Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts de abril 2010

Quidam

26 de abril de 2010 22

Oi, Pâmela, adorei seu cartão, maior capricho, obrigada! Foi muito legal ter estado com vocês em Sapiranga. Agora estou correndo aqui, de saída pra Sogipa, onde participarei de um evento, e na quarta-feira voarei pro Rio. Estarei na pré-estreia de Doidas e Santas no Teatro Leblon na quinta. Será uma noite só para convidados, mas a partir de sexta a temporada começa pra valer, vão lá e me digam depois o que acharam do espetáculo.

*

Não, não é meu o texto “Pudim” que circula insistentemente pela internet. Grrrrr.

*

Obrigada a todos pelas mensagens carinhosas, não tenho como responder todo mundo. Quem precisar de “atendimento personalizado”, mande mensagem pro meu e-mail, ele é publicado nas minhas colunas e já publiquei aqui no blog também.

*

Agora deixo com vocês um texto que escrevi sobre o Quidam, espetáculo do Cirque du Soleil que está excursionando pelo Brasil. Sei que o ingresso não é barato, mas cada centavo é recompensado. Se houver possibilidade, não perca esse deslumbramento.

QUIDAM

Eu já havia assistido ao espetáculo Alegria, que esteve excursionando pelo Brasil dois anos atrás, mas escutei comentários de que o Quidam era ainda melhor, então me dirigi ao Cirque du Soleil com bastante expectativa, o que é preocupante, já que expectativa é o caminho mais curto para a frustração. Mas a expectativa não só se cumpriu como deu diversas piruetas sobre si mesma.
Em duas horas e meia, as coisas mais importantes da vida desfilaram diante de uma plateia extasiada, provocando uma transcendência essencial a esse mundo materialista. De minha parte, senti como se tivesse entrado em um sonho. Meu país das maravilhas coube dentro de uma tenda de circo.
Afinal, que coisas mais importantes da vida são essas?
Fantasia, humor, confiança, beleza, infância, poesia, erotismo, movimento, arte e amor. Não é pouca coisa para se condensar num único espetáculo, mas o fato é que a trupe consegue tirar nossos pés do chão e nos transportar para uma dimensão a que não estamos habituados. Por isso o fascínio.
Quidam nos convida a acreditar no impossível, a se divertir com o que é sério, a confiar no outro, a buscar o bom gosto nos detalhes, a descobrir que todo gesto pode ser leve, a voltar a ser criança, a perceber a poesia sem palavras, a reconhecer as possibilidades do corpo, a nunca ficar parado, a reverenciar todas as formas de arte e a compartilhar tudo isso:  aqueles canadenses, chineses, russos, húngaros e ucranianos nos amam e nos abraçam. We are the world.
Quidam é circo, e é também teatro, dança, show. Não se reduz a um único conceito. Quem acompanha o trabalho do Cirque du Soleil sabe o que pode esperar, mas nunca deixará de se surpreender: a turma sempre dá mais do que promete. Se pela tevê já encanta, ao vivo arrebata.
*
Beijos e bom inicio de semana!

Postado por martha medeiros

Esculachos

23 de abril de 2010 53

Cássio, Cássio, como te agradecer? Explico. O Cássio é um leitor que desancou o último post que publiquei aqui no blog, e com toda razão. Estava mesmo uma porcaria, tanto que tirei do ar. A única frase que eu gostei era uma brincadeira duvidosa tipo  “Salve Tiradentes, mas mártir mesmo é quem tem cárie”, isso porque tenho pavor de ir ao dentista, e olha que meu dentista é o homem que mais confio no mundo, meu pai. Mas isso é outra história. A verdade é que eu havia escrito aquela bobajada percebendo que era uma bobajada, e como não publiquei em jornal algum, acabei colocando no blog, já que o tenho atualizado pouco. Um erro! Blog não é lixeira. Portanto, me desculpem os leitores que tiveram o desprazer de ler aquele texto descuidado. Se você não chegou a ler, sorte sua. E minha.

*

Quando participo de bate-papos em escolas e feiras de livro, as pessoas me perguntam sobre como recebo as críticas. Tiro de letra? Fico com ódio? Entro em depressão? Bom, não é uma coisa legal, óbvio. A gente se expõe muito quando escreve, e naturalmente que desejamos um feedback amoroso, a não ser que se seja um polemista nato, mas creio que até estes gostam de uns afagos. Quem não gosta? Mas não adianta, faz parte do pacote ser retalhado de vez em quando.

*

No começo da carreira eu me incomodava mais. Ficava mal quando alguém me detonava, eu levava a sério os esculachos que recebia. É estranha essa mania que temos de nos deixar atingir mais pelas críticas negativas do que pelas positivas. A gente pode receber 100 elogios num dia, aí vem alguém, te ofende, e você quase cai de cama. Vale pra qualquer pessoa, em qualquer situação, mesmo as mais corriqueiras. Você chega num lugar e todo mundo comenta como você está bonita, aí um amigo muito “sincero” diz que seu novo corte de cabelo ficou um desastre e pronto, fim de festa. Às vezes me pergunto se não faz parte da natureza humana essa sensação interna de sermos um blefe, por isso a valorização da crítica: é como se alguém tivesse arrancado a nossa máscara. Será?

*

Não sei. Tem gente com a auto-estima bem resolvida que não dá a mínima para os desaforos que recebe. Mas não é a maioria. Já conversei com muita gente graúda sobre essa questão, gente com reconhecimento nacional, tarimbadíssimos, e praticamente todos dizem a mesma coisa: é muito desagradável ser espinafrado publicamente. Só que a gente acostuma, e o que nos aborrecia por uma tarde inteira, agora aborrece por 10 segundos.

*

Eu fico chateada mesmo é quando quem me criticou tem razão. Chateada comigo! Se acuso o golpe, é porque realmente poderia ter feito melhor. Mas quando é apenas grosseria, molecagem, simplesmente deleto e só lamento o fato de existir  tanto espírito de porco solto por aí. E há os casos divertidos, como aqueles “inimigos íntimos” que te detonam com uma regularidade espantosa, dando a maior bandeira de que são teus leitores fiéis. Fico pensando que devem estar desempregados ou sem namorado(a) para ter tanto tempo sobrando para ler o que não gostam. Eu, ao menos, não homenageio os autores que não me interessam. O contrário do amor não é o ódio, e sim a indiferença. Quem “odeia” está mais envolvido do que supõe…

*

A crítica do Cássio foi quase elogiosa. Depois de dizer que o meu texto estava ruim de doer, perguntou: “Foi algum estagiário que escreveu?”. Humm, tem um carinho subliminar aí. Ele mal acreditou que pudesse ser eu…

*

Enfim, não tenho do que reclamar. Recebo uma enxurrada de afeto, até porque quem visita meu blog sabe que vai encontrar apenas conversa fiada, posts que são escritos de qualquer jeito, como se fossem e-mails. Não estou aqui trabalhando, fazendo literatura ou o que for, e sim mantendo um contato mais íntimo com quem curte meu trabalho, falando informalmente sobre livros, filmes, divulgando minha agenda, ou simplesmente trocando ideias, como agora. Mas vez que outra, acontece de eu deixar textos prontos, e foi o que aconteceu nesse último feriado de Tiradentes. No final das contas, valeu como lição e me deu assunto.

*

Hoje à noite vou assistir o espetáculo Quidam, do Cirque du Soleil, estou na maior expectativa, acho que vai ser bárbaro. Depois comento com vocês.

Beijão, bom final de semana!

Postado por martha medeiros

Obrigada!!

17 de abril de 2010 24

Vocês são demais, hein! Que avalanche de carinho. Essa é uma parte muito gratificante do meu trabalho, ter esse retorno afetivo. Estive em Joinville (SC)quinta e sexta passada e foi assim também, o pessoal me recebeu com um sorrisão na cara, foi muito bacana. Semana que vem, na quinta 22, estarei na Feira do Livro de Sapiranga (RS), às 19h. Quem estiver por perto, apareça!

*

Olha, muita gente escreveu perguntando se a peça Doidas e Santas não iria a São Paulo, a Bahia, a Florianópolis, ao Espírito Santo, etc, etc. Vocês devem imaginar que eu não tenho nenhuma interferência nessa programação, e a coisa não é tão simples, não basta querer, existe todo um trabalho para conseguir patrocínio, e é preciso ter agenda, teatro, enfim, é mais burocrático do que parece. O que sei é que no dia 1 de maio a peça estreia no Rio de Janeiro e fica até 25 de julho no Teatro Leblon – Sala Tonia Carrero. Depois, se o sucesso vingar mesmo, e tudo indica que vai, certamente viajará pelo Brasil e retornará a Porto Alegre. O pessoal está acreditando que a peça tem fôlego pra ficar em cartaz um ano, no mínimo.

*

E mais teatro: dia 1 de julho estreia no Rio Tudo que eu queria te dizer, encenação do meu livro de cartas fictícias. No elenco, Ana Beatriz Nogueira e Felipe Camargo! Direção de Victor Garcia Peralta.

*

Respondendo algumas mensagens que deixaram no meu último post:

Marcia, legal que você encontrou o Strip-Tease, meu primeiro livro, num sebo. De qualquer forma, gostaria de lembrar que a maior parte dos poemas desse livro estão no pocket Poesia Reunida, da L&PM, facilmente encontrável em livrarias, farmácias, supermercados e postos de gasolina - parece piada, mas é verdade. Viva a dessacralização do livro!

*

Raquel, gostei do poema do Roberto Mibielli, tem uma leveza e um humor que aprecio muito!

*

Ariele, gosto de Ana Carolina, sim, inclusive é uma música dela que encerra o filme Divã.

*

Mayra, eu sei que o Giuseppe Oristânio faz novelas, citei apenas que ele não protagonizava, mas pode ser que eu esteja enganada e ele protagonize na Record. Se me enganei, desculpe a falha.

*

Valeu a todos pelo incentivo ininterrupto! Beijão!

A peça Doidas e Santas

12 de abril de 2010 53

Oi, pessoal.

Custei pra aparecer, eu sei, e nem vou falar mais da correria que anda minha vida porque nem eu tô acreditando.

Bom, antes de falar da peça, queria avisar a quem me perguntou se eu abandonei o twitter que não tenho nem nunca tive twitter. Sei que há um que seleciona frases escritas por mim em crônicas e livros, mas não sei quem está no controle dele. Eu não sou.

E o filme franco libanês que andei indicando semanas atrás chama-se Caramelo.

Bom, agora deixa eu contar pra vocês que finalmente assisti a peça Doidas e Santas no sábado aqui em Porto Alegre (e depois assisti de novo no domingo). Vocês podem imaginar a palpitação que todo autor sente antes de as cortinas se abrirem, já que não se sabe o que se vai ver. Eu, ao menos, não costumo assistir aos ensaios. Havia escutado uma primeira leitura na casa da Cissa, mas isso faz quase um ano e depois nunca mais soube de nada. Cheguei a fazer algumas sugestões na época e foi isso. O que eu sabia é que era uma história com começo, meio e fim, com muitos fragmentos de crônicas minhas, costuradas pela redação final de Regiana Antonini. Foi assim que começou essa aventura.

Bom, resumo da ópera: eu gostei muito! Não, não é uma peça que revolucionará o teatro brasileiro ou coisa parecida, é mais uma comédia romântica que aborda relacionamentos. Já vimos antes? Sim, já vimos antes em outros palcos e principalmente dentro da nossa casa. Todos temos a mesma história pra contar. E isso é que é legal: ver nossa própria história como se estivéssemos diante de um espelho, reconhecer-se na voz dos atores, na expressão corporal deles, nos trejeitos e nas falas - o texto é de todos nós.

A peça é despretensiosa, e despretensão, pra mim, é sinônimo de honestidade.

Vamos ao elenco. Josie Antello é uma atriz que faz comédia de um jeito hilário, sem ser histriônica. Me lembrou o início de carreira da Regina Casé. Josie interpreta três papéis na peça: a irmã, a filha e a mãe da protagonista, sendo que, como mãe, arranca aplausos em cena aberta. Guarde esse nome.

Giuseppe Oristanio é um ator que não costuma protagonizar novelas, mas todo mundo lembra dele, é um tipaço e (eu não sabia) engraçadíssimo. Está ótimo no papel do marido que é o último a saber que seu casamento está em crise.

E Cissa Guimarães é um presente. Lembro que ela disse numa entrevista, outro dia, que tem um compromisso com a alegria. Fiquei pensando nisso. Parece uma frasezinha de efeito, mas tem algo muito sério nesse propósito. Em tempos onde se dá tanta atenção à depressão, à bipolaridade (e se deve dar mesmo, já que são doenças graves), é também preciso, em contrapartida, valorizar a cura, que passa justamente por esse olhar desestressado e generoso para a vida. Cissa está muito verdadeira em cena, e bonita à beça.

A direção é do Ernesto Piccolo, o mesmo que dirigiu a peça Divã e que também dirige A História de Nós Dois, ainda em cartaz no Rio. Adoro o trabalho dele. E quem fez a assistência de direção é o João Velho, que é ator e filho da Cissa.

Well.

Falando em presente, agora tenho um pra você: sabe quem está aqui em casa nesse exato instante? Ela própria! Cissa Guimarães. Estávamos até há pouco dando uma entrevista e, antes de ela ir embora, a segurei para que deixasse um recado pra vocês. É ela que escreve agora:

Gentem, olha eu aquiiiii!!!! Na casa da minha autora!!!! Minha Ídala!!!! Estamos na maior felicidade. A estreia de Doidas e Santas aqui em Porto Alegre foi linda e Martha adorou!!! Isto foi muito importante p nos todos!!! Agora seguimos viagem pelo sul, Sao Leopoldo, Gravatai, Passo Fundo e Erechim. Depois estreiamos no Rio de Janeiro dia 1 de maio e quero convidar vcs todos!!! Vida londa a Doidas e Santas e que os Deuses do Teatro nos abençoem!!!! Obrigada Martha querida! Bjssssssss

Taí a mulher e sua vibração contagiante.

Qualquer hora eu volto, mil beijos!

Postado por martha medeiros

Livros e música

05 de abril de 2010 24

Fim de feriado, volta ao batente. Estive quatro dias em Punta del Este, no Uruguai, um lugar que me agrada demais por sua beleza, pela culinária, pela arquitetura, pela limpeza, pelo ar cosmopolita, por ser um ambiente casual e sofisticado ao mesmo tempo, uma mistura que dá certo. Pena que alguns só conheçam o lado “Las Vegas” e sua peruíce, que é restrito às páginas das revistas de fofocas. Punta é muito mais que cassino – e muito melhor. Pra quem gosta de natureza e de esportes, é uma grande pedida. Mas é longe esse pedacinho de paraíso: são oito horas de estrada desde Porto Alegre, e olha que até gosto de uma aventura on the road, mas a volta é massacrante, principalmente no trecho final. Da próxima vez vou deixar o carro na garagem e ir de ônibus, e lá alugo uma bike ou uma scooter. O plano é eliminar o stress.

*

Estando lá, terminei um livro e comecei outro. O que terminei foi Sobrescritos de Sergio Rodrigues. São 40 pequenos contos sobre o mundo literário, mas calma, calma, não é chato!!! Na verdade o autor satiriza os vários estereótipos que rondam os escritores, os leitores e o mercado editorial, assim como a vaidade dessa gente toda – tribo da qual faço parte. Achei o livro engraçado, inteligente e bem escrito. Quem quiser uma palhinha a mais, é só entrar no site  www.todoprosa.com.br

*

E aí iniciei outro livro de contos (e olha que nem é meu gênero preferido), dessa vez de autoria do grande Amós Oz, escritor israelense que está entre meus favoritos. Estou lendo Cenas da Vida Na Aldeia e estou encantada, especialmente com o conto “Os que cavam”. Vontade de abandonar esse computador agora e me jogar no sofá pra terminar o livro, mas a responsabilidade me gruda aqui na tela. Depois de flanar no feriado de Páscoa, chega de moleza.

*

Comprei quatro discos também. Dois de uma banda uruguaia chamada Cuarteto de Nos, que ainda não escutei, depois comento. O último do Jorge Drexler, que sempre é um acerto, mas também ainda não escutei, e o último do Fito Paez, cujo título é Confia. Fito não está tão visceral quando em Naturaleza Sangre, está mais baladeiro e fazendo um rock mais digerível, diria até mais comercial, sem prejuízo à qualidade. As letras falam muito de se deixar levar pela vida, de dar tempo ao tempo… Já que não temos controle sobre nada mesmo, o lance é curtir o momento, etc, etc. Claro que ele fala também de amores, mas os amores estão menos transtornados, enfim, senti um Fito mais fatalista, valendo-se de chavões como “cuidado com o que você deseja, porque pode conseguir”, mas nada disso desmerece o trabalho, ao contrário, achei uma delícia de ouvir, até porque comungo com esse espírito de simplificação, de não racionalizar demais… Confia!

*

Bom início de semana, beijos!