Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts na categoria "Blog"

ATÉ BREVE

24 de março de 2011 0

Olá, queridos amigos e leitores.

Espero que não estejam de mal comigo. Fiquei de retornar ao blog no início de março, mas a agenda apertou. Tanto que resolvi dar um tempo maior. Estou com muitas viagens marcadas, querendo publicar dois novos livros esse ano e mais um monte de compromissos. Não consigo dar conta de tudo, preciso de um tempinho pra viver também… E vocês merecem posts atualizados, e não bissextos. Então, já que não estou conseguindo fazer bem feito como gostaria, vou seguir fora do ar. Vocês sempre foram mega/hiper/supercarinhosos comigo e só tenho a agradecer.

Foi uma experiência muito legal. Talvez um dia eu volte. Talvez ainda esse ano.  Mas darei um jeito de avisá-los, não é preciso ficar conferindo o blog regularmente.

Por ora, sigo com minhas crônicas nos jornais Zero Hora e O Globo. Vou sentir saudades!

Um beijo enorme e obrigada por tudo!

Martha

Recesso

10 de dezembro de 2010 52

Olá, turma. Abusei do sumiço, eu sei, mas essa época do ano minha cabeça costuma sair de férias antes do corpo: bate um cansaço existencial e nada mais engrena. Tenho desacelerado a cada dia. Sem culpa: foi um ano bastante ativo e produtivo. Só que preciso de uma parada total, então me despeço temporiariamente de vocês. Seguirei com as crônicas nos jornais, mas aqui para o blog eu voltarei apenas em março. A gente se reencontra lá.

Em 2010, os posts que fizeram mais sucesso foram aqueles em que contei minha viagem ao Rock in Rio em
1985 e minha primeira viagem sozinha pela Europa em 1986. Então, pra não deixar ninguém de mãos abanando, postei aqui mais um relato de viagem, e voltei ainda mais no tempo: 30 anos atrás! Foram as férias inesquecíveis da minha vida, numa praia então quase deserta de Santa Catarina. Inspirem-se, divirtam-se e até breve, que o tempo passa rápido e já já estarei aqui outra vez.

Beijos!

O VERÃO DE 81

Eu tinha 19 anos e nenhum plano para as férias daquele verão. Fazia faculdade de propaganda,
não estava namorando e andava roxa por um programa diferente, até que alguém da nossa turma deu a ideia de conhecermos uma praia em Santa Catarina chamada Bombinhas. Era janeiro. Não lembro exatamente quem tomou a iniciativa de alugar a casa, só sei que éramos 10 – cinco homens e cinco mulheres. Os guris foram na frente, de carro. Nós, gurias, chegamos um dia depois, de ônibus.  Desembarcamos em Florianópolis e o Fernando foi nos buscar na rodoviária num Fiat 147 vermelho. Bombinhas pertence ao município de Porto Belo. Disso eu sabia, já estivera lá com meus pais numa viagem alguns anos antes, num inverno gelado, e  só do que eu lembrava era de um lugar ermo, mas agora seria diferente. E foi.

Antes que a malícia corra solta: apesar de formarmos cinco casais, ninguém era namorado de ninguém.
Minto: a Katia e o Geraldo estavam começando a ficar, mas tudo na maior inocência. De resto, éramos mesmo uma turma de amigos. O clima era do seriado Friends, versão praiana. Além do Geraldo e do Fernando, havia o Theo, o Caco e o Serginho. Além da Katia, havia a Neca, a Karin, a Claudia e eu.     

Se você frequenta a Bombinhas de hoje, não a reconheceria. No verão de 81, era terra de ninguém. Na rua
principal havia um ou dois botecos, um posto telefônico e uma farmácia. Nenhum hotel, nem supermercado, nem lojas, nem restaurantes, apenas as casas de madeira dos poucos nativos. Na beira da praia, mesma coisa: só alguns poucos casebres de madeira onde viviam os pescadores locais. Num dia de sol a pino, de ponta a ponta da praia, contava-se no máximo uns 15 guarda-sóis na areia, de outros aventureiros como nós. Era praticamente uma praia privativa.

Onde é que eu estava mesmo? Chegando com as gurias no Fiat 147 vermelho. Saímos da BR e então passamos por Porto Belo, onde fizemos compras no único supermercado que havia. Depois atravessamos lentamente os morros que dão acesso às praias. A estrada era medonha, de terra batida e cheia de desníveis. Passamos por Bombas, fantasmagórica, e chegamos finalmente em Bombinhas. Estávamos empoeiradas e cansadas. Largamos nossas mochilas no casebre e fomos direto pro mar. Aquele mar esmeralda. O Caribe logo ali no Estado vizinho.  

Nossa casa era de madeira pintada de branco, com um pequeno jardim na frente. Dentro, havia uma minúscula antesala com um sofá e uma mesinha de fórmica. Ao lado, ficava o aposento maior: a cozinha. Havia um fogão, uma geladeira e uma mesa grande com algumas cadeiras. Três portas conduziam aos três quartos, e o único banheiro ficava mais ao fundo. Quem dormiria com quem?

As donzelas resolveram que ficariam as cinco no mesmo quarto, enquanto os guris poderiam se dividir entre os outros dois. E no primeiro dia foi assim. Três guris num quarto, dois em outro, e cinco malucas amontoadas num cubículo onde havia uma cama de casal. A ideia era revezar: duas na cama e três no chão, em colchonetes. Nossa integridade estava assegurada. Essa decisão durou exato um dia. Nos outros, não me pergunte onde dormíamos. Era cada um por si, sem frescura, sem lugar marcado, sem clube do bolinha e luluzinha, todos dividindo camas, colchonetes, redes. Tinha gente que dormia na cozinha, na sala, no jardim, na beira da praia. Onde caíamos, ficávamos. Era a graça da coisa.

Acredite se quiser: tudo na maior pureza. Promiscuidade zero. Só farra.

Nos fundos da nossa casa ficava um outro pequeníssimo cômodo, do tamanho de uma guarita de salva-vidas. Era ali que dormia o proprietário da casa, um pescador chamado Sabão. Foi para onde ele se mudou com a mulher e as duas filhas pequenas durante os dias em que alugou a casa dele pra nós. Era alto, loiro, esquelético, um príncipe escandinavo com a pele curtida pelo sol, maltratado pela pobreza, mas totalmente de bem com a vida. Discreto, não perturbava em nada. Saía de manhã para pescar em seu barco e à tardinha voltava. Muitas vezes, vendia seu peixe para nós, e logo descobrimos que ele sabia preparar uma caipirinha como ninguém, e de pescador diurno passou a barman noturno, extraindo mais uma fonte de renda daquela turma de gaúchos que tinha fome (e sede) de diversão.

Durante os 10 dias em que ficamos em Bombinhas, choveu exatamente nada. Nuvem, também não lembro de ter visto. Acordávamos, tomávamos o café da manhã e, depois de dar exaustivos cinco passos para fora da casa, colocávamos os pés na areia branca, com aquele marzão em frente só pra nós. Nadávamos, caminhávamos na praia, jogávamos frescobol e até conseguimos descolar uma rede para improvisar uma quadra de vôlei. No final da tarde, dois ou três de nós iam até Porto Belo comprar mantimentos.Alguns iam até o posto telefônico para ligar para Porto Alegre e saber notícias do mundo. Não havia tevê na casa. Apenas um pequeno toca-fitas. Sim, ouvíamos música através de fitas K-7. Não existia celular, nem DVD, nem notebooks. Éramos 10 Robinson Crusoe.

Um dia resolvemos explorar o território em volta. Depois de muito sobe e desce por estradinhas íngremes, de muito comer poeira e de cruzar com bichos estranhos pelo caminho, descobrimos uma praia ainda mais selvagem, Quatro Ilhas, onde tomamos o banho de mar mais inesquecível dessa temporada.  

À noite, sob uma luz fraca, brincávamos de mímica, fazíamos torneios de canastra e improvisávamos uma churrasqueira na beira da praia: cavávamos um buraco, acendíamos o fogo e grelhávamos os camarões e os peixes que o Sabão trazia. O luau só não era completo porque ninguém lembrou de levar violão. Ninguém tocava, que eu saiba. Mas havia uma gaita, acho.

Um dia de manhã cedo, surpresa: estávamos todos na beira da praia quando vimos um barco se aproximando. Era uma lancha. Uma lancha realmente grande, com um piloto. O moço chegou bem perto, saltou da lancha e veio até nós para se apresentar. Ninguém conseguia acreditar: o pai de um dos guris do grupo era amicíssimo de um empresário de Florianópolis, o dono da lancha, que gentilmente havia cedido seu barco e incumbido seu funcionário de ficar o dia todo à nossa disposição. Era tudo o que precisávamos: sair da rotina! Fechamos a casa e subimos todos na lancha. Fizemos um longo passeio até Itapema e no caminho encontramos prainhas desertas que convidavam para um pit stop e um mergulho. Na volta, a lancha atracou no cais de Porto Belo e almoçamos às quatro da tarde por conta do tio rico – a essa altura o empresário já havia virado tio – no inigualável restaurante Petiskão, onde entramos cantando uma marcha de Adoniran Barbosa e saímos mais pra lá do que pra cá, de tanta cerveja. Tudo bem, não estávamos dirigindo mesmo.

Ao chegar em casa, todos queriam apenas um banho e descansar, mas não podíamos prever que a noite seria ainda mais agitada do que o dia. Dessa vez, por um motivo nada agradável. A movimentação de pescadores no fundo da nossa casa pressagiava o pior. Foi com tristeza que soubemos que Sabão havia levado um choque fatal. Morreu eletrocutado nos fundos da nossa casa – melhor dizendo, da casa dele.

Em choque ficamos nós. Quantos anos ele teria? Não mais que 30. O que podíamos fazer pela família? Os guris acompanharam o corpo até Porto Belo e nós ficamos para dar assistência às duas pequenas meninas, pequenas mesmo. Não lembro da mulher do Sabão, mas devia estar cuidando dos trâmites em Porto Belo também. Passamos a noite praticamente em claro, atordoados com aquele súbito desaparecimento.

O dia seguinte foi de uma tranquilidade respeitosa, todos mais silenciosos do que de costume, conversando em voz baixa na beira da praia, mas retomando aos poucos o nosso cotidiano de estudantes em férias, faltava muito pouco para ir embora.    

À noite, mais um torneio de canastra. Todos com as cartas na mão, comprando e descartando, baixando trincas, sequências, até que o primeiro de nós bateu. E na hora de pedir para lhe alcançarem o morto, não teve dúvida: “Me passa o Sabão”. Foi a primeira gargalhada depois da tragédia, aquele riso nervoso diante da piada politicamente incorretíssima. Passados 30 anos, até hoje, quando nos reencontramos, “me passa o Sabão” é a senha para chamarmos as lembranças de volta.

Então chegou o dia de retornar para casa e tocar cada um a sua vida. Fernando hoje mora em São Paulo. Karin morou por lá também, mas voltou. Claudia mora em Florianópolis e é atriz de teatro. Theo é velejador. Serginho rodou o mundo todo e semana passada fomos avisados que está em Porto Alegre. Caco é engenheiro. Neca é pedagoga. Katia e Geraldo, que começaram essas férias numa ficação inocente, comemoraram bodas de prata ano passado. E eu estou aqui contando essa história.

Férias, há de diversos tipos. Mas aquele verão de 81 nunca saiu da nossa memória porque, além de ter selado uma amizade que dura até hoje, foi a concretização de um ideal que hoje poucos conseguem atingir. Nós passamos 10 dias em contato direto e ininterrupto com a natureza, numa praia paradisíaca, limpa, pouco habitada e silenciosa, sem conexão com aquilo do qual queríamos realmente tirar férias: da bagunça da cidade, dos compromissos urbanos e de nossas adoradas famílias, que, como todas as famílias, eram controladoras. Estávamos uns com 18 e outros com 19 anos, comemorando a maturidade recém conquistada e nos preparando para a vida que cada um construiria a partir dali. Cinco garotos e cinco garotas 100% wireless, no sentido mais verdadeiro do termo.

Se suas férias de verão não puderem ser assim, que ao menos tenham esse espírito.
Feliz 2011!

Woody Allen mais uma vez

29 de novembro de 2010 33

Fui assistir ao novo filme do Woody Allen, “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos”, que não traduz literalmente o título original “You will meet a tall dark stranger“, ou seja, “Você vai conhecer um estranho moreno e alto”, que serve como metáfora para a morte. O cineasta empacou nessa temática: a vida não tem significado e, cedo ou tarde, crau. Por mim, ele pode empacar nesse tema à vontade. Compartilho com ele o fascínio por essa busca infrutífera pelo sentido da vida. Caso a gente aceitasse de fato que esse sentido inexiste, quase a totalidade dos nossos problemas desapareceriam.

No entanto, não saí deslumbrada do cinema. Achei o filme agradável, que é o mínimo que se pode achar de um filme de Woody Allen. É leve, despretensioso, e de uma graça muito sutil, muito mesmo, quase imperceptível. Gostei, mas não gamei, como costumo gamar em quase todos os outros. O filme do primeiro semestre, “Tudo pode dar certo”, achei bastante superior. O problema foi o roteiro? Não sei. Tenho impressão de que o elenco não foi bem escolhido, ainda que muitos críticos digam que é justamente o que salva o filme. Naomi Watts é bonitinha, mas não brilha. Antonio Banderas não diz a que veio, totalmente insosso. Anthony Hopkins, que é um ator extraordinário, parece não ter tido tempo suficiente para absorver o papel que lhe deram.

Josh Brolin não convence como escritor fracassado, e Freida Pinto é a indiana lindinha que foi revelada em “Quem quer ser um milionário”, mas num papel ínfimo que não lhe permite nenhum grande momento. As duas melhores atuações são de Gemma Jones como uma sexagenária em crise e Lucy Punch como garota de programa. Você não conhece a maioria deles? Toque aqui, eu também não conhecia.

Na saída do cinema, ouvi um comentário de uma espectadora: “Que maravilha!”. Sendo eu uma fã absoluta de Woody Allen, me deu saudade de mim mesma, eu é que costumava dizer essa fala, mas o fato é que não achei uma maravilha. Óbvio que tempo perdido tampouco foi, Woody Allen sempre encanta pelo despojamento, pela classe, pela trilha sonora e pela direção extremamente naturalista, mas “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos” não matou minha abstinência habitual: fiquei ainda mais ansiosa pelo seu próximo filme.

————

Mudando totalmente de assunto e me permitindo compartilhar com vocês minha vaidade, segue o link para a leitura do texto que o Tony Belotto postou em seu blog na revista Veja. Quem tem amigos, tem tudo.

http://veja.abril.com.br/blog/cenas-urbanas/cenas/quem-tem-medo-de-martha-medeiros/

Beijos!

A vida segue

24 de novembro de 2010 16

Oi, desculpem a demora de atualização do blog, é que ando numa corrida insana. Nesta quarta estou voando pra São Paulo, onde gravarei entrevista com Marilia Gabriela para o programa do GNT. Assim que souber a data em que irá ao ar eu aviso aqui mesmo pelo blog.

Entre um voo e outro vou tentando colocar a leitura em dia. Gostei muito de Os íntimos de Inês Pedrosa, mas devo estar meio sequelada, porque o resumo feito pelas resenhas  não bate muito com o que percebi do livro. Ainda assim, prosa da mais alta qualidade.

Li um livro muito engraçado. Chama-se Eu, minha (quase) namorada e o guru dela, do inglês William Sutcliffe, de quem nunca tinha ouvido falar. Leitura ligeira, com muitos diálogos, sobre um garotão que resolve fazer uma viagem pra India só pela oportunidade de estar perto de uma garota: a turnê, que era pra ser uma experiência espiritual (e sexual), se revela catastrófica. Adoro quando os ingleses apostam no politicamente incorreto. Me diverti.

Li também o excelente Um erro emocional, do catarinense Cristóvão Tezza. Uma prosa totalmente inventiva. A história permeia a mente de um homem e uma mulher dentro de um apartamento, criando um suspense muito intimista. Pra quem gosta do gênero, invista.

E estou lendo agora Louco para ser normal, do psicanalista Adam Philips, um sujeito que acompanho há alguns anos e que nunca me decepciona. Qual a diferença entre sanidade e loucura? Acho fascinante este tema. Não terminei o livro ainda, mas ele já está bastante sublinhado. Em breve, crônica a respeito.

Ainda esse semana eu conto como foi a entrevista com a Gabi.

Beijos!

Notícias do frio

13 de julho de 2010 27

Brrrrrrr…. 9 graus em Porto Alegre nessa terça, 18h00. Mas a sensação térmica é de menos, por causa do vento. Tudo bem que fez um lindo dia de sol, mas, caramba, não tenho mais paciência pro frio de rachar. Se bem que não se pode reclamar, porque semana passada fazia quase 30 graus por aqui, uma sorte o inverno ter chegado atrasado esse ano.

*

Fui mais uma a não me empolgar com a logomarca da Copa do Mundo no Brasil. Uma homenagem aos goleiros, pelo visto. Se não for, mão na bola representa o quê? Volei, basquete, handball? Ok, ok, sabemos que representa a integração entre os povos, etc, etc. Ainda assim, achei simplória. Gosto de coisas simples, mas não simplórias.

*

Terminado o Surdo-Mundo, livro do David Lodge que adorei e recomendei aqui, estou lendo outro livraço: Invisível, do Paul Auster. Não consigo desgrudar. Superbem escrito e com um tema pra lá de picante: o incesto.

*

Assisti hoje no DVD Quando Nietzche Chorou, baseado no livro do mesmo nome, de Irvim Yalom. Como eu gosto demais de tudo o que se relaciona com psicanálise e havia gostado muito do livro, conferi a versão cinematográfica, que é muito irregular. As cenas que retratam os sonhos e delírios dos personagens são bizarras, risíveis até, de tão kitch. Já as cenas que mostram o início da psicanálise quando ela nem ainda tinha esse nome (dizia-se “a cura pela fala”) são interessantes. Enfim, um filme só pra quem curte mesmo o assunto, porque para quem curte cinema, é fraco.

*

Soube hoje que o parlamento francês aprovou a proibição do uso do véu islâmico na França. Isso não estaria na contramão das liberdades individuais? Nós podemos até questionar o seu uso, podemos considerá-lo um símbolo da opressão feminina, mas há que se respeitar a religião e os costumes de todas as nações. Como é que vão ficar as mulheres muçulmanas que vivem na França? Se a burca é um elemento de opressão, e é, sua obrigatoriedade teria que ser extinguida nas sociedades em que foi originada.

*

Hoje, 13 de julho, é dia do rock. A benção, Mick, Keith, Ron, Charlie, Paul, John, George, Ringo, Elvis, Kurt, Eric, Bono e outros tantos que fizeram e fazem história e espalham seu legado para o mundo todo. Vida longa às guitarras!

*

Beijos.

Cássia Kiss e eu

08 de julho de 2010 37

Olá, pessoal.

Obrigada pelas mensagens deixadas.

Acabo de chegar de Brasília. Já estive lá umas quatro ou cinco vezes, sempre correndo, a trabalho. Considero uma cidade sui generis, diferente de todas que já vi. Não imagino como seja morar lá,  mas me rendo à beleza arquitetônica da capital federal. Cada vez que passo pela Esplanada dos Ministérios meu queixo cai, principalmente à noite, com as luzes iluminando a catedral, o congresso, o palácio do governo, e mais adiante, a incrível ponte JK. Passados 50 anos da inauguração de Brasília, ela segue sendo futurista e tudo indica que nunca ficará datada. A imponência da obra de Niemeyer é algo que faz com que ele mereça mesmo o epíteto de gênio.

*

Mas queria mesmo é contar pra vocês como foi o encontro no Centro Cultural Banco do Brasil. À tarde, antes do evento, me encontrei rapidamente com a Cássia Kiss numa sala de imprensa improvisada no hotel em que estávamos hospedadas. Cássia está linda, jovem, radiante – resumindo, apaixonada. Estava acompanhada do marido, João, e o casal não se desgrudava um minuto, coisa rara de se ver até entre adolescentes. Legal ver uma mulher madura, vivida, já com quatro filhos de relacionamentos anteriores, abrir-se para um novo encantamento. É como eu digo: paixão rejuvenece mais que botox…

*

Então fomos para o CCBB e chegando lá já havia uma longa fila a nossa espera. O auditório lotou, tinha gente sentada no chão. Primeiro o curador do evento, Marcelo Andrade, fez uma rápida apresentação do projeto que se chama Escritores Brasileiros: a cada mês eles levarão um escritor para falar sobre sua obra e um ator/atriz para ler os textos. Nos próximos meses Brasília receberá Luis Fernando Verissimo, Marina Colasanti, Nelson Motta e outros. Não lembro agora o casting inteiro, mas é poderoso.

*

Aí fui chamada ao palco e fiquei uma meia-hora contando sobre como comecei minha carreira, os desvios e mudanças de rota desde a infância até chegar aqui, o que gosto de escrever, como costuma ser a reação dos leitores, enfim, um tricô regado a muito bom humor e informalismo. Eu me senti em casa, e acho que a plateia curtiu também.

*

E então chegou o grande momento: Cassia Kiss subiu ao palco para ler algumas crônicas do meu livro Doidas e Santas. Sempre considerei a Cassia uma atriz intensa, e imaginei que ela talvez desse uma certa dramaticidade ao texto, mas que nada, de cara ela foi tirando os sapatos que apertavam e deixou todo mundo super à vontade. Leu com muita graça e leveza, as pessoas riam demais, foi uma delícia. Eu, que costumo ficar constrangida quando ouço textos meus sendo lidos em voz alta, relaxei e curti, por mim teria ficado lá até a madrugada…

*

Uma palinha pra vocês verem como não estou inventando nada, foi bem assim:

http://www.youtube.com/watch?v=51GSUFgvdoA

*

Bom, aí fomos para a livraria do CCBB, autografei alguns livros e jantamos ali mesmo, no bistrô. Uma noite agradabilíssima, que tem tudo para se repetir no Rio dia 14 de setembro.

*

Antes disso, em agosto, está confirmada minha presença dia 4 em Natal e dia 5 na Feira do Livro de Mossoró, RIo Grande do Norte.

*

Vamos falando. Beijos!

Pós-Copa

06 de julho de 2010 16

Pois é, todo mundo de volta à vida… Vou contar uma curiosidade pra vocês. Eu moro no mesmo edifício do Paulo Paixão, preparador físico da seleção brasileira. Um cara educadíssimo. Encontrei-o na garagem do prédio anteontem, quando ele estava chegando com malas e bagagens da África do Sul.  O abracei e disse sinceramente o que pensava: que eles haviam realizado um trabalho digno.  Fazer o quê?  Claro que a vitória é tudo o que se quer. Mesmo que tivéssemos ido para a final, nossa frustração seria a mesma se fôssemos desclassificados. Mas não consigo sentir essa raiva que a nação inteira tranferiu pro Dunga. Uma coisa não se pode negar: ele foi coerente. Treinou uma equipe vitoriosa por 4 anos e não quis, na hora do bem-bom, trocar os jogadores com quem estava acostumado por garotos que mal conheciam o grupo. Não estou dizendo que ele fez certo ou errado, estou dizendo que ele foi coerente, e já estou vendo alguns aí me xingando, dizendo que coerência não ganha Copa do Mundo, como se houvesse uma fórmula secreta para a vitória. Ninguém tem. Todos tentam, cada um a seu modo. E 31 equipes voltam pra casa sem o troféu. Um só vence.

*

Dunga talvez tenha errado mais no seu comportamento pessoal do que na escalação do grupo.  Rosto emburrado, complexo de perseguição, excesso de zelo, tudo isso engessa não só o futebol, mas a vida em todos os seus aspectos. Sabemos que o futebol é mais que um esporte, hoje: é uma indústria que move milhões e ninguém quer saber de brincadeira, mas, pomba, um pouquinho de leveza não teria feito nada mal ao time. E foi uma estupidez sair do campo ao final da partida sem cumprimentar o técnico da Holanda e sem abraçar os nossos jogadores, como fez Maradona. Com um pouco mais de espírito esportivo, nosso final teria sido menos triste.

*

Blablabla requentado, esse meu. Copa, que Copa? Vivemos num mundo que aboliu o ontem. O ontem não existe mais, a não ser como vaga memória. É tudo tão frenético que temos apenas a realidade do agora e uma projeção de futuro, igualmente frenético. Lembra quando 4 anos era tempo pra caramba? Pois tenho a sensação de que a Copa do Mundo de 2014 já está ali na esquina. Os relógios e calendários nunca tiveram tanta pressa.

*

Amanhã, quarta, estarei em Brasília. Quem puder, participe do encontro às 19h30 no Centro Cultural Banco do Brasil. Depois conto como foi assistir a Cassia Kiss lendo meus textos, admiro demais essa atriz, vai ser uma honra.

*

Falando em atriz, ontem a Cissa Guimarães me telefonou dizendo que a temporada do Doidas e Santas no Teatro Leblon, no Rio, foi prorrogada por mais três meses devido ao sucesso. A peça ficará em cartaz até outubro!

*

Já a peça “Tudo que eu queria te dizer”, com Ana Beatriz Nogueira, fez um rápido tour pelo interior do Rio e estreará em Porto Alegre dia 10 de agosto. Se alguém já assistiu, me conte!! Ainda não vi nada, tô na maior expectativa.

*

Vamos falando, beijos!

Mata-mata

02 de julho de 2010 17

É só um jogo de futebol, a vida continua… mas que frustração!!!!!!!!!!!

Bola pra frente.

Transfiro minha torcida pra seleção do Uruguai!!!

Beijos!!!

Os que erram o pênalti

30 de junho de 2010 11

Até ontem, eu nunca tinha ouvido falar em um jogador chamado Komano. Sendo mais sincera, acho que nem havia reparado que o Japão estava competindo na Copa. Mas aí aconteceu a primeira disputa de pênaltis do Mundial, entre as seleções do Paraguai e Japão, e com a tevê ligada na sala, parei. E sofri. Que coisa mais angustiante é uma disputa nos pênaltis. Quando Komano chutou no travessão, quase chorei, não estou brincando. Fico pensando no que um atleta sente nessa hora.

Depois de anos de treino, depois de passar pelas eliminatórias e conseguir participar da maior competição esportiva do mundo, e então passar pela primeira fase (pela primeira vez), e finalmente jogar 120 incansáveis minutos em busca de uma classificação, vai tudo por água abaixo por causa de um chute mal mirado. Ninguém esquece uma coisa dessas.

Ok, aqui no Brasil já esquecemos, estamos nem aí pro Komano e para os demais jogadores da seleção do Japão, mas esse nome ficará gravado na mente dos nissei, sansei, yonsei, sei lá.  O povo japonês é educado e não vai condená-lo por ter errado, isso pode acontecer com qualquer um, mas Komano não se perdoará tão cedo, a terra do sol nascente virou, para ele, a terra do sol poente, o mundo escureceu, ele mal deve ter conseguido encarar seus colegas. Abra os olhos, Komano: hoje ninguém está falando mais nisso. Aliás, acho que só eu mesma pra ainda lembrar do que aconteceu ontem. Ontem foi há 200 anos.

É que fico sensibilizada com os azarões.  Com goleiros não existe azar na hora do pênalti.  Se ele não defende, tudo bem, a maioria dos pênaltis são mesmo indefensáveis. E se defende, sai consagrado. Mas com o batedor é o contrário. O que converte não está fazendo mais do que sua obrigação, já o que põe tudo a perder costuma ficar marcado, mesmo que os parceiros digam, não foi nada, não foi nada.

Komano, não foi nada. Você poderia ter sido protagonista de uma falha mais grave, um erro médico, uma obra mal erguida, um desvio de verba, mas apenas desviou a bola um pouco mais pro alto do que deveria, faltou paz de espírito. Medite. Há coisas piores na vida do que desperdiçar um pênalti e isso desclassificar sua seleção.

(Mas, durante uma Copa do Mundo, não posso imaginar o quê).

Que a gente não passe por essa tortura na próxima sexta-feira e derrote os holandeses no tempo regulamentar, com um belo futebol. Decisão por pênaltis é pra quem tem o coração forte – e sorte!

Beijos!

Inhotim e David Lodge

28 de junho de 2010 17

Olá!

Nesse último final de semana realizei um desejo: conhecer o Instituto Inhotim, localizado em Brumadinho, MG. Inhotim é um parque enorme que reúne diversas galerias de arte contemporânea junto a um jardim botânico de tirar o fôlego. A ideia, em si, é bárbara: unir obras de arte feitas pelo homem a obras de arte criadas pela natureza. Além das galerias, há também obras expostas a céu aberto. É um passeio imperdível. Brumadinho fica a cerca de 50km de Belo Horizonte, mas quem quiser saber detalhes mais precisos, pode acessar www.inhotim.org.br

*

Gosto de arte e gosto de natureza, mas não deu empate: dessa vez, a natureza me impactou bem mais. De todo o passeio, foram as caminhadas entre as diversas espécies vegetais que mais me deram prazer. E também a parada estratégica para o almoço no restaurante do parque, um local moderno, charmoso, superbem decorado e com um buffet excepcional. Uma delícia almoçar embaixo das árvores, naquele ambiente inspirador.

*

Quanto à arte contemporânea, não sou a pessoa certa para falar a respeito, porque não consigo abstrair o suficiente para entender as chamadas “instalações”. Gosto muito de pinturas, esculturas e de algumas experimentações que se fazem em nome da arte, mas experimentalismo demais me parece um embuste. Volto a dizer, não sou entendida no assunto, é opinião de uma leiga absoluta. Já vi muito coisa sem sentido (ao menos pra mim) em bienais de arte no mundo inteiro, e em Inhotim não foi diferente. Projeções de vídeos caseiros totalmente nonsense, vidros encostados na parede, salas vazias com sons obscuros saindo de alto falantes, salas escuras com efeitos de luzes… Entendo que a intenção é provocar os sentidos, mas a única coisa que isso desperta em mim é minha ignorância. As obras do pernambucano Tunga foram as que mais me atraíram, é uma porralouquice que abala, não mantém ninguém indiferente, mas fora isso, eu saía das galerias louca para ver as palmeiras, os lagos, as árvores, tudo o que realmente inspira essa caipira aqui.

*

Sei que não precisamos entender tudo o que vemos, que a lógica não é uma aliada da arte, que o que importa é o sentimento despertado, mas tudo tem um limite.  Uma cadeira de pernas pro ar jogada no meio de uma sala, por exemplo, pode ser uma obra de arte e pode ser apenas uma cadeira de pernas pro ar, vai depender da interpretação do artista, interpretação essa que costuma estar exposta em pequenos avisos nas paredes, em que consta o nome do autor da engenhoca, o material empregado e o que eles quis dizer com aquilo. Sem a explicação, fica-se boiando. Eu fico, ao menos.

*

Trocando artes plásticas por literatura: estou terminando de ler mais um livro de David Lodge, autor inglês que gosto muito. O título (ruim): Surdo Mundo. Você leu certo: Surdo Mundo, e não Mudo. Detesto trocadilhos. Detesto. Trauma de uma época longínqua em que eu trabalhava numa agência de propaganda em que algumas pessoas eram viciadas nesse humor sem graça, cujo único mérito é fazer malabarismo com as palavras. Argh.

*

Mas voltando ao livro, que originalmente se chama Deaf Sentence. É a história de um professor aposentado que a cada dia fica mais surdo. Um relato inteligente, bem-humorado e terno sobre como as relações familiares e profissionais são afetadas pela convivência com alguém que possui uma deficiência que obriga a um remanejo de conduções e atitudes. A surdez sempre nos pareceu um mal menor (quem nunca disse “prefiro ser surdo a ser cego”?), mas há muitas dificuldades que essa carência auditiva invoca, e também algumas sutilezas curiosas: às vezes ser surdo pode ser um benefício em meio às nossas dificuldades naturais de comunicação, dificuldades que todos temos, você, eu, todo mundo.

*

O livro é um romance genérico, não fica batendo apenas nessa tecla da surdez. Discute assuntos diversos, todos eles interessantes, envolvendo as filigranas dos relacionamentos e também fala sobre arte em geral e linguística em particular. Um livro rico de informações, e que além disso diverte e emociona. Recomendo.

*

Coincidentemente, ontem, no avião, quando voltava de Minas, li um trecho em que o personagem do livro diz: “A maior parte da arte contemporânea é sustentada por uma estrutura discursiva, sem a qual simplesmente viria abaixo e seria indiferenciável de lixo”. Pode ser que David Lodge e eu estejamos redondamente enganados, mas adorei descobrir essa afinidade de pensamento com um autor que respeito tanto.

*

Além de Brumadinho, conheci também a Serra da Rola-Moça e fiquei deslumbrada com essa região montanhosa, que visual! Estive em Minas a passeio, apenas a passeio. É possível que volte muito em breve para uma sessão de autógrafos, avisarei se for confirmado. Por enquanto, convido para um encontro no Centro Cultural Banco do Brasil dia 7 de julho em Brasília. A atriz Cassia Kiss lerá alguns textos meus e depois comentarei um pouco sobre meu trabalho.

*

Beijos, boa semana a todos!