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Posts de janeiro 2010

Best sellers

29 de janeiro de 2010 47

Antes de responder a pergunta do Anderson, quero avisar a Fátima que o texto a que ela se refere é de minha autoria, sim, mas não é uma crônica, é um poema. E a todos que deixaram mensagens carinhosas, millie merci!!! Vocês não imaginam como é gratificante.  

O Anderson me pergunta o que eu acho dos best sellers (já que ele reparou que não costumo citá-los muito) e se a lista dos mais vendidos influencia minhas escolhas.

Olha, eu não rejeito um livro por ele ser best seller. “O apanhador no campo de centeio“, que foi escrito em 1951, e cujo autor J.D. Salinger faleceu essa semana, aos 91 anos, vende 250 mil exemplares por ano até hoje – no total são 60 milhões de livros vendidos. Ok, esse já deixou a categoria dos best sellers para entrar na categoria dos clássicos, mas ainda assim, vende muito e é excelente - ao menos era na época em que foi escrito. Foi um dos meus livros preferidos na adolescência – meu e de todos os adolescentes do planeta.  

Mas me dispersei, vou voltar ao assunto. Se o livro vende muito ou vende pouco, isso não desperta em mim nem curiosidade, nem desprezo. Não é a lista de mais vendidos que determina as minhas escolhas, e não deveria determinar as escolhas de ninguém, e digo isso com a imparcialidade de quem já teve livros incluídos nelas: Divã e Doidas e Santas já frequentaram a lista da revista Veja e de outros veículos, o que achei ótimo, mas não me fez perder meus critérios. 

Um livro pode virar best seller por haver uma grande fidelização ao autor, independentemente do título que ele esteja lançando, ou porque há um filme ou uma série de tevê inspirada no livro e isso alavanca as vendas, ou porque o investimento no marketing foi forte, ou porque o livro traz um tema polêmico (mesmo que polêmica não seja sinônimo de qualidade), ou porque é uma obra póstuma de um autor importante, ou porque a propaganda  boca a boca fez sua parte, ou, claro, porque o livro é mesmo sensacional. E levem em consideração que muita gente acredita que essas listas não têm credibilidade e que seu modo de aferição é questionável. Enfim, há muitas razões para um livro estar entre os mais vendidos, e ninguém pode esquecer que inúmeros livros magistrais nunca chegaram a vender mais do que 1.000 exemplares, que é uma porqueira se comparado aos milhões que vendem autores com duvidosa qualidade  literária.    

O melhor método para se escolher um livro é através da informação. Você pode até ter ficado sabendo da existência de um livro através de uma lista de best sellers, mas não deve sair comprando só por causa disso, a não ser que não dê valor ao seu dinheiro. Primeiro, pesquise sobre o autor, caso ele seja um completo estranho pra você. Descubra qual é o estilo dele, o que ele já escreveu, que temas costuma abordar, que estilo tem, o que já se disse sobre ele. O google está aí pra isso. Já dentro de uma livraria, pegue o livro, leia a orelha, o prefácio, um pouco do primeiro capítulo – as livrarias hoje têm poltronas e sofás pra esse fim: refestele-se. Ninguém vai obrigá-lo a comprar se não gostar. Dê atenção aos suplementos culturais dos jornais. Leia a Revista Bravo, que traz tudo sobre música, teatro, cinema, artes plásticas e, claro, literatura, e  assine o mais importante jornal literário do Brasil, o Rascunhowww.rascunho.com.br. E, o mais importante: escute a opinião de pessoas a que você dá crédito. Eu tenho certos amigos cuja opinião confio tanto que sempre que eles me recomendam um livro, anoto o título e o nome do autor e corro atrás. Um bom fornecedor de dicas é fundamental. Mas tem que ser alguém que tenha um gosto parecido com o seu – e ainda assim pode dar errado e você detestar o livro. É sempre um risco.

O “Comer, rezar, amar”, da Elizabeth Gilbert, achei uma delícia de leitura. Gilbert é alguma Jane Austen? Não é, mas o livro é agradável, divertido e caiu nas minhas mãos numa época em que eu precisava daquele tipo de história. Tem isso também: a sorte de um livro cair na sua mão quando você está predisposta a ele.

Por outro lado, nunca li “A menina que roubava livros”, mesmo tanta gente tendo me falado bem. Tem outro fator que nos afasta de alguns livros: implicância. Isso não se explica. Tenho o livro em casa e nunca abri. Um dia vou.

Os livros do Luis Fernando Verissimo foram e ainda são best sellers: alguém vai ousar dizer que ele não é bom? (Aliás, hilária sua crônica recente sobre George Clooney, como me diverti).

Ser popular não é pecado. Há os populares excelentes e os populares medíocres, assim como há os clássicos sensacionais e os clássicos chatésimos. Quem decreta isso? Sua majestade, o leitor.

Do que se conclui: leia best sellers, leia livros malditos, leia livros que todo mundo está comentando e também aqueles de quem nunca ninguém ouviu falar, leia o que sua amiga antenada recomendou, leia o livro que você descobriu num sebo, sem recomendação alguma, leia o livro cuja capa deixou você intrigado, leia o que sua professora exigiu, leia o que a sua namorada implorou pra você ler, mesmo que ela seja chegada numa água-com-açúcar (não custa agradar a guria, e se for mesmo uma bobajada, recomende a ela coisa melhor), releia o que você leu 15 anos atrás e amou, releia o que você leu 15 anos atrás e odiou (se todo mundo decretou que era genial, desça do salto e confira de novo, talvez 15 anos atrás você estivesse num momento indisposto pra aquele texto), leia os livros até o fim, abandone-os pela metade se forem uma xaropice (não desperdice seu tempo), leia livros de suspense, eróticos, policiais, poemas, biografias, mas leia!! 

Estou no momento lendo um japonês instigante chamado Haruki Murakami. O livro é “Após o anoitecer“. Ainda não sei se estou adorando ou apenas digerindo.  Ainda não descobri, só sei que vou em frente. É do tipo que não merece abandono no meio do caminho. Mas já soube que há outros títulos do autor que são bem melhores. Como eu soube? Quem tem amigos, tem tudo. 

Bom final de semana!!

Beijos. 

 

 

 

 

 

Postado por martha medeiros

Quem sou eu?

28 de janeiro de 2010 74

Oi! Foram muitos leitores que me mandaram por e-mail a versão integral do texto que andou sendo mencionado aqui no blog e que eu não tinha mais em arquivo. Valeu!!

Nossa, é um texto antigo à beça, e bem umbilical. Certamente deve ter sido escrito na época em que eu era colunista do site Almas Gêmeas. Tinha semana que eu simplesmente brecava, não saía nada, e quando não há assunto, o jeito é falar da gente mesmo, ainda que correndo o risco de críticas – muitos não perdoam. 

O que curti na releitura, agora, é ver que mudei muito pouco nesses mais de dez anos que se passaram entre o dia que escrevi e o dia de hoje. Ainda sigo parecida comigo. O texto, abaixo:  

 

Quando não temos nada de prático nos atazanando a vida, a preocupação passa a ser existencial. Pouco importa de onde viemos e para onde vamos, mas quem somos é crucial descobrir.

A gente é o que a gente gosta. A gente é nossa comida preferida, os filmes que a gente curte, os amigos que escolhemos, as roupas que a gente veste, a estação do ano preferida, nosso esporte, as cidades que nos encantam. Você não está fazendo nada agora? Eu idem. Vamos listar quem a gente é: você daí e eu daqui.

Eu sou outono, disparado. E ligeiramente primavera. Estações transitórias.

Sou Woody Allen. Sou Lenny Kravitz. Sou Marilia Gabriela. Sou Nelson Motta. Sou Nick Hornby. Sou Ivan Lessa. Sou Saramago.

Sou pães, queijos e vinhos, os três alimentos que eu levaria para uma ilha deserta, mas não sou ilha deserta: sou metrópole.

Sou bala azedinha. Sou coca-cola. Sou salada caprese. Sou camarão à baiana. Sou filé com fritas. Sou morango com sorvete de creme. Sou linguado com molho de limão. Sou cachorro-quente com mostarda e queijo ralado. Do churrasco, sou o pão com alho.

Sou livros. Discos. Dicionários. Sou guias de viagem. Revistas. Sou mapas. Sou Internet. Já fui muito tevê, hoje só um pouco GNT. Rádio. Rock. Lounge. Cinema. Cinema. Cinema. Teatro.

Sou azul. Sou colorada. Sou cabelo liso. Sou jeans. Sou balaio de saldos. Sou ventilador de teto. Sou avião. Sou jeep. Sou bicicleta. Sou à pé.

Você está fazendo sua lista? Tô esperando.

Sou tapetes e panos. Sou abajur. Sou banho tinindo. Hidratantes. Não sou musculação, mas finjo que sou três vezes por semana. Sou mar. Não sou areia. Sou Londres. Rio. Porto Alegre.

Sou mais cama que mesa, mais dia que noite, mais flor que fruta, mais salgado que doce, mais música que silêncio, mais pizza que banquete, mais champanhe que caipirinha. Sou esmalte fraquinho. Sou cara lavada. Sou Gisele. Sou delírio. Sou eu mesma.

Agora é sua vez.

Era esse o texto. Putz, terminar dizendo que sou Gisele foi de um atrevimento… Mas entendo o que eu queria dizer: na minha fantasia, se eu fosse belíssima seria como ela, esportiva e simples. No mais, sigo sendo tudo o que listei e mais.
Ontem, assistindo ao Saia Justa, curti o último bloco, em que a Monica Waldvogel sugeriu um exercício semelhante: pediu pra cada uma das participantes do programa citar três coisas que fazem valer a pena estar vivo. Ela se inspirou numa cena do filme Manhattan, de Woody Allen, em que ele faz uma lista das coisas pelas quais vale a pena levantar de manhã. Well, a minha lista seria interminável. Além de tudo o que já foi dito no texto acima, eu ainda incluiria os livros do Philip Roth, Fernando de Noronha, os Beatles, estar entre meus amigos íntimos, dançar, alguns pensamentos do filósofo romeno Cioran, uma taça de vinho tinto em frente à lareira no inverno, filmes com o Javier Bardem, dirigir meu EcoSport com o som bem alto, sexo, sexo, sexo… e beijos!
beijos!
beijos!
Até breve!
 
 

Postado por martha medeiros

Teoria da Viagem

25 de janeiro de 2010 21

Gente, não sabia que os coadjuvantes de Amor sem Escalas (aqueles que interpretam as pessoas que são demitidas) são pessoas normais que realmente foram demitidas. Obrigada por me avisarem, ainda que isso não mude minha opinião. Atores ou não atores, o que interessa é o resultado final. Já vi amadores fazerem pontas e isso se tornar a cereja do bolo, mas dessa vez me pareceu que o tiro saiu pela culatra, não senti consistência alguma. A ideia de colocar demitidos reais é curiosa, interessante, mas não acrescentou nada ao filme. É o que achei. E nem comentei sobre a quase caretice do filme: será mesmo que ninguém pode ser feliz sozinho? Eu prefiro viver a vida acompanhada, acho que tem mais graça, mais sabor, mas aqueles que preferem não constituir família não merecem ser estigmatizados como outsiders. Dentro desse mesmo assunto, prefiro o tratamento que Wim Wenders deu ao filme Estrela Solitária, em que Sam Shepard vive esse mesmo conflito, isolamento x agregação, só que de uma forma bem mais poética e introspectiva. Lembro que cada cena do filme parecia um quadro do Edward Hopper… 

*

Não fugindo muito do assunto, ontem, domingo, li um livro chamado Teoria da Viagem – poética da geografia, do filósofo e professor francês Michel Onfray. Gostei tanto! Ele fala das diferenças entre os nômades (os que precisam estar em movimento) e os sedentários (os que preferem se enraizar), sem fazer juízo de valor, mas enaltecendo, lógico, a importância de partir e de voltar. Uma prosa superpoética, com frases que me cativaram. Uma palhinha:

O viajante concentra estes tropismos milenares: o gosto pelo movimento, a paixão pela mudança, o desejo ardoroso de mobilidade, a incapacidade visceral de comunhão gregária, a vontade de independência, o culto da liberdade e a paixão pela improvisação“.

A arte da viagem induz uma ética lúdica, uma declaração de guerra ao espaço quadriculado e à cronometragem da existência“. 

Viajar supõe o desregramento de todos os sentidos“.

Viajar solicita uma abertura passiva e generosa a emoções que advém de um lugar a ser tomado em sua brutalidade primitiva“.

Há que celebrar prioritariamente o que em nós treme e eletriza, se mexe e se carrega de energia, faz oscilar a agulha do sismógrafo, em vez daquilo que apenas faz o cérebro trabalhar“.

No estrangeiro, nunca se é um estranho para si, mas sempre o mais íntimo“.

Boa viagem, que ler também é uma.

Beijos!

 

 

 

 

 

Postado por martha medeiros

Amor sem Escalas

23 de janeiro de 2010 23

Olá, voltei.

Mais algumas respostas:

Sandra, o texto “Quindins na portaria” é de minha autoria, não sei se é este texto a que você se refere. Nele, cito o escritor Paulo Hecker Filho, já falecido, que certa vez escreveu que costumava deixar quindins na portaria do prédio do Mario Quintana como forma de homenageá-lo (Quintana adorava quindins) e ao mesmo tempo não pesar com a presença, o que considerei um gesto elegante. Muitas pessoas costumam ser invasivas, se atravessam, surgem na sua casa sem antes dar um telefonema. Na crônica, eu enalteço as pessoas que sabem ser gentis de forma discreta, respeitando o espaço do outro.

Deise, eu publico sim num jornal de Minas Gerais, é o “Hoje em Dia”. Ele tem autorização para reproduzir a crônica do Globo aos domingos.

Marina, gostei muito do novo livro da Lionel Schriver, “O mundo pós-aniversário”. O final tem uma reviravolta, mas não é o mais importante, o que me agradou foi o desenvolvimento todo do livro, a maneira como ela demonstra que nossas vidas poderiam ser totalmente diversas dependendo de uma única escolha feita (ou não feita) lá atrás. A autora tem perfeito domínio da descrição dos personagens e do que passa em suas almas. 

Marilda, nossa, você desencavou um texto meu que nem mesmo eu lembrava. Infelizmente não sei que título ele possui, e mesmo que lembrasse, acho que não serviria de nada pois tenho a impressão de que ele foi um dos meus primeiros e deve ter sido escrito nas paredes de alguma caverna – no computador acho que não foi, então impossível garimpá-lo. Pena, também queria ter a versão inteira dele.

No mais, obrigada a todos por seguirem acompanhando o blog, apesar das minhas demoradas atualizações. Vocês são muito gente fina. 

Ontem fui assistir Amor sem Escalas (título pífio que deram ao original Up in the air). Achei bom, mas não é o bicho todo que estão comentando. Começa bem chato e depois se torna mais interessante, tem bons diálogos e uma inversão de papéis inusual no cinema (no que diz respeito às relações entre homens e mulheres), mas não chega a ser um filme impactante. “Juno”, do mesmo diretor, me agradou muito mais. Não há dúvida que Jason Reitman imprime um certo frescor a seus filmes (ele também dirigiu o ótimo “Obrigado por Fumar”), mas faltou o pulo do gato. Falando em gato, George Clooney está charmosíssimo como sempre, mas faz o papel dele mesmo. Gosto do Clooney, mas ele não consegue fazer com que a gente esqueça quem ele é, e isso desfavorece um ator. E não tem nada a ver com ser bonito. Brad Pitt, por exemplo, consegue fazer a gente esquecer que ali na tela está Brad Pritt, seus personagens são maiores do que ele. Ah, e outra coisa que me chamou a atenção: o casting de coadjuvantes é bem fraco. Clooney interpreta um executivo que tem como missão demitir funcionários de grandes empresas, então há uma sequência de cenas em que aparecem esses funcionários ouvindo o temido “you´re fired”, e eles me pareceram excessivamente amadores e sem carisma - sim, dá pra perceber nos poucos segundos em que aparecem na tela. Exceção feita ao competente J.K.Simmons, que aparece rapidíssimo, mas rouba a cena – foi ele quem interpretou o pai de Juno, aliás. 

Enfim, o filme recém estreou e é um bom programa, só que talvez eu tenha ido com expectativa demais, e todos sabem que excesso de expectativa é o caminho mais curto para a frustração. Como eu acabo de jogar um balde de água fria sobre o filme, é capaz de vocês curtirem bem mais que eu.

Enjoy!

Beijos.

 

 

 

  

Postado por martha medeiros

Obrigada!

21 de janeiro de 2010 20

Obrigada, pessoal do Clic, pela postagem dos comentários. 

Guca, o texto “A Dor que Dói Mais” é de minha autoria, sim, apesar de, por muito tempo, ter circulado pela internet como sendo do Falabella.  

Zanette, claro que lembro de você. Meu e-mail sai junto às colunas de ZH todo domingo e quarta, marthamedeiros@terra.com.br

Carlos, o texto “Pudim” não é de minha autoria. Eu nem sou muito fã de pudim, pra ser sincera. Mas valeu o carinho! 

Obrigada a todos pelas mensagens! 

Amanhã (dia 22) às 16h estarei sendo entrevistada ao vivo na Rádio Gaúcha pela Fernanda Zaffari, que está cobrindo as férias do Ostermann. Prestigiem! 

Beijos.

  

 

Postado por martha medeiros

Still alive

21 de janeiro de 2010 46

É, estou viva, mas meio desaparecida, reconheço. E o pessoal do Clic também anda esquecendo de mim, nem têm postado os comentários… A culpa disso é do verão, suponho. Férias e etc. Vou dar uma conferida com eles.

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Eu ando por aqui, em Porto Alegre, trabalhando direto. Esse ano promete ser agitado, tem muita coisa por acontecer. Haja fôlego e criatividade. Se der tudo certo, vocês terão muitas notícias minhas. Cruzem os dedos.

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A novidade essa semana foi ter sido citada no BBB, logo eu que não sou exatamente a maior fã do programa. Eu não estava assistindo na terça-feira, dia do paredão. Estava jantando num restaurante, comemorando o aniversário da minha mãe. Quando cheguei em casa é que soube, já havia muitos e-mails comentando. Não desprezei o fato, é bacana ter um livro (Doidas e Santas) citado num programa com uma audiência tão grande.

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Aliás, depois do Divã, agora é a vez do Doidas e Santas virar audiolivro. É um dos projetos para esse ano.

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Atualmente estou lendo “A sociedade literária e a torta de casca de batata”, de Mary Ann Shaffer e Annie Barrows. O título é quilométrico e enigmático, mas é um ótimo livro epistolar. Troca de cartas. A-do-ro.

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Também estou lendo os contos do gaúcho Rodrigo Rosp em “Fora do lugar”. Textos curtos e contundentes. 

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Hoje li no jornal que começaram a vender os ingressos pro show que o Guns & Roses vai fazer em Porto Alegre em março. Que indecisão. Vou ou não vou? Eu gostei muito do Guns na época áurea do Axl Rose e Slash, mas temo assistir um espetáculo caça-níquel com uma rebeldia ensaiada. Já cometi algumas nostalgias musicais e quase nunca me arrependi, mas eram shows de jazz, de blues, de bossa nova… Quando o assunto é rock, a nostalgia torna-se arriscada, o ridículo ronda.

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Ainda não vi “Avatar”. Nem pretendia. Mas são tantos os elogios que vou me render. Ontem minha filha assistiu e disse que é impressionante. Quero também assistir ao filme do Clooney que estreia amanhã, sexta, dia 22.

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Prometo que volto, nem que seja pra manter a conversa fiada.

Beijos!!

 

 

 

 

  

Postado por martha medeiros

Coração Vagabundo

09 de janeiro de 2010 64

Olá!

Tem alguém aí? Hoje, sábado, quase 22h… Todo mundo de férias, parece. A cidade dá uma esvaziada. Eu não estou achando ruim ficar em Porto Alegre. Tô aproveitando meu tempo para descansar, escrever, ler, ver amigos, enfim, coisas que estão longe de ser um castigo. Havendo ar-condicionado, beleza. 

*

Hoje assisti ao documentário sobre o Caetano Veloso, Coração Vagabundo. Totalmente descosturado, um roteiro gratuito, que começa e termina sem mais nem por quê, mas pra quem gosta de Caetano – e eu adoro – nenhum problema. Um pouco de música, um pouco de blablabla, um pouco de reportagem estilo “Caras” (fuxicos), e um tanto de charme. Nada mal para passar o tempo.

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Gostei da resposta que ele deu a uma provocação do Hermeto Paschoal, que o chamou de musiquinho só porque Caetano considera a música norteamericana superiora à brasileira. Pô, chamar Caetano Veloso de musiquinho, faça-me o favor. Pediu e levou o troco com a maior elegância. Confira.

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E você, acha que a música brasileira é superiora à norteamericana? Nenhum problema, é só uma questão de opinião. Eu mesma nem sei julgar, porque admiro ambas e não acho que seja preciso eleger qual é a melhor. O que eu não entendo é porque tanta ira quando alguém tem uma opinião diferente da nossa. Por que chamar um músico do calibre de Caetano de “musiquinho” só por que ele não foi um nacionalista ao fazer uma análise da música que se faz no mundo? Fico besta com quem perde a compostura por não gostar de algo ou alguém: tão mais simples desconectar. Não ouça, não leia, não prestigie. Dê atenção ao que tem sintonia com você. E toque sua vida, sem agredir.  

*

Qual é!! E perder a chance de defenestrar? Sou ingênua mesmo. Ok, ok, o mundo não teria tanta graça se fosse politicamente correto. 

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Se eu recomendo o documentário sobre Caetano? Sinceramente, não, se você tem pouco tempo livre. O do Simonal dá de 10, o do Vinicius de Moraes dá de 20, e Loki eu não assisti ainda – sobre Arnaldo Batista. Estou julgando documentários, não músicos. Mas se você for fã do Caetano como eu, vale pelo voyeurismo. Ao menos por isso. 

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É só uma opinião.

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Beijos!

 

 

Postado por Martha Medeiros

começando 2010

04 de janeiro de 2010 63

Feliz tudo de novo!

Cheguei de Punta del Diablo, um lugar que me tocou profundamente. Tanto, a ponto de eu pensar em ter uma casinha por lá antes que o resto do mundo descubra essa simpática e genuína vila de pescadores. Me senti de volta à Era de Aquário, ao mundo hippie, onde tudo o que se sonhava era paz e amor, um ideal que a gente perdeu pelo caminho… O lugar é lindo, frequentado por uma garotada despojada, cheia de botequinhos rústicos e com um mar azul de doer. Natureza ainda preservada, não sei até quando. É certo que voltarei. 

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Chegando em Porto Alegre depois de quatro dias de alienação total, me deparei com as notícias estarrecedoras sobre a chuva que vitimou tanta gente no litoral do Rio de Janeiro. Choque de realidade. Sai o paraíso, entra a vida real. É muito injusto que tanta gente comece o ano num clima totalmente festivo e esparançoso, e outros tenham que enfrentar uma tragédia dessa proporção já no início do ano – e com consequências emocionais pro resto da vida. 

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Ninguém nos prometeu um mundo justo, é assim que as coisas são. Ainda que deslizamentos de terra não sejam novidade. O que está faltando? Fiscalização? Uma política habitacional mais severa? Opções de moradia mais seguras? Um sistema de segurança nas encostas? Eu não entendo nada desse assunto, mas quando acontecem tragédias como a de Angra e municípios vizinhos, o mínimo que se pode fazer é procurar soluções para que elas sejam menos frequentes, já que fazer parar de chover não é da nossa alçada.  

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Enquanto estive no Uruguay, li o ótimo livro O Convidado Surpresa, do francês  Gregoire Bouillier. Um texto elegante narrando uma experiência que diz respeito a todos: a dor do amor, as projeções que essa dor provoca e as saídas para recomeçar a viver depois da ressaca emocional. Tenho um romance praticamente pronto sobre esse assunto, que deverá ser lançado no segundo semestre de 2010, mas sempre considero mais original quando um homem escreve sobre o tema.

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Não é despeito: quando vejo na tevê as estradas lotadas, as praias lotadas, os hotéis lotados, suspiro, ligo o ar condicionado e penso: até que não é ruim estar em casa. Ok, pode ser conformismo de quem está sem absolutamente nenhum plano para esse verão. Mas os ventos hão de me deslocar para algum lugar. É o lado bom de estar à deriva.

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Enquanto a vida não me convida, fico por aqui, trabalhando e me desentendendo com o aparelho de celular novo que recebi hoje – o meu antigo deu pau. Eu não fazia questão nenhuma de trocar de aparelho, mas tinha pontos suficientes pra isso e um motivo concreto: não conseguia mais fazer ligações. Agora estou aqui tentando me adaptar ao novo modelo, que tem novidades e recursos que não me servem pra nada. Quero apenas fazer e receber ligações, e receber e mandar torpedos. Só isso. Sou uma dinossaura cada dia menos habilitada pra vida tencológica. Tenho mesmo que me entocar em alguma vila de pescadores. 

*

Paz e Amor! Beijos !

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Postado por martha medeiros