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Um dia em São Paulo

25 de novembro de 2010 20

Olá! Foi uma quarta-feira (24/11) agitada. Aliás, os dias têm sido agitados, preciso dar uma parada de duas semanas nesse verão, não sei onde nem quando exatamente, mas é meu primeiro projeto para 2011: sossegar quieta no mesmo lugar, sem ficar de lá pra cá.

Cheguei em São Paulo por volta de duas da tarde e fui direto para o estúdio do GNT, na Barra Funda. Chegando lá, encontrei no camarim a Mariana Ximenes, que havia acabado de dar entrevista para a Marilia Gabriela. A Gabi costuma gravar quatro entrevistas na mesma tarde, deixando pronto o programa do mês inteiro. Mariana é bonita e simpática. Infelizmente não tivemos tempo para trocar palavras, apenas nos acenamos de longe.

Em seguida entrou no estúdio o astrólogo Oscar Quiroga para gravar sua participação. E depois foi a minha vez.

Gabi tem uma figura inibidora, não sei se pelo seu tamanho, se pela sua voz grave ou se pelo status que ocupa no jornalismo brasileiro. Provavelmente por tudo isso. Mesmo sendo uma mulher simpaticíssima e calorosa, sua presença causa um certo embaraço. Eu e ela já trocamos e-mails, já falamos ao telefone e eu já havia sido entrevistada por ela duas vezes (a primeira dividindo a bancada com o escritor Luiz Alfredo Garcia Roza e a outra com o titã Tony Belotto). Porém, mesmo não sendo marinheira de primeira viagem, me senti nervosa, talvez porque gravaria um programa inteiro, sem dividir o espaço com ninguém. Um privilégio, mas tremi.

No final das contas, não doeu. Virou um papo entre comadres e lá pelas tantas esqueci que havia câmeras em volta de nós, o que sempre é temeroso: fala-se mais do que deve-se. O resultado? Suspense. Nem eu mesma sei se ficou bom. Tomara que sim. Saberei do mesmo jeito que vocês, quando o programa for ao ar, mais pro final de dezembro. Quando souber a data certa, aviso.

Na saída, ainda cruzei com Dan Stubach, ator que admiro demais, e que seria o próximo entrevistado.

Não é novidade pra ninguém que o trânsito de São Paulo é o vilão da cidade. Saí do estúdio às 17h30 e deveria estar em Guarulhos no máximo às 19h para pegar meu voo de volta, mas fui aconselhada a transferir a passagem para mais tarde, pois tudo indicava que não chegaria a tempo. O voo foi trocado para as 22h, com saída por Congonhas. O que fazer com as horas que me sobravam? Fui me encontrar com uma querida amiga, Luiza Estima, que estava trabalhando na CasaCor Trio montada no Jockey Clube. É de responsabilidade dela o Casa Boa Mesa, o espaço gastronômico do evento.

Luiza conseguiu fazer um break em suas inúmeras atividades para conversarmos um pouco, enquanto comíamos uma deliciosa pizza com champanhe para brindar o final de 2010 e o início de 2011. Tudo em meio a um cenário inusual: o Jockey fica em meio à selva urbana, oferecendo uma paisagem da cidade que eu nunca tinha visto. Um oásis.

Táxi para Congonhas, mais uma sala de embarque em minha vida. Lugar de encontros inesperados. Outro dia fiquei batendo papo com o chargista Iotti no aeroporto Salgado Filho. Recentemente, no Galeão, cruzei com Elba Ramalho. E em outro aeroporto, com Rita Lee. Em Congonhas, dessa vez,  não cruzei com ninguém, apenas agradeci a dádiva de o voo estar no horário. Voltei exausta nos braços da TAM.

Beijos!

Os cariocas

18 de novembro de 2010 50

Ainda estou de ressaca depois de tanto carinho recebido ontem à noite na livraria da Travessa, no Rio. Quem esteve lá pode confirmar: fiquei quatro horas e meia autografando sem parar. A fila saía da livraria e dobrava a esquina, eu nunca tinha vivido nada parecido. Ganhei presentes, abraços, tirei fotos e fui feliz à beça. Só tenho a agradecer essa homenagem que os cariocas me fizeram. E não só eles, já que autografei também para leitores da Bahia, Paraná, Minas, e até uma dupla de franceses apareceu por lá. Obrigada, merci!

Um agradecimento especial à minha editora Isa Pessoa e a equipe da Objetiva, em especial Camila, Marina e Simone, incansáveis em fazer tudo dar certo.

Todos são vips pra mim, mas há os vips mais notórios, e a eles, queridos amigos, obrigada por passarem na livraria pra me ver: Lilia Cabral, Cissa Guimarães, Ana Beatriz Nogueira, Victor Peralta, Kledir, Alexandra Richter, Elisa Lucinda, Ernesto Piccolo, Cristina Brasil, Antonio Bernardo, Cris Mayrink, Lionel Fischer, Maria Siman, Bruna Ayres, Francisco Bosco, Angela Bosco, Regina Pimentel, Mario Groisman e Raquel, e o queridíssimo casal Malu Mader e Tony Bellotto fechando a noite com chave de ouro. Se esqueci de alguém, e sempre esqueço, me puxem a orelha que eu corrijo mais adiante.

Obrigada também Fabiola e Yve, Gustavo, Augusto, Tida e tantos outros que me escrevem e-mails com frequência e estavam lá, firmes, esperando até duas horas para uma dedicatória.

Sigo no Rio, mas volto em breve. Um beijo enorme a todos e vida longa ao sucesso do Fora de Mim!

Bom fim de semana!

Chegando ao Rio...

13 de novembro de 2010 31

Olá!

Estou lendo Solar, livro divertidíssimo (e um desaforo de tão bem escrito) do norteamericano Ian McEwan, que já nos deu outras joias como “Reparação”, “Sábado” e “Na praia”. Não cheguei nem na metade e já incluo esse título como um dos melhores livros de 2010. Andei lendo também Os Íntimos da portuguesa Inês Pedrosa, bela narrativa acerca do universo masculino, mas Ian Mc Ewan está me fazendo ir pra cama mais cedo, e esse é o melhor elogio que um escritor pode receber. 

E hoje fui ao cinema assistir Um parto de viagem (mais uma tradução horrorosa para “Due Date”), do diretor Todd Philips, o mesmo do hilário “Se beber não case”, que foi uma das comédias mais originais e divertidas dos últimos tempos. Dessa vez, o diretor convocou de novo Zach Galifanakis (o irmão sequelado da noiva em “Se beber não case”) contracenando com o dispensa-apresentações Robert Downey Jr, sem dúvida meu ator preferido hoje em dia. O filme não se equipara ao anterior, mas não faz feio. Roteiro construído de absurdo em absurdo, diversão garantida. E, moçoilas, vocês hão de concordar comigo: Robert Downey Jr. é uma provocação. No bom sentido. No melhor dos sentidos.

Esse Todd Philips entende de casting. Como esquecer de Bradley Cooper em Se beber não case…

Eu sei, eu sei, ninguém aguenta mais ouvir falar em Paul McCartney, eu inclusive. Mídia é, ao mesmo tempo, glória e massacre.

Alguém ainda suporta escutar sobre goleiro Bruno, Eliza Samudio, Tiririca? Bom, mas hoje estava passando por uma loja de discos e vi em promoção um DVD de um show que McCartney fez no Canadá dois anos atrás, com praticamente o mesmo setlist dos shows que está fazendo por aqui, e não resisti. 20 pila. Nesse instante, enquanto escrevo pra vocês, ele está na tevê atrás de mim, atacando de Long and Widing Road pelas costas. Covardia.

Rio, estou chegando! Na terça estarei ao vivo no programa da Leda Nagle na TV Brasil, no programa Sem Censura, das 16h às 18h.

E na quarta, dia 17, também ao vivo, estarei na livraria Travessa, autografando e sendo feliz ao lado de quem puder comparecer.

Espero todos lá!

Beijos e bom feriado.


Uma noite com Paul McCartney

08 de novembro de 2010 75

Quem estava lá, não precisa nem ler esse post. Nenhum relato conseguirá ser amplamente fiel ao que se passou na noite de domingo, 7 de novembro, no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. Mas vou tentar.

Cheguei de táxi por volta das 18h30, com o sol alto e forte, acompanhada de minha mãe de 72 anos e minha filha de 14: as sortudas ganharam um convite de última hora para assistirem ao show num camarote. Lá se foram elas pro bem bom, e eu fui sozinha pro gramado. Queria ficar bem perto daquele sujeito que tanto fez minha cabeça na infância e adolescência. Ele não era um estranho pra mim. Praticamente dividimos o mesmo quarto.

De cara, encontrei uma prima sentada no gramado, havia ido sozinha também e já estava de papo com um argentino que é vocalista de uma banda cover dos Beatles. Aí chegou mais outra amiga com a filha – essa, namorada do DJ Pic Schmitz que dali a instantes subiria ao palco ao lado do guitarrista Fred Mentz e do saxofonista Vinicius Netto para fazer um pocket show de aquecimento. O sol já havia baixado quando surgiram uns adolescentes vindos direto da prova do ENEM. Ao me verem, contaram  que uma das questões trazia um trecho de um texto meu. Me mostraram a prova e perguntaram se haviam acertado. Dei uma olhada e confirmei: sim, todos haviam acertado. Pra quem fez a prova e lembrar da questão, a resposta certa é a letra E (se não for, mandem os organizadores se entenderem comigo).

Faltava cerca de uns 40 minutos pra começar o show e já estava todo mundo em pé, ninguém mais conseguia sentar sob o risco de virar mingau. Os telões começaram a mostrar uma colagem de ícones da era beatle: fotos, gadgets, capas de disco, reportagens da época, recortes do álbum de família dos fab four e cenas dos filmes da banda, enquanto rolava nos alto-falantes sucessos de Paul em versão techno.

O Beira-Rio lotadaço. A noite estrelada. Calor. De vez em quando soprava uma brisa, mas leve demais pra dar conta daquele caldeirão. Estávamos avisados: o clima ia esquentar ainda mais.

Às 21h10, era dada a largada pro show mais formidável das nossas vidas. Paul entrou ovacionado. Vestia um blaser puxando pro roxo, camisa branca e calças pretas. E uma bota com um pequeno salto, uns três centímetros. Sem um fio branco na cabeça. Será que ele pinta? Se pinta, usa uma tintura melhor do que a do Reginaldo Rossi. Ninguém diz.

Venus and Mars Rockshow abriu a festa, e a partir dali foram três horas e 35 canções para agradar gregos, troianos, visigodos, gaúchos e forasteiros. Ninguém saiu de mãos abanando do estádio. Já na terceira música ele cantou a primeira da série de música dos Beatles incluídas no repertório: All my loving. Tremi o queixo, mas segurei o choro. E só isso segurei. Pulei demais. Cantei. Dancei. Fiz valer cada centavo investido.

Gostei de tudo, mas se eu tivesse que fazer meu compacto dos melhores momentos, incluiria Drive my car, 1985, My love, Something (o queixo tremeu de novo), Band on the run, Back in the USSR, Let it be, Live and Let Die e Hey Jude, claro. Ouvir 50 mil pessoas sendo regidas pelo maestro McCartney e cantando juntas “na, na, na, na.na, na, na, Hey Jude” vai para o livro que, quem sabe, um dia eu escreva sobre as coisas que mais me emocionaram na vida. Acaba de me ocorrer um título provisório: “Me belisca”.  

A essa altura eu já não estava mais no meio da massa. Minhas costas pegavam fogo (a tia aqui não tem mais 17 anos), estava morrendo de sede e precisava de um pouco de espaço. Fui para uma área mais afastada, menos congestionada, e sentei um pouco numa arquibancada com meu copo de Pepsi na mão, eu que prefiro Coca. Mas era o que tinha, e não era uma noite para se reclamar de nada.

Quando Paul começou a tocar Helter Skelter, foi a senha para minha retirada. Sabia que ele encerraria o show logo após, com Sgt Pepper, e que seria uma despedida linda, mas olhei para aqueles 50 mil ao meu redor e fiz um cálculo rápido: por baixo, 5 mil vão precisar de um táxi. Melhor eu me adiantar.

Joguei um beijo pro cara lá longe, no palco, e algo me diz que ele não apenas viu como retribuiu, só que as câmeras não pegaram a cena. Não importa. Nossa intimidade não é da conta de ninguém. Saí na maior tranquilidade do estádio, com a alma lavada, e voltei pra casa, onde encontrei minha filha de 19 anos, que prefere música japonesa a Beatles. A de 14 chegou do show logo depois de mim. Ficamos as três sentadas na cozinha falando de música e da vida até uma e meia da manhã, e teríamos ficado mais, não tivéssemos que acordar cedo na manhã seguinte.

Mas eu ainda não acordei.

Agenda 2011

05 de novembro de 2010 21

Olá! Vi que algumas pessoas estão pedindo contato com a L&PM para adquirir a agenda. Tentem o email:

news@lpm-editores.com.br

Nesse sábado, dia 6/11, às 18h30, estarei na Feira do Livro autografando o Fora de Mim. Vai ser um fim de semana agitado. Volto na segunda-feira pra contar tudo sobre o show de Paul McCartney. Estou contando os minutos.

Beijos!

A vida pós-eleição

02 de novembro de 2010 23

Desde o início, não me empolguei muito com as eleições porque havia em mim uma sensação clara de que, fosse qual fosse o vencedor, o Brasil se desenvolveria do mesmo jeito, e a corrupção também seguiria do mesmo jeito. Não tive ímpetos de dizer a mim mesma: “agora vai”. Sei que vai. Sempre vai. E haverá problemas, sempre há. Ao menos está decidido: temos uma nova presidente. E antes de começar as detonações, seria interessante que déssemos um crédito, que não fôssemos tão fatalistas. Eu, que antes estava apática, estou resgatando a confiança que sempre me domina nos começos de tudo: começo de ano, começo de namoro, começo de estação. O derrotismo é um hábito que nunca fez bem a ninguém. Independentemente de quem levou meu voto, ou o seu, o dia 31 de outubro já virou passado longínquo. Agora é a vez da Dilma. Confiemos. Ela trabalha muito, é sabido. É um trator. Não veio ao mundo a passeio. Então vamos torcer para que saiba afastar os pelegos do poder, que não venda barato seus ideais, que a necessidade de fazer alianças não corrompa seus projetos, que tenha a vaidade de ser melhor do que seu antecessor e que dê um basta na corrupção. Boa sorte, madame. Saúde, disposição e muita honestidade, é o que desejo à senhora e a todos nós.

***

Andava afastada dos cinemas, mas voltei. Ainda não assisti à Tropa de Elite 2, mas só ouço dizer que é imperdível, então combinado: não vou perder. Nesses últimos dias, assisti a Comer, Rezar, Amar, que achei muito mal roteirizado. O livro é delicioso, mas cinema tem outras demandas. Senti falta de um conflito, alguma coisa que provocasse o envolvimento do espectador. O personagem de Julia Roberts não provoca nada disso, não sabemos por que seus relacionamentos não deram certo, não sabemos o que lhe tortura internamente, não sabemos em busca de quê, afinal, ela está. Fica tudo  meio à toa, o que torna o filme cansativo, apesar dos cenários idílicos. Bom para os olhos, mas entramos e saímos do cinema totalmente indiferentes. Ao menos comigo foi assim.

***

Pra não dizer que não me empolguei com nada, o filme vale pelo ótimo desempenho de Richard Jenkins, o “Richard” que ela encontra na India. É o único personagem consistente. E a trilha sonora é ótima, com destaque para “Heart of Gold” e “Harvest Moon”, ambos de Neil Young.

***

Já o “O Solteirão” (argh!!!! como é que traduzem Solitary Man para algo tão nada a ver?) vale a pena, com Michael Douglas interpretando um homem entre 60 e 70 anos que, na iminência da morte, resolve aproveitar o resto do seu tempo da forma mais patética do mundo: se comportando como um garotinho de 18 e mandando às favas qualquer resquício de ética que já tenha tido. Porém, ainda que falastrão e arrogante, o personagem desperta ternura. Escrevi uma crônica sobre o filme e em breve publicarei nos jornais, mas, por ora, fica esse registro: Solitary Man é um filme inteligente e humano, e além de Douglas, traz as participações sempre bem-vindas de Susan Sarandon e Danny De Vitto.

***

Atenção Porto Alegre e arredores: estou preparada para mais uma maratona de autógrafos. Fora de Mim no próximo sábado, dia 6, às 18h30, na Feira do Livro. E a Agenda 2011 já está à venda também. A previsão é de um belo dia de sol. Todo mundo lá.

***

Beijos!

Triunfo

29 de outubro de 2010 19

Quero falar de dois tipos de triunfo. Vou começar pela noite de quarta-feira, quando fui assistir ao espetáculo Três Solos e um Dueto, com o bailarino Mikhail Baryshnikov e a dançarina espanhola Ana Laguna. Sempre sonhei em assistir a Baryshnikov, não só por sua dança, mas pela pessoa que é. Um amante das artes, que desenvolveu uma carreira de ator (lembro especialmente do filme O Sol da Meia-Noite, de 1985, além da charmosa participação em alguns espisódios da série Sex & The City) e que possui um carisma e um bom humor que está presente em cada gesto seu, em cada atitude. Tenho atração pelos desestressados, e ele me parece assim, um homem sem medo de correr riscos – ele corre apenas do tédio, como disse recentemente em entrevista.

O espetáculo, como o próprio nome diz, é dividido em quatro partes. Ele abre com um solo que a mim pareceu mais um exercício de aquecimento. Não me empolgou muito pela coreografia em si, mas pela presença do mito no palco: não há como não se emocionar. A segunda parte, da mesma forma, me pareceu um aquecimento de Ana Laguna, reconhecida dançarina a quem eu não conhecia. Obviamente, o termo “aquecimento” está sendo usado por mim para expressar minha morna reação, pois ambos os solos foram criados por reconhecidos coreógrafos e são altamente profissionais.

O espetáculo me ganhou em definitivo a partir do terceiro solo, em que Mikhail Baryshnikov estabelece uma espécie de duelo com imagens suas projetadas no fundo do palco, tudo ao som de Philip Glass. Ele dança com sua própria sombra, depois dança com sua imagem bem jovem (ainda estudante de balé nos tempos em que vivia em Moscou), e essas “parcerias” refletem a luta contra a passagem do tempo. Obviamente, Misha, como é carinhosamente apelidado, hoje não tem mais a desenvoltura dos 17 anos, mas em vez de isso se transformar num lamento, ele invoca a renovação, a persistência, e conclui o número com uma divertida constatação de seus limites. Realidade x memória. O bailarino real, diante dos nossos olhos, supera a todos. Uma frase dele resume essa questão: “O ballet clássico é para jovens. O que mais me fascina na dança contemporânea é a possibilidade de interpretar nossa própria idade”.

No quarto ato, a consagração. Ele, aos 62 anos, e Ana Laguna, aos 54, dançam juntos uma coreografia que retrata as diversas etapas da vida de um casal, tendo como cenário apenas uma mesa e um tapete. Com uma trilha sonora vigorosa e uma coreografia igualmente impactante, eles mostram que não há passagem de tempo que lhes roube o talento e o prazer de estar em cena, e Baryshnikov prova por que, afinal, é considerado um monstro sagrado.

Aliás, de monstro, não tem nada. Segue um homem atraente.

A plateia delira ao final. A dupla foi ovacionada por longos minutos, não havia aplauso que chegasse para homenagear não só ao espetáculo que foi assistido, mas a bela carreira desse que é considerado o bailarino número 1 da nossa era. Foi maravilhoso ter tido a oportunidade de prestigiá-lo nessa noite que foi, de fato, triunfal.

Dormi satisfeita e na manhã seguinte já estava na estrada rumo a Triunfo, a 80km de Porto Alegre. Não conhecia o município e foi com alegria e surpresa que descobri que Triunfo é uma graciosa cidade histórica, com muitos prédios tombados que, através de um rápido olhar, me fizeram recordar de certas ruas de Olinda, em Pernambuco. A igreja de Triunfo é uma das mais antigas do país e as árvores que ficam à margem do rio Taquari são das mais lindas que já vi. Não bastasse esse privilégio visual, fui recebida com muita amabilidade. O bate-papo foi agradável e mais uma vez testemunhei a potência de se estar em sintonia com os leitores.

Triunfos. O bom da vida.

Beijos e curtam o feriadão!

Obrigada!

27 de outubro de 2010 52

Esse meu agradecimento vai para todo mundo que perseverou na fila de autógrafos na Livraria Saraiva, ontem à noite, em Porto Alegre. Madrecita, nunca vi tanta gente. Logo após o ótimo bate-papo com o jornalista Tulio Milman, onde entretemos a plateia e rimos muito, subi para o segundo piso do shopping e já havia uma fila quilométrica. Alguém lá me perguntou: como é que tu te sentes? Vou dizer.

Sinto um misto de sensações. Uma delas: incredulidade. Estou completando 25 anos de carreira literária. Meu primeiro livro, Strip-Tease, saiu em 1985. De lá para cá foram muitos degraus, uma após o outro, sem ser afoita, apenas aproveitando as oportunidades e fazendo o que sei fazer. Já comi muita mosca em noite de lançamento. E digo pra vocês: é muito chato ficar atrás de uma mesa sem que ninguém apareça, apenas uns gatos pingados. Você se sente a última das criaturas, parece que está mendigando atenção. Não há escritor que já não tenha passado por isso. Uns porque ainda não são muito conhecidos, outros porque havia um jogo de futebol decisivo marcado pro mesmo horário, ou então porque a divulgação foi ineficiente, nada saiu nos jornais. O fato é que acontece. Recentemente estive na sessão de autógrafos de um cara que tem um fã clube de respeito, mas quase ninguém apareceu – pudera, não saiu uma linha na imprensa.

Então imagina você encontrar 500 pessoas te aguardando numa fila em prol de um simples: “Para Fulana, um beijo carinhoso da Martha”. Sou bastante econômica nas minhas dedicatórias, não sei ir além do básico. Teve gente que esperou até duas horas para chegar até mim. E eu pensava: por quem eu ficaria duas horas em pé para ganhar um rabisco num livro? Sinceramente, por três ou quatro, e olhe lá. Foi então que me dei conta de que faço parte da vida de muitos de vocês, e o quanto isso é sagrado, o quanto isso é especial. Não há palavras para agradecer essa homenagem que me fizeram ontem.

Se eu cansei? Nossa, saí moída. Mas feliz à beça. Realizada. Gratificada.

Não tenho como lembrar o nome de todos que lá estiveram. Teve uma moça que acho que se chama Gabriele que se derreteu em elogios na minha frente, foi emocionante ouvir o depoimento dela. Gracias, garota! Teve duas amigas de 16 anos, queridíssimas. E uma menina de 14, uma fofa. Teve uma moça que estava acompanhada do filho (acho que era filho) e que me levou uma pasta com diversas crônicas minhas guardadas, um trabalho caprichado, foi bacana de ver, adorei!

Teve a mãe e a madrinha da Juliana, uma garota que não conheço e que vive em Joinville e que escreveu coisas bonitas sobre mim no seu blog. Teve umas alunas de um colégio (putz, esqueci qual: São Judas? Santa Inês?) cuja tarefa de gincana era ir lá pegar uma dedicatória minha. Teve o Rodrigo Germano, um cara que me “assombra” há anos, vai a todas as sessões, não falha uma, e que me levou bombons, obrigada! Teve a Greice, uma menina que me entregou um bilhete carinhoso, e teve uma moça que me deu um lindo chaveiro confeccionado por ela mesma, e ganhei também uma caneta da Caroline e um texto escrito por ela, e teve o Joaquim, bem animado aos 70 anos, e a Vera Regina da L&PM, e o Felipe Malheiro que me entregou um livro, assim como o José Tulio Barbosa e o meu primeiro chefe, do meu primeiro emprego, que me disse o seguinte: “se eu soubesse que tu tinha esse talento, teria te demitido no primeiro dia para que tu seguisse teu destino”. Ainda bem que ele não fez isso, pois a propaganda foi fundamental para eu desenvolver o texto que tenho hoje.

E apareceram os amigos do peito também: Marcelo Pires e Leticia Wierzchovski (que lançará hoje na Cultura seu mais novo romance, “Os Getka”, às 19h – estarei lá!), Katia, Cris, Ana, Neca, Karin, Carla, e as queridas Janaína, Naiana e Sandro, e o Grafa com sua Ane e a Dona Lia,  e mais meu irmão, cunhada e sobrinhos, meu pai e minha mãe, e as amigas da minha mãe, e tias, e primas – e mais todos aqueles que esqueci de comentar aqui, claro. Já é um universo.

Agora é recarregar as energias porque não acabou.

Em breve, Rio, dia 17 de novembro.

Peço desculpas: a peça “Tudo que eu queria te dizer” em Salvador foi cancelada, mas irá a Bahia ano que vem! Quanto à reestreia no Rio dia 5 de novembro, confirmadíssima.

Amanhã comento sobre o espetáculo de dança do Baryshnikov. Vou hoje, depois de buscar o autógrafo da Leticia. Haja energia.

Beijão e obrigada mesmo!

Mais sobre "Fora de Mim"

25 de outubro de 2010 28

Olá, pessoal.

Fiquei felicíssima de que a maioria de vocês gostou do livro Fora de Mim. Apesar de ser meu décimo nono livro, ainda sinto a mesma apreensão que senti quando lancei o primeiro. Se bobear, o nervosismo é ainda maior, pois quando já se tem um público fiel, a expectativa por parte dele é enorme, e eu sei que a expectativa é o caminho mais curto para a frustração. Quando lanço coletâneas de crônicas é mais tranquilo, pois é a reunião de um trabalho publicado em jornais e de certa forma já testado, mas ficção é o gênero literário que menos domino. Sendo sincera: domino nada! É um experimentalismo, uma tentativa, uma insistência minha, já que adoro romances, principalmente os que envolvem as relações humanas e sua atordoante complexidade: torna-se inevitável eu me aventurar. Enfim, obrigada por esse carinho todo que me empurra pra frente. Vocês são os culpados por eu seguir tentando.

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Falando em carinho de leitor, estive na última quarta-feira na cidade de Taquara (RS) e fui superbem recebida por todos, mas uma senhora realmente me comoveu. Assistiu todo o meu bate-papo ali na primeira fila e quando chegou a hora dos autógrafos ela me disse o seguinte: “Excetuando as datas em que nasceram minhas filhas, hoje é o dia mais feliz da minha vida por poder te conhecer”. Caramba, o que dizer? Eu engasguei. Na hora minha mente maquiavélica pensou: “A vida dela não deve ser das mais animadas”, mas logo espantei meu humor negro e admiti pra mim mesma que, se escrever traz recompensas, essa é uma delas.

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Na próxima quinta-feira, dia 28, estarei em Triunfo (RS), às 9h30 da manhã, na Biblioteca Pública João Maia. E no dia 10 de novembro, em Nova Petrópolis (RS).

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Pessoal da Bahia, se liguem: a peça Tudo que eu queria te dizer, com Ana Beatriz Nogueira, estará sendo apresentada nos próximos dias 29, 30 e 31 de outubro (fim de semana que vem) no Teatro Isba, na Av. Oceânica, Ondina.

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A peça está fazendo tanto sucesso que, ao voltar da Bahia, reestreará no Rio no Teatro Clara Nunes, na Gávea. Ficará em cartaz de 5 de novembro a 18 de dezembro, às sextas e sábados, às 19h.

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Ainda não há confirmação de apresentação em outras cidades, mas em 2011 certamente viajará por várias capitais brasileiras. Avisarei assim que souber.

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Hoje busquei meu ingresso para o show de Paul McCartney (comprei pela internet), mas antes dele ainda vou me dar ao luxo de assistir a dois belos espetáculos aqui em Porto Alegre: na próxima quarta-feira, a dança de Mikhail Baryshnikov, no Teatro do Sesi, e dia 04/11 estarei na estreia da peça O Animal Agonizante, no Theatro São Pedro – direção de Luciano Alabarse, com o ator Luis Paulo Vasconcelos e texto inspirado na obra homônima de Philip Roth, um de meus autores favoritos. Comentários sobre tudo isso mais adiante.

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A agenda 2011 que traz algumas frases minhas deve estar nas principais livrarias do país até o final da semana que vem. Talvez até antes! Estamos tentando fazer com que na terça já esteja disponível ao menos na livraria Saraiva do shopping Praia de Belas, em Porto Alegre, onde estarei lançando o Fora de Mim.

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Ba semana, beijos!

Convite

21 de outubro de 2010 42