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24 de setembro de 2010 30

Estou em clima de contagem regressiva. Segunda-feira embarco para Nova York, como contei pra vocês. Mesmo com muitas milhas acumuladas, sempre dá um friozinho na barriga antes de partir. Isso que será apenas uma semaninha. Só quando entro no avião é que relaxo pra valer. Estou certa de que vai ser muito bom, vou com uma grande e querida amiga. Temos muitas afinidades, mas nunca viajamos juntas, será nosso test-drive. Já temos dois espetáculos agendados e estamos levando na bagagem centenas de dicas de amigos. Poderíamos ficar lá uns quatro meses sem repetir um único lugar… Prometo que na volta eu conto como conseguimos condensar tudo em uma semana.

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Enquanto isso, ainda tenho dois bons programas pra fazer aqui em Porto Alegre. Hoje à noite assistirei “In on It”, peça premiadíssima de Enrique Diaz, com os excelentes atores Fernando Eiras e Emilio de Mello. No Theatro São Pedro, dentro da programação do Festival Em Cena. E amanhã devo prestigiar o lançamento do livro da Heloisa Crocco, prestigiada astista plástica gaúcha, cujo ateliê, por si só, já é uma obra de arte. Quem quiser conhecer o trabalho dela e seu ateliê é só acessar www.croccostudio.com

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Estou terminando de ler o livro A dama da Solidão, de Paula Parisot. Ela já publicou outros livros, mas como eu não conhecia nada de sua obra, comecei pelo seu livro de estreia. Apesar de eu não ser uma entusiasta de contos, esse livro me ganhou. Paula escreve muito bem, tem um texto sensual que nunca fica vulgar e suas histórias são surpreendentes. Deu para entender porque Rubem Fonseca ficou tão fascinado por ela.

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Paula foi protagonista de uma polêmica ano passado: fez uma performance inusual numa livraria em São Paulo. Não lembro direito os detalhes, mas me parece que, por alguns dias, ela ficou trancada numa caixa de acrílico à vista do público. Dormia, comia, passava o dia e a noite lá. Algumas pessoas acharam o fato curioso, outros condenaram, enfim, é pra isso mesmo que se faz isso, para causar barulho. E o barulho ficou ainda mais estrondoso quando Rubem Fonseca passou a visitá-la, a levar comida, etc. Se vocês pesquisarem no google terão informações mais exatas a respeito. O que importa é que, com ou sem performance, a garota entende do riscado.

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Conheci Paula pessoalmente três meses atrás. Foi a única vez em que nos falamos. E para contar essa história, vou agora abrir pra vocês um segredo que eu vinha guardando. Em junho passado, recebi um telefonema do canal GNT me convidando para gravar um piloto para o Saia Justa. Era uma sexta-feira, e eu teria que estar em São Paulo na segunda de manhã. Eu não pensei muito se gostaria ou não gostaria de fazer parte do novo elenco do programa, na hora só o que pensei é que seria uma oportunidade de estar de novo com Monica Waldvogel, com quem jantei uma vez e por quem tenho enorme admiração, e além disso teria o privilégio de descobrir como funciona os bastidores do programa. Não tinha muita ilusão de que fosse passar no teste, televisão não é o veículo onde me saio melhor. Fui pra São Paulo.

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Só quando cheguei no estúdio é que soube quem seriam as outras convidadas para gravar o piloto – e esse não era o único, eles vinham gravando vários, testando diversos nomes. Nesse dia, o teste seria com uma atriz chamada Flavia Garrafa, a Paula Parisot e eu. Ninguém conhecia ninguém, mas nos entrosamos bem no camarim. Aí fizemos uma breve reunião com Monica e a equipe do programa (adorei ter conhecido o diretor Nilton Travesso, lenda viva da tevê brasileira e um sujeito muito doce) e então fomos gravar. Admito: não doeu. Passou rápido. A gente se divertiu. E bater papo naquele cenário que tantas vezes eu assisti em casa, sentada onde costumavam sentar Maitê Proença, Beth Lago e Marcia Tiburi, olha, mexeu com minha autoestima.  Sou superfã do programa, desde sua formação inicial. Mas não mudei de  opinião sobre mim mesma, segui não acreditando no meu potencial televisivo. Fiz o que me foi pedido e voltei no mesmo dia para Porto Alegre. Contabilizei como mais uma experiência de vida.

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Passaram-se dois meses e nunca mais tive notícia sobre o assunto. Já havia virado essa página, quando um dia me liga a Leticia Muhana, diretora do canal, dizendo que eu era uma das escolhidas para integrar o novo casting. Esse telefonema me pegou totalmente de surpresa. Eu estava dentro do meu carro, estacionado em frente à escola da minha filha menor, lendo um livro, e não imaginava que meu dia seria diferente de qualquer outro dia da semana. Mas um convite desses perturba. Pedi 24 horas pra pensar, e Leticia gentilmente atendeu. Voltei pra casa com a cabeça fervendo. Conversei a respeito apenas com a minha mãe. E aos pouquinhos passei a imaginar como seria meu dia-a-dia se dissesse sim. Não era a mesma coisa que aceitar uma nova coluna em jornal ou revista. Isso faz parte da minha rotina, não altera muita coisa. Mas participar do programa de maior audiência do GNT altera muita coisa. Eu teria que ir toda semana pra São Paulo, além das viagens que já costumo fazer para divulgar meus livros. Eu teria que me dedicar à pauta do programa, ficar mais bem informada sobre tudo o que acontece. E ficaria muito mais exposta. Escrever também é uma exposição, mas uma exposição light. Minhas palavras entram na casa das pessoas, mas televisão coloca mais do que palavras: coloca tua voz, teus gestos, teu corpo, tua imagem – e teus vacilos. Fica-se à mercê de julgamentos de um número bem maior de pessoas. Claro que nada disso é ruim, ao contrário: se um convite desses é feito, é porque acreditam no seu talento, é um reconhecimento do seu trabalho. Sabedora disso, tive que usar de toda diplomacia e educação para justificar à Leticia, 24 horas depois, que continuaria onde estava e como estava. Resolvi que esse desafio era grande demais pra mim. Não aceitei.

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Dentro do meu círculo íntimo de amigos, houve quem dissesse que eu não podia ter perdido essa oportunidade. E houve quem me dissesse que fiz bem, que não era necessário dar esse passo na minha carreira, a não ser que fosse algo muito confortável pra mim – o que não seria. Ando cada dia mais caseira e mais na minha, dentro do que a minha profissão possibilita. Posso ter errado ao recusar. Sou fã do programa, sempre fui e sempre serei. Mas minha intuição me disse que não era caso de abrir mão da minha zona de conforto. De qualquer forma, deixo aqui registrado o quanto me senti prestigiada com o convite. E só estou abrindo essa história agora, três meses depois do piloto e um mês depois do convite formalizado porque li em uma revista que a Paula Parisot também foi aprovada no teste e está negociando sua participação, e li em outra matéria que uma outra provável integrante talvez seja a atriz Ingrid Guimarães (sem confirmação até o momento), então, como estão começando a pipocar alguns nomes, resolvi que já dava para compartilhar com vocês mais essa curiosidade da minha vida. Até porque vou ficar ausente uma semana inteira do blog e não podia sair sem deixar aqui algum babado.

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Se der tempo, ainda comentarei sobre a peça In on It e sobre a minha visita ao ateliê da Heloisa Crocco.

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Mas se desaparecer, não se esqueçam de mim. Dia 5 de outubro estou de volta.

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Beijos!

Audioteca Sal e Luz

22 de setembro de 2010 12

Vou repassar pra vocês um e-mail recebido – passem adiante. Volto amanhã contando novidades. Beijos!


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Viagem pra trás, viagem pra frente

19 de setembro de 2010 17

Acabei de chegar do cinema, onde fui assistir Uma Noite em 67, documentário sobre o último dia do Festival de Música da TV Record. Eu lembro de tudo, o que denuncia minha decrepitude. Tinha seis anos de idade. Naquela época, não existia essa história de “música para criança”, que gerou fenômenos como Xuxa e derivados. Ouvia-se o que os pais ouviam, música de adulto. Fui criada escutando Beatles, Janis Joplin, Tina Turner, Astor Piazzola, Burt Bacharach e muita música popular brasileira. Eu posso dizer que Chico Buarque e Caetano Veloso me influenciaram tanto quanto Monteiro Lobato e Mario Quintana.

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As músicas vencedoras desse festival logo se materializaram lá em casa em forma de disco. Ponteio (Edu Lobo), Alegria Alegria (Caetano Veloso), Roda Viva (Chico Buarque), Domingo no Parque (Gilberto Gil). E mais o disco dos Mutantes, aquele em que a Rita Lee aparecia vestida de noiva na capa. E o disco da Gal Costa, em que ela cantava Objeto Não Identificado e Divino Maravilhoso, duas das minhas músicas preferidas até hoje. E Rita Lee, Raul Seixas, Tim Maia, Jorge Ben, Elis Regina. Me criei ouvindo tudo isso, sem falar no Roberto Carlos na época da Jovem Guarda.

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Ter assistido ao documentário foi uma agradável viagem no tempo, lá se vão mais de 40 anos. Mas achei os depoimentos meio fracos, tipo nada a acrescentar. Parecia que ninguém estava muito a fim de ir fundo na lembrança. No final do filme, o próprio Chico diz que quando vê uma foto da época, pensa “puxa, eu era bem bonitinho”, mas não fica remoendo antigas sensações. O mesmo disse Caetano, salientando os estragos físicos causados pela passagem do tempo (bobagem, segue um tipão). Quer saber? Eles nem precisam falar mais nada mesmo, já nos deram ouro em pó com seu megatalento. O documentário é isso: muita nostalgia e um pouco de blablabla.

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E curiosidades. Como tudo era mais simples, mais rudimentar. E fumar não era proibido: era obrigatório. Repórteres fumando entrevistavam artistas fumando, enquanto que o cinegrafista fumava, e o técnico de som, e o cara da orquestra, e o iluminador, ai de quem não fumasse. Era 1967. Havia mais o que patrulhar.

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O público, composto em sua maioria de jovens, parecia gostar de aparentar mais idade, vestiam-se como adultos. Maturidade era um valor que pegava bem. Hoje quem é maduro se veste como garoto. Maturidade se transformou num valor obsoleto.

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Valeu ter assistido.

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Saindo do século passado para este: vocês lembram que há um ano fiz uma viagem espetacular pelo Marrocos. Viajo ao exterior uma vez por ano, é o meu luxo de consumo. Não mais que 10 dias. É o suficiente para eu oxigenar as ideias e descansar. Esse ano o mesmo grupo que organizou a viagem ao Marrocos vai viajar pela Itália. Quem não conhece e tem uns bons trocados para investir, vale a pena. A viagem começará em Florença, depois passa 4 dias no interior da Toscana fazendo trilhas, aulas de culinária e desgustação de vinhos e termina em Roma, com direito a uma visita privada à Capela Sistina – sim, Michelangelo exclusivo para o grupo. Eles embarcam dia 12 de novembro e ainda há vagas. Informações com a Porto Brasil Viagens (f: 51-3025. 2626) ou pelo e-mail encontroscomarte@terra.com.br

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Se eu não tivesse feito esse roteiro poucos anos atrás, viajaria com esse pessoal de novo. Mas resolvi dar uma escapada mais curta, de apenas uma semana, e para um lugar em que só estive uma vez, 18 anos atrás. Nova York. Embarco daqui a uns dias e já estou contando os minutos. Será quase como uma estreia. Na volta prometo um post detalhado. Mas antes de ir vocês ainda vão me ver por aqui.

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Beijos e bom início de semana!

 

De volta do Rio

16 de setembro de 2010 34

Cá estou em Porto Alegre de novo. Meu Deus, passo menos de 48 horas no Rio e parece que fiquei longe uma eternidade de tempo, tanta coisa rola quando estou por lá. Vou dar uma palinha pra vocês.

Cheguei na terça à tarde e fui direto almoçar com a minha editora, Isa Pessoa. Acertamos os últimos detalhes para o lançamento do Fora de Mim. Confirmadíssimo dia 17 de novembro na Livraria Travessa, a de Ipanema. Depois do almoço fui para um estúdio tirar fotos para divulgação. Isso ainda é meio novo pra mim, mas nas últimas semanas aconteceu três vezes de eu ter meu momento “top model”. Não é fácil fazer caras e bocas em frente a uma máquina fotográfica. Eu não levo o menor jeito, fico sem graça, mas a equipe é sempre camarada comigo e no fim das contas acabo me divertindo. Sair da rotina é sempre um prazer.

Feitas as fotos, fui pro Centro Cultural Banco do Brasil, onde já me aguardavam o querido Marcelo Andrade, idealizador do projeto Escritores Brasileiros, e a não menos querida Cássia Kiss, que mais uma vez deu show ao ler alguns dos meus textos para um auditório lotado. Vocês não podem imaginar como eu me sinto prestigiada de participar de um evento desse nível. Assim como já havia acontecido em Brasilia, foi uma noite agradabilíssima. Em tempo: obrigada pela presença, Gustavo. Fã fiel é isso aí.

Depois fui jantar com o Marcelo Andrade, já citado, e dois amigos dele que estavam no CCBB, a Andressa, atriz, e o Joaquim, cineasta. Ótimo bate-papo e comida deliciosa do Zazá Bistrô.

Na quarta, fui às 10h30 para o Copacabana Palace, onde seria entrevistada pelo Roberto D´Avila. Cheguei um pouquinho mais cedo e fiquei curtindo a manhã de sol neste que é o hotel emblemático do Rio de Janeiro. Assim que se entra na recepção, percebe-se o perfume de verbena tomando conta do ambiente. Pequenos detalhes que são realmente um luxo. Fui direto pro bar do Cipriani, e fiquei ali olhando a movimentação dos hóspedes na piscina. De repente surge Maitê Proença à minha frente, creio que foi malhar na academia do hotel, sei que ela mora ali perto. Conversamos rapidamente, já haviamos sido apresentadas pela Cissa Guimarães numa outra ocasião.

Finalmente, surge o Roberto D´Ávila, a quem eu só conhecia pela tevê. Um homem elegantíssimo e muito simpático. Gravamos uma conversa de cerca de uma hora, onde falamos de tudo, não só da minha carreira, mas da vida, das relações humanas… Tomara que tenha ficado bacana. Vai ao ar no próximo domingo, dia 19, às 20hs, pela TV Brasil.

À tarde, fui à casa da Cissa, precisava abraçá-la pessoalmente. Bom, não vou entrar em detalhes, pode-se imaginar a luta que ela vem travando contra essa dor insuportável, mas não a encontrei derrotada, longe disso. Está completamente apegada ao trabalho, ao neto e à vida, do jeito que ela pode. Conversamos sobre diversos assuntos e ela me pareceu extremamente lúcida, sensata, forte e afetiva como sempre foi. Gostei muito de revê-la e espero ter outras oportunidades para conversar com a intimidade que conversamos ontem. Certamente teremos.

À tardinha, minha amiga Cristina Brasil me buscou no hotel e em vez de comer o acarajé da Keka, como planejávamos, mudamos de planos (devido à garoa que começou a cair) e fomos pro tradicionalíssimo Bar Lagoa, que eu não ia há séculos. Chope e sanduíche de filé com queijo, um jantar sublime!!! De lá, fomos para o Teatro dos Quatro, na Gávea, onde Lilia Cabral estreava sua Maria do Caritó, a primeira peça depois que ela fez Divã.

Estreia de peça é um agito. Atores e atrizes pra tudo que é lado. Estavam lá Manoel Carlos, Natalia do Vale, Helena Ranaldi, Giulia Gam, Viviane Passmanter, José Alvarenga, Helena Fernandes, Marcelo Serrado, Caio Castro, Claudia Jimenez, Paula Burlamarqui, Edwin Luisi, Mila Moreira e grande elenco. Os flashes não paravam. É a farra carioca. Mas vamos ao que interessa: Maria do Caritó.

A peça é de uma riqueza visual e musical que já quase não se vê hoje em dia no nosso teatro. A montagem foge das questões umbilicais que envolvem as relações afetivas contemporâneas e se instala num universo mais regional, puro e tragicômico. É uma homenagem ao circo, ao interior do Brasil, à fé do brasileiro. O cenário me fez recordar a literatura de Ariano Suassuna, me lembrou do filme Lisbela e o Prisioneiro. Tudo muito colorido, quase como se estivéssemos visualizando uma quermesse do interior. Muita cor, muita vivacidade. Assim também é o figurino e a música, tudo divertido e alegre. O texto de Newton Moreno é excelente, assim como a direção de João Fonseca, e o elenco está afinadíssimo, com destaque para Dani Barros, que arranca aplausos em cena aberta, Leopoldo Pacheco e, como não poderia deixar de ser, Lilia Cabral, que mais uma vez arrasa em cena. Belíssimo programa.

Se pareceu que desdenhei das peças que abordam “as questões umbilicais das relações afetivas”, nada disso, ao contrário, sigo preferindo-as, mas é muito bacana ver um teatro menos econômico, menos intimista, mais generoso no sentido de abraçar não só o público, mas a cultura brasileira como um todo. Foi o que senti dentro do teatro: havia ali uma diferença.

E assim terminei minha brevíssima passagem pelo Rio. Voltei hoje de manhã cedo. Em novembro estarei lá novamente, com carga total para o lançamento do livro. Mas antes disso, muita água ainda vai rolar na minha vida. Estou com uma nova viagem marcada para daqui a 10 dias. Já já conto pra vocês.

Beijos!

Benditas críticas

13 de setembro de 2010 14

Enfim, comaçaram a pipocar as críticas do espetáculo “Tudo que eu queria te dizer”. Por enquanto, muito boas. Ufa. Reproduzo aqui para vocês lerem enquanto eu estiver no Rio. Além de participar do evento literário do Centro Cultural Banco do Brasil, pretendo também provar o acarajé no quiosque da Lagoa, dar um superabraço na Cissa Guimarães (com quem falei só por telefone desde tudo o que aconteceu) e assistir à peça Maria do Caritó com a MINHA Lilia Cabral (será que vou sentir ciúmes de vê-la em outro papel no teatro que não o da Mercedes do Divã?). Darei também uma entrevista ao experiente jornalista Roberto D´Ávila. Conto tudo na volta.

SEGUNDA-FEIRA, 13 DE SETEMBRO DE 2010

Teatro/CRÍTICA

“Tudo que eu queria te dizer”

………………………………………..
Montagem imperdível nos Correios

Lionel Fischer

Numa época em que infinitas variações tecnológicas dominam (ou tentam dominar) os mais prosaicos aspectos de nossas vidas, receber ou enviar cartas tornou-se algo tão obsoleto que quase chega a ser risível. No entanto, e falando apenas em meu nome, devo confessar que sou apaixonado por cartas, um pouco porque odeio computadores (cabendo registrar que os mesmos nutrem sentimento análogo por mim) e um outro tanto porque, em muitos pontos de minha paradoxal personalidade, considero-me um homem do século IX.

Assim, quando soube que o presente espetáculo se baseava no livro homônimo de Martha Medeiros, constituído por cartas, fui ao Centro Cultural Correios num estado de excitação que, fosse eu chegado a remédios, não hesitaria em tomar um Rivotril. Além disso, veria em cena uma das mais brilhantes atrizes deste país – Ana Beatriz Nogueira – sendo dirigida pelo excelente encenador argentino Victor Garcia Peralta. Ou seja: só por inimaginável crueldade dos sempre caprichosos deuses do teatro deixaria o local com outro sentimento do que aquele que de lá saí: completamente fascinado.

Numa cena totalmente despojada, idealizada pelo diretor, ocupada apenas por uma cadeira e uma pequena estante sobre a qual estão depositadas algumas garrafas d’água, cujo precioso conteúdo a atriz sorve de tempos em tempos, tomamos conhecimento de seis cartas, totalmente independentes entre si, que não são lidas, obviamente, pela atriz, mas por ela interpretadas.

Sem entrar em maiores detalhes, pois isso privaria o espectador de muitas surpresas, limito-me apenas a dizer que a autora consegue, em todos os temas abordados, exibir doses equivalentes de humor e tristeza, sagacidade e mágoa, ironia e desamparo, enfim, observações oriundas de sua aguda percepção da realidade e de sua notória coragem de dizer o que pensa, sem levar em conta correntes de pensamento ou comportamento em voga.

Diante da excelência dos textos e tendo à sua disposição uma atriz de exceção, o diretor Victor Garcia Peralta impõe à cena uma dinâmica simples e elegante, deixando todo o resto praticamente nas mãos da atriz. Sábia opção, evidentemente, pois como acabo de dizer, Ana Beatriz Nogueira pertence ao seleto rol de atrizes capazes, graças aos seus imensos recursos expressivos, de extrair tudo que um personagem (aqui vários) pode oferecer. E se a isto somarmos seu carisma, forte presença e inteligência cênica, o resultado não poderia ser outro: uma montagem absolutamente imperdível, à qual nenhum espectador pode se dar ao luxo de não assistir.

No tocante à ficha técnica, Ana Beatriz Nogueira veste-se de negro (figurino não assinado), cabendo a Gabriel Mesquita a adequada trilha sonora. Quanto à iluminação, Maneco Quinderé exibe seu talento habitual, aqui iluminando a cena com sutis, delicadas e pertinentes variações.

TUDO QUE EU QUERIA TE DIZER – Texto de Martha Medeiros. Direção de Victor Garcia Peralta. Com Ana Beatriz Nogueira. Espaço Cultural Correios. Quinta a domingo, 19.

LIONEL FISCHER

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domingo, 12 de setembro de 2010

Tudo que eu queria te dizer

Em 1992, a minissérie “As Noivas de Copacabana”, exibida na TV Globo trouxe-me um enorme impacto profissional, quando optei por seguir carreira de advogado, após ver os debates inflamados entre a promotora, interpretada por Marieta Severo e o advogado agressivo na pele de Milton Gonçalves, no Tribunal do Júri dos últimos capítulos. Além da carreira, esta minissérie apresentou-me também a atriz Ana Beatriz Nogueira, no papel da noiva sobrevivente Fátima. Não foi seu primeiro papel na TV, mas foi o primeiro para o qual eu atentei dos meus 12 anos de idade…
Dali para frente, comecei a admirar bastante suas atuações, como no papel da sem-terra Jacira, da novela “O Rei do Gado”, da filha bastarda Duda de “Anjo Mau”, da oportunista
Ana Paula de “Celebridade”, da temível Frau Herta, de “Ciranda de Pedra” e da fútil Ilana, de “Caminho das Índias”, dentre outras.
Mas minha admiração pela atriz resumia-se ao que eu conhecia do seu trabalho televisivo, o qual, vale frisar, muitas vezes deixou de fazer jus ao seu talento, colocando-a sempre em papeis secundários. Nunca antes a tinha visto num tablado.
Estará em cartaz no Centro Cultural dos Correios, de quinta a domingo, até o dia 24 de outubro, o monólogo “Tudo que eu queria te dizer”, baseado no livro homônimo de
Martha Medeiros, com direção de Victor Garcia Peralta, que também assinou o monólogo “Não Sou Feliz, Mas Tenho Marido”. Trata-se de uma colagem de seis textos epistolares, não sei ao certo se ficcionais ou verídicos, mas nenhum assinado por ‘Martha Medeiros’. As cartas, de inquestionável sensibilidade, emocionam o espectador, pelo simples fato de serem cartas, tão raras em épocas de World Wide Web, e-emails, scraps, e tweets… Trazem aquele gosto de saudade, de quando esperávamos, às vezes dias, para conseguirmos a resposta de perguntas tão simples como “tudo bom com você?”.
Passado o choque de nostalgia, as emoções capturam o espectador das mais diversas formas. Da audácia na carta da recalcada Andressa para Ester, a esposa de seu amante; da triste saudade na carta da viúva Clô para seu falecido esposo; da decisão tomada pela mulher sonhadora, disposta a seguir em busca do seu amor perfeito, ainda que para isso tenha que trocar a vida real pelo paralelismo das noites dormidas; da paixão revelada pela terapeuta a uma de suas pacientes; do pavor na carta endereçada à Eneida, após as revelações de uma cartomante e a inexorabilidade da morte; e ainda, da intolerância de uma paciente por todas as convenções sociais, explicitada para o conhecimento do seu analista. As cartas interpretadas no palco traduzem todo tipo de emoção, em certos momentos tirando-nos o riso e em outros, convidando-nos a refletir acerca da nossa própria crueldade e do vazio da vida, colocando um peso sobre nossos ombros.
Tudo isso numa composição cênica de máxima simplicidade, na qual atriz e ambiente se fundem através da predominância da cor negra no figurino e no cenário, apenas com um foco de luz incidindo sobre si, enquanto, emolduradas pela música composta por Gabriel Mesquita, alternam-se as vidas, os contextos e, sobretudo, as personagens, visivelmente diferenciadas umas das outras pelo virtuosismo interpretativo da
Ana Beatriz, que deita e rola sobre os textos da Martha, revelando a grandiosidade do seu talento e a cumplicidade firmada entre ambas, reforçada através da leitura de uma carta desta para aquela no início da apresentação e, ao final, da resposta enviada pela atriz à escritora.
O único aspecto que entra em choque com a proposta da peça, de revelar “textos escritos”, é a presença, em determinados momentos, de elementos de tal forma gestuais e de oralidade, fazendo-nos questionar como alguém conseguiria “escrever”, transcrevê-los em cartas, o que, de maneira alguma, empobreceu ou comprometeu a beleza do espetáculo. Até mesmo porque, se, por um lado, nestes poucos momentos, faltou
veracidade à idéia de que o ato estava narrado em um texto escrito, por outro, a presença de tais elementos não verbais demonstrou o quanto nossa mente é capaz de divagar e captar emoções, ainda que postas de forma estática, impressas em folhas de papel.
Um belíssimo espetáculo, mais do que recomendado.

Guca Beethoven

 

——

TUDO QUE EU QUERIA TE DIZER, COM ANA BEATRIZ NOGUEIRA

por Leandro Faria

Cartas. Quem nunca sentiu o prazer de receber uma carta de uma pessoa querida e, ansiosamente, abrir o envelope para ler aquelas palavras, para ter notícias e matar a saudade ou simplesmente se comunicar. Em dias atuais, com o advento da internet, dos emails, das mensagens instantâneas por celular, o charme e o hábito de escrever cartas parece quase extinto. Pode ser por isso que a peça Tudo Que Eu Queria Te Dizer, atualmente em cartaz no Centro Cultural dos Correios, no Rio De Janeiro, seja tão deliciosa de ser assistida. A peça consegue nos lembrar de algo que conhecemos tão bem e que pode não mais fazer parte do nosso dia a dia.

Estrelada por Ana Beatriz Nogueira (EXCELENTE!), Tudo Que Eu Queria Te Dizer é baseada no livro homônimo de Martha Medeiros e conta em sua estrutura com a transposição para os palcos de seis cartas que Martha publicou em seu livro. Cartas essas, chamadas por Martha de “essas loucuras domesticadas que às vezes se rebelam“.

Renata, Andressa, Clô, Dirce, Clarissa… Durante aproximadamente 60 minutos, vemos Ana Beatriz Nogueira encarnar cada uma dessas mulheres, dando voz à suas inquietações enquanto escrevem cartas para pessoas diversas. Acredite, suas motivações lhe farão rir, gargalhar, se emocionar, ser empático e lhe deixarão contemplativo. O espetáculo, intimista por ser um monólogo, é delicioso e daquele tipo que continua com você depois que a peça acaba.

Ana Beatriz Nogueira, em seu primeiro monólogo, está arrasadora no palco. É incrível a capacidade da atriz de encarnar seis tipos completamente diferentes entre si, da mulher que busca por liberdade e pra isso está disposta a abrir mão do casamento à jovem senhora que vive sua velhice com saudades da juventude. Durante a apresentação das seis cartas, você nunca pensa que está vendo algo semelhante, já que para cada uma delas, Ana Beatriz se transforma na remetente e não nos deixa ter dúvida alguma disso.

Antes de iniciar a peça, Ana Beatriz lê para a platéia uma carta que a autora do livro, Martha Medeiros, lhe escreveu falando sobre a peça, o projeto e desejando sorte. Por isso, nada mais natural que ao final da peça seja a vez de Ana Beatriz ler uma carta sua endereçada para Martha.

Não tenha dúvidas: vá correndo assistir a Tudo Que Eu Queria Te Dizer. É diversão e entretenimento da melhor qualidade aliado a um preço mais que acessível a qualquer pessoa. Programe-se já, afinal, a temporada vai até 24/10/2010.

TUDO QUE EU QUERIA TE DIZER
Local: Centro Cultural dos Correios – Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro – Rio de Janeiro/RJ – Tel: (21) 2253 1580
Horário: Quinta à Domingo, 19h
Preço: R$ 20

 

 

 

Agatha Christie

13 de setembro de 2010 5

SE, NO DIA 15 DE SETEMBRO, VOCÊ ENCONTRAR

UM LIVRO DE AGATHA CHRISTIE, NÃO ESTRANHE:

É UM PRESENTE DE ANIVERSÁRIO DA L&PM.

 

NOS 120 ANOS DE AGATHA CHRISTIE, A L&PM VAI DEIXAR LIVROS PERDIDOS EM SHOPPINGS DE PORTO ALEGRE, RIO DE JANEIRO,

BRASÍLIA E NATAL. E TAMBÉM ESPALHADOS POR SÃO PAULO.

 

No dia 15 de setembro de 2010, o mundo inteiro comemora os 120 anos de nascimento de Agatha Christie, escritora que só perde para a Bíblia e para Shakespeare em vendas. Neste dia, a L&PM Editores fará uma ação especial para comemorar o aniversário da Rainha do Crime.

Durante toda a quarta-feira, dia 15/09, serão deixados livros de Agatha Christie “perdidos” em shoppings de quatro capitais brasileiras e em diversos pontos da cidade de São Paulo. Quem encontrar, leva pra casa de “presente”.

Serão colocados livros de Agatha Christie da Coleção L&PM POCKET nos Shopping Iguatemi em Porto Alegre, Shopping Rio Design Barra no Rio de Janeiro, Shopping Conjunto Nacional em Brasília e Natal Shopping em Natal. Os livros estarão em locais diversos, muitos deles inusitados. Achou. Levou.

em São Paulo, os livros serão colocados em diferentes locais públicos. Pode ser um banco de praça, uma escadaria, a entrada do metrô.

Divirta-se, divulgue, procure o seu.

Contatos para maiores informações com

Paula Taitelbaum – Núcleo de Comunicação L&PM

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Liberado

09 de setembro de 2010 12

Gugu, a astróloga, liberou o telefone: (51)3332-0325.

Para os que estavam e ainda estão interessados.

Beijos.

Queridos leitores

08 de setembro de 2010 6

Gente, é o seguinte: não tenho conseguido me comunicar com a Gugu, a astróloga que fez meu mapa astral. Acho que ela viajou no feriado. Vou perguntar se posso dar os contatos dela pra vocês. Foram muitos os pedidos e não sei se ela tem como absorver tantos novos clientes, não tenho intimidade com a moça, não sei como são seus horários, etc. Se ela autorizar, aí publico aqui no blog o e-mail dela. Minha intenção não era fazer propaganda, mas deu no que deu.

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Muitos perguntaram onde será vendida a agenda 2011. Creio que nas livrarias do país onde meus livros também são vendidos. Se for complicado achar, pode-se também contatar o site da L&PM (www.lpm.com.br) Mas calma que ela ainda não está no mercado.

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Cariocas, semana que vem estarei aí no Rio, dia 14, para aquele evento já comentado no Centro Cultural Banco do Brasil. Eu falarei sobre minha obra e a atriz Cassia Kiss lerá uns textos meus. Creio que a entrada é livre, com distribuição de senhas. Começa às 19h, se não estou enganada. Os detalhes devem estar no site do CCBB.

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E a peça Tudo que eu queria te dizer já estreou no Centro Cultural dos Correios, de quintas a domingos, às 19 horas. Tenho recebido excelentes comentários. Pudera, a Ana Beatriz Nogueira tá matando a pau.

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Leituras? Terminei o livro Comprometida, da Elizabeth Gilbert (a mesma do ótimo Comer, Rezar, Amar). É praticamente um ensaio informal sobre o casamento. Gostei demais, ela tem um texto leve, divertido, inteligente. Penso de forma muito parecida com ela. E li Alabama Song, de Gilles Leroy, um romance sobre a vida de Zelda Fitzgerald, mas não exatamente biográfico. A autora escreveu como se fosse Zelda, mas há muitos elementos fictícios na trama. O texto é ágil, foge do lugar comum. Gostei.

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Nunca assisti o clássico Easy Rider, que no Brasil ganhou o título de Sem Destino. Eu era uma garota e amava a trilha sonora do filme, até hoje The Weight é uma das minhas músicas preferidas na vida. Mas só agora, com a recente morte do ator Dennis Hopper, é que resolvi tomar vergonha na cara e correr atrás do filme. Talvez ele esteja datado, não sei. Mas vou conferir, tenho que conferir. Já estive duas vezes na locadora essa semana e ele estava locado. Amanhã vou tentar de novo e depois comento.

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Beijo pra vocês!

Mapa astral

05 de setembro de 2010 67

Fiz duas vezes meu mapa astral. Uma vez, ainda adolescente, aqui em Porto Alegre, com uma moça que não recordo, faz tempo à beça e nada me ficou. Anos mais tarde, fiz com uma paulista que nunca cheguei a conhecer pessoalmente, mas lembro do nome: Eliane Lobato. Mandei meus dados pelo correio e pelo correio recebi uma fita K-7 (crianças, nem adianta insistir que não vou explicar o que é), onde ela narrava muita coisa sobre mim, tudo assombrosamente correto. Tanto que, ao ouvirem a fita, meu pai e minha mãe também fizeram os seus mapas, e de novo ela acertou na mosca. Isso foi por volta de 1987. Adoraria ter esse material ainda, porém eu morava sozinha na época e meu apartamento foi assaltado num feriado em que eu estava viajando. Levaram o aparelho de som com a fita dentro.

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Passados mais de 20 anos, resolvi fazer novamente meu mapa astral, dessa vez com a talentosa Gugu Bastian. Estive com ela essa semana e se eu ainda mantinha algum resquício de ceticismo, ele evaporou. A movimentação e influência dos planetas é coisa séria.  Nosso papo valeu como uma sessão de psicanálise.

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Na primeira parte da “sessão”, ela me deu uma breve explicação sobre astrologia (tudo gravado, no final ela entrega o CD). Bom, eu sou Leão com ascendente em Capricórnio, lua em Sagitário e meio céu em Virgem. E então ela começou a falar sobre o que tudo isso significava, como me afetava. Meus pontos fortes, meus pontos fracos. Vou dar uma palinha pra vocês.

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Pontos fracos: sou excessiva onde coloco meu afeto, tenho dificuldade em me desapegar e chego a temer a intensidade dos meus sentimentos. Sou um tango argentino (palavras dela). Além disso, sou bastante crítica com os outros e comigo mesma. Rigorosa ao extremo.

Pontos fortes: sou comprometida com tudo o que faço, tenho uma atitude generosa em relação à vida (honro o fato de ter nascido usufruindo o melhor que a vida dá), minhas exigências pessoais são simples, tenho uma energia ansiosa que é bastante produtiva, me preocupo em me expressar de forma cristalina (não só escrevendo, mas em todas as minhas relações cotidianas) e minha casa é meu refúgio, não sou muito social, e sim doméstica e introspectiva. Não sei se isso é um ponto forte, não foi assim que ela catalogou as coisas, simplesmente me jogou todas as informações juntas, eu é que fiz, comigo mesma, essa diferenciação. Mas realmente prezo meu canto e considero um ponto a favor o fato de não ter muito talento para a performance que a vida coletiva exige.

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Ela falou bem mais, fiz um breve resumo.

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Achei interessante também ela dizer que fui conservadora quando criança, a legítima CDF, e que hoje, madura, sou uma anárquica. Isso talvez não transpareça em meus textos, e também não no meu modus vivendi, mas sei que essa inversão internamente se deu. Construí uma sólida base de lançamento pra mim, quando criança, e só quando senti que estava segura, já adulta, me permiti me divertir pra valer.  Hoje tenho um espírito meio riponga. Ela inclusive falou algo que eu nunca havia me tocado: não levo em conta as hierarquias, não distingo ninguém de ninguém, todos para mim são iguais. Isso explica por que, quando tive um cargo de diretoria, há muitos anos, na época em que era publicitária, me dei mal. Apesar de leoninos serem considerados líderes natos, essa não é minha praia. Tenho horror à arrogância. Verdadeiro horror. E, segundo ela, por essa mesma razão, não me sinto confortável quando me dão muita importância. Claro que o ego e a vaidade agradecem, mas não levo nada disso a sério.

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Meu raio x, turma.

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Depois dessas explanações, começou o melhor da festa: as previsões. Não se trata de dizer o que vai ou não vai acontecer, não existe bola de cristal e nem é esse o propósito do trabalho, ela apenas fala em tendências, em favorecimentos cósmicos – ou desfavorecimentos. E aí foi incrível, porque ela praticamente descreveu certas dificuldades atuais minhas, falou sobre as razões de certas coisas estarem indo bem e outras estarem retrógradas, enfim, bateu exatamente com o meu momento. A boa notícia é que os astros se movimentam, e assim também a vida: nada permanece muito tempo como está.

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Terminada a gravação, ela ainda cedeu um tempo para falar sobre meus afetos mais íntimos, e aí meu queixo caiu, pois, apenas com as datas de nascimento, ela falou de pessoas bem próximas a mim com uma sapiência quase chocante, parecia que ela conhecia cada um. Me deu toques importantíssimos sobre o convívio com elas. Saí de lá mais leve e confiante.

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Sei que muita gente acha tudo isso uma baboseira e eu respeito, já fui uma cética radical, mas isso na época em que era mais infantil e conservadora… Hoje me permito acreditar. Não só nas influências dos planetas, mas acreditar em algumas conspirações que não são científicas, provadas, documentadas. Simplesmente acreditar que há algo além da nossa racionalidade extrema. Se não servir pra nada, ao menos é mais divertido viver assim.

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Beijos e boa semana!

Capa agenda

03 de setembro de 2010 38

Olá, todo mundo.

Fiquei superfeliz que curtiram os relatos da minha primeira viagem ao Velho Mundo… Eu mesma curti demais relembrar tudo aquilo. Mas a vida continua, e como prometido, estou postando aqui a capa da agenda 2011, que em outubro deverá estar no mercado. Eu adorei, achei bem alegre, pra cima. É isso que todo mundo quer de um novo ano, afinal. Que não seja sorumbático, e sim alto astral, que venha carregado de boas vibes. Falando em astral, fiz meu mapa astral essa semana e fiquei impressionada com o resultado. Valeu como uma sessão de terapia (vocês já devem ter reparado que muitas coisas me valem como terapia…) Maiores detalhes no meu próximo post. Vamos sair do plano terrestre e entrar no celestial. Beijos e bom finde!