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Benditas críticas

13 de setembro de 2010 14

Enfim, comaçaram a pipocar as críticas do espetáculo “Tudo que eu queria te dizer”. Por enquanto, muito boas. Ufa. Reproduzo aqui para vocês lerem enquanto eu estiver no Rio. Além de participar do evento literário do Centro Cultural Banco do Brasil, pretendo também provar o acarajé no quiosque da Lagoa, dar um superabraço na Cissa Guimarães (com quem falei só por telefone desde tudo o que aconteceu) e assistir à peça Maria do Caritó com a MINHA Lilia Cabral (será que vou sentir ciúmes de vê-la em outro papel no teatro que não o da Mercedes do Divã?). Darei também uma entrevista ao experiente jornalista Roberto D´Ávila. Conto tudo na volta.

SEGUNDA-FEIRA, 13 DE SETEMBRO DE 2010

Teatro/CRÍTICA

“Tudo que eu queria te dizer”

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Montagem imperdível nos Correios

Lionel Fischer

Numa época em que infinitas variações tecnológicas dominam (ou tentam dominar) os mais prosaicos aspectos de nossas vidas, receber ou enviar cartas tornou-se algo tão obsoleto que quase chega a ser risível. No entanto, e falando apenas em meu nome, devo confessar que sou apaixonado por cartas, um pouco porque odeio computadores (cabendo registrar que os mesmos nutrem sentimento análogo por mim) e um outro tanto porque, em muitos pontos de minha paradoxal personalidade, considero-me um homem do século IX.

Assim, quando soube que o presente espetáculo se baseava no livro homônimo de Martha Medeiros, constituído por cartas, fui ao Centro Cultural Correios num estado de excitação que, fosse eu chegado a remédios, não hesitaria em tomar um Rivotril. Além disso, veria em cena uma das mais brilhantes atrizes deste país – Ana Beatriz Nogueira – sendo dirigida pelo excelente encenador argentino Victor Garcia Peralta. Ou seja: só por inimaginável crueldade dos sempre caprichosos deuses do teatro deixaria o local com outro sentimento do que aquele que de lá saí: completamente fascinado.

Numa cena totalmente despojada, idealizada pelo diretor, ocupada apenas por uma cadeira e uma pequena estante sobre a qual estão depositadas algumas garrafas d’água, cujo precioso conteúdo a atriz sorve de tempos em tempos, tomamos conhecimento de seis cartas, totalmente independentes entre si, que não são lidas, obviamente, pela atriz, mas por ela interpretadas.

Sem entrar em maiores detalhes, pois isso privaria o espectador de muitas surpresas, limito-me apenas a dizer que a autora consegue, em todos os temas abordados, exibir doses equivalentes de humor e tristeza, sagacidade e mágoa, ironia e desamparo, enfim, observações oriundas de sua aguda percepção da realidade e de sua notória coragem de dizer o que pensa, sem levar em conta correntes de pensamento ou comportamento em voga.

Diante da excelência dos textos e tendo à sua disposição uma atriz de exceção, o diretor Victor Garcia Peralta impõe à cena uma dinâmica simples e elegante, deixando todo o resto praticamente nas mãos da atriz. Sábia opção, evidentemente, pois como acabo de dizer, Ana Beatriz Nogueira pertence ao seleto rol de atrizes capazes, graças aos seus imensos recursos expressivos, de extrair tudo que um personagem (aqui vários) pode oferecer. E se a isto somarmos seu carisma, forte presença e inteligência cênica, o resultado não poderia ser outro: uma montagem absolutamente imperdível, à qual nenhum espectador pode se dar ao luxo de não assistir.

No tocante à ficha técnica, Ana Beatriz Nogueira veste-se de negro (figurino não assinado), cabendo a Gabriel Mesquita a adequada trilha sonora. Quanto à iluminação, Maneco Quinderé exibe seu talento habitual, aqui iluminando a cena com sutis, delicadas e pertinentes variações.

TUDO QUE EU QUERIA TE DIZER – Texto de Martha Medeiros. Direção de Victor Garcia Peralta. Com Ana Beatriz Nogueira. Espaço Cultural Correios. Quinta a domingo, 19.

LIONEL FISCHER

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domingo, 12 de setembro de 2010

Tudo que eu queria te dizer

Em 1992, a minissérie “As Noivas de Copacabana”, exibida na TV Globo trouxe-me um enorme impacto profissional, quando optei por seguir carreira de advogado, após ver os debates inflamados entre a promotora, interpretada por Marieta Severo e o advogado agressivo na pele de Milton Gonçalves, no Tribunal do Júri dos últimos capítulos. Além da carreira, esta minissérie apresentou-me também a atriz Ana Beatriz Nogueira, no papel da noiva sobrevivente Fátima. Não foi seu primeiro papel na TV, mas foi o primeiro para o qual eu atentei dos meus 12 anos de idade…
Dali para frente, comecei a admirar bastante suas atuações, como no papel da sem-terra Jacira, da novela “O Rei do Gado”, da filha bastarda Duda de “Anjo Mau”, da oportunista
Ana Paula de “Celebridade”, da temível Frau Herta, de “Ciranda de Pedra” e da fútil Ilana, de “Caminho das Índias”, dentre outras.
Mas minha admiração pela atriz resumia-se ao que eu conhecia do seu trabalho televisivo, o qual, vale frisar, muitas vezes deixou de fazer jus ao seu talento, colocando-a sempre em papeis secundários. Nunca antes a tinha visto num tablado.
Estará em cartaz no Centro Cultural dos Correios, de quinta a domingo, até o dia 24 de outubro, o monólogo “Tudo que eu queria te dizer”, baseado no livro homônimo de
Martha Medeiros, com direção de Victor Garcia Peralta, que também assinou o monólogo “Não Sou Feliz, Mas Tenho Marido”. Trata-se de uma colagem de seis textos epistolares, não sei ao certo se ficcionais ou verídicos, mas nenhum assinado por ‘Martha Medeiros’. As cartas, de inquestionável sensibilidade, emocionam o espectador, pelo simples fato de serem cartas, tão raras em épocas de World Wide Web, e-emails, scraps, e tweets… Trazem aquele gosto de saudade, de quando esperávamos, às vezes dias, para conseguirmos a resposta de perguntas tão simples como “tudo bom com você?”.
Passado o choque de nostalgia, as emoções capturam o espectador das mais diversas formas. Da audácia na carta da recalcada Andressa para Ester, a esposa de seu amante; da triste saudade na carta da viúva Clô para seu falecido esposo; da decisão tomada pela mulher sonhadora, disposta a seguir em busca do seu amor perfeito, ainda que para isso tenha que trocar a vida real pelo paralelismo das noites dormidas; da paixão revelada pela terapeuta a uma de suas pacientes; do pavor na carta endereçada à Eneida, após as revelações de uma cartomante e a inexorabilidade da morte; e ainda, da intolerância de uma paciente por todas as convenções sociais, explicitada para o conhecimento do seu analista. As cartas interpretadas no palco traduzem todo tipo de emoção, em certos momentos tirando-nos o riso e em outros, convidando-nos a refletir acerca da nossa própria crueldade e do vazio da vida, colocando um peso sobre nossos ombros.
Tudo isso numa composição cênica de máxima simplicidade, na qual atriz e ambiente se fundem através da predominância da cor negra no figurino e no cenário, apenas com um foco de luz incidindo sobre si, enquanto, emolduradas pela música composta por Gabriel Mesquita, alternam-se as vidas, os contextos e, sobretudo, as personagens, visivelmente diferenciadas umas das outras pelo virtuosismo interpretativo da
Ana Beatriz, que deita e rola sobre os textos da Martha, revelando a grandiosidade do seu talento e a cumplicidade firmada entre ambas, reforçada através da leitura de uma carta desta para aquela no início da apresentação e, ao final, da resposta enviada pela atriz à escritora.
O único aspecto que entra em choque com a proposta da peça, de revelar “textos escritos”, é a presença, em determinados momentos, de elementos de tal forma gestuais e de oralidade, fazendo-nos questionar como alguém conseguiria “escrever”, transcrevê-los em cartas, o que, de maneira alguma, empobreceu ou comprometeu a beleza do espetáculo. Até mesmo porque, se, por um lado, nestes poucos momentos, faltou
veracidade à idéia de que o ato estava narrado em um texto escrito, por outro, a presença de tais elementos não verbais demonstrou o quanto nossa mente é capaz de divagar e captar emoções, ainda que postas de forma estática, impressas em folhas de papel.
Um belíssimo espetáculo, mais do que recomendado.

Guca Beethoven

 

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TUDO QUE EU QUERIA TE DIZER, COM ANA BEATRIZ NOGUEIRA

por Leandro Faria

Cartas. Quem nunca sentiu o prazer de receber uma carta de uma pessoa querida e, ansiosamente, abrir o envelope para ler aquelas palavras, para ter notícias e matar a saudade ou simplesmente se comunicar. Em dias atuais, com o advento da internet, dos emails, das mensagens instantâneas por celular, o charme e o hábito de escrever cartas parece quase extinto. Pode ser por isso que a peça Tudo Que Eu Queria Te Dizer, atualmente em cartaz no Centro Cultural dos Correios, no Rio De Janeiro, seja tão deliciosa de ser assistida. A peça consegue nos lembrar de algo que conhecemos tão bem e que pode não mais fazer parte do nosso dia a dia.

Estrelada por Ana Beatriz Nogueira (EXCELENTE!), Tudo Que Eu Queria Te Dizer é baseada no livro homônimo de Martha Medeiros e conta em sua estrutura com a transposição para os palcos de seis cartas que Martha publicou em seu livro. Cartas essas, chamadas por Martha de “essas loucuras domesticadas que às vezes se rebelam“.

Renata, Andressa, Clô, Dirce, Clarissa… Durante aproximadamente 60 minutos, vemos Ana Beatriz Nogueira encarnar cada uma dessas mulheres, dando voz à suas inquietações enquanto escrevem cartas para pessoas diversas. Acredite, suas motivações lhe farão rir, gargalhar, se emocionar, ser empático e lhe deixarão contemplativo. O espetáculo, intimista por ser um monólogo, é delicioso e daquele tipo que continua com você depois que a peça acaba.

Ana Beatriz Nogueira, em seu primeiro monólogo, está arrasadora no palco. É incrível a capacidade da atriz de encarnar seis tipos completamente diferentes entre si, da mulher que busca por liberdade e pra isso está disposta a abrir mão do casamento à jovem senhora que vive sua velhice com saudades da juventude. Durante a apresentação das seis cartas, você nunca pensa que está vendo algo semelhante, já que para cada uma delas, Ana Beatriz se transforma na remetente e não nos deixa ter dúvida alguma disso.

Antes de iniciar a peça, Ana Beatriz lê para a platéia uma carta que a autora do livro, Martha Medeiros, lhe escreveu falando sobre a peça, o projeto e desejando sorte. Por isso, nada mais natural que ao final da peça seja a vez de Ana Beatriz ler uma carta sua endereçada para Martha.

Não tenha dúvidas: vá correndo assistir a Tudo Que Eu Queria Te Dizer. É diversão e entretenimento da melhor qualidade aliado a um preço mais que acessível a qualquer pessoa. Programe-se já, afinal, a temporada vai até 24/10/2010.

TUDO QUE EU QUERIA TE DIZER
Local: Centro Cultural dos Correios – Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro – Rio de Janeiro/RJ – Tel: (21) 2253 1580
Horário: Quinta à Domingo, 19h
Preço: R$ 20

 

 

 

Comentários (14)

  • Deise T. diz: 13 de setembro de 2010

    Tive o prazer de assistir Tudo Que Eu Queria Te Dizer, na companhia de um casal de amigos e confesso que em alguns momentos me emocionei, em outros dei ótimas gargalhadas.Mas o que mais me impressionou, foi assistir ali, bem na minha frente , uma atriz, após um discreto gole de água, em questão de um único minuto, se transformar como mágica, em seis deliciosos e diferentes personagens,:admirável.Quanto talento! Ana Beatriz Nogueira. E Martha Medeiros, você escreve deliciosamente!

  • Débora Matos diz: 14 de setembro de 2010

    Comprei o livro Tudo Que Eu Queria Te Dizer ontem. AMEI!
    me identifiquei com quase todas as historias, no fundo todos temos as mesmas inseguranças!
    sou sua fã, quero saber quando e onde será o lançamento do seu próximo livro, espero resposta.
    Débora Matos – Manaus / Amazonas
    ;*

  • Annabel Lee diz: 14 de setembro de 2010

    Querida Martha,
    Estou lendo o livro e por isso já imagino que a peça também deva estar de tirar o fôlego.
    Publique para nós a carta que vc enviou para Ana Beatriz.
    Abraço e aproveite o Rio!
    Annabel

  • Cristina diz: 14 de setembro de 2010

    Querida Martha
    por favor, divulgue a data de exibição de sua entrevista com o jornalista Roberto D ‘Avila.
    Abraço carinhoso
    Cristina

  • Luiz Vieira diz: 15 de setembro de 2010

    Martha, tive o privilégio de assistir a estréia (para o público) da peça Tudo que eu queria te dizer. E adorei. Cada situação relatada, me diverti, refleti e me encantei demais com o conteúdo do texto e com a interpretação magnífica de Ana Beatriz Nogueira. Assisti a sua participação no CCBB-RJ no Projeto Escritores Brasileiros e saí de lá extasiado. A Cássia Kiss deu um show de simpatia e vivacidade na leituras dos textos do livro Doidas e Santas. O seu relato, as suas respostas na entrevista coletiva com o público e o seu carinho e atenção com os presentes ao final do evento foram encantadores. Você é uma pessoa especial e que merece todo o bom fruto que está colhendo. Assim como Artur Xexéo (colunista de Cultura do Jornal O Globo e do programa Estudio I, na GloboNews) queria te ver desenvolvendo textos diretamente para o teatro, uma vez que você já teve 3 casos de sucesso em adaptações ou transcrições de seus textos. Você é adorável. Você é uma mulher inteligente, simpática, espontânea, ou seja, uma classe de mulher. Agradeço a oportunidade de ter vivido tudo isso. Um beijo com grande carinho e admiração. Venha mais ao Rio de Janeiro, nós te amamos!

  • Patricia Drummond diz: 15 de setembro de 2010

    Eu sabia, Martha! O sucesso da peça é mais que merecido! Parabéns! Vou ter que ir ao Rio. Acho que não aguentarei esperar a vinda para Brasília…
    Um grande abraço
    Patrícia

  • Erica diz: 15 de setembro de 2010

    Como sempre fantástica. Toda vez que leio tuas obras, sinto prazer ainda mais de continuar sempre dizendo que na atualidade você é a melhor.

    Parabéns

    Erica

  • Carol Azeredo diz: 15 de setembro de 2010

    Martha querida! Passo seempre no teu blog, te acompanho sempre e AMO seus textos.. sou gaúcha, mas atualmente estou morando em Brasília pra estudar, surgiu uma oportunidade, enfim.. Hoje minha mãe me ligou (outra fã incondicional tua) pra dizer que o teu texto está fantástico, sei que vocês não postam os textos nos blogs, mas minha mãe é uma crítica e tanto, se ela falou, seve ter sido ótimo mesmo, tens como me mandar? se não for pedir muito.. hehe..
    beijos linda!

  • Edelves diz: 16 de setembro de 2010

    É uma pena não estar aí par admirar esse espetáculo e tantos outros.
    Moro em uma cidade do interior de MG e espetáculos assim são raríssimos.
    A valorização e divulgação da cultura nesse país é de dar tristeza.
    Abrs.
    Dell

  • Gustavo Quadra diz: 17 de setembro de 2010

    Acabei de voltar do teatro! Finalmente, assisti a peça que é um espetáculo! Meu Deus, a oralidade e pontualidade da Ana Beatriz Nogueira foi algo surreal. Já estava íntima das cartaz e fusão cenário-figurino, enaltecia a interpretação. As pessoas saíam do teatro dizendo: “Me supreendi”, “Nossa, muito bom” “Po, pena que é uma hora só”. Foram essas as frases que consegui captar que juntamente a minha mãe, que arrastei para ir comigo, AMOU. Pronto, Martha, ganhou mais uma fã! rs

    Beijão e boa noite!

  • Valdirene Lisboa diz: 18 de setembro de 2010

    Oi Martha, gostaria que essa peça viesse para o meu estado (MS), aqui quase não acontece esses eventos. Estou encantada e louca para ler o livro, sei que vou amar. Parabéns pelas críticas, elas nos deixa curiosos e felizes por conhecer você. Um grande beijo.

  • Nathi Hecz diz: 18 de setembro de 2010

    Nossa, que legal! ^^
    Devo ter lido esse livro umas 3 vezes, em todas eu me emociono de alguma forma. Fantástico.
    Uma pena não ter assistido, mas fiquei muito feliz ao ler as críticas. =)
    Um beijo!

  • Jéssica Loiane diz: 28 de setembro de 2010

    Gostaria de saber se há possibilidade da peça ser exibida em Brasília? Garanto que se tivesse dinheiro viajaria só pra ter o prazer de assistir a essa peça de um livro que eu simplismente adorei e quem sabe a oportunidade de conhece-la!
    E também queria saber que dia você estará por aqui, seja de passagem ou a trabalho, gostaria de ter uma foto ou um simples momento ao seu lado, pois sou sua grande fã e é como se você me conhecesse
    Abraço

  • Mariana Rodrigues diz: 28 de outubro de 2010

    Oi Martha,
    Engraçado escrever para você, depois de assistir 3 vezes a peça. Também, com textos seus, o que dispensa qualquer comentário, é sempre muito bom, você é realmente fora de série. O que achei mais incrível, e pude mesmo ver isto em 3 sessões, foi a evolução da Ana Beatriz em cada uma delas…ela tambem dispensa comentários…é a melhor pra mim. O texto é tão bom e a Ana tão intensa, que a gente fica prestando atenção nela e doida pra saber o final de cada carta. Eu me emocionei mesmo na terceira vez e ri tanto quanto na primeira! E o melhor? É poder ver cada pessoa se identificando com cada uma das cartas em particular!
    Estou na corrida para conseguir o seu novo livro…anda esgotado!
    Obrigada por nos enriquecer com o seu talento!
    Um beijo grande,
    Mariana

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