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Pós-Copa

06 de julho de 2010 16

Pois é, todo mundo de volta à vida… Vou contar uma curiosidade pra vocês. Eu moro no mesmo edifício do Paulo Paixão, preparador físico da seleção brasileira. Um cara educadíssimo. Encontrei-o na garagem do prédio anteontem, quando ele estava chegando com malas e bagagens da África do Sul.  O abracei e disse sinceramente o que pensava: que eles haviam realizado um trabalho digno.  Fazer o quê?  Claro que a vitória é tudo o que se quer. Mesmo que tivéssemos ido para a final, nossa frustração seria a mesma se fôssemos desclassificados. Mas não consigo sentir essa raiva que a nação inteira tranferiu pro Dunga. Uma coisa não se pode negar: ele foi coerente. Treinou uma equipe vitoriosa por 4 anos e não quis, na hora do bem-bom, trocar os jogadores com quem estava acostumado por garotos que mal conheciam o grupo. Não estou dizendo que ele fez certo ou errado, estou dizendo que ele foi coerente, e já estou vendo alguns aí me xingando, dizendo que coerência não ganha Copa do Mundo, como se houvesse uma fórmula secreta para a vitória. Ninguém tem. Todos tentam, cada um a seu modo. E 31 equipes voltam pra casa sem o troféu. Um só vence.

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Dunga talvez tenha errado mais no seu comportamento pessoal do que na escalação do grupo.  Rosto emburrado, complexo de perseguição, excesso de zelo, tudo isso engessa não só o futebol, mas a vida em todos os seus aspectos. Sabemos que o futebol é mais que um esporte, hoje: é uma indústria que move milhões e ninguém quer saber de brincadeira, mas, pomba, um pouquinho de leveza não teria feito nada mal ao time. E foi uma estupidez sair do campo ao final da partida sem cumprimentar o técnico da Holanda e sem abraçar os nossos jogadores, como fez Maradona. Com um pouco mais de espírito esportivo, nosso final teria sido menos triste.

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Blablabla requentado, esse meu. Copa, que Copa? Vivemos num mundo que aboliu o ontem. O ontem não existe mais, a não ser como vaga memória. É tudo tão frenético que temos apenas a realidade do agora e uma projeção de futuro, igualmente frenético. Lembra quando 4 anos era tempo pra caramba? Pois tenho a sensação de que a Copa do Mundo de 2014 já está ali na esquina. Os relógios e calendários nunca tiveram tanta pressa.

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Amanhã, quarta, estarei em Brasília. Quem puder, participe do encontro às 19h30 no Centro Cultural Banco do Brasil. Depois conto como foi assistir a Cassia Kiss lendo meus textos, admiro demais essa atriz, vai ser uma honra.

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Falando em atriz, ontem a Cissa Guimarães me telefonou dizendo que a temporada do Doidas e Santas no Teatro Leblon, no Rio, foi prorrogada por mais três meses devido ao sucesso. A peça ficará em cartaz até outubro!

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Já a peça “Tudo que eu queria te dizer”, com Ana Beatriz Nogueira, fez um rápido tour pelo interior do Rio e estreará em Porto Alegre dia 10 de agosto. Se alguém já assistiu, me conte!! Ainda não vi nada, tô na maior expectativa.

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Vamos falando, beijos!

Comentários (16)

  • Ariele Goulart diz: 6 de julho de 2010

    Concordo com vc Martha, apenas nao gostei de como nossos jogadores foram recebidos, onde está a cordialidade brasileira na hora em que mais precisamos dela? (inda mais nessa ocasiao: em que nao temos o que comemorar); a Argentina, ao contrario, foi recebida com festa, alias, muita festa.

    Apesar de tudo, continuo tendo muito apreco pelo Dunga, nao deixei de admira-lo, nao me decepcionei. Perdemos a oportunidade de conquistar o hexa? Paciencia, era um risco que as 32 equipes corriam (e nem era a conquista do HEXA).

    Coisas da vida.

    Beijao

  • Kassandra diz: 6 de julho de 2010

    Oi Martha !!! Alguma previsão sobre quando as peças de suas obras darão o ar da graça aqui por Recife ? Bjo.

  • Fernanda diz: 6 de julho de 2010

    “… sem cumprimentar o técnico da Alemanha…” ??? ato falho Martha? (risos) Já estavas vendo o Brasil numa final com a Alemanha?…. retrocede o filme no teu inconsciente: foi contra a Holanda, numa quarta de final, o jogo que vc assistiu… que bom se tivesse perdido da poderosa Alemanha, mas… a vida e os jogos continuam com nossos atos falhos…
    Abraços, Fernanda

  • Nina diz: 6 de julho de 2010

    Martha, admiro muito o seu trabalho.
    Quem me dera então, se a tour do “Tudo que eu queria te dizer” passasse por Belo Horizonte.
    Um abraço.

  • Gustavo Quadra diz: 7 de julho de 2010

    Tenho a mesma sensação..Já esqueceram da Copa…
    Espero vc e Cássia no Rio! rs
    Anotadíssimo na agenda!
    Não vi a peça TQQTD…Espero que, sei lá, venha para Niterói, não vi nenhum lugar pelo Rio para ir…
    Beijão, Martha!

    Ps: acabando de ler Coisas da Vida….se deliciando…Ah! SAUDADES!

  • Tayna diz: 7 de julho de 2010

    Ah! eu como a maioria da população achei que o Dunga teve culpa.. errou na escalação e pagou por isso quando não teve opções de reposição..Mas 2014 está aí.. vamos torcer pra ganhar em casa!!!

  • Bianca diz: 7 de julho de 2010

    Olá Martha, gostaria de lhe mandar um release de um espetáculo cênico Musical, que acontecerá dia 13, baseado num livro de uma escritora gaúcha, Rosane Pereira. Não localizei teu mail no blog, por isso recorri ao comentário. Não precisa publicá-lo. Abraço e aguardo contato!

  • neusa diz: 7 de julho de 2010

    Adoro seus textos, são muito interessantes, e desafiadores. Leio todos que são publicados. Os livros também, na empresa onde trabalho já li quase todos. Você é uma jornalista fantastica…Beijos.

  • Jaqueline de Sá M. Rodrigues diz: 7 de julho de 2010

    Amo os textos da Martha!

    Faço jornalismo, apesar de estar com a matrícula cancelada devido ao valor da faculdade, e minha inspiração é esta escritora!

    Já li vários outros autores, mas nenhum chama mais minha atenção que ela! Não. Não tô puxando nada, nem o saco, apenas explicitando minha admiração e grande carinho!

    Obrigada, Martha, por nos dar tamanha honra!

    Beijo!

  • elen diz: 7 de julho de 2010

    Oi, Martha,
    Escrevi há uns dias um comentário aqui mesmo no seu blog dizendo que tinha uma história para te contar! Pois bem. Hoje, com mais calma, consigo falar. O tema diz respeito ao seu livro DOIDAS E SANTAS.
    Assim como você, sou jornalista. E como tal, tenho consciência da importância da leitura. Sou de Salvador, mas por motivos que só o coração seria capaz de explicar, estou morando em Rondônia há cerca de oito meses. Moro no interior do estado: em Vilhena.
    Aqui, a carência de profissionais é muito grande. E foi exatamente por isso que fui parar à frente de uma turma do curso técnico de secretariado administrativo. Dando aulas para estas alunas, deparei-me com figuras ímpares. Muitas alunas (90% da turma era de mulheres) eram faxineiras, domésticas, donas de casa querendo, lutando para mudar de vida. O sonho: ser secretária. Histórias incríveis de humanidade e de perseverança ouvia ao final de cada aula.
    Achei por bem incentivar a leitura nas aulas, defendendo que só mesmo o autodidatismo em uma região tão carente pode “salvar”. Para introduzir na leitura mulheres que não lembravam nem de quando tinham lido algo, ofereci alguns de seus textos mais “femininos”. A ideia era mostrar o quão gostoso pode ser ler. E aí, sim, começa a parte que, acredito, irá te interessar. Li uma crônica de cujo título não me recordo agora que falava da procrastinação para dar fim a um relacionamento. Você nos contava a história de um casal que há vinte anos tinha decidido se separar, mas que sempre “arrumava” um pretexto: a formatura dos filhos, as próximas férias, o casamento da prima… enfim! Mas sempre com a promessa: “do mês que vem não passa!”. E a crônica terminava exatamente com esta frase.
    Quando concluímos a leitura, uma aluna (esta é faxineira de uma escola municipal daqui) disse: “Esta é minha história, professora! Eu me vi aqui! Eu tô nessa há anos. Todo dia a gente diz que semana que vem vai acabar com tudo e nuncavacaba!”
    Bom, achei engraçado e não me surpreendeu que alguém em toda a turma tenha sentido e expressado uma semelhança com a dita “vida real” ao ler um texto seu (muitas vezes, isso acontece comigo. Não sou a primeira leitura sua a dizer que você expressa o que está em muitos de nós e que, às vezes, nem tínhamos consciência até ler).
    O fato é que, passadas duas semanas, a tal moça (ou melhor, senhora) comentou na sala que estava solteira. Eu indaguei surpresa, já que ela mesma havia admitido que ambos não tinham coragem de tomar uma decisão. Ela disse: “Professora, quando eu cheguei em casa eu dei a crônica para ele ler. Ele leu, ficou calado. No fim do dia arrumou uma mala e foi embora!”
    Martha!!! Quase caio para trás! Fiquei azul! Eu disse: “Você é doida!!! Fez isso?”. Na hora deu até uma culpa. Meu Deus, por que dei este texto para eles?
    Mas ela sorria. Parecia muito bem. Livre. Enfim, só. Então, pensei que o texto deu um empurraozinho para um ato de coragem.
    Bravo!
    Cada um é dono de si. E como diz um outro texto seu (Obrigada por insistir), às vezes, uma certa “insistência” – neste caso traduzida em uma leitura de um texto – pode, sim, fazer muito bem.
    Era isso que há tanto queria te contar…rs
    Um beijo grande
    Elen (elenvilanova@gmail.com)

  • Ariane diz: 8 de julho de 2010

    Oi Martha,
    Meu comentário não é exatamente sobre esse texto do blog e sim da última crônica da zero hora; te admiro muito, leio sempre tuas crônicas, acompanho o blog e já li quase todos os teus livros, mas acho que não foste muito feliz hoje ( no caso ontem), quando escreveste sobre os candidatos á presidência; indiferente do meu ou do teu voto ficou parecendo que estavas fazendo campanha contra o Serra quando no próprio anúncio da coluna falava que o candidato em questão tinha escolhido seu vice apenas pelo acréscimo de tempo no horário televisivo. Tenho certeza que tens outras tantas idéias melhores para um texto do que tocar em um assunto tão polêmico-política, ainda mais citando um exemplo negativo de um dos principais concorrentes da próxima eleição. Desculpa a invasão, mas como tua leitora sinto-me no direito de expressar minha opinião…
    Abraços,
    Ariane Teixeira

  • Fabiana diz: 8 de julho de 2010

    Martha,

    Você é a voz dos meus pensamentos.

    te adoro.

  • Eusária diz: 8 de julho de 2010

    Oi Martha, Bom Dia!
    Concordo com vc sobre as atitudes do Dunga….vivo em Buenos Aires e terça feira a Presidente Cristina K disse quao orgulhosa ela se sentia em ser argentina, pq após a eliminaçao da seleçao mas de 20 mil argentinos foram receber Maradona e sua equipe no aeroporto, pelas ruas e no hotel….ela disse que isso é q érargentino: estar com o pais “en las buenas y en las malas”…acho q esse sentimento é q está nos faltando! Afinal, ninguém foi lá pra perder, todos queriamos ganhar…mas fazer o qué, ne!!!
    Lindo dia pra vc!
    Beijos

  • Rogério Brodbeck diz: 8 de julho de 2010

    Martha, concordo com tua avaliação sobre o Dunga no que diz respeito a ele ter sido coerente. Mas, além de coerência não ganhar jogo como apontado por ti mesma, coerência não significa radicalismo, às vezes tem-se que mudar em nome da flexibilidade e do momento porque futebol é também isso, momento. E não defendo que ele deveria ter levado A ou B, Ganso ou Neymar, por exemplo, não me fixo em nomes mas em valores para poder à mão quando necessário. Não os teve na hora agá e foi o que se viu. Bj

  • Liz diz: 8 de julho de 2010

    Concordo c/ vc qt ao Dunga, tb acho q ele foi coerente. E, sim, um pouco mais de leveza não faria mal algum a ele, mas este é o jeito dele, e as pessoas deviam respeitar ao invés de atirar pedras. Acho ridícula esta campanha toda contra o cara, como se a culpa de termos sido eliminados foi única e exclusivamente dele…

    Um bj Martha.

  • Lígia diz: 14 de julho de 2010

    Martha,
    Queria muito poder assistir alguma peça que é baseada num de seus livros,
    mas moro em SP.
    Você sabe se essas peças vão chegar por aqui?
    Bjo grande.
    Lígia

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