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De Tony Belotto pra vocês

13 de outubro de 2010 21

Olá, todos.

Terminei nesse feriado o livro do Tony Belotto, No Buraco, e, olha, me diverti à beça. O livro é leve, despretensioso e o personagem tem umas tiradas muito engraçadas. Comentei com o Tony que iria dar um toque sobre o livro no meu blog e olha que presentão ele mandou.  Sim, mensagem escrita por ele, especialmente pra vocês.

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Desculpem me intrometer aqui no buraco da Martha (sem duplo sentido, por favor) mas quero aproveitar o acolhimento da boa amiga que sabe tão bem escrever sobre as mulheres para promover meu novo romance, No Buraco (com triplo sentido, por favor), um livro que prova afinal como os homens são mesmo rasos e insensíveis como vocês todas já desconfiavam…brincadeira, o livro conta a história de Teo Zanquis, um ex-guitarrista de rock, que ao enfrentar uma crise de meia idade faz um apanhado de seu passado cheio de sexo, drogas e rock’n roll e chega à conclusão de que, ao contrário do que diz William Blake – o caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria -, seus excessos o conduziram a um buraco escuro, amargo e, por que não, muito divertido. Beijos, Tony B.

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O Tony, pelo visto, ainda acha que escrevo só para mulheres, vou ter que dar um puxão de orelhas no rapaz, mas preferi reproduzir exatamente como ele escreveu. Promoção feita, agora ai dele se não comparecer no lançamento do Fora de Mim no Rio. Aqui se faz, aqui se paga.
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No momento, estou lendo “Queria que você estivesse aqui” de Francesc Miralles, e estou gostando. Não esperem mensagem dele aqui no blog, nunca vi o sujeito.
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Escrevi hoje em Zero Hora um texto falando sobre o que de mais moderno vivenciei em Nova York. Para quem não teve acesso, reproduzo aqui. No próximo post, comentarei sobre a palestra de Mario Vargas Llosa que assistirei nessa quinta-feira. Beijos!

 

A BIG APPLE

 

Estive por uma semana em Nova York a fim de oxigenar as ideias e ver o que há de novo, mas não vi nada de novo. A arquitetura segue sendo a grande atração da cidade. Os prédios estão cada dia mais exuberantes, ainda que nenhum me pareça tão arrebatador quanto o Chrysler Building, construído em 1930. A vida cultural novaiorquina é febril, mas a emoção causada pela mostra de Matisse, no MOMA, não foi superior à emoção que tive ao ver a exposição sobre Portinari no MARGS mês passado. E onde mesmo que estão se apresentando por esses dias Baryshnikov, Paul McCartney, Gotam Project, Fito Paez, Green Day e Norah Jones? Sem falar que o Prêmio Nobel de Literatura estará palestrando amanhã ali na Reitoria da UFRGS.

Não cheguei à demência de comparar Porto Alegre com Nova York, mas buscar novidade em Manhattan já não se justifica como justificava décadas atrás. A globalização encurtou distâncias e, guardadas as proporções, o que tem lá, tem aqui, só que fora é mais barato, o que passou a gerar um turismo já não tão interessado em cultura, história e informação. Hoje a maioria dos turistas viaja para os Estados Unidos para fazer compras.

Reconheço que eu ainda tinha uma ideia mitificada da metrópole que me parecia sempre à frente, uma promessa de novas tendências e interesses, e que na verdade passou a ser tão mundana como qualquer outra – o que não é demérito, apenas consequência do nosso avanço, não do deles. O Meatpacking District, o bairro do momento, reúne lojas e restaurantes que não diferem em nada dos de São Paulo. O Brooklyn é o novo Soho, e caminhar por suas ruas me fez sentir em Palermo, na nossa vizinha Buenos Aires. O mundo está cabendo na palma da nossa mão.

Nem na Quinta Avenida, nem na Madison, nem em Times Square consegui algum impacto. A experiência mais moderna que vivenciei em Nova York foi quando entrei na Barnes and Noble, famosa rede de livrarias.

Estava a procura de um livro infanto-juvenil e de jogos de computador que haviam me encomendado. Não conseguindo encontrá-los sozinha, pedi ajuda a um dos atendentes, que na mesma hora localizou o livro (inclusive ele já o tinha lido) e rapidinho me entregou os jogos de computador com a eficiência de um profundo conhecedor das novidades do cyberspace. Não perguntei a idade do guri por uma questão de decoro, mas ele aparentava ter entre 75 e 80 anos.

Emprego de mão-de-obra qualificada sem restrição de idade. Está aí uma visão de mundo futurista. Não existe mais a velhice computada pela data de nascimento, e sim a velhice de espírito. Outro dia li um comentário de uma leitora de ZH sugerindo que parássemos de chamar de idoso o pessoal de 60 anos. Está certa. Não há idade limite para se trabalhar numa locadora, num restaurante, num supermercado, num posto de gasolina: o que define o bom do mau empregado é sua disposição e capacidade. Um garoto de 20 anos poderia ter me atendido sem nunca ter ouvido falar do livro infanto-juvenil que eu procurava e ter tido má vontade para localizar os jogos. Velho mesmo é o sujeito preguiçoso, desatualizado, desanimado, tenha a idade que tiver.

Eu, como se vê, ando caquética pra quase tudo, mas ainda engatinho em busca de algo que realmente me surpreenda.

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Comentários (21)

  • André Fuzarca diz: 13 de outubro de 2010

    Olá Martha, nem preciso dizer o quanto gosto de ler seu blog, seus livros e como eu quero ler sua nova obra. Só no próximo mês (com o maravilhoso pagamento), infelizmente. Se bem que estou lendo suas cronicas da editora L&PM Pocket, pois a conheci tem pouco tempo (uma semana…).
    Mas acho que irei cometer um crime, tentarei “baixar” o livro de Francesc Miralles, Amor em Minúscula. Sou apaixonado por livros, principalmente os da L&PM, tanto que coleciono, mas leituras leves, prefiro baixar mesmo.

    Ótimo resto de semana.

    André Fuzarca

  • Juliana Ferreira diz: 13 de outubro de 2010

    Martha… Fiquei interessadíssima pelo livro do Tony Belotto, vou lê-lo certo! E o Fora de Mim ainda não comprei? Talvez esteja em Porto Alegre na feira do livro. Vc vai autografá-lo lá? Aí eu espero para comprar na feira e vê-la pessoalmente!!!

    Bjus!!!!!

  • Gustavo Quadra diz: 13 de outubro de 2010

    Hi, Martha! NY ainda rendendo….rs
    Muito boa a propagando ddo Belotto. Não li nada dele ainda, namorou o “livro da esfinge” (me foge o nome, que vergonha!), mas acabei não comprando…Esse, está me conquistando, já tinha visto ele falar sobre e já já eu compro!

    Ps: não esqueci de te mandar um e-mail falando sobre o novo livro, estou meio sem tempo (até parece..rs), mas como disseram lá no curso: Síndrome de Outubro (leia-se: o ano acabou) e aí começam as correrias ainda mais corridas!

    Beijo Beijo!!

  • Alexsandra diz: 13 de outubro de 2010

    Martha!

    Te acompanho sempre na ZH e acabei de me aventurar e criei um blog, inspirada em ti, ressalvadas as proporções é claro. Vejo em ti uma mulher do mundo, mas também uma mulher daqui e o que tu falaste em relação às tuas experiências em NY traduz essa impressão. É o que penso. É claro que é maravilhoso entrarmos em contato com novos lugares e pessoas (pessoalmente viajei a poucos lugares), mas sempre que o faço, renovo as forças. Espero que isto tenha acontecido com você. Um abraço!
    Alexsandra

  • ALINE diz: 14 de outubro de 2010

    QUERIDA MARTHA! ESTOU ADORANDO O SEU BLOG! ANTES SÓ CONHECIA AS SUAS OBRAS E JÁ ERA SUA SUPER ADMIRADORA, AGORA COM SEU BLOG, MAIS AINDA… APROVEITO A OPORTUNIDADE PARA SABER DE VOCÊ QUAL LIVRO GOSTOU MAIS: “AMOR EM MINÚSCULA” OU O “QUERIA QUE VOCÊ ESTIVESSE AQUI”. MESMO SABENDO QUE NÃO FINALIZOU A LEITURA DESTE ÚLTIMO, GOSTARIA DE SABER A SUA OPINIÃO. MIL BJS. ALINE

  • Aline diz: 14 de outubro de 2010

    Olá Martha,

    Vou continuar seu comentário sobre o ser “idoso”. Viajei para NY e Washigton DC ano passado e uma das coisas que me chamou atenção, e para o bem, foi que em todos os museus haviam inúmeras senhoras (não idosas) acima de 60 anos, que davam todas as informações sobre os museus e tudo mais que você quisesse perguntar. Entregavam os folders com programação, informavam o que tinha de novidade no momento, tudo na maior atenção e gentileza. Ouvi de alguns amigos que isto seria um trabalho voluntário, o que dá uma surra na nossa cultura que aqui , as pessoas nem ganhando, nos atendem assim. Bom, mais uma prova de que nossa cultura tem que caminhar um pouquinho mais e principalmente, para a juventude de espírito.

  • a INCRÍVEL falível diz: 14 de outubro de 2010

    Eu também tiro o chapéu para EUA no quesito respeito, acesso e oportunidades para esta moçada pra lá dos 60. Sou atendida por eles em lojas, parques e hospitais. Mas não os encontro só trabalhando, os restaurantes tem várias vagas reservadas na porta e até um menu com preços especiais só pra eles.
    Encontro mesas enormes de casais, todos tomando uma, falando sobre a semana e o trabalho.
    Novos de espírito, é isso Martha.
    Bjs.

  • Clarissa diz: 14 de outubro de 2010

    Olá, Martha, adoro ler seu blog, e a tempo quero lhe perguntar uma coisa: o que precisa ter um escritor? Te pergunto isso, pois, eu gosto muito de escrever e tenho pensando em realizar esta vontade, dividir meu mundo interior com as pessoas, vc poderia me ajudar, dar umas dicas ? Fico eternamente grata. Grande bj.

  • EloisaG diz: 14 de outubro de 2010

    Uaaauuu!!! Nossa como amo esse blog!! Martha Obrigada por proporcionar tanta coisa boa para nós pelo blog e fora dele.

    Sigo acompanhando e amando tudo isso!!

    Só não vai ficar muito famosa pq isso vai ser questão de tempo…e esquecer de nós aqui os velhos seguidores!

    AdoroooOoo!

    Beijos

  • Lívia diz: 14 de outubro de 2010

    Olá! Sou sua fã, acabei de ler Doidas e Santas e amei! Me inspirou a escrever uma crônica, (acho que ficou bem bacana), e queria te mostrar. Vc tem um e-mail para que eu possa mandar?

  • Gustavo Quadra diz: 15 de outubro de 2010

    Te mandei e-mail….Depois, vê se foi!

    Beeeeijo!

  • Glória diz: 15 de outubro de 2010

    Oi Martha

    Desculpe me intrometer, mas acho que o Belotto não quis dizer que você escreve “para mulheres”, mas sim que você escreve “tão bem SOBRE as mulheres”, ou será que entendi errado?
    Acho que o rapaz não merece os puxões de orelha (rs).
    Agora, falando sério, estou lendo seu novo livro Fora de Mim, estou ADORANDO!!!
    Parabéns por mais esse livro delicioso de ler e que como todos os outros, sabe provocar…

    Beijos

  • Priscila diz: 15 de outubro de 2010

    Oi Martha!

    Acompanho seu blogo há pouco tempo, mas sempre leio seus textos e livros. AMO todos. OBRIGADA!
    Você é “o cara”! E com certeza, quem lê um de seus textos se apaixona por você. Por quê? Porque você trata de assuntos corriqueiros, coisas simples que fazem parte do dia-a-dia de qualquer pessoa, e ninguém precisa ser um ph.D em literatura para compreender seus textos. Obrigada mesmo, viu?

    Estava ansiosa para ler Fora de Mim e fiquei feliz ao me deparar com ele na livraria da Travessa de Ipanema, semana passada. Devorei em 2 dias e adivinha… AMEI! =)
    Aproveitei para perguntar sobre dia 17/11 e me informaram que será na loja do Leblon, mas não sabiam o horário. Quando souber novidades, me avise please?

    Beijoca!

    Pri.

  • paula diz: 16 de outubro de 2010

    martha!!!
    Quero mto tua agenda 2011. Qdo chega??? Onde????
    Te adoro!!

  • Beth diz: 17 de outubro de 2010

    Oi, Martha!

    Adoro o teu blog e é a primeira vez que me aventuro a escrever aqui. Concordo com a Glória, não puxa a orelha do Tony B. Ele realmente colocou ‘ sobre ‘ as mulhres. E, além do mais, ele é tão gato….rs…. Li os outros livros que ele escreveu, com o personagem Bellini (‘Bellini e a Esfinge’, etc), um paulista que resolve ser detetive particular. Quem gosta de blues vai adorar acompanhar as aventuras do Bellini e ouvir as mil músicas junto com ele ao longo da narrativa. Bem legal, recomendo. Leitura leve e divertida. Já li o Fora de Mim e adorei!

    Besitos!

    Beth

  • camila diz: 18 de outubro de 2010

    Martha,

    Não posso deixar de comentar o que sempre digo aos meus amigos-não-gaúchos sobre Porto Alegre…é maravilhosa…tão intensa e tão diversificada que seus habitantes, sem excessão, tem certeza de que moram na CAPITAL DO MUNDO. Um traço engraçado dos porto-alegrenses que sempre chamou a minha atenção, de menina do interior.
    Adoro teu blog!!!!
    Beijoss!

  • Lucimar Silva Silveira diz: 19 de outubro de 2010

    Bom dia, Martha,

    Adoro os seus textos e gostaria que você comentasse o que escrevi abaixo, dando a sua opinião.

    Certo dia, caminhando no calçadão da praia, vi escrito na frente de uma caminha:
    “Não quero falar sobre isso.”
    e atrás completava a frase:
    “Não me interessa a sua opinião!”
    Rapidamente, lembrei-me de uma entrevista que li no link http://gente.ig.com.br/materias/2010/10/15/nao+quero+me+tornar+uma+ana+maria+braga+toda+cheia+de+botox+repuxada+diz+renata+fan+9691062.htmlinternet na qual a apresentadora Renata Fan, de 32 anos, dizia:
    “Não tenho pretensão de me tornar uma Ana Maria Braga, toda cheia de botox, repuxada, de quem as pessoas riem por tentar parecer tão jovem… “
    Ao ler a reportagem, veio-me um sentimento de revolta muito grande e me questionei.
    Que prazer é esse, meu Deus?
    Ofender pelo simples prazer de ofender? Cadê o respeito pelo ser humano?
    Atualmente, o mundo valoriza a juventude e a beleza de maneira tal no qual as pessoas que não se enquadram nesse contexto se tornam alvo de críticas desnecessárias e completamente inúteis.
    Não estou falando da Ana Maria Braga, não, estou falando da maioria da população do Brasil, principalmente, dos que já passaram dos 40 anos.
    Talvez essa moça não saiba, mas juventude e beleza são atributos efêmeros. E os anos passam rápido, muito rápido!
    E, então, as únicas coisa que nos restam são: a educação, a beleza interior, o respeito pelo próximo e as amizades construídas ao longo da vida
    Tenho pena do ser humano que não tem estas qualidades porque para eles não vai restar nada! Por fora serão apenas casca e por dentro, apenas ocas.para você ler e se quiser, expressar sua opinião.

    Gostaria que você comentasse sobre essa super valorização da beleza e juventude.

    Te adoro!

    Lucimar

  • Lucimar Silva Silveira diz: 19 de outubro de 2010

    Onde se lê: caminha, leia-se: camisa

  • Márcia diz: 19 de outubro de 2010

    Olá Marta!!!
    Lendo a reportagem sobre NY e os comentários sobre os idosos ainda estarem na ativa por lá, me reportou ao passado e não pude deixar de comentar por aqui, mesmo que seja somente para pesquisa ou reflexão.
    Quanto visitei a Disney anos atrás, também observei que pessoas mais velhas, possivelmente já aposentadas ainda tinham espaço no mercado de trabalho e fiquei encantada com isso, mas na mesma hora ouvi um comentário de um brasileiro, morador local na época, de que muitos deles trabalhavam não por opção, mas porque o plano de aposentadoria deles não era tão satisfatório quanto se esperava….

    Um abração e boa semana!!
    Márcia

  • Mayara diz: 27 de outubro de 2010

    Olá Martha! Estive no lançamento do livro do Tony em POA, e aproveitei pra tietar um pouco, parei você para uma foto haha Foi ótimo! Não consegui ir terça na Saraiva, pois não sou de POA, mas já estou lendo Fora de mim, e estou adorando :D
    Beijos!

  • Mirian diz: 1 de novembro de 2010

    Estou terminando de ler o livro “fora de mim” e sinceramente ele é muito bom! Parabéns Martha!
    Quero ler Doidas e Santas também!
    Beijão

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