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Posts de fevereiro 2010

Tremores

28 de fevereiro de 2010 13

Olá!

Muitos de vocês devem saber que vivi oito meses em Santiago do Chile, de outubro de 1993 a junho de 1994. Foi uma época muito bacana da minha vida e até hoje tenho um carinho enorme pela cidade. Lembro que falavam muito sobre a possibilidade de terremoto por lá, em função da localização geográfica do país, que fica em cima da divisa de duas placas tectônicas. Felizmente nunca testemunhei nada como o que aconteceu na madrugada do último sábado, mas os “temblores” (pequenos tremores) eram quase corriqueiros. Eu morava no sexto andar de um predio e de vez em quando sentia um leve abalo, mas era muito sutil, nada que assustasse. A recomendação era de que, no caso de algo mais vigoroso, deveríamos nos proteger embaixo do batente da porta de entrada do apartamento. Nunca foi preciso. No entanto, um ano depois, em 1995, me assustei pra valer. Estava em Los Angeles, dormindo num hotel, de madrugada. De repente, acordei com a cama se mexendo. Fiquei paralisada. O lustre do quarto também sacudia. Isso durou dois ou três minutos, o suficiente para eu perceber que não estava tendo um pesadelo, era de verdade. Não saí da cama, fiquei deitada. No dia seguinte, fui direto comprar um jornal para saber o que havia acontecido. Na mosca: “Earthquake”!

*

Quando eu tinha uns 14 anos assisti ao meu primeiro filme catástrofe, que chamava-se justamente “Terremoto”, com Charlton Heston e Ava Gardner. Lembro que vi num cinema do Rio que tinha dolby stereo, uma novidade na época: cada vez que a terra tremia na tela, o cinema tremia junto. Os efeitos especiais seriam de dar risada hoje, mas na época as imagens impressionavam. Lembro que fiquei fã de uma atriz que também trabalhava no filme, chamava-se  Geneviéve Bujold, nunca mais ouvi falar dessa criatura.

*

O planeta não está para brincadeira. Ainda recordo bem dos momentos angustiantes que vivi em março de 2004 (era 2004?) quando um ciclone arrasou com Torres, cidade litorânea que fica na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Naquela época, eu ainda era casada e tínhamos um apartamento na cidade. Acabei de reler o texto que publiquei na época sobre o episódio e achei curioso o fato de eu dizer que aquele fenômeno não se repetiria tão cedo: hoje eu não estaria tão certa. A natureza tem mandado seus recados com bastante frequência. Reproduzo abaixo o texto que foi publicado no jornal Zero Hora dias depois do susto.    

                                
   
                                      NO OLHO DO FURACÃO
 
             Já havia testemunhado tremores de terra em Santiago do Chile, onde vivi, mas nunca passei por nada parecido com o que ocorreu na madrugada de sábado para domingo, em Torres. Cheguei sexta à noite com minha família para passar o final de semana. Na manhã de sábado, a boataria sobre o tal ciclone já corria a cidade, mas o pessoal encarou o assunto como uma provável aventura, e não como uma ameaça real. Por via das dúvidas, fechei bem todas as janelas do nosso apartamento, que fica no oitavo andar de um prédio localizado a três quadras da praia. Retirei os móveis que costumam ficar na sacada e achei que com essas providências poderia dormir tranqüila. Às 23h, começou a ventar forte e fui deitar. Poucos minutos depois acabou-se qualquer possibilidade de sono e descanso. O barulho era ensurdecedor. O zunido do vento misturava-se ao estilhaçar de vidraças, alarmes disparados, transformadores explodindo, e tudo isso sem enxergar um palmo lá fora por causa do blecaute. Não bastasse essa trilha sonora do inferno, o prédio jogava. Parecia que estávamos num barco, com direito a todos os clichês do gênero, como lustres balançando e quadros tortos.
Pensamos em descer até o hall do edifício, mas uma inspeção prévia confirmou que não seria boa idéia. A porta do prédio estava em frangalhos, havia cacos de vidro, água da chuva e areia espalhados por tudo. Melhor ficar onde estávamos: no oitavo andar, à luz de velas, matando o tempo com umas ave-marias.      
         Depois de uma madrugada insone, a luz do dia mostrou o resultado da passagem do Catarina. Em frente ao meu prédio, uma praça, outrora florida, abrigava um poste de luz deitado sobre a grama. Ao lado dele, um sofá de vime, que havia voado de algum apartamento vizinho. Muitos estilhaços. Pedaços de cortina e de forro de gesso. Lâminas de zinco arrancadas de garagens. Praticamente nenhuma árvore de pé. Desolador.
         Eram 7 horas da manhã de domingo e toda a população estava nas ruas, tentando acreditar nos próprios olhos. A reação era de perplexidade. Por sorte, o prejuízo foi, em sua maior parte, material. E o que é material se reconstrói, se compra, se ergue outra vez. Telhas, janelas, letreiros, voltarão todos pro lugar. Bem diferente de uma guerra. Dizer que somos sobreviventes é um exagero e uma injustiça com aqueles que perdem suas famílias em combates estúpidos. Tivemos apenas um confronto incomum com a natureza. Foi apavorante, mas excepcional. Não deverá se repetir tão cedo. E, se acontecer, que a experiência ensine: na dúvida, é melhor pecar pelo excesso do que pela falta – a população deve ser alarmada com seriedade e insistência, não se pode contar apenas com aquilo que “se ouviu dizer”. Boatos não provocam mobilização. Em contrapartida, nós, população, precisamos também aprender a confiar mais: totalmente desinformados não estávamos. 
 
                                      —————————–
                                                                 

 Minha solidariedade aos chilenos, bom início de semana e terra firme para todos!

  

 

   

Postado por martha medeiros

Muito cinema

22 de fevereiro de 2010 34

Olá!

Em véspera de entrega do Oscar, fala-se muito em cinema, então vamos lá. Estou ansiosa pra ver Educação e Um Homem Sério. Incrivelmente, ainda não assisti a Avatar, não sei que travação é essa que me deu. Nunca fui fã de filmes  fantasiosos, não me deslumbro com 3D e acho uma chatice filmes muito longos, mas, ainda assim, é sabido que Avatar já nasceu clássico, então por que não testemunhar esse momento histórico que James Cameron está proporcionando aos cinéfilos? Vou ter que ir, raios.

*

Enquanto isso, andei assistindo 4 filmes que podem ser catalogados de “comédias românticas”, aquele gênero que faz os rapazes grunhirem. Um dos filmes me pareceu bem fraco, gostei bastante dos outros dois e o último foi uma surpresa adorável. A eles:

* Idas e Vindas do Amor, recém estreado. O grande atrativo do filme é a constelação de estrelas do elenco, entre elas Shirley McLaine, Julia Roberts. Jamie Foxx, Anne Hathaway, Bradley Cooper, Jennifer Garner, Ashton Kutcher e outras feras de igual ou maior calibre. O roteiro mostra 10 pessoas, entre homens e mulheres, vivendo seus encontros e desencontros no Dia dos Namorados (o filme chama-se, no original, Valentine´s Day). Well, well. Eu diria que é um filme para adolescentes de 14 anos – e olhe lá. Tudo muito bonitinho, mas pueril à beça. Telecine pipoca para ser assistido às quatro da tarde, na tevê. Essa história de juntar muita gente graúda no mesmo elenco é quase sempre uma arapuca: cada um aparece, no máximo, durante 15 minutos na tela (divididos em três ou quatro cenas de míseros minutos cada uma) e isso, lógico, impede a construção de um personagem que tenha alguma consistência. São duas horas de participações especiais, com os atores e atrizes apenas dando o ar da sua graça. Prefiro vê-los um de cada vez, cravando os dentes em seus papéis com mais paixão.

*

500 Dias Com Ela: demorou, mas fui. Ainda estava em cartaz no Rio. Também incluo na categoria “filme para adolescente” (pois é, prefiro temas mais maduros, nasci velha) porém com um roteiro mais engenhoso do que a maioria das comédias desse estilo e com bem mais originalidade, já que não se trata de um roteiro condenado ao happy end tradicional. Bons diálogos, sutilezas bem conduzidas, um par de atores que foge do estereótipo lindos de morrer, uma trilha sonora esperta e um clima vintage que dá ao filme um ar retrô e moderno ao mesmo tempo. Aprovado.

*

Caramelo. Assisti a essa produção franco-libanesa no DVD. Já haviam me dito que era um filme delicado, e é mesmo. Dirigido por Nadine Labaki, mostra a vida de cinco mulheres que trabalham no mesmo salão de beleza. Uma é amante de um homem casado. Outra é uma mulher que não suporta a ideia de envelhecer e se expõe em situações humilhantes. Outra tem uma levada gay, sente-se atraída pelas freguesas. Outra está de casamento marcado, mas não tem coragem de contar para o noivo que não é mais virgem. E a quinta mulher é uma senhora que desistiu da própria vida para ficar cuidando da irmã mais velha, que é mentalmente perturbada. Pode parecer um filme melancólico, mas ele é apenas sensível, e “apenas” aqui nem se justifica, porque é de uma sensibilidade enorme, e com pitadas de um humor bem feminino. Todos os personagens transmitem a dificuldade de convivermos com nossa solidão mais interna e invisível. Gostei demais.

*

Por fim, uma obra que ainda não estreou. Fiquem de olho: dia 12 de março entrará em cartaz Histórias de Amor duram apenas 90 minutos, filme brasileiro dirigido por Paulo Halm, que é muito conhecido por ser roteirista dos bons - é dele o roteiro, entre outros, do Pequeno Dicionário Amoroso, delícia de filme também. Estreando agora como diretor, Halm nos oferece uma pequena pérola. Um filme despretensioso, sensual e divertido. É a história de um escritor de 30 anos em crise de criatividade, crise no casamento, ou seja, crise existencial completa, um sujeito errante que não consegue terminar um livro já iniciado e que passa as tardes à toa vagando pelas ruas do Rio de Janeiro, sobrevivendo com a grana que a mãe, já falecida, deixou. Caio Blat dá credibilidade absoluta ao papel, e com ele contracena Maria Ribeiro, sua mulher (no filme e na vida real) cabeça feita, independente, focada, batalhadora. Pra fechar o triângulo – tinha que ter um triângulo – entra em cena a linda Luz Cipriota, uma atriz argentina que interpreta a melhor amiga da mulher do escritor. Ele, com a perigosa cabeça vazia, oficina do diabo, jura que elas são mais que amigas, que são amantes, ideia que o deixa ao mesmo tempo enlouquecido, fascinado, mais perdido do que nunca esteve.  

A história pareceu confusa? Pois é de uma simplicidade comovente. O trio tem total domínio de seus papeis e das emoções contraditórias que estão vivendo, mas os momentos de que mais gostei foram os desabafos do jovem escritor com seu pai, uma relação de amor e ódio magnificamente interpretada por Caio e pelo sempre excelente Daniel  Dantas. 

Idas e Vindas do Amor custou 56 milhões de dólares, e Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, mero 1 milhão de reais, e isso fortalece minha opinião de que o mais importante de um filme, seja ele americano, libanês ou brasileiro, é um roteiro bem construído e que conquiste a plateia sem muito malabarismo. Imagino que Caio Blat, Maria Ribeiro, Daniel Dantas e Luz Cipriota tenham trabalhado por cachês simbólicos, mas acreditaram no filme, sabiam a razão pela qual estavam ali – não fizeram “participação afetiva”, nota-se que ficaram realmente seduzidos pela história que estavam contando. Talento, leveza e um bom projeto: difícil não funcionar. Pra mim, que não esperava nada, que não havia escutado nenhum comentário anterior, que apertei o play sem expectativa alguma, foi uma agradabilíssima surpresa. Não foi uma tarde à toa.

*

Beijão!    

Postado por martha medeiros

Carnaval na Sapucaí

17 de fevereiro de 2010 41

Olá! Depois de quatro dias de sol a pino, voltei do Rio 40 graus, que continua uma cidade maravilhosa apesar da imundície deixada pelos blocos de rua – é carnaval, queria o quê. A cada manhã, os garis faziam o que podiam para recolher os vestígios de uma turma interessada apenas em se divertir sem censura. Eram centenas, milhares de pessoas com algum adereço no corpo a título de fantasia, circulando por Ipanema e Arpoador, fechando o trânsito e soltando a franga. Um Rio parecido com Salvador, porém um carnaval de rua mais livre, sem abadás, sem cordas, sem trios, cada um seguindo à toa o seu caminho e encontrando a sua turma. Uma alegria genuína, uma muvuca sem transtornos, a paz esteve convosco, conosco, com todos.

*

Praias lotadésimas. O Arpoador estava impossível. Um inferno de tanta gente. O paraíso foi São Conrado, onde se podia abrir um guarda-sol sem invadir o território do vizinho. As asas-delta seguem sendo a atração do Pepino,a faixa de areia para aterrisagens mais parece o aeroporto de Congonhas, tem até “controlador de voo” para organizar as descidas sucessivas. Um dia ainda faço um voo duplo, se tiver coragem. A vida é só uma, dizem.

*

Sabe o que eu nunca deixo de fazer quando vou ao Rio? Comer uma salada gamberetti no Cafeína. Tem vários desses bistrôs espalhados pela cidade, mas eu sempre vou no do Leblon, em frente à livraria Letras e Expressões. É um prato gostoso, farto e acessível. Virou minha mania carioca.

*

Ok, chega de papo furado. No domingo eu assisti aos desfiles pela tevê e quase cometi autoflagelo por não fazer minha estreia na Sapucaí no dia da abertura do Carnaval 2010. Dava tudo para ter assistido ao vivo a comissão de frente da Unidos da Tijuca. E a passagem da escola toda, claro. É campeoníssima, e escrevo isso antes da apuração. Se não der ela, será a campeã moral de qualquer jeito.

*

Na segunda-feira, eu e meu namorado fomos até o Jockey Clube, onde uma van levava os convidados do camarote da Devassa para o sambódromo. Organização nota onze. Já estávamos com nossos crachás e camisetas devidamente customizadas. Chegamos cedo, quando o camarote ainda estava vazio. Quando entrei na área livre que fica no térreo e dá acesso à avenida, a emoção foi  demais. Estava ali naquele lugar que tantas vezes havia visto pela tevê, e que de repente se tornava real. O público já estava empolgado, mesmo faltando ainda uns 20 minutos pra começar. Era possível ouvir alguns instrumentos sendo afinados, a excitação tomando conta, e não demorou para vermos os fogos de artifício avisando que seria dada a largada para o espetáculo. Corremos para o primeiro andar e deu tempo de sentar no peitoril e assistir, literalmente, de camarote: a visão do alto foi nosso primeiro impacto, e a Mocidade iniciou arrasando. A escola estava linda. O luxo das fantasias é algo que impressiona, e o áudio da avenida não te deixa ficar parado, especialmente quando passa a bateria. O camarote começou a encher e a gente nem notava, só tínhamos olhos para o festival de cores e brilhos na nossa frente. De repente alguém bateu no ombro do meu namorado pedindo pra chegar um pouquinho pro lado pra poder se acomodar ali no peitoril também. Era a Fernanda Torres! Só então nos demos conta de que estávamos cercados por um mar de celebrities. Parecia a filial do Projac. Flavia Alessandra, Deborah Bloch, Paulo Betti, Maria Fernanda Candido, Luciano Szafir, Otavio Muller, Maria Paula, Christine Fernandes, Marcelo Serrado, Max Fercondini, Barbara Paz, Guilherme Weber, Paula Lavigne, Luis Fernando Guimarães, Paula Burlamarqui, Vera Zimmermann, Bruno Mazzeo, Martinália, Nivea Stelmann e grande elenco. Ali pela meia-noite, claro, surgiu a loira devassa, garota propaganda da cerveja, Paris Hilton. Segundo Regina Casé, ela é a cara da Lady Kate, do Zorra Total. Não sei, não sei… a loira é bonita, mas além de bela e rica, o que mesmo ela faz? Ficou num cercadinho vip e mandava beijos e abanos para o público como se fosse uma miss… Meio patético, mas justiça seja feita: o comercial que ela gravou para a cerveja ficou bacana à beça.

*

No térreo, o camarote era composto por uma sala com pista de dança e palco para show – lá pelas tantas rolou um pagode com um grupo que não vou saber dizer o nome. E uma área ao ar livre que dava pra avenida, dali assistimos ao terceiro desfile, o da Portela – que estava linda e tecnológica! É outra perspectiva assistir a escola passar estando no mesmo nível dos passistas, ver os carros de baixo pra cima, enfim, a imponência toda. 

No segundo andar do camarote, uma tevê de tela plana transmitia o desfile em 3D. Óculos eram distribuídos e o efeito era sensacional. Havia um buffet com frios, sanduichinhos e massas – e Devassa rolando livremente, bem gelada. Água de montão também, senão como segurar a onda? E, claro, a sacada, de onde se tinha uma visão aérea da ferveção na avenida.  

No terceiro andar, a área vip da princesa e outro buffet. O ambiente inteiro do camarote foi decorado em tons de vermelho intenso. Paredes, chão, cortinas, banheiros. Um espaço homenageando a luxúria, como o nome da cerveja invoca.

Segurança total, garçons competentes, pessoal educado, plateia festiva e bonita, programa família. Nem um escandalozinho…

*

Se eu gostei? Demais. 

Se voltarei? Olha, é meio-dia e nem sei direito o que vou almoçar, então como planejar o futuro? Talvez sim, talvez never more, a vida vai decidir por mim. O que importa é que foi uma noite diferente, e por mais que o carnaval tenha se tornado uma indústria que envolve muita grana, a verdade é que o samba, astro principal da festa, segue dando as cartas. Sem ele, não há carnaval. 

*

Volto em breve!

Beijos!!

 

 

Postado por martha medeiros

Aristogatos

12 de fevereiro de 2010 53

Último post antes de sair pro aeroporto. Algumas pessoas pediram que eu reproduzisse aqui minha crônica sobre os gatos, já que nem todo mundo teve acesso através dos jornais, então segue aí e divirtam-se. Beijos e até a volta. Miau! 

 

                                               ARISTOGATOS
 
  
         Nunca imaginei ter um bicho de estimação por uma questão de ordem prática: moro em apartamento, sempre morei. E se morasse em casa, escolheria um cachorro. Logo, nunca considerei a hipótese de ter um gato, fosse no térreo ou no décimo andar. Quando me falavam em gato, eu recorria a todos os chavões pra encerrar o assunto: gato é um animal frio, não interage, a troco de quê ter um enfeite de quatro patas circulando pela casa?
         Hoje, dona apaixonada de um gato de 5 meses (e morando no décimo andar), já consigo responder essa pergunta pegando emprestada uma frase de um tal Wesley Bates: “Não há necessidade de esculturas numa casa onde vive um gato”. Boa, Wesley, seja você quem for. Gato é a manifestação soberana da  elegância, é uma obra de arte em movimento. E se levarmos em consideração que a elegância anda perdendo de 10 x 0 para a vulgaridade, está aí um bom motivo para ter um bichano aninhado entre as almofadas.
         Só que encasquetei de buscar argumentos ainda mais conclusivos. Por que, afinal, eu me encantei de tal modo por um felino? Comecei a ler outras frases irônicas e aparentemente pouco elogiosas. Mark Twain disse que gatos são inteligentes: aprendem qualquer crime com facilidade. Francis Galton disse que o gato é antissocial. Rob Kopack disse que se eles pudessem falar, mentiriam para nós. Saki disse que o gato é doméstico só até onde convém aos seus interesses. Estava explicado por que gamei: qual a mulher que não tem uma quedinha por cafajestes?
         Ser dona de um cachorro deve ser sensacional. Lealdade, companheirismo, reciprocidade, eu sei, eu sei, eu vi o filme do Marley. Cão é boa gente. Só que o meu cachorro preferido no cinema nunca foi da estirpe de um Marley. Era o Vagabundo, sabe aquele do desenho animado? O que reparte com a Dama um fio de macarrão, ambos mastigam, um de cada lado, e mastigam, mastigam até que (suspiro… a emoção impede que eu continue). Eu trocaria todos os príncipes loiros e bem comportados da Branca de Neve e da Cinderela pelo livre e irreverente Vagabundo, que foi o personagem fetiche da minha infância. E lembrando dele agora, consigo entender a razão: aquele malandro tinha alma de gato.
         Imagino que, com essa crônica, eu esteja revelando o lado menos nobre do meu ser. Pareço tão sensata, tão bem resolvida, tão madura – quá! – tenho outra por dentro. Que vergonha. Levei mais de 40 anos para me dar conta de que não faço questão de uma criatura que me siga, que me agrade, que me idolatre, que me atenda imediatamente ao ser chamado, que me convide pra passear com ele todo dia. Sendo charmoso, na dele e possuindo ao menos alguma condescendência comigo, tem jogo.
         Cristo, um simples gato me fez descobrir que sou mulher de bandido.
 
 
                                                                           Martha Medeiros
                   

 

Postado por Martha Medeiros

Música boa

11 de fevereiro de 2010 11

Olá. Por aqui parou de chover, o sol reapareceu e o caloraço também. E seguimos reclamando do tempo, nunca estamos satisfeitos…  

Falta muito pouco para o ziriguidum, para a batida eletrizante do carnaval, aquela sonzeira que não deixa ninguém parado, mas antes disso, recomendo um som totalmente contrário à folia. É o The Sea, o segundo disco de Corrinne Bailey Rae. Essa cantora tem uma voz doce e um repertório moderno e elegante. Já havia gostado demais de seu disco de estreia e esse agora só vem confirmar seu talento. Tem umas baladas meio tristes, pois nos quatro anos que separaram o primeiro do segundo disco ela perdeu o marido, morto aos 31 anos. Mas, se não superou a dor, ao menos fez dela inspiração para um trabalho refinadíssimo. Para aqueles que irão se isolar nesse feriado em algum lugar bem distante de qualquer batuque, é a trilha sonora adequada. Perfeita para ouvidos sensíveis.

Não sei se dará tempo de voltar aqui e deixar mais um post, estou viajando pro Rio amanhã à tardinha, mas prometo que na quarta-feira de cinzas já estarei aqui de volta contando as emoções inéditas que viverei na Sapucaí.

Cuidem-se! Muita água (entre uma cerveja e outra), camisinha e bom humor.

Beijão!

 

 

 

Postado por martha medeiros

De mãos atadas

08 de fevereiro de 2010 49

Bom dia. Segunda-feira chuvosa em Porto Alegre, está caindo água de montão, o que por um lado é bem-vindo, depois dos 40 graus de ontem, mas que o refresco não se transforme em enchentes, alagamentos e tragédias, chega.  

Ontem descobri que há um texto meu circulando pela internet com gás total. Às vezes acontece de um texto bombar do nada, de repente, mesmo tendo sido escrito há alguns anos. Em geral, se o texto não caducou e mantém-se íntegro, sem enxertos, não me importo, mas nesse que foi “ressucitado” há um quê de maldade. Trata-se de um texto escrito dois anos atrás, em fevereiro de 2008, em que eu dizia que o Big Brother era um programa de entretenimento como outro qualquer e que era exagero chamar aquela rapaziada da casa de “guerreiros e heróis”, afinal, é apenas um game entre adultos, ninguém está lá fazendo sacrifícios para salvar o mundo, portanto, que todos se divertissem, sem levar o “drama” do confinamento tão a sério, já que aqui fora é que o bicho pega pra valer. E sigo pensando isso, porém nessa edição de 2010 eu fui citada no programa durante o primeiro paredão. Não estava assistindo, como vocês sabem, mas a citação foi elogiosa, a candidata Elenita falou superbem do meu livro Doidas e Santas, e eu não sou demente de desprezar um comentário desses em rede nacional e para uma baita audiência. Pois bem: o texto escrito dois anos atrás está circulando na internet como se eu o tivesse escrito ontem, o que, convenhamos, seria de uma deselegância da minha parte: eu não faria um comentário desabonador ao BBB num momento em que fui favorecida por ele. Simplesmente isso: seria uma deselegância. Minha vida não mudou nada com a citação do livro no programa, já é passado, mas a educação manda não criticar quem lhe presta reverência. No entanto, não tenho controle sobre o que a internet perpetua à revelia, então taí um texto meu circulando sem data, como se tivesse sido escrito recentemente, e ainda por cima com uns enxertos babacas citando Dom Pedro I, Tirandentes e o escambau. Então, a quem interessar possa: não mudei de opinião, mas também não mudei de comportamento. Sigo tendo noções de adequação.

Bom começo de semana, beijos.

 

 

 

Postado por martha medeiros

Exageros

05 de fevereiro de 2010 19

Olá, terráqueos.

Esse ainda é o nosso planeta? Misericórdia, que calor dos infernos. Sei que o Brasil inteiro está ardendo. No Rio, amigos me contam que a cidade derrete. Aqui em Porto Alegre a semana foi escaldante. Não quero nem ver a conta de luz quando chegar, pois o ar-condicionado está ligado direto, dia e noite. De vez em quando dou uma desligadinha, pra descansar os motores e o meu bolso também, mas não consigo ficar sem ele muito tempo – isso que sou do time das friorentas.

E pensar que um tempo atrás escrevi aqui mesmo no blog um texto execrando o inverno e salientando a maravilha do verão. Não mudei de ideia, continuo preferindo o verão, mas por que esses exageros climáticos? Por que não podemos ter um friozinho ameno no inverno e um calorzinho ameno no verão, por que tudo anda tão superlativo no mundo da meteorologia? Aqui se faz, aqui se paga.

A palavra ameno já caducou. O século XXI é over.

Bom, como já deu para perceber, não tenho nada de novo pra contar. Li o livro Preciosa, que deu origem a um filme que ainda não vi e que está concorrendo ao Oscar. É sobre a vida barra pesada de uma adolescente moradora do Harlem. Não tenho ido ao cinema, tentei ver Avatar e não consegui entrar, sala lotada. Tenho escrito bastante, estou dando uma arrancada em alguns projetos para ainda esse ano. Novidade, mesmo, é onde vou passar o carnaval. Abram elas, cariocas, que estou chegando. Pela primeira vez, vou assistir a um desfile na Sapucaí. Eu, que nunca fui muito chegada num ziriguidum, que sempre preferi fugir da agitação, resolvi aproveitar uma oportunidade que pintou e estarei no camarote da Nova Schin prestigiando a segunda noite no Sambódramo, dia 15. A Paris Hilton vai estar lá, dizem, por uma merreca de cachê: 500 mil dólares. Cobrei o dobro, claro!!! 

Eu, hein. Não fosse a gentileza de um amigo, eu veria o desfile pela tevê, como todos os anos. Volto a dizer, quem tem amigos tem tudo.

Então já sabem: por enquanto, novidades zero por aqui, mas quando eu voltar, preparem-se para o relatório. Prometo ser bem exagerada nos detalhes.    

Antes de embarcar, voltarei aqui pra me despedir. Por enquanto, fiquem com o meu beijo de sempre e bom final de semana a todos. Bebam muita água e não se mixem pros termômetros. Sobreviveremos!

Tchau!

 

 

  

Postado por martha medeiros