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ATÉ BREVE

24 de março de 2011 0

Olá, queridos amigos e leitores.

Espero que não estejam de mal comigo. Fiquei de retornar ao blog no início de março, mas a agenda apertou. Tanto que resolvi dar um tempo maior. Estou com muitas viagens marcadas, querendo publicar dois novos livros esse ano e mais um monte de compromissos. Não consigo dar conta de tudo, preciso de um tempinho pra viver também… E vocês merecem posts atualizados, e não bissextos. Então, já que não estou conseguindo fazer bem feito como gostaria, vou seguir fora do ar. Vocês sempre foram mega/hiper/supercarinhosos comigo e só tenho a agradecer.

Foi uma experiência muito legal. Talvez um dia eu volte. Talvez ainda esse ano.  Mas darei um jeito de avisá-los, não é preciso ficar conferindo o blog regularmente.

Por ora, sigo com minhas crônicas nos jornais Zero Hora e O Globo. Vou sentir saudades!

Um beijo enorme e obrigada por tudo!

Martha

Recesso

10 de dezembro de 2010 52

Olá, turma. Abusei do sumiço, eu sei, mas essa época do ano minha cabeça costuma sair de férias antes do corpo: bate um cansaço existencial e nada mais engrena. Tenho desacelerado a cada dia. Sem culpa: foi um ano bastante ativo e produtivo. Só que preciso de uma parada total, então me despeço temporiariamente de vocês. Seguirei com as crônicas nos jornais, mas aqui para o blog eu voltarei apenas em março. A gente se reencontra lá.

Em 2010, os posts que fizeram mais sucesso foram aqueles em que contei minha viagem ao Rock in Rio em
1985 e minha primeira viagem sozinha pela Europa em 1986. Então, pra não deixar ninguém de mãos abanando, postei aqui mais um relato de viagem, e voltei ainda mais no tempo: 30 anos atrás! Foram as férias inesquecíveis da minha vida, numa praia então quase deserta de Santa Catarina. Inspirem-se, divirtam-se e até breve, que o tempo passa rápido e já já estarei aqui outra vez.

Beijos!

O VERÃO DE 81

Eu tinha 19 anos e nenhum plano para as férias daquele verão. Fazia faculdade de propaganda,
não estava namorando e andava roxa por um programa diferente, até que alguém da nossa turma deu a ideia de conhecermos uma praia em Santa Catarina chamada Bombinhas. Era janeiro. Não lembro exatamente quem tomou a iniciativa de alugar a casa, só sei que éramos 10 – cinco homens e cinco mulheres. Os guris foram na frente, de carro. Nós, gurias, chegamos um dia depois, de ônibus.  Desembarcamos em Florianópolis e o Fernando foi nos buscar na rodoviária num Fiat 147 vermelho. Bombinhas pertence ao município de Porto Belo. Disso eu sabia, já estivera lá com meus pais numa viagem alguns anos antes, num inverno gelado, e  só do que eu lembrava era de um lugar ermo, mas agora seria diferente. E foi.

Antes que a malícia corra solta: apesar de formarmos cinco casais, ninguém era namorado de ninguém.
Minto: a Katia e o Geraldo estavam começando a ficar, mas tudo na maior inocência. De resto, éramos mesmo uma turma de amigos. O clima era do seriado Friends, versão praiana. Além do Geraldo e do Fernando, havia o Theo, o Caco e o Serginho. Além da Katia, havia a Neca, a Karin, a Claudia e eu.     

Se você frequenta a Bombinhas de hoje, não a reconheceria. No verão de 81, era terra de ninguém. Na rua
principal havia um ou dois botecos, um posto telefônico e uma farmácia. Nenhum hotel, nem supermercado, nem lojas, nem restaurantes, apenas as casas de madeira dos poucos nativos. Na beira da praia, mesma coisa: só alguns poucos casebres de madeira onde viviam os pescadores locais. Num dia de sol a pino, de ponta a ponta da praia, contava-se no máximo uns 15 guarda-sóis na areia, de outros aventureiros como nós. Era praticamente uma praia privativa.

Onde é que eu estava mesmo? Chegando com as gurias no Fiat 147 vermelho. Saímos da BR e então passamos por Porto Belo, onde fizemos compras no único supermercado que havia. Depois atravessamos lentamente os morros que dão acesso às praias. A estrada era medonha, de terra batida e cheia de desníveis. Passamos por Bombas, fantasmagórica, e chegamos finalmente em Bombinhas. Estávamos empoeiradas e cansadas. Largamos nossas mochilas no casebre e fomos direto pro mar. Aquele mar esmeralda. O Caribe logo ali no Estado vizinho.  

Nossa casa era de madeira pintada de branco, com um pequeno jardim na frente. Dentro, havia uma minúscula antesala com um sofá e uma mesinha de fórmica. Ao lado, ficava o aposento maior: a cozinha. Havia um fogão, uma geladeira e uma mesa grande com algumas cadeiras. Três portas conduziam aos três quartos, e o único banheiro ficava mais ao fundo. Quem dormiria com quem?

As donzelas resolveram que ficariam as cinco no mesmo quarto, enquanto os guris poderiam se dividir entre os outros dois. E no primeiro dia foi assim. Três guris num quarto, dois em outro, e cinco malucas amontoadas num cubículo onde havia uma cama de casal. A ideia era revezar: duas na cama e três no chão, em colchonetes. Nossa integridade estava assegurada. Essa decisão durou exato um dia. Nos outros, não me pergunte onde dormíamos. Era cada um por si, sem frescura, sem lugar marcado, sem clube do bolinha e luluzinha, todos dividindo camas, colchonetes, redes. Tinha gente que dormia na cozinha, na sala, no jardim, na beira da praia. Onde caíamos, ficávamos. Era a graça da coisa.

Acredite se quiser: tudo na maior pureza. Promiscuidade zero. Só farra.

Nos fundos da nossa casa ficava um outro pequeníssimo cômodo, do tamanho de uma guarita de salva-vidas. Era ali que dormia o proprietário da casa, um pescador chamado Sabão. Foi para onde ele se mudou com a mulher e as duas filhas pequenas durante os dias em que alugou a casa dele pra nós. Era alto, loiro, esquelético, um príncipe escandinavo com a pele curtida pelo sol, maltratado pela pobreza, mas totalmente de bem com a vida. Discreto, não perturbava em nada. Saía de manhã para pescar em seu barco e à tardinha voltava. Muitas vezes, vendia seu peixe para nós, e logo descobrimos que ele sabia preparar uma caipirinha como ninguém, e de pescador diurno passou a barman noturno, extraindo mais uma fonte de renda daquela turma de gaúchos que tinha fome (e sede) de diversão.

Durante os 10 dias em que ficamos em Bombinhas, choveu exatamente nada. Nuvem, também não lembro de ter visto. Acordávamos, tomávamos o café da manhã e, depois de dar exaustivos cinco passos para fora da casa, colocávamos os pés na areia branca, com aquele marzão em frente só pra nós. Nadávamos, caminhávamos na praia, jogávamos frescobol e até conseguimos descolar uma rede para improvisar uma quadra de vôlei. No final da tarde, dois ou três de nós iam até Porto Belo comprar mantimentos.Alguns iam até o posto telefônico para ligar para Porto Alegre e saber notícias do mundo. Não havia tevê na casa. Apenas um pequeno toca-fitas. Sim, ouvíamos música através de fitas K-7. Não existia celular, nem DVD, nem notebooks. Éramos 10 Robinson Crusoe.

Um dia resolvemos explorar o território em volta. Depois de muito sobe e desce por estradinhas íngremes, de muito comer poeira e de cruzar com bichos estranhos pelo caminho, descobrimos uma praia ainda mais selvagem, Quatro Ilhas, onde tomamos o banho de mar mais inesquecível dessa temporada.  

À noite, sob uma luz fraca, brincávamos de mímica, fazíamos torneios de canastra e improvisávamos uma churrasqueira na beira da praia: cavávamos um buraco, acendíamos o fogo e grelhávamos os camarões e os peixes que o Sabão trazia. O luau só não era completo porque ninguém lembrou de levar violão. Ninguém tocava, que eu saiba. Mas havia uma gaita, acho.

Um dia de manhã cedo, surpresa: estávamos todos na beira da praia quando vimos um barco se aproximando. Era uma lancha. Uma lancha realmente grande, com um piloto. O moço chegou bem perto, saltou da lancha e veio até nós para se apresentar. Ninguém conseguia acreditar: o pai de um dos guris do grupo era amicíssimo de um empresário de Florianópolis, o dono da lancha, que gentilmente havia cedido seu barco e incumbido seu funcionário de ficar o dia todo à nossa disposição. Era tudo o que precisávamos: sair da rotina! Fechamos a casa e subimos todos na lancha. Fizemos um longo passeio até Itapema e no caminho encontramos prainhas desertas que convidavam para um pit stop e um mergulho. Na volta, a lancha atracou no cais de Porto Belo e almoçamos às quatro da tarde por conta do tio rico – a essa altura o empresário já havia virado tio – no inigualável restaurante Petiskão, onde entramos cantando uma marcha de Adoniran Barbosa e saímos mais pra lá do que pra cá, de tanta cerveja. Tudo bem, não estávamos dirigindo mesmo.

Ao chegar em casa, todos queriam apenas um banho e descansar, mas não podíamos prever que a noite seria ainda mais agitada do que o dia. Dessa vez, por um motivo nada agradável. A movimentação de pescadores no fundo da nossa casa pressagiava o pior. Foi com tristeza que soubemos que Sabão havia levado um choque fatal. Morreu eletrocutado nos fundos da nossa casa – melhor dizendo, da casa dele.

Em choque ficamos nós. Quantos anos ele teria? Não mais que 30. O que podíamos fazer pela família? Os guris acompanharam o corpo até Porto Belo e nós ficamos para dar assistência às duas pequenas meninas, pequenas mesmo. Não lembro da mulher do Sabão, mas devia estar cuidando dos trâmites em Porto Belo também. Passamos a noite praticamente em claro, atordoados com aquele súbito desaparecimento.

O dia seguinte foi de uma tranquilidade respeitosa, todos mais silenciosos do que de costume, conversando em voz baixa na beira da praia, mas retomando aos poucos o nosso cotidiano de estudantes em férias, faltava muito pouco para ir embora.    

À noite, mais um torneio de canastra. Todos com as cartas na mão, comprando e descartando, baixando trincas, sequências, até que o primeiro de nós bateu. E na hora de pedir para lhe alcançarem o morto, não teve dúvida: “Me passa o Sabão”. Foi a primeira gargalhada depois da tragédia, aquele riso nervoso diante da piada politicamente incorretíssima. Passados 30 anos, até hoje, quando nos reencontramos, “me passa o Sabão” é a senha para chamarmos as lembranças de volta.

Então chegou o dia de retornar para casa e tocar cada um a sua vida. Fernando hoje mora em São Paulo. Karin morou por lá também, mas voltou. Claudia mora em Florianópolis e é atriz de teatro. Theo é velejador. Serginho rodou o mundo todo e semana passada fomos avisados que está em Porto Alegre. Caco é engenheiro. Neca é pedagoga. Katia e Geraldo, que começaram essas férias numa ficação inocente, comemoraram bodas de prata ano passado. E eu estou aqui contando essa história.

Férias, há de diversos tipos. Mas aquele verão de 81 nunca saiu da nossa memória porque, além de ter selado uma amizade que dura até hoje, foi a concretização de um ideal que hoje poucos conseguem atingir. Nós passamos 10 dias em contato direto e ininterrupto com a natureza, numa praia paradisíaca, limpa, pouco habitada e silenciosa, sem conexão com aquilo do qual queríamos realmente tirar férias: da bagunça da cidade, dos compromissos urbanos e de nossas adoradas famílias, que, como todas as famílias, eram controladoras. Estávamos uns com 18 e outros com 19 anos, comemorando a maturidade recém conquistada e nos preparando para a vida que cada um construiria a partir dali. Cinco garotos e cinco garotas 100% wireless, no sentido mais verdadeiro do termo.

Se suas férias de verão não puderem ser assim, que ao menos tenham esse espírito.
Feliz 2011!

Woody Allen mais uma vez

29 de novembro de 2010 33

Fui assistir ao novo filme do Woody Allen, “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos”, que não traduz literalmente o título original “You will meet a tall dark stranger“, ou seja, “Você vai conhecer um estranho moreno e alto”, que serve como metáfora para a morte. O cineasta empacou nessa temática: a vida não tem significado e, cedo ou tarde, crau. Por mim, ele pode empacar nesse tema à vontade. Compartilho com ele o fascínio por essa busca infrutífera pelo sentido da vida. Caso a gente aceitasse de fato que esse sentido inexiste, quase a totalidade dos nossos problemas desapareceriam.

No entanto, não saí deslumbrada do cinema. Achei o filme agradável, que é o mínimo que se pode achar de um filme de Woody Allen. É leve, despretensioso, e de uma graça muito sutil, muito mesmo, quase imperceptível. Gostei, mas não gamei, como costumo gamar em quase todos os outros. O filme do primeiro semestre, “Tudo pode dar certo”, achei bastante superior. O problema foi o roteiro? Não sei. Tenho impressão de que o elenco não foi bem escolhido, ainda que muitos críticos digam que é justamente o que salva o filme. Naomi Watts é bonitinha, mas não brilha. Antonio Banderas não diz a que veio, totalmente insosso. Anthony Hopkins, que é um ator extraordinário, parece não ter tido tempo suficiente para absorver o papel que lhe deram.

Josh Brolin não convence como escritor fracassado, e Freida Pinto é a indiana lindinha que foi revelada em “Quem quer ser um milionário”, mas num papel ínfimo que não lhe permite nenhum grande momento. As duas melhores atuações são de Gemma Jones como uma sexagenária em crise e Lucy Punch como garota de programa. Você não conhece a maioria deles? Toque aqui, eu também não conhecia.

Na saída do cinema, ouvi um comentário de uma espectadora: “Que maravilha!”. Sendo eu uma fã absoluta de Woody Allen, me deu saudade de mim mesma, eu é que costumava dizer essa fala, mas o fato é que não achei uma maravilha. Óbvio que tempo perdido tampouco foi, Woody Allen sempre encanta pelo despojamento, pela classe, pela trilha sonora e pela direção extremamente naturalista, mas “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos” não matou minha abstinência habitual: fiquei ainda mais ansiosa pelo seu próximo filme.

————

Mudando totalmente de assunto e me permitindo compartilhar com vocês minha vaidade, segue o link para a leitura do texto que o Tony Belotto postou em seu blog na revista Veja. Quem tem amigos, tem tudo.

http://veja.abril.com.br/blog/cenas-urbanas/cenas/quem-tem-medo-de-martha-medeiros/

Beijos!

Um dia em São Paulo

25 de novembro de 2010 20

Olá! Foi uma quarta-feira (24/11) agitada. Aliás, os dias têm sido agitados, preciso dar uma parada de duas semanas nesse verão, não sei onde nem quando exatamente, mas é meu primeiro projeto para 2011: sossegar quieta no mesmo lugar, sem ficar de lá pra cá.

Cheguei em São Paulo por volta de duas da tarde e fui direto para o estúdio do GNT, na Barra Funda. Chegando lá, encontrei no camarim a Mariana Ximenes, que havia acabado de dar entrevista para a Marilia Gabriela. A Gabi costuma gravar quatro entrevistas na mesma tarde, deixando pronto o programa do mês inteiro. Mariana é bonita e simpática. Infelizmente não tivemos tempo para trocar palavras, apenas nos acenamos de longe.

Em seguida entrou no estúdio o astrólogo Oscar Quiroga para gravar sua participação. E depois foi a minha vez.

Gabi tem uma figura inibidora, não sei se pelo seu tamanho, se pela sua voz grave ou se pelo status que ocupa no jornalismo brasileiro. Provavelmente por tudo isso. Mesmo sendo uma mulher simpaticíssima e calorosa, sua presença causa um certo embaraço. Eu e ela já trocamos e-mails, já falamos ao telefone e eu já havia sido entrevistada por ela duas vezes (a primeira dividindo a bancada com o escritor Luiz Alfredo Garcia Roza e a outra com o titã Tony Belotto). Porém, mesmo não sendo marinheira de primeira viagem, me senti nervosa, talvez porque gravaria um programa inteiro, sem dividir o espaço com ninguém. Um privilégio, mas tremi.

No final das contas, não doeu. Virou um papo entre comadres e lá pelas tantas esqueci que havia câmeras em volta de nós, o que sempre é temeroso: fala-se mais do que deve-se. O resultado? Suspense. Nem eu mesma sei se ficou bom. Tomara que sim. Saberei do mesmo jeito que vocês, quando o programa for ao ar, mais pro final de dezembro. Quando souber a data certa, aviso.

Na saída, ainda cruzei com Dan Stubach, ator que admiro demais, e que seria o próximo entrevistado.

Não é novidade pra ninguém que o trânsito de São Paulo é o vilão da cidade. Saí do estúdio às 17h30 e deveria estar em Guarulhos no máximo às 19h para pegar meu voo de volta, mas fui aconselhada a transferir a passagem para mais tarde, pois tudo indicava que não chegaria a tempo. O voo foi trocado para as 22h, com saída por Congonhas. O que fazer com as horas que me sobravam? Fui me encontrar com uma querida amiga, Luiza Estima, que estava trabalhando na CasaCor Trio montada no Jockey Clube. É de responsabilidade dela o Casa Boa Mesa, o espaço gastronômico do evento.

Luiza conseguiu fazer um break em suas inúmeras atividades para conversarmos um pouco, enquanto comíamos uma deliciosa pizza com champanhe para brindar o final de 2010 e o início de 2011. Tudo em meio a um cenário inusual: o Jockey fica em meio à selva urbana, oferecendo uma paisagem da cidade que eu nunca tinha visto. Um oásis.

Táxi para Congonhas, mais uma sala de embarque em minha vida. Lugar de encontros inesperados. Outro dia fiquei batendo papo com o chargista Iotti no aeroporto Salgado Filho. Recentemente, no Galeão, cruzei com Elba Ramalho. E em outro aeroporto, com Rita Lee. Em Congonhas, dessa vez,  não cruzei com ninguém, apenas agradeci a dádiva de o voo estar no horário. Voltei exausta nos braços da TAM.

Beijos!

A vida segue

24 de novembro de 2010 16

Oi, desculpem a demora de atualização do blog, é que ando numa corrida insana. Nesta quarta estou voando pra São Paulo, onde gravarei entrevista com Marilia Gabriela para o programa do GNT. Assim que souber a data em que irá ao ar eu aviso aqui mesmo pelo blog.

Entre um voo e outro vou tentando colocar a leitura em dia. Gostei muito de Os íntimos de Inês Pedrosa, mas devo estar meio sequelada, porque o resumo feito pelas resenhas  não bate muito com o que percebi do livro. Ainda assim, prosa da mais alta qualidade.

Li um livro muito engraçado. Chama-se Eu, minha (quase) namorada e o guru dela, do inglês William Sutcliffe, de quem nunca tinha ouvido falar. Leitura ligeira, com muitos diálogos, sobre um garotão que resolve fazer uma viagem pra India só pela oportunidade de estar perto de uma garota: a turnê, que era pra ser uma experiência espiritual (e sexual), se revela catastrófica. Adoro quando os ingleses apostam no politicamente incorreto. Me diverti.

Li também o excelente Um erro emocional, do catarinense Cristóvão Tezza. Uma prosa totalmente inventiva. A história permeia a mente de um homem e uma mulher dentro de um apartamento, criando um suspense muito intimista. Pra quem gosta do gênero, invista.

E estou lendo agora Louco para ser normal, do psicanalista Adam Philips, um sujeito que acompanho há alguns anos e que nunca me decepciona. Qual a diferença entre sanidade e loucura? Acho fascinante este tema. Não terminei o livro ainda, mas ele já está bastante sublinhado. Em breve, crônica a respeito.

Ainda esse semana eu conto como foi a entrevista com a Gabi.

Beijos!

Os cariocas

18 de novembro de 2010 50

Ainda estou de ressaca depois de tanto carinho recebido ontem à noite na livraria da Travessa, no Rio. Quem esteve lá pode confirmar: fiquei quatro horas e meia autografando sem parar. A fila saía da livraria e dobrava a esquina, eu nunca tinha vivido nada parecido. Ganhei presentes, abraços, tirei fotos e fui feliz à beça. Só tenho a agradecer essa homenagem que os cariocas me fizeram. E não só eles, já que autografei também para leitores da Bahia, Paraná, Minas, e até uma dupla de franceses apareceu por lá. Obrigada, merci!

Um agradecimento especial à minha editora Isa Pessoa e a equipe da Objetiva, em especial Camila, Marina e Simone, incansáveis em fazer tudo dar certo.

Todos são vips pra mim, mas há os vips mais notórios, e a eles, queridos amigos, obrigada por passarem na livraria pra me ver: Lilia Cabral, Cissa Guimarães, Ana Beatriz Nogueira, Victor Peralta, Kledir, Alexandra Richter, Elisa Lucinda, Ernesto Piccolo, Cristina Brasil, Antonio Bernardo, Cris Mayrink, Lionel Fischer, Maria Siman, Bruna Ayres, Francisco Bosco, Angela Bosco, Regina Pimentel, Mario Groisman e Raquel, e o queridíssimo casal Malu Mader e Tony Bellotto fechando a noite com chave de ouro. Se esqueci de alguém, e sempre esqueço, me puxem a orelha que eu corrijo mais adiante.

Obrigada também Fabiola e Yve, Gustavo, Augusto, Tida e tantos outros que me escrevem e-mails com frequência e estavam lá, firmes, esperando até duas horas para uma dedicatória.

Sigo no Rio, mas volto em breve. Um beijo enorme a todos e vida longa ao sucesso do Fora de Mim!

Bom fim de semana!

Chegando ao Rio...

13 de novembro de 2010 31

Olá!

Estou lendo Solar, livro divertidíssimo (e um desaforo de tão bem escrito) do norteamericano Ian McEwan, que já nos deu outras joias como “Reparação”, “Sábado” e “Na praia”. Não cheguei nem na metade e já incluo esse título como um dos melhores livros de 2010. Andei lendo também Os Íntimos da portuguesa Inês Pedrosa, bela narrativa acerca do universo masculino, mas Ian Mc Ewan está me fazendo ir pra cama mais cedo, e esse é o melhor elogio que um escritor pode receber. 

E hoje fui ao cinema assistir Um parto de viagem (mais uma tradução horrorosa para “Due Date”), do diretor Todd Philips, o mesmo do hilário “Se beber não case”, que foi uma das comédias mais originais e divertidas dos últimos tempos. Dessa vez, o diretor convocou de novo Zach Galifanakis (o irmão sequelado da noiva em “Se beber não case”) contracenando com o dispensa-apresentações Robert Downey Jr, sem dúvida meu ator preferido hoje em dia. O filme não se equipara ao anterior, mas não faz feio. Roteiro construído de absurdo em absurdo, diversão garantida. E, moçoilas, vocês hão de concordar comigo: Robert Downey Jr. é uma provocação. No bom sentido. No melhor dos sentidos.

Esse Todd Philips entende de casting. Como esquecer de Bradley Cooper em Se beber não case…

Eu sei, eu sei, ninguém aguenta mais ouvir falar em Paul McCartney, eu inclusive. Mídia é, ao mesmo tempo, glória e massacre.

Alguém ainda suporta escutar sobre goleiro Bruno, Eliza Samudio, Tiririca? Bom, mas hoje estava passando por uma loja de discos e vi em promoção um DVD de um show que McCartney fez no Canadá dois anos atrás, com praticamente o mesmo setlist dos shows que está fazendo por aqui, e não resisti. 20 pila. Nesse instante, enquanto escrevo pra vocês, ele está na tevê atrás de mim, atacando de Long and Widing Road pelas costas. Covardia.

Rio, estou chegando! Na terça estarei ao vivo no programa da Leda Nagle na TV Brasil, no programa Sem Censura, das 16h às 18h.

E na quarta, dia 17, também ao vivo, estarei na livraria Travessa, autografando e sendo feliz ao lado de quem puder comparecer.

Espero todos lá!

Beijos e bom feriado.


Uma noite com Paul McCartney

08 de novembro de 2010 75

Quem estava lá, não precisa nem ler esse post. Nenhum relato conseguirá ser amplamente fiel ao que se passou na noite de domingo, 7 de novembro, no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. Mas vou tentar.

Cheguei de táxi por volta das 18h30, com o sol alto e forte, acompanhada de minha mãe de 72 anos e minha filha de 14: as sortudas ganharam um convite de última hora para assistirem ao show num camarote. Lá se foram elas pro bem bom, e eu fui sozinha pro gramado. Queria ficar bem perto daquele sujeito que tanto fez minha cabeça na infância e adolescência. Ele não era um estranho pra mim. Praticamente dividimos o mesmo quarto.

De cara, encontrei uma prima sentada no gramado, havia ido sozinha também e já estava de papo com um argentino que é vocalista de uma banda cover dos Beatles. Aí chegou mais outra amiga com a filha – essa, namorada do DJ Pic Schmitz que dali a instantes subiria ao palco ao lado do guitarrista Fred Mentz e do saxofonista Vinicius Netto para fazer um pocket show de aquecimento. O sol já havia baixado quando surgiram uns adolescentes vindos direto da prova do ENEM. Ao me verem, contaram  que uma das questões trazia um trecho de um texto meu. Me mostraram a prova e perguntaram se haviam acertado. Dei uma olhada e confirmei: sim, todos haviam acertado. Pra quem fez a prova e lembrar da questão, a resposta certa é a letra E (se não for, mandem os organizadores se entenderem comigo).

Faltava cerca de uns 40 minutos pra começar o show e já estava todo mundo em pé, ninguém mais conseguia sentar sob o risco de virar mingau. Os telões começaram a mostrar uma colagem de ícones da era beatle: fotos, gadgets, capas de disco, reportagens da época, recortes do álbum de família dos fab four e cenas dos filmes da banda, enquanto rolava nos alto-falantes sucessos de Paul em versão techno.

O Beira-Rio lotadaço. A noite estrelada. Calor. De vez em quando soprava uma brisa, mas leve demais pra dar conta daquele caldeirão. Estávamos avisados: o clima ia esquentar ainda mais.

Às 21h10, era dada a largada pro show mais formidável das nossas vidas. Paul entrou ovacionado. Vestia um blaser puxando pro roxo, camisa branca e calças pretas. E uma bota com um pequeno salto, uns três centímetros. Sem um fio branco na cabeça. Será que ele pinta? Se pinta, usa uma tintura melhor do que a do Reginaldo Rossi. Ninguém diz.

Venus and Mars Rockshow abriu a festa, e a partir dali foram três horas e 35 canções para agradar gregos, troianos, visigodos, gaúchos e forasteiros. Ninguém saiu de mãos abanando do estádio. Já na terceira música ele cantou a primeira da série de música dos Beatles incluídas no repertório: All my loving. Tremi o queixo, mas segurei o choro. E só isso segurei. Pulei demais. Cantei. Dancei. Fiz valer cada centavo investido.

Gostei de tudo, mas se eu tivesse que fazer meu compacto dos melhores momentos, incluiria Drive my car, 1985, My love, Something (o queixo tremeu de novo), Band on the run, Back in the USSR, Let it be, Live and Let Die e Hey Jude, claro. Ouvir 50 mil pessoas sendo regidas pelo maestro McCartney e cantando juntas “na, na, na, na.na, na, na, Hey Jude” vai para o livro que, quem sabe, um dia eu escreva sobre as coisas que mais me emocionaram na vida. Acaba de me ocorrer um título provisório: “Me belisca”.  

A essa altura eu já não estava mais no meio da massa. Minhas costas pegavam fogo (a tia aqui não tem mais 17 anos), estava morrendo de sede e precisava de um pouco de espaço. Fui para uma área mais afastada, menos congestionada, e sentei um pouco numa arquibancada com meu copo de Pepsi na mão, eu que prefiro Coca. Mas era o que tinha, e não era uma noite para se reclamar de nada.

Quando Paul começou a tocar Helter Skelter, foi a senha para minha retirada. Sabia que ele encerraria o show logo após, com Sgt Pepper, e que seria uma despedida linda, mas olhei para aqueles 50 mil ao meu redor e fiz um cálculo rápido: por baixo, 5 mil vão precisar de um táxi. Melhor eu me adiantar.

Joguei um beijo pro cara lá longe, no palco, e algo me diz que ele não apenas viu como retribuiu, só que as câmeras não pegaram a cena. Não importa. Nossa intimidade não é da conta de ninguém. Saí na maior tranquilidade do estádio, com a alma lavada, e voltei pra casa, onde encontrei minha filha de 19 anos, que prefere música japonesa a Beatles. A de 14 chegou do show logo depois de mim. Ficamos as três sentadas na cozinha falando de música e da vida até uma e meia da manhã, e teríamos ficado mais, não tivéssemos que acordar cedo na manhã seguinte.

Mas eu ainda não acordei.

Agenda 2011

05 de novembro de 2010 21

Olá! Vi que algumas pessoas estão pedindo contato com a L&PM para adquirir a agenda. Tentem o email:

news@lpm-editores.com.br

Nesse sábado, dia 6/11, às 18h30, estarei na Feira do Livro autografando o Fora de Mim. Vai ser um fim de semana agitado. Volto na segunda-feira pra contar tudo sobre o show de Paul McCartney. Estou contando os minutos.

Beijos!

A vida pós-eleição

02 de novembro de 2010 23

Desde o início, não me empolguei muito com as eleições porque havia em mim uma sensação clara de que, fosse qual fosse o vencedor, o Brasil se desenvolveria do mesmo jeito, e a corrupção também seguiria do mesmo jeito. Não tive ímpetos de dizer a mim mesma: “agora vai”. Sei que vai. Sempre vai. E haverá problemas, sempre há. Ao menos está decidido: temos uma nova presidente. E antes de começar as detonações, seria interessante que déssemos um crédito, que não fôssemos tão fatalistas. Eu, que antes estava apática, estou resgatando a confiança que sempre me domina nos começos de tudo: começo de ano, começo de namoro, começo de estação. O derrotismo é um hábito que nunca fez bem a ninguém. Independentemente de quem levou meu voto, ou o seu, o dia 31 de outubro já virou passado longínquo. Agora é a vez da Dilma. Confiemos. Ela trabalha muito, é sabido. É um trator. Não veio ao mundo a passeio. Então vamos torcer para que saiba afastar os pelegos do poder, que não venda barato seus ideais, que a necessidade de fazer alianças não corrompa seus projetos, que tenha a vaidade de ser melhor do que seu antecessor e que dê um basta na corrupção. Boa sorte, madame. Saúde, disposição e muita honestidade, é o que desejo à senhora e a todos nós.

***

Andava afastada dos cinemas, mas voltei. Ainda não assisti à Tropa de Elite 2, mas só ouço dizer que é imperdível, então combinado: não vou perder. Nesses últimos dias, assisti a Comer, Rezar, Amar, que achei muito mal roteirizado. O livro é delicioso, mas cinema tem outras demandas. Senti falta de um conflito, alguma coisa que provocasse o envolvimento do espectador. O personagem de Julia Roberts não provoca nada disso, não sabemos por que seus relacionamentos não deram certo, não sabemos o que lhe tortura internamente, não sabemos em busca de quê, afinal, ela está. Fica tudo  meio à toa, o que torna o filme cansativo, apesar dos cenários idílicos. Bom para os olhos, mas entramos e saímos do cinema totalmente indiferentes. Ao menos comigo foi assim.

***

Pra não dizer que não me empolguei com nada, o filme vale pelo ótimo desempenho de Richard Jenkins, o “Richard” que ela encontra na India. É o único personagem consistente. E a trilha sonora é ótima, com destaque para “Heart of Gold” e “Harvest Moon”, ambos de Neil Young.

***

Já o “O Solteirão” (argh!!!! como é que traduzem Solitary Man para algo tão nada a ver?) vale a pena, com Michael Douglas interpretando um homem entre 60 e 70 anos que, na iminência da morte, resolve aproveitar o resto do seu tempo da forma mais patética do mundo: se comportando como um garotinho de 18 e mandando às favas qualquer resquício de ética que já tenha tido. Porém, ainda que falastrão e arrogante, o personagem desperta ternura. Escrevi uma crônica sobre o filme e em breve publicarei nos jornais, mas, por ora, fica esse registro: Solitary Man é um filme inteligente e humano, e além de Douglas, traz as participações sempre bem-vindas de Susan Sarandon e Danny De Vitto.

***

Atenção Porto Alegre e arredores: estou preparada para mais uma maratona de autógrafos. Fora de Mim no próximo sábado, dia 6, às 18h30, na Feira do Livro. E a Agenda 2011 já está à venda também. A previsão é de um belo dia de sol. Todo mundo lá.

***

Beijos!