Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Controle de privacidade

24 de junho de 2010 12

Escrevo para jornal, mas não me considero uma jornalista, tenho até um certo pudor de ser apresentada como se fosse. Mesmo assim, recebo por e-mail uma enxurrada de sugestões para pautas, enviadas por assessorias de imprensa de todo o Brasil. E dá-lhe aviso de lançamento de bolsa, de medicamentos, de condomínios, de pacotes de viagem, de técnicas de alisamento de cabelo e até notícias sobre drive-thru de oração: sério, parece que em São Paulo tem pároco aproveitando o engarrafamento em frente à igreja para oferecer uma prece ao motorista em troca de módicos 50 reais, preço sugerido, Deus não cobra nada.

Mas semana passada entrou um e-mail inédito na minha caixa. Iniciando com um “boa tarde, Martha”, fui avisada, de forma muito educada, que Ana Maria Braga estava formalmente separada. Soube pelo e-mail que ela e o marido tentaram de todas as formas manter a relação, mas que por motivos pessoais não conseguiram se entender e a assessora solicitava que eu, assim como meus colegas, tratasse a situação com respeito, uma vez que eles possuem filhos e família.

Muita gente sonha em ser famosa, imaginando a delícia que é ser seguida por fotógrafos na rua, receber um belo cachê para fazer comercial e sentar na primeira fila nos desfiles de moda. Uma parte dessa história atende à vaidade e é prazerosa, transmite a impressão de que a vida é uma festa, até o dia em que o famoso em questão se transforma num item de consumo, perdendo o controle da sua privacidade.

Com menos popularidade, mas muito mais importantes para a cena cultural do país, Luis Fernando Verissimo e Zuenir Ventura acabam de ter sua vida íntima um pouco mais divulgada através do livro Conversas sobre o Tempo, mediada pelo jornalista Arthur Dapiéve. O bate-papo rendeu algumas inconfidências, mas em nenhum momento isso soa como uma satisfação aos leitores, até porque não é. Trata-se apenas de uma longa entrevista publicada em livro, uma troca informal de ideias, um retrospecto de suas trajetórias, um presente para aqueles que desejam saber como vivem e o que pensam dois autores a quem sempre respeitaram, naturalmente. Um respeito que jamais precisou ser solicitado via assessoria de imprensa.  

Beijos!

Comentários (12)

  • Cristiane Ferreira diz: 25 de junho de 2010

    Fico muito triste e decepcionada por conteúdos como este. Sei que este é o seu blog pessoal e por isso pode escrever aquilo o que bem quiser. Mas minha maior decepção é por admirá-la (aliás, até antes de ler sobre isso) e saber que escreve coisas que na realidade não conheces, como o assunto “drive-thru de oração” e comentários ” sério, parece que em São Paulo tem pároco aproveitando o engarrafamento em frente à igreja para oferecer uma prece ao motorista em troca de módicos 50 reais, preço sugerido, Deus não cobra nada.”
    Na realidade, isso não me incomoda, pois faço parte desta instituição há mais de 10 anos e comentários como este e até piores não interferem na minha vida.
    O que desagrada é o fato de, bem cedo da manhã, sentar em frente ao pc para ver as noticias e conteúdos do dia e ler uma infâmia como esta.
    Abraços,
    Cristiane Ferreira

  • SIMONE MOREIRA diz: 25 de junho de 2010

    Olá, Martha!As pessoas acham que por ser artista podem se meter na vida deles.Com quem as pessoas estão ou deixam de estar não importa….o que importa é o carater,a capacidade,a honestidade,se é gente do bem,isso tem importancia.Bjus.simone

  • rafael pacheco diz: 25 de junho de 2010

    Gosto mto dos jornalistas, afinal, quem saberia das notícias sem eles! Mas alguns ultrapassam e só enchergam seu umbigo querendo vender informações e imagens e muitas vezes apenas em benefício próprio nem pela notícia e nem pelos leitores, espectadores .. enfim…

  • Gustavo Quadra diz: 25 de junho de 2010

    Coisa louca isso tudo….e nunca muda! Anônimos querendo a fama e famosos querendo se “esconder”…
    Mudando de assunto: Martha, comprei mais um livro seu! To quase completando sua obra! rs
    E comprei um, não sei se já ouviu falar de uma coleção da editora Saraiva “Tudo que a vida me ensinou”, comprei o segundo volume do Mario Sergio Cortella, ele já fez de tudo um pouco e hoje é professor renomadíssimo da PUC. Essa coleção busca pessoas interessantes para que contem um pouco de sua vida. Como um bate informal, Mario S. Cortella invade várioas assuntos de forma descontraída e revela suas opiniões com bastante embasamento. Livro leve e bom de se ler. Tem como sub-título: Se vc não existisse, que falta faria. Descobri ele por causa de sua entrevista no Jô. Ele é o cara, vale a pena ler!
    Beijão e saudades!

  • Ligia diz: 25 de junho de 2010

    Como quase sempre, mandou muitíssimo bem, com muita elegância!! Parabéns!!

  • Jéssica Perla diz: 25 de junho de 2010

    Martha, concordo com tudo, as vezes a vaidade toma conta a cabeça, e o artista torna-se escravo de seu sucesso. Eu gosto do jeito que tu escreve, parece que lê dentro da gente, que desvenda tudo que gostariamos de pôr pra fora, é um entendimento simples, mas que poucos conseguem comprender, ler teus textos me lembra muto Caio Fernando Abreu, que desvenda os mistérios do ser, trata da realidade com tamanha clareza que as vezes chega a encomodar quem não compreende, quem não sente. Estas pra mim são leituras obrigatórias. Tenho apenas dezessete anos e estou cursando direito, tenho um blog e amo escrever, escrever alivía. Espero que leia esse comentário, leio sempre as tuas crônicas e como leitora lhe sugiro que escrevas sobre Caio F., não sei, mas eu vejo uma cumplicidade em vocês. E por fim, adorei este texto, a fama exposta demais prejudica vezenquando a vida pessoal.
    E se tiver um tempinho básico olha meu blog, estou tomando gosto pela leitura e escrita, http://comediasromanticasdavida.blogspot.com/

    Beijos, de sua leitora Jéssica Perla

  • Phelipe diz: 27 de junho de 2010

    Realmente Martha, vivemos num mundo tão contraditório que ao mesmo tempo que queremos privacidade, inundamos as páginas de site de relacionamentos com fotos nossas, de nossos familiares e de nossos amigos… como solicitar privacidade se o próprio, abre tal precedente? Parabéns pelo ótimo post. Sincero, claro e esclarecedor como determinado meio atua. Um divisor de águas! Abraços.

  • Carla B. Morais diz: 27 de junho de 2010

    Querida Martha, a muitos anos acompanho seu trabalho e o admiro muito.
    Hoje, escrevi um email para meus familiares, num tom… Martha Medeiros, humildemente julguei eu. Então encaminho a você para que talvez se torne uma ideia, ou apenas para compartilhar… sinta-se livre para usa-lo como desejar. Um fraterno abraço, desta profª estadual, de 25 anos, aquariana… de Esteio. Muito sucesso para você.
    com Carinho …. Carlinha

    email: re
    Subject: É essa correria do dia a dia … que as vezes nos faz esquecer de se lembrar da impotancia dos outros
    Date: Sun, 27 Jun 2010 15:05:04 -0300

    Oi familia….

    Estou aqui, no meu apê, no meu computador, com meus cachorros, estudando e pensando que amanha já

    é segunda, em todo trabalho que ela reinicia, em todas as prestações de “conta” que tenho para ela,

    são valores, são provas, são aulas, são satisfações, são mil atividades para qual, inconcientemente meu corpo e alma

    ja estão se preparando.

    Mas por um momento, um feliz momento, pude perceber o quanto essa correria diaria, mensal, anual…. tem afastado as

    pessoas umas das outras.

    Por mais que nos vejamos quase todos os dias, conversamos muito mais de coisas banais, mundanas do que de nós mesmo propriamente dito.

    E talvez não saibamos bem, o quanto somos importantes uns para os outros na verdadeira medida.

    Enfim, encaminhamos tantos emails, fazemos tantas ligações, falamos tantas coisas, mas quantas vezes destas

    mandamos um email sobre nos, escrito por nós? pensado por nós? quantas vezes “gastamos” telefone com nós mesmos, apenas para saber como o outro esta, onde esta, ou que esta fazendo ? quantas vezes abrimos mão dos afazeres para dar um carinho ou tempo pra o outro, e não é qualquer outro…

    é pra nós familia…. será que estamos dando tudo que podemos dar de nos mesmo uns aos outros?

    Não sei quanto a cada um, mas pensando em mim, me bateu uma saudade imensa de dizer a todos voces, mesmo que assim, virtualmente.

    Que os AMO muito. E que todos os dias penso em todos voces, e que cada minuto longe, é sempre muito tempo, e sinto saudade, sim a saudade diz …

    E diz que torço para que todos estejam sempre bem, que tenham sucesso, saude e que estejam felizes.

    AAAAhhh calma, não enloqueci, nem descobri nenhuma doença terminal nao… heheh

    é apenas essa correria, que não me deixa expressar isso todos os dias.

    Que bom que estou sentindo essa força do amor, que me ajuda a dizer tudo isso, pois estava vivendo na pressa do ritmo que a vida me impos, e com esta

    reflexão eu posso buscar diminuir a passada, e recompensar as pessoas queridas.

    Que os internautas, leiam isso para as vós, imprimam para os tios, tias, primos, irmãos…. pois se eu me perder nessa corria novamente, talvez

    não dê tempo de dizer tudo isso a todos, pois o mundo anda cada vez mais violento…..

    Ah…. e se voce me ver de novo nessa correria sem fim, em busca do sei la o que, me puxe de novo para a realidade do sentido da vida,

    viver, amar, ser feliz e compartilhar. E se voce tambem não encontrar tempo pra ler tudo isso, ou pra responder , ou pra escrever algo tambem assim pra alguem

    quem sabe tambem nao esta, precisando frear a passada um pouco…. fazer umas visitas, dar um telefonema….

    enfim…. vamos voltar a nossa “rotina” tentando resgatar sempre o valor da familia.

    Amo vocês muitooooooo

    Um grande beijo

    Carlinha

  • Elen Vila Nova diz: 27 de junho de 2010

    Olá, Martha! Coincidência ter lido seu comentário a respeito do livro CONVERSAS SOBRE O TEMPO. Estou lendo e completamente encantada! Já lia muito os dois, especialmente o Zuenir (sou jornalista e sempre admirei o trabalho do Zuenir desde que li, ainda na escola, o “CIDADE PARTIDA”). Uma delícia a leitura do bate papo (continua com hífen? Aiiii) entre os autores e o Dapiève. A gente se sente parte da conversa… dando vontade de também lembrar nossos amores, paixões, histórias de vida.
    Ah, tenho quase todos os seus livros. Adoro. Prazer “falar” com você. Há um email em que possa te escrever. Tenho uma história para te contar que acho que vai, no mínimo, te surpreender…
    Beijo.

  • Aurea Gomes Coelho diz: 27 de junho de 2010

    Li, como sempre, seu artigo na revista de domingo:Sons que confortam. Voltei no tempo e me vi na csa de saúde S. José, madrugada do dia 15 de novembro de 1957, com dores de parto do meu 1º filho. Só quem è mãe pode avaliar a dor. Eu não tinha dilatação, dores muito fortes,até que optaram pela cesariana. E o som que não esqueço e que seu artigo me levou a ele foi o barulhinho das rodas da maca chegando ao meu quarto para me levar.Esse som me deu uma paz enorme e até hoje ele é o meu som inesquecível. Com muito carinho e agradecimento pelos momentos que você me proporciona,receba meu abraço muito afetuoso. Aurea

  • Priscila Bispo diz: 28 de junho de 2010

    Olá, Martha. Logo ao ler seu texto me deparei com uma situação muito familiar que são as assessorias de imprensa. Já consigo visualizar sua reação… Como jornalista, lido com situações semelhantes com certa frequência. Quando eu trabalhava em rádio, em programas esportivos, era ainda pior. Imagine a quantidade de press releases de jogadores de futebol…Uma das coisas que mais me impressionam é o fato de que, apesar de serem figuras públicas, todos exigem privacidade e respeito. Por favor, não que não devam ter, a questão não é essa. Fato é: os assessores que imploram respeito à privacidade são os mesmos que ligam e dizem que o tal fulano está no restaurante ‘x’ tratando de um novo contrato com empresário do clube ‘y’; que certa fofolete está na festa de lançamento de um novo shampo com um novo affair, e inúmeros outros exemplos. Quero deixar aqui um apelo para as assessorias: por favor, respeitem seus clientes!
    Beijo grande, Martha.

  • Paulo Roberto Dias diz: 30 de janeiro de 2011

    Boa Tarde, Martha.
    Tenho visto algumas entrevistas suas, com Marília, Leda Nagle (entrevistas passadas) e outras, consequentemente me tornando um admirador seu – um dos mais recentes, diga-se de passagem. Numa dessas entrevistas, lembro-me bem tê-la ouvido falar acerca de ficção e romances, o que , apesar de gostar, não tem costume de escrever.
    Gostaria que soubesse que gosto de escrever romances. Tenho um publicado – ENTRE O AMOR E A VINGANÇA, pela OFICINA DE LIVROS, lançado em 2009 na LIVRARIA LEONARDO DA VINCI. Ficaria honrado em saber que você leu meu livro. Gostaria de lhe mandar um exemplar para que lesse. Tu aceitarias?
    Você não tem noção do quanto eu ficaria feliz em ter um livro meu lido por ti.
    Devo lhe dizer que estou a procura de tudo que escrevestes, pois, a partrir de agora és minha escritora preferida.
    Muito Obrigado!!!
    Betho Diaz.

Envie seu Comentário