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Cinema nacional

14 de junho de 2010 6

Olá, olá.

Entre um jogo e outro da Copa, passei o final de semana conferindo dois lançamentos recentes do cinema nacional, em DVD.

Primeiro vi Apenas o Fim, um filme que causou uma espécie de comoção quando foi lançado ano passado, ganhando alguns prêmios especiais de júris em festivais. Eu já tinha ouvido falar que era bacanésimo e tudo mais, e como gosto muito da Erika Mader e mais ainda do trabalho do Gregorio Duvivier, conferi com certa expectativa, que se cumpriu médio. Por um lado, acho que merece todo o respeito um trabalho desenvolvido por um universitário (estreia de Matheus Souza como roteirista e diretor), com baixo orçamento, filmado em apenas 12 dias, com apoio de colegas e amigos. Não é mole fazer um casal de atores segurar um filme de 80 minutos só na base do diálogo naturalista, ininterruptamente. O resultado é bom, tem momentos divertidos, sacadas ótimas, e é interessante divulgar a ideia de que o fim de um relacionamento pode ser tão natural quanto o início e o durante. A overdose de referências da cultura pop é proposital e situa os dois no tempo e no espaço. Tudo ok. Mas não posso evitar de dizer que achei o personagem da Erika um porre. Ô, guria chatinha (atenção, estou falando do personagem!). Talvez eu esteja virando uma tia, ou já seja uma tia completa, vá saber. Não esperava nenhum papo-cabeça, mas um pouquinho mais de.. de… emoção? Sei lá. Tudo muito “questionário Proust” pro meu gosto.

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Outro filme brasileiro: É Proibido Fumar. Faturou os principais troféus da recente premiação da Academia Brasileira de Cinema. Também curtinho (84 minutos) e com um orçamento nada exuberante (mas com mais recursos do que o experimental Apenas o Fim), o filme dirigido por Anna Muylaert conta a história de um casal que não está no fim da relação, e sim no começo – Gloria Pires, sempre excelente, dessa vez faz Baby, uma solitária professora de violão e fumante compulsiva, que vive sozinha e sonha com um grande amor, e Paulo Miklos é Max,  o vizinho da porta ao lado. Miklos, sempre com sua presença hipnótica na tela, faz um cantor de churrascaria esperando que a vida lhe sorria, mas não tem do que se queixar. Vive às voltas com a ex-mulher gostosona e tira seu sonzinho com os amigos, enquanto vai criando um afeto especial por Baby. A cena em que ele coloca pra ela ouvir “Que Nega é Essa” de Jorge Ben Jor é daquelas que justificam a locação do filme – nada de mais, mas tudo de bom. Uma comédia despretensiosa, com muita humanidade, com personagens reais, daqueles que você cruza na padaria ali da esquina.  Ok, todos os personagens citados nesse post são realíssimos, mas tô puxando a brasa pra minha padaria, me permitam. Ah, e o filme ainda traz no elenco Antonio e André Abujamra, Pitty, Marisa Orth e Paulo Cesar Pereio em rapidíssimas pontas. Eu tive a impressão até de ver o Daniel Dantas fazendo ponta também numa cena de reunião de fumantes, mas posso (e devo) estar batendo o pino.

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Apenas o Fim e É Proibido Fumar. Uns vão gostar mais do primeiro, outros mais do segundo, há quem vá odiar ambos e nada disso importa. O que vale é reconhecer que o cinema brasileiro tem se destacado não só no filão violência urbana, como também em filmes mais existencialistas, digamos assim. Se houve um tempo em que pouca coisa prestava, hoje podemos dizer que quase tudo é de respeitável qualidade. Bravo.

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E agora é concentrar, amanhã tem Brasil x Coréia, eu já estou com a pipoca no micro!

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Boa sorte pra nós!