa) que eu igualmente poderia responder: sei lá, Bruna, se sou eu. Também estou na dúvida.

*

Quanta coisa a gente precisa tirar da frente até enxergar a verdade cristalina? Ela fica tão soterrada pelas nossas idealizações e pelos nossos medos que eu me pergunto: onde ela está? Às vezes me considero tendenciosa, assumo uma verdade que me serve no momento, que me justifica, mas onde estou escondendo meus erros, minhas fraquezas? Ser boa e justa não será pretensão minha? Ninguém é totalmente bom e justo. E a gente mente pra caramba pra si mesmo, sempre a fim de nos protegermos. De quê? 

*

Estou terminando a leitura de um livro excelente chamado Suíte Dama da Noite, da gaúcha Manoela Sawitzki. Um romance elegante, original, verdadeiro… Olha aí o “verdadeiro” me assombrando de novo, e o curioso é que o livro trata justamente sobre a quantidade de mentiras que usamos para construir nossa história de vida, o quanto a mentira nos sustenta, nos confunde, nos absolve. É mais fácil optar pela mentira do que pela verdade, pois nossas mentiras a gente escolhe. Nossa verdade não, somos escolhidos por ela, e ela nem sempre surge nua aos nossos olhos, e sim travestida – dá um trabalho danado identificá-la.

*

Mas é um trabalho que compensa: pensar, filosofar, analisar, entender. Queimar os neurônios e abrir o coração até chegar na pérola escondida na ostra. Nós. O eu de cada um.

*

Beijos!

    

 

 

  

Postado por martha medeiros

Sincero com você mesmo

10 de outubro de 2009 33

Parece fácil, mas é sofrido ter que ser verdadeiro com a gente mesmo. Vivemos de sonhos, fantasias, percepções, idealizações, e às vezes mascaramos a realidade para permanecer na ilusão. Quem consegue, verdadeiramente, mudar? Sair de uma situação conflitante e encarar um futuro desconhecido, vazio, incógnito? Melhor ficar onde se está, muitos pensam: quem sabe as coisas não mudam? Eu já vivi um momento assim alguns anos atrás, em que eu sabia que era preciso ser verdadeira comigo mesma, mas isso me traria uma série de consequências que eu não poderia prever. Uma música, na época, me servia de trilha sonora, e de tanto escutá-la, acabei tomando coragem para mudar de vida. Ok, uma música sozinha não tem esse poder, eu tinha outras motivações, mas ela ajudou. A música era True to Myself, do Ziggy Marley. Se você também estiver precisando de um empurrão, aí vai a letra:

Life has come a long way

since yesterday (I say)

And it´s not the same old thing

over again (I say)

Just do what you feel

and don´t you fool yourself (I say)

Cause I can´t make you happy

unless I´am ( I say, I say, I say)

I´ve got to be true to myself

Day in, day out, I´ve asked many questions (I say)

Only to find the truth it never changes (I say)

If you don´t deal with it

it keeps killing you a little by little (I say)

Call me selfish if you will

My life I alone I can live (I say, I say)

I´ve got to be true to myself

I don´t care if it hurts

I´m tired of lies and all theses games

I´ve reached a point in life 

Hey, no longer can I be this way

Don´t come crying to me 

I too have shed my share of tears

I´m moving on

Yes I´m grooving on

Hey, well I´m finally free

I´ve got to be true to myself

A letra em português diz mais ou menos o seguinte: que o cara se deu conta que a vida avançou e que já não é a mesma coisa, é hora de fazer o que tem vontade e não se enganar, não se pode fazer o outro feliz a menos que se seja feliz, os dias passam e nos fazemos muitas perguntas, só pra descobrir que a verdade nunca muda. Se a gente não enfrenta isso, vai morrendo aos poucos. Podem nos chamar de egoístas, mas só nós podemos viver nossa própria vida, não importa se magoa. Chega de mentiras e jogos, alcançou-se um ponto na vida em que não se tolera mais essas coisas. Não adianta chorar, ele também já chorou sua cota de lágrimas, mas está mudando e está finalmente livre: é preciso ser verdadeiro consigo mesmo.  

That´it.

Beijos!

 

Postado por Martha Medeiros

Da linhagem dos Verissimo

07 de outubro de 2009 8

Programinha bacana que rolou em Porto Alegre nessa última terça-feira. O Cult Pub fez a primeira edição de um projeto chamado “O Sabor e o Som“. Eles elegem uma cidade do mundo como ponto de partida para o reportório de um pocket show e da elaboração de um menu. A primeira cidade escolhida foi Londres, e o encarregado do som era Pedro Verissimo, vocalista da Tom Bloch, e nas caçarolas a chef Taís Muradás, proprietária do restaurante Lua Marinha, da Praia do Rosa (SC). Enquanto Pedro, com sua voz vigorosa, dava cara nova ao melhor da produção musical britânica contemporânea (contemporânea mais ou menos, até um Andrew Lloyd Webber apareceu, me fazendo recordar a trilha sonora do filme Jesus Cristo Superstar – não sei se vocês já haviam nascido!), a chef Taís preparava pequenas amostras degustativas da culinária inglesa contemporânea também – e dessa vez contemporânea mesmo, já que a comida inglesa nunca teve boa fama, coisa que Taís nos fez esquecer. O evento, marcado para às 20h30, não começou com pontualidade britânica, mas meia-hora depois Pedro já estava no mini-palco do pub, aquecendo o ambiente com seu bom gosto e carisma habituais. Vamos combinar que música & comida rolando às 21h é uma benção – eu não aguento noitadas que começam pra lá de meia-noite. Quer conhecer o setlist da noite de ontem? Avalie e imagine o que foi!   

Blackbird (Beatles)

Downtown (Petula Clark)

And it stoned me (Van Morrison)
I don’t know how to love you (Andrew Lloyd Webber)

Ruby tuesday (Rolling Stones)

Goodbye yellow brick road (Elton John)

My generation (The Who)

No surprises (Radiohead)

Champagne Supernova (Oasis)

Just like heaven (The Cure)

Panic (The Smiths)

Babooshka (Kate Bush)

Love is a losing game (Amy Winehouse)

Save a prayer B (Duran Duran)

Many rivers to cross (Jimmy Cliff/UB40)

As tears go by (Marianne Faithfull)

Loving the alien (David Bowie)

Personal jesus (Depeche Mode)

Missionary Man (Eurythmics)

She`s Lost Control (Joy Division)

Train in vain (The Clash)

Glory Box (Portishead)

 

Pedro, além de um intérprete sofisticado de canções alheias, é um superletrista.  Então, pra não ficar só babando pros gringos, transcrevo aqui a letra da música que abre o novo CD da Tom Bloch, “SOB A INFLUÊNCIA”. Pra quem está curtindo uma dor-de-cotovelo, siga as instruções e bem-vindo ao clube!

“Os que já naufragaram, por aqui

Atenção, desavisados, também por aqui 

Na próxima chamada já vai começar

A primeira convenção dos corações partidos

Os desalojados tomem seu lugar

E os desesperados, por favor, devagar

Só mais um instante, já vai prosseguir

A primeira convenção dos corações partidos

Os que choraram tanto que viraram pó

E os que encheram Deus e o mundo ao seu redor

Afirmo: os intocados não devem perder

A primeira convenção dos corações partidos

Apressados, desviados, mortos ao chegar

Os que largaram tudo e os que querem voltar

Rebaixados, convidados a se retirar

A primeira convenção dos corações partidos”

———————

Em breve, uma letra do Ziggy Marley para levantar o astral. 

Beijos!! 

  

Postado por martha medeiros

A França dando assunto

05 de outubro de 2009 19

Olá!

Muito estranho o que está acontecendo na France Telecom. No espaço de um ano e meio, 24 funcionários da empresa se suicidaram, sem contar os 13 que tentaram se matar e não tiveram sucesso – acho que sucesso não é a palavra adequada para a situação, mas enfim. Eu não sei muito a respeito do caso, a não ser que alguns diretores estão sendo substituídos, pois a razão desses suicídios está vinculada às condições de trabalho. O que mais me chamou a atenção é que tem se comentado que os funcionários se sentem muito pressionados e que a overdose de e-mails que lotam seus computadores e blackberrys tem feito com que eles não saibam mais distinguir o que é vida pessoal e vida profissional. Ou seja, a pessoa está tão permanentemente conectada com os outros que perde a conexão consigo própria, gerando uma tensão emocional que leva ao suicídio. Será? De qualquer forma, reconheço os malefícios da pressão descabida: em qualquer local de trabalho, um pouco de pressão sempre haverá, mas não se pode fazer com que um funcionário, seja de que escalão for, sinta-se um zé ninguém a ponto de perder toda a autoconfiança e não ver mais sentido na vida. E esse lance dos blackberrys, juro, acho uma neura mesmo. Pra quem recebe poucos e-mails por dia, tudo bem, talvez a escravidão não seja tanto, mas pra quem exerce profissões parecidas com a minha, em que a caixa de correspondência está sempre saturada, deve ser um inferno. Sei de gente que acorda no meio da noite para checar e-mails. Isso é doença. Deve haver outras justificativas para a onda de suicídios dos funcionários da France Telecom, mas não deixa de ser um bom gancho para refletir: será que estamos todos sendo sequestrados pela tecnologia? Ninguém mais consegue se desprender do contato full time com os outros? Está na hora de resgatarmos os benefícios da solidão, da privacidade. O direito ao sumiço. Mas sumiço em vida. Que época maluca é essa que a pessoa só consegue dar uma sumida se jogando da ponte? Alerta!

*

Ainda na França, e falando em alerta: uma deputada apresentou um projeto de lei que exige que toda imagem que for digitalmente manipulada (a exemplo do que acontece com o photoshop), venha acompanhada de um aviso sobre o uso do recurso. Ou seja, a cada capa de revista feminina, haveria um aviso num cantinho dizendo que aquela cintura não é tão fina, que aquela perna não é tão desprovida de celulite, que aquele rosto não é tão liso, que aquela bunda não é tão empinada. Assim, o mulherio que compra a revista não se sentiria tão iludido e não atentaria contra a própria vida – ok, ninguém está se suicidando (ainda) diante de uma Taís Araújo, mas tem mulheres que cometem verdadeiros atentados ao bom senso: tentam reproduzir um padrão photoshop em suas vidas reais, como se isso fosse possível. Eu achei o projeto da deputada bem intencionado, e não duvido que seja aprovado (50 parlamentares já lhe deram apoio), mas acho uma ação meio exagerada. Não são apenas mulheres que têm suas cicatrizes retiradas através de um click de computador – toda a publicidade de alimentos, de carros, de tudo, sofre manipulação hoje. Não estaremos sendo politicamente corretos demais? Daqui a pouco uma mulher que sair maquiada à noite vai ter que vestir uma camiseta dizendo: “Estou usando cílios postiços e corretivo para esconder as olheiras – e esses seios eu comprei”. 

*

Da França pro Rio de Janeiro: as Olimpíadas se confirmaram e o Brasil já está dividido entre aqueles que estão possessos com a gastação que vai rolar e aqueles que consideram que haverá investimento no esporte, na infra-estrutura e na auto-estima do país. Eu jogo no segundo time. Essa choradeira contra o Brasil sediar as Olimpíadas me lembra aqueles que torceram contra a seleção canarinho na Copa de 1970 para não fortalecer ainda mais a imagem de um governo ditatorial, como era o do Médici. Se o Brasil não tivesse vencido o tri-campeonato mundial, a ditadura teria terminado? Ora. Claro que o ufanismo costuma nublar a realidade, mas também não acho certo perdermos toda a alegria em troca de um manifesto contra nossa política sem-vergonha. Uma festa olímpica dessa magnitude gera emprego, turismo, reformas, saneamentos, transporte, ou seja, tem seu lado positivo. Na educação e saúde, que é o que mais precisamos, realmente, não haverá diferença, infelizmente. Mas não consigo boicotar um acontecimento esportivo por razões políticas. A batalha por moralidade tem que acontecer todos os dias, com ou sem Olimpíadas, e ela começa pelos nossos próprios atos cotidianos.  Vamos criar filhos honestos e a gente já vai estar dando uma grande contribuição para o futuro do país. Enquanto isso, que venham os recordes e medalhas.

*

Beijo!

 

Postado por martha medeiros

Desertos

01 de outubro de 2009 23

Olá.

Chove lá fora e mais do que nunca tenho me atirado nos livros, que é uma maneira de aquecer a casa (minha alma, minha casa). Como disse para vocês, daqui a um mês estarei fazendo uma viagem cultural pelo Marrocos com um grupo (quem quiser informações, ligue (51)3025-2626 ou escreva para viagens@portobrasil.com.br, parece que ainda há quatro vagas). Dentro da programação, haverá uma noite no deserto: sairemos de camelo no final da tarde, um comboio de duas horas de duração, e dormiremos numa tenda em meio ao nada. Indiada ou aventura? Vida. Algumas pessoas viajam sem preparar o espírito antes. Eu, ao contrário, gosto de entrar no espírito já bem antes, minha mente vai na frente do meu corpo, quando eu chego ela já está lá. Primeiro li Sua Majestade, o deserto, de Magda Raupp e Dione Pasquotto, em que elas contam como foi atravessar 250km do Saara a pé! Isso é que é aventura, o resto é sopa no mel. Agora estou lendo No teu deserto, de Miguel Sousa Tavares, escritor português, o mesmo autor do fenomenal Equador. Nesse livro ele também conta uma experiência no deserto, mas não é um simples relato de viagem, é uma viagem bem mais profunda, emocional, trata de uma forte relação entre ele e uma mulher. Prosa cativante, daqueles livros que não dá pra largar. E já está na mão o  DVD do O céu que nos protege, filme de Bertolucci lançado quase há 20 anos, com Debra Winger e John Malkovich, que se passa adivinha onde? Segundo as organizadoras do tour que farei, o filme é tema de casa, tem que assistir antes de embarcar.

*

Andei lendo também Quem pensas tu que eu sou?, do psicanalista Abrão Slavutsky, e já no prólogo ele coloca uma frase do filósofo Sêneca que é de uma simplicidade arrebatadora. Diz Sêneca: “Perguntas-me qual foi meu maior progresso? Comecei a ser amigo de mim mesmo”. E tem gente que acha que filosofia não serve pra nada… O que mais vejo por aí é gente sendo pouco amigo de si mesmo e assim afetando suas relações e a relação consigo próprio, que é a mais importante de todas. Já transformei em crônica, claro. Em breve nos  jornais.

*

Não demora eu volto. 

Beijos!

 

 

 

Postado por martha medeiros